História { Eclipse - Mijan} - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Bellatrix Lestrange, Dobby, Draco Malfoy, Gregory Goyle, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Minerva Mcgonagall, Pansy Parkinson, Poppy Pomfrey (Madame Pomfrey), Severo Snape
Tags Amor, Aventura, Dracomalfoy, Drama, Drarry, Eclipse, Harrypotter, Poção
Visualizações 219
Palavras 9.138
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Survival, Violência
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 4 - Quarto Capítulo - O peso do dever



As pontas das botas negras resplandecentes apareceram por baixo da bainha das vestes esvoaçando firmemente pelas escadas abaixo, em seguida mãos escamosas, e então o rosto mais horripilante que Draco já havia visto. Draco pulou de sua cadeira; não seria bom ser pego sentado na presença de um bruxo tão poderoso. O ar estalava com ondas invisíveis de energia negra e Draco podia sentir os pêlos de seus braços eriçando-se. Mais um item para a lista de coisas novas e perturbadoras que vivenciara nas últimas horas. Quando Lord Voldemort passou por ele, Draco pressionou as costas contra a parede.

Na cela, Potter estava cambaleando para ficar em pé. Seu rosto estava contorcia-se como se alguma coisa o cegasse dolorosamente. Draco adivinhou que deveria ser a cicatriz causando aquela reação. No entanto, ao invés de se encolher para o canto mais afastado da cela, Potter deu um passo em direção às grades. Só que não chegou mais longe.

Lábios repuxando-se num tipo de sorriso perverso, Voldemort puxou a varinha das vestes e a acenou para o prisioneiro. "Prohibito!".

Como se empurrado por uma mão enorme, Potter voou de encontro à parede no fundo da cela, braços e pernas abertos. As algemas penduradas lá deram sinal de vida, prendendo-se em volta de seus pulsos e tornozelos. Enquanto ele se debatia contra as amarras, as correntes retraíram-se na parede, segurando-o firmemente no lugar. Com outro aceno casual da varinha, Voldemort mandou uma tira de pano grosso enrolar-se em volta da boca de Potter, efetivamente amordaçando o garoto.

Ele enfiou a varinha de volta nas vestes. "Malfoy, destranque a cela". A voz de Voldemort chegou afiada aos ouvidos de Draco, emocionante de um jeito aterrorizante e poderoso ao mesmo tempo. Ele automaticamente virou-se para remover a chave da prateleira, mas descobriu que seu pai já o tinha feito. Lucius não olhou nem uma vez para Draco enquanto se movia para a fechadura e virava a chave. Ele se curvou profundamente quando Voldemort passou por ele a caminho da cela.

O Lorde das Trevas moveu-se para Potter como uma aranha aproximando-se de um mosquito preso em sua teia. "Senhor Potter. Que gentileza a sua se juntar a nós para essa ocasião extraordinária". A voz era obscura, sibilante, e não continha traços de piedade. Era fácil ver exatamente o quão poderoso o Lorde das Trevas era. Agora Draco entendia exatamente porque seu pai havia escolhido servir a tal poder.

Ainda que preso, Potter estava fazendo um trabalho excelente em demonstrar exatamente o quanto estava feliz de estar lá. Ele se debatia contra as algemas de metal, e Draco podia ver as pontas cegas quase cortando a pele de seus pulsos. Contorcendo-se freneticamente, seus olhos mostravam rebeldia, dor, desprezo puro e simplesmente ódio. Fazia os olhares que ele tinha dirigido a Draco durante esses anos parecerem quase amigáveis. Draco perguntou-se exatamente quão presas as algemas estavam à parede de pedra.

"Ah, vamos, Potter. Esse vai ser um evento glorioso. Você deveria estar honrado de fazer parte dele". Voldemort começou a andar de trás para a frente lentamente na frente do garoto que lutava.

Draco olhou de lado para seu pai. Lucius estava parado como um sentinela, observando os ocupantes da cela com uma atenção desligada. Draco engoliu à seco e se arrumou um pouco mais ereto, imitando o pai.

Na cela, Voldemort continuou seu monólogo.

"Você quase me fez um favor na noite que escapou com sua Chave de Portal brilhante. Naquela hora, recuperar meu corpo e a maior parte do meu poder era um objetivo suficiente. Eu teria te matado e acabado com isso. Contudo, uma vez que eu tinha meu corpo e meus leais Comensais da Morte de volta a mim, eu podia me demorar".

Ele parou de andar na frente de Potter e deu um passo em direção ao garoto. Gotas de suor começaram a se formar no rosto de Potter, e seus óculos escorregaram para a ponta do nariz.

"Você tirou uma coisa de mim, Potter. Poder. Eu tenho certeza de que você é um bruxo poderoso, mas muito dessa habilidade não pertence a você. Agora, eu vou pegá-la de volta". Ele levantou uma mão, estendeu um dedo longo e o pressionou contra a cicatriz de Harry.

Pálpebras apertaram-se sobre íris verdes e brilhantes e o corpo de Potter se enrijeceu completamente contra as algemas. Seus dentes se apertaram na mordaça, e os músculos de sua mandíbula se contraíram. Ainda assim, ele não produziu nenhum som.

O sorriso divertido de Draco transformou-se numa carranca surpresa. Ele sabia que a cicatriz de Harry tinha uma conexão estranha com Voldemort, e que isso havia causado alguns episódios na escola, mas ele estivera totalmente inconsciente de que era tão significativa. Era uma visão perturbadora, para dizer o mínimo.

Finalmente, Voldemort tirou a mão. Potter largou-se contra a parede, respirando com dificuldade.

O Lord das Trevas recomeçou a andar como se nada tivesse acontecido. "Em vinte dias, haverá um eclipse lunar total. Tais eventos astrológicos são horas de alta magia. Eu descobri um feitiço antigo usado por guerreiros e bruxos do passado para absorver o poder de seus inimigos. O feitiço concentra-se na magia liberada pelo eclipse e uma poção usando seu sangue. Não é adorável, Potter? Você vai sangrar para meu prazer mais uma vez".

Potter fez mais uma investida violenta contra suas algemas, e Voldemort riu dele. A risada não era o som agradável que uma risada deveria ser. Lançou arrepios afiados e frios pela espinha de Draco, e ele se sentiu encolher contra a parede.

"Na noite do eclipse", Voldemort continuou seu sermão. "Eu beberei a poção. Quando a luz da lua começar a diminuir, sua mágica e sua vida começarão a se esvair de seu corpo. Quando a escuridão crescer, meu poder crescerá com ela até que a Lua desapareça do céu da noite". Ele se virou para encarar Potter, sua capa esvoaçando. O Lorde das Trevas certamente tinha um talento para o drama.

Seu rosto concentrou-se num olhar de escárnio. "Quando a última luz se for, você morrererá, e meu poder será completamente restaurado. É quase poético em sua simplicidade". O escárnio transformou-se numa desculpa hedionda para um sorriso. "Eu vou adorar ver você morrer".

Um rugido baixo começou na garganta de Potter.

"Com o poder que eu terei recuperado de você, serei invencível. Agora, sendo invencível, o que eu faria primeiro?". Seu tom era quase uma canção, provocando o prisioneiro indefeso. Potter rugiu um pouco mais alto.

Voldemort riu novamente. "Eu pegarei meus Comensais da Morte e destruirei Hogwarts".

Os olhos de Potter se arregalaram e ele se encolheu momentaneamente, antes de se debater de novo.

"Ah sim, Potter. Hogwarts irá cair; até o último tijolo. E cada um dos sangues ruins. Pense só, você tornou isso tudo possível".

O rugido na garganta de Potter tornou-se um lamento abafado. Ele se contorceu violentamente. Draco podia ver um pouco de sangue começando a escorrer das extremidades das algemas.

Voldemort deu mais um passo em direção a Potter. "Não fique tão triste". Ele debochou. "Pelo menos você estará com seus amiguinhos e pais sangues ruins. Sim, seus pais. Agora você sabe que o sacrifício deles foi em vão. Os tolos que eram".

Lutando contra sua mordaça, Potter rugiu três palavras e Draco estava certo de que não eram "Muito obrigado, Voldemort".

"Você ainda não aprendeu a ser educado, garoto", Voldemort disse, puxando a varinha das vestes. "CRUCIO!".

As costas de Harry se arquearam, lançando sua cabeça contra a parede, mas essa era a parte menos violenta do espetáculo. Os músculos do lado de seu pescoço magro se incharam anormalmente e suas mãos se contorceram como garras grotescas. Cada membro começou a tremer como se puxado por fios invisíveis. Como um fantoche bizarro, Potter dançou em suas algemas. Suor encharcava seu cabelo, que estava grudado na testa em mechas negras, e seus óculos voaram com as convulsões. No meio disso tudo, sua boca estava aberta em volta da mordaça como se ele estivesse tentando gritar, mas nenhum som escapou.

E Draco assistia horrorizado.

O Lorde das Trevas riu com um prazer diabólico enquanto a demonstração continuava. Os segundos se esticavam em minutos. Quando parecia que Potter quase certamente deveria ter morrido, Voldemort afastou a varinha. O corpo do garoto pareceu terrivelmente frágil quando caiu flácido contra a parede. O Lord das Trevas acenou com a cabeça, satisfeito. "Talvez agora você aprenda a manter uma língua civilizada em sua cabeça".

Com isso, ele se virou e saiu da cela. Lucius automaticamente trancou a porta atrás dele.

Draco engoliu em seco e se endireitou ao máximo. De repente, a idéia de ser honrado para Lorde Voldemort parecia muito mais intimidante. Draco respirou para se acalmar. Era isso o que ele sempre quisera. Essa era a hora de ser reconhecido. Potter só tinha ganhado o que merecia, e Draco logo iria receber seu prêmio glorioso.

Voldemort se aproximou dele e olhou o loiro de cima a baixo. Draco curvou a cabeça em respeito, sabendo que não deveria olhar nos olhos do Lorde das Trevas. Seu estômago tentou se revirar, mas Draco o forçou a ficar quieto.

"Jovem Malfoy". Voldemort começou, lentamente. "Você realizou uma tarefa que vai eventualmente restaurar meu poder completo. Por isso, deverá ser recompensado. O nome dos Malfoy está a meus serviços há muito tempo, e você serviu para aumentar sua honra".

Pelo canto do olho, Draco estava observando a forma caída de Potter, procurando por algum sinal de vida. Ele era louco? O próprio Lord Voldemort dirigindo-se a ele, e ele estava ocupado demais observando o corpo de seu inimigo jurado para se importar. Fechou os olhos com força e se concentrou nas palavras de seu futuro mestre. Abriu-os de novo e encarou as botas negras e brilhantes aparecendo por baixo das vestes de Voldemort.

"Quando Potter estiver morto, você será introduzido nas tropas dos meus leais Comensais da Morte em reconhecimento pela sua contribuição. Estava hesitante em considerar a idéia quando seu pai originalmente fez o pedido, mas você parece ter se provado". Sua voz baixou uma oitava. "Tenha a certeza de que a minha confiança não é posta no lugar errado".

Draco percebeu que era esperado que respondesse. Sem levantar a cabeça, disse o mais claramente que pôde, "Sim, meu senhor".

Isso pareceu agradar ao Lorde das Trevas o suficiente. As vestes esvoaçaram quando Voldemort se virou. Draco levantou a cabeça e assistiu enquanto ele marchava para as escadas do calabouço. Lucius acenou com a cabeça para Draco com aprovação, o entregou a chave da cela e saiu atrás de seu mestre.

Sem olhar para trás, Voldemort puxou a varinha e a acenou preguiçosamente sobre o ombro. Na cela, as algemas em volta dos pulsos e tornozelos de Harry caíram, a mordaça desapareceu, e o garoto desacordado caiu no chão. Draco ouviu aos sons de Voldemort e seu pai diminuírem, desaparecendo quando a porta do calabouço bateu.

Draco observou a figura estatelada com o rosto virado para baixo no chão e começou a lentamente andar em direção às barras com um medo vagamente dissimulado. Potter havia enfrentado Lord Voldemort. Mesmo amarrado e amordaçado, tinha encarado Lord Voldemort nos olhos e o desafiado. Claro, não o tinha feito bem algum. Voldemort era mais poderoso, muito mais poderoso. Potter merecia o que recebeu. Você não enfrenta o bruxo mais poderoso da época sem esperar sair perdendo. Ele não merecia nada melhor. Ele merecia...

Draco alcançou a porta da cela. Mordendo o lábio inferior, respirou profundamente, apanhado num momento de indecisão.

Olhando para baixo, viu a chave pulando na palma de sua mão, que tremia. Draco sabia que Potter era um prisioneiro de segurança máxima por causa do quanto o Lord das Trevas o queria, mas nunca havia percebido que Potter era na verdade uma ameaça... Até agora.

Com um choque, Draco percebeu que tinha acabado de admitir para si mesmo que Potter era inegavelmente poderoso. Sempre soube que era verdade, em algum lugar no fundo de sua mente, mas nunca é uma coisa que você quer admitir sobre seu rival. As implicações de tal admissão eram indesejáveis. Poder... O garoto, caído dentro da cela com o rosto virado para o chão o tinha. Certamente ele não era páreo para o Lord das Trevas, mas, ainda assim, havia poder nele. Como a mente bem acostumada de Draco exigia, era uma coisa de valor que requeria que ele fosse respeitado ou temido. No caso de Potter, Draco não tinha certeza de qual idéia o assustava mais, mas ambos os pensamentos já estavam se instalando em sua mente.

Ele se sentiu sendo puxado brutalmente em duas direções. Metade dele estava gritando que tinha que verificar se Potter estava vivo, ter certeza de que ele ficaria bem, enquanto a outra metade queria se esconder o mais longe possível para se preocupar com a demonstração que tinha acabado de presenciar. A parte mais perturbadora disso era que nenhum dos dois puxões era uma coisa que ele já havia pensado em sentir. Medo simultâneo por Potter e de Potter.

Precisava de uma resposta além de suas emoções, as quais ele decidiu que eram completamente incertas no momento. Respirou profundamente. Era seu trabalho manter Potter seguro para o Lorde das Trevas. Isso também significava que ele tinha que manter Potter vivo, certo?

O tremor de suas mãos quase o fez derrubar a chave quando ele a enfiou na fechadura. O mecanismo se destrancou com barulho e a porta se abriu. Draco aproximou-se da forma imóvel cautelosamente. Potter estava deitado com o rosto virado para baixo, mas sua cabeça estava virada para o lado o suficiente para Draco ver o osso de sua bochecha, a curva suave de sua mandíbula, a marca fraca da haste dos óculos perdidos. O medo de uma ameaça em potencial sumiu, deixando nada além da ansiedade violenta de descobrir se Harry estava morto.

Draco se ajoelhou ao lado do corpo estirado de Potter e o virou. Sua outra bochecha estava machucada por cair no chão e havia um pouco de sangue no canto dos seus lábios ligeiramente azulados.

"Droga, Potter, acorde!". Ele encostou o rosto sobre a boca de Harry e podia sentir um traço fraco de ar quente contra sua pele. Com seus próprios batimentos cardíacos ecoando em seus ouvidos, ele tomou o pulso de Harry. Os batimentos eram fracos, mas ele estava vivo.

Draco soltou um suspiro de alívio, apenas para se sentar em choque com o fato de que estava aliviado. Por que ele deveria se importar com Potter? Por quê...? Ah, sim. Porque Lord Voldemort precisa dele vivo. A futura glória de Draco depende estritamente da utilidade de Potter ao Lord das Trevas. Era isso. Perfeitamente aceitável.

Continue dizendo isso a si mesmo, sussurou uma vozinha no fundo de sua mente. Cala a boca, ele mandou.

Ele puxou um lenço limpo do bolso e apontou a varinha para ele. "Aquaro". Um pequeno jato de água esguichou no pano.

Draco se inclinou e afastou a franja suada de Harry de sua testa apenas para se afastar em choque. A cicatriz em forma de raio familiar parecia um corte fresco. A Maldição Cruciatus tinha feito aquilo? Draco observou enquanto ela lentamente voltou a ser a linha fina da qual ele se lembrava.

Tentado por uma curiosidade estranha, Draco se inclinou para tocá-la... A cicatriz lendária... Então parou a centímetros de distância. Não podia entender o porquê, mas de algum jeito sentia que tocá-la teria sido uma violação imperdoável. Repreendendo-se por ter pensado no assunto, rapidamente pressionou o pano contra a testa de Harry, cobrindo a cicatriz.

Harry estava deitado de costas num caminho de grama, molhado com o orvalho da noite. Podia sentir a brisa fresca sobre sua pele, ouvir as árvores farfalhando... Ver o rosto de Draco Malfoy inclinar-se com preocupação e a testa franzida. Por que Malfoy estava preocupado? No céu, sobre o ombro do outro garoto, a lua estava cheia, iluminando claramente o céu noturno. Não, não estava cheia. Havia um pedaço faltando embaixo... Então o rosto de Malfoy transformando-se em dor, e parecia que estava prestes a chorar. No entanto, não era apenas a luz se desvanecendo. Harry sentiu-se como se estivesse desvanecendo com ela. Enquanto o sonho se dissolvia, sentiu a mão de Malfoy acariciando sua face...

Uma pressão fria encostou em sua testa. Era um contraste agradável com a queimação atingindo o resto de seu corpo. Onde estava? Era tão difícil lembrar. Como ele desmaiara? De onde vinha toda essa dor? Então tudo veio a ele. Voldemort. A Maldição Cruciatus. Por quanto tempo Voldemort mantivera a varinha nele? Certamente parecera uma eternidade.

Gradualmente, Harry sentiu o chão parar de se mexer embaixo de suas costas e percebeu que mal estava respirando. Tentou respirar fundo, mas só conseguiu ter um acesso de tosse. Havia uma sensação borbulhante estranha em seus pulmões, e um gosto metálico em sua boca. Oh, maravilhoso.

A frieza em sua testa foi removida brevemente, apenas para ser substituída com alguma coisa mais fria. Uma outra coisa tocou de leve o canto de sua boca. De primeira, em sua desorientação, não ocorrera a Harry de que devia haver outra pessoa ao lado dele, mas finalmente o pensamento instalou-se em seu cérebro. Malfoy. Só podia ser Malfoy.

Harry abriu os olhos embaçados, mas mesmo a pouca luz do calabouço fez sua cabeça girar mais uma vez. Ele gemeu e fechou os olhos com força enquanto o chão sacudia embaixo dele.

"Potter? Sai dessa, Potter". A voz de Malfoy era forte, mas sem nenhum traço de sua entonação usual, e o que quase parecia ansiedade.

Harry gemeu de novo em resposta.

"Potter, em nome de Merlin, acorde!". Isso era uma ordem, agressiva com certeza, mas ainda não era a fala arrastada.

Mais lentamente desta vez, Harry abriu os olhos. Malfoy inclinava-se sobre ele, seu rosto marcado pela preocupação. Por si só, era o suficiente para deixar Harry um pouco alarmado. Ficou ainda mais chocado quando Malfoy inclinou-se e enxugou seu rosto com o pano molhado. Harry abriu a boca para perguntar exatamente que diabos ele estava fazendo quando foi sacudido por mais um acesso de tosse, seguido pelo gosto forte de sangue.

Sentiu a mão de Malfoy contra seu peito. "Fique quieto. Você só vai fazer piorar".

Pasmado demais para discutir, Harry acenou bobamente com a cabeça, o que só serviu para fazê-la girar de novo. Ele fechou os olhos e fez uma careta. A mão de Malfoy tocou sua nuca até sentir o ponto em que a tinha batido contra a parede. Harry afastou-se do toque, mas Malfoy repetiu firmemente, "Fique quieto".

Harry abriu os olhos de novo e observou Draco puxar a varinha e a apontar para o galo. Harry sentiu uma onda de pânico, mas Malfoy rapidamente murmurou alguma coisa baixo demais para Harry ouvir, e a dor do machucado desapareceu e a dor indistinta em suas têmporas passou.

"Onde você aprendeu isso?", Harry perguntou fracamente.

"Longa história". Veio a resposta seca.

"Eu não vou a lugar algum."

Malfoy revirou os olhos. "Mesmo quando você está meio morto, não consegue largar o sarcasmo, não é?". Ele olhou para Harry, e então suspirou. "Durante as férias de verão, eu costumava vir para casa com hematomas depois de brincar do lado de fora, e meu pai me dizia que eu parecia um serviçal comum todo machucado. Então eu aprendi a me livrar deles. Está feliz agora?".

Harry tentou dar de ombros, mas seu ombro protestou contra o movimento e causou outra tosse, então ele se contentou com contrair os lábios. "Eu pareço feliz?".

Draco ignorou sua resposta. "Aqui, sente-se. Senão você vai engasgar com o sangue".

Harry tentou obedecer, realmente tentou, mas, na metade do caminho, o sangue começou a se esvair de sua cabeça. Quando caiu para trás, uma mão forte segurou-o firmemente entre os ombros e o segurou até a tontura passar. Malfoy gradualmente o empurrou para se sentar, sua mão se demorando apenas um breve momento a mais do que era necessário. Harry se sentou, dormente, sem querer acreditar no que seu cérebro lhe dizia. Era só o ferimento na cabeça, ou Draco Malfoy tinha acabado de tratá-lo como um ser humano? Ajudado-o? Não. Malfoy não queria ajudá-lo. Malfoy era a razão de ele estar nessa confusão em primeiro lugar. Só estava fazendo isso porque o prêmio de Voldemort não podia morrer.

Apesar do fato de que ele estava um caco e nada do que fizesse poderia realmente fazer uma diferença, Harry futilmente ajeitou suas vestes, para ter algum sinal de presença de espírito na frente de Malfoy, mas o movimento causou a seu ombro um latejar ainda maior, e ele fez uma careta.

As sobrancelhas de Malfoy uniram-se. "Seu ombro?". Ele apontou para a junta machucada.

"O que tem ele?", Harry perguntou, de repente na defensiva. Encolheu-se, defensivamente afastando o ombro do outro garoto.

Draco revirou os olhos, exasperado. "Deixa eu ver".

"Espera, foi você quem me esfaqueou em primeiro lugar e você quer...". Outro acesso de tosse, mais sangue.

Malfoy franziu a testa, mas não para Harry. "Precisamos fazer alguma coisa sobre isso também".

"Diga o óbvio", Harry disse rapidamente entre sua respiração difícil.

"Deus, Potter. Até quando alguém tenta te ajudar, você tem que ser um babaca estúpido". A voz de Malfoy estava carregada com frustração.

Ele estendeu a mão para as vestes de Harry apenas para ter seu alvo afastado mais uma vez. Qual era o problema com esse garoto?

Draco correu o risco e procurou a si mesmo no rosto de Potter. O que ele viu era espantosamente familiar. Quando você acerta um animal uma vez, ele nunca vai te deixar tocá-lo de boa vontade de novo. Era o olhar no rosto dos elfos domésticos quando ele usava o pé para ensinar alguma disciplina. Agora, a mesma desconfiança estava à mostra no rosto de Potter. Era justo, Draco supôs. Ele havia causado o ferimento. Por que Potter deveria confiar nele para curá-lo?

Harry forçou sua respiração a se acalmar o suficiente para ele falar. "Desculpa. Todo o conceito de um Malfoy tentando me ajudar por razões altruístas é difícil de engolir. O único

motivo pelo qual você está aqui ao invés de sentado embaixo do seu cobertor rindo de mim é porque eu não sirvo para você morto".

O olho de Draco tremeu. Deus, Potter era realmente perceptivo, mas, por algum motivo, soava diferente quando ele dizia. "Você também não serve para si mesmo morto".

"É só um ferimento na carne. Não vai me matar".

Malfoy franziu a testa. "Tem ficado progressivamente pior desde ontem, e provavelmente está infeccionado. Sim, uma infecção pode muito bem te matar".

Os olhos de Harry se arregalaram para o loiro. Malfoy estava realmente prestando atenção suficiente para notar isso? Verdade, estava ficando pior, e ele estava provavelmente certo pelo estado do ferimento, mas Harry não queria o sonserino nem perto de seu ombro. Claro, não era como se tivesse muitas opções.

Ele assentiu.

Sem mais uma palavra, Malfoy tirou o braço de Harry das vestes, fazend-oo estremecer. Draco parou no meio do movimento, esperando a expressão de dor no rosto de Harry sumir um pouco antes de continuar. Puxou o colarinho do suéter de Harry, e Harry se surpreendeu quando notou que Malfoy tinha mãos bem... Impressionantes. Mãos de apanhador, calosas de segurar a vassoura, mas delicadas e rápidas. Elas pareciam as suas, só que menos ossudas. A próxima coisa que viu deixou as mãos de Malfoy completamente fora de seus pensamentos e quase o fez desmaiar de novo.

O ferimento em seu ombro era uma coisa feia, para usar um eufemismo vulgar. As bordas do corte aberto estavam rachadas e inflamadas, e linhas vermelhas se riscavam em volta dele sob sua pele enquanto a infecção no sangue começava a se espalhar. Traços e manchas de sangue seco cobriam a área inteira. Harry sentiu seu estômago revirar e rapidamente olhou para o lado.

"Biddy!". A voz de Malfoy ecoou pelo calabouço.

Uma fração de segundo depois, o elfo doméstico apareceu. "Senhor Malfoy, senhor!". Ela guinchou, feliz. "O senhor é chamando Biddy, senhor? O que o senhor Malfoy está querendo...?" As perguntas dela acabaram quando ela viu a expressão no rosto de Draco, e então se virou para ver o ombro de Harry. Seus olhos enormes se arregalaram em choque. "Senhor Malfoy, senhor! Har... O prisioneiro está machucado, senhor. Biddy deve chamar o senhor Malfoy mais velho?".

"Não!", Draco gritou, um pouco rápido demais, antes de retomar seu tom mais usual. "Não, esta é minha tarefa. Se meu pai soubesse que alguma coisa saiu errada, ficaria desapontado comigo. Eu posso consertar isso sozinho".

O elfo doméstico se curvou em consentimento. "Biddy não está querendo colocar o Senhor gracioso em problemas, senhor. Biddy está guardando o segredo do Senhor".

Malfoy concordou com a cabeça. "Bom. Agora, vá até as minhas provisões para poções particulares. Há uma caixa nomeada 'Medi-Poções'. Pegue-a rápido".

"Sim senhor, Senhor Malfoy, senhor!". Ela desapareceu.

Os dois garotos foram deixados em silêncio. Harry finalmente o quebrou. "Por quanto tempo ele usou a Maldição Cruciatus em mim?".

A cabeça de Draco se levantou e ele considerou a pergunta. Potter falava disso tão casualmente, quando o incidente quase tinha o matado. Teria deixado a maioria dos bruxos crescidos catatônicos. "Dois minutos, talvez três". Draco manteve sua voz desprovida de emoção.

Harry lentamente concordou com a cabeça. "Pareceu mais tempo do que da última vez".

"Da última vez?". Os olhos de Malfoy arregalaram-se um pouco.

"Ah, sim. No fim do Torneio Tribruxo. Só o que o seu pai provavelmente contou que Voldemort tinha me apanhado, mas eu dei sorte e escapei, convenientemente deixando de fora a parte onde ele me amarrou sob a Maldição Cruciatus".

"Você sobreviveu àquilo duas vezes?". A voz de Malfoy era cética, incrédula, mas por baixo disso, completamente maravilhada.

"É, claro. O incrível, inatingível Harry Potter. Continue batendo nele porque ele quica de volta". A voz de Harry era amarga. "Eu mereço nada melhor, de qualquer jeito".

Draco não tinha muita certeza de como responder a isso. Claro, era isso o que ele pensava, e era verdade, não era? O imbecil merecia cada pedacinho de tormento pelo qual o Lorde das Trevas o fazia passar, e agora era a tarefa de Draco mantê-lo vivo para o próximo assalto. Não havia nada sobre ser bonzinho em seu contrato. Draco Malfoy não põe seu nome em qualquer contrato assim. "Bom, depois daquela performance e de todas as coisas que você fez esses anos, como esperaria menos?". Draco inclinou-se nos joelhos e se sentou de pernas cruzadas no chão. "Você desrespeitou o Lord das Trevas cara a cara. Que brincadeira idiota foi aquela?".

Harry estava olhando sério para a parede a sua frente, imóvel. Ele abaixou a voz, mas a amargura aumentou. "O tipo de brincadeira que se faz quando é a única arma que se tem".

Draco franziu as sobrancelhas. "Arma? Você não acredita honestamente que estava lutando contra ele daquele jeito? Você não podia se mexer e não podia falar".

"Talvez não". Sua voz se abrandou um pouco. "Mas Voldemort recebeu a mensagem alta e clara".

"E que mensagem era essa?". Draco tentou injetar certa arrogância em sua voz para esconder o estremecimento ao nome de Voldemort.

Harry olhou casualmente para Malfoy. O rosto do outro garoto estava longe o suficiente para ficar ligeiramente embaçado sem seus óculos, mas Harry podia ver que Malfoy estava inegavelmente confuso, e ainda estava esquivando-se do nome de Voldemort como um cavalo coiceando em frente a uma cobra. Todos tinham medo de Voldemort, até mesmo os que o seguiam, lutando por um pouco do mesmo poder mas recebendo nada além de um ciclo perpétuo de servidão. Sim, até Draco tinha medo; Harry agora tinha certeza disso. Harry olhou para o rosto de seu inimigo, notando os olhos cinzentos arregalados com seu olhar.

Draco, primeiramente, estava determinado a não piscar desta vez.

"A mensagem", Harry disse, suavemente, "é que eu não tenho medo dele. Se eu vou cair, cairei com Voldemort sabendo que nunca me derrotou por completo".

"Isso não faz sentido, Potter. Se ele te matar, obviamente, você perdeu. Não importa se você teve medo ou não. Acho que você machucou mais a cabeça do que eu tinha pensado".

Embaixo do rosto impassível de Malfoy, Harry podia ver que alguma coisa no que havia dito fizera sentido para o sonserino, apesar de ele dizer o contrário. Harry sacudiu a cabeça, nunca tirando os olhos dos de Malfoy. "Por mais que Voldemort queira minha vida, ele quer o meu medo do mesmo jeito. Medo não é nada mais do que uma forma perversa de respeito, e eu não tenho o mínimo respeito por ele".

"Ele é mais forte que você, Potter". Draco afirmou definitivamente. "Mais poderoso do que qualquer outro bruxo vivo. Por isso que qualquer um com um pouquinho de bom senso sabe que não deve irritá-lo. Todos, menos você. Ele vai ter exatamente o que quer de você, seu medo, e sua vida. Ele pode ter o que quiser. Isso é força".

Potter sacudiu a cabeça. Sua voz ainda era suave, mas longe de ser fraca. "Há uma diferença entre força e poder, Malfoy, mas eu não esperava que você entendesse".

As narinas de Draco se dilataram com o insulto. "Tente, Potter".

Falando calma e racionalmente, o outro garoto respondeu. "É a diferença entre forçar as pessoas à submissão para satisfazer sua própria ganância, e se apoiar nos dois pés por conta própria, mesmo se tiver que sacrificar tudo para fazê-lo. Poder desaparece, não tem lealdade, não tem valor. Força é uma virtude, não um prêmio. É uma coisa que ninguém pode tirar de você até o momento em que você morre, e eu não vou deixar Voldemort tirar de mim. Ele não pode ter poder sobre mim se eu me recusar a temê-lo".

Em algum lugar nas profundezas das entranhas de Draco, um pequeno arrepio começou a se formar, escalando pos seu peito e sua espinha. Chegou à sua nuca e ao seu couro cabeludo, fazendo cada fio de cabelo se arrepiar. Claro que ele entendia cada palavra do que Potter dissera. Ele não era estúpido. Mas então, também não era louco. Era somente natural temer o Lord das Trevas. Somente aqueles tolos o suficiente para se opor a ele precisavam temê-lo, e era o que deveriam fazer. Potter era poderoso, sim, Draco admitira isso para is mesmo, mas ele não era páreo para o Lorde das Trevas. Como Potter podia ser tão insolente?

"Palavras corajosas de um homem que está para morrer".

"Você tem medo dele".

Draco se encolheu. "Isso é totalmente ridículo, Potter". Ele tentou soar corajoso, mas falhou.

"Não é ridículo, é obvio. Você nem diz o nome dele em voz alta".

"Por respeito a ele!". Malfoy protestou.

"Então porque você tremeu quando eu disse o nome de Voldemort?".

Mais uma vez, Draco se encolheu ao som do nome, incapaz de conter sua reação a tempo. "Não é isso! É só que eu...".

"Diga".

"O quê?". Draco sentiu seu pulso se acelerar.

"Diga o nome dele".

"Potter, agora você está procurando encrenca...".

"Voldemort". A intensidade do olhar de Potter aumentou.

"Não faça isso". Draco afastou-se alguns centímetros.

"Voldemort".

"Pára!".

"Diga!". A voz de Harry era firme, mas o grito causou outro profundo acesso de tosse, trazendo sangue morno para o fundo de sua garganta. Harry engoliu, tentando impedir seu estômago de se revirar.

Desta vez, Draco estava muito distraído para notar. "Eu... eu...".

"Você não consegue, não é?". Não era uma pergunta.

Draco fechou os punhos e se inclinou para frente. "Meu pai me ensinou a não desrespeitar o Lorde das Trevas".

Harry concordou com a cabeça. "Isso é porque seu pai também tem medo dele".4

"Não tem não!", Draco gritou. "Meu pai sabe que deve prestar o respeito devido quando é necessário. Alguém do nível do Lorde das Trevas mereceu essa honra".

Potter fechou os olhos e respirou lenta e cuidadosamente. "Os seguidores de Voldemort não o respeitam. Eles o temem, porque sabem que se o irritarem, ele os mata. Seu pai é mais serviçal de Voldemort do que Biddy é sua!".

O queixo de Draco caiu em indignação, mas suas palavras soaram como um pretexto até para seus próprios ouvidos. O uivo de um predador não era o ganido de um animalzinho ferido. "O Lorde das Trevas dá a seus seguidores poder e honra".

"Não. Ele só os tira deles. Ele usa você, seu pai, todo mundo. Você não tem nenhum valor para ele além da sua utilidade, assim como eu".

O rosto de Draco estava impassível, mas seus olhos estavam assombrados. "Não...", ele sussurou.

"Você sabe que é verdade. Eu posso ver no seu rosto".

Draco virou-se rapidamente. "Não faça isso".

Raiva... Fique com raiva de Potter. Ele só está causando problemas porque é isso que pessoas como ele fazem. Elas não sabem nada sobre o jeito que as coisas funcionam, sobre poder, sobre honra e construir um nome. Ele é um grifinório, pelo amor de Merlin! Potter está tentando se aproveitar do fato de que eu não vou deixá-lo morrer. Ele tem inveja. Ele vai morrer nas mãos do Lord das Trevas e eu terei poder e prestígio. Voldemort me dará honra! Eu, o Comensal da Morte que capturou Harry Potter, serei um de seus servos preferidos!

Servo? Não. Isso é o que Potter quer que você pense. Não é assim. Seguidor do Lord das Trevas. Sim, é isso. Seu seguidor.

"Os seguidores do Lord das Trevas serão ricamente recompensados, Potter. Você só não quer admitir que escolheu o lado perdedor".

Harry encolheu o ombro bom. "Acredite no que quiser, Malfoy. Pelo menos quando eu morrer, seja mais cedo ou mais tarde, eu saberei que não morri como um escravo".

Potter voltou a olhar para a parede, e Draco aproveitou a oportunidade para observar seu rosto. Mesmo a sua expressão sendo dura, sua pele possuía um tom acinzentado e estava coberta de suor e sujeira. Os lábios estavam pálidos demais, levemente abertos, e Draco percebeu que ele ainda não estava respirando facilmente. Com a força da convicção por trás de tudo o que o garoto havia dito, Draco tinha esquecido de como eram terríveis seus machucados. Draco quase tinha que admirar o garoto, mas nem tanto. Biddy voltaria logo. Enquanto isso...

Um pano molhado pousou no colo de Harry.

"Limpe o rosto. Está imundo".

Draco observou enquanto Potter pegou o pano em silêncio e passou pelas bochechas, limpando cuidadosamente em volta do hematoma em uma face, e pela ponte do nariz. O pano se moveu para frente e para trás sobre suas sobrancelhas, então pelo cabelo negro bagunçado, empurrando as mechas suadas para longe de sua testa. Continuou pela nuca, e parou ali. A cabeça de Potter se curvou ligeiramente, deixando gotas de água caírem do pano e ensoparem o colarinho de suas vestes.

Potter se mexeu ligeiramente, e a manga das vestes caiu por seu braço até seu cotovelo. Ela expôs um pulso magro, que estava circulado por tiras de pele esfolada, hematomas e manchas de sangue.

Draco engoliu a seco e olhou para os próprios pulsos. Ele tinha uma pele delicada, e mesmo que não tivesse se contorcido como Potter, a noite que passara acorrentado àquela parede havia deixado mais do que apenas uma cicatriz emocional. Em seus pulsos pálidos havia as marcas fracamente amarronzadas onde sua pele havia ficado em carne viva durante a noite e secado durante o dia. Mesmo que prezasse sua aparência elegante e tom de pele macio e aristocrático, Draco havia escolhido não curar as cicatrizes por magia. Ele queria poder carregar uma lembrança daquela lição enquanto vivesse, para que nunca mais se achasse em tal posição. Ele nunca havia considerado que algum dia viraria uma coisa em comum entre ele e o prisioneiro sob seu controle.

Harry ficou quieto por um momento, então, sem se mover, perguntou, "O que aconteceu com meus óculos?".

Apesar de não haver resposta, ele ouviu o som dos pés de Malfoy arranhando o chão da cela, o par de óculos foi colocado em sua mão. Harry os levantou e os examinou na luz fraca do calabouço. Não estavam muito arranhados, mas as hastes estavam tortas. Harry suspirou e os dobrou no pescoço do suéter. Tentaria consertá-los depois. Aparentemente, haveria muito tempo para isso.

Um estalido alto anunciou o retorno de Biddy. "Senhor Malfoy, senhor. Biddy está achando esses todos. O Senhor Malfoy está precisando de mais alguma coisa de Biddy?".

"Não, só deixe a caixa aí". Malfoy soou estranhamente desligado.

Garrafas de vidro de diferentes tamanhos se chocaram quando Biddy colocou a caixa no chão. "Sim senhor, Senhor Malfou, senhor!".

"Obrigado, Biddy".

O elfo doméstico sorriu para Malfoy em adoração agradecida. "Oh, o senhor está de nada, senhor! Deixe Biddy saber se tiver alguma coisa que Biddy pode fazer para ajudar o senhor, Senhor Malfoy, senhor!". Ela se curvou profundamente e desapareceu.

Quando Malfoy começou a procurar pela caixa, apanhou Harry olhando para ele de novo. As sobrancelhas de Harry estavam levantadas com um pouco de surpresa... E aprovação. Draco sentiu um rubor de prazer em suas bochechas antes de se lembrar que a aprovação do pai era seu objetivo. Potter era uma coisa para brincar até o Lord das Trevas usá-lo. Era isso. Draco estava apenas usando a oportunidade para lançar mão de jogos mentais com Potter, confundindo-o ao agradecer ao elfo doméstico e fingindo ser generoso. Grifinórios são ingênuos. Potter iria simplesmente se tornar mais aberto a ataques futuros, uma isca. Draco estava simplesmente usando uma nova tática predatória.

Ainda tentando se convencer, não está? A vozinha estava de volta.

Pensei que tivesse mandado você calar a boca.

Ele tirou uma garrafinha azul da caixa e a levantou na luz fraca. Estava cheia até a metade. Deixando-a de lado, ele achou uma garrafa vermelha um pouco maior e verificou o rótulo.

Harry assistiu com curiosidade, mas estava começando a ficar um pouco nervoso. Tentou respirar fundo de novo, somente para ser atingido por outro espasmo borbulhante, e sabia que só ficaria pior sem ajuda. No entanto, sua fé já insegura nas capacidades médicas de Malfoy sumiu no instante em que o sonserino puxou as rolhas das duas garrafas e completou o conteúdo da garrafinha azul com a vermelha. Ele entregou a garrafinha azul a Harry. "Beba".

Harry quase se engasgou. "Você espera que eu beba isso? O que você misturou aí?". Ele sabia que Malfoy era bom com poções, mas aquilo parecia descuidado demais.

"A garrafa azul é uma poção para doenças gerais no pulmão e problemas com a respiração; a garrafa vermelha é para hemorragia interna. Confie em mim".

Harry olhou para ele. Sua mente estava pensando em um milhão de jeitos insolentes de explicar exatamente porque ele não devia confiar em Malfoy, mas se ele os dissesse em voz alta, as chances de receber ajuda ficavam perto de nenhuma. Ele precisava da ajuda do garoto, mas confiar em Malfoy? A pessoa de quem o ódio por Harry só perdia para o ódio que Voldemort sentia? A pessoa que tinha passado cada momento livre dos últimos anos tentando achar jeitos de atormentá-lo? O mesmo Malfoy que, apenas ontem, o envenenara e o entregara a Voldemort?

A mesma pessoa que havia corado de prazer com a aprovação de Harry quando agradecera a Biddy?

Harry engoliu a poção de um gole só. Cheirava a aguarrás e o gosto era pior, mas o efeito foi instantâneo. Harry respirava fundo, como se tivesse passado muito tempo embaixo d'água. O gosto ferroso de sangue desapareceu de sua língua e o borbulhar nauseante em seu peito sumiu.

Draco notou a melhora imediata no rosto de Harry, a aparição de uma cor fraca nas bochechas. Ele levantou a mão para Potter. "Ok, agora seu ombro".

Mais uma vez, Potter se afastou, a mesma expressão assustada em seus olhos.

Draco abaixou a mão. "Potter, deixa eu ver. Eu não vou te machucar".

"Você o causou".

Draco suspirou. "Eu sei".

Não era um pedido de desculpas, com certeza que não, mas Harry ouviu uma mudança sutil com aquela admissão. Não culpa, mas responsabilidade. Malfoy tinha admitido responsabilidade por sua ação. Lentamente, Harry virou o ombro para Draco.

Draco levantou as mãos lentamente e afastou as roupas de Harry completamente do ferimento. Ele se permitiu um momento de admiração de que Harry tinha sido capaz de funcionar com um ferimento tão grotesco sem dar quase nenhuma indicação de que tinha um. Aquele certamente não era um ferimento que pudesse se curar sozinho. Ele não tinha muitas poções a mão que pudessem curar um ferimento tão ruim, e somente uma que o faria rapidamente. A menos que estivesse errado, ele só tinha algumas gotas dessa poção sobrando, mas que deveriam ser suficientes.

Selecionando uma garrafinha de vidro fosco da caixa, ele a inclinou para o lado e franziu a testa para a quantidade insignificante de líquido que havia. Teria que servir. Ele se inclinou e gentilmente colocou a mão no ombro de Potter para se assegurar de que ele ficaria parado e usou o dedão da outra mão para tirar a rolha da garrafa. "Isso não deve doer".

Com isso, ele levantou a garrafinha sobre o centro do ferimento e deixou meia dúzia de gotas grandes e peroladas caírem no corte.

Primeiro, Harry achou que não tinha funcionado, mas então, com uma velocidade surpreendente, a poção fez efeito. As marcas vermelhas da infecção no sangue se retraíram para o ferimento, que também estava diminuindo. As rachaduras hediondas nas bordas sumiram. Menos de dez segundos depois da poção ter tocado sua pele, tudo o que sobrara do ferimento era uma fraca cicatriz branca se sobressaindo sobre a pele pálida. Ele levantou o braço e rodou o ombro uma vez. A dor tinha sumido.

Ele olhou para Malfoy, quem, pela primeira vez desde que Harry podia se lembrar, estava realmente sorrindo. Não um sorriso desdenhoso, nem se vangloriando, nem zombando de alguém para seu próprio prazer, mas sorrindo de verdade. Ele se assustou quando pegou Harry olhando para ele, estranhamente e rapidamente mudou o sorriso de volta para seu sorriso desdenhoso bem praticado.

"Eu te disse que sabia o que estava fazendo, Potter". Ele cruzou os braços sobre o peito orgulhosamente.

"Na verdade, você me disse para confiar em você". Era um simples fato, sem nenhuma insinuação.

Draco bateu com a mão no chão. "Você sabe muito bem o que eu quero dizer, Potter. Minhas habilidades com poções são excelentes. Eu aposto que você não tem a mínima idéia de qual é o ingrediente chave disso".

Harry não hesitou. "Lágrimas de fênix".

O sorriso desdenhoso desapareceu. "Como você sabia disso? Lágrimas de fênix são caras e difíceis de encontrar. Poções com lágrimas de fênix como ingredientes nem são ensinadas até o sétimo ano, e então você só as usa nas aulas avançadas e a aula de Poções Medicinais".

O prazer de Harry de ganhar um ponto contra Malfoy desapareceu com a memória. Seu rosto se abaixou e sua voz se tornou impassível. "Essa não foi a primeira vez em que eu tive que ser curado por lágrimas de fênix".

Draco estava curioso, mas levantou o nariz e olhou para baixo. "Oh, e em que tipo de problema arriscado você se meteu para conseguir se retalhar?".

"Entrei numa briga com um basilisco".

O nariz de Draco se abaixou. "Isso é impossível. Primeiro, se você tivesse feito isso, estaria morto", ele disse, tentando apresentar convicção, "e segundo, não existem mais basiliscos. Não nesta parte do mundo".

"Bom, não mais".

Draco considerou. Potter não estava representando, não estava tentando se mostrar. Realmente parecia incomodado pela lembrança. "Você não está brincando, está?".

Harry sacudiu a cabeça. "Gostaria de estar".

Não doía perguntar, doía? "Bom? O que aconteceu?".

"Você lembra daquele monstro glorioso que começou a petrificar todo mundo no nosso segundo ano? Era isso o que ele era".

O pouco de cor que a pele pálida de Draco possuía se esvaiu. "Tinha... Tinha um basilisco em Hogwarts?"

"Você não sabia? Achei que seu pai teria se vangloriado pela coisa toda".

Draco não ouviu o último comentário. Ele estava muito ocupado tentando se convencer de que não poderia ter havido um basilisco real e vivo em Hogwarts. "Isso é impossível. As vítimas foram petrificadas, não mortas. Um basilisco teria simplesmente matado suas vítimas".

"Foi só a sorte que não deixou ninguém morrer de verdade. Ninguém olhou nos olhos dele diretamente, mas viram em reflexos e coisa assim".

Draco não estava prestando atenção. De fato, estava começando a se sentir um pouco enjoado. "O que quer que estivesse dentro da Câmara só devia matar sangues ruins. Um basilisco... Teria matado qualquer um".

"Nossa, agora você está pensando". Potter sorriu desdenhosamente.

"Estava em Hogwarts", Draco murmurou para si mesmo, chocado. "Um basilisco em Hogwarts. Poderia ter me matado".

"E pensar... Que foi seu pai quem libertou o monstro. Não te faz sentir aquele sentimento morninho e fofo por dentro?".

Draco pareceu finalmente notar o outro garoto de novo. "Meu pai nunca me colocaria em risco!".

"Seu pai começou a coisa toda com a droga do diário!". Os olhos de Harry lampejaram perigosamente.

"Ele não podia saber o que estava dentro da Câmara", Draco disse, tentando convencer a si mesmo mais do que a qualquer um. "Senão, ele nunca teria feito isso comigo na escola".

"Claro, ele não teria feito".

Draco lançou a Harry um olhar de puro veneno.

Harry meramente suspirou e sacudiu a cabeça. "Qualquer coisa que te faça dormir melhor à noite".

O sonserino segurou o fôlego por um momento, então estreitou os olhos. "Então exatamente como você terminou enrolado com o basilisco?".

Harry testou o peso no ombro e se inclinou para trás, apoiando-se nas mãos. "Ron e eu entramos na Câmara atrás de Ginny. Não podíamos simplesmente deixar ela lá".

"A droga da coragem grifinória, certo?".

"Não tem nada a ver com coragem, Malfoy", ele respondeu, "e tudo a ver com não poder simplesmente deixar um amigo morrer. Ginny era inocente e foi arrastada na confusão toda por causa de um esquema ardiloso do seu pai. Não podíamos deixá-la, mas, de novo, você não entenderia uma coisa assim".

Draco torceu o nariz. "Não seria minha culpa se alguma garotinha boba era burra demais pra saber com que tipo de mágica estava lidando e fraca demais para enfrentá-la. Eu não deveria ter que arriscar a minha vida para proteger alguém assim".

"E eu não esperaria que uma pessoa como você fizesse isso, também". Harry virou a cabeça para Malfoy. "É para isso que servem os amigos, Malfoy. Eles ficam do seu lado quando precisa deles e você faz isso de volta, em troca. Amigos são uma força, não uma fraqueza".

"São quando quase te fazem ser morto por um basilisco".

"Eu me arriscaria de novo por ela num piscar de olhos".

Potter falava com tanta sinceridade que Draco se pegou piscando. "Então, o que aconteceu lá embaixo?".

Contraindo os lábios, ele respirou fundo e começou. "Bom, quando eu cheguei lá, Ginny estava quase morta. Voldemort pegou minha varinha e...".

"Você-Sabe-Quem estava lá?". Draco não tentou encobrir sua reação.

Potter acenou com a cabeça. "Uma memória dele, no diário, estava usando a vida de Ginny e a puxando para si. Ele parece gostar de fazer coisas assim. Se ele tivesse terminado, Ginny teria morrido, e teríamos dois Voldemorts andando por aí agora. Não seria adorável?".

"Isso só é outra prova de como ele é poderoso!".

"Seja o que for". Potter obviamente não estava impressionado. "Ele chamou o basilisco e o soltou para cima de mim. Teria me matado, também, se Fawkes, a fênix de Dumbledore, não tivesse arrancado seus olhos".

Draco torceu o lábio superior em repugnância. "Salvo por um pássaro canoro vermelho? Essa é uma história e tanto".

"Como quiser, Malfoy. Não importa muito. A coisa ainda foi bem mortal. Eu não tinha minha varinha, então acabei meio que lutando esgrima com ele".

"Esgrima? Com um basilisco?". Draco perguntou incredulamente. "Antes que eu comece no tamanho da loucura disso, como em nome das malditas barbas de Merlin você arranjou uma espada?".

"Er...". Potter torceu o lábio. "O Chapéu Seletor".

Draco se aproximou de Potter e o cutucou na parte de trás da cabeça algumas vezes. "Hmm...".

"Ei, o que você está fazendo?", Harry perguntou.

"Só me perguntando com que força você bateu com a cabeça. Você está totalmente maluco se espera que eu acredite nisso".

Potter se virou e encarou Draco. "Você perguntou. Eu estou só te contando, apesar de não ter a mínima idéia de por que a história iria te distrair. Ou você quer saber o que aconteceu ou não quer". Com um rápido aceno de cabeça, ele continuou. "É muito simples, na verdade. Eu não tinha idéia de como usar uma espada, e muito menos como usá-la contra alguma coisa tão grande. Ele atacou, com a boca aberta, e eu só reagi. A espada se cravou pelo meio da cabeça".

O estômago de Draco deu um nó. Isso era impossível. Absolutamente impossível. "Você matou um basilisco com uma espada? A única razão pela qual eu vou dizer que acredito em

você é porque eu não acho que você seja esperto o suficiente para inventar uma história tão ridícula".

"Sua confiança é esmagadora", Potter disse, neutro.

"Espera, então se o basilisco já estava moro, como você se machucou? Pensei que tivesse dito que foi salvo por lágrimas de fênix".

Potter bufou. "É, a droga do bicho tinha que ter uma última palavra, então enquanto eu enfiava a espada na cabeça, ele enfiou uma presa no meu braço. O basilisco caiu e a presa quebrou ainda presa no meu braço. Eu tenho que dizer, doeu pra cacete".

"Você foi mordido por um basilisco. Ah, brilhante, Potter. Heróico até o fim". Draco zombou. "Então onde foi que você arranjou lágrimas de fênix tão rápido assim? Você não podia ter mais de um minuto".

"Fawkes, a fênix de Dumbledore", Potter deu de ombros. "Eu já tinha aceitado o fato de que estava prestes a morrer, mas Fawkes chegou lá na hora certa".

Draco afastou-se e examinou Potter pensativamente. A história teria soado absurda se tivesse vindo de qualquer outra pessoa, mas por alguma razão, Draco acreditava nele. "Potter, ou essa é a melhor mentira que eu já ouvi, ou você é o safado mais sortudo que já existiu. Você ainda tem a cicatriz?".

Harry automaticamente levantou a mão para sua testa. "O que foi?".

"Não essa, seu idiota. A no seu braço, do basilisco. Eu quero ver".

Harry levantou uma sobrancelha. Por que Malfoy haveria de querer ver uma coisa assim? Para ver se a história era verdade? Tudo bem, deixe-o ver por si mesmo. Harry se sentou e enrolou a manga até o antebraço direito. As lágrimas de fênix tinham quase feito a cicatriz desaparecer completamente, mas traços do corte ainda estavam lá, como uma estrela de forma irregular se destacando contra o tom de pele normal, branco sobre pálido. Ele estendeu o braço para Malfoy, e quase se engasgou em choque quando o garoto agarrou seu braço logo acima das marcas em seu pulso e o puxou para mais perto para que pudesse olhá-lo na luz fraca das tochas.

Malfoy franziu a testa enquanto passava um dedo pela cicatriz. "Qual era o tamanho da presa?".

"Mais ou menos quinze centímetros de comprimento até onde quebrou".

Draco balançou a cabeça, mas não soltou seu braço. "Onde você arranjou essa?".

"O quê?...". O queixo de Harry caiu quando ele percebeu para o que Malfoy estava olhando. Era a linha fina logo abaixo da dobra de seu braço onde Rabicho havia cortado-o. Ele arrancou o braço das mãos de Malfoy e se afastou alguns centímetros. "Não é nada".

Draco se assustou com a repentina e aparentemente excessiva reação à sua pergunta. Era obviamente alguma coisa, e mais ainda, alguma coisa que aborrecia Potter. Claro, isso só serviu para deixar Draco mais fascinado. "Desembucha, Potter".

O rosto de Potter estava muito obscuro quando ele olhou de volta para Draco, ainda sem os óculos. "Eu disse que não é nada. Agora vá e me tranque de novo aqui como um bom seqüestrador".

O queixo de Draco havia começado a cair com a súbita mudança de comportamento de Potter. Ele rapidamente fechou a boca. Ele tinha acabado de ser dispensado de novo?

Depois do padrão da conversa, isso não era o que ele esperava, mas então, porque ele esperava qualquer coisa? Só o que estava fazendo era se intrometer nos assuntos pessoais de Potter para satisfazer suas próprias curiosidades. Conheça o inimigo, conheça a si mesmo. Seu pai constantemente dizia isso, então talvez era isso o que quisesse dizer. Se esse fosse o caso, Draco estava simplesmente tentando por em prática uma lição que seu pai havia lhe ensinado há muito tempo.

Ainda assim, a conversa tinha o deixado querendo saber mais. O conhecimento de que suas outras curiosidades ficariam sem resposta essa noite o incomodavam como uma farpa invisível, irritante a cada movimento. Ele tinha passado toda a sua vida tentando atingir Potter, e ali estava a chance de atingir sua mente. Haveria tempo mais do que suficiente para vasculhar o cérebro de Potter, então por que pressionar o assunto? Porque ele estava curioso. Pelas barbas de Merlin, ele estava realmente curioso.

Esperando manter a compostura depois de uma despedida tão repentina, Draco franziu a testa com auto confiança e se levantou graciosamente. "Mas é claro. Boa noite".

Ele se inclinou e pegou a caixa de poções, moveu-se lentamente para fora da cela e fechou a porta. O som do metal colidindo com metal ecoou friamente pelos corredores. Draco apoiou a caixa no quadril e procurou a chave no bolso das vestes. Quando ele a encaixou na fechadura, olhou para Potter.

O garoto já tinha se acomodado de volta contra a parede no mesmo lugar em que tinha ficado a noite anterior. Seus ombros estavam caídos a seu lado; seus joelhos estavam curvados a sua frente. O cabelo preto bagunçado na parte de trás de sua cabeça estava pressionado contra a parede, e seu rosto estava virado para o teto. Seus óculos ainda estavam presos no colarinho, mas seus olhos estavam fechados. Seu rosto estava neutro, exausto, e ainda coberto com marcas de sujeira de onde ele não havia limpado direito. Fisicamente, ele parecia cada centímetro do prisioneiro que devia ser, mas as aparências enganam.

Apesar do machucado e da sujeira, sua expressão tinha um pouco de uma força quieta, e Draco de repente se lembrou do que o havia deixado tão hesitante para entrar na cela em primeiro lugar. Por mais que ele quisesse se convencer do contrário, ele estava lidando com um bruxo muito forte do outro lado das grades. O assustava ter que admitir aquilo. Poder merece respeito; o próprio Draco sempre dizia isso, mas nunca havia considerado que o fato pudesse ser aplicado a Potter.

Era um tipo de respeito saudável, Draco decidiu. Nunca se devia subestimar o inimigo, e Potter não era exceção. Era isso. Com um suspiro, ele olhou de volta para a chave.

Foi então que Potter falou, muito suavemente, sem pretensão, "Obrigado".

Draco levantou os olhos de novo, pressionou os lábios juntos e apertou os dentes ligeiramente. Ele fechou os olhos com força, e sem realmente considerar por que, sussurrou, "De nada".

Com isso, Draco girou a chave na fechadura com um rápido estalido, e retornou à sua cadeira para a noite. Gentilmente colocou a caixa no chão. Chamaria Biddy para pegá-la depois. Por enquanto, não queria falar. Até os barulhos suaves das garrafas se chocando era alto demais para seus ouvidos. Sua mente estava dormente com vários pensamentos, um pouco além da coesão mental. Estava positivamente exausto de várias maneiras.

Enfiando a mão nas dobras das vestes, Draco retirou um frasco cheio com uma poção para não dormi, retirou a rolha e tomou um gole. Instantaneamente sentiu o cansaço de seus membros desaparecer e suas pálpebras pesadas se fecharem, mas sua mente continou a rodar.

Biddy desceu com comida e outro bule de chá. Sem realmente notar sua presença, Draco a instruiu a devolver a caixa de poções para o depósito e a agradeceu. Não tinha nenhuma atenção que pudesse dispor para os elfos domésticos. Sua torrente de pensamentos se tornou um mar agitado. Agora, parecia que a jangada de sua vida tinha zarpado da praia, e ele estava à deriva sem uma luz para guiá-lo.


Notas Finais


Então oque acharam? Nossa esses capítulos são ENORMES mais vale a pena sério! Obrigada por quem está acompanhando.


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