História 1977 Lendo Harry Potter e a Pedra Filosofal. - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Harry Potter, Hermione Granger, Personagens Originais, Ronald Weasley
Exibições 152
Palavras 5.045
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoal...

Voltei, como vocês me pediram tanto, segue o segundo e último capítulo de hoje....

Boa Leitura!!!

Capítulo 4 - Capítulo 3 - As Cartas de Ninguém.


Fanfic / Fanfiction 1977 Lendo Harry Potter e a Pedra Filosofal. - Capítulo 4 - Capítulo 3 - As Cartas de Ninguém.

-Capítulo 3 - As cartas de Ninguém. - Frank leu.

-Como assim cartas de ninguém? - Lílian perguntou confusa.

-Bem, eu iria dizer que era a de Hogwarts, porém é apenas uma carta. - Tiago falou pensativo.

-Acho melhor eu começar a ler. - Frank falou.

A fuga da jiboia brasileira rendeu a Harry o seu castigo mais longo. Na altura em que lhe permitiram sair do armário, as férias de verão já haviam começado e Duda já quebrara a nova filmadora, acidentara o aeromodelo e, na primeira vez que andara na bicicleta de corrida, derrubara a velha Sra. Figg quando ela atravessava a rua dos Alfeneiros de muletas.

-Garoto mimado. - Lílian falou brava.

Harry ficou contente que as aulas tivessem acabado, mas não conseguia escapar da turma de Duda, que visitava a casa todo dia. Pedro, Dênis, Malcolm e Górdon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder.

-É sem dúvida uma excelente forma de escolher um líder. - Tiago irônico.

-Achei que você e seu grupo de idiotas tinham escolhido assim. - Snape falou venenoso.

-E você e os Comensais da Morte escolheram da mesma forma. - Harry falou antes que o pai pudesse responder.

Lílian olhou primeiro para Harry e depois para Snape, olhar que ela deu para Snape era de decepção e Snape ao ver o olhar de Lílian ficou em silêncio de cabeça baixa. Walburga não gostou nem um pouco da fala do garoto Potter e olhou friamente para ele.

Os demais ficavam bastante felizes de participar do esporte favorito de Duda: perseguir Harry.

Por esta razão Harry passava a maior parte do tempo possível fora de casa, perambulando e pensando no fim das férias, no qual conseguia vislumbrar um raiozinho de esperança. Quando setembro chegasse ele iria para a escola secundária e, pela primeira vez na vida, não estaria em companhia de Duda. Duda tinha uma vaga na antiga escola de tio Válter, Smeltings. Pedro ia para lá também. Harry, por outro lado, ia para a escola secundária local. Duda achava muita graça nisso.

-Não vejo nenhuma graça nisso. - Sirius falou bravo, porém Harry segurou a risada e curioso Frank voltou a ler.

– Eles metem a cabeça dos garotos no vaso sanitário no primeiro dia de escola – contou ele a Harry –, quer ir lá em cima praticar?

-Não ouse tocar um dedo nele. - Tiago gritou furioso.

Porém Harry riu e Tiago olhou para o filho sem entender.

– Não, obrigado – respondeu Harry. – O coitado do vaso nunca recebeu nada tão horrível quanto a sua cabeça, é capaz de passar mal. – E correu antes que Duda conseguisse entender o que dissera.

-Esse é o meu filho. - Tiago falou rindo, assim como todos no Salão Principal.

-E o meu afilhado. - Sirius falou tão orgulhoso quanto Tiago.

Certo dia de julho, tia Petúnia levou Duda a Londres para comprar o uniforme da Smeltings e deixou Harry com a Sra. Figg. A Sra. Figg não estava tão ruim quanto de costume. Afinal, fraturara a perna porque tropeçara em um dos gatos e não parecia gostar tanto deles quanto antes.

-Acho que ela começou a perceber a verdade sobre esses bichos. - Sirius falou e seus amigos riram.

Deixou Harry assistir à televisão e lhe deu um pedaço de bolo de chocolate que pelo gosto parecia ter muitos anos.

Naquela noite, Duda desfilou para a família reunida na sala de estar vestindo o uniforme novo da Smeltings. Os alunos da Smeltings usavam casaca marrom-avermelhada, calções cor de laranja e chapéus de palha. Carregavam também bengalas nodosas, que usavam para bater uns nos outros quando os professores não estavam olhando. Isto era considerado um bom treinamento para o futuro.

Ao contemplar Duda nos calções laranja novos, tio Válter disse com a voz embargada que aquele era o momento de maior orgulho em sua vida. Tia Petúnia rompeu em lágrimas e disse que não podia acreditar que era o seu Dudinha, estava tão bonito e adulto. Harry não confiou no que poderia dizer. Achou que duas de suas costelas talvez já tivessem partido só com o esforço para não rir.

Ninguém conseguiu ficar sério depois de ouvir isso, foram precisos longos minutos para que Frank pudesse voltar a ler.

Havia um cheiro horrível na cozinha na manhã seguinte quando Harry entrou para o café da manhã. Parecia vir de uma grande tina de metal dentro da pia. Ele se aproximou para espiar. A tina aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam em água cinzenta.

– O que é isso? – perguntou à tia Petúnia. Os lábios dela se contraíram como costumavam fazer quando ele se atrevia a fazer uma pergunta.

– O seu uniforme novo de escola – respondeu.

-O que? - Tiago e Lílian perguntaram juntos com raiva.

-Está tudo bem. - Harry falou acalmando os pais.

Harry espiou para dentro da tina outra vez.

– Ah – comentou –, eu não sabia que tinha que ser tão molhado.

Várias pessoas abafaram o riso.

– Não seja idiota – retorquiu tia Petúnia com rispidez. – Estou tingindo de cinzento umas roupas velhas de Duda para você. Vão ficar iguaizinhas às dos outros quando eu terminar.

-As suas roupas também vão ficar iguaizinhas, quando eu fizer a mesma coisa com elas Petúnia. - Lílian falou friamente.

Harry tinha sérias dúvidas, mas achou melhor não discutir. Sentou-se à mesa e tentou pensar na aparência que teria no primeiro dia de aula – como se estivesse usando retalhos de pele de elefante velho, provavelmente.

Lílian segurou a mão de Harry.

Duda e tio Válter entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro do novo uniforme de Harry. Tio Válter abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado.

-E eu achando que ele não podia ficar mais idiota. - Sirius falou.

Ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.

– Apanhe o correio, Duda – disse tio Válter por trás do jornal.

– Mande o Harry apanhar.

– Apanhe o correio, Harry.

– Mande o Duda apanhar.

– Cutuque ele com a bengala da Smeltings, Duda.

Lílian lançou um olhar de puro ódio para Dumbledore, para ela o culpado de tudo isso era ele.

Harry se esquivou da bengala da Smeltings e foi apanhar o correio. Havia três coisas no capacho: um postal da irmã do tio Válter, Guida, que estava passando férias na ilha de Wight, um envelope pardo que parecia uma conta e – uma carta para Harry.

Harry apanhou-a e ficou olhando, o coração vibrando como um elástico gigante. Ninguém, jamais, em toda a sua vida, lhe escrevera. Quem escreveria? Ele não tinha amigos, nem outros parentes – não era sócio da biblioteca, de modo que jamais recebera sequer os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros. Contudo, ali estava, uma carta, endereçada tão claramente que não podia haver engano.

Sr. H. Potter
O Armário sob a Escada
Rua dos Alfeneiros 4
Little Whinging
Surrey

-Hogwarts. - Tiago falou aliviado, pelo menos assim seu filho não sofreria nas mãos dos trouxas.

O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo.

-O que é um selo? - um aluno puro sangue da Corvinal perguntou confuso.

Os alunos nascidos trouxas deram de ombros, pois eles sabiam que os puro sangues não conseguiriam entender se eles só explicassem.

Quando virou o envelope, com a mão trêmula, Harry viu um lacre de cera púrpura com um brasão; um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra “H”.

Muitos sorriram.

– Anda depressa, moleque! – gritou tio Válter da cozinha. – Está fazendo o quê, procurando cartas-bombas? – E riu da própria piada.

-Era uma piada? - muitos perguntaram surpresos.

Harry voltou à cozinha, ainda de olhos fixos na carta. Entregou a conta e o postal ao tio Válter, sentou-se e começou a abrir lentamente o envelope amarelo.

Tio Válter rasgou o envelope da conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.

– Guida está doente – informou à tia Petúnia. – Comeu um marisco suspeito…

Harry? - Ariane perguntou através da ligação mental que eles tinham.

O que foi? - Harry perguntou mentalmente.

Como está a leitura aí? - Ari perguntou.

Eles estão na parte em que começo a receber as cartas de Hogwarts. - Harry explicou.

Ainda? Que Droga, eu quero ir logo para aí, tem de todas as formas achar uma maneira de ir antes, porém não encontrei nenhum. - Ari falou chateada.

Eu não tenho culpa, se só te conheci na plataforma. - Harry respondeu.

Eu tenho que ir, Hermione está tentando acalmar Molly, ela quase surtou quando você desapareceu e até cancelou o casamento. - Ari falou.

Me sinto culpado. - Harry falou, se sentia péssimo por o casamento de Gui e Fleur ter sido cancelado por culpa dele.

Não se preocupe, a gente cuida dela e Gui e Fleur não estão te culpando, na verdade a ideia de cancelar o casamento hoje e o fazer em outro dia, foi deles. - Ari falou. - Tenho que ir, Hermione já está ficando desesperada. Até logo.

E Harry já não sentia mais a presença de Ari em sua mente, então se concentrou na leitura.

– Pai! – exclamou Duda de repente. – Pai, Harry recebeu uma carta!

Harry ia desdobrar a carta, escrita no mesmo pergaminho grosso que o envelope, quando tio Válter arrancou-a de sua mão.

– É minha! – disse Harry, tentando recuperá-la.

– Quem iria escrever para você? – zombou tio Válter, sacudindo a carta com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo-a com o olhar. Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido do que um sinal de tráfego. E não parou aí. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.

-Nojento. - vários alunos falaram com uma careta.

– P-P-Petúnia! – ofegou.

Duda tentou agarrar a carta para lê-la, mas tio Válter segurou-a no alto fora do seu alcance. Tia Petúnia apanhou-a cheia de curiosidade e leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu um ruído de engasgo.

– Válter! Ah, meu Deus, Válter!

-Um pouquinho dramática. - Alice falou.

Eles se encararam, parecendo ter esquecido que Harry e Duda continuavam na cozinha. Duda não estava acostumado a ser desprezado. Deu uma bengalada forte na cabeça do pai.

– Quero ler esta carta – falou alto.

– Quero lê-la – disse Harry, furioso –, porque é minha.

– Saiam, os dois – ordenou com voz rouca tio Válter, enfiando a carta no envelope.
Harry não se mexeu.

– QUERO MINHA CARTA! – gritou.

-Ai. - Tiago falou e então olhou para a namorada. - Ele tinha que ter puxado esse seu lado.

Lílian fez uma careta, porém acabou sorrindo e abraçando o filho. Izabella, Sirius, Remo, Frank e Alice começaram a rir, afinal eles sempre assistiam aos gritos de Lily de camarote.

– Me deixa ver! – exigiu Duda.

– FORA! – berrou tio Válter, e agarrando os dois, Harry e Duda, pelo cangote atirou-os no corredor e bateu a porta da cozinha. Harry e Duda na mesma hora tiveram uma briga furiosa, mas silenciosa, para saber quem ia escutar à fechadura; Duda ganhou, por isso Harry, os óculos pendurados em uma orelha, deitou-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão.

– Válter – disse tia Petúnia com voz trêmula –, olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde ele dorme? Você acha que estão vigiando a casa?

Vários alunos rolaram os olhos pelo drama que esses trouxas estavam fazendo.

– Vigiando, espionando, talvez nos seguindo – murmurou tio Válter enlouquecido.

– Mas o que vamos fazer, Válter? Vamos responder à carta? Dizer a eles que não queremos…

Harry via os sapatos pretos lustrosos do tio Válter andando para cá e para lá na cozinha.

– Não – disse ele, decidido. – Não, vamos ignorá-la. Se não receberem uma resposta... É, é o melhor... não vamos fazer nada…

-Essa com toda certeza foi a pior decisão a se tomar. - Flitwick falou com um meio sorriso.

Vários alunos olharam sorrindo para o livro, ainda mais quando Harry sorriu.

– Mas…

– Não vou ter um deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando o recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?

-Toque nele e eu mato você. - Tiago falou raivoso.

Aquela noite, quando voltou do trabalho, tio Válter fez uma coisa que nunca fizera antes; visitou Harry no armário.

– Cadê minha carta? – perguntou Harry, no instante em que tio Válter se espremeu pela porta. – Quem me escreveu?

– Ninguém. Endereçaram a você por engano – disse tio Válter secamente. – Queimei a carta.

– Não foi um engano – retrucou Harry com raiva –, tinha o endereço do meu armário.

– CALADO! – gritou tio Válter e algumas aranhas caíram do teto. Ele inspirou algumas vezes e então fez força para produzir um sorriso que pareceu bem penoso. – Hum, sim, Harry, sobre este armário. Sua tia e eu estivemos pensando... você realmente está ficando grande demais para ele... achamos que seria bom se você se mudasse para o segundo quarto de Duda.

-Segundo quarto? - Lílian perguntou olhando para o filho.

-Quantos quartos tem na casa? - Izabella perguntou.

-Quatro. - Harry respondeu baixinho.

-E porque você dormia no armário embaixo da escada? - Tiago perguntou.

-Por que o segundo quarto era do Duda. - Harry respondeu sem olhar para ninguém.

Sirius controlou a raiva o máximo que pode e então falou.

-Para compensar por isso você irá ter dois quartos, um na casa do Tiago, logicamente e um na minha, vão ser quartos bem grandes decorados do jeito que você quiser. - Sirius falou olhando para o afilhado.

-E um na minha casa, também. - Remo falou sorrindo para Harry.

Harry levantou a cabeça e olhou para sua verdadeira família e sorriu para eles, era tão bom estar ali.

– Por quê? – perguntou Harry.

– Não faça perguntas – disse com rispidez o tio. – Leve essas coisas para cima agora.

A casa dos Dursley tinha quatro quartos: um para tio Válter e tia Petúnia, um para hóspedes (em geral a irmã de tio Válter, Guida), um onde Duda dormia e um onde Duda guardava todos os brinquedos e pertences que não cabiam no primeiro quarto. Harry precisou de apenas uma viagem para mudar tudo o que tinha do armário para o quarto no andar de cima. Sentou-se na cama e deu uma olhada à sua volta. Quase tudo ali estava quebrado. A filmadora com apenas um mês de uso estava jogada em cima de um pequeno tanque com que certa vez Duda atropelara o cachorro do vizinho; no canto estava o primeiro televisor de Duda, no qual ele enfiara o pé quando seu programa favorito fora cancelado; havia uma grande gaiola de pássaros, antigamente habitada por um papagaio que Duda trocara na escola por uma espingarda de ar de verdade, e que estava guardada numa prateleira com a ponta dobrada porque Duda se sentara em cima dela. Outras prateleiras estavam cheias de livros. Eram as únicas coisas no quarto que pareciam nunca ter sido tocadas.

-O porquinho sabe ler? - Will, um aluno do quinto ano da Lufa - Lufa perguntou surpreso.

-Acho que não. - Harry respondeu pensativo.

Lá de baixo veio o barulho de Duda gritando com a mãe:

– Eu não quero ele lá... eu preciso daquele quarto... mande ele sair.

Harry suspirou e se esticou na cama. Ontem ele teria dado qualquer coisa para estar ali. Hoje, preferia estar no seu armário com aquela carta a ali em cima sem ela.

Na manhã seguinte, no café, todos estavam muito quietos. Duda estava em estado de choque. Berrara, batera no pai com a bengala, vomitará de propósito, dera pontapés na mãe e atirara sua tartaruga pelo teto da estufa de plantas e nem assim conseguira o quarto de volta. Harry pensava no dia anterior àquela hora, desejando com amargura que tivesse aberto a carta no hall. Tio Válter e tia Petúnia se entreolharam, ameaçadores.

-A cada capítulo esse menino fica ainda pior. - Molly falou chocada com o comportamento de Duda.

Quando o correio chegou, tio Válter, que parecia estar tentando ser agradável com Harry, fez Duda ir buscá-lo. Eles o ouviram bater nas coisas do corredor com a bengala da Smeltings. Então ele gritou:

– Chegou outra! Sr. H. Potter, O Menor Quarto da Casa, Rua dos Alfeneiros 4…

Com um grito sufocado tio Válter saltou da cadeira e saiu correndo pelo corredor, Harry logo atrás dele. Tio Válter teve que lutar e derrubar Duda no chão para lhe tirar a carta, o que foi dificultado por Harry, que agarrara o pescoço do tio Válter por trás.

-Vai Harry. - muitos alunos torceram.

Depois de um minuto confuso de luta, em que todos levaram várias bengaladas, tio Válter se endireitou, ofegante, com a carta de Harry apertada na mão.

– Vá para o seu armário, quero dizer, para o seu quarto – chiou para Harry. – Duda, saia, saia logo.

Harry deu voltas e mais voltas no novo quarto. Alguém sabia que ele se mudara do armário e parecia saber que ele não receberá a primeira carta. Isto significava com certeza que ia tentar outra vez? E desta vez ele tomaria providências para que desse certo. Tinha um plano.

Tiago, Remo e Sirius se entreolharam e olharam para o livro curiosos.

O despertador consertado tocou às seis horas na manhã seguinte. Harry desligou-o depressa e se vestiu em silêncio. Não podia acordar os Dursley. Desceu as escadas sorrateiro sem acender nenhuma luz.

Ia esperar pelo carteiro na esquina da Alfeneiros e receber primeiro as cartas endereçadas ao número quatro. Seu coração batia com força quando atravessou sem ruído o corredor escuro até a porta de entrada.

– AAAAARRREE!

-Diga que é o Válter, diga que é o Válter. - os Marotos e vários outros alunos falaram juntos.

Harry deu um salto no ar – pisara em alguma coisa grande e mole no capacho – uma coisa viva!

As luzes se acenderam no primeiro andar e, para seu horror, Harry percebeu que a coisa grande e mole tinha a cara do tio.

-Isso. - os alunos citados acima gritaram e começaram a rir ao imaginarem a cena.

Tio Válter estava dormindo junto à porta de entrada em um saco de dormir para impedir que Harry fizesse exatamente o que estava tentando fazer. Gritou com Harry quase meia hora e depois lhe disse para ir preparar uma xícara de chá. Harry foi para a cozinha arrastando os pés, infeliz, e quando conseguiu voltar o correio tinha sido entregue, bem no colo de tio Válter. Harry viu três cartas endereçadas em tinta verde.

– Quero... – começou, mas tio Válter estava rasgando as cartas em pedacinhos bem diante dos seus olhos.

Tio Válter não foi trabalhar naquele dia. Ficou em casa e pregou a portinhola para cartas.

-Isso não vai resolver. - Hagrid falou.

– Entende – explicou à tia Petúnia por entre os lábios cheios de pregos –, se eles não puderem entregar então terão de desistir.

– Não tenho muita certeza de que isto vai dar certo, Válter.

– Ah, a cabeça dessa gente funciona de maneira estranha, Petúnia, eles não são como você e eu – disse tio Válter tentando bater um prego com um pedaço de bolo de frutas que tia Petúnia acabara de lhe trazer.

-Ele é que está usando um bolo para bater um prego e agente que é louco. - Lílian falou sarcástica.

Na sexta-feira chegaram nada menos de doze cartas para Harry. Como não passavam pela portinhola da correspondência tinham sido empurradas por baixo da porta, metidas pelos lados e algumas até forçadas pela janelinha do banheiro no térreo.

Tio Válter ficou em casa de novo. Depois de queimar todas as cartas, apanhou martelo e pregos e fechou com tábuas as frestas em volta das portas da frente e dos fundos, de modo que ninguém pudesse sair. Cantarolou “Pé ante pé no campo de tulipas” enquanto trabalhava, e se assustava com qualquer ruído.

No sábado as coisas começaram a fugir ao seu controle. Vinte e quatro cartas acabaram entrando em casa, enroladas e escondidas nas duas dúzias de ovos que o leiteiro, muito confuso, entregara à tia Petúnia pela janela da sala de estar. Enquanto tio Válter dava telefonemas furiosos para o correio e a leiteria tentando encontrar alguém a quem se queixar, tia Petúnia picava as cartas no processador de alimentos.

-Será que ele já enlouqueceu? - Tiago perguntou.

-Meu caro amigo, esse trouxa já é louco. - Sirius falou e recebeu o apoio de vários alunos.

– Mas quem é que quer falar tanto assim com você ? – Duda perguntou espantado a Harry.

Na manhã do domingo, tio Válter sentou-se à mesa do café parecendo cansado e um tanto doente, mas feliz.

– Não tem correio aos domingos – lembrou a todos, contente, passando geleia nos jornais –, nada de cartas idiotas hoje…

Muitos alunos riram, afinal no mundo bruxo o correio era de domingo a domingo.

Alguma coisa desceu chiando pela chaminé do fogão enquanto ele falava e bateu com força em sua nuca. No instante seguinte, trinta ou quarenta cartas saíram velozes da lareira como se fossem tiros. Os Dursley se abaixaram, mas Harry deu um salto no ar para apanhar uma…

-Apanhador? - Tiago perguntou olhando para o filho.

-Não posso falar. - Harry respondeu sorrindo.

– FORA! FORA!

Tio Válter agarrou Harry pela cintura e atirou-o no corredor. Depois que tia Petúnia e Duda tinham corrido para fora protegendo o rosto com os braços, tio Válter bateu a porta. Eles podiam ouvir as cartas disparando para dentro da cozinha, ricocheteando nas paredes e no chão.

– Já chega – disse tio Válter, tentando falar com calma, mas, ao mesmo tempo, arrancando tufos de pelos dos bigodes.

-A cada capítulo ele fica ainda mais lindo. - Julia, uma aluna da Grifinória do segundo ano, falou sarcástica.

– Quero vocês aqui de volta em cinco minutos prontos para sair. Vamos viajar. Ponham apenas algumas roupas nas malas. Não quero discussão!

Ele parecia tão perigoso com metade dos bigodes arrancados que ninguém se atreveu a discutir. Dez minutos depois eles tinham retirado as tábuas para passar nas portas e estavam no carro, correndo em direção à estrada. Duda fungava no banco traseiro; o pai tinha lhe dado um tapa na cabeça por atrasá-los tentando empacotar a televisão, o vídeo e o computador na mochila esportiva.

-Bem feito. - Sirius falou.

Eles viajaram no carro. E viajaram. Nem tia Petúnia se atrevia a perguntar aonde iam. De vez em quando tio Válter fazia uma curva fechada e seguia na direção oposta por algum tempo.

– Para despistá-los... despistá-los – resmungava sempre que fazia isso.

Não pararam para comer nem beber o dia inteiro. Quando a noite caiu Duda estava uivando.

Nunca tivera um dia tão ruim na vida. Estava com fome, sentia falta dos cinco programas de televisão a que queria assistir e nunca levara tanto tempo sem explodir um alienígena no computador.

Vários alunos olharam confusos para o livro.

Tio Válter parou finalmente à porta de um hotel de aspecto sombrio na periferia de uma grande cidade. Duda e Harry dividiram um quarto com duas camas iguais e lençóis úmidos que cheiravam a mofo. Duda roncou, mas Harry ficou acordado, sentado no peitoril da janela, espiando as luzes dos carros que passavam enquanto pensava…

Comeram cereal velho e torradas com tomates enlatados frios no café da manhã do dia seguinte. Tinham acabado de comer quando a proprietária do hotel aproximou-se da mesa.

– Com licença, mas um dos senhores é o Sr. H. Potter? É que eu tenho umas cem dessas na recepção.

E ergueu uma carta para eles poderem ler o endereço em tinta verde:

Sr. H. Potter
Quarto 17
Railview Hotel
Cokeworth

Harry tentou pegar a carta, mas tio Válter afastou sua mão. A mulher ficou olhando.

-Podia ter feito alguma coisa, ao invés de ficar só olhando. - Lílian falou.

– Eu recebo as cartas – disse tio Válter, levantando-se depressa e seguindo a mulher que se retirava do salão de refeições.

– Não seria melhor simplesmente irmos para casa, querido? – tia Petúnia sugeriu timidamente horas depois, mas tio Válter não parecia ouvi-la. Exatamente o que andava procurando ninguém sabia. Ele os levou até o meio de uma floresta, desceu do carro, espiou à volta, sacudiu a cabeça, tornou a embarcar no carro e partiram outra vez. A mesma coisa aconteceu no meio de um campo arado, no meio de uma ponte pênsil e no alto de um edifício garagem.

-Ele enlouqueceu de vez. - Regulus falou baixinho.

– Papai enlouqueceu, não foi? – Duda perguntou, cansado, à tia Petúnia no fim daquela tarde. Tio Válter estacionara no litoral, passará a chave no carro com todos dentro e desaparecerá.

-Até o porquinho já percebeu isso. - Sirius falou fingindo surpresa.

Começou a chover. Grandes gotas batiam no teto do carro. Duda choramingou.

– É segunda-feira – falou à mãe. – O Grande Humberto vai se apresentar hoje à noite. Quero estar em algum lugar que tenha televisão.

Segunda-feira. Isto lembrou a Harry uma coisa. Se era segunda-feira – e em geral podia-se confiar que Duda soubesse os dias da semana, por causa da televisão – então o dia seguinte, terça-feira, era o décimo primeiro aniversário de Harry.

-Parabéns, meu anjo. - Lílian falou carinhosamente abraçando o filho.

-Parabéns, filho. - Tiago falou sorrindo, também abraçando o filho.

-Parabéns, meu afilhado lindo. - Sirius falou abraçando Harry.

-Sai Sirius, é a minha vez. - Izabella falou empurrando o namorado, quando o mesmo demorou para soltar Harry. - Parabéns, meu amor. - Izabella falou com um sorriso carinhoso abraçando o afilhado.

-Parabéns, Harry. - Remo falou também abraçando o sobrinho.

Depois disso vários outros alunos vieram dar os parabéns para Harry, Miller até mesmo tentou o abraçar, porém antes que ela chegasse perto Lílian colocou ela para correr. Depois de longos minutos Frank voltou a ler.

 

E Tiago, Lílian, Sirius, Izabella e Remo se entreolharam tentando pensar em um presente de aniversário para Harry.

Tio Válter voltou sorrindo. Carregava um pacote comprido e fino e não respondeu à tia Petúnia quando ela perguntou o que comprara.

– Encontrei o lugar perfeito! – falou. – Vamos! Saiam todos!

Fazia muito frio do lado de fora do carro. Tio Válter apontou para o que parecia ser um grande rochedo no meio do mar. Encarapitado no alto do rochedo havia o casebre mais miserável que se pode imaginar. Uma coisa era certa, ali não havia televisão.

Lily e Izabella olhavam horrorizadas para o livro, assim como Molly.

– Estão anunciando uma tempestade para hoje! – disse tio Válter alegre, batendo palmas. – E este senhor teve a bondade de concordar em nos emprestar seu barco!

Um homem desdentado vinha descansadamente em direção a eles, e apontava com um sorriso muito maldoso para um barco a remos velho que subia e descia nas águas cinza-grafite lá embaixo.

– Já comprei algumas rações para nós – disse tio Válter –, portanto, todos a bordo!

Fazia muito frio no barco. Salpicos de água gelada do mar escorriam pelos pescoços deles e um vento cortante fustigava seus rostos. Depois do que pareceram horas eles chegaram ao rochedo, onde Tio Válter, escorregando, levou-os até a casa em ruínas.

-Não acredito que ele levou meu filho para esse lugar. - Lily falou dividida entre a raiva e a preocupação.

O interior era horrível; cheirava a algas marinhas, o vento assobiava pelas frestas nas paredes de tábuas e a lareira estava úmida e vazia. Havia apenas dois quartos.

Afinal as rações de tio Válter eram uma embalagem de cereal para cada um e quatro bananas. Ele tentou acender a lareira, mas a embalagem de cereal apenas fumegou e carbonizou.

– Aquelas cartas viriam a calhar agora, hein? – disse ele, animado.

Estava de muito bom humor. Obviamente achava que ninguém teria chance de alcançá-lo ali, durante uma tempestade, para entregar cartas. Harry concordava intimamente, embora este pensamento não o animasse nem um pouco.

-Com magia isso é fácil. - Tiago falou tentando acalmar Lílian.

Quando a noite caiu, a tempestade prometida desabou ao redor deles. A espuma das altas ondas chapinhava nas paredes do casebre e um vento ameaçador sacudia as janelas imundas.

Tia Petúnia encontrou uns cobertores mofados no segundo quarto e preparou uma cama para Duda no sofá comido pelas traças. Ela e tio Válter foram se deitar na cama cheia de calombos ao lado e deixaram Harry procurar a parte mais macia do soalho e se enrolar no cobertor mais rasgado e ralo.

Lílian estava furiosa, porém Tiago tentava acalmar a namorada que chorava sem nem mesmo perceber, Izabella pareciam tão afetada quando Lílian, Sirius abraçou a namorada, porém ele olhava para o afilhado, Harry olhava para a mesa, e Sirius imagina que para o afilhado deveria estar sendo bastante ruim relembrar isso.

A tempestade rugia cada vez com maior ferocidade à medida que a noite avançava. Harry não conseguia dormir. Tremia e revirava, tentando encontrar uma posição confortável, seu estômago roncando de fome. Os roncos de Duda eram abafados pela trovoada que começou por volta da meia-noite. O mostrador luminoso do relógio de Duda, que estava pendurado para fora do sofá em seu pulso gordo, informava a Harry que dentro de dez minutos ele completaria onze anos. Deitado, ele viu seu aniversário se aproximar, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora.

Faltavam cinco minutos. Harry ouviu alguma coisa estalar lá fora. Desejou que o teto não caísse, embora quem sabe conseguisse se esquentar se isto acontecesse. Quatro minutos. Talvez a casa na rua dos Alfeneiros estivesse tão abarrotada de cartas que quando voltassem ele pudesse surrupiar uma.

Três minutos. Seria o mar batendo tão forte na rocha? E (faltavam dois minutos) que barulho esquisito de trituração era aquele? Será que a rocha estava se desintegrando no mar?

Mais um minuto e ele completaria onze anos. Trinta segundos... vinte... dez – nove – talvez acordasse Duda, só para aborrecê-lo – três – dois – um…

-Parabéns! - gritaram a mesa da Grifinória, da Corvinal e da Lufa - Lufa juntas.

Harry levantou a cabeça surpresos e viu as três mesas sorrindo para ele. Com um sorriso Frank voltou a ler.

BUM.

O casebre todo estremeceu e Harry sentou-se reto, arregalando os olhos para a porta. Havia alguém lá fora, que batia, querendo entrar.

-Acabou. - Frank falou.

-Eu leio. - Alice falou pegando o livro das mãos do namorado.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado....

Beijos...

P.S.: O próximo capítulo só será postado amanhã.


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