História 100 por cento algodão - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Exo, Jongin, Kai, Kaihun, Sehun, Sekai
Exibições 43
Palavras 1.714
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Visual Novel
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Repostando com outro couple.

Capítulo 1 - 99,9 por cento


Fanfic / Fanfiction 100 por cento algodão - Capítulo 1 - 99,9 por cento

Amor não tinha nada a ver com merecimento. O mesmo falavam sobre perdão, amizade, “faça coisas boas”. Mas, de certo modo eu não acreditava nisso com a mesma veemência em que não acreditava em unicórnios, gnomos e contos de fadas. Porque, sejamos realistas, os sentimentos gratuitos eram sempre mais difíceis de lidar. Não que eu tivesse cobrado qualquer um de alguém antes. Era mais o tipo de coisa que não acontecia comigo e, disso eu tinha absoluta certeza.

Resumindo o contexto social em que eu estava inserido, sem vontade própria, eu era um perdedor. Daqueles que a história de vida estreavam filmes, se tornavam famosos, mas continuavam perdedores. As pessoas sentiam pena, contudo não passava disso. E, esse era o mais próximo de sentimento gratuito que eu conhecia desde que tinha consciência de que “sentimentos” existiam.

Nada vinha de graça pra mim. Nada mesmo. Nem uma balinha como brinde das compras no mercadinho, ou um presente de final de ano. Ah, eu também nunca tive sorte com Sehun’s. Porque, tecnicamente, eles não estavam lá muito vivos, pro meu azar.

SEHUN” era um nome bonitinho que deram para o transporte de “Âmberes e Kilions”. Eu ficava pensando em como a pessoa que inventou isso não tinha muita criatividade, apesar de que “Sehun” soava bonito, tão bonito quanto a aparência de um deles tinha de ser. Se era que alguém além de mim prestava a devida atenção na aparência de Sehun’s tanto quanto eu, pois bem, além de perdedor, talvez eu fosse completamente doido.

Eu trabalhava numa fábrica conectada à uma rede de laboratórios especializados em extermínio de doenças cancerígenas, que extraiam pedras de outros planetas produzindo âmberes e kilions. Uma troca justa, uma vez que minha família precisava deles para poder manter meu pai vivo.

Funcionava da seguinte forma, eu passava doze horas olhando fixamente para placas de metal grosso e manuseando material extremamente radiativo para dentro dos Sehun’s em troca de que 0,01% desse material fosse repassado para mim, como pagamento mensal, afim de curar a doença que meu pai tinha.

Era assim que o resto da população fazia para tentar se livrar das doenças cancerígenas adquiridas ao longo dos anos, graças a utilização maçante de tecnologia, radiação gama e aquele inferno todo. Mas, o engraçado era que o resto da população não tinha coragem de manusear âmberes e kilions. Muito menos deixar os Sehun’s andando livremente por aí.

Do mesmo modo como se sucedia em minha casa, se sucedia na casa das outras milhares de dezenas de pessoas pelo planeta. Os Sehun’s faziam o que foram criados pra fazer, depois eram colocados em suas caixas e escondidos longe do alcance de crianças e, de tudo o que existisse na fase da Terra.

Sehun’s eram “aquilo” onde se guardavam âmberes e kilions. Eu achava isso um tanto injusto, embora não fosse ninguém importante para discutir a respeito. Eles eram feitos através de uma espécie de progressão metálica encontrada na extração dos minérios do subsolo de outros planetas, sua anatomia moldada aos critérios estéticos ditos comuns e banais, mesmo que eu jamais houvesse visto ninguém se quer parecido com algum.

A beleza causava menos medo e mais comoção”, foi o que minha mãe me disse na primeira vez que usamos um Sehun. Sua programação era feita baseada em comandos simples, guiados pelas três regras da robótica. Então, por mais seguro que fosse ter um Sehun, as pessoas continuavam apavoradas em relação ao que eles carregavam.

Os seres humanos além de loucos eram medrosos, e se alimentavam dos elementos básicos de outros planetas porque já haviam esgotado toda a fonte natural de onde vieram. Vermes que rastejavam e cumpriam seu papel de sugar o que aparecia pela frente, destruindo tudo em que tocassem. Bem-vindo à minha vida, aquela gracinha que estava me deixando dez anos mais velho aos meus vinte e dois.

Sehun’s eram nada mais do que “enfermeiros robóticos radiativos” com um sorriso adorável, que usavam âmberes e kilions como único remédio eficaz já encontrado. E meu trabalho consistia em colocar aquela porcaria assassina dentro deles, irônico não? O que salvava meu pai poderia matá-lo na mesma velocidade em que eu não conseguia parar de pensar no rosto deles.

— Hey, Jongin — No instante em que ouvi o meu nome ser chamado, levantei o rosto e olhei meu supervisor atrás do vidro de segurança acenando. Ele apertou o interfone, falando ao microfone — Você pode fazer hora extra? Chegou uma nova linha de Sehun’s para serem entregues pela manhã e não temos mais funcionários bônus.

Eu não podia soltar o material para responder no interfone que estava a, praticamente, três metros de distância. Então balancei a cabeça tentando não derrubar os óculos protetores do rosto, ele acenou mais uma vez, saiu fechando a porta da sala que dividia o galpão em duas partes. A que eles tinham medo de ultrapassar, e a que eu tinha que trabalhar para mantê-los vivos.

A situação não me revoltava, nem a população maluca, ou a hipocrisia das pessoas. Eu gostava do que fazia constantemente. Gostava pra caramba. Isso incluía o descarregamento de Sehun’s dentro do galpão, o qual eu também era responsável, porque ninguém tinha coragem de entrar ali, onde eu passava doze horas diárias.

Um portão ficava abaixo de uma plataforma móvel que era acessada por uma linha com três degraus, na lateral esquerda do galpão. Na diferença de altura, que equivalia a uns cinco metros, existia uma tubulação que enchia os degraus com água destilada para a limpeza do que quer que fosse que entrasse.

O portão se abria, um outro de vidro se fechada isolando a área dos três degraus descendo a plataforma. Uma máquina deixava a caixa no espaço vazio e se retirava. O portão fechava-se e o outro abria. Por fim, a caixa era aberta usando um braço mecânico a minha disposição, e logo eu os banhava. Eles vinham todos despidos, com uma fina camada de fuligem e o rosto inexpressivo.

Eu andei pelo galpão largo e pintado de branco, usando uma roupa plastificada de “segurança”. Não me sentia muito seguro, porém era o que tinha para usar. Atravessei uma série de bancadas fixadas no piso de cerâmica, idênticas umas às outras, exatamente como os Sehun’s estavam enfileirados após os três degraus sobre a plataforma baixada, onde estava sendo drenada toda a água usada para a lavagem.

— Sejam bem-vindos — Murmurei com um sorriso idiota, desci os três degraus que eram bastante altos em pulos firmes — O que vocês tem de tão especial para me fazer trabalhar até tarde num domingo? Hm? Compartimento novo? — Falei ao me aproximar do primeiro Sehun na fileira do meio.

Deslizei meu polegar por sua bochecha, eles eram mais altos do que eu. Mais robustos, brancos e com lábios cheios e rosados, repletos de vitalidade como bonecos nas vitrines de supermercados. Sorri ao dar um tapinha no ombro do mesmo, andando entre as fileiras, averiguando individualmente para ter certeza que não estavam com nenhum erro visível.

Enquanto dediquei minutos longos a um dos Sehun’s, ouvi um barulho familiar a minha direita. Ergui os olhos para checar, não havia nada além dos robôs estáticos, silenciosos. Fiquei procurando algum motivo para que tivesse escutado aquilo.

— Deve ter sido minha imaginação — Deduzi após andarilhar para fora das fileiras e encarar por cima da plataforma o resto do galpão vazio — Que estranho, jurei que tivesse ouvido um... — Então meu coração disparou, escutei o segundo espirro se deslocando, virei-me rapidamente. Pensei que pudesse ser um intruso, um animal perdido, ou até mesmo um ladrão.

A passos largos atravessei a plataforma seguindo para os degraus, em direção ao botão de emergência. Eu nunca fui do tipo que tivesse medo de enfrentar “coisas”. Mas se algo vazasse do galpão, se algum Sehun quebrasse, definitivamente, a minha vida estaria fadada a pagar os danos. Enquanto as várias hipóteses embaralhavam, minha respiração ficou ofegante e eu nunca imaginei que os degraus ficassem tão longe do portão ao ter que começar a correr assim que percebi que alguém estava correndo atrás de mim.

Antes que pudesse pular o primeiro degrau uma mão segurou meu braço, com força. Ele estava descabelado, suado, pelado e perdido tanto quanto eu. Olhei para a mão apertando meu braço e então voltei a olhar no rosto de Sehun. Se ele estava me machucando, não sabia ao certo, mas o olhar em seu rosto poderia contar vidro, como podia o desespero em sua voz.

— Por favor, me ajude — Não conseguia ouvi-lo claramente, por conta da minha máscara. Mas pude sentir suas vibrações perfeitamente bem até que sua força momentaneamente se esvaiu.

Sehun, como se ficasse consciente do que estava fazendo, deixou a mão afrouxar meu braço me soltando, ele deu um passo para frente tentando alcançar novamente. E relutante se moveu confuso.

— Vo-cê está vivo...? Como isso é possível? — O reflexo dele estava estampado nos meus óculos, os tirei junto a máscara jogando ao chão para poder ouvir o que dizia. Entreabri os lábios tremulando, meu peito estava queimando ao presenciar o pavor com que Sehun olhava para todas as direções como se fosse um pequeno ratinho encurralado.

Ele mantinha as mãos a frente do corpo, se protegendo de qualquer coisa que pudesse o tocar. Frágil e esguio. Eu não tive muito tempo sobrando, Sehun deu mais dois passos para minha direção torcendo os joelhos, revirou os olhos caindo em cima de mim quando cheguei mais perto.

Seu corpo flácido estava extremamente frio, a pele corroída de queimaduras, mas assim que retirei minhas luvas, independentemente de ser exposto a radiação ou não, toquei em seu rosto sentindo uma maciez inacreditável como se ele fosse feito de algodão. Quase não percebia o peito subindo, descendo, uma respiração falhada e fraca.

— Não deixe eles me acharem de novo. Por favor... Eu me chamo Oh Sehun, eles não podem... — Ele tencionou os lábios, e insistiu em dizer mais alguma coisa que eu não fui capaz de entender apenas vendo-o tentar. Sehun não hesitou em encostar a testa em meu ombro e permanecer deitado em meu colo.

— Eu não vou deixar que, seja lá quem, te ache... — O contato do abraço era gelado e leve, como o toque de asas de gelo. Sem as luvas sentindo-o presente como em um sonho extremamente impossível, olhei para os degraus elaborando um meio de salvá-lo.



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