História 1950 - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Festa, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - 1950


Acordei com a coluna doendo pelo mal jeito que dormi em cima da escrivaninha. Era cedo, tinha um relógio interno muito bom, então nunca me atrasava para nada. Tomei um banho e me arrumei para ir para a classe, andando calmamente. Noite passada não teve nenhum significado especial, só foi um dia levemente ruim.

Me distraia com o livro que Carlos tinha dado para mim, quando dei de encontro com uma pessoa, fazendo assim derrubar o meu livro e os cadernos da pessoa com quem esbarrara.

-Me desculpe, estava distraída -Se ajoelhou no chão para pegar suas coisas e eu fiz o mesmo.

-Eu que peço desculpas, não tinha minha atenção voltada para frente -Recolhi o meu livro e ajudei a pessoa com seus materiais.

Quando fui devolver suas coisas olhei finalmente para frente e percebi que a pessoa que eu tinha esbarrado era Katherine. Ela também não tinha percebido que era eu e assim que me viu corou.

-E você Alisson! -Concluiu.

-Em carne e osso, bem, mais osso do que carne -Consegui tirar um riso dela.

-Você viu meu irmão? Tenho que entregar uma coisa para ele -Falou com a mesma inocência que continha seu irmão.

-Ele ainda deve estar no dormitório -Disse -Não o vi quando sai.

-Obrigada, foi uma prazer ver você hoje -Sorriu.

-Igualmente -Não tinha o mesmo animo.

Cada um seguiu para o seu caminho, eu voltei minha atenção para frente para não esbarrar em ninguém. Por um curto momento senti olhos sobre mim, mas eu não virei de costas para ver se era só minha imaginação. Na classe, eu sentei no fundo e esperava a aula começar lendo aquele grosso livro. No meu relógio faltava um minuto para as aulas começarem, quando entrou apressadamente Carlos e foi direto para a minha direção sentando do meu lado.

-Por que você não me acordou -Falou esbaforido.

-Tenho cara de despertador? -Ironizei.

-Podia ter pelo menos me dado um toque, acordei com minha irmã me sacudindo -Fazia gestos com as mãos -Ela disse que encontrou com você no caminho.

-Não é mentira -Afirmei.

-Isso é o de menos, deveria ter me avisado e ainda....

Antes que ele continuasse com sua lista de motivos para eu ter acordado ele, o professor entra na sala para o meu alívio. Tivemos nossa aula em completa harmonia, o melhor momento do meu dia. O único momento em que meus problemas não eram significantes e que não era homem ou mulher, e sim um aluno. Era uma sexta feira, o pior dia da semana. Nos concentramos na explicação do professor até o sinal do final do turno tocar, para minha tristeza, e comecei a arrumar minhas coisas para ir embora.

-Então… -Carlos colocou o braço em volta do meu pescoço -Vamos sair hoje também? -Sua alegria era visível.

-Só se você tiver a carta da independência da França no seu bolso -O encarei.

-...Não, mas… -Eu o interrompi.

-Então nem pensar -Tirei seu braço do meu pescoço e fui andando até os dormitórios.

-Vamos lá, eu quero fazer algo para você já que me ajudou ontem -Comentava do meu lado enquanto eu andava.

-É gentil da sua parte, mas temo recusar sua oferta.

-Que tal eu conseguir uma namorada para você -Falou e parece que ele não ouviu uma palavra do que eu disse.

-Eu já respondi que não é preciso isso -Tentei novamente.

-Eu devo conhecer uma ou duas garotas que gostam de homens como você -Continuou a falar.

“Eu desisto, ele não irá me ouvir”

-Faça o que quiser.

-Eu sabia que você iria concordar -Comemorou vitorioso.

-Mas eu não… Argh -Lembrei que seria desperdício de palavras.

Ficou contando seus grandes planos de como eu ia conseguir uma garota em pouco tempo. Fiquei pensando em como seria bom ter uma guilhotina naquele momento, usaria como na revolução francesa. Carlos era como um antigo amigo que eu tive a muitos tempo, e por isso tinha um pouco de ódio dele. Sua alegria estava quase me levando a cometer assassinato, mas aquela figura loira apareceu novamente impedindo que isso acontecesse.

-Kath! -Seu irmão acenou -O que ainda está fazendo aqui?

-Acabei de chegar, vim trazer o livro que você me pediu -Voltei minha atenção para os dois.

-Se não é o meu livro sobre as grandes navegações com mapas e cartas da época -Falou olhando para mim -Então Alisson, ele é seu se você aceitar as minhas exigências.

-Você fará isso novamente?! -Falei incrédula -E como você sabe que gosto de livros? -Era uma pergunta que estava martelando na minha cabeça a um tempo.

-Descobri o seu suborno quando eu vi você dando sua vaga do estacionamento por um velho livro. Então pensei que também faria coisas por esses livros.

-Aquilo foi diferente, eu tinha algo que nunca ia usar e ele tinha algo que me interessava -Expliquei -E o que você estava fazendo me observando?

-Nada disso, eu vi por acaso.

-Tanto faz -Massageie as têmporas- Diga o que você quer para acabarmos logo com isso -Kath nos observava como estivesse vendo algo muito engraçado e tenho que admitir que apreciamos duas crianças discutindo.

-Vira comigo num bar mais tarde e ira conhecer algumas garotas do curso de letras.

-Conhecer algumas garotas? -Katherine perguntou -Como assim?

-Eu vou arranjar uma namorada para meu amigo aqui -Carlos respondeu.

-Desde quando virei seu amigo? -Perguntei.

-Desde do momento que eu o chamei de meu amigo! -Falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

-Hum… -Kath soou um pouco indiferente.

-Farei um trato com você, mas não garanto nada -Queria acabar logo com aquilo.

-Trato feito então -Apertamos as mãos.

Cada um seguiu para seu quarto. Kath acompanhou seu irmão, parece que eles tinham assuntos pendentes. Comecei a pensar em jeitos de me safar de qualquer abordagem possível que aconteceria, minhas táticas eram frias e bem pensadas, não ficaria com ninguém essa noite. Voltei minha atenção para o livro anterior que tinha me dado, o qual eu já estava no meio, mal podia esperar para pegar o próximo. Todos os livros que eu ganhava ou comprava eu colocava em baixo da cama, e podemos dizer que eles já não cabiam lá.

“Tenho que comprar uma estante urgentemente” -Pensei olhando para aquele amontoado de livros em baixo da minha cama sentada na cadeira “Aquela bruxa que chamo de ‘mãe’ não ira me dar um centavo se quer, ela já paga minha faculdade com muito desgosto” -Lembrei daquela velha que meu pai se casou depois que minha verdadeira mãe morreu “Droga! Vou ter que arrumar um emprego”

Me espreguicei na cadeira da escrivaninha, deixando só dois pés da cadeira no chão e as outras no ar, quanto ouvi batidas na porta, me distraindo e resultando na minha queda.

-Merda -Xinguei no chão.

Tinha batido minha perna na mesa com muita força e o lugar do impacto estava doendo muito. Andei mancando até a porta amaldiçoado a pessoa que tinha batido na minha porta, ao abrir a porta aquela figura esbelta estava em pé na minha frente.

Pov. Katherine

Tinha batido na porta e logo em seguida ouvi um estrondo dentro do quarto. Fiquei preocupada, mas a porta se encontrava trancada, então nada poderia fazer. Quando finalmente abriu, aquele pessoa pálida por não sair muito do quarto com seus cabelos ruivos bagunçados e um pouco mais alto que apareceu na porta, ele se apoiou na porta e me mandou um olhar frio que arrepiou minha epiderme.

-O que desejas? -Falou num tom mais frio que o normal.

-Meu irmão pediu o seu caderno emprestado, ele disse que quer fazer todos os deveres antes de ir para o bar -Expliquei o motivo de eu aparecer de repente. Era para Carlos vir, mas eu falei que eu poderia fazer isso.

-Virou pombo correio dele? -Percebia que ele não estava de bom humor.

-Não, só estou devendo uma para ele -Sorri, nossa família era boa em acalmar as pessoas com um sorriso.

-...Esta bem, espere aqui -Parece que meu truque tinha funcionado.

Quando andou para dentro do quarto ele foi mancando. “Ele não mancava antes” -Observei dentro do quarto, havia uma cadeira caída e ainda não tinha sido levantada. Ele se direcionou para uma gaveta da escrivaninha e pegou um caderno de lá dentro, voltou para minha direção, mas ele não percebeu o pé da cadeira no seu caminho o fazendo tropeçar. Alisson iria cair e sem perceber eu me mexi para segura-lo, na minha cabeça eu pensei que não era uma boa ideia já que ele era um garoto e consequentemente era mais pesado que eu, mas já era tarde e eu fui em sua direção o segurando. Me preparei para nós dois cairmos no chão, mas para minha surpresa ele era extremamente leve. Percebeu que eu o segurava e sem nenhuma delicadeza se pós de pé.

-Obrigado -Se ajeitou -Me desculpe por isso.

-Eu que devo me desculpar, parece que eu causei sua queda -Concluí, já que o estrondo aconteceu depois de eu bater.

-Tudo bem, devo ter caído de amores por você -Brincou, mas senti meu rosto esquentar -Me de um momento para ver o estado da minha perna -Ele se se sentou na cama -Fique a vontade.

-Claro -Eu levantei a cadeira e sentei nela.

Alisson levantou a barra da calça deixando um pouco sua perna a amostra e continha uma vermelhidão na parte do tornozelo.

-Deixa eu dar uma olhada -Me pronunciei chegando mais perto. Observei que aquela vermelhidão iria virar um hematoma -Coloque gelo e vai ficar tudo bem.

-Obrigado pela dica -Ele pegou o caderno que tinha caído no chão na queda -Bom, aqui está o caderno, te vejo depois -Me entregou. Sai do quarto e virei para a porta. Ele olhou para mim depois passou a mão no cabelo o bagunçando mais ainda -Não se incomode com meu mal humor, às vezes posso ser bem ranzinza. Por isso, obrigado por ser paciente -Deu um sorriso de lado.

Meu coração errou uma batida e minha mente ficou em branco. Não conseguia formar uma frase e assim eu sai dali sem dizer uma palavra.

Meus pensamentos ainda estavam confusos enquanto eu andava pelo jardim do campus e tinha esquecido completamente de dar o caderno para meu irmão. Eu parei bruscamente no meio do jardim e pensei comigo mesma.

“Eu acho que estou gostando dele”



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