História 1950 - Capítulo 7


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Festa, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - 1950


Pov. Katherine

Eu observava o céu carmesim quando ouvi um soluço, me virei e me deparei com uma Liss em lágrimas. Entrei em pânico, antes que pudesse fazer alguma coisa ela se levantou e saiu correndo. Eu fiquei lá, sem reação alguma.

-Kath -Stacy falou de repente me dando um susto -Calma aí, não era minha intenção assusta-lá.

-Tudo bem, você me pegou desprevenida -Me levantei para olha-la melhor.

-Você viu a Ali… a Liss por ai? não estou a encontrando.

-Ela acabou de sair daqui... chorando -Disse pensativa.

-O que!? -Ela arregalou os olhos e começou a me chacoalhar -O que você fez?

-Eu não fiz nada. Ela passou mal e eu trouxe ela para fora quando vi ela estava chorando...-Finalmente tinha acordado -Ela estava chorando! -Agora era minha vez de chacoalhar Stacy -Você sabe onde ela possa ter ido?

-Eu não sei, talvez pro dormitório -Quando ela acabou de falar peguei um táxi e fui direto para o campus.

Chegado eu andei apressadamente até me encontrar na frente do quarto do Alisson e comecei a bater na porta.

-Liss! Liss! -Fiquei assim até que ouve uma resposta.

-Vá embora -Ela falou fria do outro lado da porta.

-O que aconteceu? Converse comigo.

-Não temos nada para conversar, então me deixe em paz.

-Abra a porta e me explique qual é o problema.

-Quer saber o problema? -Sua voz era embargada, ela estava chorando -Você é o meu problema! -Levei um susto com a resposta.

-O que foi que eu fiz?

-Você me traz más memórias, agora que já sabe, vá embora!

-Não irei embora até abrir essa porta.

-Então fique ai fora.

Eu ainda insisti por um tempo, mas ela me ignorou completamente. Eu sentei no chão e me encostei na porta.

-Uma hora você terá que sair -Falei uma última vez e bufei de raiva no chão sem nenhuma resposta.

“O que eu fiz para te trazer tanta raiva?”

Tinha acordado numa cama que não era minha e um quarto que não era meu, me levantei bruscamente até sentar na cama e observar o local. Alisson estava sentado de costas para mim na escrivaninha escrevendo alguma coisa quando ele se vira na minha direção.

-Você acordou -Esboçou um leve sorriso.

-O que aconteceu? -Me pus a arrumar o cabelo com as mãos enquanto ficava vermelha por me encontrar naquela situação. -Encontrei você dormindo na frente do meu quarto, como Carlos ainda não tinha chegado coloquei você na minha cama -Falou calmamente. Eu olhei para o lado e vi a cesta de lixo com um vestido rasgado, o mesmo que Liss usava, na hora lembrei o que estava fazendo.

-Onde está Liss? Preciso falar com ela -Ele virou a cadeira para a escrivaninha.

-Ela foi embora faz tempo -Suspirou pesadamente -Ela disse para não se preocupar que logo ela voltaria a ficar bem -Ele se virou para mim novamente -Então esqueça o que aconteceu -Eu fiquei um tempo o observando até que perguntei.

-O que aconteceu para ela ficar daquele jeito? -Ele olhou frio, mas depois fechou os olhos e Suspirou.

-Nem e...ela sabe exatamente, não se lembra de todos os detalhes -Falou ainda de olhos fechados -Tudo que lembra é que uma pessoa a enganou, arrancou o coração do seu peito e o jogou no lixo -Ele abriu os olhos e colocou a mão no peito como se sentisse a dor -Depois disso nada mais foi o mesmo -Eu abri a boca algumas vezes sem saber o que dizer.

-E por que eu trago a tona más memórias a ela? -Finalmente questionei.

-Não sei exatamente -Cruzou os braços -Mas deve ser porque você realmente faz parte do passado dela -Seus olhos estavam levemente vermelhos e parecia cansado.

“Parece que ele também andou chorando” -Senti um aperto no peito.

-É melhor você ir e também não quero que Carlos pegue a senhorita no meu quarto -Ele levantou e abriu a porta, eu sai e logo a porta atrás de mim se fechou.

Eu segui meu caminho para o meu dormitório sem me preocupar com a escuridão da noite. Sem perceber já me encontrava dentro do dormitório quando uma Lauren irritada entra no meu caminho.

-Onde esteve todo esse tempo? Eu estava começando a ficar preocupada, você estava na festa e bum… desapareceu. Tenho certeza que tem dedo de Stacy nisso -Falou quase soltando fogo pelas ventas -Aquela peste ainda teve que trazer aquela estranha que estragou meus planos com os meninos. Desembucha logo onde você estava -Ela parou finalmente de falar.

-Eu tive que sair para resolver um assunto -Dei um sorriso forçado.

-Sei -Me olhou dos pés a cabeça -Tá com cara de quem fez coisa que não devia.

-Eu? Nunca -Ela me olhou uma última vez e voltou para seu quarto. Eu segui para o meu e desabei na cama.

*~*~*

Os dias passaram e nem sinal do Alisson e muito menos da Liss. Stacy disse para deixa-lo em paz por enquanto, o meu irmão me contara que o Alisson só ia as aulas e para as provas do bimestre, fora isso ele não tinha saído do seu quarto momento algum, nem quando Carlos batia incansavelmente em sua porta. Quando as provas acabaram veio em seguida o recesso e as chances de ver Alisson diminuíram para -10%.

-Droga de bebedouro -Disse numa falha tentativa de beber água.

Tinha perdido de 10 a 0 pro bebedouro, ainda mais que na raiva dei um tapa no mármore e doeu mais em mim do que nele.

-Desisto -Me retirei alegando minha derrota -Não queria beber água mesmo -Sai de Oxford.

Sentei num banco longe da universidade e observei o céu nublado. Todos estavam  cansados de estudar de última hora para as provas e quase ninguém queria sair dos seus quartos, ainda. Eu tive o azar de ter esquecido de fazer um trabalho e levantei da minha cama quentinha, numa terça e com cara de que ia chover só pra entregar alguns papéis. Eu pensava o que Alisson estaria fazendo naquele momento e como mágica eu o avistei num banco mais afastado lendo um livro. Pisquei algumas vezes sem acreditar nos meus olhos e rapidamente me levantei indo em sua direção. Quando cheguei nele não consegui falar nada e só o admirei a uma curta distância. Seus cabelos bagunçados, sua expressão calma atrás dos óculos concentrado nas palavras do livro e estava de pernas cruzadas, ele não era o homem mais másculo, mas algo nele me chamava tanta atenção e eu não conseguia desviar minha atenção dele. Num ato involuntário eu suspirei alto, ele calmamente se virou e se assustou quando me viu, parecia uma criança sendo pega fazendo coisa errada.

-Katherine… -Ajeitou os óculos no rosto -O que faz aqui?

-Eu queria perguntar isso primeiro -Me sentei ao seu lado -Eu vim entregar um trabalho e você?

-Eu aproveitei o tempo sem sol e sai do meu quarto para tomar um pouco de ar puro -Fechou o livro na sua mão -Eu realmente gosto desse céu fechado.

-Me lembra os raros dias que ficavam nublados em Holmer Green  -Antes que me desse conta as palavras saíram da minha boca.

“Droga Katherine, você sabe que ele não gosta daquele lugar e ainda fala dele. Eu e minha boca grande”

-Tenho que admitir que eram os melhores dias de Holmer Green -Sorriu fraco.

E em seguida um silêncio constrangedor pairou entre nós, quando senti uma gota cair em meu rosto. Olhei para cima e nesse exato momento caiu um dilúvio sobre nossas cabeças. Rapidamente saímos daquele lugar a procura de algo que impedisse a chuva de nos molhar mais e a uma curta corrida encontramos um lugar coberto. Eu me abraçava numa tentativa de me aquecer, Alisson percebendo isso tirou seu terno e colocou nos meus ombros.

-Isso vai lhe esquentar um pouco -E se posicionou na minha frente impedindo do vento bater em mim.

Seus óculos tinham ficado embasados por causa da umidade impedindo que eu contemplasse seus orbes verdes, seus rosto fino estava a pingar por conta dos cabelos molhados  e o ar quente da sua respiração formavam pequenas nuvens. Ele passava os dedos nas lentes na tentativa de tirar o embaçado, mas só piorava a situação.

-Posso limpar seus óculos? -Perguntei percebendo que ele não conseguiria ver nada.

-Se não for incomodo.

Eu tirei os óculos do seu rosto cuidadosamente e o comecei a limpar com um lenço que sempre levava no bolso. Quando eu ia devolver os óculos vi pela primeira vez seu rosto sem eles e tão perto. Era tão feminino, sua pele era tão clara e seus olhos… tão familiares. Pus devagar seus óculos sem tirar meus olhos dos dele.

-Você parece tanto com sua irmã -Pensei alto e de repente ele ficou mais branco.

-Haha, e mesmo? -Afrouxou a gravata -Deve ser porque somos irmãos?!

-Deve ser mesmo -E continuei a olha-lo.

A chuva gradualmente foi diminuindo até parar completamente, ele logo se afastou-se e passou a mão em seus cabelos molhados.

-A chuva finalmente cessou, podemos cada um seguir para seu caminho agora -Falou com uma leve expressão que quase esboçava um sorriso, ia se dirigindo para sua direção quando o impeço segurando a manga de sua camisa.

-Espere -Se virou para mim com sua calma expressão -Você me ajudou a me proteger da chuva, devo pelo menos lhe oferecer uma bebida quente -O ofereci.

-Não é necessário, só fiz o que qualquer um faria.

-O que eu duvido muito de alguns estudantes e além do mais, eu insisto -Puxei um pouco mais sua manga. Suspirou em derrota.

-Se você insiste, quem sou eu para negar tal pedido.

Soltei sua manga e comemorei internamente minha vitória. O fiz me seguir até uma pequena lanchonete na parte mais afastada da zona comercial, um lugar bem humilde chamado “Pround Larry’s” o qual eu conheço o dono do local. Entramos e nos acomodamos numa mesa do lado da janela, a lanchonete quase se encontrava vazia a não ser por um casal no fundo, um velho senhor apreciando seu café e os funcionários do recinto, que eram uma garçonete e o cozinheiro. A garçonete rapidamente fez questão de atender nossos pedidos com um sorriso simpático em seu rosto.

-O que vão querer? -Perguntou no seu uniforme azulado.

-Um chocolate quente, por favor -Ela anotou no seu pequeno bloco e voltou-se para Alisson.

-Café seria uma boa pedida -A moça anotou seu pedido.

-Aguarde um momento -Disse e se retirou.

Minha atenção foi para o lado de fora da lanchonete. As ruas cobertas de poças, uma fraca garoa que começava a se formar e algumas pessoas se arriscavam andando naquele tempo frio.

-Sabe, foi num tempo assim que conheci sua irmã -Me virei e Alisson me olhava atentamente -Eu tinha acabado de brigar com meus pais, quando andava por uma praça vi uma garota lendo um livro e ela parecia tão contente. Eu me sentei ao seu lado e repentinamente a perguntei o motivo da sua felicidade num dia tão cinzento em épocas tão obscuras. Sabe o que ela respondeu? -O questionei.

-Atrás das nuvens cinzentas o céu ainda é azul e que mesmo em tempos sombrios ainda existe luz -Falou como se repetisse uma memória.

-Exatamente. Percebi que tudo em algum momento ficaria bem, que era só questão de tempo, exigia um pouco de paciência e que no final ficaria tudo bem. Depois disso eu nunca mais vi as coisas pelo lado negativo.

-Mas esse conto de fadas não durará muito tempo -Ele se pronunciou e seu olhar era gélido.

Antes que eu o questionasse a garçonete aparece colocando nossos pedidos sobre a mesa. Ele envolve a caneca nas mãos desviando seu olhar do meu.

-O que você quer dizer com “conto de fadas”? -Perguntei quando a moça se afastou de nossa mesa.

-Você sabe muito bem que nem tudo tem seu lado positivo e que as vezes temos que viver nessa escuridão para não nos machucarmos mais -Explicou olhando para a janela.

-Isso soa bem covarde -Ele voltou-se para mim -Você estaria simplesmente aceitando tudo de cabeça baixa. Não seria um conto de fadas, mas uma luta pela sua própria felicidade.

-Ainda me parece tolice -Discordou -Não se luta em guerras que não pode vencer. Você está se agarrando a uma mentira, nem sempre à luz na escuridão.

-Está insinuando que o que sua irmã disse não passa de bobagens -Cruzei os braços -E que tudo que eu acredito não passa de meros delírios?

-Também não é bem assim -Passou as mãos no rosto.

-Então que ela simplesmente falou loucuras e que ela é louca? -Falei um pouco alto.

-Não… -Se escondia atrás de suas mãos.

-Então o que você acha da sua irmã? Me diga!

-Uma completa imbecil!-Se levantou de sua cadeira, as pessoas nos olharam e Alisson voltou a se sentar -O que ela te disse foram palavras doces de uma jovem apaixonada, não deveria levar tão a sério. Uma hora ela percebeu que o que disse foi bobagem e que nem tudo tem lado positivo.

-Mas eu não acho -O contrarie novamente -Eu penso que ela ainda pensa do mesmo jeito, mas se nega a voltar a acreditar -O olhei pensativa -Deve ser por causa da coisa ruim que aconteceu com ela no passado.

-Deve ser isso mesmo -Olhou para seu café -Deve ser...

Não falamos mais nada depois dessa conversa, ele parecia muito envolvido nos seus próprios pensamentos e eu tentando não pensar no problema dos outros. O tempo passou e chegou o momento de nos separarmos.

-Obrigado por tudo, mas agora tenho que ir -Disse com seu terno dobrado no seu braço.

-Espere um momento -Se virou me encarando -Me desculpe por aquilo mais cedo, às vezes eu exagero quando defendo algo que eu acredito -Desviei do seu olhar envergonhada e ele colocou sua mão em meu ombro.

-Está tudo bem, eu exagerei também e além do mais você é uma das raras pessoas que ainda é tão inocente  -Sorriu de lado -Por isso a acho tão interessante.

Eu tenho certeza que estava vermelha igual a um tomate pela repentina frase que me pegaste de surpresa. Ele se despediu e foi embora, eu voltei para o campus pelo mesmo caminho que fiz para ir na lanchonete. Ao longe avistei o banco que Alisson estava sentado e em cima dele estava o livro que ele lia todo molhado. Eu fui até lá me perguntando o por que dele ter deixado o livro, o peguei e li a capa.

“Romeu e Julieta - Uma tragédia romântica”

Fim Pov. Katherine


Notas Finais


Não acredito que teve gente que gostou da fic. Eu pensei que só eu ia ler isso kkkkk Valeu gente vcs são divos


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