História 10pm - Spoby - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pretty Little Liars
Personagens Personagens Originais, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings
Tags Spoby
Visualizações 49
Palavras 3.213
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiie gente...
Sofram comigo.
Tá uma bosta, mas vale.

Boa leitura guys❤️❤️

Capítulo 1 - OneShot


Três meses antes...

 

Spencer. Spencer. Spencer.

 

Repetia em minha mente para que não me esquecesse de meu próprio nome.

 

As paredes brancas ao meu redor me sufocavam aos poucos. Elas pareciam ser revestidas de um material macio, davam a impressão de serem almofadas.

 

O local não tinha cor. Não tinha vida. 

 

Os únicos objetos que se encontravam ali eram uma cama e uma pequena mesa lateral feita de metal.

 

Uma pequena janela se encontrava na parede posterior a onde eu estava. 

 

Minhas nádegas estavam dormentes por passarem tanto tempo em contato com o chão gélido. Minhas pernas já estavam formigando.

 

Ao observar através da pequena janela, vejo que uma tempestade se aproxima, via folhas voando e o vento zunia.

 

Meus olhos ardiam. Se tivesse um espelho poderia ver meu estado decadente. Meu cabelo estava desgrenhado e tinha certeza que minhas olheiras eram profundas e escuras. Dava para perceber a palidez ao olhar minhas mãos, meu rosto antes sempre tão saudável e com um sorriso estampado, agora dava lugar a uma carranca, e olhar confuso. Meu cabelo brilhoso, estava sem vida, opaco.

 

A porta se abre com um ranger e a típica mulher com seu traje branco adentrava o quarto.

 

— Tome seu remédio. – Ela diz rude.

 

Reviro os olhos.

 

Pego o comprimido de sua mão e o coloco na língua, logo em seguida bebo um pouco da água que se encontrava no copo transparente.

 

— Uma pessoa quer te conhecer. – Ela diz.

 

Seus cabelos loiros estavam perfeitamente alinhados em um coque. Em sua pele não havia resquícios de maquiagem.

 

Minha expressão é confusa.

 

— Pode entrar, doutor Cavanaugh. – Ela o chama.

 

— Deixe-me a sós com a paciente.  – Diz ele.

 

Ela anui e sai, fechando a porta atrás de si.

 

O doutor Cavanaugh pega o otoscópio e o mira em meu olho.

 

— Qual seu nome? – Ele pergunta.

 

— S-pen-cer. – Minha voz é quase inaudível, pois alguns meses já haviam se passado desde que eu falara com alguém.

 

— Sua voz está rouca. – Ele constata. – Algum problema com as cordas vocais?

 

Nego.

 

— Qual seu sobrenome, Spencer? 

 

— Has-tings. – Minha voz aos poucos voltava ao normal.

 

Ele com certeza sabia meu nome. Provavelmente só estava a perguntar porque recebera os relatórios de meu antigo médico. Do meu quinto antigo médico para falar a verdade.

 

— Como se sente?

 

Meneio minha mão em sinal de "mais ou menos".

 

— Me disseram que você não é muito de falar.

 

Concordo.

 

— Sabe me dizer quantos anos tem?

 

— Dezesseis.

 

O doutor Cavanaugh me encarava com compaixão. Sua íris azul era como o mar. Blue sea. Seus cabelos eram em tom mel e tinham cachos lindos. Seu rosto era bem desenhado e bonito e assim como eu, em seu queixo havia um furinho. Sua pele era em tom queimado do sol eu diria. 

 

Eu poderia rir de meus pensamentos se minha situação não fosse tão ruim.

 

— Quer conversar?

 

Nego.

 

— Meu nome é Tobias. – Ele começa.

 

— Eu disse que não quero conversar. 

 

Reviro os olhos.

 

Ele ri.

 

— Tenho vinte e dois anos. 

 

Minha expressão é confusa.

 

— Creio que você esteja aqui como estagiário, não? 

 

Ele faz uma careta.

 

— Você é bem esperta.

 

 Meu riso é leve e irônico.

 

— Eu era da equipe de Decathlon, a melhor em matemática e física, também nas outras matérias. Me chamavam de "QI Elevado" – Faço aspas no ar.

 

Sua expressão não é surpresa.

 

— Você tem apenas dezesseis anos e já era para estar em uma universidade. 

 

Afirmo.

 

— O que você queria cursar?

 

— Ironicamente, psiquiatria.

 

Agora seu olhar é surpreso.

 

— É mesmo?

 

— Sim, mas tudo aconteceu, e eu não quero mais nada. Como eu posso tentar ajudar os outros, sendo que eu mesma preciso de um psiquiatra? Irônico, não?

 

— Isso é uma questão semântica, depende do seu ponto de vista.

 

Reviro os olhos.

 

— Desde quando você tem essa mania? – Indaga.

 

— Qual? – Eu estava visivelmente confusa.

 

— De revirar os olhos. 

 

— Ah... Então... Eu a tenho desde sempre.

 

Ele sorri.

 

— Você é uma boa garota, Spencer, poderia estar fora desse lugar.

 

— Eu e mais quantas pessoas?

 

Ele não me responde.

 

— Eu posso até ser uma boa garota, mas eu sei que não estou boa e talvez nunca chegarei a ficar. Eu não tenho mais a minha essência, entende? Eu não vivo, eu apenas existo. – Levanto-me e pego algo de baixo do colchão. Uma foto. Estendo para o doutor. — Está vendo essa foto? – Ele anui. – Essa sou eu antes de tudo acontecer. Consegue perceber a minha felicidade? O brilho em meu olhar? A beleza dos meus cabelos? O leve bronzeado da  minha pele? Eu não tenho mais nada disso. A tristeza e a solidão tomaram o lugar de minha felicidade. Meus olhos estão cansados de tanto chorar. Meus cabelos estão desgrenhados e opacos. Minha pele está mais branca do que esse quarto.

 

Ele escuta tudo atentamente, não me corta em momento algum.

 

— Sei que sua situação é complicada, mas...

 

— VOCÊ NÃO SABE. NINGUÉM SABE. – Minha paciência se esvai, dando espaço para o meu lado que eu não gostava.

 

Eu sabia que logo viria uma crise.

 

O pânico me consome.

 

Eu o vejo.

 

Meu pavor é inevitável.

 

Ele está vindo em minha direção.

 

Sinto sua mão pegar a minha.

 

Grito.

 

Sua feição vai mudando. Sua voz é calma.

 

— Nada disso é real. Nada é real. Spencer, volte. É apenas sua imaginação. Nada disso é real.  – O alívio me consome quando percebo que é o doutor Cavanaugh.

 

As lágrimas escorrem por minha face sem que eu tenha controle, ela é seguida por soluços.

 

— Você teve uma crise. – Ele explica.

 

— Eu... Eu sei.

 

Fecho os olhos com força e tento afastar todos as lembranças ruins. 

 

Falho miseravelmente.

 

— Quer me contar o que houve?

 

Mais uma vez, a negação.

 

— Você poderia me dizer... Talvez eu possa te ajudar.

 

Rio ironicamente.

 

— Ninguém pode me ajudar, doutor Cavanaugh. Não seja tolo.

 

— Vamos fazer assim, me chame de Toby. Pode ser?

 

Assinto.

 

— Vi em sua ficha que sou o seu sexto médico em cinco meses.

 

Suspiro.

 

Meu sorriso é cético.

 

— Ao contrário do que você acha, dizem que eu sou a "garota problema".

 

— Você não é problema. Os outros só não quiseram te compreender.

 

Olho para um ponto qualquer.

 

— Não tem como compreender, Toby. Não é questão de força de vontade, é a realidade. O que eu passei, não é de fácil compreensão. Eles até tentaram me entender... Eu contei o que aconteceu, só não contei tudo.

 

Meu olhar se volta para o seu novamente.

 

— Não me olhe dessa forma. – Peço.

 

— De que forma?

 

— Com pena.

 

— Não estou te olhando com pena.

 

— Não. – Sou irônica. – Imagina se estivesse.

 

— É sério, Spencer. Não estou te olhando com pena.

 

Suspiro.

 

— O.k. O.k.

 

— Me conte o que houve.

 

As lágrimas voltam junto com a tormenta e o medo.

 

Olha para o lado oposto, não queria fitar seus olhos.

 

— Há dois anos atrás...

 

Flashback On

 

— Você não pode nos deixar sozinhas com ele. – Digo a minha mãe.

 

Ela bufa e revira os olhos.

 

— Não só posso, como vou.

 

Ela passa pela porta e a fecha antes que eu ou Alex digamos qualquer coisa.

 

Duas horas se passam e chega o momento de enfrentar a fera.

 

Peter. Ele poderia entrar em coma álcoolico neste exato momento. 

 

Há alguns meses ele começara a chegar em casa bêbado todos os dias. Ele não ficava agressivo. Eu e Alex dávamos banho nele e o colocavamos na cama afim de que ele dormisse. Até que um dia ele começou... a abusar sexualmente de nós duas. Ele nos ameaçava. Veronica não queria saber. Ela saía e nos deixava sozinhas esperando a fera chegar.

 

Ele estava enraivecido. Seus olhos estavam vermelhos. Suas veias saltadas.

 

— Cadê as minhas princesinhas? – Sua voz era asca.

 

Alex e eu de mãos dadas estávamos escondidas no armário ao pé da escada.

 

— Eu sei que vocês estão aí. Não vou fazer mal a vocês. 

 

Aperto meus olhos. O medo me domina.

 

Ouço sua mão na maçaneta. Ele a abre.

 

Sentadas ao chão ele puxa nossos cabelos nos fazendo ficar de pé.

 

— Eu amo você. – Sussurro para ela.

 

— Eu também amo você. – Ela sussura de volta.

 

E então a seção tortura tem seu início.

 

— Papai, – Comecei a falar enquanto minhas lágrimas de desespero escorriam. – por favor, não faça isso.

 

— Vocês vão gostar, minhas lindinhas.

 

Só que dessa vez, ele estava com uma faca.

 

Alex tentou para-lo. Ela tentou. Eu tentei.

 

O inevitável aconteceu.

 

Ele a esfaqueou.

 

Atordoada saí gritando pela rua.

 

Os meus gritos eram agonizantes.

 

— Por favor! – Pedia. — Alguém me ajuda! – Chamava.

 

A rua estava deserta.

 

— P-por f-favor. – Pedi quase sem voz.

 

Uma mão tocou meu ombro. Minha espinha se endireitou, senti um calafrio. Cada pedaço de pele se arrepiou.

 

— O que aconteceu, querida? – Rosie, a vizinha do lado, perguntou.

 

— Alex. Meu pai. Esfaqueou-a. – Dizia tudo como se fossem tópicos.

 

A mulher morena que devia ter seus quarenta anos me olhou horrorizada. Em um ato rápido, retirou o celular de sua bolsa e discou os números da emergência e da polícia.

 

Ela me abraçou.

 

— Vai ficar tudo bem, querida.

 

E eu realmente esperava que as coisas ficassem bem.

 

Em questão de dez minutos a rua estava lotadas por jornalistas, ambulâncias e viaturas.

 

Ele estava lá dentro.

 

E então uma maca coberta por um saco preto é tirada da casa. Por céus, eu esperava que fosse Peter. 

 

Uma mão pequena pende para fora do saco.

 

Levo minha mão a boca.

 

— Alex. – Sussurro para mim mesma.

 

Ela estava morta.

 

Logo os três policiais saem com Peter algemado.

 

Ele me olha. Seu olhar me assusta.

 

Rosie me abraça e diz novamente que tudo iria ficar bem.

 

Eu sabia que não iria.

 

Flashback Off

 

— ... e então vieram as crises, a depressão e o desprezo de minha mãe.

 

A camisola branca que eu usava já estava coberta por lágrimas.

 

— Ela acha que eu sou a culpada. Mas eu tentei. Eu juro que eu tentei salvar a minha irmã. Eu tentei entrar na frente dele. Ele poderia ter me matado. Deveria ter sido eu, não ela. Ela era tão cheia de vida.

 

— Como você veio parar aqui? – Noto a compaixão em sua voz. Seu olhar é cheio de amor.

 

Rio ironicamente em meio as lágrimas.

 

— Parece que as pessoas não podem nem tentar se matar em paz. Teria me poupado muita dor e sofrimento. Disseram que eu estava violenta, coisa que era mentira. Me acusaram de ameaçar pessoas. Eu não sou capaz disso. Meu emocional está tão abalado que eu não sou capaz de ferir nem uma mosca. Eu só queria me poupar de viver como estou hoje. Na verdade, eu nem vivo. 

 

— Você acha que apenas existe. – Concordo. – A vida pode voltar a ser boa.

 

Meu riso é cético.

 

— A vida não vai voltar a ser boa. Eu tenho que tomar o maldito escitalopram para que eu não entre na mais profunda depressão. E sabe o que isso causa? – Ele anui. – Claro que você sabe. Você receita essas coisas. Tobias, isso piora minhas manias e faz com que a pessoa que o toma tenha vontade de tirar sua própria vida. Em sã consciência eu não tentaria. – Ou sim, penso.

 

— Como foi?

 

— O que?

 

— Quando você tentou se suicidar.

 

— Era um começo de tarde...

 

Flashback On

 

Me avô havia acabado de me buscar no internato em que eu estudava, para que eu passasse o final de semana em sua casa.

 

Sua picape preta era nova.

 

Ele sorria para mim e perguntava-me como havia sido minha semana no colégio.

 

— Muito ordinária, vovô.

 

Ele riu. Uma risada boa e gostosa.

 

— Ordinária é uma palavra tão feia. – Ele disse.

 

— E com um significado tão brochante. 

 

Ele ri novamente.

 

Lembrei-me de quando fazíamos programas em família. Papai, mamãe, Alex e eu.

 

Lembro-me de meu pai quando ele ainda não havia se tornado um homem asco e perverso.

 

Os momentos felizes me tomam a mente. 

 

Mas logo as lembranças ruins vem.

 

E então veio o maldito efeito do remédio. Os sintomas colaterais.

 

Minha vontade abrir aquela porta e me jogar do carro era inevitável. E foi isso o que eu fiz. Sai rolando. Minha cabeça bateu com força e a tudo ficou na mais profunda penumbra.

 

Flashback Off

 

— E depois disso, optaram por me internar nesse sanatório. Minha nova casa. – O deboche em minha voz é incrivelmente perceptível.

 

— Eu posso te ajudar. – Ele diz com bondade.

 

— Ninguém pode.

 

— Deixa eu te ajudar? – Ele pede.

 

A contragosto o respondo.

 

— Tudo bem.

 

[...]

 

Dias atuais...

 

Tobias se interessou por mim, pela minha vida. Ele me ajudou. Me tirou da mais profunda escuridão. Devo tanto a ele.

 

— Você vai ver sua mãe hoje. – Ele informa.

 

— Eu não quero vê-la. 

 

— Mas vai.

 

Eu sabia que não adiantava teimar.

 

— Tudo bem. – O gosto em minha boca é amargo ao proferir tais palavras.

 

Estávamos perto de seu Civic prata.

 

— Esteja ciente de que ela me odeia.

 

— Eu vou estar lá com você.

 

— Vai mesmo? – Indago

 

— Eu sempre estive. Não vai ser agora que vou te abandonar. – Ele aperta minha mão.

 

Sorrio com o ato.

 

— Seu avô queria vir te buscar, mas disse que eu mesmo iria te levar. 

 

— Olha, Toby, eu nem sei como te agradecer por tudo isso.

 

— Tudo isso?

 

— É. Tudo o que você tem feito. Você enfrentou comigo todos os meus problemas.

 

Ele sorri docemente.

 

— Eu sempre vou estar aqui por você e para você. Era o mínimo que eu podia fazer pela garota que me conquistou com apenas um olhar.

 

O olho assustada. Fico com medo.

 

Ele percebe meu olhar de pânico.

 

Sua mão encontra suavemente meu rosto. Em um ato rápido ele me abraça e afaga meus cabelos.

 

— Eu não sou ele.

 

— Eu sei que não é.

 

— Não precisa ter medo de mim.

 

— Sei disso.

 

— Então não tenha medo. 

 

Meu olhar para ele é incerto.

 

Em um ato pleno, selo minha boca na sua. O beijo era sem malícia alguma. Era algo suave e singelo. Romântico, não voraz.

 

Nós nos separamos e ele beija minha testa.

 

— Eu vou cuidar de você.

 

— Saiba que eu sou um pacotinho de problemas.

 

Seu riso é nasalado.

 

— Mas, é o meu pacotinho de problemas. 

 

Posso dizer que ele é o real motivo de minha vida ter mudado tanto? Todos no sanatório ficaram surpresos em ver minha situação melhorar tanto. 

 

Tobias Cavanaugh, ou apenas Toby, trouxe minha felicidade de volta, ou pelo menos parte dela. Fez com que eu visse o motivo pelo qual vivo. Eu podia dizer que agora sim eu vivia, não apenas existia. Eu sorria verdadeiramente.

 

— Vamos, minha linda?

 

Assinto.

 

O caminho até Filadélfia é calmo. Trocamos algumas palavras e falamos sobre como vai ser minha vida depois do sanatório.

 

— Você vai voltar para a escola, né? 

 

Rio.

 

— Claro.

 

— Você tem certeza de que vai voltar?

 

— Não foi para isso que me ajudou? Para que eu voltasse a ter uma vida normal?

 

Ele sorri.

 

— Sim.

 

— Então, óbvio que eu voltarei para a escola. Um pouco antes de Setembro chegar já vou fazer as provas para não precisar fazer o Junior e irei direto para o Senior.

 

— Eu irei te apoiar no que for necessário.

 

— Sei que vai.

 

A conversa cessa no momento em que chegamos em frente a casa de meu avô.

 

Toby pega minha mão direita e aperta em sua mão esquerda, como se passasse algum conforto.

 

Giro a maçaneta e adentro o local.

 

Flashs de quando era criança invadem meus pensamentos. Vejo Alex e eu correndo escada a baixo e mamãe ralhando conosco dizendo que poderíamos cair e nos machucar, nós duas apenas dávamos risadas e não ligava nos para o que mamãe dizia. Papai aparecia e falava a mamãe que nos deixasse brincar em paz pois éramos apenas crianças.

 

Sinto um formigamento. Fico tonta. 

 

Toby me olha e percebe que meu suor é frio.

 

— Não é real. Ele não está aqui. Nada é real. – Ele diz antes mesmo que a crise tenha seu começo.

 

Sorrio agradecida.

 

Mamãe desce as escadas.

 

— Mãe?

 

Seu olhar para mim é de desprezo.

 

— Não me chame de mãe.

 

— Não fale assim com sua filha, Veronica. – Vovô diz logo atrás dela.

 

— Vovô! – Grito e corro para abraça-lo.

 

— Pequena Hastings. 

 

Ele me abraça.

 

— Como vai minha netinha? — Pergunta como se eu ainda fosse uma criança.

 

Olho para Toby.

 

— O doutor Cavanaugh me fez ficar melhor.

 

Eles se olham.

 

— Tenho que lhe agradecer por ter trazido a minha garotinha de volta, Tobias.

 

Olho para minha mãe, ela nem ao menos me olhava.

 

Suspiro.

 

— Preciso conversar com você, Veronica.

 

Ela me olha confusa. Provavelmente por ter ouvido seu nome sair de minha boca.

 

— Não estou disposta a falar com você. – Responde seca.

 

Eu não a obrigo.

 

[...]

 

— Você não pode tratá-la dessa forma, Veronica. – Ouço a voz de Toby assim que chego ao pé da escada.

 

— Ela deixou Alex morrer. – Sua voz é quase que agonizante.

 

— Você bem sabe que a vida de Alex não estava nas mãos dela.

 

— Ela devia ter tentado salva-la.

 

— E você provavelmente teria impedido tantas coisas se ficasse com suas filhas! – O vejo apontando o dedo para minha mãe. – Você teve culpa parcial nisso tudo. Não pode ficar penalizando Spencer. Ela ainda tem dezesseis anos, está prestes a fazer dezessete. Corra atrás do prejuízo antes que seja tarde demais. Você sempre a culpou. Ela realmente acha que é a culpada por algo que a senhora colocou na cabeça dela. Ela tinha apenas catorze anos.

 

Mamãe suspira cansada.

 

— Eu sei que errei. Mas, eu precisava colocar a culpa em alguém e infelizmente a pessoa que eu escolhi para isso, foi Spencer. Sei que ela não é culpada. 

 

— Então, converse com ela.

 

— Não precisa. – Me pronuncio.

 

— Deveria saber que você estava escutando. – Veronica diz. – Você sempre teve a mania de escutar a conversa dos outros. – Ela não estava me dando uma bronca. 

 

— Meio impossível não ouvir quando a discussão é bem na sala de estar.

 

Mamãe vem em minha direção.

 

— Você poderia me perdoar? – Os cantos dos meus olhos estavam inundados de lágrimas. Olho para Toby. Mexo a boca formando um "Obrigada", ele apenas balança a cabeça em afirmação e sobe os degraus da escada.

 

A abraço como resposta.

 

— Eu te amo minha filha. Eu sei que tudo foi minha culpa, assim como também foi minha culpa você ter sido internada no Sanatório Radley.

 

— Tudo bem, tudo bem. Toby me ajudou. Ele sempre me ajuda.

 

— Ele é um ótimo rapaz. Abriu meus olhos para que eu percebesse o erro  que estava cometendo. – Diz. – Eu gostaria de tê-lo como genro. – Rio.

 

— Talvez.

 

Ela me olha esperançosa.

 

— Vocês tem algo?

 

— Eu relamente o amo. 

 

— Ele também te ama.

 

— Como sabes disso?

 

— O jeito como ele te olha, como fala com você, como te defendeu, ele não faria isso se não te amasse.

 

Olho para as escadas.

 

— Ele disse que sempre estará comigo, por mim e para mim.

 

— Mais uma prova de que ele a ama.

 

Sorrio.

 

— Espero que esteja certa.

 

— Ela está certa. – A voz grossa diz.

 

Olho para ele.

 

— Eu amo você. – Sibila ao parar a minha frente.

 

Eu podia jurar que estava com cara de lesada.

 

Vovô desce as escadas logo em seguida.

 

— Eu não posso deixar isso se tardar.

 

Minha expressão é confusa.

 

— O que quer dizer com isso, rapaz? – Vovô indaga.

 

— Senhor Sean Hastings, senhora Veronica Hastings, eu gostaria de ter a permissão para namorar a neta e filha de vocês.

 

Eles sorriem.

 

— Sim, rapaz. – Mamãe diz.

 

— Só não machuque minha garotinha. – Vovô Sean avisa.

 

— Não irei.


Notas Finais


Qualquer erro gramatical me perdoem, mesmo revisando algum errinho passa despercebido.

Bjs bjs
-R


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