História 13 Reasons Why (interativa) - Exposed - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Palavras 4.633
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Terráqueos,

Faltam agora 2 fitas e 8 capítulos para o final.
Obrigado aos comentários passados.

Com amor e "dor"
"Nozes" e Newt

Capítulo 17 - Fita 6 Lado A


Fanfic / Fanfiction 13 Reasons Why (interativa) - Exposed - Capítulo 17 - Fita 6 Lado A

“Espero que estejam preparados, porque o que estão prestes a escutar a seguir foram só os três piores dias da minha vida. Os três dias decisivos, os três porquês que terminaram de acabar comigo.

É daqui pra frente que decidi que queria morrer.”

 

Ao sair da casa dos O’Brien noto que o carro de Thomas não está na garagem e não há sinais de Poppy em lugar algum. Disco sem parar para o celular dela, mas o mesmo cai na caixa postal e sequer ela tem visualizado as mensagens que mandei pelo whatsapp.

Atordoado e perdido, decido ir para casa andando enquanto Bonner Springs ainda está acordando para mais um dia de vida. Uma vez li que caminhar afasta a depressão e aumenta a sensação de bem-estar. Durante o ato de caminhar, nosso corpo libera uma quantidade maior de endorfina, aquele hormoniozinho produzido pela hipófise, responsável pela sensação de alegria e relaxamento.

Os especialista afirmam que quando uma pessoa começa a praticar exercícios, automaticamente ela produz endorfina, então tecnicamente eu deveria me sentir feliz, o que é a mais pura B E S T E I R A! No meu caso, ao menos.

Mesmo assim caminho, já que é a única alternativa que me restou desde que Thomas deu seu showzinho valendo o Oscar, largando-me sem carona.

A sensação de andar sozinho na brisa fria da manhã deveria ser revigorante, porém tudo que sinto é mais e mais e mais angustia por tudo que tem acontecido comigo.

Me questiono: até quando vou aguentar?

E o melhor apontamento: eu quero aguentar?

Ao parar alguns segundos para colocar as ideias no lugar noto que estou em frente ao Love&Bites, são seis e vinte da manhã e Sun já abriu a cafeteria há vinte minutos se não me falhe a memória sobre o horário de funcionamento.

Decido entrar para comer alguma coisa, logo que me vê Sun abre um sorriso, mas esse logo desaparece no instante em que ela vê o hematoma próximo ao meu olho e o corte no lábio.

- Newt, você está bem? – pergunta ela do outro lado do balcão.

- Eu estou, foi só uma briga estúpida. – minto – Pode servir pra mim um café preto com canela e um cookie de M&M?

- Claro, loirinho! Vai querer que eu leve até a sua mesa ou quer pra viagem?

- Posso comer no terraço? – pergunto – É que lá é mais tranquilo e eu quero fumar.

- Sem problemas!

A garota prepara meu pedido enquanto uns dois clientes já estão sentados nas poltronas, Sun me entrega um copo térmico e um saquinho com o cookie, só assim eu sigo até o terraço.

Como sempre deixo a porta encostada e caminho até o parapeito, fitando a cidade dali de cima, mas hoje faço algo diferente, hoje pego impulso na mureta de tijolos, colocando os pés na superfície, ficando totalmente ereto sobre o parapeito.

- Se você pular, eu pulo!

Assusto quando uma voz feminina sai de trás de mim, quase fazendo-me perder o equilíbrio.

- Blake? – desço de imediato, encarando a garota.

- Foi isso que me disse aquele dia que nos conhecemos no terraço da escola, certo?

Concordo com a cabeça.

Conheci Blake de verdade alguns anos atrás após escapulir durante a aula para fumar escondido. Para minha surpresa encontrei a garota divertira e eclética chorando, com um pé exatamente no parapeito do telhado, pronta para saltar.

Enquanto ela estava assustada e cogitando a ideia de acabar com a sua vida, eu simplesmente me aproximei e brinquei com ela, usando uma frase do filme Titanic: “Se pular, eu pulo!”. Foi isso que Jack disse para Rose quando a ruiva pensava em se tacar do navio. Foi esse argumento que fez Blake dar um sorriso e recuar dois passos para trás, me encarando.

- Uma inversão de papéis, sério mesmo Newt? – a loira sul-coreana questiona.

- Só queria ver a cidade melhor daqui de cima. – saio em minha defesa.

- Então não ia pular?

- Blake, olhe pra baixo. Estamos a apenas 2 andares acima do nível da rua. Se quisesse me matar saltaria de um lugar mais alto, como a torre da igreja. Aqui no máximo quebraria as duas pernas e levaria um puxão de orelha da minha mãe.

Faço ela rir sem parar.

- O que faz aqui a essa hora? – pergunto.

- Acabei de sair da balada, Jensen foi pra casa se arrumar para a escola e eu vim comer alguma coisa. E você?

- Acabei de roubar um banco. – brinco.

- Pelo visto levou uma surra então! – Blake aponta para meu rosto machucado.

- Ah, você precisava ver o outro cara como ficou! – dou um gole do meu café, oferecendo o cookie pra ela.

- M&M, Newt? Você tem quantos anos, quatro? – ela dá uma mordida.

- Igual a você!

Novamente ela ri alto.

- Eu adoraria ficar aqui discutindo nossa maturidade para escolher cookies, mas se eu não chegar em casa em meia hora meu pai acorda e eu provavelmente estarei morta, então... se for mesmo saltar, a torre da igreja parece legal, mas o reverendo Walsh teria um colapso ao ver seus miolos no chão, por isso recomendo o topo o Marriot. - a loira rouba mais uma mordida do meu cookie e sai, largando menos da metade do biscoitinho pra mim.

Fico ali no terraço por uns quarenta minutos, no mínimo trinta e cinco deles tentando falar com Poppy sem sucesso. Volto a chorar igual ontem a noite, exausto de toda essa merda.

- Sun me disse que estava aqui. – Brooke vem devagar até mim trajando seu avental do Love&Bites.

Tudo que eu faço é varrer minhas lágrimas rapidamente com a manga da camisa.

- Problemas, Newtie? – a loira pergunta abaixando até onde estou.

Faço um sinal de mais ou menos com a cabeça.

- Eu ia fazer hora extra hoje cedo e matar aula, mas acho que as meninas vão sobreviver sem mim. Vem, vamos para casa.

Brooklyn estende sua mão me tirando do chão e segue quieta até a entrada do café onde entrega seu avental para Sun e me leva até seu carro. Entro mudo e permaneço mudo, Brooke entende o recado e fica igualmente em silêncio, seguindo pela cidade.

Quando ela disse “Vem, vamos para casa”, eu imaginei que seria a minha casa e não a dela, onde estaciona sua Land Rover Evoque na entrada de carros, descendo em seguida.

- Pensei que ia me levar para minha casa. – murmuro descendo do banco do passageiro.

- Acho que precisa conversar e isso seria algo meio difícil com aquele seu cachorro grudento tentando cruzar com sua perna e seu irmão curioso.

A loira destranca a porta principal e faz questão de ir na frente ditando os passos que devo seguir. Ela sobre as escadas e vai direto para seu quarto, selando a porta assim que eu passo. Que fique bem claro que não me sinto confortável aqui com ela.

Brooke se joga na cama e me fita, esperando que eu comece a falar. Mantenho-me longe do seu colchão, preferindo sentar na cadeira da escrivaninha da loira, uma distância segura entre nós dois, já que nossa amizade anda a passos lentos desde o episodio com Maeve.

E por falar nela...

- Newtie, relaxe! Maeve não está mais morando aqui. – acho que a loira nota meu corpo rígido e respiração alterada.

- Ah não?

- Não mais. Ela alugou um estúdio perto da escola, se mudou faz quase dois meses. A maluca alegou que precisava ficar sozinha, mas como a gente tem visto ela mal está indo pra escola, portanto... Não é mais problema meu.

Brooke dá de ombros e a conversa passa a fluir com mais naturalidade a partir do momento em que descubro que não há riscos de topar com May ali. Passo aproximadamente uma hora enrolando a loira, inventando uma desculpa qualquer para meus hematomas.

Brooklin me ouve pacientemente, talvez caindo nas mentiras que estou contando sem parar desde que cheguei aqui.

- Escuta, eu estou com fome. Você está? – a loira pergunta arrumando sua franja. Eu concordo com a cabeça. Outra mentira. - Vou preparar algo pra comermos, eu já volto.

Ela sai e eu opto por ficar no mesmo lugar, respirando aliviado por estar sozinho novamente. Fico girando lentamente na sua cadeira da escrivaninha, captando todos os detalhes do quarto.

 

“Conhecem aquele ditado popular que diz assim: a curiosidade matou o gato?

Pois bem, ele é utilizado para alertar uma pessoa, no caso eu, que um mal pode ocorrer se ela for muito curiosa.

Na Europa da Idade Média as pessoas detestavam gatos e acreditavam que eles traziam má sorte, especialmente se fossem pretos.

Prazer, eu sou o gato.

E essa é sua fita Brooklyn Primolli.”

 

Noto que Brooke tem uma coleção divertida de livros de literatura adolescente na prateleira próxima a escrivaninha, com títulos como “Por lugares incríveis” de Jennifer Niven e inclusive todos os livros do Harry Potter.

Mas as coleções dela vão muito além de páginas com palavras e histórias pra contar. Além de um gosto peculiar por canetas coloridas de todos os estilos, com brilhos, cheirinhos e plumas, Brooke tem uma variedade de DVD’s na sua estante do lado da cama. Se Candy visse aquilo iria surtar e muito provavelmente puxar os cabelos da loira.

Brooke tem o que chamados de “Filmes da sessão da tarde”, que não passam de películas com enredos fraquinhos, adolescentes metidos como protagonistas e tramas bem chulas, que nada acrescentam na sua vida. Eu até que gosto de assistir isso de vez em quando para relaxar e não pensar em nada, mas depois que permiti que Candy contaminasse minha vida com sua paixão por cinema, ultimamente ando dando mais bola para filme cult Paquistanês do que mega produções americanas.

Levanto da cadeira e vou checar mais de perto os títulos que ela tem, acho uma graça Brooke curtir Spider Man e ter todos os filmes da franquia. Isso me lembra o baile da oitava série sobre super-heróis quando a loira me convenceu a ir vestido de Peter Parker e ela de Mary Jane, embora eu prefira Gwen Stacy ou mais ainda Harry Osborn como parceiro.

Deslizo meu dedo por filmes como “As Branquelas” - risadas garantidas -, “As patricinhas de Beverly Hills”, “De repente 30”, “Newt e Brooke”, “A lagoa azul”...

- O que?

Volto meus olhos para o penúltimo título lido: “Newt e Brooke”. Pego o DVD e noto ele com uma capa rosa, cheia de corações. Poderia deixar meu queixo cair, mas por um lado isso talvez não me choque tanto assim e antes que ela apareça de volta aqui no quarto, eu retiro aquilo dali e escondo debaixo da minha camisa, curioso para ver o conteúdo daquilo mais tarde.

- Demorei muito? – Brooke volta com uma bandeja de chá e bolachas recheadas.

- De maneira alguma, mas eu tenho que ir. – dou meia volta e tento passar pela loira, disfarçando o melhor que consigo.

- Mas e o chá, Newtie? – ela pergunta desapontada.

- Fica pra outro dia.

- Por que vai embora assim... do nada? Eu te fiz alguma coisa?

- Meus pais estão preocupados, eu só preciso voltar pra casa. – respondo mostrando meu celular, como se alguém tivesse me ligado enquanto ela esteve fora. Ofereço um sorriso amarelo tentando disfarçar.

- Tudo bem então! Eu te levo, Newtie! – Brooke se oferece sendo sempre solicita.

- Não precisa se incomodar, vou a pé pra casa, preciso me exercitar – sorrio escapando do cerco dela, correndo para fora do seu quarto e da sua casa antes que veja o que surrupiei em seu quarto.

Desisto de caminhar logo na segunda esquina e acabo apelando para um taxi. Não é tão fácil conseguir uma coisinha dessas pelas ruas de Bonner Springs. Aqui não tem nada de Uber e mega transportes públicos como linhas do metrô que te levam para todos os cantos como Londres e Nova Iorque, ou os bondinhos de São Francisco e a pontualidade dos ônibus de Chicago.

Em Bonner Springs as autoridades públicas – leia-se Jeff O’Brien e seus antecessores -  acham que ter um bom par de pernas basta, já que a maioria aqui possuí carro e se locomove pra cima e pra baixo da maneira que bem entende.

A corrida não foi mais do que 10 dólares.

Pago o taxista e corro pra dentro de casa, topando apenas com Brownie na sala de visitas deitado de barriga pra cima no sofá de Ava, esfregando as costas e o bumbum nele, mordendo a pontinha de uma das almofadas.

- Se ela descobrir que você faz isso quando todos saem, você é um cachorro morto!

Brinco com ele e subo para meu quarto conferir o conteúdo do DVD. Por ser dia da semana Ava já está na loja, Carrie e papai na faculdade e Att na escola, local onde eu também deveria estar, mas considerando minha frequência escolar nos últimos quatro anos, com apenas uma falta que foi quando quebrei meu dedo indicador tentando ajudar mamãe a carregar uma remessa de roupas novas em uma caixa que pesava uns 300 quilos, acho que eu posso me dar ao luxo de faltar hoje para saciar minha curiosidade.

E além do mais não quero mesmo ter que encarar Thomas O’Brien com seus amigos do peito, ou ter que me explicar diversas vezes sobre o estado da minha cara toda porrada.

Retiro o DVD da caixinha e coloco no meu notebook, ansioso com o que pode aparecer ali.

Ao dar play seguro minha risada quando passa a tocar “Accidentally in love” do Counting Crows, trilha sonora de Shrek 2, um dos meus filmes desenho preferidos, tirando Monstros SA e Toy Story. Na tela imagens e fotos minhas e de Brooke desde quando éramos pequenos e dividíamos o jardim da infância.

Gradativamente as imagens e fotos vão evoluindo, mostrando o desastre do início da minha puberdade, os bailes, festas e comemorações da escola. Até aí nada de mais, é só uma daquelas edições bregas que somos obrigados a engolir em festas de quinze anos ou casamento, mostrando a felicidade das pessoas através de imagens.

No final do vídeo há uma aba, com as palavras “PARA FICAR MAIS QUENTE, CLIQUE AQUI!”

 

“Eu cliquei, óbvio, pois como disse, eu sou o gato.”

 

Deixo meu queixo cair com as cenas a seguir.

São imagens do dia em que transei com May e Brooke, tudo captado por uma câmera no alto do quarto, como se aquilo tivesse sido premeditado pela maluca da Brooke. Eu tenho vagas recordações do que fizemos e elas desapareceram por completo depois que a loira sai do quarto e volta com mais bebidas e mais droga.

O que vejo através da tela do computador é uma Brooklyn Primolli totalmente sóbria, drogando May e eu, sendo fria e calculista. Maeve é a primeira a apagar por completo e enquanto eu estou largado na cama rindo sozinho para o teto, Brooke agarra os pés da morena e puxa ela pra fora da cama, arrastando May até o banheiro e trancando ela lá.

Brooke volta para a cama e tenta transar só comigo, excluindo completamente a outra da brincadeira. As imagens que vejo agora foram capturadas pelo celular da loira, que estava em suas mãos, filmando de pertinho meu estado alucinado.

“- Newtie, agora somos só nós dois, bebê! Finalmente!” – a garota ri maliciosa, distribuindo beijos por todo meu corpo.

“- Onde está a May?” – tento afastar Brooke de cima de mim, sem sucesso.

“- Esquece aquela sonsa, Newt!” – ela usa um tom rude na sua voz, descendo suas mãos até meu membro. “- Vamos transar muito agora, só eu e você!”.

“- Espera! O que você tá fazendo, Brooke?” – pergunto meio grogue, tentando abrir os olhos.

“- Tirando sua camisinha, ora bolas! Eu quero que goze bem gostosinho dentro de mim quantas vezes quiser, Newtie. Você pode fazer o que quiser hoje, bebê!”.

Fico chocado vendo o pornô que produzi com Brooklyn no quarto da sua mãe, enquanto May estava trancada no banheiro, só não morrendo de overdose porque Deus não quis.

Ficou claro pra mim onde Brooke queria chegar.

Ela drogou muito mais Maeve do que eu, porque assim podia garantir sua festinha particular sem ter a amiga para atrapalhar e embora eu não me lembre de muita coisa, ver essas imagens agora me deixam totalmente sem chão. Eu fui completamente manipulado pela loira.

 

“As coisas podiam ter parado por ai, Brooke finalmente transou com comigo! Uau! Acontece que enquanto não tivesse exatamente TUDO pra ela, essa brincadeira não pararia nunca!”

 

- Gostou das imagens do DVD, Newt?

Quase caio da cama ao ter meu quarto invadido por ninguém menos que a nova stalker de Bonner Springs: Brooke Primolli.

- Como entrou aqui? – pergunto bravo fechando meu notebook.

- Ninguém sabe, mas eu tenho uma cópia da chave, bebê! – a loira ri alto mordendo os lábios – Eu sempre entro aqui quando todos não estão... Ou quando todo mundo está dormindo! Sabia que você dorme de boquinha aberta, Newtie?

- EU QUERO QUE SAIA DA MINHA CASA AGORA! – grito bravo, levantando da cama.

- Na, na, ni, na, não! Quem dá as ordens hoje aqui sou eu. Estou realmente cansada de fazer de tudo pra você me notar, mas nada, NADA é o suficiente pra você. Todo meu esforço, todo meu carinho, todo meu amor por você é sempre em vão. – a loira caminha até onde estou e passa a me encurralar no meu próprio quarto – O que todos eles tem que eu não tenho, hein? O que a porra da April sem sal e sem açúcar tem pra você ter ficado perdidamente apaixonado por ela? Ou então por que escolheu uma idiota como a Maeve pra ser sua putinha, enquanto você podia ter a mim, Newt! A MIM! – ela grita a centímetros do meu rosto.

Eu tento falar, mas ela tapa minha boca, prosseguindo.

- E o que dizer desse seu envolvimento com Thomas O’Brien? Que bosta foi aquela? Como você acha que me senti sabendo que estava se agarrando com um cara por ai, preferindo se esfregar num homem do que em mim? TODOS QUEREM SE ESFREGAR EM MIM!

Brooke puxa com força os cabelos da minha nuca e eu passo a considerar a hipótese de dar um tapa nela. Sério. Meu pai me ensinou que não se deve bater numa dama, só que isso daqui na minha frente está longe de ser uma. Eu preciso encontrar uma maneira de me defender, mas do jeito que as coisas andam extremamente ruins pra mim... é capaz dela me acusar de agressão.

- Agora eu acho que você foi longe demais ontem a noite com Poppy O’Brien. Jura mesmo, Newt? Poppy O’Brien, a gêmea songa monga muda? Você ia trepar com ela?

- Eu não sei do que você está falando, Brooke. – dissimulo totalmente.

- Claro que sabe, amorzinho! Eu vi tudo o que vocês fizeram!

A loira retira seu celular do bolso e abre o rolo de câmera, mostrando imagens de nós dois nos beijando no quarto da morena, quase transando.

- Você... Você estava lá ontem? – pergunto chocado ao notar a imagem clara e nítida, bem próxima a cena do quarto de Poppy.

- Eu estava. Me enfiei no closet dela, como sempre faço na sua casa ou no quarto do “Tommy”. – faz voz de nojo imitando o jeito que só eu chamo O’Brien.

- Brooke, você é doente! – falo com raiva dela, tentando tirá-la de cima de mim.

- Awnnn! Não fala assim que você me magoa, Newtie. Mas olha só, eu já dei um jeito na Poppy também. – Brooke segura meu rosto, debochando.

- Também? Como assim “também”?

- Você achou mesmo que eu ia deixar rolar algo a mais entre vocês dois? Newt, deixa eu te explicar uma coisa: se não for pra ficar comigo, você não vai ficar com mais ninguém. Sabe seu relacionamento com a April? Fui eu que estraguei. Eu enviei nossa foto do beijo para Blair e suas amigas idiotas, convencendo elas a envenenar a cabeça daquela mimadinha de merda. Devo admitir que foi um bônus extra ela ter transado com o primeiro babaca que apareceu na viagem.

Travo meu maxilar e respiro fundo, porém não controlo o choro que lentamente começa a descer pela minha maçã do rosto.

- Agora estragar as coisas entre você e a Maeve foi divertido pra cacete, tenho que admitir. Ela é tão influenciável que eu nem acreditei que havia convencido ela a me deixar transar com você na festinha, mas meu plano todo foi por água à baixo quando ela engravidou e não eu. AQUELE FILHO ERA PRA SER MEU! – Brooke urra num misto de ódio e alegria, sendo totalmente bipolar. – Mas foi tão fácil fazê-la abortar aquela merdinha que você nem imagina! Eu nunca deixaria ela ter aquele bebê, porque se tivesse, eu com certeza daria um jeito de matar essa nojeira!

Choro com mais intensidade agora, desacreditando que todo esse tempo o inimigo estava bem do meu lado e eu não fui capaz de perceber. O jeito como a loira falou de Pi, May, Tommy e até meu bebê me deixa totalmente enjoado. Brooke não cala a boca. Sua face a centímetros da minha, com seus olhos arregalados, só me prova o quanto essa garota é totalmente desequilibrada e precisa de ajuda.

- Fiz o mesmo com seu namorico ridículo com o bosta do O’Brien. Estraguei as coisas sim, espalhei o boato para os amiguinhos dele e ontem eu achei que finalmente tinha você só pra mim depois que levou uma surra do cretino que não tem a menor coragem de se assumir, quanto mais te assumir!!! Mas ai a songa monga da irmã muda apareceu e estragou tudo, por isso tive que tirar ela de cena.

- Brooke, o que você fez com a Poppy? – pergunto assustado e com medo das possibilidades.

- Enquanto você estava dormindo eu acordei ela a tapas, levei pra sala e disse umas boas verdades, abri o jogo e falei que se chegasse mais uma vez perto do que era meu, eu acabava com a família de merda dela, começando pelo irmãozinho. Enfiei umas caraminholas na sua cabecinha infantil e fiz a garota sumir da cidade por tempo indeterminado – a garota ri alto, mostrando todos os dentes – Mas eu confesso que tive que me segurar para não enfiar uma facada na cara daquele embustre.

- Eu não acredito que fez isso, Brooke! – exclamo assustado.

- Acredite, Newtie. Eu faria qualquer coisa por nós dois, qualquer coisa mesmo, inclusive planejar o assassinato dos seus pais e irmãos e morar nessa casa linda com você. – ela para e suspira, pensando – Eu também mataria o Brownie, porque esse cachorro é um pé no saco.

Brooke aproxima seu rosto do meu e tenta me beijar, mas viro o rosto para o lado, fugindo dela. Com isso ganho automaticamente um tapa ardido exatamente no mesmo lugar do soco de Thomas.

Por sorte, ou nem tanto, um barulho no andar debaixo faz a loira saltar e estremecer, desconfiando de que tenha mais alguém na minha casa.

- Acho bom você fingir direitinho e nos tirar dessa encrenca! – sibila ela abrindo a porta do meu quarto, dando de cara com Carrie no corredor.

- Brooke? O que faz aqui? – minha irmã questiona desconfiada, tentando espiar o que se passa dentro do meu quarto – Você não deveria estar na aula?

- Deveria, cunhadinha! Mas seu irmão me trouxe pra cá... Você sabe, né? Esse loirinho é insaciável!!! – dá a entender que estávamos transando ou sei lá o que juntos.

- Cunhadinha? – Carrie arqueia a sobrancelha e segura um riso de nervoso.

Minha irmã me conhece, sabe dos meus gostos e minhas preferencias desde pequeno, achando graça da minha queda por pessoas morenas e Brooklyn Primolli não se encaixa exatamente no perfil que gosto.

- Newt não te contou não? Estamos namorando, não é demais?

Saio do quarto para acabar logo com esse teatrinho forçado e tirar Brooke o mais rápido possível da minha casa antes que ela resolva matar a minha irmã. Vai saber...

- Isso é verdade, cabeção? – Carrie questiona logo que apareço ao lado da loira.

- Uhum. – gemo concordando com a cabeça.

Já Brooke coloca seu braço em volta do meu pescoço, enchendo minha bochecha de beijos.

- Então acho melhor os dois pombinhos vazarem agora, porque essa casa não é motel e capaz do papai logo estar aqui. A faculdade entrou em greve e aposto que ele não ia gostar de saber que estão matando aula para “namorar”. – ela usa aspas com os dedos.

Resolvo levar ao pé da letra o que minha irmã mais velha disse, por isso passo a mão na cintura de Brooke e rapidamente levo ela pra fora, ganhando alguns minutos para pensar qual será meu próximo passo com relação a essa doente mental.

- Onde vamos? – ela pergunta animada ao abrir a porta do meu carro e praticamente jogá-la lá dentro.

- Vamos para a escola, Brooke.

- Eu não quero ir, amorzinho. – ela chia e faz um bico infantil, deslizando suas mãos pela minha coxa enquanto retiro o carro da garagem e saio voando até o BSHS.

Permaneço mudo o trajeto todo.

Andar com uma pessoa instável igual a ela me deixa tenso, sou obrigado a calcular todos os meus passos.

Ao descer na escola a garota faz questão de desfilar comigo grudada no meu pescoço durante o primeiro intervalo, extraindo alguns olhares curiosos, um deles vem de Thomas O’Brien, que me olha e me analisa cerrando o punho.

- Preciso ir para a aula de Educação Física. – digo dando graças a Deus por não fazer muitas matérias junto com ela.

- Te vejo no almoço, bebê? – pergunta parando meu corpo na frente do seu, brincado com meus lábios entre a pontinha dos seus dedos.

- Claro! – sorrio o mais convincente possível, jogando com ela.

- Só uma coisa, Newtie: nem pense em fugir assim que eu virar as costas. Caso contrário, já sabe.

Primolli sorri e saí rebolando, cumprimentando algumas pessoas pelo corredor apinhado de gente.

 

“Até um beijo eu dei na esperança de acalmar o stalker interior que habita em você, Brooke. E por um lado eu consegui. Você sossegou até a hora do almoço, me deixando somente com as minhas dúvidas e questionamentos sobre como me livrar de você.

Eu tinha certeza de que estava sendo observado e para minha sorte podia contar com os treino de Lacrosse e o trabalho no parque a meu favor, mas você passou a tarde inteira na minha cola, sentada na arquibancada anunciando para todo mundo que estávamos namorando, provocando sutilmente April.

No final do treino parei para pensar e cheguei a conclusão de que gato fui somente até assistir o DVD e você me prensar na parede, botando para fora toda aquela droga sobre como estragou meu relacionamento com a Pi, May, Tommy e dizimou qualquer chance de dar certo com Poppy.

O jogo mudou para gato e rato e posso garantir que ser um roedor não é nada agradável quando se tem o predador rondando sua vida vinte e quatro horas por dia.

A teoria de que eles possuem uma notável capacidade de adaptação a quase qualquer ambiente, garantindo o título de um dos mais bem sucedidos entre o gênero dos mamíferos é falha.

Eu passei a sucumbir, sentia-me na beira de um precipício e precisava só de um empurrãozinho para chegar ao ponto em que cheguei.

O dono da próxima fita fez questão de me empurrar com tudo para a queda-livre.

Se conseguiu chegar até aqui e estiver ouvindo isso em alto e bom tom, sugiro retirar as crianças da sala.

Isso não é brincadeira.

É nesse ponto que minha queda livre se inicia... Sem chance de volta.”


Notas Finais


PERSONAGENS PRINCIPAIS:

Brooke - Carlson Young
Blake - Lalisa Monoban

Demais: Sun e Carrie.


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