Tópico Entrevista-Desenhista Daniel HDR

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~Animeddy

Usuário: ~Animeddy
Animeddy
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Entrevista com o desenhista Daniel HDR. Originalmente publicada na Revista Her?Renascem nº01 no ano de 2002, pela Editora Escala.



O que o levou a desenhar quadrinhos e fazer disso uma profiss?
R: Acho que foi mais a teimosia. Eu sempre gostei de desenhar e de criar e acabei levando isso em minha vida, durante um certo tempo, mas como um complemento, pois eu j?rabalhei como Office ? boy, balconista de farm?a, DJ, entregador, eu sei que quando pude fazer um est?o numa ag?ia de propaganda, mesmo estando criando, quadrinhos mesmo era s?s minhas horas de folga. A teimosia ? fator principal. Claro que n?posso esquecer que meu pai lia muitos quadrinhos tamb? desenhava, estava no ambiente, no dia a dia.





Quais foram os artistas que mais influenciaram os seus trabalhos?
R: Se for pra citar nomes, os que me influenciam bastante no momento s?Mozart Couto, Travis Charest, Roger Cruz, Luke Ross, Marcelo Campos, Watson Portela, Frank Miller, Alex Ross, Masamune Shirow, Kia Asamiya, Fl?o Colin, Ryo?i Ikegami, J? Shimamoto, Mazakazu Katsura, Moebius, Rumiko Takahashi, John Bucema, entre outros.






Qual foi o primeiro trabalho que lhe trouxe notoriedade?
R: Acredito que reconhecimento entre o p?co de anime e mang?enha sido Digimon mesmo. Mas te digo sinceramente, eu n?entrei nessa para ficar not?. Esteja eu desenhando Digimon, ou fazendo a capa do zine de um aluno meu, eu curto desenhar. Nunca cuidei muito disso. Se eu fosse calcular o per?o que trabalhei com f?nes direto, poderia dizer que na ?ca que eu estava trabalhando com material mais alternativo, menos comercial, no circuito alternativo de HQs, eu poderia ter uma ?notoriedade?. Mas nunca me liguei quando ou qual foi o trabalho na ?ca.






Vice sofreu algum tipo de preconceito por ser um desenhista brasileiro enquanto trabalhava para o mercado americano?
R: O desenhista, ao meu ver, precisa ser flex?l, e aprendemos a ser, pode apostar. Mas, ?vezes, as exig?ias das editoras chegavam a ser discrepante, a respeito de est?ca visual das p?nas etc. Parecendo que ou ?mos clones um do outro ou clones de autores ?badalados? de l?
E o fato de sermos ?cucarachas? ajudava (na cabe?dos gringos da ?ca l?essa ?desesperada? atitude. Digo ?gringos de l?a ?ca? porque as coisas t? mudado.





O mercado de quadrinhos americano ?ealmente forte e pr?ro?
R: ?um mercado, que como todo mercado, pode cair ou prosperar. Sem d?a, tem uma estrutura de distribui? muito eficiente e respons?l. Sobre o sistema editorial, acredite, n??uito diferente por l?




Como foi desenhar o mang?os Digimons?
R: Foi muito bacana. Mas acreditem, houve momentos dif?is, mais no inicio. Quando iniciei meu trabalho no Digimon , eu estava passando por problemas pessoais muito s?os, em especial com segundo tumor da minha m?
Gra? a Deus, tudo superado, ela esta muito bem, mas na ?ca foi dif?l. Aquele clima de inseguran? sem falar de outros problemas que vieram juntos. E eu tendo que desenhar aqueles bichinhos fofinhos.





Desenhar nessas condi?s afetou seu trabalho?
R: De maneira alguma. Tem que ser profissional nessas horas.






Quando esse material foi parar no Jap? voc?e tornou o primeiro desenhista brasileiro a publicar mang?o mercado japon? como Voc?e sentiu?
R: Foi mais ou menos a mesma sensa? de quando eu publiquei no EUA pela primeira vez. Com algumas diferen?. Quando publiquei na Marvel pela primeira vez, havia aquela excita? por estar entrando em um mercado desconhecido, no qual muito do que eu li na minha inf?ia foi criado, e a experi?ia aqui no Brasil que ent?era dif?l para a maioria dos autores.
Quando a passei a publicar no Jap? Tamb? a empolga? de antes deu lugar ao cuidado e planejamento.
Estaria mentindo se disse - se que n?me alegrei com este reconhecimento no Oriente. Mas eu enxerguei essa ocasi?com olhos diferentes dos que viram minha entrada nos EUA. L?os primeiros j?aviam trilhado o caminho que eu percorria (Marcelo Campos, Deodato, Hector). Agora as coisas estavam diferentes. E eu prefiro ent?considerar que eu possa ter sido o primeiro (no mercado oriental), Mas n?quero ser o ?o.





Voc?eve algum retorno positivo dos japoneses sobre o seu trabalho com Digimons?
R: Houve participa?s de artes minhas nos desenhos de character design de licenciamento (aquelas artes pra tudo quanto ?oisa com a marca) e trabalhos com card ? games (esses at?m n?os menor). J?o mang?oi mais. O pessoal (tanto da Dark Horse como de l?gostou do material (em especial do 5 em diante). Mas sei que assim como houve uma boa recep?, houve muita press?tamb?nos prazos e , ?vezes, nos detalhes mais bobos poss?is (como pequenas interven?s com palavras nos cen?os ? brincadeiras com pequenas cita?s a nomes de amigos, bandas, coisa pouca ? que n?foi aprovado, etc.)




Voc?companhou os desenhos dos Digimons no programa da Ang?ca?
R: S?? d?mo epis?. Da? material de refer?ia (incluindo os pr?os epis?s chegaram).



Qual estilo voc?osta mais de colocar em seus desenhos, Mang?u HQ?
R: Mang? HQ, meu amigo. Depende do trabalho, mas nas horas que fa?desenho, apenas pra mim, eu prefiro o tra?mais acad?co, sem muitas estiliza?s.





Voltando um pouco para o Brasil. Como come? ?d? de lan? os mang? Dragon War e Brasimon?
R: A pedidos da Mithos Editora. A editora solicitou a participa?s do est? em dois projetos pelas quais eles queriam se fazer valer dos conceitos de Dragon War e Digimon (mais ainda pela minha passagem nesta ?ma). Dragon War em especial, trabalhando em cima de roteiro e cria? de outra pessoa (Riyuchi Kurimoto).





Como foi a resposta do p?co, ele aceitou bem?
R: Dragon War teve uma aceita? legal, tanto que se pagou. Brasimon j??foi t?bem, pois a editora queria um produto direcionado para o p?co infantil, mas para este p?co, sem um suporte de marketing (seja produtos, desenho animado, o que fosse) nem a id? mais estranha (como foi o caso de Brasimon) d?erto. O p?co leitor de manga, aqui no Brasil, ?a maioria esmagadora um p?co adolescente que tem suas prefer?ias por g?ros e conceitos de hist?s bem delineadas, o que fez com que Brasimon fosse um t?lo fraco. Estudou ? se a possibilidade de um segundo n?o de Dragon War, mas sinceramente, eu j??estou muito interessado. S? houver a possibilidade de trabalhar com um enredo, de prefer?ia, menos parecido com o do Dragon Ball.





Voc?retende continuar investindo aqui no Brasil?
R: Com certeza invisto, pois moro aqui ainda, pago meus impostos e n?tenho conta na Su? (mesmo porque sou desenhista,... doce ilus?achar que se nada em dinheiro nessa ?a). Publicar aqui ?empre legal, e seja numa revista independente ou prestando servi?para uma editora, o que eu gosto ?e desenhar, sendo aqui, ?elhor ainda.





Voc?onsegue ver um futuro promissor para o mercado de quadrinhos nacional?
R: Se houver press?das editoras sobre as distribuidoras, sim. Referindo ? se a vaz?das tiragens (o que afeta consideravelmente as editoras pequenas com publica? simples ou de p?co dirigido) sim. Pelo menos ?inha humilde opini?




As distribuidoras podem ser consideradas culpadas pelo atual estado do mercado?
R: De certa forma, sim. O problema aqui ? distribui?, as editoras, pelo menos algumas, procuram formulas que julgam f?is, e muitas vezes s?apenas satura?s de conceitos.
Acho que se as editoras tivessem como dar vaz?a sua distribui?, e conseq?emente atingir mais pontos de venda, os leitores seriam alcan?os de uma maneira melhor e ver ? se ? ia que existe p?co pra tudo, assim como a mentalidade dos leitores n?se resume a apenas uma coisa, ou a um g?ro.





Voc?cha que o mercado de quadrinhos brasileiro, hoje em dia, est?elhor do que alguns anos atr?
R: Sem d?a. Se fizermos um paralelo com os n?os de editoras independentes que o mercado brasileiro tinha em 1992 (at?esmo o que estava nas prateleiras) e agora, em 2002, o que temos a?realmente; houve a consolida? de algumas, o nascimento de novas, mas, com certeza, um n?o bem maior que nos anos 90. Se esse processo n?for expansivo a ponto uma satura? (tanto de publica?s quanto de ?marcas fantasmas?, sub ? selos, etc.) vai se formar um quadro bem favor?l n?s?ra autores como tamb?para editores, pois uma estrutura est?l possibilita um sistema de distribui? independente. Posso at?arecer ut?o com esse papo de ?vamos dar m??, mas acho que coisas muito boas aconteceram se isso ocorresse.




Na sua opini? o desenhista brasileiro pode viver do seu trabalho apenas publicando material aqui no Brasil?
R: N?



O que voc?ente quando houve algu?falar que ?tal? desenhista se vendeu para os americanos, que ?aquele? desenhista ?m vendido?
R: Geralmente, coment?os assim s?de pessoas que podem se dar ao luxo de n?trabalharem com isso.




Voc?em planos para a Internet?
R: Est?em andamento. Tr?s?es de anima?. ?o que posso dizer no momento.





A Internet pode ser considerada um meio de divulga? para desenhistas que est?come?do agora e querem mostrar trabalho?
R: A Internet diminuiu espa?entre autor e leitor. N?precisa nem perguntar duas vezes se a Internet n??ma tremenda for?pra divulga? do trabalho de um autor.




Como est?contecendo esta volta ao mercado americano de quadrinhos?
R: O contrato com a Dark Horse se encerrou, o que possibilita agora que eu possa trabalhar em p?nas de quadrinhos com outras editoras de fora. Tem acontecido gradualmente uma reaproxima? com a Marvel, que, espero, d?ons frutos.





Como aconteceu o convite das Lojas Renner para que voc?izesse os desenhos em estilo mang?m suas camisetas?
R: O Deadline Studio presta servi?de programa? visual diversa (desde de nosso assunto aqui, quadrinhos) at?ublicidade e propaganda (storyboards, gimmicks, etc). As Lojas Renner, devido ao trabalho aqui desenvolvido com quadrinhos (neste caso, mang?passou a ser feito o character design de personagens que uma de suas prestadoras de servi?tinha, para posteriormente trabalhar em diversas estampas. Tem sido um longo trabalho, que tem mobilizado agente aqui no est? bastante, e que esta ficando bem bacana.





Co mo surgiu o convite da Faculdade Unisinos para que voc?inistrasse um curso de mang?At?nde eu sei, ? primeira vez, no Brasil, que uma faculdade abre espa?para aulas de mang?O que isso representa para voc? sua carreira?
R: Pois ?-33; At?nde eu sei tamb? n?havia uma cadeira englobando arte seq?ial direcionada a um g?ro em especial em qualquer faculdade brasileira. Das cadeias de HQ, que eu tive conhecimento, a teoria era muito gen?ca. O Consulado ? Geral do Jap? aqui no Rio Grande do Sul, teve acesso ao meu trabalho, publicado aqui e l?ora, e entraram em contato, assim que regressei de tr?eventos que participei como convidado (em MG, SP e SC), em outubro de 2001. Atrav?de uma parceria com a Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) o consulado manifestou interesse de encaixar HQ/mang?ntre os cursos da faculdade, e por terem gostado do meu trabalho, fizeram o convite. E eu aceitei, ?ma honra poder representa ? los na faculdade em uma atividade assim. Eu vejo isso com muita alegria e da mesma forma a qual o consulado v?Havendo aceita? desta atividade (o per?o inicial ser?e dois semestres) a id? ?ixar o curso em mais grades que a de Publicidade & Propaganda e repetir a iniciativa em outros Estados que tenham representa? no Jap? Na minha carreira... sei l?ser professor em faculdade, de mang?inda por cima, parece pomposo para alguns, mas minha vida continua normal, dando aulas tamb?no meu curso de HQ (com o amigo Marcos Pinto) aqui no RS, continuando a trabalhar com quadrinhos, fazer meus f?ines quando me sobra tempo, n?muda muita coisa. S?resce, isso sim, gra? a Deus.





Para terminar, qual ? seu recado para aqueles desenhistas que est?come?do?
R: Esque? o fogo das vaidades. ?todo mundo farinha do mesmo saco. Sempre desenhem n?importa as adversidades que a vida coloque em seu caminho. Se voc?rabalha com outra coisa, mas gosta de desenhar, de criar suas hist?s, n?deixe seu dia ? a ? dia abafar sua isso. Quando se d?alor a isso, tudo se torna f?l. Um abra?#33;

~iron-maiden

Usuário: ~iron-maiden
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