Tópico HISTÓRIA DE LUA NOVA

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~Anjo-Negro2

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História por trás de New Moon

** Uma nota: eu não vou sair socando ninguém aqui, então se você ainda não leu New Moon e não quer spoilers, não leia isso**
Escrever uma seqüência é uma coisa muito diferente de escrever uma história. Pelo menos, pra mim foi.

Se você leu “a história por trás de Twilight”, então você sabe que eu não tencionava escrever um romance ou começar uma carreira como autora. Eu só estava escrevendo a história por divertimento pessoal, deixando ela crescer como podia e seguir pra onde podia. Nada de pressão, só diversão. A primeira seqüência que eu escrevi pra Twilight “Forever Dawn” era quase a mesma coisa. Eu não estava planejando uma seqüência mais do que eu estava planejando escrever um livro, pra começar. Originalmente, Twilight tinha um final mais definido. Mas, quando ele estava terminado, eu comecei a escrever epílogos. Depois de ter escrito três epílogos, todos eles com mais de cem páginas, eu me dei conta de que não estava preparada pra parar de escrever sobre Bella e Edward. Um desses epílogos resultou em Forever Dawn.
(As pessoas me perguntam frequentemente se eu vou publicar Forever Dawn. A resposta é não. Pra começar, ele não é ótimo; ele é bastante embaraçoso em alguns lugares. No entanto, um pouco do conteúdo vai funcionar como um esboço solto para o quarto livro, então, eu também não posso contar a vocês o que acontece.)

Eu já tinha escrito cerca de trezentas páginas de Forever Dawn quando a minha vida virou de cabeça pra baixo. Twilight ia ser publicado. As pessoas iam ler o que eu estava escrevendo. Mais especificamente, jovens adultos iam ler o que eu estava escrevendo. Sem querer, eu tinha escrito um romance para jovens adultos. Eu me dei conta muito rapidamente de que Forever Dawn não seguia as regras dos JA. Como eu estava muito ligada à historia, eu terminei Forever Dawn mesmo assim, sabendo que ele jamais veria a luz do dia; eu dei ele a minha irmã como presente de aniversário. E aí eu comecei a verdadeira seqüência.

A coisa mais não-JA que eu fiz em Forever Dawn foi isso: eu meio que eu passei inteiramente o resto da experiência de Bella na escola, passando à frente na vida dela para um tempo com experiências mais maduras. Então, enquanto eu começava a esboçar New Moon, eu voltei para o último ano escolar de Bella e perguntei ao meu pequeno elenco de personagens, “o que aconteceu”?.
Eu me arrependi rapidamente por ter perguntado a eles pela história. Porque eles me deram uma história que eu não estava esperando. Mais especificamente, Edward me disse uma coisa que eu não queria ouvir.
Eu provavelmente devia mencionar aqui que eu não sou louca (que eu saiba), é só que eu sou uma escritora de personagens. Eu escrevo as minhas histórias por causa dos meus personagens; eles são a motivação e o prêmio. A dificuldade com personagens fortes, bem-definidos, no entanto, é que você não consegue faze-los fora do personagem. Eles têm que ser quem eles são e, como escritora, eles freqüentemente saem do seu controle.

Quando eu comecei a delinear New Moon (nessa época sem nome), ficou claro que Edward era Edward, e ele teria que se comportar como apenas Edward se comportaria. E, por causa disso, Edward estava indo embora. NÃO! Eu não queria que Edward fosse embora. Eu comecei a dar pití, tão violento e choroso como aqueles que eu vi nas discussões nos fórums de New Moon. Eu tentei convence-lo do contrário. Eu dei a ele um monte de outras opções em esboços. Eu implorei. Edward nem se mexeu.

Algum dia quando Midnight Sun (versão de Edward de Twilight) estiver disponível, eu acho que vocês vão compreender melhor o que estava acontecendo na cabeça do garoto. Entenda, assim como Bella acha que não é boa suficiente pra Edward, Edward se vê como um monstro sem alma que está destruindo a vida de Bella e colocando em risco a vida posterior dela. O incidente com Jasper age como um catalisador, forçando ele a agir. Ele está determinado a salvar Bella. Ele acha que a melhor forma de fazer isso é tirando os vampiros da vida dela.

Ele está sendo bobo? De certa forma, sim. Mas ele não vê nenhuma outra forma de proteger Bella. Edward está lidando com a idéia de que se ele não tivesse sido rápido o suficiente, se ele não tivesse lido os pensamentos de Jasper nos últimos segundos, então, teria isso ” a morte ” sido melhor pra Bella do que uma vida com Edward? Se ela morresse com dezoito anos e fosse para o céu, será que isso não seria melhor do que uma existência imortal, mas desalmada e amaldiçoada? Edward acha que sim. No entanto, ele sabe que jamais seria capaz de vê-la morrer. Conseqüentemente, era melhor ele se afastar dela antes que alguma coisa aconteça, e morde-la seja uma necessidade.

Então lá estava eu, com Edward indo embora. Era um comprimido difícil de engolir, mas quando eu aceitei que isso era inevitável, eu tinha uma pergunta interessante nas mãos. (E escritores vivem por essas perguntas interessantes).

E SE… E se o amor verdadeiro deixasse você? Não algum romance normal de escola, não um namorado popular qualquer, não qualquer pessoa que pudesse ser substituída. Amor verdadeiro. A coisa de verdade. A sua outra metade, sua verdadeira alma gêmea. O que acontece se ele for embora?

A resposta é diferente para todos. Julieta teve a versão dela, Marianne Dashwood teve a dela, Isolda e Catherine Earnshaw e Scarlet O”Hara e Anne Shirley todas elas tiveram suas formas de copiar.
Eu tinha que responder a resposta pra Bella. O que Bella Swan faz quando seu verdadeiro amor a deixa? Não apenas seu verdadeiro amor, mas Edward Cullen! Nenhuma dessas outras heroínas teve Edward (Romeu era um esquentadinho, Willoughby era um salafrário, Tristão tinha problemas de lealdade, Heathcliff era o puro mau, Rhett tinha um “q” de maldade e saía com prostitutas, e o doce Gilbert era mais um Jacob do que um Edward). Então, o que acontece quando o Amor Verdadeiro na forma de Edward Cullen deixa Bella?

Eu deixei Bella responder essa pergunta sozinha, escrevendo pra ver o que ela faria. Foi difícil escrever a dor dela, porque eu tive que vivê-la pra escrevê-la, e eu escrevia em meio as lágrimas. Ao mesmo tempo, era sempre interessante. Bella me surpreendeu com sua determinação centrada e obstinada. Ela abriu caminho em meio à agonia, vivendo pelos outros (nesse caso, Charlie) como sempre foi o estilo dela.

(Nota: existem aqueles que acham que Bella é uma boba. Existem aqueles que acham que minhas histórias são misóginas ” a donzela em perigo precisa ser resgatada pelo herói forte.
Para a primeira acusação, eu só posso dizer que cada um de nós lida com a perda de um jeito diferente. Em minha mente, o jeito de Bella não é menos válido do que qualquer outro. Os detratores da reação dela nem sempre têm em mente que eu estou falando sobre amor verdadeiro aqui, e não de uma paixonite de escola.
Eu rejeito enfaticamente a segunda acusação. Eu sou totalmente a favor do poder feminino ? olhe pra Alice e Jane se você duvida disso. Eu não sou anti-feminista, eu sou anti-humana. Eu escrevi essa história pelo ponto de vista de uma garota humana porque isso veio mais naturalmente, como vocês podem imaginar. Mas se o narrador fosse um garoto humano, isso não teria modificado os eventos. Quando um humano está sendo completamente cercado de criaturas com força, velocidade, sentidos sobrenaturais e vários outros poderes não-identificados, ele ou ela não vai conseguir se virar sozinho. Lamento. É assim que as coisas são. Nem todos nós podemos ser matadores. Considerando todas as coisas, eu acho que Bella se sai muito bem. Ela salva Edward, afinal. Nota/ acabada. De volta pra história.)

E assim nasceu a premissa básica de New Moon, e com ela, o título. Pra seguir Twilight, eu precisei de uma hora do dia pra refletir sobre o humor dessa seqüência. Como esse é o período mais negro da vida de Bella, eu pensei que seria apropriado batizar o livro com o tipo mais escuro de noite, uma noite que não tem lua.

Quando as cópias de leituras avançadas começaram a cair nas mãos dos meus fãs, eu pedi que as pessoas lessem New Moon duas vezes, prometendo que eu explicaria o porque depois. Agora já é depois, e esse é o porque: na primeira leitura de New Moon, eu descobri que os leitores ficam tão ansiosos pela ausência de Edward que eles não conseguem se ater ao meio do livro. Eles deslizam pelo livro e lêem rápido e passam páginas até que, afinal, o encontram novamente. No entanto, nesse ponto eles perderam a parte mais importante do livro, quase que completamente. Na segunda leitura, sabendo que Edward vai voltar à história com seu lugar e tempo apropriados, o leitor pode diminuir a velocidade e aproveitar a maravilha que é Jacob Black. E dito isso, vamos aos benefícios!

Eu não percebi até começar a trabalhar, o quanto os meus personagens haviam ganhado com essa experiência. Coisas vitais. Sem essa separação dolorosa, Bella talvez nunca se desse conta de que Edward realmente é dela. Não importa o quanto ela pense que ele é perfeito, ou o quanto ela pense que é imperfeita, ele pertence a ela. As palavras não conseguem captar com precisão o quanto esse conhecimento mudou a vida de Bella.

De forma igualmente cataclísmica ? Edward finalmente se dá conta da intensidade dos sentimentos de Bella por ele, coisa que ele havia subestimado. Aqui está a coisa sobre Edward: ele conhece os humanos bem demais. Ele já viu os relacionamentos humanos por dentro centenas de milhares de vezes, e nenhum deles chegou perto de tocar a profundidade da devoção do amor de Esme e Carlisle, ou do de Alice e Jasper, ou até mesmo do de Rosalie e Emmett. Você consegue culpa-lo por achar que ele mesmo – depois de cem anos de experiência imortal – seja capaz de amar mais profundamente do que a sua namorada humana de dezoito anos? Edward é, compreensivelmente, um pouco sabe-tudo. Ele aprende muito com essa experiência, e a coisa mais importante é que os sentimentos de Bella por ele são uma exceção à regra humana. Outra coisa que ele aprende (não tão importante, mas igualmente bom de saber) é que, apesar de todo o seu conhecimento, ele é completamente capaz de cometer terríveis erros de julgamento.

Ah, e aqui está o presente favorito que New Moon me deu: Jacob Black.

O desenvolvimento de Jacob em um personagem maior foi uma jornada estranha.
Originalmente, Jacob era apenas um dispositivo. Em Twilight, Bella precisava de uma forma de descobrir a verdade sobre Edward, e a Tribo convenientemente localizada dos Quileute, com suas fantásticas lendas, promoveram uma opção legal para essa revelação. E então, Jacob nasceu – nasceu pra contar a Bella os segredos de Edward.

Então, aconteceu uma coisa que eu não esperava. Jacob foi a minha primeira experiência de um personagem tomando conta – um personagem menor que adquiriu tanto arredondamento e vida que eu não consegui mantê-lo aprisionado em um papel pequeno. (Desde Jacob, isso voltou a acontecer com vários outros personagens escritos-pra-serem-pequenos. Eu realmente amo quando isso acontece, apesar disso frequentemente destruir os meus esboços.) Desde o início, mesmo quando Jacob só apareceu no capítulo seis de Twilight, ele era tão vivo. Eu gostei dele. Mais do que eu devia gostar de um personagem tão pequeno. Bella gostou dele. Sua confiança e afeição instintivos vieram sem minha intervenção. E não fomos só nós, a minha agente também: “Eu amo aquele garoto, Jacob”, Jodi disse (ou alguma coisa parecida ? isso aconteceu em 2003). Minha editora concordou. “Podemos colocar mais Jacob na história?” Megan perguntou. Oh, sim, nós podíamos!

Eu estava escrevendo New Moon e editando Twilight simultaneamente. Então, quando Jacob começou a tomar conta de New Moon, eu tive a capacidade de voltar atrás e deixar que Jacob e Billy se centralizassem melhor em Twilight.

Muitas pessoas me dão mais crédito do que eu mereço; ela acham que eu sabia desde o começo que Jacob ia ser um lobisomem. Esse não foi o caso. Lembrem-se, Twilight foi escrito pra ser um romance só. Não havia pensamento em lobisomens quando eu o escrevi. As lendas dos Quileute (Quill-yoot) que Jacob conta a Bella no capítulo seis são genuínas histórias Quileute que eu aprendi quando pesquisei sobre a Tribo (que é uma tribo de verdade com uma história fascinante e mística). Todas são verdadeiras lendas Quileute, exceto a lenda dos vampiros, dos “frios”. Eu fiquei com a lendas sobre os lobisomens (a verdadeira lenda Quileute diz que a tribo descende dos lobos que foram transformados por um feiticeiro) porque ela combinava com o meu breve conhecimento sobre vampiros e lobisomens que vivem sempre pulando nos pescoços uns dos outros (ha ha, trocadilho intencional). O sonho que Bella teve no qual Jacob se transformava num lobo pra salva-la não tinha nenhum significado subliminar naquela época. Foi só o meu jeito de deixar o subconsciente de Bella articular a situação.

É claro, eu, entre todas as pessoas, devia saber que os sonhos podem causar sérios impactos em sua vida.
O sonho com o lobisomem de Bella sempre foi uma das minhas imagens visuais favoritas em Twilight. Quando eu comecei a trabalhar em New Moon, aquela imagem fico grudada em mim. E eu pensei comigo mesma, não seria legal se isso fosse verdade – se TODAS as lendas de Jacob fossem fundadas em fatos absolutamente reais? E se Jacob fosse descendente de lobos?
Aí, tudo começou a se juntar. Sam na praia em Twilight não era mais só um cara que acreditava em lendas antigas – ele era o primeiro lobo contemporâneo. Os avisos de Billy eram mais vitais – ele tinha provas concretas em suas mãos, e não apenas suspeitas. E Jacob, meu pobre, doce Jacob, tinha toda uma herança secreta esperando pra cair em cima dele.
A essa altura, todos os pontos cruciais da história já estavam no lugar,e eu só tinha que escrever tudo. Mais fácil de falar do que de fazer.
É difícil explicar o quando o processo da escrita quando eu estava criando Twilight foi divertido pra mim. Foi uma coisa que eu fiz pela diversão e pela excitação, sem me preocupar com o que as outras pessoas poderiam pensar, porque ninguém mais ia chegar a lê-lo. Com New Moon, eu sabia que as pessoas iam lê-lo. E algumas dessas pessoas iam segurar canetas vermelhas nas mãos enquanto o liam. Eu sabia o suficiente sobre o processo de edição pra saber que haveriam algumas mudanças dolorosas à frente; as partes que eu adorava podiam não chegar a sobreviver até o final. Eu ia ter que repensar, e revisar e re-trabalhar. Isso tornou a escrita difícil, e eu tinha a horrível sensação de estar no meio de palco sempre enquanto escrevia.

Durou cerca de cinco meses, mas o processo de edição foi muito mais longo e mais difícil do que o processo de Twilight. New Moon era uma história muito difícil de contar, não apenas emocionalmente, mas também funcionalmente. Foi preciso muito trabalho. Os “outtakes de New Moon” que eu postei, irão explicar algumas das maiores renovações que eu tive de fazer.

A notícia boa é que eu superei – ou melhor, me acostumei – ao medo de palco. O terceiro livro foi muito mais fácil em várias formas. Eu aprendi bastante com a experiência de New Moon, e cresci como escritora. Melhor ainda, meu personagens cresceram e amadureceram de formas interessantes que me deram muitas coisas com as quais trabalhar durante o resto da série! Eu estou escrevendo o quarto livro nesse momento, e me deixe dizer, Forks é um lugar muito excitante pra se estar, ultimamente.