Tópico New Dawn - Área Residencial

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~Shui

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The Fallen
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Todas as casas são de dois andares e seguem o mesmo padrão, sendo extremamente luxuosas tanto por dentro quanto por fora. Possuem três quartos, sendo uma suíte, e um banheiro social no andar de cima. No andar de baixo estão uma sala de janta, separada da moderna cozinha por um balcão de granito, sala de estar e um segundo banheiro social. O piso é completamente feito de madeira, sempre polida e brilhante, e todos os móveis são modernos e minuciosamente escolhidos para combinar com o ambiente ao seu redor. Do lado de fora, uma garagem espaçosa e um jardim bem cuidado com diversas plantas e pequenas árvores. Na parte de trás, uma piscina.

Tudo o que é necessário para uma vida confortável e agradável.

~Shui

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The Fallen
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Fora talvez dezenas de vezes mais rápido durante o percurso do que teria sido caso houvesse deixado o garoto andar por conta própria, de modo que o lobo se perguntou o porquê de não ter pensado naquilo antes; teria poupado estresse e, talvez, até mesmo o encontro com o ruivo que agora os seguia.

Teria sido melhor, com toda a certeza, mas não adiantaria chorar pelo leite derramado agora.

Não deu a menor atenção ao jardim, tampouco a fachada da casa ou qualquer decoração, indo de imediato pegar a chave no local indicado. Arqueou uma sobrancelha quando o garoto lhe disse para mantê-la consigo, imaginando se ele realmente tinha todos os parafusos na cabeça; ninguém em sã consciência daria passe livre para a própria casa a alguém que havia acabado de matar uma pessoa.

Não se pronunciou quanto a isso, no entanto. Apenas abriu a porta e largou a chave em cima da primeira cômoda que encontrou pelo caminho, não tendo qualquer pretensão de realmente voltar ali depois.

Estando em um ambiente fechado, não precisou esperar as instruções para chegar ao banheiro. Simplesmente farejou o ar algumas vezes antes de seguir o cheiro típico de sabonete, talvez shampoo; não fazia muita diferença no momento.

Não deixou de notar que a casa era espaçosa até demais, o que o intrigou um pouco, considerando que não sentia a presença de outras pessoas ali dentro além deles mesmos. De qualquer forma, seguiu até o banheiro do andar de baixo e simplesmente largou o outro lá dentro, saindo e fechando a porta em um baque relativamente alto.

Seu próximo trajeto se fez até a cozinha, onde retirou a camisa e a jogou no lixo de qualquer jeito. O tecido o incomodava de modo quase insuportável no momento, seu passo seguinte sendo catar qualquer pano que parecesse limpo para, em seguida, umedecer na torneira da pia e usar para limpar a si mesmo.

— Tsc, vou levar horas até terminar desse jeito.

Resmungou baixo, embora em momento algum parando o que fazia. O sangue seco aos poucos se liquefazia novamente ao entrar em contato com a água, pingando no chão com certa frequência.

Certamente alguém precisaria limpar aquilo depois.

~Shui

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The Fallen
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Por sobre o ombro, observou o contato sutil utilizado pelo humano ao tentar chamar sua atenção, ainda sem conseguir compreender os motivos que o levavam a tratá-lo como se fosse uma simples visita, procurando ser útil. Mesmo o medo que antes deixava um rastro forte no ar agora parecia ter reduzido, algo do qual definitivamente não compreendeu o porquê.

Sem uma única palavra largou o pano sobre a pia e ultrapassou o garoto, seguindo na direção da qual viera, rumando para o banheiro. Uma vez lá dentro fechou a porta e girou a chave, se trancando ali.

Praticamente arrancou o resto de roupas que ainda vestia e ligou o chuveiro, ficando ali debaixo por longos e incontáveis minutos; não apenas pela agonia de ter toda aquela sujeira grudada em seu corpo, mas pelo cheiro metálico forte que inibia o olfato e lhe tornava ainda mais instável. Nunca soube explicar o motivo para que o sangue o atiçasse tanto, odiando-o por isso desde a primeira vez em que percebera a forma como era afetado.

Respirou fundo ao perceber que aos poucos o líquido carmim que permanecera descia ralo abaixo junto à água, sentindo-se particularmente mais relaxado com a visão. Não fazia a menor ideia de quantos minutos haviam se passado, mas apenas depois que sentiu-se calmo novamente foi que realmente começou a tomar um banho digno; pegou o primeiro vidro de shampoo disposto na pequena prateleira e usou para lavar o cabelo, sentindo algumas mechas endurecidas onde, provavelmente, havia respingado sangue no momento em que se deixara levar enquanto surrando seu alvo.

Não duvidaria nem um pouco se até mesmo os piercings estivessem sujos a essa altura.

— Eu preciso de umas férias. — Murmurou baixo, pensativo — Talvez algum lugar na Tailândia ou na Índia.

Não se demorou muito mais no banho, encontrando uma toalha pendurada e enrolando na cintura. Ponderou sair e obrigar o outro Garou a lhe entregar as roupas que vestia, considerando que as suas haviam se tornado inutilizáveis, mas foi impedido ao se deparar com o espelho do armário na parede. Se aproximou um pouco ao notar o próprio reflexo ali refletido, encarando-o por alguns segundos antes de esmurrar o vidro e transformá-lo em cacos que caíram no chão em um som agudo e particularmente alto.

Odiava ver a si mesmo refletido daquela forma; sua expressão sempre parecia cada vez pior.

~Helphegor

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Os seguiu de uma curta distância, decidido a fazer tudo que fosse possível para garantir que o humano ficasse bem, mesmo que no momento ele estivesse sendo carregado pelo outro Garou de uma forma nada convencional e nem um pouco cuidadosa.

Quando eles chegaram na casa do garoto, Jin surpreendeu-se com a arrumação impecável da casa, todos os cômodos pareciam muito bem organizados, por um instante ele se perguntou se quem havia organizado tudo havia sido o garoto, mas logo avistou algumas fotografias em uma cômoda e concluiu que ele só estava mantendo a organização do lugar por que sua mãe havia mandado. Só havia percebido naquele momento o quanto ele provavelmente era novo e mesmo assim havia se envolvido em uma situação realmente perigosa.

Jin ficou onde estava enquanto os outros dois locomoviam-se pela casa, ficou observando as fotografias e algumas estatuas pequenas que enfeitavam a sala, até que ouviu o garoto sair do banheiro e se locomover com dificuldade até a cozinha, onde o outro Garou havia sujado tudo. Mal teve tempo de dizer qualquer coisa, por que ele caminhou a passos largos para o banheiro onde o garoto estivera a alguns instantes afim de, provavelmente, tomar um banho, como lhe fora sugerido.

- Eu te ajudo com essa bagunça. - Jin ofereceu-se e sem esperar por uma resposta já foi procurar panos e produtos para limpar a sujeira do outro.

Não que de fato quisesse fazer aquilo, mas sabia que se não fizesse o garoto faria, mesmo não estando em condições para tal, portanto era melhor evitar que ele se esforçasse mais do que o necessário.

Ficou ali na cozinha limpando até ouvir um som alto vindo do banheiro, ergueu a cabeça imediatamente e olhou preocupado na direção do banheiro, mas não fez qualquer menção de ir até ele, ao invés disso olhou para o garoto que o observava e perguntou:

- Tem alguma coisa potencialmente perigosa naquele banheiro?

Temia mais por si e pelo garoto do que pelo Garou, mas seria um problema se o outro se machucasse e eles tivessem que cuidar dele, ou pelo menos seria um problema para Jin cuidar dele, por isso esperou que não fosse o caso.

~Shui

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The Fallen
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Só voltou a si quando os passos um tanto apressados se fizeram presentes, seguidos das leves batidas na porta e da voz preocupada do garoto humano. Deu uma breve olhada no estrago que havia feito, notando que alguns dos cacos haviam perfurado seu punho. Estalou a língua nos dentes ao se dar conta do fato, usando as garras para retirar os cacos e lavando de qualquer jeito na pia; seria um inferno caso cicatrizasse com os cacos ainda ali.

No mais, não havia com o que se preocupar. Algo daquele nível não levaria mais do que alguns minutos para desaparecer completamente e sem deixar qualquer rastro de existência.

Destrancou a porta e a abriu com certa brutalidade, encarando o humano de cima com uma expressão levemente irritada, embora definitivamente menos mórbida do que a que possuía quando o outro o encontrara no beco mais cedo. Seu humor era algo extremamente volátil mas, naquele momento, não poderia ser considerado ruim.

Apenas continuava intrigado com a forma como o garoto lidava com a situação.

— Preciso de roupas. — Foi a primeira coisa que pronunciou, olhando na direção da cozinha, onde presumiu que o ruivo estivesse pelos ruídos vindos do lugar — Já que o ruivo não foi providenciá-las, providencie você.

Resmungou em um misto de grunhido e rosnado baixo, seguindo em direção à sala de estar sem se importar nem um pouco com o fato de estar vestindo apenas uma toalha ou estar ainda um tanto molhado do banho. Simplesmente sentou no sofá de qualquer jeito e ali ficou, observando um ponto aleatório pela janela.

Talvez pela audição reduzida da forma humana, mas além da baixa movimentação dentro da residência o Garou não ouvia absolutamente nada vindo do exterior se não o baixo cantarolar dos pássaros que vez ou outra passavam ou o silvo do vento; tampouco o ar lhe trazia desconforto, ou mesmo o ambiente lhe parecia de alguma forma hostil.

Em que tipo de cidade havia ido parar, afinal? As outras em que estivera até então eram praticamente insuportáveis para alguém como ele, que crescera rodeado unicamente por ambientes selvagens, regido unicamente pelas leis da natureza.

Nunca conseguira compreender a forma como o mundo humano funcionava, tampouco desejava aprender. Mas, ao menos naquele momento, admitia que gostaria de ter a oportunidade de entender os responsáveis por reger aquele lugar.

Talvez, desta forma, desvendasse o que se passava na mente daquele humano.

~Helphegor

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Jin de fato ignorou o pedido do humano de deixar que ele limpasse o que o outro Garou havia feito e ficou ali enquanto ele foi ver o que havia acontecido no banheiro.

Quando o humano voltou o ruivo já tinha terminado e sorriu para ele. - Tudo certo por aqui.

Então ele pediu para que Jin fosse para sala e o ruivo prontamente obedeceu, porém ao encontrar o outro Garou fez uma careta e sentou-se em uma poltrona, esperando pelo garoto e procurando ignorar a quase nudez dele.

Quando o garoto falou sobre jantar o ruivo se levantou quase de imediato, inclinando-se como um pedido de desculpas e declinando:

- Eu preciso ir antes da janta, mas vou deixar meu número com você caso precise.

E arrumou papel e caneta em um canto da sala para escrever seu nome e o telefone. Por fim despediu-se da dupla e se retirou, deixando a porta da frente encostada.

~Shui

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Talvez alarmado não fosse a palavra correta para descrever o que exatamente sentiu ao ter o garoto seguindo-o e tratando do corte superficial em sua mão. Não apenas por ser um cuidado extremamente desnecessário, levando em conta a capacidade regenerativa do seu organismo, mas também pela surpresa de tê-lo realmente parecendo preocupado. Há poucos instantes Satoru o ameaçava e, mesmo assim, ali estava o mais baixo ajoelhado enquanto se concentrava em fazer um curativo.

Um primeiro impulso fora o de puxar o braço, mas não o fez, talvez por ter sido pego desprevenido. Apenas observou o outro trabalhar diligentemente, levantando em seguida e murmurando algo sobre ir buscar as roupas e sobre o lobo poder ficar com a toalha. Não que houvesse de fato prestado atenção.

Não o entendia; tampouco sabia como reagir diante de uma personalidade tão imprevisível como aquela.

Tão logo recebeu a muda de roupas, não esperou muito antes de se vestir ali mesmo; calça social escura e camisa de punho branca, além de um colete cinza. O tipo de indumentária com o qual já estava relativamente acostumado, não precisando de mais do que dois minutos até estar perfeitamente alinhado.

Não se pronunciou quando o ruivo murmurou algo sobre ter de ir, ou mesmo quando o outro se sentou ao seu lado, ocupando-se unicamente de apreciar o aroma suave do chá recém-preparado. O sabor, ao menos para o seu paladar, normalmente se mostrava algo um tanto sem graça, embora o cheiro o agradasse.

— Devem ter alguns parafusos a menos na sua cabeça. — Murmurou, a atenção voltada a um ponto aleatório na paisagem pela janela — Ninguém em sã consciência diria a um completo desconhecido que simplesmente se socou dentro da sua casa para "ficar à vontade".

Comentou, o tom de voz soando distante, embora levemente curioso, talvez surpreso. Imaginava se aquela subserviência vinda do garoto tinha algo a ver com o fato de, inconscientemente, saber que lidava com um Garou, ou se era apenas sua personalidade. Arriscaria na primeira opção; tinha plena consciência de que os seres humanos possuíam uma espécie de sexto sentido, embora em geral mais fraco que o de outras espécies, já tendo experienciado situações levemente parecidas.

Não que fosse fazer alguma diferença realmente. Não tinha pretensão alguma de ficar naquele lugar por muito tempo.

~Helphegor

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Depois que Jin deixou a casa do garoto que descobrira no final que se chama Kouji, o ruivo começou a pensar sobre o restante do seu dia, o que faria, para onde iria e, mais importante, o que jantaria. Ficou tentado a aceitar a oferta de ficar e jantar com aqueles dois, mas não se sentiu a vontade com outro Garou no mesmo ambiente, especialmente um que parecia mais velho.

Ficou preocupado por tê-lo deixado sozinho com o assassino, mas procurou manter na cabeça que enquanto não mandassem ele matar Kouji o Garou não o faria, estava realmente lutando para se convencer que no fundo ele tinha algo de bom dentro de si.

- ... Por que todos tem, não é mesmo? - Perguntou retoricamente para si mesmo, num murmurio.

Continuou caminhando em direção a sua casa, quem sabe não encontrava algo interessante para jantar por lá ou não tinha alguma ideia interessante pelo caminho? Torcia para que acabasse tendo, por que estava cansado de comer peixe todas as noites.

~Shui

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Assistiu o garoto se apresentar, embora tenha permanecido em silêncio e simplesmente o tenha deixado seguir seu caminho até a cozinha novamente. Quase tinha pena ao vê-lo arrastar a perna enquanto andava, imaginando o quão problemática sua própria vida seria se não tivesse nascido um Garou; sem sua capacidade regenerativa, com toda a certeza teria morrido no primeiro serviço grande para o qual fora contratado.

Não pode deixar de notar sons relativamente altos vindos da cozinha enquanto o outro, tecnicamente, preparava o jantar. Algumas vezes coisas caindo, outras grunhidos e resmungos baixos, provavelmente de dor.

Suspirou pesado quando se viu prestes a levantar, a ideia de ir até lá não lhe agradando em nada.

— Mas em que droga de situação eu fui me meter.

Resmungou baixo, andando a passos pesados em direção ao cômodo onde o outro se encontrava. Não pensou duas vezes antes de pegá-lo pelo colarinho, como um filhote de gato, o colocando sentado em uma cadeira enquanto exibindo uma expressão um tanto aborrecida.

Vasculhou geladeira e armários em busca de ingredientes, apurando o olfato e utilizando-o para escolher alguma combinação que lhe parecesse harmoniosa dentre as possíveis receitas que se formavam em sua mente.

À sua disposição encontrou uma variedade de legumes e temperos, além de uma garrafa de vinho, demonstrando certa decepção ao não encontrar qualquer carne.

— Tsc, eu já devia esperar por isso. — Grunhiu para si mesmo — Não é à toa que esse moleque é tão leve.

Separou as coisas que utilizaria e as deixou em cima da pia, se direcionando para a porta da sala sem dizer uma única palavra. Do lado de fora, não se demorou muito olhando os arredores antes de puxar um sorriso curto, confiante, no canto dos lábios.

"Bem que pensei ter ouvido um piado familiar nas redondezas" pontuou mentalmente, avistando a uma dezena de metros de distância a ave de penas chamativas e brilhantes, caminhando despreocupada no jardim de uma das casas. Um faisão.

Não hesitou em capturá-lo e então voltar para o interior da casa de Kouji.

Levou a ave se debatendo em suas mãos para a cozinha e, lá, iniciou o preparo; uma panela larga com água foi posta no fogo enquanto o lobo habilmente degolava a ave e realizava a sangria, mergulhando o faisão na água assim que levantou fervura, almejando ali retirar as penas. Era uma das partes que mais detestava devido o cheiro forte que tomava conta do ambiente, torcendo o nariz enquanto terminava o processo.

Após isto, bastou limpar o interior da ave e prepará-la para ir para o forno; dispôs a carne em um refratário e mergulhou na mistura de temperos, legumes e vinho, deixando-o ali, parado, enquanto cuidava dos acompanhamentos. Diferente dos seus próprios dentes, feitos para dilacerar mesmo ossos, imaginava que os de Kouji sofreriam ao lidar com carne de caça, preferindo deixar que o faisão absorvesse parte daquela mistura e, assim, se tornasse mais macio.

Considerou seu trabalho por ali encerrado assim que colocou a ave no forno e ligou o fogo, lavando as mãos e as secando no primeiro pedaço de pano que encontrou.

— Deve estar pronto dentro de uma hora. — Se pronunciou assim que passou ao lado do humano, sem olhá-lo — Seu trabalho é apenas olhar a cada dez minutos. Não deixe queimar.

Instruiu em um tom de voz um tanto ríspido, voltando ao seu lugar no sofá da sala. Seu nariz continuava um tanto incomodado pelo excesso de estímulos, desde o cheiro da própria ave ao de temperos mais finos como a pimenta, preferindo alguma distância da cozinha por enquanto.

~Shui

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Hesitou em levantar e seguir até a mesa após ser avisado de que a refeição havia aprontado, o desconforto que o humano parecia ter em sua presença sendo quase palpável, do seu ponto de vista. E a sensação era muito provavelmente recíproca; o Garou não era nem um pouco habituado a ter companhia em momento algum, todas as suas atividades diárias sendo feitas unicamente com a própria presença e nenhuma outra além dela.

Era isto o que significava se tornar um desgarrado, afinal; não haveria aliados ou auxílio, e mesmo os de sua raça tornavam-se inimigos.

De uma forma ou de outra, seus pés o levaram até o cômodo onde o outro se encontrava. Novamente hesitou, embora desta vez para sentar-se; esperou que Kouji o fizesse para, em seguida, escolher a cadeira na ponta oposta a do garoto.

Poderia ter ficado ali encarando o assado sobre a mesa durante um longo tempo, mas algo ocorrendo no exterior chamou sua atenção. Inicialmente um zunido baixo, semelhante a algum motor em funcionamento, sendo logo substituído por vozes extremamente baixas e passadas. Focou toda a sua capacidade de rastreamento de seu "invólucro" humano na audição, em detrimento do olfato e da visão; estes não diferiam em nada dos de um humano comum, no momento.

Levantou de modo um tanto súbito, colocando o indicador sobre os lábios em um pedido mudo de silêncio quando Kouji pareceu querer questioná-lo sobre. Notou as passadas gradualmente ficarem mais altas, de modo que sua atenção se focou integralmente em descobrir a origem daquilo.

Não demorou muito para que, através da janela, enxergasse uma meia dúzia de homens uniformizados; todos, sem exceção, usavam roupas escuras, coletes, máscaras e capacetes, o que os tornava irreconhecíveis, além de carregarem armas. Junto destes, uma dupla de homens usando ternos parecia comandá-los. Um furgão preto permanecia estacionado a apenas poucos metros de distancia.

Aquilo não podia ser coisa boa.

— Isso está um pouco exagerado pra algum acerto de contas. — Murmurou para si mesmo, em momento algum desviando a atenção do movimento no exterior — A menos que...

Arregalou sutilmente os olhos ao se dar conta de algo preocupante e que, a julgar pela situação, possuía grandes chances de ser verdade; para dispor de uma equipe armada e aparentemente treinada, não poderia ser qualquer um além do próprio governo.

Esperava veemente estar errado, embora duvidasse muito disso.