História 13 Reasons to Live - Capítulo 2


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Categorias Os 13 Porquês (13 Reasons Why)
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Fita 1, lado A


O cheiro de panquecas inundava o nariz de Emily, e ela havia acordado com fome. Inspirou profundamente, e encolheu-se ao ouvir berros. Respirou fundo. De novo não, a Crawford pensou.

_Qual é o seu problema, afinal? Eu trabalho para sustentar essa casa, enquanto você fica na beira do fogão ou simplesmente ensinando aqueles pirralhos estúpidos do maternal! Você devia me agradecer por sustentar você, a ingrata da Emily e a Julie!

A voz de Robert Crawford soava pela casa como um trovão. Emily saiu de seu quarto, ainda em seus largos pijamas, e parou no primeiro degrau da escada que a levaria ao andar de baixo.

_Qual é o meu problema, Robert? Qual é o meu problema? - a voz de Violetta soava desesperada - Qual é o seu problema, eu pergunto! Você não pode simplesmente agir assim, seu canalha, temos duas filhas pra criar e eu exijo respeito! Se você quer me trair com a nojenta da sua secretária, é melhor pedir o divórcio!

Emily arfou onde estava, e ouviu a mão de seu pai estalar na face de sua mãe, que caiu no chão. A garota desceu as escadas correndo até a cozinha, empurrando o pai com o ombro para dar-lhe passagem até sua mãe.

_Mãe, você está bem? - perguntou a garota com lágrimas nos olhos. Violetta chorava copiosamente, e Emily ajudou-a a se levantar.

_Não se meta nisso, Emily! - esbravejou seu pai e Emily o ignorou.

_Querida, saia da cozinha. Estamos só conversando... - a senhora Crawford tentou acobertar seu marido para que a fúria deste não se voltasse para sua filha.

_Conversando, mãe? Olha o que esse monstro fez com você! - exclamou Emily horrorizada.

_Emily, por favor, sua irmã está com medo, vá tentar acalmar Julie.

Pediu Violetta, virando-se de costas e apoiando as duas mãos no batente da pia. Robert fuzilou Emily com o olhar, e a garota, desistindo, passou reto por ele até o quarto de sua irmãzinha Julie.

Julie era ruiva e tinha olhos verdes, enquanto Emily tinha cabelos castanhos, agora não tão longos, e olhos castanhos esverdeados.

Ao subir as escadas, ouviu um choro baixinho e novos gritos, sinal de que a briga lá em baixo continuava. Mas o choro pertencia à pequena Julie, que estava encolhida em seu quarto.

_Julie... - começou a mais velha, e a pequena perguntou baixinho:

_Por que o papai e a mamãe estão brigando?

_Ju, eles estão só conversando... - Emily mentia tão mal que até a garotinha de sete anos percebeu.

_É mentira! Eles estão brigando sim, eu não sou idiota, Emy!

Emely respirou fundo mais uma vez, e passou a mão nos cabelos da irmã carinhosamente.

_Eles vão parar de brigar. Logo, logo. - falou, enquanto via sua irmã ir para o banheiro se arrumar para ir pra escola e continuou baixinho - Eu espero.

***

A escola, para variar, havia sido um tédio total. Todas as aulas do dia eram chatas e Crawford não via a hora de terminarem.

_Anime-se, Emy. Hoje é um novo dia! - falou seu melhor amigo, Jacob Jensen. Jake era filho de um dos professores, Clay Jensen, e era muito bonito e parecido com o pai. Tinha cabelos e olhos castanhos, pele clara e era mais forte do que Clay jamais foi em sua adolescência; o senhor Jensen sempre fora, apesar de belo, magro.

_Que legal, Jake. Achei que ontem estava se repetindo. - falou Emily com ironia.

_Algum dos alunos pode me dizer quem foi a autora da série de livros "A Seleção", "A Eleita" e "A Escolhida?

Perguntou o professor de Literatura, o senhor Jensen, com um sorriso. Ao ver um dos alunos erguer sua mão, ele revirou os olhos e respondeu:

_Sim, senhor Walker, eu gosto de ler romance.

Joshua Walker deu uma risadinha e sussurrou para seus amigos:

_Nosso querido professor Jensen é um viado, bem que o meu pai disse.

Debochou. Emily ergueu sua mão timidamente e disse:

_A autora é Kiera Kass, professor.

_O professor disse para os alunos responderem, e não o bichinho do mato que gosta de chamar atenção.

A sala recaiu em um silêncio mortal. Rachel Lohaine ostentava um sorriso sarcástico nos lábios. Crawford olhou para o chão, constrangida.

_Não me lembro do professor ter perdido também a ajuda de uma cobra. - falou Jacob também sorrindo. Clay piscou para seu filho e encarou Rachel com o olhar duro.

_Não tolero desrespeito em minha sala de aula, senhorita Lohaine. Palavras desagradáveis tem um peso maior do que todos pensam.

O sorriso de Rachel morreu, mas sua pose de dona do mundo era a mesma.

_Sim, eu estou falando do que aconteceu à Hannah Baker muitos anos atrás. Alguns de vocês conhecem a história e não seria bom vê-la se repetir com qualquer estudante que aqui esteja.

Emily sorriu minimamente, agradecida, aos dois Jensen's. Mesmo ela não tendo idéia de quem era essa tal de Hannah Baker.

A aula seguiu normal para alguns, porém, para Hannah, muito diferente: ela não foi incomodada o dia inteiro, ninguém parecia ter interesse de fazer bullying com ela. Isso deixou-a animada, e Jacob percebia isso. O sorriso estampado no rosto do garoto pelo fato de sua melhor amiga ter sido deixada em paz era enorme; ele sabia o quanto os dias escolares eram difíceis para Emily, e tentava ajudá-la sempre que possível.

_Emy, que tal irmos tomar um café no Monet's mais tarde? Seria tão legal...

Falou Jake com um bico pidão. Crawford achou aquilo extremamente fofo, e sorriu. Mas seu sorriso murchou ao lembrar que, se não fosse para sua casa, seu pai poderia chegar e continuar a discutir com sua mãe.

_Er, Jake... eu não sei se vai dar. Eu preciso, anh, ajudar minha mãe em casa. Tem muitas coisas pra gente fazer e tudo o mais... desculpa.

_Tudo bem então, Emy. - respondeu Jake tentando esconder sua mágoa.

_Desculpa mesmo. - ela insistiu.

_Tá, tá bom. Agora vamos, eu vou com você até em casa.

Crawford suspirou, e fizeram uma caminhada agradável até a casa dela. Jake deu um sorrisinho e falou:

_Está entregue. Tchau, Em.

_Tchau, Jacob.

Emily deu um beijo estalado na bochecha de seu melhor amigo, ficando tensa ao chegar na porta de sua casa. O silêncio era mais assustador que os gritos que ouvira de manhã.

***

Jacob seguiu o caminho até chegar em sua casa. Passou a mão em sua bochecha, tocando-a e sentindo-se um bobo.

_Oi, filho. - falou seu pai, que trazia consigo uma xícara de café - aceita?

_Não, to bem assim.

Clay riu e observou atentamente a expressão sonhadora de seu filho. Abriu um sorriso malicioso e perguntou:

_É ela, não é?

_Ela quem, pai? Do que o senhor está falando? - Já que Jacob não sabia esconder seu rosto, poderia ao menos fingir não saber do que se tratava.

_Da Emily Crawford. Eu vi como a defendeu hoje, filho. Você fez o certo. O bullying é uma coisa horrível. Levou milhares de adolescentes a fazerem coisas terríveis.

_Hannah Baker fazia bullying com as pessoas? - perguntou Jake confuso. Seu pai deu uma risada triste.

_Não, filho. Hannah foi a pessoa mais doce que eu tive o prazer de conhecer. Ela era assim, como a Emily. Bonita, mas na dela. São muito parecidas.

_O que aconteceu com ela, pai? - Jacob agora estava curioso. O senhor Jensen fechou os olhos com força e disse:

_Isso é assunto para outra hora. Você tem teste de Literatura amanhã, não tem? - perguntou.

_Não que eu sa...

_Já está avisado. Teste surpresa, amanhã. É melhor você ir estudar.

Jacob encarou seu pai, confuso, mas resolveu obedecer. Clay Jensen ouviu os passos de seu filho indo embora e respirou fundo.

_Você levou meu coração consigo, Hannah.

***

Emily adentrou sua casa com passos silenciosos. Julie já devia ter chegado da escola, então por que todo aquele silêncio?

Jogou sua mochila no sofá e correu por todos os lugares da casa, não encontrando ninguém. Achou aquilo no mínimo estranho, e foi até a área de piscina. Lá, ouviu um grito e correu desesperadamente na direção do mesmo.

Violetta, Robert e Julie estavam na piscina nadando e brincando. Emily olhou tudo aquilo incrédula.

_Mãe?! Não acredito nisso.

Seu olhar estava visivelmente decepcionado. Como Violetta Crawford poderia ter perdoado seu marido, que dera um tapa nela mais cedo, daquela forma? E ainda estavam na piscina, como se nada houvesse acontecido!

Emily deu as costas para os três e correu até seu quarto. Trancou a porta para garantir sua privacidade. Jogou-se no colchão macio e ouviu batidas na porta.

_Mili! Mili, saia daí, precisamos conversar. Emily Nayara Crawford!

A voz de sua mãe era mandona, e Emily não mediu suas palavras:

_Com o que ele te comprou dessa vez, hein, mãe? - abriu a porta e virou-se de costas, sem encarar Violetta - flores? Chocolates? Oh, não, espere, meia hora de seu agitado dia em família!

_Mili, não é bem assim...

_Não, mãe, é pior. Ele te trai todos os dias, você chora desesperada e preocupada pelos cantos dessa casa e ele não está nem aí! Ele bate em você e te humilha e você simplesmente o perdoa?

_Mas, ele disse que vai mudar... ele vai mudar por mim, Emily! Por nós, pela nossa família. Ele ficou tão carinhoso hoje, depois da briga, ele me pediu desculpas e ao menos saiu para beber!

Violetta dizia desesperada. A porta no térreo foi fechada com força e Emily falou para sua mãe:

_Parece que a farsa do marido perfeito acabou.

Pela janela, era possível ver um Lamborghini deixando a casa, contando com apenas duas pessoas: Robert Crawford e sua amante.

Violetta deixou o quarto e Emily se arrependeu de ter sido tão dura com sua mãe. Afinal, Violetta e suas duas filhas eram apenas vítimas de Robert Crawford.

***

_Olá. Eu sou Emily Crawford, ao vivo e em estéreo. Se por algum motivo você estiver ouvindo isso, saiba que foi alguém importante na minha vida. Saiba que, acima de tudo, você fez uma garota desistir de tirar sua própria vida. Saiba que você é especial.

"Esse pacote contém sete fitas, com lado A e lado B. A número sete possui apenas o lado A. Espero que veja o quão importante é para mim em cada uma dessas fitas, em que não vou contar apenas sobre sua influência em mim, mas sobre a minha vida. Acomode-se, pegue um biscoito e fique confortável. Aqui vai a história da minha vida, e de como ela quase chegou ao fim."

Emily parou um pouco para recobrar o fôlego.

_Eu sou filha de Robert e Violetta Crawford, e tenho uma irmã chamada Julie. Uma linda família perfeita... só que não. Quando eu era menor, eu era feliz. Não sabia o que acontecia a minha volta e a fachada do sorridente senhor Crawford e de sua gentil esposa também serviam em mim. Não que minha mãe não seja gentil; isso não era fachada.

"Depois que minha avó morreu, meu pai se tornou frio e rígido. Ele era um pouco sério antes, mas chegava cedo do trabalho e enchia à mim e minha mãe de beijos na face. Depois disso, ele só chegava tarde do trabalho, às vezes até mesmo dormia no quarto de hóspedes. Mas houve uma pessoa que muito me ajudou a enfrentar essa fase da minha vida. Essa pessoa era minha babá; sim, Mandy, você. Você se sujeitava aos gritos do meu pai, às exigências da minha doce, porém vaidosa mãe. Você foi uma irmã mais velha que eu nunca tive.

Você cantava pra eu dormir enquanto meu pai virava noites fora e minha mãe afogava sua tristeza em garrafas do velho whisky. E então, Mandy, você foi uma irmã e uma mãe. Você tentava fazer tudo parecer normal e brincava comigo no parquinho. Você sabe que nunca fui muito do tipo sociável."

Emily faz uma pausa, arruma o microfone e controla suas lágrimas.

_E então, Mandy, você descobriu que ia ter um neném. Fiquei tão feliz por você! Imaginei-me brincando com outra criança, como uma irmãzinha. Pela primeira vez na vida eu me animei para conhecer alguém. Me perdoe por fazê-la lembrar disso, por favor. É necessário. E então você, apesar do choque de ser mãe aos dezesseis, estava animada. Queria sentir o pequeno ou pequena em seus braços, ter o zelo de uma mãe.

"E então ele veio. O homem do qual você gostava. Não a culpo por se meter com pessoas erradas, você não sabia do que ele era capaz. Você tinha a minha idade e se apaixonou pela pessoa errada. E ele ficou irado quando soube. Pediu para você tirar o bebê, e você ficou tão chocada que sofreu um aborto espontâneo. Você nunca mais foi a mesma, nem eu. Eu já amava seu bebê como se fosse meu irmão.

Após isso, você ficou doente e papai lhe despediu. Eu fiquei muito triste, mas por mais que eu implorasse, ele não a deixou voltar. Então a rabugenta da senhora Ferg veio cuidar de mim. Eu agradeço muito à você, Mandy, por cuidar de mim quando ninguém mais cuidou. Por ser minha amiga, irmã e mãe. Por me proteger da realidade do meu castelo quebrado até onde pôde. Muito obrigada mesmo, Mandy."



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