Tópico Castelo.

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~hernameisbarbs

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Padfoot. <3
Local de descanso d'Os Sete e para onde levam as pessoas que transformaram. É um castelo de aspecto velho e um pouco distante do restante do vilarejo.

~hernameisbarbs

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Margarida Alcântara – 20h30min.



Parece que minha nova companheira acorda de mau humor. Bem, demos seu crédito; ela mal acordou e já pôde ouvir os corações pulsantes nas masmorras e acabou de ser transformada, é claro que sentiria fome... Assim que Iago se juntou a nós, nos encaminhamos para as masmorras onde, finalmente, saciaríamos nossa sede. Quanto mais nos aproximávamos, mais eu podia quase sentir os corações palpitando, ofegantes e desesperados, o sangue bombeando rapidamente pelas veias, as peles avermelhadas... e tudo me deixava com água na boca, por mais que abominasse a ideia de matar para sobreviver.

Não é como se eu odiasse a minha espécie, não posso me dar ao luxo; eu só não gosto da ideia de virar vampira quando tinha tanto da vida a aproveitar... afinal, de que me adianta viver para sempre se tiraram Henrique de mim? Sei que ele foi atacado por outro vampiro e, por mais que Miguel já tenha dito para esquecer isso e que não o acharei mais, não vou desistir disso. Henrique não será esquecido tão facilmente assim, até porque eu tenho a eternidade para procurá-lo.

Flora Giatti chegou às masmorras antes de qualquer um de nós; quando chegamos, Fernando já estava lá, mas não deveríamos ligar para isso. O jantar está servido. Observei Flora avançar sobre a menina ruiva que estava próxima de si, mas desviei o olhar antes que ela atacasse; nunca consegui tocar em uma criança, mesmo que soubesse que não importava se era adulto ou criança, uma vida era interrompida.

E, mesmo que eu filosofasse sobre isso, não conseguiria manter-me parada enquanto todos avançavam sobre alguém. Avancei sobre a mulher mais próxima, que estava tremendo de medo, e mordi seu pescoço. Logo o sabor do sangue inundou minha boca, fazendo com que meus pensamentos se anuviassem e eu não visse mais nada, além do meu jantar.

Não demoramos a sair das masmorras, os gritos já se extinguindo; os humanos que sobraram apenas serviriam de jantar posteriormente para os outros vampiros. Caminhamos calmamente, cada um para o seu canto, em silêncio; Iago vinha ao meu lado, provavelmente teria o mesmo destino: biblioteca.

Flora pareceu querer ir ao seu quarto primeiro, mas, antes que passássemos pelo corredor, outra garota idêntica a ela parou, nos encarando e fixando seu olhar na Giatti. Logo percebi que eram gêmeas e deixei-as se entenderem, olhando-as de longe, até que Flora resolveu apresentá-la.

“Essa é Izabel Giatti, minha irmã mais velha.”

“Margarida Alcântara”, respondi, com um breve sorriso. Izabel meneou a cabeça.

“Iago de Camões.”

“Sua irmã deve estar com fome agora que acordou”, comecei, vendo que olhos de Izabel vasculhavam o aposento onde estava. “Por que não a leva às masmorras, Flora?”

“Claro.” Ela respondeu, brevemente. “Nos vemos mais tarde.”

“Estaremos na biblioteca.”

Deixamos que as gêmeas Giatti voltassem às masmorras e seguimos para a biblioteca; caso as duas venham a se perder, poderemos procurá-las mais tarde, embora não haja muito o que fazer neste castelo. Desde que estou aqui, minha rotina passou a ser dormir, alimentar-me e ler.

Chegamos à biblioteca, onde Helena se encontrava. Os cabelos loiros caíam sobre seus braços, que apoiavam-se sobre a mesa, concentrada em seu livro. Iago e eu pegamos um livro qualquer que tivéssemos começado e nos sentamos ao seu lado, silenciosamente.

“Temos companhia”, comecei.

“Contaram-me que Inverno nos trouxe duas novas garotas.” Helena disse, levantando o olhar. “Já as conheceram?”

“Tivemos o prazer”, Iago respondeu. “Não me parecem de todo más; o mau humor de uma pode ter sido resultado da sede, embora a outra não tenha dito nada.”

“Terá o prazer de conhecê-las assim que voltarem das masmorras.” Completei. “Tirará suas próprias conclusões.”

Helena assentiu, voltando a se concentrar em seu livro e observei Iago fazer o mesmo. Abri meu livro, mas a biblioteca trazia-me lembranças nem tão antigas assim de quando Henrique e eu nos sentávamos para ler ou simplesmente apreciarmos o silêncio juntos. Focalizei os olhos no livro, tentando concentrar-me no que ele dizia, porém não consegui.

Ao contrário de mim, Iago e Helena liam concentrados, então resolvi não incomodá-los e contentei-me em observar a biblioteca. As estantes cheias de livros e o salão com mesas em pontos estratégicos; era um bom lugar para descanso nesse castelo escuro e mórbido.

Por fim, as portas duplas se abriram novamente, revelando as gêmeas. Ambas perscrutaram o salão atrás de alguém conhecido, até parar em nossa mesa. Pude perceber que uma delas – não sei dizer qual – estava um tanto... receosa de se aproximar, mas veio com a irmã mesmo assim.

Helena e Iago pararam de ler assim que nossas visitas pararam ao lado de nossa mesa. Ambas sentaram-se ao nosso lado e continuamos em um silêncio opressor.

“Creio que nenhuma das duas tenha tido a oportunidade de conhecer Helena”, comecei.

“Não, ainda não tivemos o prazer”, Izabel comentou, pela primeira vez. Sua voz parecia mais – como dizer – agradável agora que não havia mais tanta necessidade de sangue.

“Helena Queirós”, Helena se apresentou, meneando a cabeça em sinal de cumprimento.

“Izabel Giatti”, a morena se apresentou. “E minha irmã, Flora Giatti.”

“Prazer em conhecê-las.”

O silêncio voltou a instalar-se sobre nós, enquanto todos nos concentrávamos no que fosse mais cômodo para nós. Porém, como eu não sou a pessoa mais calada do mundo e não consigo ficar curiosa, resolvi perguntar:

“Desculpe-me se estiver sendo indiscreta, mas como vieram parar aqui?”

“Não me lembro de nada que aconteceu depois de ser atingida por uma flecha”, Izabel disse.

“Ora, estamos aqui porque Inverno nos trouxe.” Flora disse, um pouco impaciente. Talvez não tenha sido uma boa ideia perguntar... “Montijo foi atacada e Inverno esteve no lugar certo na hora certa.”

“Não sei se poderia chamar isso de sorte”, comecei, “mas, ao que parece, isso salvou a vida de Izabel.”

“Sorte pior que a nossa não pode ser, Margarida”, Flora respondeu.

Resolvi que seria melhor não tentar conversar mais e dar o espaço às gêmeas. Elas acabaram de chegar e esse mundo ainda é completamente novo para elas, então vamos dar tempo ao tempo para que se acostumem. Por enquanto, não há nada que nós possamos fazer além de esperar que as irmãs Giatti se acostumem e possamos nos dar melhor.

Quem sabe seja bom voltar ao meu livro... às memórias...

Não curti nem um pouco ._. Mas um dia eu pego o jeito com ela.

~FelWatch

Usuário: ~FelWatch
Quali Tea.







16º, de julho; 1599
— 20:38 —





Observei, atento, Margarida, adivinhando que pensamentos estariam ocorrendo-lhe. Após um leve momento de vagar, lançou um olhar resignado ao recinto em torno, tomando de volta nas mãos o livro que estivera pousado no regaço e, abrindo-o à página que marcava o seu mindinho, retomou a sua leitura com uma expressão um pouco mais melancólica do que antes estivera.

As irmãs, então, com um convite silencioso, puseram-se a andar juntas pela sala, a braço dado, admirando as imensas estantes e uns livros aqui e acolá que já tinham lido. Sob as páginas do livro que eu segurava, concentrei nelas meus olhos, imaginando que cores tinham elas antes da transformação, que vida tinham, e como foram terríveis seus últimos momentos para acreditar chegava a ser certa a aparição do vampiro.

Acabei por olhar as minhas mãos, quais seguravam o livro, tão pálidas e desprovidas de vida, apenas com a fugaz coloração afetada que possuía pela refeição recente. Não lamentei pelas irmãs, pois apesar das condições que enfrentariam brevemente, tinham-se uma a outra; — eu, por outro lado, tinha de conviver com a morte prematura de meu irmão gêmeo pela eternidade, quando a minha saúde e o meu atletismo tinham-lhe custado as alegrias e a vida longa.

As linhas do romance que se seguiram pareceram-me demasiado entediantes até para o meu estendido tempo. Pousei o livro à mesa e, afastando a cadeira, levantando-me no pequenino ímpeto de cortês que têm os anfitriões unicamente às belas moças, pedi à Margarida num sussurro:

— Com licença.

Atravessei o pequeno salão rapidamente, e em cinco ou seis passos já estava próximo delas, avistando-as um pouco além, metidas entre duas estantes, apontando um livro lá no alto, conversando a tom baixo. Acerquei-as, e mesmo aos meus experientes passos inaudíveis sobre aquele piso fácil de evitar-se, pouco as surpreendi.

— São os novos tatos, percepções... — eu disse, sorrindo um pouco. — Posso-me juntar a vocês?

Uma das irmãs, que distingui como Flora, disse:

— Não vejo por que não.

Fiz-lhe um pequeno aceno de agradecimento e aproximei-me mais, mãos trás às costas, queixo levemente erguido, enquanto elas avançavam apenas um pouco mais à frente, o suficiente para manter-se uma conversa, andando lentamente. Não se conversou muito de início, mas como uma pergunta pairava-me os lábios...

— Então, já estiveram com Inverno?

— Inverno? — ecoou Flora. — Não... muito.

Izabel, que até então não havia falado muito, fez-se ouvir:

— Como ele é?

—... Receio não lho poder dizer, nós não nos aproximamos demasiado dos vampiros mais anciões, ainda mais quando não são nossos criadores. Estive consigo poucas vezes, mas acho que me não é permitido ficar falando de si com tanta segurança, até porque não tenho uma opinião muito estruturada.

— E por que seu nome é Inverno?...

Sorri-lhe um pouco.

— Não mo podes dizer?

Flora, que provavelmente recordava-se de seus momentos antes da transformação, disse:

— Ele pode controlar o gelo. Pode fazer ficar frio.

Muito frio — enfatizei, assentindo sua afirmação com um pequeno gracejo. — Mas isso, agora, não importa mais. Você tem de se preocupar mais é com o calor...

Andamos um pouco além pelo corredor, e Izabel, após um momento, adivinhando, exclamou:

— Quer dizer que também podemos controlar o frio?!

Analisei-a um instante, atento a seus olhos frios.

— Deixemos essa questão em aberto — respondi, desenhando meus lábios num sorriso desafiador.

Mudamos nossa rota, em direção ao salão novamente.

— E você?, de quem é ‘filho’? — interpelou Flora, com um olhar de esguelha, buscando saber o termo correto.

— Sou filho de D. Fernando, o vampiro denominado ‘Espelho’ — respondi-lhe. — Herdei sua habilidade de transformar-se em qualquer pessoa.

Flora tornou lentamente a olhar para frente, e assim o pequeno passeio durou pouco mais, quando voltamos ao hall da biblioteca. Defronte, ainda jazia Margarida, que, ao notar nossa aproximação, virou-se para nós:

— Que acharam vocês da biblioteca?

Falou-se sobre o recinto: Izabel tinha-a achado fantástica, com o seu grande acervo de coleções para todos os gostos e gêneros, de fato um agregado de livros que se não podia reunir numa única vida; Flora gostou também, mas não se demorou como a irmã, tampouco parecia tão assombrada pelo vasto acúmulo quanto. Margarida fez-se feliz por terem gostado:

— Terão grande tempo para desfrutar de tudo — disse.

— Imenso tempo!, imenso! — exclamei, assentando-me sobre a cadeira mais próxima de si.

— Isso... — disse Margarida, olhando-me com uma dica de piada. — Imenso tempo. Podem-se sentar, se lhes apetecer.

As gêmeas agradeceram e, puxando as caudas de seus vestidos escuros, sentaram-se também, aproximando-se. A Srta. Margarida, interessada, parecida enfastiada da extensa novela, pousou o livro sobre as pernas, escondidas sob o vestido, e apenas ia-se iniciar entre nós uma conversa qualquer, de baixo ressoou uma bonita melodia, doce e ritmada, cheia de notas agudinhas. As gêmeas fizeram-se surpresas. Não demorou, a biblioteca ecoava a música com o seu encanto mais profundo de recinto escuro, onde pairava pela acústica o pequeno concerto.

— É a Srta. Katerina — afirmei, com um sorriso satisfeito.

Margarida esteve ainda um momento atenta ao som, e depois de um momento, deduziu, convicta, num suspiro:

— E Álvaro também.

— Em certo, também! — exclamei.

— Vocês gostariam de conhecê-la? — quis saber Margarida, dirigindo-se às gêmeas.

— Uma hora ou outra vamos ter de fazê-lo, não é? — disse Flora, levantando-se já.

Margarida levantou-se, aprumando o vestido, tomando o livro nas mãos. Desapareceu. Em poucos segundos estava já de volta, intacta e sem o romance. As gêmeas impressionaram-se um pouco.

— És lerda, ainda — declarei para a moça, que me desferiu um tapa com as luvas.
— Ora essa — disse, ríspida, dando um chicote com as luvas e vestindo-as. — Isso lá são maneiras!

Concentrei-me na minha habilidade, apenas mudando a minha voz para que assumisse uma faceta mais aguda que a de Margarida:

— Isso lá são maneiras! — ecoei.

— Insolente!

E, com as mãos gravemente cruzadas frente ao corpo, numa severidade austera de indignação, com o queixo um tanto elevado, pôs-se a marchar à nossa frente, deixando-nos a rir de si sufocadamente. Acabada a graça, à qual ainda sorríamos, pairava entre nós um ar mais casual. Aproximei-me de Izabel, oferecendo-lhe meu braço, ao qual ela travou após de um sorriso tímido e um enlaçar hesitante.

No corredor, onde seguiam Flora e Margarida à nossa frente, essa última senhorita apelava à primeira, de leque aberto, reclamando das minhas ‘interpelações pouco dignas de um cavalheiro de tal porte’. Flora não se parecia divertir tanto, mas ria-se com a vampira mais velha; após a elas, eu indicava e ia apresentando os aposentos variados do vasto e antigo castelo à Izabel, que se ficava tão impressionada quanto assombrada da imensidão dos recintos que o seu novo lar proporcionava-lhe tão abertamente.

— O que ela acha — eu disse à Izabel, alto o suficiente para que Margarida pudesse ouvir; — é que eu quero engatá-la. Tola mulher!

Atrás, podia-se notar como Margarida alteava a cabeça, com o seu bonito cabelo moreno repuxado num penteado bonito e cacheado. Travou ao braço de Flora, e conduziu-a ainda mais rapidamente.

Enfim chegamos à sala de música: uma câmara escura e encolhidinha, com o teto pintado belamente com o céu noturno; espalhavam-se assentos e instrumentos por toda a extensão do lugar, e havia no canto um pequeno palanque para quem se quisesse apresentar. De fato, Katerina e Álvaro tocavam juntos, mas apenas acercamo-nos, estacaram a música, deixando as notas morrerem no ar por grande tempo; viraram-se para nós, deixando flutuar no ar, à pouca luz, os seus orbes vermelhos e cintilantes.




— Iago Câmara Dória de Camões —




~Suri-

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Afire love


Katerina Íris de Melo — 16 de Julho de 1599; 20:42



O grito ecoou pelos calabouços.

O corpo debateu-se por meros segundos antes de se tornar imóvel, os olhos opacos e sem vida pararam de mover-se nas órbitas e a respiração ofegante cessou-se. Encostei o corpo a uma das paredes, alisando a barra do meu vestido vermelho-vinho, atenta.

Álvaro, o meu irmão mais velho, estava debruçado no corpo morto de uma mulher morena e vistosa, sugando-lhe todo o sangue pelo pescoço, com os anteriores belos orbes azuis tingidos de vermelho brilhante. Mirava-me.

— Chegaram duas novas vampiras. — Sussurrei, desencostando o corpo da pedra fria e aproximando-me de si.

Álvaro afastou-se levemente da sua refeição e indicou-me com a cabeça para que bebesse. Segurei a barra do vestido com cuidado e ajoelhei-me ao seu lado, evitando sujar-me com o sangue que havia escorrido. Inclinei-me para o pescoço da mulher e cravei lá as presas, fechando os olhos.

— Quem as trouxe? — Indagou, passando uma mão pelos cabelos escuros.

— Guilherme. — Sussurrei, afastando-me alguns segundos depois.

— Termina de comer, Katerina. — Álvaro intersectou-me, antes que pudesse erguer-me.

— É suficiente. — Ri, desviando os cabelos do rosto. — Além disso, devemos recebê-las! — Exclamei, animada.

— Depois de comeres, garotinha. — Negou ele, com a mão em meu queixo, sustentando um olhar firme.

Não consegui evitar rir, ao vê-lo de tal modo tão autoritário. Movi a cabeça num sim e fechei os lábios ainda sujos em sua bochecha alva e gelada. Álvaro sorriu, encarando-me pelo canto dos olhos e puxou o corpo mole da mulher de novo para perto de nós. Voltei a mordê-la e apenas me afastei após todo o sangue ter sido drenado de seu corpo. O meu irmão deu-se por satisfeito.

— Quem são? — Meu irmão perguntou, levantando-se rapidamente e esticou uma mão para mim. Segurei-a de bom grado e apoiei-me em si para voltar a ficar de pé.

— Não sei, Guilherme trouxe-as a noite passada mas não tive oportunidade de conhece-las ainda. — Contei-lhe, ao entrelaçar o meu braço no seu com delicadeza. Pousei a cabeça no seu ombro, sorrindo. — Além do mais, seria rude acordá-las de seu descanso em tal hora. A transição com toda a certeza não é algo fácil.

Levei a mão livre aos lábios, limpando-os cuidadosamente de modo a apagar os poucos vestígios de sangue humano que se acumularam em seus cantos. Álvaro sorria, em silêncio plácido e reconfortante como só ele parecia ter o dom de fazer. Caminhámos assim pelos vastos e escuros corredores do castelo até chegarmos à sala de música.

Virei o rosto a meu irmão, sorrindo carinhosamente, e soltei-lhe o braço rapidamente. Corri, num piscar de olhos, a sentar-me ao piano. Álvaro riu e sentou-se ao meu lado antes mesmo que pudesse abrir a boca para proferir o seu nome.

Puxei as luvas negras de couro pelos dedos e pousei-as a meu lado esquerdo no banco. Passei as pontas dos dedos pelas teclas brancas suavemente. Iniciei a melodia suavemente, entreabrindo os lábios com leveza à medida que o tom se elevava. Álvaro tomou posse dos graves e acompanhou-me.

Perdi a noção do tempo ao piano, sempre acontecia, e só dei conta de que não estávamos sós quando o som leve de passos na sala me fizeram despertar. Parei de tocar, seguida de meu irmão e ambos virámos o rosto ao mesmo tempo, fitando que acabara de entrar.

O grupo estava parado a olhar-nos, incluindo as nossas mais novas hóspedes. Margarida e Iago acompanhavam-nas, em seus sorrisos discretos e olhares simpáticos. Foi a Alcântara a primeira a manifestar-se, recusando-se a permitir que Iago sequer abrisse a boa.

— São as duas crias de Guilherme. — Informou, num tom suave, olhando as recém-chegadas.

Movi a cabeça num sim e levantei-me do banco forrado com veludo negro e dei dois passos curtos na direção de ambas, sorrindo.

— Sejam bem-vindas. — Desejei, com uma pequena vênia. — Katerina de Melo, e este é o meu irmão mais velho, Álvaro.

— Flora Giatti. — Uma delas falou, movendo a cabeça num aceno cordial. — Esta é minha irmã,...

— Izabel. — Completou a outra, com a voz em tom mais suave e carinhoso, após colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Eram exatamente iguais e, não fosse as expressões estampadas nos belos rostos delicados diferirem em certo ponto, seriam quase impossível distingui-las. Flora parecia mais instável, talvez um pouco fria, ao passo que Izabel, apesar de confusa, mantinha-se carinhosa e simpática. Não deixavam, contudo, de ser extremamente educadas para qualquer um de nós.

— Quem é teu pai? — Flora perguntou, calma.

— Tempestade. Não é difícil identificar-lhe as habilidades, isso é certo. — Iago riu um pouco, tombando o rosto para o meu lado.

Torci o nariz um pouco e formei um bico manhoso com os lábios, enquanto um trovão ressoava lá fora.

Iago ergueu as mãos em sinal de defesa, sorrindo divertido. Coloquei-me na ponta dos pés e selei os lábios em sua bochecha, rindo. Izabel, de braço dado com ele, riu-se também, observando-nos. No entanto, logo os seus olhos vermelhos percorreram a sala, argutos e entusiasmados.

— Gostas de música também, Izabel? — Indaguei, sorrindo à Giatti.

— Sim, costumava tocar harpa... Antes. — Izabel respondeu, simpática e cordial. Pareceu incomodar-se ao recordar o que tinha sido deixado para trás.

Segurei uma das suas mãos entre as minhas, carinhosamente. Ela olhou-me com atenção, com um sorriso pequeno mas extremamente sincero.

— Poderás tocar conosco. Eu adoraria ter companhia! — Disse em tom suave, sorrindo. — Assim como Flora, se te agradar. — Completei, virando o rosto à sua gêmea.

— Kate é apaixonada por artes desde pequena, devem ter paciência com seu entusiasmo. — Álvaro riu, informando as mais novas vampiras. Empinei o nariz, esforçando-me para não rir.

Flora moveu a cabeça num sim, com um sorriso curto. Suspirei e passei as mãos pelos cabelos, arrumando os cachos sobre os ombros. Álvaro passou-me as luvas que tinha deixado no banco e olhou em volta.

— Pois bem, vamos dar um passeio. Certamente as meninas Giatti ainda não viram toda a extensão de nossa casa. — Meu irmão sorriu, numa reverência cordial.

Tomou as dianteiras, juntamente a Iago, enquanto eu caminhava com as gêmeas e Margarida um pouco mais atrás. As Giatti observavam cada recanto dos corredores com extrema atenção, desde as tochas que iluminava os corredores sombrios, à decoração utilizada para ornamenta-lo.

O cruzamento de duas espadas penduradas numa das paredes pareceu deixar Izabel um pouco mais demorada e atenta, os lábios entreabriram-se e os olhos estreitaram-se levemente, como se admirasse a obra com profundidade.

— Gostas de armas? — Questionei, curiosa.

— Lembra-me alguém... — Sussurrou, negando com a cabeça diversas vezes, sorrindo. — Bobagem.

Encolhi um pouco os ombros e sorri mais, movendo a cabeça num sim. Não havia vantagem em insistir em algo sobre o qual não desejava falar. Eu mesma tinha lembranças e saudades imensas apenas ao observar as rosas do jardim do castelo e não queria, de modo algum, confessar-me sobre isso. Todos nós estávamos em situação semelhante, guardando a saudade, culpa e peso do período pré-transformação. Por isso desejávamos estar próximos, para que tal se esquecesse ou atenuasse, mesmo que pelos mais meros instantes.

Respirei fundo e sorri de olhos fechados, segurando a barra do vestido enquanto descíamos as enormes escadarias.

— Iago, onde estão Helena e Fernando?

— Estou aqui.


Tosco e sem sentido, mas um dia chegamos lá 8D
Dunno quem chegou UAHUAHUUHA

~Gwenhwyfar

Usuário: ~Gwenhwyfar
O Destino está além do Real


Fernando Salazar, 16 de Julho de 1599. 20:40hrs





Fernando não gostava de dormir. Este fato, em si, não era muito revelador. Na verdade, o observador casual poderia questionar por que tais informações valeriam à pena serem contadas. Fernando ficaria feliz em deixar que a mentira fosse levada como verdade. Introspecção também era um dos passatempos favoritos dele.

Não era insônia – infelizmente, ele não tinha muita escolha nisso.

Eram os sonhos – você sabe –, ou melhor, um sonho, que uma vez ou outra se agitava por baixo de suas pálpebras fechadas e ia se esconder em seu cérebro, e que o fazia olhar para um ponto crucial no fundo de uma garrafa por quarenta e oito horas seguidas, de pouco sono, o que frequentemente deixava o grande galã pirata parecido com uma espécie de zumbi neurótico.

Era geralmente nesse ponto que, com alguma forma de loucura masoquista hereditária e pura mentalidade inconsequente, ele tinha tido a idéia de jogar o grande Sunstrider contra a embarcação da corte holandesa, a qual ele apenas desperdiçou três anos da sua vida enriquecendo.

Mas aquilo não importava mais, o que importava era o sonho, aquele sonho estúpido. Fernando poderia se sentir mais à vontade se admitisse para si mesmo que era um pesadelo, um particularmente angustiante e traumático, tecido com fios de desespero, que seria adequadamente dramático para o seu papel de ator principal.

No entanto, sonhar estando acordado não era nem um pouco dramático, angustiante ou mesmo remotamente sensível e, portanto, Fernando não só estava preso a um sonho que nunca iria deixá-lo descansar e uma mente que se mantinha ativa, mesmo nas profundezas do seu subconsciente, transformando em pó as ultimas experiências de sua vida quando ele realmente não queria ter que se preocupar com nada daquilo.

Era monstruoso e desgastante para sua alma o fato de nunca, nunca, ser capaz de escapar para o doce esquecimento do vazio. Ele estaria sempre a pensar, mesmo quando ele não conseguisse se lembrar que seu corpo estava tenso e duro, mesmo quando seus músculos doessem e latejassem com a necessidade de relaxar, de deixar-se ir e descansar.

Quando suas pálpebras piscavam até se fechar, os olhos disparavam para dentro de seu crânio, e seu corpo fingia o sono – a mentira de dormir. Na realidade, sua mente se via completamente acordada, pensando no ontem ou formulando planos para o amanhã. Fernando odiava aquilo e por isso estava sempre, sempre, cansado. Claro que ele morreria antes de admitir aquela fraqueza para seu público.

Porque agora, por mais ridícula que fosse a idéia, Fernando era um demônio.

Exatamente daqueles demônios das lendas germânicas, que se alimentavam de sangue humano e dormiam em covas. Fernando nunca fora tolo o suficiente para ter fé total naquelas histórias nem desacreditá-las completamente. No entanto, nunca imaginara que um dia se tornaria parte daqueles monstros. Ele odiava-se por isso.

Era uma pena, porque Fernando, estranhamente, amava ser um demônio. Da mesma maneira como amava desenhar esboços anatomicamente perfeitos de seus companheiros, às vezes de um navio de engenharia perfeita, ou mesmo quando sentia sua língua fria entrar em contato com o pescoço quente de uma mulher. Sobretudo de mulheres.

Ele podia ser chamado de monstro, mas pelo menos tinha o consolo de poder dar alguma alegria àquelas pobres coitadas antes de saciar os seus desejos. Da mesma forma como o sangue das crianças era mai fino, mais limpo em contato com sua boca sedenta. Neste dia havia somente crianças para ele.

"Aproveite", dissera-lhe seu Pai momentos antes, "Ainda há as novas crias de Inverno para alimentar."

"Então não vamos deixá-las esperando, não é mesmo, Pai", respondera-lhe Fernando quase alegremente, com um sorriso sardônico aos lábios. Ele estimava Sétimo tanto quanto estimava a pequena mancha de sujeira na ponta de sua bota.

E então viera o desejo avassalador percorrendo todo o seu corpo em choques elétricos como ele olhou, chocado e fascinado, para as pequenas criaturas maravilhosamente quentes e vivas dentro daquele pequeno quarto. Era a mesma sensação de um homem que passara sete dias sem comer ser posto de repente em frente a um enorme pernil assado, gordo e suculento. Se estivesse vivo, seu coração estaria batendo a mil naquele momento glorioso.

Em sua ânsia, acabou machucando demais o menino que atacara e este caiu desfalecido em seus braços, como uma gentil oferenda. Fernando não se sentia muito caridoso naquele momento, como simplesmente pegou os garotos pelos cabelos e saiu o arrastando para a “sala de jantar”, como um saco de batatas.

Sentiu, antes mesmo de virar o corredor, a presença de outra besta no corredor. Era uma mulher quando viva, e obviamente devia ser uma das “crias de Inverno” que Sétimo havia falado. Ela parecia prestes a arrombar a porta, de onde Fernando podia sentir, nitidamente, vários gordos pernis e galinha se movimentando.

No inicio sua intenção era dizer alguma de suas frases de efeito como forma de apresentação, mas desistiu ao ver o olhar de fome quase animal que a garota, tinha. Ao invés disso, apenas facilitou o seu acesso para a câmara, já que conhecia bem os efeitos da abstinência por proteínas.

Fernando se se encostou a uma das pilastras do cômodo, com o garoto apoiado em seu peito e a pequena cabeça deitada cuidadosamente para o lado, onde a confusão de massa sangrenta era visível, e se pôs a observar a garota, com um nítido interesse e uma faísca de fogo escuro, de diversão ímpia, agitando seu olhar escarlate.




{Citados: Flora Giatti}


N/Gwen: 3ª Pessoa? Yeah!

~Onigirichan

Usuário: ~Onigirichan
Kanda Yu <3

Helena Macedo de Queirós, 16 de Julho de 1599. 21h15min

Eu tentei ler. Mas as palavras não se formavam com clareza na minha cabeça, e acabei por demorar mais de uma hora em vinte páginas. O exercício é entediante e ler me faz perder o foco, então decidi ignorar a leitura e voltar minha atenção para as novas crias de Inverno, mas àquele momento todo mundo já tinha saído da biblioteca. Ah, sinto-me deixada para trás.

A ideia de andar pelo castelo não me incomodou; para que pressa quando se tem a eternidade? Lembrei-me de uma de minhas conversas com Margarida, na qual ela falou que não aprecia muito nossa confortável vida eterna. Eu lhe disse que a adorava, poderia para sempre aproveitar diferentes pensamentos de pessoas de várias épocas futuras e adquirir experiência. Eu detesto perder, mas não demorou muito para eu me convencer que perder para D. Afonso fora a melhor aposta que fiz dentre todas.

De qualquer forma, Margarida era mais um objeto de estudo e pessoa formidáveis.

Quando adentrei ao corredor que levava ao calabouço, Evita sorriu, caminhando cheia de preguiça em minha direção.

– Ânimo, mulher! – Falei para minha “irmã” – Para onde está indo?

– Para os andares de cima. Está também procurando pelos outros? Sabia que deixou vários livros desarrumados na biblioteca? – Evita me lançou um olhar de reprovação, mas seu sorriso de canto a denunciava completamente.

Dei de ombros enquanto retomamos nossa caminhada para os andares superiores. – Os livros não quiseram cooperar comigo, tive que dar-lhes uma lição.

– Já conheceu as novas companheiras? Eu vi uma delas há algum tempo no calabouço, Fernando parecia bem interessado nos trejeitos da garota.

– Conheci apenas Flora. – Respondi, ficando cada vez mais curiosa sobre o recém-descoberto fato que envolvia Fernando e uma das novatas – Se até Fernando ficou interessado, essas duas podem nos proporcionar bastante diversão daqui para frente, não acha?

– Ah, sim! E você já deve estar maquinando alguns planos para potencializar os efeitos dessa diversão inocente, certo? Acho que já a conheço bem demais, Helena.

– Oh, não, se me conhecesse tão bem assim, saberia que nunca há nada de inocente no que tramo, querida irmã. – Retruquei, arrancando uma gargalhada longa de Evita.

Paramos por alguns segundos, as vozes ecoando mais nitidamente aos nossos ouvidos sensíveis.

Cocei o couro cabeludo. – Parecem estar na sala de música.

– Katerina e Álvaro devem estar lá também, então.

– Quase correta. – A voz de Katerina ressoou acima das escadas que levavam para o andar superior. Junto dela estavam Iago, Fernando, Flora, Margarida, Álvaro e uma cópia fiel de Flora, sendo claro que aquela era Izabel, sua gêmea.

Evita tomou a frente, apontando para Fernando. – Como chegou aqui antes de nós duas?

– Vocês estavam no calabouço? – Ele levantou a sobrancelha, despreocupado em explicar algo a mais para a chocada Evita e eu fiz esforço para segurar um riso.

– Ambas essas irmãs são lentas. – Iago desceu as escadas, vindo em meu encontro, seu sorriso irônico estampado no rosto – Tamanha lentidão não faz jus ao nome das crias de Lobo, não acha, Helena?

Passei os dedos pelo cabelo de Iago, ajeitando-o. Não era surpresa para ninguém do recinto, além das gêmeas Giatti, minha intimidade com meu velho conhecido.

– Cuidado para um dia eu não colocar minhas garras em você, Iago. – Eu disse, e ele riu de meu blefe.

Antes de podermos continuar aquele agradável diálogo, ouvimos vozes exaltadas que deviam vir do salão do térreo. Era, sem dúvida, uma discussão entre Sétimo e Inverno e parecia estar tomando uma proporção incabível. Lançamos uns aos outros olhares preocupados e nos apressamos em direção ao térreo.

A noite estava começando a ficar bem animada.


Que coisa encapetada foi essa, Merlin?

~Lous-

Usuário: ~Lous-
Black l'amour


Maria Clara de Reis Castro Galante, 16 de Julho de 1599, 21h30

Passo a agitar-me, andando pelo aposento escuro de modo perturbador a quem me vê, contrastando com meus pensamentos inertes. Hoje consigo espanar ideias de minha cabeça com facilidade, como também sentimentos, caso não forem intensos. Tudo é assim, extremamente decisivo, quase o meio-termo foi abdicado de minha vida. E, apesar de que quando humana eu passava a maioria das manhãs e tardes confinada no castelo real, e somente á noite aventurava-me mundo á fora, já não mais suporto a falta de luz em que passo minha atual vida. Se é que posso chamar de tal.

Penso nos últimos meses; passei-os em grande parte aqui, em meu aposento, com poucas visitas. Minha vontade de interagir com todo o resto vem crescendo tão lentamente que Manuel está a ponto de arrancar-me daqui. Quase inconscientemente, começo a cantarolar uma melodia que minha mãe cantava quando eu era apenas criança. Paro assim que me dou conta de que não me lembro dos últimos versos.

— Grande progresso — diz uma voz baixa e rouca, da qual eu estou relativamente acostumava. — Cante.

Viro-me para a porta e deparo-me com Manuel, escorado ao batente e uma taça de vinho á mão. Creio que seja vinho, enfim. Apesar de saber que ele não está errado em julgar minha mudança sutil de estado, não deixo de ficar um tanto irritadiça. E, todas as vezes que abro a boca para pronunciar algo, devo lembrar-me que jamais poderei aumentar o tom da voz. Isso torna minha expressão ainda mais carrancuda.

— Permita-me me retirar? — peço. Manuel sorri de canto, fazendo uma mesura irônica com a cabeça. — Agradeço.

— É bom que saias e veja coisas diferentes dessas precárias paredes, Maria Clara. Deves explorar suas possibilidades de entretenimento...

Suspiro, assentindo. Está certo, farei a tentativa. Passo por ele, que me bloqueia e coloca a taça de vinho cheia e intacta entre meus dedos. Dou quase um meio sorriso em agradecimento e recebo um de seus olhares profundos que desde sempre me incomoda.

— Tudo bem, a simpatia que tenho contigo têm se recuperado aos poucos — digo.

E então depois percorro variados corredores, disposta a encontrar alguém interessante a se observar e, talvez, trocar algumas palavras. Não demoro a ouvir certo burburinho, que me espanta devido ao todo resto do castelo ser bastante silencioso. Aproximo-me de um aposento ao lado da sala de música, rodeado de algumas pessoas a testemunharem o que parece ser uma discussão com uns dos criadores daqui. Seria Inverno e Sétimo?

Admito que estou curiosa, e isso há muito tempo não me acontece. Sinto meu corpo meio enfraquecido encaminhando-se mais para perto, para poder ouvir algo. Estou faminta! Esqueci-me de tal por estar na presença de Manuel. Quando volto-me novamente para percorrer o caminho de volta a meu aposento, acerto uma coluna branca com minha testa em sumo e, normalmente isso não aconteceria e nem estaria sentindo dor, mas a falta de sangue diminui meus pontos como vampira.

— Tal deficiência de sentidos lhe é comum?

Olho na direção da voz, a mão ainda na testa. Um rapaz – vampiro, claro – encara-me como se eu fosse uma coisa bastante instigadora. Franzo o cenho, optando por responder somente por pressentir que ele é uma... Digamos, agradável pessoa.

— Me era bastante comum, se adianta — dou de ombros, balançando a cabeça, impaciente. Estou a prender mais firmemente meus fios de cabelo, que teimam em se desmanchar, quando flagro os orbes de rubi do rapaz em cima de minhas feições. — Como te chamas?

— Álvaro de Melo, senhorita. E á ti?

— Clara de Reis. É um prazer.

Oculto meu primeiro nome por simplesmente não apreciá-lo. Posso ver que ele se esforça para me ouvir. Talvez eu esteja exagerando, mas realmente não tenho necessidade de pronunciar mais alto. Lanço-lhe um olhar indagador; porquê mesmo ele olha-me tão intensamente?

— Perdão lembra-me vagamente de algo — desculpa-se Álvaro. Pisco os olhos, compreendendo.

E sim, ele também me faz lembrar algo. Vagamente, mas algo concreto... De minha infância, talvez. Oh, mas ele carrega uma beleza a se apreciar, bons traços aristocráticos e pele digna de algum nível próximo da perfeição. Embora eu, entediada, busco por qualquer assunto para interagir.

— De quem tu és filho? — questiono. Ele ergue as sobrancelhas.

— Sou filho de um vampiro, apenas — Álvaro abre um sorriso sutil. Torço os lábios, ironicamente admirada com a resposta. E somente depois reflito que nem todos os vampiros são crias de um dos Sete. — Creio que tu és filha de Acordador.

— Naturalmente — respondo quase em sussurro. — Está havendo algum tipo de discussão?

Álvaro suspira, assentindo. Explica-me que de fato são Inverno e Sétimo, e o que temos a fazer é observá-los de longe e em nada interferir. Isso me desanima, por eu nada poder fazer, pois algo do qual abomino é uma discussão. Dói-me os ouvidos, fere e não ajuda em nada.

(então q)