Tópico Lisboa.

1 Respostas

~hernameisbarbs

Usuário: ~hernameisbarbs
Padfoot. <3
Lisboa é a capital, bem como a maior e mais importante cidade de Portugal. Considerada uma cidade global Alfa-, Lisboa é também a capital do Distrito e da Área Metropolitana de mesmo nome. É ainda o principal centro da sub-região estatística da Grande Lisboa. Lisboa possuía, em 2011, uma população de 547 631 habitantes e uma área metropolitana envolvente que ocupa cerca de 2 870 km², abrigando quase 2,9 milhões de habitantes.

~Suri-

Usuário: ~Suri-
Afire love


William Dinis de Albuquerque — 16 de Julho de 1599; 21h40



A noite já tinha caído há algum tempo e, conforme avançava, a minha impaciência tomava proporções fora do comum. O som do vinho sendo engolido sem um segundo de respiração pelos vários homens que riam na taberna entrara-me no ouvido irritantemente e até os risinhos das cortesãs sendo deliberadamente tocadas em público parecia mais degradante que o normal.

Bufei, percorrendo o espaço com os olhos em busca de algum interesse. Ao balcão, quatro homens se sentavam, rindo em plenos pulmões, vangloriando-se dos seus feitos em recentes batalhas, das mulheres conquistadas com o simples olhar. Estrangulei o riso, de sobrancelha arqueada. Oh certamente, o manco, o gordo, o que era simplesmente feio ou o zarolho, conquistando com o olho que lhe faltava.

Passei a mão pelos cabelos e ergui-me da minha mesa, pegando o saco onde carregava as armas que deveria entregar no castelo d’Os Sete, próximo ao Tejo. Aparentemente, Tobias tornava-se uma ameaça maior a cada dia que passava.

Nenhum dos quatro pertencentes ao grupo maravilha parecia sequer ter dado conta de minha chegada, sequer importar-se com isso. Limpei a garganta com leveza, buscando o mínimo da atenção da sua parte e fiz uma pequena vênia a tão ilustres homens, e visto não a ter obtido, limitei-me a aplicar o mínimo de força necessária para lhes derrubar o vinho das mãos ao passar.

— O que estás a fazer, desgraçado? — Urrou o gordo, com as bochechas a arderem de raiva.

— Perdão, o espaço era deveras apertado para minha passagem e ninguém parecia ouvir-me. — Sussurrei com o olhar baixo para que não me notassem os olhos. O sorriso nasceu-me no canto dos lábios, aumentando-lhes a fúria. — Certamente terão bebido o suficiente por hoje, já que estão ao ponto de inventar tamanhos feitos dignos dos cavaleiros do rei.

O mais alto de todos — vulgo, o zarolho — rosnou vorazmente, de punhos erguidos desajeitadamente em tom de ameaça. Tentou acertar-me e deixei-o raspar a pele à minha. Ignorante, não teve a sensatez de associar o gelo à minha natureza e berraram aos sete ventos que deveríamos resolver a insolência e desrespeito em público.

Assenti cordialmente e tomei as dianteiras, caminhando descontraidamente às traseiras do local. Virei-me aos meus colegas quando me encurralaram perto da parede, com os sorrisos sujos e agitados, prontos para a matança.

— Aprenderás a ter respeito, rapaz! — O feio avisou, esfregando as mãos com ardor.

Mantive-me direito, com insolência no sorriso. Minha paciência para jogos tende a diminuir quando a fome se torna mais forte... E há duas noites que eu não comia. Felizmente o manco apressou o passo na minha direção, correndo do melhor jeito que podia.

Suspirei, analisando o desajeito de seus movimentos e pouco antes de o seu soco pudesse acertar-me, fechei os dedos em seu pulso e atirei-lhe o corpo para trás de mim com facilidade pouco característica de um humano.

O pescoço retorceu-se com a força do embate e a pedra suja das paredes da taberna rachou-se. Tombei o rosto para o lado e passei uma mão pelos cabelos, contando os segundos em impaciência.

— O que fizeste tu, homem? — O gordo urrou, horrorizado pela morte súbita do corajoso amigo.

— Estou a preparar o jantar. — Sorri, tombando o rosto levemente, e desviei os cabelos dos olhos, o suficiente para que notassem a sua tonalidade.

Os três pareceram sintonizar-se ao escutar as minhas palavras e deram um passo largo atrás, com os olhos arregalados e a boca aberta ao máximo. Sorri, olhando o morto por cima dos ombros.

— Vamos... Necessitarei ao menos de mais um para extinguir a fome. — Sorri calmamente. —Dar-vos-ei o poder de escolha. — Continuei, caminhando a passos bastante lentos na sua direção.

Larguei o saco com as armas ao chão e estiquei os braços, espreguiçando-me. O gordo, claramente morto de medo, empurrou os dois amigos para meus braços, onde caíram desamparados, aos gritos estridentes. Resmunguei baixinho, revirando-lhes os pescoços ao mesmo tempo.

Sempre tive um gosto particular pelo silêncio...

... E pela lealdade, espantosamente. Avancei sobre o homem que restava em silêncio, com os olhos estreitos e duros. Ele moveu-se em círculos para me fugir, acabando por cair próximo aos mortos. Parecia confuso e nervoso. Ingênuo.

— Não! Por favor, não me mates!! — Implorou, rastejando para trás sem deixar de ignorar os corpos mortos atrás de si. — Piedade. Eu não posso morrer!

— Ao contrário... — Respondi em tom mais baixo que o normal, mostrando as presas. - Ela morreu. Qualquer um pode morrer. — Completei, evasivo.

O velho negou com a cabeça, arregalando os olhos escuros e baços com horror. Sorri calmamente, após escolher iniciar o meu jantar por um dos que já haviam perdido a vida. Tenho um ódio particular por comida fria. Deixei o único homem vivo correr em claro desespero, gritando por ajuda, piedade de Deus para salvá-lo do demônio que a tantas acabara de tirar a vida. Sorri, sorvendo o último gole do segundo corpo.

Sorri, encarando calmamente a minha presa em fuga. Que homem não gosta de caçar, afinal? Rolei os olhos e demorei os eternos dois segundos a colocar-me na sua frente. Soprei-lhe o rosto, permitindo que inalasse o sangue dos seus companheiros. O homem abriu a boca para gritar novamente.

A minha mão alcançou-lhe a traqueia muito antes da emissão de qualquer som, estrangulando o último pedido de ajuda do aldeão. Sorri, sentindo o corpo pesado e gordo tornar-se mole em meus dedos.

Izabel morrera às mãos de um humano. Eles morreriam às minhas.

Caminhei calmamente aos corpos que me restavam e jantei em paz plena, ignorando o fato de a qualquer momento mais um humano poder passar por ali. Ao terminar, limpei a boca e fui pegar o saco que havia deixado cair.

Corri ao castelo onde os conhecidos sete vampiros com poderes especiais habitavam com as suas crias. O número de vampiros transformados pelo grupo tinha aumentado consideravelmente no último ano, algo um tanto estranho. Não eram conhecidas crias anteriores a eles, assim como não se esperava que adquirissem os poderes dos pais ao serem transformadas; fizeram-no.

Suspirei com desinteresse, atravessando os portões e jardim extenso até ao interior do castelo. Os gritos de Inverno e Sétimo encheram-me os ouvidos. Virei o rosto para o local de onde o som vinha e parei em silêncio. Aparentemente, um grupo cochichava lá próximo, mas o número de vozes misturadas tornou impossível reconhecer quem era quem.

No entanto, a simples sensação de calor invadiu-me o corpo, ao ouvir o grupo. Estranhei, já que não me acontecia tal há dois anos, desde a minha transformação. Comprimi os lábios e suspirei, permitindo a minha mente que libertasse a única imagem que me faria sorrir. Izabel.


Morro q