História 1950 - Capítulo 1


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Festa, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - 1950


O dia se encontrava nublado como sempre no Reino Unido, na Universidade de Oxford para ser mais exata. O ano tinha começado bem e sem problemas, e me superei ao ingressar na faculdade antes do fim das vagas. No meio da tarde minhas aulas do estudo da literatura clássica já tinham acabado e eu me encaminhava para meus aposentos. Não passava de velhos dormitórios afastados do campus, os quais se encontravam em estado deplorável. Quando ouvi uma voz me chamar o qual fez eu parar e olhar para trás.

-Espere por mim -Pedia um colega enquanto corria em minha direção.

Minutos depois se encontrava ao meu lado se apoiando em suas pernas respirando fundo na tentativa de recuperar o ar perdido.

-O que foi Carlos? -Perguntei lembrando que nunca tinha direcionado uma palavra sequer para tal.

Carlos era somente um colega da mesma turma, o qual nunca tinha conversado, assim como todos em sua sala. Era quase um homem , poderia nem passar de 1,70, com bom porte físico. Tinha os cabelos loiros bagunçados pela corrida e seus olhos azuis transbordavam uma alegria inocente.  

-Queria perguntar se poderia andar com você até os dormitórios? -Disse quando acabara de se recuperar da corrida.

-Creio que não será um incômodo -Continuei a andar com ele ao meu lado rezando para que não me fizesse nenhuma pergunta.

-Descobri hoje que se acomodava nos dormitórios. Poderia ter falado antes, assim teríamos ido juntos dias atrás -Sua alegria estava começando a embrulhar o meu estômago.

-Sem ser rude, mas prefiro caminhar sozinho -Sem perceber deixei meu lado frio a amostra.

-Sei que irá se acostumar comigo ao seu lado -Ele não tinha se abatido pelo meu lado frio o que fez eu gostar um pouco dele.

Depois ele começou um monólogo e ficou discutindo sobre coisas sozinho, enquanto eu só ouvia os seus delírios. Agradeci a Deus quando cheguei na porta do meu quarto, mas amaldiçoei o inferno quando o vi abrir uma porta dois quartos depois da minha.

-Parece que somos vizinhos -Sorria alegremente antes de fechar a porta.

Entrei no meu quarto e tranquei a porta, detalhe que eu não poderia me esquecer. Primeira coisa que fiz foi tirar aquela roupa social quente e as bandagens que apertavam o meu peito, para não ficar na cara que eu era uma mulher.

Deve estar se perguntando o por que faço isso, tem muitas razões e o básico é que mulheres não são levadas a sério e seria tratada diferente dos demais alunos.

Me joguei na cama amando a liberdade que meu corpo ganhava quando me encontrava sozinha em meu quarto. Me levantei e fui tomar um banho frio. No banheiro pude ver meu estado no espelho em cima da pia, tinha perdido peso, não via mais aquele lindo cabelo ruivo longo e sim um curto, num tom laranja opaco, meus olhos verdes sempre atrás dos óculos sem grau, que usava para parecer mais masculina, estavam sem vida e minha pele estava mais branca que o normal. Se me visse diria que sou um menino muito afeminado ou uma menina muito máscula, tento parecer a primeira opção, mas meus 1,68 não ajudam nem as curvas do meu corpo, as quais escondo com roupas largas. Aprendi a esconder meu lado feminino muito bem e isso facilitara as coisas.

Após o banho, coloquei as bandagens novamente e umas roupas largas. Parei e observei o meu quarto. Era organizado, uma cama, um armário, uma escrivaninha e um banheiro. Ainda lembrava a felicidade por saber que não precisaria dividir o quarto com alguém, pois pegara o único quarto que fora projeto para uma pessoa.

Sentei na escrivaninha e me pus a fazer os vários deveres que o professor passara na aula. Me concentrava numa interpretação de uma carta da época das navegações quando algum ser me interrompe batendo em minha porta. Ignoro as primeiras batidas, mas elas se intensificam e eu me levantei bruscamente indo de encontro a porta a abrindo. Logo vejo uma figura alegre na minha frente esboçando um sorriso.

-Que tal sairmos hoje a noite Alisson? -Falou logo seu objetivo e eu no automático fecho a porta na cara dele.

Não era uma opção sair do meu quarto sem saber para onde ia e nem o que faria, tentaria ao máximo evitar qualquer contato com o mundo exterior. Logo Carlos se voltava a bater na minha porta novamente e contra a minha vontade eu a abri.

-Pare de bater na porta -O repreendi.

-Vamos, não seja anti social ou mal educado batendo a porta na minha cara -Falou humorado.

-Me desculpe pela porta -Percebi meu erro -Não tenho intenções de sair de meu quarto hoje -Já ia fechando a porta novamente quando ele interrompe.

-Nem se eu falar que eu tenho um raro livro da história do Reino Unido -Tirou de trás de suas costas um grosso livro e o colocou em minha frente.

-Esse livro é da história do tratado do Reino Unido -Meus olhos brilharam desejando aquele livro em minhas mãos, quando fui toca-lo Carlos o tira de meu alcance.

-Poderá tê-lo assim que vier comigo -Se pronunciou.

-Isso e golpe baixo, usando um livro como moeda de troca -O olhei.

-Sabia que você não ia resistir ao meu charme -Suspirei de raiva.

-Espera aqui -Disse entrando no meu quarto e trocando de roupa.

Eu tinha um código, eu não poderia deixar um bom livro nas mãos de um idiota qualquer. Espero que seja rápido, não quero ficar muito tempo fora. Sai e ele esperava escorado na parede, eu tranquei a porta e Carlos fez um gesto para que eu o seguisse.

-Para onde vamos? -Perguntei enquanto andávamos no Jardim do campus.

-Vamos numa festa -Disse, o que fez meu estômago dar voltas.

“Espero que esse livro seja realmente bom” Pensei.

Pegamos o seu carro e nos dirigimos para a tal festa, o que era para mim uma provável seção de tortura. Não me dava bem com pessoas, pelo menos não vestida assim. Paramos em frente a uma grande casa. Não fique pensando que uma festa dessa época tinha lá grandes coisas, um jazz, bebidas e pessoas conversando, nada mais e nada menos.

-Quando irá me dar o livro? -Minha impaciência se mostrava em minha voz.

-Quando estiver a fim -Sorriu para mim.

Entramos naquele lugar abafado, a música estava alta e o cheiro de cigarro embriagante. Carlos começou a me apresentar aos seus amigos os quais não dei muita bola, mas uma figura me chamaste atenção. Uma garota uns dois anos mais nova que eu, com seu cabelo loiro amarrado num rabo de cavalo, um pele levemente corada e usava um vestido preto com um laço vermelho. Nossos olhares se cruzaram e suas orbes azuis me lembravam vagamente as de Carlos. Carlos pegou no meu braço e me arrastou até o grupo que ela se encontrava.

-Essa é minha irmã -Apontou para a menina que eu troquei olhares.

-Katherine, mas pode me chamar de Kath -Ela corou levemente e estendeu a mão.

-Alisson, me chame só de Alisson -Apertei a mão dela.

-Sabia que meu amigo aqui só veio porque eu subornei ele com um livro -Falou se escorando em mim.

As pessoas na roda riram achando aquilo engraçado, enquanto eu tentava entender o motivo dos risos.

-Sei que às vezes meu irmão é um idiota, mas é uma boa pessoa -Kath comentou.

-Isso eu não tenho dúvidas, mas eu sei que ele não me faria nenhum mal -Disse tirando o braço do Carlos de mim.

Aguentei durante muito tempo aquela falação, o que me impedia de eu me matar era Katherine que traduzia o que eles falavam e conversava comigo com o breve conhecimento sobre literatura, o qual não era muito extenso já que estudava medicina. Quase surtei de alegria quando Carlos disse que iria embora pois sua ex tinha vindo com seu novo namorado. Nos despedimos do “pessoal” e Kath me deu adeus com um beijo em minha bochecha, no momento não tinha entendido o ato e fiquei confusa, antes que retornasse a mim ela já tinha sumido do meu campo de visão.

Carlos estava visivelmente irritado o que me impedia de eu perguntar sobre o livro. Quando chegamos no campus ele ainda bufava de raiva.

-Toma o seu livro -O jogou na minha direção -Pelo menos um de nós tem que terminar o dia feliz -Disse num tom de dar pena.

Caminhamos silenciosamente pelo Jardim, aquilo estava me matando internamente. Ele tinha sido a primeira, e talvez a única, que fora gentil comigo e mesmo que eu odiasse todo esse drama, eu tinha que fazer alguma coisa.

-Tentarei ser gentil, então não repare na minha falta de prática -Me coloquei na sua frente e ele me olhou tentando entender o que eu iria fazer -Sei que está transtornado por motivos que não entendo, mas lhe digo, sem nenhuma garantia, que as coisas irão melhorar. Posso estar só despejando palavras sem significado, mas eu sei que tristeza leva ao ódio e esse será um caminho obscura que você não irá querer trilhar. Tudo que peço nesse momento, para uma cara que conheço em menos de 24 horas, e que de tempo para o tempo -Estava esperando uma reação negativa, mas seu rosto tinha voltado a inocência de antes.

-Me desculpe te preocupar, agora estou bem melhor -Sorriu como sempre.

Voltamos a andar numa atmosfera menos pesada, cada um foi para o seu quarto. Deveria ir dormir por já estar tarde e ainda teria aula amanhã, entanto minha cabeça não parava, o que fez dar tempo para fazer o meu dever e ler um pouco do livro antes que apagasse de cansaço.



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