História 2 Pieces - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias One Piece
Tags One Piece
Exibições 35
Palavras 4.017
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Hentai, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - CAPÍTULO-XI- Aparências


Fanfic / Fanfiction 2 Pieces - Capítulo 11 - CAPÍTULO-XI- Aparências

Meus ferimentos foram tratados pelo vasto conhecimento da pequena e fantástica rena médica, o Dr. Chopper. Era espetacular os medicamentos que ele preparava e que agiam quase instantaneamente. Era como se ele fizesse mágica.

Após cinco dias, sentia o corpo doer apenas como se fosse dores musculares, do tipo de quem exagera em atividades físicas. Já conseguia respirar melhor e até mesmo caminhar, pois as costelas quebradas já pareciam estar praticamente curadas.

Eu estava maravilhada com a medicina do Dr. Chopper, e ele, estava maravilhado com a rapidez na qual meu corpo se recuperava, chegou a me comparar com o espadachim, companheiro deles.

- Deve ser algo envolvendo o treinamento de vocês espadachins - dissera a pequena rena com admiração. - Nunca vi uma cura tão acelerada quanto vejo nos corpos de quem pratica a esgrima, é intrigante – Completara me observando maravilhado como alguém que estuda um objeto fascinante.

- Estou bem melhor, graças aos seus conhecimentos medicinais e emplastos fantásticos. É assustadora a sua habilidade e....

Quando me refreei, já havia feito o estrago, mas, de certa forma, daquela vez a reação dele fora bem divertida. Houve as palavras ferinas, mas, muito mais gestos que ao meu ver, eram opostos as palavras, estes eram engraçadinhos e fofos.

 O observei por um bom tempo enquanto este tentava se acalmar, acanhado pelos elogios que fizera a ele. Ele realmente se parecia com um filhote, e naqueles momentos, ficava com vontade de o abraçar, como se abraça a um boneco de pelúcia.

Quando este se acalmou, eu o cumprimentei com um acenar de cabeça e um leve sorriso o agradecendo, e quando tentei me erguer da cama, finalmente a ficha havia caído.  Meus braços procuraram apoio no colchão da cama, mas apenas uma mão achou suporte. A outra mão já não estava mais lá.

Notei que ele havia percebido o meu leve desequilíbrio e sua feição ficara tensa, como quem procurava algo para falar, mas não conseguia. Então, brinquei, para que seu coração ficasse mais aliviado com aquela situação.

- Ainda bem que sou destra – Sorri.

Minha brincadeira, no entanto, passou longe no que dizia respeito ao quesito de confortar. Pude perceber isso em seu sorriso mais forçado que o meu. Então, em meio aquele momento sem graça, escutamos a voz de Sanji chamando a todos para jantar. E com muita alegria, acompanhei o Dr. Chopper até a cozinha, de onde um aroma fabuloso era emitido.

Nós dois fomos os últimos a chegar à mesa nos sentar. Todos já estavam fazendo suas refeições no que parecia ser um campo de batalha provocado por nosso capitão, que não se conformava em comer apenas o que colocava em seu prato. Ele tinha que roubar a comida dos outros também, esticando seus braços e dedos com aquela habilidade que mais se parecia mágica, provinda do tal fruto demoníaco que deixara seu corpo tal como borracha.

Então, o jantar fora servido para mim e para o doutor, pelas mãos de meu anjo. Ele estava lindo naquela noite, vestido a caráter em trajes formais tal qual o de um verdadeiro chefe de cozinha.

Não sei quando se formou o sorriso besta que em meus lábios se fez enquanto o observava nos servir, mas assim que notei este gesto involuntário, tratei logo por contê-lo. Ou, ao menos, tentar.

O cheiro de sua colônia pós barbear era inebriante, mesclado com o corriqueiro aroma de tabaco que eu amava. Aproximou-se de nós dois com mais comida e com um sorriso amigável e se inclinou perguntando gentilmente se aceitaríamos aquele prato esplendoroso de aroma cativante que ele nos oferecia.

Porém, toda a pompa de sua cortesia não durou muito. Nosso capitão roubara o prato de sua mão e abocanhou todo o conteúdo de uma só vez, o mastigando e o engolindo de uma forma surreal. Fiquei estática por uns segundos ao presenciar aquilo. achei que ele morreria entalado, mas a comida desceu direto por seu pescoço como se uma bola de basquete distorcida passasse por lá. imaginar como seu estomago havia recebido tudo aquilo sem o mínimo mastigar me assombrou....

O ar amigável de nosso cozinheiro se transformou da água para vinho. O anjo havia virado um demônio a sacudir o pescoço de borracha de nosso capitão como se quisesse que ele cuspisse tudo de volta. A principio, aquilo também havia me preocupado, mas segundos depois, de certa forma, aquela cena passou de perigosa a hilaria.

Aquele ar alegre e descontraído era o que eu mais admirava e amava naquele navio de “piratas”. Acho que o único pirata real dali, era o espadachim, com sua cara sempre amarrada. Seus três brincos comprido e dourados em formato cilíndrico, e sua cicatriz em seu olho esquerdo, que começava um pouco acima da sobrancelha, indo até metade de sua bochecha.

O observei por um tempo comer sossegado em sua pequena vasilha e beber goles generosos de saquê em sua grande caneca. O observei em sua paz e serenidade em meio a toda aquela balburdia formada na mesa de jantar, até o capitão tentar roubar-lhe uma cabeça de peixe de seu prato. Então, presenciei o que era a maestria da briga entre dois pares de hashis.

 Talvez, o capitão também fosse espadachim, e aquela luta, ele havia ganho, para mais um enfezamento hilário por parte do espadachim.

Aquela noite, fora a primeira vez desde o incidente da arena que sai da pequena área médica de recuperação montada em uma das cabines do navio para mim, pelo Dr. Chopper.

Fora a primeira vez, depois de deixarmos a ilha, que todos me viam sem meu braço esquerdo, mas não percebi alarde por parte de nenhum deles, me trataram sem diferenças no olhar ou gestos, o que de certa forma me deixou mais à vontade.

Minha visão direita estava recuperada, e em meu rosto, havia permanecido apenas uma leve e quase imperceptível cicatriz na pálpebra. Os remédios da pequena rena eram milagrosos.

Todavia, remédio mais poderoso de todos, era vê-lo. Meu anjo. Com seu charmoso sorriso, enquanto segurava entre os lábios seu vício ainda apagado. Ele sempre o acendia após todos terminarem as refeições. Talvez, como uma premiação a si por sobreviver a mais uma refeição agitada.

Quando todos se retiraram eu ainda permanecia comendo o restante de minha refeição. Havia dito que era destra, quando no entanto, pareceu me que na verdade eu era canhota. Acho que aquela refeição havia me entregado. Enquanto lavava os pratos, de costas para mim o cozinheiro perguntou:

- Dificuldade com os hashis?

Não pude ver seu rosto, mas o imaginei me perguntando aquilo com seu sorriso agradável de sempre.

- A-a.... N-não. De forma alguma, eu só... como devagar assim mesmo. Estou atrapalhando seu serviço?

- Nunca – Respondera amigavelmente enquanto parava com os pratos por um segundo e ascendia seu cigarro.

- Eu posso te ajudar limpando a mesa para você, quando eu acabar aqui.

Não havia nada de altruísta em minha oferta de ajuda. Tinha com aquilo, o intuito permanecer ao lado dele o máximo que conseguisse.

Com um braço a menos, as possibilidades de ajudá-lo restringiu-se na limpeza de qualquer coisa usando um paninho, já que as minhas habilidades com a mão que me sobrara não me deixavam passar nem perto de uma pia, que fosse para lavar ou secar os pratos que nesta haviam. Não por enquanto.

- Não se preocupe. Tenho tudo sobre controle. Mas se quiser, posso lhe ajudar em sua refeição.

Não havia percebido quando ele se aproximou por trás de mim, e de minha mão, tomara meus hashis, para habilmente, apanhar um punhado considerável de comida entre eles, posicionando perto de minha boca.

- Não é necessário, eu...

Antes que pudesse dizer algo mais, sem mais avisos, ele me alimentara no estilo aviãozinho kamikaze.

 Então, ele riu da cara de surpresa que eu fizera. E seu riso, desarmou meu coração e derreteu todo meu ser. Ele tinha a risada mais linda que já ouvira.

- Desculpe pela brincadeira, eu não resisti – Dissera ele enquanto enxugava o lacrimejar no canto de seus olhos.

Resmunguei com a boca cheia, e aquilo arrancou dele mais uma crise de riso. Engoli a comida e dissera:

- Que bom que alguém aqui está se divertindo.

Ele se sentou em uma cadeira à minha frente para relaxar um pouco, e me olhando, dissera:

- Desculpe de novo. Espadachim, a sua dificuldade em manusear as coisas com sua mão direita, com o tempo vai melhorar, talvez, até mais rápido do que esperado, afinal, ao que me pareceu, você é cria do estilo nitoryu. A ambidestria deve fazer parte de sua essência.

- Talvez. Agora acho que devo praticar o estilo Itoryu – Quis me referir ao estilo comum do manuseio de uma só espada. Sorri de minha própria piada, e o vi sorri um riso triste.

- Desculpe, não quis ser inconveniente – Odiei-me pela minha piada infame.

- Só se foi com você mesma.

- Bom, nesse caso está tudo bem - sorri. conseguindo daquela vez pegar um pouco mais de comida entre os hashis do que nas vezes passadas.

No fim, passamos boa parte da tarde na cozinha jogando papo fora. E eu o ajudei com tarefas simples, como limpar a mesa e a pia. Claro que consegui fazê-las apôs muita insistência.

Fora um dia perfeito. Ainda era tarde quando saímos da cozinha. Ele fora caminhar para tomar um pouco de ar no deck, e eu o deixei só daquela vez, não que quisesse, mas não queria dar a impressão de que eu era um chiclete indesejado.

Não conseguia tirar da face o sorriso de felicidade enquanto eu caminhava sem rumo pelo navio, então, logo fui arrancada do meu mundo dos sonhos quando em algo eu tropeçara, e quando estava prestes a me estatelar no chão, senti mãos firmes me segurando pela cintura.

E quando dei por mim, havia caído por sobre o espadachim daquele navio. Por sua aparência nada amistosa e feição inchada, percebi que eu havia o acordado também.

- Ô... – Dissera o espadachim me observando com sua feição carrancuda de sempre.

 

Não sabia ao certo como interpreta-lo.Talvez, seu "Ô" fosse algum tipo de cumprimento que valesse tanto para um "bom dia", quanto para uma "boa tarde", ou noite, enfim, o cumprimentou de volta:

- Ô...

Não sabia ao certo o que dizer ou o que fazer, e por alguns segundos, ficou ali, pasma com o que havia acontecido. E ao que parecia, ambos tiveram a mesma reação. Tanto um, quanto outro, se fitaram por alguns constrangedores segundos, até que um deles, o espadachim, caíra em si primeiro e dissera:

- Vai ficar aí parada até quando...?

- Desculpe... – Dissera ela desviando-lhe o olhar.

Apressadamente ela tentou se erguer para sair daquela situação embaraçosa. E então, posicionou-se como se ainda tivesse ambos os braços para impulsionar seu corpo para cima, e logo, a falta do membro que não estava mais lá, foi sentida.

Foi como se seu braço não tivesse achado chão e caído em um buraco. Aquilo a pegou de surpresa. Fazia pouco tempo que havia perdido o braço, e seu corpo continuava a teimar em fazê-la sentir como se ele ainda estivesse lá.

Foi estranho. Seu corpo pendeu para o lado esquerdo e quando ela estava prestes a cair novamente, por mais uma vez o espadachim interveio.

- Parece que tirou o dia para tentar se encontrar com o chão... – Disparou o espadachim.

Ele havia a segurado pelo ombro do braço que não estava mais lá. Havia percebido que ela fora traída pela própria lembrança de um braço que não existia mais. Ele se erguera e a ela estendera a mão dizendo com um sorriso amigável nunca antes visto por ela. Era como se outra pessoa surgisse a sua frente:

Ele dissera:

- Quando perdi minha visão esquerda, algumas coisas tiveram que mudar em meus treinos para que meus golpes atingissem o alvo com êxito.

- Eu já pensei nisso também – Pegara a mão dele aceitando sua ajuda. - Meu corpo de certa forma está mais leve, e sem um ponto de equilíbrio. Tirando o fato de que ainda me tenta a perceber algo que já não está mais lá, e isso em uma luta não vai me ajudar muito.

Ele a olhou com uma certa ponta de admiração e surpresa, e mais surpreendido ainda ficou quando a escutou lhe pedir para que quando possível, a ajudasse a praticar com o novo estilo que deveria assumir, o estilo Itoryu.

Aquela mulher era surpreendente. Ela não sentia pena de si pelo que havia passado. Não usava desculpas para se fazer de vítima. A admirou. Admirou sua garra de conseguir superar a barreira que a vida havia lhe imposto, e ele sabia, que ela suprimiria todos os obstáculos.

Sentindo-se inspirado por ela, Roronoa Zoro não pensou duas vezes em aceitar aquele pedido, e dissera:

- Estou indo me aquecer na proa, se quiser pode vir junto, e depois, começamos a reeducar seu corpo para suas novas condições de batalha.

- Ô – Respondera a espadachim, já compreendendo um pouco como se comunicar usando os “ôs” dele. Aquilo o que o fez sorrir de canto um riso divertido.

O aquecimento fora longo e árduo, porém, bem produtivo. Às vezes se recordava de exercícios que praticava em algum lugar de seu passado e os colocava em prática. O espadachim demonstrou-se curioso e interessado com os alongamentos e exercícios aeróbicos que ela se lembrava e os ensinou para ele. No demais, as atividades físicas foram normais.

Praticaram alguns breves movimentos com sinais que segundo ele, ajudaria o desenvolver o lado perceptivo para o braço que restara a ela, anulando a presença do outro que não havia mais, mas que esta ainda sentia.

Em meio ao treino, observando o espadachim, notou o corpo dele repleto de cicatrizes, e só então, olhou de fato para si. Seu corpo não era tão diferente do dele.

Havia no entanto, uma cicatriz monstruosa que  cortava o corpo dele na diagonal,  desde a ponta esquerda de sua clavícula até a altura de seu apêndice. Não precisava ser um expert na luta de espadas para saber que o combate que gerara aquela cicatriz medonha, fora um combate mortal no qual ele quase perdera a vida. Se ele havia ganho tal embate, não sabia dizer, mas era fato que ele havia sobrevivido por um milagre.

Haviam dezenas de cicatrizes espalhadas pela extensão do corpo dela, assim como no dele. Mas não conseguia identificar nenhuma cicatriz em si, que fosse provinda de um ferimento tão sério quanto a que ele tinha.

- Parece que você andou ocupada antes do seu naufrágio.

Dissera ele referindo-se as cicatrizes dela, enquanto a observava sem pudor algum. Sua falta de sutileza não a incomodou, o que a incomodava, ela deixou transparecer em palavras enquanto pensava:

- Queria saber com o quê, exatamente....

- Vai se lembrar com o tempo.

- Ô.

Ele sorriu novamente da forma com a qual ela tentava o imitar.

E nos dias que se seguiram, sempre nos finais de tarde, ela passou a se dirigir a parte do navio a qual sempre evitara. Nos finais de tarde, ela seguia rumo a proa, para praticar ao lado do espadachim.

Não demorou muito para que seus treinos com o espadachim surtissem o efeito esperado. Possuía um melhor equilíbrio corporal e coordenação com seu lado direito. “A ambidestria é algo inerente de um espadachim. Não esperava outro resultado de você”, dissera o espadachim a ela.

Os treinos davam certo. Até o humor dela melhorava com eles. Apesar de não serem somente os treinos, a única razão de seu bom humor nos últimos dias. Passava mais tempo com o cozinheiro também, e sobre muitas coisas conversaram. Sentia que aos poucos o conhecia melhor, e com isso, gostava dele ainda mais.

Ele sempre a cumprimentava com um largo sorriso amistoso, não o sorriso bobo que dava à navegadora ou a historiadora, mas ao menos, era algo que transparecia que a sua presença não mais o incomodava.

Talvez, um dia ganhasse o sorriso que tanto almejava. Talvez, ainda não o tivesse, por não o conhecer a tanto tempo quanto este conhecia as outras tripulantes. Por enquanto, contentava-se com o sorriso amigável que este lhe dava.

Poderia ser algo tolo, mas ela estava realmente feliz, por poder ficar ao lado dele mesmo que fosse de uma forma corriqueira. Ele havia a ensinado até mesmo alguns truques dentro da arte da culinária. Dicas que prometeu proteger com sua própria vida.

A felicidade sempre é observada ao longe pelos olhos de quem a inveja.

 A forma física voltava a espadachim. Estava mais resistente e sentia-se bem consigo mesma, então, enquanto treinava com os pesos, escutou uma voz atrás dela, e não conseguiu evitar o sentimento de nojo ao reconhecê-la.

- Nossa, então, é assim que fica o corpo de uma mulher quando à espada ela se dedica? Que horror, pobrezinha.... Quantas cicatrizes horríveis.... Acho que vestidos ou camisetas de alcinha estão fora de seu guarda roupa, não é?

A voz entoava uma mescla de surpresa com desprezo, e a princípio, ignorou sua presença tentando focar-se em seus treinos. Ao que parecia, a navegadora não gostava muito de ser ignorada, e a frente dela ficou, lançando mais um comentário inconveniente:

- Ainda bem que vocês espadachins antes de fazerem seu voto de viver em nome da espada, abdicam de suas vontades.... Você sabe.... De ser uma mulher....

- Vai precisar do espaço para treinar? – Tentou não se deixar afetar por aquele discurso débil.

- Não, não.... Só fiquei curiosa em saber como lida com tudo isso....

- Infelizmente, minha cara navegadora, eu não sou muito boa em lidar com a curiosidade alheia.

- Parece que alguém está de mau humor.... – Fizera um biquinho se fazendo de vítima. - Só queria conversar e confraternizar, afinal, fiquei sabendo que conversa mais com a Robin do que comigo. Por um acaso você.... Tem um gosto diferente.... Você sabe....

Aquela mulher era ridícula.... Como se a sexualidade de alguém fosse algo do que se envergonhar....

- O que é exatamente que você quer? – Largou o peso ao chão e sentada onde estava voltou-se a navegadora com a cara de poucos amigos a encara-la.

A navegadora erguera os braços em sinal de rendição como se tivesse sido atacada sem motivos, gesto este, que fez um riso escarnecedor deixar os lábios da espadachim enquanto continuava a fitar.

- Eu vim em paz, eu hein....

- Então, deveria ir da mesma forma. Está me atrapalhando – Não conseguiu mais ser educada, disparara sem piedade.

- Deve ser mal de espadachins serem grosseiros....

- Assim como mal das navegadoras quererem meter o bedelho onde não são chamadas.... Mude o seu curso e navegue em outra direção, porque por onde quer passar, lhe asseguro ter muita tempestade.

A espadachim também tinha a língua afiada, tentou não deixar se envolver naquele jogo de provocações, mas parecia que a paciência não era uma de suas virtudes. A navegadora não gostava daquela mulher desmemoriada desde nem sabia quando, só não gostava dela e do jeito que se aproximava de todos.

- Tem alguma coisa contra mim? – Perguntara a navegadora a espadachim.

A face dela se vitimou de uma forma tão teatral diante da pergunta que lançara, que por muito pouco a espadachim não se deixou levar pelo impulso de se erguer e a esmurrar naquela cara lambida e falsa, o que de certa forma, parecia ser o que ela queria. Daquela vez, não entrou no jogo dela.

- Não, mas parece que por algum motivo que ainda não me é claro, você parece querer que eu tenha algo contra você. Claro que espero estar enganada.  Estou?

- Hmm... que olhar e palavras assustadoras. É realmente um “Zoro” versão “feminina...”

Então, quando menos esperava, a espadachim a escutou chamar pelo cozinheiro que perto da sala de treino, do lado de fora, passava.

 O chamou o agarrando pelo braço em um abraço, que o deixara sem ação. Então, apontara para a espadachim e disparara algo mais sem noção do que alguém poderia imaginar.

- Sanji-kun, você já viu como o corpo da espadachim é espetacularmente parecido com o corpo do Zoro? Não é interessante como os espadachins se parecem tanto? Não há discernimento do que é feminino e masculino.... Incrível – Exclamara boquiaberta de uma forma teatral.

Não queria ter transparecido aquilo, não na frente da navegadora, mas perceber o olhar do cozinheiro ao ver seu corpo coberto por cicatrizes e a forma com a qual o olhar deste se arregalara em alarde, mesmo que por um breve momento, para então, se desviar dela, a fez se sentir péssima.

- Nami-san.... Isso não foi muito legal.... – O cozinheiro tentara  chamar a atenção para o constrangimento que sua nakama criara.

O cozinheiro lhe desviou o olhar, como se o que visse, o deixasse constrangido, e isso,  acertara em cheio o coração da espadachim. Aquele olhar dele que lhe dizia que aos olhos dele, ela não o agradava... Quis se cobrir naquela mesma hora.

- Acho que não há motivos de atrapalhar o treino da espadachim – Tentou ele contornar a situação, atraindo a atenção de sua nakama para outro ponto – Nami-san, eu preparei uma sobremesa de amoras que já deve estar pronta, o que acha de...

- E engordar? Sanji, por favor, assim você vai ficar sem muitas referências de corpos femininos abordo. A não ser que goste de cicatrizes - apontou para espadachim - E banha - Beliscou sua barriga impecavelmente lisa e livre de gorduras. Riu sozinha da própria piada.

- Sabe de uma coisa, eu achei bem assustadora a decisão dela. Não teria coragem de tomar a mesma decisão. Não aguentaria viver toda coberta assim como ela vive. O que te levou a trilhar esse caminho? Aah, é verdade, você não se lembra, ou não quer se lembrar?

- Mas que agitação nessa sala, por um momento achei que uma ave esganiçada tivesse invadido o lugar e ficado presa, mas é só você e sua voz irritante....

O espadachim adentrava a sala de pesos para seus exercícios finais do dia, após praticar do lado de fora, na proa do navio. Aproximou-se das barras de alongar e nelas calmamente se encostou.

- Ninguém aqui esta falando com você... – Rebateu secamente a navegadora.

- E ao que parece, nem com você, então, porque não para de latir e volta para o seu tinteiro e papéis cartográficos e tente fazer um mapeamento de seu cérebro que no momento deve ter sido reduzido ao tamanho de uma noz....

- Sanji! Vai deixar ele falar assim comigo?

O cozinheiro não gostava de destratar uma dama e muito menos, ver a uma sendo destratada a sua frente, mas naquela hora, ele apenas olhou para o espadachim como se tentado a o acertar pelas suas palavras grosseiras.Porém, infelizmente, no fundo de seu coração, desejara que aquelas palavras tivessem sido dele, e se calou diante do pedido de defesa de sua Nakama.

Então, como se não tivesse escutado a nada do que ali fora dito, ele se retirou da sala dizendo que tinha que preparar o jantar para todos.

- Acordaram do lado esquerdo da cama pelo visto.... – Dissera a navegadora estalando a língua nos dentes, saindo do recinto.

 Sua saída fizera um suspiro de alívio espontâneo deixar o peito da espadachim, que permanecera com os olhos no chão, fixos no peso de vinte quilos à sua frente.

- Não há nada de errado com seu corpo, você é o que é, e deveria se orgulhar de cada cicatriz que carrega. Cada uma delas carrega sua história....

- Eu sei.... – O interrompeu se erguendo do banquinho enquanto pegava sua jaqueta e a vestia escondendo suas costas e demais marcas que a árdua vida de espadachim deixara em seu corpo. - Não estou pensando nisso. Só estou cansada. Acho que por hoje eu terminei.

O espadachim a observava sair da sala sem conseguir ler aquela reação dela. Ao julgar pelo tempo que trenaram juntos, ela lhe pareceu bastante à vontade com o próprio corpo enquanto ao lado dele treinava. Não compreendeu o motivo das palavras da navegadora terem surtido tanto poder sobre ela.



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