Tópico Entrevista com desenhista Luke Ross.

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~Animeddy

Usuário: ~Animeddy
Animeddy
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Entrevista publicada na revista Wizard Brasil-ano 1-nº 07; em Abril de 2004.


Luke, qual a sua forma?? Voc?prendeu a desenhar hist?s em quadrinhos ?na ra? ou cursou alguma escola?
R: S?mpletei o 2º grau. Sou um ajustador mec?co e ferramenteiro formado pelo Senai, com um dia e meio de experi?ia na ?a. Mas foi nessa ?ca que ganhei uns concursos de desenhos, que me ajudaram a perceber que estava me especializando na ?a errada.
Sou autodidata. Quando comecei, n?havia escolas de quadrinhos. Aprendi do modo mais dif?l: copiando, perguntando para os profissionais, trocando informa?s com colegas, errando muito at?certar. E como continuo errando, ainda estou aprendendo.



Quando fez Spectacular Spider ? Man, de 1996 a 1998, voc?ra um artista top. Depois, optou por um afastamento do mainstream (Marvel e DC). Poe qu?
R: Eu fui um top, mas s? meu bairro (risos)&--33; Em 1999, estava envolvido na funda? da Impacto Quadrinhos, junto com Klebs Jr., Manny Clark e Fabio Laguna, e como n?conseguia conciliar bem as aulas com a produ? di?a, me afastei dos comics para me dedicar em tempo integral ?scola.



O que espera dessa ida para um t?lo de ponta, como Lanterna Verde? Pode adiantar algo do que acontecer?esse arco?
R: Esta ?inha grande chance de voltar a fazer super her? J?stava com saudades, pois desde 1999 n?trabalhava no g?ro. Eu adorava ler as HQs do Hal Jordan. Foi fant?ico quando Peter Tomasi me contatou, oferecendo este arco.
N?posso adiantar muita coisa, mas digamos que a vida do meu colega de profiss? Kyle Rayner, n?ser?ais a mesma depois deste arco.



Voc?empre trabalhou com t?los comerciais. J?ensou em encarar algo mais autoral?
R: Eu sou desenhista (pe?de quadrinhos para alguns), toda minha experi?ia como autor esta dentro de uma gaveta, gritando por liberdade... Pobre crian? ainda n?tem consci?ia de sua imaturidade. Quem sabe um dia, eu prefira trabalhar como autor. Por enquanto estou feliz na linha comercial (ou de montagem).



O que aprendeu trabalhando com as grandes editoras?
R: Aprendi que se agente se leva a s?o, qualquer sonho se torna tang?l. Ah, tamb?aprendi a ?regra do deadline? (N.E: prazo final). Para uma carreira est?l, cumpra-o ou caia fora!



Tem acompanhado Ultimate Spider ? Man? E o que acha do rumo que Spectacular Spider-Man tomou nos ?mos tempos?
R: Gostei das primeiras edi?s de Ultimate, mas deixei de acompanhar. J?m Spectacular Cabe?de-teia, n?me agradam muito os desenhos do Humberto Ramos. ?estilizado de mais pro meu gosto atual.




Como voc?ngressou no mercado dos Estados Unidos? Como foi para o Luciano Queiros se transformar em Luke Ross?
R: Em 1992, procurei o H?io de Carvalho do Art&Comics, que gostou de algumas p?nas com uma grande influ?ia do Jim Lee. Poe sorte, ele viajaria para os EUA uma semana depois, e me pediu umas amostras. Fui despedido do meu emprego, pra poder fazer as p?nas.
Quando o H?io voltou, me disse que varias editoras se interessaram, mas n?tinham nada pra mim ainda. Ent? eu voltei pra casa cabisbaixo, sem muita esperan?e desempregado.
Tr?meses depois, J?um novo emprego, o H?io me ligou dizendo que tinha uma revista pra eu desenhar! Resultado: fui para rua de novo! Mas, pelo menos, nunca mais procurei emprego.
No caso do meu nome art?ico, foi s?gar meu apelido de fam?a ?Lu? e somar ao Queiros, ou seja, ?Luqueiros?. Com um ?tapinha? me tornei Luke Ross.




Quando decidiu entra nesse mercado? Era f?e quais personagens?
R: Sempre gostei de desenhar. Quando descobri que alguns caras desenhavam o dia inteiro e ainda conseguiam p?omida na mesa, decido que era isto que queria pra mim. Eu era f?o Homem-Aranha, Conan, Demolidor, Wolverine, Batman (principalmente Cavaleiros das Trevas), Tropa Alfa e Camelot 3000 (demais!).



Quais suas grandes influ?ias?
R: Comiss?de frente: os Johns... Buscema, Byrne, Romita Pai e Romita Jr. Depois, Jos?uis Garcia-L?, que me influenciam at?oje. Mais tarde, Jim Lee, Neal Adams, Adam Hughes, Whilce Potaccio, Marc Silvestre e uma lista que aumenta cada vez que vejo algu?que me faz dizer: caramba!



Voc?tiliza muitas refer?ias visuais? Qual a import?ia disso?
R: Uso demais. Do meu arquivo pessoal, de filmes, e principalmente da Internet. Durante anos, busquei uma forma de fazer meu trabalho me agradar. Ainda n?consegui totalmente, mas o mais pr?o que cheguei ? que fa?hoje. E s?nsegui atingir esse est?o utilizando muita refer?ia fotogr?ca.
Meu processo de trabalho ?ler o roteiro, fazer os layouts e pesquisar imagens. Em American Century (N.E.: t?lo da Vertigo que Luke Ross desenhou de abril de 2002 a fevereiro de 2003) a coisa era pesada, pois a HQ se passava nos anos 50. O Howard Chaykin e o David Tischman, que escreviam a s?e, s?pirados em carros, mob?a, atores ligados ?poca, e n?se faziam de t?dos ao citar as refer?ias.
J?ay of The Rat, fiz muita pesquisa sobre cultura chinesa, roupas, arquitetura, decora?, s?olos, etc. E tive que ver muitos filmes do Jackie Chan e do Jet Li, pra aprender um pouco de artes marciais.




Qual seu trabalho preferido at?oje? Qual o roteirista com quem mais gostou de trabalhar?
R: Gosto muito de Sojourm 21, pois pude fazer uma arte final digital, o roteiro do Ron Marz esta muito legal e as cores do Jason ?Bam-Bam? Kieth est?de babar. Foi uns dos melhores resultados que obtive numa revista.
Outra legal foi Way of The Rat 14, que o Chuck Dixon escreveu especialmente pra mim (palavras do pr?o, que honra!), por ter gostado do que fiz na edi? 9.
A hist? ?uda at? pen?ma p?na, e Chuck me escreveu no primeiro par?afo do roteiro: ?Luke, voc?er?ue mostrar tudo o que aprendeu de narrativa visual?. Foi um desafio e tanto, mas ficou bem legal.




O que recomenda para jovens artistas que sonham em desenhar para as grandes editoras?
R: Tem uma frase, que n?lembro o autor, que ?ais ou menos assim: ?Se voc??desenha todos os dias, vai perder seu trabalho para um cara que desenha todos os dias?.




Falar ingl?facilita a busca de trabalho nas editoras americanas? Nesse mercado, qual a vantagem de ser representado por um est??
R: O ingl??undamental na rela? de trabalho com os editores, e para estabelecer uma boa comunica? com sua equipe de trabalho: roteirista, arte-finalista, colorista e os demais.
Uma representante, como o Art&Comics ou a Glasshouse, cuida da parte burocr?ca, como mandar amostras, angariar trabalho, brigar por pre? de p?nas mais pr?os do que Alex Ross ou Jim Lee ganham, e te defender quando estoura o prazo. Isso tudo enquanto voc?ica s?senhando. Ou seja, ajuda muito.




Na sua opini? qual a import?ia de se fazer fanzines?
R: O fanzine ?eio divertido de exercitar o ?fazer quadrinhos?, e nesta ?a a pratica faz a perfei?. Eu fiz o Fronteira, de fic? e fantasia, e o PBOOM!, um informativo pra divulgar os v?os zines que recebia, com apoio do Moacir Torres, um grande incentivador. Tamb?colaborei com o Virou Brasil, do cartunista Gilmar Barbosa, que me ajudou muito no inicio da carreira.




Recentemente, voc?oi ?importado? pela CrossGen para trabalhar na Fl?a, mas acabou retornando. O que houve? A editora esta lhe devendo dinheiro?
R: Fui convidado para passar tr?meses em Tampa, trabalhando com feras como Greg Land, Bart Sears, Butch Guice, Jeff Johnson, Sergio Cariello e outros. Aprendi muito. Depois que voltei, continuei como freelancer, enquanto eles cuidavam da obten? do meu visto de trabalho. H?lguns meses, a editora passou por um momento dif?l e foi obrigada a fazer cortes. Fiz Way of The Rat at?aneiro, quando acertei meu desligamento.




?verdade que o escrit? da CrossGen era como uma ?linha de produ??, com v?os artistas trabalhando e hor?os para entrar e sair?
R: Quase toda produ? de quadrinhos nos EUA ?omo uma ?linha de produ??. A diferen?na CrossGen ?ue os artistas trabalham dentro de um mesmo est?, e n?em casa, como ?ais comum.
Chegar ?9h e sair ?18h, de segunda a sexta, era uma norma da empresa, mas a maioria tinha a chave e fazia seu pr?o hor?o. Jimmy Cheung e os italianos Enzo Cuca e Fabrizio Fiorentino, por exemplo, costumavam chegar ?14h e sair sei l? que horas da madrugada.




O que aprendeu com a experi?ia de dar aulas? O que ?reciso para passar seus conhecimentos para os alunos?
R: Adoro dar aulas, aprendi muito trocando informa?s com meus alunos e ?timo ver um pouco do meu trabalho refletido nas p?nas dos pequenos pupilos.
Para dar aulas, o professor deve ter amplos conhecimentos sobre a m?a em si, dominar o b?co de todas as etapas de produ? de uma HQ (roteiro, desenho, arte-final, cor, letras, produ? gr?ca), saber o m?mo poss?l sobre a Hist? dos quadrinhos e ter um tempo de experi?ia que lhe qualifique como profissional.




Voc??i lido pelo p?co brasileiro via editoras americanas. Como lida com isso?
R: Sem problemas. A maioria das publica?s nacionais de quadrinhos ?ringa. Isso j?az parte da nossa cultura, como os filmes Hollywoodianos.
Quando era crian? me deliciava com as aventuras ?daqueles caras de nomes estranhos? nos gibis. Hoje, sou um desses ?caras? (com nome estranho e tudo), e estou fazendo a alegria de sabe-se l?uantos como eu.
Fico honrado por gente do mundo todo curtir meus desenhos. Ganhei conhecimento no Brasil assim, publicando nos EUA, e sendo lan?o aqui e em outros pa?s. E tenho orgulho disso.




Voc??ez um trabalho de te deixar orgulhoso e, ao ver o resultado final, constatou que o arte-finalista ou o colorista ?mataram? o desenho?
R: No meu come?em Spectacular Spider-Man, n?estava contente com a arte-final do John Stannisci. De tanto reclamar, o substitu?m por dois veteran?imos, Dan Green e Al Milgrom, que ficaram at? final da minha temporada. Fiquei feliz. Hoje, tenho tido muita sorte, e n?precisei reclamar de mais ningu?




Quais as coisas mais engra?as e tr?cas que ocorreram na sua carreira?
R: Uns anos atr? um amigo que vive em Nova York me convidou para fazer uma noite de aut?fo num bar g?o em Manhattam. Depois de uma hora fazendo sketches de super-her? uma garota me pediu para desenh?a. Quando disse que ia tentar, ela mandou: ?Mas me fa?como realmente sou, n?como esta me vendo. Mas me desenhe com grandes presas, garras e, de prefer?ia, voando, pois sou vampira?. Foi engra?o.
O mais tr?co foi o modo brutal como Hermes Tadeu perdeu a vida. Ele foi um grande amigo, e era o melhor colorista do Brasil e um dos melhores do mundo. Pena que n?teve a chance de mostrar mais do seu potencial pra n?