Tópico [Capítulo 1] Lost Children

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~-Narrador

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De qualquer ponto que estejam, desde as ruinas nas quais se abrigam à noite e onde montam sua “base principal”, até os oásis próximos dos quais retiram os mantimentos que precisam para sobreviver, é possível ver as enormes torres da fábrica que se ergue em Neathlen, fábrica a qual nunca estivera lá até a noite que acordaram no deserto, longe da cidade onde nasceram e foram criados, afastados de suas famílias e de toda civilização.

Por diversas vezes, tentaram voltar, mas parecia que não importava quanto tentassem se aproximar, mais distante as enormes torres ficavam. O mesmo acontecia com as pessoas que por vez ou outra viam (os excursores), eles não os viam, e nunca se aproximavam.

Durante dez anos conviveram juntos, e tudo aquilo que tinham conseguiam de caravanas abandonadas ou viradas que encontravam em meio ao deserto.

No momento, começa a escurecer e novamente os ventos gélidos cortam o deserto e jogam areia para todos os lados. Vocês estão em meio a uma das ruinas, em frente a uma fogueira já acesa, e é todo o calor que podem obter até que a noite congelante passe, e sua única proteção contra os ventos são as ruinas quebradas e as peles grossas e velhas de cordeiro que acumulavam desde o primeiro ano até hoje.

~Niix- - Clan Exilium

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Myka Lewis


Há muito havia acostumado-me com as noites gélidas e ventos esvoaçantes do deserto. Puxei ainda mais sob meu corpo, a pele de cordeiro, recebida a tempos antes, para proteger-me da areia que levantava, as vezes.

Estava ali há uns dez, e posso dizer que nada mais surpreendia-me. Pelos menos não estava sozinha. Tinha ao meu lado as pessoas com quem convivi por tanto tempo, sabia tudo sobre eles, e ao mesmo tempo, não sabia nada.

Estava cansada. E não só fisicamente. Mirei a fogueira já acesa, e deixei-me encara-la, perdida em meus pensamentos.

~-Narrador

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Os seus companheiros começavam a aconchegar-se sobre as peles e panos que usavam como camas e cobertas para a noite. As chamas da fogueira ardiam alto, e estalavam. Ao seu redor, apenas o silêncio costumeiro do deserto e o vento uivante.

A lua estava cheia, e coloria de prateado o que a vermelhidão da fogueira não alcançava. As ruinas eram belos cenários no deserto, eram como grandes cidades que existiram muito antes de Neathlen, mas que não resistiram à fúria dos ventos e foram tomadas pelas areias. Haviam restos de edifícios, construções antigas caídas, sem paredes, ou com grandes buracos. Algumas portas e janelas ainda resistiam, aos pedaços, ao tempo.

Há muito vocês haviam decidido que seria mais seguro manter-se fora das construções, afinal, não se podia ter certeza quando elas iriam cair. Sua “base” era em um grande pátio aberto, onde uma fonte há muito seca adornava seu centro, não ficava muito longe da entrada leste da cidade, nem tão próximo.

Ali, onde viveram durante dez anos, não era de fato o lar de nenhum de vocês: foram crianças, que sofreram com o destino cruel e quando tornaram a si, estavam neste local, sem nenhum amparo que não fossem umas às outras e a vista da cidade inalcançável de onde vieram.

Myka estava perdida em seus devaneios, quem sabe sobre tudo o que ocorrera até ali, sobre todas as provas que tiveram que enfrentar e como o destino fora cruel a com cada uma delas, ou quem sabe, talvez, pensasse em como poderia retornar para casa e rever o pai... Afinal, estaria ele bem?

- Myka.. – Uma voz a distraiu de seus pensamentos: era Mary, uma garota franzina não muito mais velha que a própria, que possuía longos cabelos loiros desgrenhados que caiam por sua pele alva e rosto de forma despreocupada. Estivera ali desde o primeiro dia junto com os demais, era a mais ingênua, por assim dizer, mas, ao mesmo tempo, era a que mais metia-se em buscas pela cidade e dentro das construções. Sempre trazia consigo um “saco de tesouros”, que eram objetos (inúteis) que ela mesma recolhia, desde livros estragados em línguas ilegíveis até pedaços de tecidos endurecidos – Eu encontrei uma coisa boa para os meus tesouros, mas não consigo pegar sozinha, será que você pode me ajudar?

~Niix- - Clan Exilium

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Myka Lewis


Papa... Estaria a procurar por mim? Este era o pensamento que tomava-me, enquanto mirava fixamente as fagulhas de fogo que caiam ao redor da fogueira.

A voz de Mary soou, despertando-me de meus pensamentos. Não entendia como a mesma agia tão despreocupadamente, em todos estes anos.

— Claro! Te ajudarei sim!
— sorri, erguendo-me. — Onde está, sua "coisa boa pro tesouro"?

~-Narrador

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A garota sorriu e voltou-se para o interior das ruinas, com um pequeno gesto para que a outra a seguisse.

Quanto mais se afastavam do acampamento, mais as ruinas pareciam que iriam engoli-las, como se desejassem que elas fossem soterradas junto com a cidade que um dia houvera ali, e, de fato, os rangidos constantes que saiam por entre as frestas das velhas construções nõão ajudavam muito a crer que aquele era um local estável.

Mary seguia na frente, segurando uma lamparina antiga e enferrujada que ajudava a dar alguma visibilidade conforme a luz da lua era bloqueada pelas edificações mais altas.

- Não se preocupe – disse a loira enquanto espremia-se um pouco para passar entre duas paredes tombadas – Eu prefiro acreditar que essa área é segura.

Andaram e andaram por cerca de vinte minutos entre as ruelas abandonadas, até adentrarem em uma construção enorme, com pilares rachados feitos de pedra branca maciça. No topo, havia uma placa também de pedra esculpida, com inscrições em uma língua que há muito ninguém mais conhecia.

- Está escrito “biblioteca” – ela empurrou um pouco mais a grande porta de madeira, aumentando o espaço para que pudessem entrar – Pelo menos é o que parece.

Era mais que óbvio o motivo de Mary achar isso : o interior do prédio mostrava se tratar de uma biblioteca. Ou pelo menos o que já foi uma. O interior estava completamente escuro, de forma que enxergar qualquer coisa além do fogo da lamparina era muito difícil. Haviam algumas enormes estantes e madeira escura viradas em todas as direções, as prateleiras que eram esculpidas à própria parede ainda guardavam alguns livros empoeirados, mas a maioria estava espalhada pelo chão em todas as direções. O salão era arredondado, e o segundo andar ocupava apenas um terço do tamanho do inferior, de forma que a cúpula superior era extremamente alta.

A loira seguiu, e começou a subir as escadas que eram adornadas por um carpete duro e imundo, parando na metade e indicando, com o dedo, um monte de estantes um pouco a frente, ainda no primeiro piso.

- Vê aquilo? Você... Escuta aquilo? – com um pouco de atenção, Myka pôde ver: havia algo como uma luz ali dentro. E não tremeluzia como uma luz de fogo, parecia constante, como aquelas dos automóveis que seu pai consertava. Quase que instantaneamente, no momento em que viu a luz, pode também ouvir um chiado leve, suave, que quase misturava-se com o som do vento do lado de fora. Era um leve som de uma máquina funcionando. – Eu quero aquilo para os meus tesouros.
- ela sorriu

~Niix- - Clan Exilium

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* Chocorun *
Myka Lewis


Mas... O que? Myka sussurrou. Aquilo... Não! Uma máquina?

Olhei para Mary. A loira parecia não se incomodar com a sensação que o lugar transmitia, ou com o fato daquele lugar está preste a desmoronar.

— Como pode querer algo que nem mesmo sabe o que é?
— murmurei, atrás de uma forma de aproximar-me do "tesouro". — Você quer aquilo, certo? Vamos pega-lo, Mary.

Queria realmente Mary, mas ainda mais queria descobrir a que máquina referia-se o barulho que ouvia.

~-Narrador

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A jovem abriu um largo sorriso, mostrando a janela que tinha pela perda do canino dois anos antes devido a uma queda.

- "Aquilo que não sabemos do que se trata hoje é o nosso bem mais precioso, pois são as descobertas do nosso futuro”, era o que o meu pai dizia. – ela disse a frase forçando uma voz mais grossa, e fingiu acariciar uma barba imaginária.

Uma camada de areia saltou quando a lamparina foi deixada sobre o apoio da escada e a garota saltou sobre ela, pousando no chão do primeiro piso que, apesar de não estar a mais de 1,5 metros da altura da escada onde se encontravam, fez um baque surdo e areia pareceu cair de todos os lados.

Ambas as jovens correram em direção a pilha de escombros que encobriam a “coisa boa para os tesouros”. De mais perto, o som era ainda mais evidente: definitivamente uma máquina, mas... O que seria?

Elas rodearam o monte uma ou duas vezes. Haviam algumas frestas mais abertas, pelas quais Mary disse já ter tentado passar, mas a pilha era ainda mais grossa no interior do que parecia por fora: pedaços retorcidos de metais que compunham a estrutura de algum pilar, possivelmente, estavam emaranhadas no meio e haviam pontas afiadas nas quais elas poderiam cortar-se (machucar-se com metal velho e enferrujado quando não se possui medicamentos nunca é uma boa ideia, lembrou a loira). Algumas partes poderiam ser tiradas a força ou quebradas, no caso de madeira velha, mas isso poderia desmoronar a pilha e danificar ou perder a máquina em seu interior para sempre.

Subir para ver no topo também seria uma opção, se fossem cuidadosas com desmoronamentos e com o risco de escorregar, afinal, o monte erguia-se até quase a altura do segundo andar, cerca de 3 metros.






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Escreveu em off


Mary é uma NPC importante e ganhou uma ficha que pode ser vista aqui ou no tópico de fichas – disse o velho barbudo e de paletó engomadinho que segue vocês, narrando suas aventuras em um microfone por toda parte.