Tópico [PRÓLOGO] Myka

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~-Narrador

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Myka estava novamente à porta da oficina de seu pai, que fora construída no local onde deveria ser a garagem. Um vestido branco coberto por pequenas rendas caía-lhe sobre o corpo e o cabelo ruivo estava desajeitadamente preso por um laço de fita – desde que a mãe os deixara, coubera ao pai cuidar dela, e o homem nunca fora nem de longe habilidoso com coisas mais femininas, como amarrar uma fita ao seu cabelo ou colocar-lhe vestidos, que sempre ficavam um tanto amassados, apertados ou frouxos demais. Mas era claro que, por trás do semblante carrancudo, ele se importava.

Lionel estava de costas para onde a garota estava, curvado sobre a sua mesa, concentrado em algum trabalho, possivelmente. Tudo ali tinha cheiro de graxa e metal. Sobre a mesa, alguns conjuntos de chaves, parafusos e roscas estavam espalhados, em um aparente caos, mas o pai sempre sabia onde encontravam-se as coisas.

- Eu sei que está aí. De novo. – a voz do homem era grossa, e quando ele se virou, foi possível ver algumas manchas de graxa em sua barba branca que cobria a maior parte do seu rosto – Veja.

O homem estendeu a mão em punho e, quando abriu os enormes dedos, revelou uma espécie de pequeno pássaro com uma rosca nas costas, que girava conforme ele abria o bico e mexia um pouco as asas.

- Não achou que eu esqueceria que seu aniversário de 10 anos é amanhã, certo? – um sorriso suave surgiu no rosto do homem – Ainda não está terminado, por que não me ajuda?

Eram raras as vezes que o pai realmente a convidava para trabalhar em algo junto a si, quando muito, pedia que ela lhe trouxesse certas ferramentas. Mas eram tempo difíceis, a oficina estava quase vazia, de forma que a renda também era quase nenhuma. Myka havia visto que, nas últimas noites o pai sequer havia jantado, e ficara até mais tarde acordado, sentado em sua enorme poltrona com um semblante de preocupação, embora quando visse a menina esboçasse novamente um sorriso tranquilo.

Naquele momento, ouviram um carro estacionar bem diante da porta da oficina e dele saiu um homem magro, com o rosto afilado que terminava em um cavanhaque pontudo e preto. Em sua cabeça, uma cartola o fazia parecer mais alto do que realmente era. Trajava roupas finas, um paletó azul marinho, sapatos perfeitamente lustrados e, em uma das mãos, trazia uma bengala aparentemente de madeira escura, a extremidade de cobre, que fazia um barulho irritante a cada passo do homem.

- O senhor é Lionel Lewis? – ele sequer esperou resposta, colocou a mão no bolso e tirou de lá um cartão e estendeu ao homem – Venha à este endereço no cair da tarde. Tenho um trabalho para você.

O pai pegou o cartão, por um momento, foi possível ver uma leve surpresa em seus olhos, mas quando ergueu novamente para o homem, ele já estava se retirando do local.

- Myka... Gostaria de me acompanhar hoje?

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O cheiro de graxa não a incomodava em nada, pois a tanto estivera ali, que o odor agora já era algo costumeiro. Quando o pai a olhou, deu um pequeno sorriso, ao ver o a barba do homem sujo de graxa. Escutou ele falar, e num múrmuro, respondeu:

— Não é que eu ache que você esqueceria, apenas achava que não se lembraria a tempo. — disse, quando seu pai mostrou-lhe o presente e a chamou para ajuda-lo a terminar seu trabalho.

A garota se aproximava-se do pai, mas parou com a chegada do homem de paletó, que tão logo chegou, saiu.

Com a saída do homem, o pai fez-lhe a pergunta, que a deixará extremamente feliz.

— Sim! Eu realmente quero acompanha-lo.

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Eram por volta de 13:30 quando o pai e a jovem embarcaram do Expresso L.T, uma enorme locomotiva negra que cruzava diariamente a cidade de ponta a ponta. Foi necessário quase uma hora dentro dela, seguidos de mais intermináveis minutos dentro de uma carruagem de transporte para, enfim, chegarem no local marcado. Por vezes, o pai retirava o pequeno cartão que o homem lhe dera do bolso, mas logo o guardava novamente.

Era uma enorme mansão, com direito a uma fonte logo na entrada em meio à um enorme jardim. O homem que os havia visitado não os recepcionou, ao invés disso, foram levados até um pequeno quarto nos fundos por uma empregada, chamada Marleen – uma mulher de seus quase 50 anos, de semblante gentil.

- Esta é um modelo PBS-352, da terceira série de produção da In. M. – Innovation Machine, ou In. M., era uma das maiores fábricas no exterior da cidade, por ela saiam diversos utilitários domésticos e uma série limitada de carros que faziam desnecessário o uso de manivela. Myka já ouvira o pai falar deles – Aparentemente o motor parou de funcionar na última semana, e não se sabe bem o que ocasionou isso. Bem, mas isso é trabalho seu descobrir. Se precisar de algo, me procure. Estarei na copa.

A mulher se retirou e imediatamente o pai ergueu as mangas e abriu a sua maleta, separando algumas ferramentas.

- Preste atenção, Myka. – começou a dizer enquanto dava uma pequena olhada superficial, antes de enfiar-se debaixo da enorme máquina de cobre, que possuía diversos tubos saindo de seu interior e entrando nas paredes da casa em alguns pontos – Esse modelo é o mais recente da linha, ele funciona como um aquecedor para a noite. Vê aqueles canos? Eles devem percorrer toda a estrutura interna da casa. Provavelmente toda a casa foi construída para tal. É só colocar o carvão ali, naquela caldeira lateral, o vapor é impulsionado pelo motor e levado pelos canos, o que mantém a casa aquecida... Pra uma casa desse tamanho, provavelmente há mais de uma central de aquecimento..

Foi a última coisa que o pai disse antes de iniciar o trabalho, como era de costume, ele focava-se totalmente quando começava algo e era quase impossível distraí-lo. Com uma breve olhada em volta de onde estava, a jovem pode ver que, entre as engrenagens laterais – que provavelmente estavam conectadas à rotação do motor principal, havia uma pequena porca prateada, talvez que impedisse a rotação das mesmas – provavelmente Lionel não havia visto por estar abaixo de deu campo de visão -, ou, talvez, fosse mais um detalhe estrutural. Além disso, a porta por onde a empregada saíra ficara entreaberta, e, através da mesma, um suave cheiro doce entrava.

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O doce cheiro pareceu-lhe extremamente agradável, além de despertar seu interesse. Olhou para o pai completamente concentrado no que fazia.

Queria lhe dizer sobre a tal porca prateada, mas não sabia se o mesmo gostaria de ser ajudado. E cada vez mais, o suave e doce cheiro lhe tomava o interesse. Aproximando-se lentamente da porta, podia senti-lo aos poucos mais forte, mas logo parou a aproximação, voltando o olhar para o pai.

— Papi, tente conferir as engrenagens laterais. — disse baixo, e antes de saber se pai a responderia - ou mesmo se ele havia escutado - esgueirou-se pela porta, seguindo o cheiro doce que lhe era tão agradável e cativante.

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O pai não pareceu sequer ouvir o aviso da jovem, como o esperado quando começava a trabalhar em algo.

Os corredores da casa eram todos decorados com peças que pareciam caras, porém, em maioria, retratavam indústrias e maquinarias. Pareciam labirintos, desertos, onde somente algum murmurinho era ouvido vindo de além das paredes ( provavelmente eram os empregados do local).

O cheiro vinha de uma sala que estava com a porta entreaberta. Dentro dela, sobre a mesa, havia uma enorme mesa, com diversos tipos de doces e guloseimas, os bolos ainda estavam quentes e uma enorme fonte de chocolate escorria lentamente pela lateral da mesa e caía em uma espécie de cano, que regressava ao topo. Diante da mesa, o mesmo homem que contratada o pai encontrava-se sentado e conversava algo que ela não pôde ouvir com alguém que estava fora de seu campo de visão.

Quando o homem notou a presença da garota, soltou um sorriso e passou a dirigir-se para a porta.

- Ora, ora, o que temos aqui? Uma jovem senhorita? – disse abrindo a porta com um gesto cavalheiresco para que ela entrasse – Estava justamente dizendo a meu amigo Barramont como o mecânico que eu contratei tinha uma jovem filha que em muito lembra a minha própria quando mais jovem. Deseja entrar e aproveitar um pouco de nosso lanche, milady?










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Willy Wonka, Willy Wonka, chocolate bom demais (8)

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Sinistro... E incrívell! — foi este o pensamento da garota, ao ver a engenhoca na qual envolveram o chocolate.

Mirou o homem que contratará o pai, e fez-lhe um breve aceno de olá. Sentia-se um pouco envergonhada por ter saído a caminhar pela casa do homem sem qualquer autorização.

O convite para lanchar era-lhe tentador, e os cheiros e aparências das guloseimas tornavam mais difícil a resistência.

— Então, sim! Apenas um pouco. — disse Myka, entrando no recinto com passos curtos e leves.

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O carpete sobre os pés da jovem era fofo e macio de cor acinzentada. As paredes, eram brancas e pareciam ter sido lustradas do começo ao fim. Todos os móveis eram feitos de madeira escura e veludo vermelho, inclusive a mesa sobre as quais os doces se encontravam, com pés arredondados e entalhados.

O outro homem que se encontrava na sala deu um sorriso amigável enquanto apoiava uma das mãos sobre a barriga redonda, com a outra, tratava de guardar um livro, que estava sobre a mesa, em uma estante que ocupava a parede lateral inteira do cômodo.

O bolo parecia de fato o mais saboroso, e sem dúvidas era dele que vinha o cheiro doce que a atraíra desde o princípio. Vendo o interesse da jovem, o mais alto lhe cortou uma fatia e ofereceu-a em um prato de louça com um pequeno garfo de prata, guiando-a até uma poltrona na qual poderiam sentar três dela.

- Hoho, em muito lembra a jovem Marr, de fato. Parece ter o mesmo gosto por um bolo de chocolate. De fato, Maryleen é a melhor quando se trata em fazê-los. – disse Barramont, sentando-se em uma cadeira um tanto distante, que mal o cabia devido a sua circunferência – Me diga... Pretende seguir os passos de seu pai?

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"Definitivamente caro!" pensou ao ver o garfo de prata em sua mão. Partiu um pedaço do bolo de chocolate, e o levou a boca.

— Bom! Muito bom! — disse num murmuro.

Escutou a voz de Barramont, e sim! Myka concordava absolutamente com ele, sobre Maryleen, que Myka acreditava ser a mulher que os recepcionou, ser especialista ao se tratar de bolos de chocolate. Escutou a última pergunta de Barramont, e não tardou em dar-lhe uma resposta.

— Pois sim! Serei tão habilidosa quanto meu pai. Criarei máquinas fantásticas. — respondeu Myka, entusiasmada.

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O homem gordo deu um sorriso largo e suas enormes bochechas quase tamparam completamente seus olhos.

- Ora, ora, então definitivamente poderá nos ser útil – o outro homem também sorriu.

O tom que o homem dissera pareceu carregado de algo além da gentileza, algo que Myka não pode dizer bem o que, mas o sentimento foi que todo o ar da sala tornara-se pesado. De repende, o bolo em sua boca pareceu amargo, como se fosse feito de pimenta e não chocolate, e toda a massa empapou dentro de si, em uma pasta grossa que endurecia rapidamente, tornando cada vez mais difícil abrir a boca. Então, um som agudo de metal girando – típico das engrenagens – invadiu o cômodo, tão alto como se fosse ali mesmo, e, ao mesmo tempo que um vento aquecido soprou pela tubulação do cômodo, o som de um grito rouco e regado por dor chegou ao local, voz que a garota reconheceu ser do pai.

Antes que a jovem pudesse sequer se levantar, os músculos de suas pernas e braços lhe abandonaram, o prato com o resto do bolo foi de encontro ao chão, quebrando-se em centenas de pedacinhos. Aos poucos, a vista da garota foi escurecendo, e tudo foi se convertendo em um borrão confuso enquanto o som dos gritos de seu pai tornavam-se apenas um som agudo.

- Pegue as seringas, vamos tirar amostras de sangue. – foi a ultima coisa que a jovem ouviu antes que seus sentidos a abandonassem completamente.














Escreveu em OFF

Fim do prólogo.

Agora você pode migrar para o tópico do primeiro capítulo do jogo, onde sua personagem já terá a idade escolhida na ficha ( ou seja, o tópico se inicia 10 anos depois).
Boa sorte :)