Tópico [PRÓLOGO] Connor.

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~-Narrador

Usuário: ~-Narrador

Administrador do Grupo
- Quero ver mais quinze voltas, Connor.

O homem de já alguma idade estava sentado em um banco de madeira e ferragens escuras, que ficava posicionado debaixo de uma frondosa árvore, voltado para a praça central Sand Storm – uma das principais praças da cidade, que ficava em uma área que marcava a divisão entre o centro comercial e um bairro residencial de classe média-baixa. A praça, por sua vez, nada mais era que um amontoado de pedras calçadas irregulares, que uniam-se em uma enorme forma oblonga. No centro, havia dois pequenos estabelecimentos, que estavam fechados devido ao horário, e um pequeno parquinho de criança qe acumulava uma fina camada de ferrugem.

A noite já caíra havia tempo e o jovem de doze anos estava de pé desde os primeiros raios do amanhecer. O pai mantinha uma rotina rígida de treinamento diário, que nunca era cessada, fosse dia ou noite, chovesse ou fizesse sol. Hoje o treinamento começara com o básico de sempre e viera a terminar dando voltas naquela enorme praça.

O jovem estava suado, cansado, talvez, de mais um dia de treinamentos intensos. Com a noite, o calor intenso do dia dava lugar a ventos gelados e a temperatura podia chegar a 5ºC. O que, certamente, dificultava a corrida. Mas o homem velho, com seu farto bigode, realmente não parecia que iria ceder independente do tempo que levasse para que o mais jovem terminasse as quinze voltas.

- Vamos para casa. - o homem ergueu-se e saiu a caminhar, com ajuda de sua bengala de cobre fundido. Não se deu ao trabalho de elogiar ou mesmo voltar a vista para o mais jovem. Seguiram-se várias ruas em silêncio ( ainda que o mais novo falasse, o mais velho não responderia) – Connor... – disse por fim, duas ruas antes de chegarem à pequena casa geminada na qual moravam – Você sabe o motivo de treinar assim, não é? – antes mesmo que o jovem pudesse responder, continuou: - Você deve ser forte. Maus ventos se aproximam, sei bem que já ouviu os boatos que os excursores trazem, sobre as pessoas do deserto. Você deve ser forte, e não deve deixar que mais ninguém morra por sua causa.

O jovem sabia bem sobre as pessoas do deserto, ouvira o que falavam sobre isso no rádio e o que comentavam nas ruas: as estranhas pessoas que viviam nas ruinas de antigas civilizações no deserto, e os únicos contatos que tiveram com os excursores terminaram em desastres e centenas de mercadorias roubadas. Sabia, também, que a única pessoa que morrera por sua causa fora Rose, a mulher que lhe dera à luz.

~Caim_

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Lobo solitário
Fazia exatamente o que meu pai mandava, não tardei a terminar as quinze voltas necessitarias, o suor escorrendo pelo meu corpo era incomodativo, estava um tanto ofegante, apesar de sempre treinar cada vez se tornava mais rígido.

Não tardei a me aproximar dele parando para tentar recuperar o ar, quando o ouvi, abriu um pequeno sorriso, já estava acostumado com ele não falar nada, então sobrava para mim tentar ter alguma proximidade.

– Então como me sai? Estou o deixando orgulhoso?


No final ele não respondia, então era preferível eu me calar, assoviava aleatoriamente qualquer som que havia escutado, quando o ouvi dizer meu nome parei e o olhei.

Quando ouvi ele perguntar se sabia o motivo, era claro que sabia, já ira responde-lo quando ele continuou, apenas concordava com a cabeça conforme o que ele falava.

Mesmo que mudasse alguma parte o final sempre seria o mesmo, me limitei a abaixar a cabeça e apenas balbuciar um está bem.

Já tinha ouvido sobre as pessoas do desertos, mas o que me incomodava não era as pessoas do deserto ou o treinamento, mas o fato de ser o culpado da morte de minha mãe, tinha que me recompor.

~-Narrador

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Administrador do Grupo
A casa estava quase tão fria quanto o exterior. Já faziam algumas semanas que o aquecedor não era ligado devido aos custos da manutenção. O pai acendeu a lamparina acima da mesa, e a luz trêmula iluminou o cômodo que acomodava a sala e cozinha, rudemente decoradas apenas com o indispensável.

- Quero que vá para o seu quarto. Hoje terei visitas.

Já há algumas semanas que o pai recebia um ou dois homens, sempre muito bem vestidos, que pareciam ser empresários ou negociantes. Do seu quarto no segundo andar, Connor podia ouvir que discutiam até muito tarde, algo que parecia sério, mas que as palavras não era possível distinguir.

Aparentemente, essa noite seria igual.
Ao inicio, tudo decorreu como o de costume, podia ouvi-los discutir qualquer coisa, sempre em tom de sussurro... Mas, aos poucos, as voes começaram a se alterar, começando pela do próprio pai –

Um tom que o jovem nunca o tinha ouvido usar. Em seguida, as outras duas vozes também se alteraram, e a conversa evoluiu para uma discussão.
Então, o som de algo se quebrando e chocando-se contra o chão ecoou, e o silêncio se fez.

~Caim_

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Lobo solitário
Mal havíamos entrado dentro de casa e ele já havia me mandado ir para o quarto, apenas acenei com a cabeça, respirei fundo e o olhei por um curto tempo, logo subindo as escadas e adentrando meu quarto.

Já estava acostumado com essas visitas de seu pai, por mais que sua curiosidade implorasse para ouvir a conversa não fazia.

Estava deitado na cama, quando comecei a ouvir a conversa se tornar uma discussão, por instinto me levantei da cama me aproximando da porta, não sabia se deveria ir.

Quando ouvi algo se quebrar, fiquei travado, aquele silêncio era perturbador, tudo que consegui pensar foi no meu pai, logo abri a porta e desci as escadas correndo.

~-Narrador

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Administrador do Grupo
Conforme descia as escadas em espiral, um clarão invadia o escuro, e um calor ia se estabelecendo no lugar do frio do anoitecer : todo o andar de baixo agora estava em chamas.

Ao lado da pequena mesa de madeira, uma lamparina quebrada jazia, provavelmente a origem do fogo. Por alguns caminhos era possível sair sem se queimar, se fosse depressa, porém, algo não estava certo: não havia nem sinal de seu pai.

~Caim_

Usuário: ~Caim_
Lobo solitário
Ao notar as chamas levei as mãos para o rosto cobrindo o nariz, pude notar a lamparina, mas tinha algo de errado.

Não estava certo, o velho não estava por aqui, eu poderia sair sem problemas até porem, não podia deixar meu pai.

Fui andando por caminhos onde não havia tanto fogo, a procura de meu pai, não o deixaria para trás, era incapaz disso, já havia matado minha mãe, não seria o culpado por deixar meu pai para trás para morrer.

-Pai, pai cade o senhor?

Se ele estivesse inconsciente seria complicado para poder carrega-lo para fora, se ele apenas estivesse ferido até que estaria tudo bem.