História || Almas Partidas || Série da trilogia: DESVENDAR - Capítulo 4


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Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Harry Potter
Tags Amor, Darry, Dracomalfoy, Drama, Harrydark, Sexo, Traição, Violencia, Yaoi
Visualizações 131
Palavras 2.391
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!^^

Capítulo 4 - Capítulo IV - Segredos compartilhados


Draco andava pelas ruas devagar. Bem vestido, as mãos no bolso, a postura ereta, os ouvidos atentos. Mas sua mente estava distante.

Harry saíra cedo de novo. Draco não gostava de ficar sozinho, mas, acima disso, o que estava lhe incomodando nessas saídas do moreno era a negativa veemente de o levar junto. Não é como se ele não soubesse o que ocorre numa guerra. Não é como se ele já não tivesse presenciado as crueldades de que os comensais são capazes. Não é como se ele não pudesse lutar.

Então por que não estar ao lado de Harry? Por que não ser uma parte ativa no campo de batalha?

A resposta que ele encontrou o estava perturbando. Harry não o queria ao seu lado em campo não para poupar Draco de ver o que os comensais eram capazes de fazer, mas sim para poupar Draco de ver o que ele, o próprio Harry, era capaz de fazer.

Draco já presenciara o lado frio de Harry, mas tinha medo dos níveis que a crueldade que Lord Voldemort havia implantado no moreno podia alcançar. Harry era cruel, ele sabia disso, mas não tinha certeza de qual seria a sua reação ao vê-lo se utilizar daquela crueldade. Desde o enfrentamento do Harry com o Lord, Draco procurava afastar a imagem de semelhança dos dois. Essa imagem lhe inspirava medo.

Draco balançou a cabeça, tentando afastar o sentimento que começava a se avolumar dentro dele. Olhou em volta. Estava chegando. Já podia ver o café no final da rua.

Bem, se Harry não queria vê-lo como ativo no campo de batalha, ele arrumara uma maneira de ajudá-lo sem lutar. Ou melhor, essa maneira chegou por coruja esta manhã.

§§§§§§§HD§§§§§§§

Draco parou ao lado da pequena mesa, em frente ao homem que o encarava com olhos cansados, cobertos pelo cabelo castanho claro cada vez mais embranquecido.

- Lupin. – cumprimentou Draco.

- Malfoy. – Remo respondeu, sinalizando para que ele se sentasse. Uma garçonete se aproximou e depositou uma xícara de café na frente do loiro.

- Recebi sua coruja. – informou Draco – Fiquei curioso para saber o que faria você me procurar depois daquele discurso tão veemente da Ordem.

- Vou ser direto e muito sincero, Malfoy, então peço que você me escute com atenção. A Ordem não confia em você, e não confia no Harry. Eu não estou aqui como membro da Ordem da Fênix. Como você bem disse, o discurso foi deles. Eu concordei e dei o veredicto aquele dia. A Ordem não está interessada em uma aliança com vocês. Mas eu não pude deixar de observar o seu comportamento com relação ao Harry e o dele em relação a você.

Lupin fez uma pausa, encarando o loiro.

- Eu estou aqui, Malfoy, como seu ex-professor. Como um dos amigos do pai do Harry, como uma pessoa que acompanhou de muito perto quatro anos da vida dele e pensava saber quem ele era e pelo que ele passou. Harry é uma pessoa impulsiva e muito resoluto, mas tem bom coração. Tinha, pelo menos. As atitudes dele nos últimos tempos têm assustado muitos que o conheciam, inclusive a mim.

- Não estou entendendo aonde quer chegar. – Draco assumiu uma postura defensiva.

- Então espere eu terminar de falar. – Lupin respondeu com um sorriso simples no rosto - Apesar de toda hostilidade que emana da figura do Harry, eu me surpreendi com o carinho com que ele te trata e o fato de vocês não se insultarem ou se agredirem a cada cinco minutos, como minha memória guardava a relação de vocês e a lógica da história dos dois indicava como um comportamento comum e esperado. Eu não estaria muito distante da verdade se afirmasse que o relacionamento de vocês evoluiu para um patamar muito além da hostilidade infantil e, além inclusive, de uma simples amizade, não, Sr Malfoy?

Draco encarou os olhos perspicazes de Remo Lupin.

- Continue. – indicou, frio.

- Isso me surpreendeu muito. E, durante todos esses dias, tentei chegar a uma conclusão sobre o que teria provocado essa transformação em vocês dois. Eu não conheço a sua história tanto quanto gostaria, mas conheço a do Harry. E algo me diz que essa aproximação de vocês dois está envolvida no mesmo processo que fez Harry deixar de ser o garoto que eu conhecia para se tornar o líder do exército inimigo. – Lupin fez uma pausa – Agora, Malfoy, eu te chamei aqui porque, diferente dos outros integrantes da Ordem, eu estou disposto a ouvir, se você quiser falar, e reportar minhas reais impressões sobre isso à Ordem e tentar, ou não, convencê-los a voltar atrás quanto a essa aliança. Eu quero entender o que aconteceu com o Harry, Malfoy, para ver o quanto ele deixou de ser o Harry. E eu sei que você pode me falar sobre isso. Foi por isso que eu te chamei aqui.

- Por que você não chamou ele?

- Você acha que ele se abriria comigo depois do que aconteceu na Ordem?

- E o que te faz pensar que eu me abriria com você? Porque, conforme você pode certamente observar, a minha vida e a do Harry estão entrelaçadas de uma maneira quase visceral no momento.

- Como, Draco? Como? O que aconteceu com vocês?

Draco o encarava, avaliando a proposta.

- Deixe-me ajudá-lo. Eu vou te contar meus últimos quatro encontros com o Harry, e você me conta como foi o reencontro de vocês, está bem?

- Não fale comigo como se eu fosse uma criança. – Draco falou com raiva.

- Eu vi o Harry em um campo de batalha, coberto de sangue e sujeira, chorando sobre o corpo de Gina Weasley. Quando eu o chamei ele fugiu de mim, como se eu fosse uma ameaça. Horas depois ele apareceu na Ordem cobrando uma ação mais rígida, nós não tínhamos o que ele queria, então ele nos aconselhou a deixar de lutar e sumiu. Meses depois eu voltei a encontrá-lo em um campo de batalha, coberto de sangue e sujeira, empilhando corpos de trouxas a sua volta. Nesse dia, Malfoy, ele me olhou como se eu fosse um fantasma, como se eu não estivesse ali, como se eu fosse uma lembrança ou algo assim, que lhe causasse dor. Mas a dor estava somente dentro dele, visível quando o brilho de seus olhos se apagou ao me olhar, pois toda a sua expressão, todo o seu ser berrava frieza e indiferença ao que ele estava vivendo. E da última vez que eu o vi ele estava sentado na mesa daquela cozinha, a mão apertando a sua com tanta força que deve ter deixado marcas, mas a voz firme e a postura de homem, de líder, de quem sabe o que faz, não nos fazendo um pedido, mas exigindo uma posição, cobrando uma ação que nós ainda não temos. Agora, me responda, Malfoy, onde está o Harry Potter que chorou pela Gina e a abraçou no nosso último encontro?

- Está morto. O Harry que você conheceu morreu quando viu a Weasley morrer. Ele está soterrado dentro do líder que você viu, e não vai voltar. Voldemort deu a Harry o que ele queria, o poder para acabar com a guerra, pois não é segredo pra você que a guerra está nas mãos do Harry. E, se você quer mesmo saber, Lupin, quando o Harry me encontrou eu também estava morto. Todo o orgulho que um dia eu tive do meu nome, da minha posição, de ser quem eu sou foi me arrancado a ferro e fogo em uma cela nas masmorras de Voldemort. Quando o Harry me encontrou, eu estava morto, como a Weasley. Se algo nos une hoje é o fato de ele ter me devolvido a vida, e eu estou fazendo o possível para devolver a vida dele. E ajudaria muito se vocês não ficassem arrancando as esperanças dele.

Lupin o olhou por um momento.

- Então não há o que fazer? Voldemort realmente conseguiu transformar Harry em um novo Lord?

- Não. Ele nunca se deixou subjugar por Voldemort. Ele não é um Lord. Ele não quer isso. Tudo o que ele quer é acabar com essa guerra de uma vez por todas. Mas ele não pode fazer isso sozinho. Você sabe tanto quanto eu do que Harry é capaz, mas, no momento, ele está focando todas as suas energias em um único objetivo: sair dessa guerra e, de preferência, vivo. E ele não vai desistir tão fácil, Lupin, mesmo com a negativa da Ordem. O Harry precisa de vocês, e eu sei que vocês precisam dele. Se você realmente o conhece e está disposto a estender uma mão para ele, eu só peço que você não o tema e se lembre que, se tem algo que o Harry nunca abandonaria, é a fidelidade que ele tem a quem é fiel a ele.

Os dois se encararam por algum tempo. Lupin levou devagar a xícara de café aos lábios e voltou a olhá-lo.

- Eu não duvido disso, Malfoy. Vou ver o que posso fazer. Vocês podem contar comigo.

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Os dois tomavam o café em silêncio, cada um mergulhado nos próprios pensamentos depois daquela conversa, quando um estrondo balançou todo o café.

Os dois homens se encararam e levantaram correndo, em direção a uma janela, a tempo de observar um bueiro ser jogado a metros de distância por uma pilastra de fogo, um prédio ruir, pessoas correndo e gritando, alguns corpos caídos na calçada e uns dois homens vestidos de negro serem estuporados por um grupo de aurores que os perseguiam.

- Merlin!

Draco correu junto com Lupin para a rua. As casas em volta explodiam, o incêndio iniciado por algum feitiço se alastrava, impulsionado pelo vento. Os aurores que se uniram à Ordem tentavam evacuar a área, afastando os trouxas da batalha.

- Onde está Harry Potter? – Draco perguntou a um auror mais próximo, na certeza de que o moreno estaria envolvido nisso.

- Ele foi visto a duas quadras daqui. Não se aproxime de lá. É perigoso.

- Eu tenho que ir, Lupin. – Draco se voltou ao lobisomem, mas este falou com o auror.

- O que está havendo, Dawlish?

- Os planos que o Potter nos apresentou estavam certos. Conseguimos isolar a área antes dos comensais chegarem, mas foi uma luta dura e ainda havia alguns trouxas em campo. Eu não sei o que aquele homem está querendo, mas ele matou mais comensais hoje do que conseguimos matar nos últimos dois meses.

- E porque eu não fui informado dessa ação? – Lupin se mostrou indignado.

- Só decidimos agir nesta manhã, com a confirmação que Potter nos enviou. Você não estava...

- Remo!

Os três homens se viraram ao ouvir a voz conhecida.

- Por Merlin! Onde você estava? – McGonnagal, levemente descabelada, veio mancando até eles, acompanhada pelo Sr Weasley, Gui e Doge.

- Eu...

Mas foi novamente interrompido por um estrondo. Dois comensais entraram correndo na rua e, ao verem-nos, começaram a lançar maldições, como se enfrentar um grupo de seis participantes da Ordem da Fênix fosse a melhor opção no momento, forçando os presentes a se lançarem para os lados, buscando se esconder.

Porém, o grito de um deles, antes mesmo que qualquer um dos combatentes pudesse revidar o ataque, indicou que deviam estar sendo perseguidos.

- Traidor! Seu filho da puta miserável!

Draco saiu de trás da árvore onde tinha se abrigado ao ouvir aquilo. Na esquina mais distante da rua, Harry estava de pé, avançando lentamente em direção a um corpo que se arrastava no chão, tentando manter distância. A alguns passos, o outro comensal já jazia morto.

- Você matou o Lord e agora vai matar todos nós, seu desgraçado! Nunca devíamos ter confiado em um sangue sujo como v...

Mas não terminou a frase, um chute de Harry o calou, sendo seguido por uma sessão de cruciatos.

- Harry! – Draco gritou, começando a correr, inconscientemente, em direção à cena.

Mas Harry parecia não poder ouvi-lo. À tortura seguiu um sectusempra e o homem caído aos seus pés, que Draco reconheceu como o sobrinho de Nott, já agonizava quando o moreno levantou a varinha mais uma vez. O olhar vazio, o rosto sujo de sangue sério e duro, sem expressão alguma além da mais profunda frieza.

- Harry, não!

Draco desviou o braço do moreno e a azaração atingiu a parede do prédio ao lado. Harry ainda não o olhava, encarando o homem no chão. Draco o acompanhou voltar a mirar e o abraçou, se colocando a sua frente, tentando tirar a varinha de suas mãos.

- Harry, olha pra mim! Harry, você não precisa fazer isso! Esse homem ta morto, Harry! Harry me escuta...

Mas o moreno aparentemente não o percebia. Draco arrancou a varinha de sua mão e ganhou o olhar mais frio que já recebeu, exceto, talvez, o de Voldemort, mas certamente esse doeu mais. Tremendo, Draco segurou o rosto de Harry com as duas mãos, se aproximando, o beijando, sem receber reação nenhuma.

- Harry, por favor, me escuta... Não faça isso... Você não precisa disso, Harry... Não precisa... Harry, me escuta... Por favor, Harry... Por favor... – e o beijou novamente, ainda sem resposta, mas sentiu uma mão trêmula e fria pousar em seu ombro.

Ele abriu os olhos e se viu encarando duas contas verdes brilhantes. Não mais o brilho frio, não mais a crueldade. Harry o olhava com medo. Draco percebeu que estava chorando.

- Draco... – Harry passou o dedo delicadamente pelo seu rosto, enxugando as lágrimas. Draco o abraçou com força, se desmanchando em seu ombro, desesperado. Harry o abraçou de volta, tremendo.

Os dois ficaram abraçados por muito tempo, alheios aos olhares pasmos que os presentes lhe lançavam, à destruição a volta, aos corpos no chão.

- Por Melin, o que você está fazendo aqui? – Harry perguntou, fitando o loiro, mas Draco somente lhe dirigiu um olhar exasperado – Não importa... Vamos sair daqui...

- Potter. – McGonnagal o chamou.

Os dois se separaram rapidamente e só então Harry percebeu que eram observados, assumindo imediatamente sua postura mais rígida.

- McGonnagal. – cumprimentou, sério – Fico satisfeito ao ver que a Ordem acatou minhas informações.

- Isso não... – começou McGonnagal, mas Lupin a interrompeu.

- Isso significa, Harry, que estamos aceitando a ajuda que nos ofereceu. Conte com a cobertura da Ordem em suas ações e nos mantenha informado.

- Lupin, essa decisão não cabe somente a você! – Dawlish o cortou.

- Eu sei, e pretendo convocar uma reunião o mais rápido possível para oficializar isso, mas receio que os Senhores Potter e Malfoy não estão em condições de aguardar nossa resposta. Então, - completou, estendendo a mão a Harry – tenho certeza de que ela não mudará. – acrescentou, sorrindo para Draco – Vão, vocês precisam descansar.


Notas Finais


Próximo capítulo contém cenas fofas e...tristes;-;. Amanhã tem mais!


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