História 15 days till the end of the world - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol
Tags Baekyeol, Chanbaek, Exo, Longfic, Wishlist
Exibições 120
Palavras 4.033
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, olá. Tudo bem com vocês?
Tô de volta com mais um capítulo, espero que vocês gostem. -q
Nos vemos lá embaixo, ok?

Boa leitura :D

Capítulo 3 - Skydive


Capítulo 2

 

A noite anterior tinha sido divertida. Baekhyun e Chanyeol tinham alugado um quarto de hotel para passarem a noite, o que foi a primeira vez de Chanyeol dormindo fora de casa. Ficaram talvez até às quatro da manhã conversando sobre nada em particular, só se conhecendo melhor.

Baekhyun descobriu que os pais de Chanyeol eram muito controladores - muito além de não o deixarem comer carne -, e que ele nunca pôde sair sem a presença de um deles. Nunca pôde fazer aquelas coisas bobas de adolescente, como ir ao cinema depois da escola, almoçar na casa de outra pessoa, jogar videogame ou dormir fora. A vida dele era tão cheia de regras, tão limitada… Baek até se sentiu meio mal por ele, porque mesmo que os seus pais não fossem os melhores do mundo, ele pôde ter uma adolescência bem normal.

Chanyeol também descobriu algumas coisas sobre Baekhyun. Descobriu que ele foi expulso de casa assim que completou dezoito anos. Os pais dele moravam no Rio Grande do Sul e ele tinha ido para São Paulo fazer faculdade, até que um dia recebeu uma ligação falando que ele não precisava voltar. Chanyeol não conseguia entender como os pais de Baek puderam fazer isso só por ele ser gay, mesmo que os seus pais também fossem preconceituosos. Eles provavelmente deixariam Chanyeol trancafiado no quarto - o que não era muito diferente de não poder sair de casa -, mas mesmo assim. Se livrar de alguém só porque não concorda com o que ela é era meio… Cruel demais.

Não passava do meio dia quando Chanyeol finalmente acordou - se sentindo melhor depois de toda a dor de barriga que ele teve por conta dos hambúrgueres -, rolando na sua cama só para encontrar Baekhyun sentado na dele, falando baixinho no celular, provavelmente para não acordá-lo.

— Sim, eu gostaria de maximizar o meu limite do cartão de crédito. — Baekhyun disse distraído, rabiscando quadradinhos numa folha de papel. — Quanto? Nossa, sério? — Ele pareceu surpreso e logo depois abriu um sorriso de orelha a orelha.

Chanyeol não fazia ideia de qual era o limite máximo do cartão de Baekhyun, mas para alguém sorrir daquele jeito, deveria ser um valor meio gritante. Ele mal sabia quanto era o limite do seu próprio cartão de crédito.

— Perfeito. Pode fazer isso por mim então? — Continuou, desviando os olhos da folha de papel por alguns segundos, dando de cara com um Chanyeol não completamente desperto e aparentemente confuso. Afastou o telefone do rosto e sorriu para o mais novo, dando pulinhos animados na cama. — Bom dia… Tá melhor?

— Bom dia… — Chanyeol respondeu enquanto se espreguiçava, jogando as cobertas para o lado. — Tô sim, obrigado. — Se sentou na cama e passou as mãos pelos cabelos bagunçados, vendo Baekhyun lhe sorrir uma última vez antes de voltar sua atenção para o telefone.

— Amanhã? Já? — ele disse surpreso, fazendo um joinha para Chanyeol, mesmo que este não estivesse entendendo nada. — Perfeito. Obrigado, boa tarde pra você também. — Encerrou a ligação e jogou o celular de lado, cruzando as pernas em cima da cama.

— Tudo certo? — Chanyeol perguntou, sem ter muita certeza do que falar.

— Ah, claro, claro! — Baekhyun respondeu com um sorriso enorme. Ficou alguns segundos em silêncio e logo voltou a falar, como se finalmente tivesse lembrado de algo. — Aliás, quer ir tomar um banho? Eu marquei algo pra gente fazer hoje, a gente tem que sair logo. Deixei uma bermuda e uma camisa pra você no banheiro… São minhas, mas acho que vão te servir.

— Tá bom! — Chanyeol respondeu subitamente entusiasmado, mesmo que não fizesse a mínima ideia do que Baekhyun tinha marcado para eles. Partindo do fato de que Baekhyun tinha se jogando de uma ponte com cordas amarradas nos tornozelos no dia anterior, o que quer que ele estivesse planejando provavelmente seria tão assustador e empolgante quanto.

— Você quer comer um hambúrguer no caminho? — Baek quis saber, se jogando na cama enquanto Chanyeol usava o banheiro. — A gente pode passar num Burger King antes de sair da cidade.

Após ouvir as palavras mágicas “comer um hambúrguer”, Chanyeol levou a metade do tempo que levaria normalmente para ficar pronto.

 

-x-

 

Chanyeol tinha um novo amor, e o nome dele era Whopper.

Ele já tinha passado da fase da descrença, do “meu deus, como eu nunca comi isso antes?”, tendo passado também rapidamente pela fase da aceitação, do “certo, eu nunca comi isso, então vou comer agora”. No momento, Chanyeol estava na fase do desespero, do “por tudo o que é mais sagrado, eu preciso comer tudo isso antes de morrer ou eu nunca vou ser feliz”.

E ele realmente, realmente comeria tudo aquilo.

Baekhyun dirigia com um cigarro aceso, rindo da cara de Chanyeol por estar comendo o seu segundo Whopper mesmo que tivesse passado mal na noite anterior. Tinha comprado alguns gatorades para manter o amigo - eles já podiam se chamar assim? - hidratado caso ele passasse mal novamente, e claramente estava mais preocupado com ele do que Chanyeol estava preocupado por si mesmo.

Que ele comesse tudo o que tinha vontade, então… Dali a catorze dias o mundo não existiria mais, então Baekhyun desejava que o outro realmente comesse tudo o que surgisse na sua frente. O que é uma noite de rei perto da sensação de saber que aquela era a sua última chance de enfiar na boca tudo o que ele sempre quis comer?

— Ei, Baek, pra onde a gente vai hoje? — Chanyeol quis saber, cheio de curiosidade. Enfiou mais alguns anéis de cebola melecados de molho picante na boca e tomou um golinho de refrigerante para empurrar tudo goela abaixo, lambendo os dedos sujos em seguida. — Tudo bem se eu te chamar assim?

— Claro. Posso te chamar de Chan? — Baekhyun respondeu sorridente, dando mais um trago no seu cigarro. Fez uma notinha mental de passar na loja de conveniência quando fosse abastecer, já que não sabia por quanto tempo essas lojas funcionariam. Ele definitivamente não queria ficar sem cigarros.

— Pode... Amigos se dão apelidos, certo? — replicou meio sem jeito, até porque não sabia se eles já poderiam se considerar assim. As coisas estavam acontecendo muito depressa ultimamente, talvez porque não restasse tanto tempo assim para que elas corressem como deveriam.

— Certo. Então somos amigos? — sorriu, desviando os olhos da estrada por alguns segundos para se deparar com um Chanyeol sorrindo de volta, quase como uma criança em dia de natal. — Faz tempo que eu não tenho alguém pra chamar assim… — Baekhyun soltou como se não fosse importante, mesmo que os dois soubessem que no fundo era.

— Eu nunca tive alguém pra chamar de amigo. Meu máximo foi ter alguns colegas ao longo dos anos. — Chanyeol disse no mesmo tom, dando de ombros antes de enfiar na boca o último pedaço do seu Whopper. — Mas enfim… Você não disse pra onde a gente vai.

Baekhyun jogou a bituca no lixo e acendeu um novo cigarro, pegando o copo de refrigerante de Chanyeol para tomar um gole. Era meio triste, mas ele achava até engraçada a situação… Chanyeol era um menino meio sozinho, já que ele mesmo tinha dito que nunca tivera amigos. E Baekhyun era sozinho também, principalmente pela dificuldade em se relacionar com as outras pessoas. Ele teve amigos na escola e na faculdade, mas nenhum que ele pudesse levar para a vida.

E mesmo assim, mesmo com algumas milhões de pessoas em São Paulo, justamente Baekhyun e Chanyeol, os dois sem amigos, foram ficar juntos para passar os últimos dias. Se Baekhyun acreditasse em destino, ele certamente diria que foi isso que os uniu.

— Lembra que eu te disse ontem que eu fiz uma lista? De coisas que eu queria fazer antes do fim e tal? — ele disse, esticando a mão para roubar um dos anéis de cebola de Chanyeol.

— Uhum… — Chanyeol murmurou, tomando um gole do seu refrigerante, para então estender o copo para Baek, que colocou a boca no canudo e bebeu um pouquinho também.

— Então… A gente tá indo fazer uma coisa da lista. — tragou o cigarro, só para soltar em seguida. — Quer dizer, eu não sei se você vai querer, mas eu agendei pra nós dois só pra caso você tenha vontade. — continuou, pegando mais uma das cebolas de Chanyeol. — A gente vai pular de paraquedas.

Bem que Chanyeol estava certo quando imaginou que eles fariam algo louco a nível bungee jump outra vez.

— Ué, eu não disse que queria fazer a lista contigo? Quando você me perguntou ontem e tal? — disse, jogando a caixinha vazia de cebolas dentro do saco pardo, para então procurar o outro hambúrguer que tinha comprado para si. — Eu quero pular com você. Vai ser legal.

Baekhyun sorriu e concordou com a cabeça, futucando o mesmo saco pardo de onde Chanyeol tinha tirado o hambúrguer para pegar sua caixinha de batata frita.

— Pai do céu… — Chanyeol disse quase que num sussurro, tomando alguns goles fartos de refrigerante logo depois. — Esse sanduíche é muito apimentado. — ele soltou, soprando o ar na tentativa de aliviar a ardência.

Baekhyun achou aquela cena tão tosca que nem se incomodou que Chanyeol estivesse comendo o seu sanduíche.

 

-x-

 

— Eu acho que eu não tô pronto pra isso… — Chanyeol disse baixinho enquanto vestia a roupa que lhe cederam para poder saltar. A palma das suas mãos estavam suadas e suas pernas tremiam um pouquinho. Mas ele já estava ali, e ele queria muito - muito mesmo - saltar. Era meio assustador imaginar que ele ficaria caindo em queda livre por um bom tempo, e que mesmo assim ele conseguiria chegar ao chão com vida.

Baekhyun estava com um pouco de medo também - certo, ele já tinha ido no bungee jump no dia anterior, mas era completamente diferente, já que nenhuma corda o impediria de dar com a cabeça no chão se alguma coisa desse errado -, mas estava tão animado quanto Chanyeol. A verdade é que Baek sempre teve vontade de saltar de paraquedas, mesmo com todo o medo que ele sentia, mas alguma coisa sempre o impedia. Ou era o emprego, ou era a falta de dinheiro, ou era a época de chuva… Ou Kyungsoo, que era um chato e nunca queria fazer essas coisas com ele, sempre com aquele pensamento de “Você quer se matar fazendo isso”.

Mas agora ele finalmente saltaria, e melhor, saltaria com Chanyeol, o seu primeiro amigo de verdade em muito tempo.

— Eu também não… Mas vai dar tudo certo… A gente consegue. — Baekhyun disse mais para si mesmo do que para Chanyeol, saindo com ele em direção ao pequeno avião que os levaria até o alto.

A viagem foi curta, embora meio assustadora. Baekhyun e Chanyeol nunca tinham entrado em um avião tão pequeno antes. Eles alcançaram a altitude ideal e os instrutores se prenderam a eles - já que eles não tinham experiência nenhuma para saltarem sozinhos -, Chanyeol já ficando desesperado quando a porta se abriu.

— Vai dar tudo certo, relaxa. — Baekhyun sussurrou, apertando o ombro de Chanyeol enquanto as primeiras pessoas do pequeno grupo começavam a saltar do avião. — Vai dar tudo certo — ele repetiu, mas dessa vez baixo o bastante só para ele ouvir.

Chanyeol pulou primeiro, e Baekhyun logo em seguida. Estar em queda livre era uma coisa tão assustadora que Baek jamais conseguiria encontrar as palavras certas para descrever. Era como se todos os seus órgãos internos se sentissem tão pressionados e desesperados que quisessem fugir pela sua boca.

Tentou gritar, mas no momento em que separou os lábios para fazê-lo, suas bochechas se inflaram com o ar e nada saiu. Mas tudo bem, porque mesmo que ele não pudesse gritar, sua mente fazia isso por ele. “Oh deus, oh deus, oh deus” era tudo o que se passava na sua cabeça.

Chanyeol estava igualmente desesperado, embora incrivelmente estivesse apreciando a situação. O frio na barriga era gostoso, e ele se pegou pensando no porquê ter ficado com tanto medo antes de saltar. Se eles tivessem mais do que catorze dias de vida, Chanyeol certamente gostaria de fazer um curso de paraquedismo. Seria incrível poder saltar sempre que tivesse vontade.

O paraquedas abriu e Baekhyun louvou mentalmente todas as divindades que ele lembrava, não importando qual a religião. Tudo estava bem. Agora ele planaria até o chão, e tudo estava realmente, realmente bem. Ele não morreria antes da hora.

Chanyeol aterrisou primeiro, entorpecido pela melhor experiência que ele tinha tido em toda a sua vida. Ele corria pelo gramado e pulava de empolgação, olhando Baekhyun e o instrutor chegando ao solo, louco para contar para ele o quão maravilhosa aquela experiência tinha sido.

Já Baekhyun… Ele pousou tão branco quanto uma folha de papel. O instrutor soltou o que os prendia juntos e Chanyeol foi logo correndo até ele, jogando seus braços em volta do pescoço do baixinho num abraço meio afobado.

— Meu deus, Baek, essa foi a coisa mais maravilhosa de toda a minha vida! — ele praticamente gritou, soltando o amigo do abraço para ver a expressão dele. Ele certamente tinha gostado também, não é?

Baekhyun não respondeu. Ele só levou as duas mãos ao peito e inspirou profundamente, sentindo a sua visão nublar e os seus joelhos fraquejarem. Por sorte Chanyeol estava perto o bastante para segurá-lo, senão ele teria caído no chão como uma fruta madura cai do pé.

— Eu… Oh, deus. — Baekhyun tentou falar, e Chanyeol finalmente percebeu o quão pálido o mais velho estava. — Eu achei que eu fosse morrer.

— Mas nós vamos, oras! — Chanyeol brincou, passando o braço pelas costas de um Baekhyun ainda meio mole com o intuito de ajudá-lo a chegar até um lugar que ele pudesse se sentar.

— Isso foi assustador, cara! — Baekhyun respondeu entre risos, agradecendo pela ajuda de Chanyeol, largando o corpo no banco de madeira perto da área de pouso. — Se bem que parece que você gostou…

— Gostar? Eu amei! Isso foi tão incrível que se eu não fosse morrer em duas semanas eu me tornaria paraquedista. — comentou empolgado antes de deixar Baekhyun no banco para buscar um copo de água para ele.

— Vai outra vez, então… — Baekhyun disse com um sorriso, pegando o copo descartável que Chanyeol tinha buscado para ele. — Já que você gostou tanto. Aqui, pega o meu cartão. A senha é 2957. — disse por fim, abrindo o macacão para pegar a sua carteira.

— Mesmo? Você não se incomoda ou sei lá? — Chanyeol disse todo sorridente e animado, aceitando o cartão do amigo. Ele mesmo pagaria pelo seu salto se não tivesse deixado a sua carteira dentro do carro, mas eventualmente - talvez quando o cartão de Baekhyun estourasse - ele compensaria com o seu. Não que dinheiro fosse realmente importante, mas ainda assim era meio estranho deixar que Baek pagasse por aquilo.

— Claro… Acho que vai ser mais divertido se eu ficar daqui do chão observando.

— Obrigado, Baek! — Chanyeol disse todo saltitante, dando um abraço no mais velho antes de sair correndo para pagar por outro salto. Aquele era o melhor dia da sua vida.

Se bem que Chanyeol sentia que ele pensaria isso durante todos os dias até o fim.

 

-x-

 

Estavam no carro voltando para São Paulo - depois de Chanyeol pular não só uma segunda vez, mas também uma terceira - quando Baekhyun se deu conta de que estava morrendo de fome.

— Ei, o que você acha da gente comer no mexicano? — sugeriu, já esperando que Chanyeol aceitasse. Chanyeol nunca negava comida, ainda mais quando envolvia algo de origem animal, a sua nova paixão.

— Claro! O que vende em um mexicano? — o mais novo quis saber, se ajeitando no banco do passageiro. Ele nem estava com tanta fome assim - afinal, não tinha comido só o seu sanduíche, mas o de Baekhyun também -, mas estava sempre disposto a provar algo novo. E comida mexicana fazia parte da extensa lista de coisas que ele nunca tinha comido.

— Tem tacos… Que são umas casquinhas crocantes com carne, queijo, guacamole e salada. Tem burritos também, que além disso tudo tem feijão. Tem um monte de coisa. — respondeu, vendo os olhos de Chanyeol se iluminarem com a mínima menção a carne.

— O que é guacamole? — Chanyeol perguntou curioso, pegando uma das garrafas de gatorade no banco de trás.

— Já comeu vinagrete? — Baek perguntou, não de forma retórica, mas realmente querendo saber. Chanyeol não tinha comido tanta coisa que mesmo que vinagrete fosse vegano, não teria como ele ter certeza.

— Aham… — respondeu, tomando um gole do seu isotônico enquanto encarava meio distraído o maço de cigarros de Baekhyun. Queria tentar outra vez aquela coisa de fumar, mas o maço estava quase no fim… Ele não queria desperdiçar os cigarros do amigo, sem saber quando poderiam comprar mais.

— É tipo vinagrete. Só que ao invés de vinagre, leva limão. E tem abacate também. — Baekhyun comentou, desviando os olhos da estrada para pegar um cigarro, não deixando de notar os olhinhos de Chanyeol fixados ali. Acendeu um cigarro e deu um trago, soltando a fumaça, já se sentindo mais relaxado. Dirigir era realmente cansativo. — Você quer um? — indagou, tirando o próprio cigarro da boca para oferecer a Chanyeol. Eles já tinham bebido do mesmo canudo, então não era muito anti higiênico que compartilhassem outras coisas.

Chanyeol aceitou meio sem jeito, quase como se Baek tivesse lido os seus pensamentos. Colocou o cigarro na boca e tentou fazer exatamente a mesma coisa que tinha feito no dia anterior: encher a boca de fumaça e mantê-la lá dentro até que ele se engasgasse. Como já era esperado, não deu muito certo. — Parece bom… O tal do guacamole. — Chanyeol disse entre tossidas, só para não acabar com o assunto.

— Cara, você tá fazendo isso tão errado… — Baekhyun comentou, puxando mais um cigarro do seu maço, disposto a ensinar aquele garoto como se fazia. Estava surpreso de ver que Chanyeol ainda queria tentar, mesmo com o fracasso do dia anterior. Sem contar que o gosto da fumaça era horrível quando ela ia para o lado errado. — Quanto ao guacamole, acho que você vai gostar.

 

-x-

 

— Acho que essa é a minha segunda comida favorita. — Chanyeol constatou após ingerir o seu quinto taco da noite. Aquilo era maravilhoso - e aquele guacamole nem era grande coisa, segundo Baekhyun -, e aparentemente tudo ficava melhor quando se era empurrado goela abaixo com doses cavalares de refrigerante. Se seus pais soubessem o que ele andava comendo certamente morreriam de desgosto.

— A primeira é um BigMac? — Baekhyun perguntou brincando, enfiando um pouco de batata frita na boca. Chanyeol fez que sim com a cabeça, o que fez o mais velho rir um pouco.

Baekhyun então concluiu que Chanyeol era uma criaturinha adorável. Quando ele comia, parecia uma criança pequena experimentando tudo o que pudesse enfiar na boca - normalmente de uma vez só. Mas quando ele estava alimentado, parecia um jovem de vinte anos como qualquer outro, só com menos experiências - já que seus pais controlavam a sua vida - e um ótimo senso de humor. Se pegou pensando que gostaria de tê-lo conhecido antes. Eles seriam bons amigos.

— Ei, Baek, eu vou comprar mais uns desse. — disse se levantando, apontando para a embalagem amassada do burrito que tinha comido. Baekhyun concordou com a cabeça e Chanyeol se foi, aproveitando que a fila estava com pouca gente.

Nos momentos de tédio - que agora eram característicos por serem momentos onde Chanyeol não estava presente -, Baekhyun ficava pensando em todas essas coisas mórbidas de fim de mundo. Ele era um pouco mórbido, era inevitável, mas saber que tudo o que ele conhecia estava prestes deixar de existir acabava agravando um pouco a situação. Tentou afastar esses pensamentos tristes da cabeça - até porque o seu objetivo nesses últimos dias era ser feliz como nunca foi antes -, então tratou de usar os pensamentos ruins como combustível para ideias idiotas.

E foi aí que surgiu a ideia de se declarar publicamente para Chanyeol. Ele não estava apaixonado por Chanyeol, e era até meio absurdo pensar nisso, já que eles se conheciam por dois dias… Mas as pessoas daquela praça de alimentação não sabiam disso.

Baekhyun assistiu uma série uma vez, onde um personagem subia em cima de uma mesa, um balcão, ou algo parecido. E então ele se declarava para a menina que ele gostava na frente de todo mundo. Mico maior que esse, impossível. Só esperava que Chanyeol não se incomodasse de ser o seu par naquele pequeno teatrinho.

— Gente, com licença. — Baekhyun disse um pouco alto, ficando de pé na cadeira, subindo na mesa logo depois. — Eu quero aproveitar esse nosso momento aqui, já que o mundo tá acabando e tudo mais… — ele continuou, chamando a atenção de boa parte das pessoas que estavam sentadas na mesa em volta dele.

Chanyeol saiu do balcão com a sua bandeja na mão, num timing perfeito para o que estava prestes a acontecer.

— Eu nunca pensei que faria isso em toda a minha vida, mas esses sentimentos que me consomem são mais fortes do que eu. — Baekhyun continuou a falar, vendo que a cada palavra mais rostos se viraram para ele. — Eu estou perdidamente apaixonado. Apaixonado por você, Chanyeol! — apontou para o mais novo, que de início ficou confuso - e tão vermelho que parecia um tomate -, mas logo entendeu qual era a jogada. — Eu sei que a gente só está namorando há dois meses, mas sabe como é… Eu tenho medo de te perder nesse apocalipse.

Chanyeol conseguia ver que Baekhyun estava dando o seu máximo para parecer sério e não desatar a rir ali mesmo, em cima da mesa. Chanyeol queria rir também, mas aquele teatrinho estava tão engraçado - e as pessoas pareciam tão comovidas - que ele resolveu brincar também.

— Eu também preciso expressar o meu amor, Baekkie… — Chanyeol começou, deixando sua bandeja de comida na mesa vazia ao lado, subindo na mesma mesa em que Baekhyun estava de pé.

— Verdade, Channy? — Baek disse com a voz suave, entrelaçando seus dedos pequenininhos nos de Chanyeol. — Porque eu não aguento mais ficar com você sem saber se você quer algo mais. Eu quero casar com você, Chanyeol! — soltou essa última parte fazendo muito esforço para não rir, tanto esforço que ele provavelmente estava tão vermelho quanto o mais alto.

As pessoas em volta - que assistiam a cena muito entretidas - soltaram alguns “awwww” em meio a suspiros, e algumas até falavam que Chanyeol deveria aceitar o pedido.

— Ah, Baekkie… Eu te amo, você sabe que sim. — disse, segurando a mão de Baekhyun, a levando até o seu coração. — Eu realmente te amo, mas eu… Eu estou apaixonado por outro alguém. Eu sinto muito, meu amor, mas acho que não posso casar com você.

Baekhyun - que já não sabia mais como improvisar aquela cena ridícula - soltou um suspiro sofrido, secando lágrimas que nunca existiram de fato.

— Me diga quem é esse outro alguém então, Chanyeol! E por que ele não está aqui com você, e sim eu? Você realmente pretende me trocar por outra pessoa? — exclamou cheio de dor, gritando por dentro com as diferentes reações do seu pequeno público. Alguns diziam que Baek deveria arrumar alguém melhor, enquanto outros diziam que Chanyeol era um otário por não corresponder aos sentimentos do mais velho. Ele era tão bonitinho, abrindo o seu coração daquela forma.

— Não é uma pessoa, meu bem… — Chanyeol suspirou, passando as pontas dos dedos carinhosamente pela bochecha de Baekhyun. — Eu estou apaixonado por um hambúrguer.

Baekhyun soltou outra falsa exclamação, levando as mãos ao peito, quase como se estivesse sentindo dor.

— Não! Não é verdade! É impossível! — disse praticamente em prantos, e então mexeu os lábios em um “me encontra na Saraiva”, pulando de cima da mesa enquanto soltava gritos sofridos.

— Baekhyun, meu amor! Volta pra mim! — Chanyeol gritou, pegando os seus burritos da bandeja antes de sair correndo atrás do amigo.

Os dois se encontraram na loja marcada e desabaram aos risos, dando um high five empolgado enquanto finalmente se sentaram para descansar.

— Cara, eu sempre quis fazer isso! — Baekhyun disse sorridente, pegando um dos burritos da mão de Chanyeol para dar uma mordida.

— E eu sempre quis ser ator por um dia. — Chanyeol respondeu, abrindo o seu próprio burrito.


Notas Finais


E é isso aí! Espero que vocês tenham gostado e pah.
Algum dia eu tomo a coragem do Baek e pulo de paraquedas também (quando o mundo for acabar sepá)
Aaaaanyway. Comentem aí o que vocês acharam, ok?
Eu acho que volto logo.
Um beijo, e até a próxima :D


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