História 21 Primaveras - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jungkook, Namjin, Rap Monster, Suga, Taehyung, Vhope, Yoongi, Yoonmin
Exibições 22
Palavras 3.593
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


HELLLOOO! Esse capítulo ficou um pouquinho maior que o outro, mas quis detalhar bastante para mostrar mais a rotina do Tae e pa.
Espero de verdade que tenha ficado bom, pois eu ando com bloqueio criativo e demorei bastante para escrever algo que prestasse :') ~pelo menos na minha interpretação né. Daqui a pouco eu edito aqui com a capa.
Anyway, boa leitura!

Capítulo 2 - O inverno chegou ao fim


Taehyung odiava os domingos. Também odiava os sábados, tão quanto os outros dias da semana. Mas aquela manhã, do primeiro domingo de Abril, em especial, parecia ainda mais miserável. Permanecia imóvel no fino colchonete que lhe servia de cama desde que havia acordado — aproximadamente umas duas ou três horas atrás. Batucava os dedos sobre o chão de madeira velha e rangente do pequeno quarto, a boca entreaberta e olhar cansado. Há quanto tempo não se divertida, não saía? 

Não era como se tivesse vontade, de qualquer forma. A disposição para esse tipo de coisa havia lhe deixado há muito tempo. Às vezes, queria apenas vegetar para sempre, sem que ninguém o incomodasse por um só minuto, como fazia naquele momento. Conseguir um minuto de paz era tão difícil assim? Taehyung achava que não, mas não parecia ser o que os outros naquela casa pensavam. Se sentia um completo inútil jogado ali daquele jeito, mas não podia haver momento melhor para ele senão aquele. Havia acordado cedo — como sempre —, mas sabia que uma hora teria de levantar. 

O fim do seu momento de paz não tardou em chegar. Esticou o braço para alcançar o celular que carregava na tomada ao lado da porta, conferindo as horas e verificando se havia alguma mensagem. Zero. Não era de nenhuma surpresa. Namjoon costumava animá-lo de manhã, com mensagens sempre muito carinhosas, que diziam coisas como: "ya, seu bastardo! levanta essa bunda daí!" ou "vai comer alguma coisa, não vou me responsabilizar se você morrer de fome!". Mas desde que tinha começado a sair com Seokjin, quase dois meses atrás, essas mensagens tinham se tornado escassas. Bem, não o culpava se queria passar um tempo a mais com o novo "amigo". Pelo menos alguém ali sabia aproveitar a própria vida.

Desconectou o celular do carregador e colocou-o no bolso do casaco de moletom cinza, levantando com muito custo e deixando escapar um gemido de dor pelas costas doloridas. Taehyung mal podia contar nos dedos quantas coisas a família teve que vender para conseguir pagar as contas e suprir as dívidas do pai bêbado. Todos ali trabalhavam muito para conseguir um pouco de dinheiro e economizavam da forma que podiam, mas como sair daquela situação se Dongyul continuava afundando a todos em mais e mais dívidas? Taehyung o odiava, o odiava desde sempre. Mas não havia nada que pudesse fazer.

Mal entrou na sala e já soltou um suspiro exausto. O pai estava deitado no chão, praticamente desmaiado, segurava uma garrafa de cerveja em uma mão e com a outra coçava a barriga, provavelmente sem muita consciência disso. Teve que empurrá-lo um pouco para o lado com o pé para conseguir passagem. O cômodo era bem pequeno e a única coisa que o dividia da cozinha era uma bancada embutida na parede. Sua mãe cortava alguns legumes na pia. O moreno se sentia mal por ela às vezes. Queria poder privá-la daquele sofrimento, mas não sabia como. Talvez simplesmente não pudesse. Já fazia alguns anos que ela não se arrumava direito. Os cabelos pretos e médios estavam sempre soltos, em um mesmo penteado simples; não usava maquiagem e seus olhos eram envolvidos por olheiras escuras. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia escutado seu choro de noite, quando o marido saía para beber. Quando Taehyung e sua irmã eram pequenos, a mãe nunca chorava na frente deles. Talvez ela não quisesse preocupá-los, mas depois que Eonjin ficara um pouco mais velha, ela conversou várias vezes com a filha para que a situação em que se encontravam ficasse clara. Apesar de tudo, Tae sabia que ela sofria porque também queria dar uma vida melhor aos filhos, porque queria um pai presente para eles e um marido bom. Não queria que seus filhos crescessem na miséria e economizassem cada tustão que ganhassem. Mas agora, acredita que ninguém ali se importa com ninguém mais. Sua mãe estava cansada demais para continuar resistindo, sua irmã tinha começado a ficar independente e sair com vários caras — ainda que ela continuasse a ajudar com as contas, e Taehyung continuava assistindo tudo. Às vezes, ele fechava os olhos ou tampava os ouvidos, como sempre fizera.

Deslizou a mão pela bancada de pedra, contornando-a e então enlaçando a cintura da mãe. Aquela era a única forma de carinho que ainda havia por ali, e também era a única que Taehyung podia oferecer.

 

— Tae, eu vou ter que sair para comprar algumas coisas. Pode acordar sua irmã e pedir que termine de fazer o almoço? 

— Posso tentar. — Provocou, ao passo que a mãe apenas abriu um meio sorriso.

— Obrigada. — O rapaz de cabelos castanhos assentiu em um sorriso fraco. A mulher limpou as mãos molhadas no avental amarrado em sua cintura e então o deixou em cima da bancada. Antes de sair da cozinha, aproximou-se do filho e tocou levemente o topo de sua cabeça. — Eu volto logo. — E então deixou a casa.

Abriu a geladeira e correu os olhos pelas prateleiras quase vazias. E Namjoon ainda perguntava porque gostava tanto de ficar em sua casa; não deveria ser óbvio? Taehyung estava duro, e Namjoon tinha comida. Pegou uma garrafa de leite e despejou o líquido esbranquiçado em um copo de vidro. Aquele não era o melhor de seus cafés da manhã, e mesmo que pudesse culpar a dispensa praticamente vazia, nunca fora de comer muito mesmo. Bebeu o leite rápido quando ouviu várias batidas na porta. Colocou o copo vazio dentro da pia e aproximou-se da porta devagar, enquanto pegava algumas garrafas de bebida espalhadas pelas mesinhas e colocando todas no cantinho ao lado da porta. Ninguém nunca o visitava, então de três uma: ou era o cara da cobrança do aluguel, ou qualquer cara cobrando alguma das inúmeras divídas de Dongyul, ou a vazinha chata da frente que insistia em sempre pedir ingredientes, mesmo que não houvesse o suficiente para eles mesmos. Taehyung encostou o ouvido na porta, e pôde ouvir alguns gritos de reclamações do lado de fora. Para a sua infelicidade — algum deles era motivo de ficar alegre, aliás?, era o cara do aluguel. Odiava ter que deixá-lo ali batendo na porta até se cansar e ir embora, mas não tinha dinheiro, então do que adiantaria? Se soubesse, ainda, que morava um bebum ali, os enxotaria de vez. Já haviam pedido muito tempo, e o Kim sabia que o homem tentava compreender a situação, mas, no final, também precisava se sustentar. Mas Taehyung iria pagar, claro que ia! Mas quando tivesse dinheiro. Qual utilidade teria a casa se não tivesse luz e água?

Quando teve certeza de que o homem e seus lampejos de fúria haviam ido embora, abriu uma fresta da porta, o suficiente para passar seu braço ali, e pegou o papel colado do lado de fora. 

— Era aquele homem de novo? — Eonjin surgiu atrás de si, comendo uma maçã. Taehyung não respondeu. A irmã usava um short curto e uma blusa regata. Seu rosto perfeito mostrava que já havia se maquiado.

— Mamãe mandou você fazer o almoço e acordar esse urso jogado na sala. — Apontou com a cabeça para o pai. Sabia que provavelmente ele havia chegado de madrugada, e uma vez que pegava no sono depois de beber, não acordava tão cedo. Também previa que quando acordasse estaria com uma ressaca do caralho, e esperava não estar nem perto dele quando acontecesse. Ele se tornava ainda mais agressivo quando estava de ressaca ou bêbado, ficava surpreso com o quão habilidosa sua irmã era para esconder as marcas com uma simples camada de base. Mulheres realmente sabem fazer milagres. 

Eonjin deu de ombros. Cozinhar não era uma de suas especialidades, então às vezes preferia pensar que não simplesmente ouviu. 

— Não seria melhor se o deixássemos aí? Quando ele acordar vai dar dor de cabeça pra todo mundo, mesmo.

— Seria uma ótima ideia se não precisássemos do trabalho dele para nos sustentar. E se ele acordar e tiver perdindo o horário, vai sentar a mão em cima. — A garota soltou um grunhido. É claro que por Taehyung, ele podia se afogar na bebida que não estava nem aí, mas era uma cabeça a mais dentro de casa e isso significava mais dinheiro — ou quem sabe mais despesas. 

 

Acompanhou os movimentos da irmã enquanto estava se direcionava até o sofá de três assentos, deitando-se com as pernas esticadas enquanto comia a maçã. Ela apontou com a cabeça para que ele se sentasse no braço do sofá, e assim o fez.

— Tae...não acha que já está na hora de nos mandarmos daqui?

— E deixar a mamãe aqui? Ela nunca faria isso com a gente! — ele pareceu ofendido.

— Taehyung! — Ela o repreendeu, se levantando e se sentando no sofá, com os olhos negros fixos nos do irmão. — Ela não se importa! Não vê que ela está cansada demais para cuidar de si mesma?! Nenhum deles se importa! Você quer ficar enfurnado aqui para sempre? — Taehyung abaixou os olhos. Já estava com dezessete anos e sua irmã com vinte e dois. Ela sempre quis fazer faculdade, mas teve que começar a trabalhar como secretária de uma empresa de cosméticos porque as coisas estavam difíceis dentro de casa. Taehyung também trabalhava quando não estava na escola, vivia fazendo bicos de fim de semana e com certeza teria mais um emprego se não tivesse que estudar. Ele abaixou os olhos. 

— Eu quero ir embora, mas não...não posso te deixar aqui com esse monstro. Nós dois temos que sair daqui. — Ela disse, firme. — Só não sei como ou quando... — A última parte saiu de seus lábios como um sussurro.

— Nós não podemos, Eon. Não ainda. — Eonjin o obrigou a chamá-la pelo apelido. Odiava que a chamassem de "noona", se sentia velha e...era estranho demais ouvir o irmão chamando-a assim.

— Que se dane. Vou falar com meu namorado.

— Isso quer dizer que...você vai parar de ajudar? — Ele levantou os olhos para fitá-la. Sua voz era suave e a morena podia sentir a súplica no olhar do irmão.

— É claro que não. — Ela fechou os olhos e suspirou.

— Então o que vai fazer? 

— Vou esperar o momento certo e falar com eles. Eu amo a nossa mãe e o nosso pai, mas não quero mais viver assim. — Ela concluiu. — E é melhor você começar a decidir o que quer para a sua vida também. — Empinou o nariz e voltou para o quarto.

Taehyung não conseguiu entender. O que ela queria dizer com "assim"? Todos ali sabiam que o namorado de Eonjin não era flor que se cheire, estava mais para uma cópia barata e jovem de Dongyun, e também, ela sempre saía com outros caras, principalmente empresários casados da empresa em que trabalhava. Talvez ela acreditasse que algum deles iria tirá-la do buraco algum dia. Mas quem correria o risco de difamar a própria imagem, perder uma esposa e filhos por uma jovem sem nenhuma garantia? 

Taehyung não queria que a irmã passasse pelo mesmo que sua mãe. Apesar de brigar e confrontá-lo, quando se tratava de Dongyu, talvez fosse a mais maltratada ali. E sabia que ela tinha medo dele, mais do que nojo ou ódio. Quando ela tinha por volta dos quatorze ou quinze anos, começou a sair com as amigas e com meninos também. Ele ficou muito bravo, e gritou tanto com ela que ela não saiu de casa por três meses.

 

 

Naquela tarde, o chefe de Taehyung ligou pedindo que cobrisse o turno de outro funcionário que estava doente. Bom, ele não tinha muita opção senão ir, então talvez ele não tivesse realmente pedido. Taehyung trabalhava de meio período em uma farmácia. Não é exatamente o tipo de trabalho que se espera de um jovem de dezoito anos, mas foi a melhor proposta que havia recebido. O lugar também não era muito movimentado, então ele podia fazer as lições da escola quando não tinha ninguém dentro da loja. E também ninguém que ele conhecia ia ali, então estava livre de perturbações.

Preferiu tomar um banho e levar a comida consigo, em vez de comer em casa. Não confiava muito nas habilidades culinárias da irmã, então poderia deixar a gororoba de lado caso estivesse muito ruim, sem que olhos julgadores o acusassem de estar desperdiçando comida. O que podia fazer? Se tivesse de escolher entre as panquecas da irmã e pedras, comeria as pedras com muito prazer.

Taehyung não tinha um gosto muito bom para a moda, digamos assim, mas ele fazia o que podia. Colocou uma camiseta rosa claro e uma calça larga preta. Não se importava muito com as roupas, quaisquer que fosse a sua escolha, estaria bem escondida por trás do avental branco do trabalho — ainda que não fosse farmacêutico e não entendesse nada sobre aquelas milhares de caixas, frascos e cartelas de remédios, era obrigado, como caixa, a usar um avental. Mas...como dizer? Era meio que o uniforme pobre do trabalho, porque todos ali usavam jalecos e andavam bem vestidos, como médicos. E Taehyung...era Taehyung. 

Eonjin deu uma boa olhada no irmão quando este passou pela sala. Seu olhar era de reprovação, mas seu sorriso claramente mostrava deboche. — Desistiu da vida de estudante e decidiu virar mendigo? Se não, ótima escolha. Está bem convincente. — Zombou e a mãe, na cozinha, suspirou. 

Taehyung ignorou a irmã e correu os olhos pela sala. Nenhum sinal de Dongyun e seu fedor inconfundível de bebida.

— Onde Dongyun foi? — perguntou, uma leve pontada de esperança de que sua mãe ou irmã respondesse que ele havia desaparecido. 

— Ele é seu pai, não o chame pelo nome. — A mãe o repreendeu, fazendo uma careta e caminhando até a sala com uma cesta nos braços, a qual foi enchendo com as roupas que encontrava jogadas no chão. — Ele foi ao banco tentar pedir um empréstimo. — Respondeu calmamente.

Eonjin fez careta. — Mentira! Ele foi comprar mais bebida. — Contastou e voltou a enfiar a colher com sorvete na boca — algumas vezes ela conseguia separar o dinheiro que recebia para comprar coisas para si mesma, mas era capaz de enfiar aquela colher na guela de qualquer um que lhe pedisse um pouco. — Eonjin! — A mãe repreendeu, ao passo que a mais nova ignorou. O moreno contorceu o lábio.

— Ele não age como se fosse, então por quê deveria? — Murmurou. — Mãe, você vai mesmo deixá-lo gastar todo o dinheiro que a gente luta para juntar em bebida?! — Não queria gritar, mas era quase impossível. A mulher pareceu se assustar um pouco com o tom do filho, mas então fechou os olhos e respirou fundo, o que o fez revirar os olhos frustrado. Odiava quando ela simplesmente fingia fechar os olhos para isso.

— Seu pai trabalha muito, Taehyung. É a forma que ele encontra de desestressar.

— Aaah! Tudo faz sentido agora. — Ele semicerrou os olhos. — Então quer dizer que tudo bem ele bater em você para desestressar? Tudo bem, porque ele trabalha demais? — Preferia ser surdo à ouvir um absurdo daqueles. Como ela podia ser tão...tão...Como ela podia deixar as coisas chegarem naquele ponto? Sabia que não podia fazer muito também, mas ele via que a mãe sofria. Como ela podia ainda tentar defendê-lo?

— Taehyung! Já chega! 

— Eu te falei. — Pôde ler as palavras nos lábios de Eonjin antes de sair de casa e bater a porta com força. 

 

 

Mexia no celular enquanto caminhava até o trabalho. Não era muito longe de onde morava — felizmente, porque não estava a fim de andar mais de quatro quarteirões todos os dias, para ir e voltar para casa —, mas uma vez que seus pais não sabiam da localização do lugar, podia facilmente passar mais tempo na rua consigo mesmo com a desculpa de que o caminho era muito longo e de que eles tinham que relevar, já que tinha sempre que andar à pé. A maioria das pessoas costumavam encontrar o aconchego em suas casas, por mais que esta seja pequena, ou bagunçada. Mas não Taehyung. Para ele, o lugar onde menos queria estar era dentro de casa. Nem se lembrava da última vez que os quatro se sentaram à mesa juntos, para uma refeição em família. Não se lembrava quando ou por quê as coisas ficaram tão desalinhadas, mas tinha nove anos na primeira vez em que viu seu pai tomado pela bebida. Pelo caminho, observava as folhas secas do outuno começando a cair, quais provavelmente teriam seus lugares tomados por flores coloridas e harmoniosas. Não conseguia deixar de pensar que, para ele, todas as estações eram iguais: cinzas e nubladas. Não havia nenhuma cor ali. Os cabelos castanhos e esvoaçantes se assemelhavam aos troncos de árvores; sempre tão comuns. Não se diferenciavam em nada uns dos outros, diferentes das flores e folhas: havia de formatos, tamanhos e cores diferentes. 

De repente, uma notificação no celular. Uma mensagem. Taehyung abriu um sorriso fraco e deslizou o dedo pela tela para ler a mensagem do Namjoon.

— E aí, cara. O que tá fazendo?

— Trabalhando. *emoji de cansaço*

— O que?! Hoje? Kim Taehyung, você deveria conhecer os próprios limites. 

— Tss, não enche, Namjoon. O que você quer?

— Ah, deixa pra lá. Pensei que estivesse em casa. Estou com o Jin, achei que você gostaria de vir aqui hoje. 

— Eu passo. Não vou segurar vela pra ninguém.

 

Balançou a cabeça, rindo, quando chegou no estabelecimento. Deixou a mochila no quartinho dos funcionários e dirigiu-se para o caixa, amarrando as alças do avental no pescoço e então na cintura. Parecia mais um cozinheiro ou um funcionário daquelas lojinhas de conveniência dos anos 80 do que o caixa de uma farmácia, mas nada muito relevante.

Taehyung era o único caixa. A farmácia era bem pequena, então talvez o dono não visse necessidade de contratar muitos funcionários. Ninguém ali falava com Taehyung, a não ser que fosse para pedir que ele pegasse algo no depósito ou trocasse algum dinheiro, mas era um bom trabalho. Não fazia nada além de cobrar o valor do remédio ou qualquer outra coisa que passasse pelo caixa, e algumas vezes rir forçado diante de piadinhas sem graça de mulheres mais velhas que pareciam achar engraçado paquerar homens vinte ou trinta anos mais novos. 

O moreno jogava algum joguinho aleatório no celular quando um rapaz se aproximou do caixa. Não era muito alto, talvez tivesse a mesma altura que Taehyung — ou menos. Também não parecia ser mais velho, embora sua expressão era a mesma de uma pessoa cansada, desgastada, doente. Tinha olheiras profundas abaixo dos olhos, assim como sua mãe e ele mesmo, sua pele era pálida e ele era muito, muito magro. Além disso, parecia distante, como se o mundo a sua volta fosse insignificante, ou se simplesmente não estivesse mais ali, embora seu corpo se fizesse presente. O Kim não pôde deixar de se perguntar o que teria acontecido para ele ficar com uma aparência tão acabada.

Só então percebera que o rapaz batucava os dedos impacientes no balcão, esperando por algum sinal de que a alma do atendente continuava no corpo — e de que seu cérebro também. Abaixou os olhos para pegar os produtos e passá-las pelo visor do leitor de códigos de barras, e leu rapidamente os títulos das caixas. Narcóticos, antidepressivos e morfina. Também estendia para si uma receita médica, comprovando de que estava comprando aquilo por prescrição médica e não para o uso de drogas. Se perguntou por quê uma pessoa tão jovem precisava de remédios tão fortes. Taehyung pegou a receita da mão fria e pálida do rapaz e sorriu amigavelmente para este, então percebendo ali uma garrafa de coca também. — Wow. Espero que não esteja tentando se matar com isso. Sabe, fiquei sabendo que não funciona. No máximo vai te dar uma intoxicação, mas não acho que isso soe muito agradável. — Taehyung se inclinou um pouco para frente, brincando. O moreno pareceu confuso por um minuto, sério, mas então riu abafado e abriu um sorriso torto, porém simpático.

— Não são para mim. Mas valeu pela dica. — Deu uma piscadela em resposta, e Taehyung riu sem graça. Acenou levemente com a cabeça e sussurrou um "obrigado" quando o moreno pegou a sacola de suas mãos e acenou com a mão livre. 

E então entrou em um tédio sem fim, novamente. Só quando estava prestes a ir embora que percebeu a carteira de couro deixada em cima do balcão. Taehyung olhou para os lados, verificando se havia mais algum cliente na farmácia. Nada. Foi então que se lembrou que era a mesma carteira que o rapaz morimbundo de antes havia tirado do bolso. Sentiu o desespero percorrer sua espinha. Dinheiro era muito importante para Taehyung, então estava meio que sofrendo pelo dono da carteira. Se fosse ele, naquele momento, estaria que nem um louco procurando em cada lugar que havia pisado naquele dia. Imaginou que talvez o mesmo estivesse acontecendo com o outro. Suspirou e colocou a carteira dentro do bolso da calça. Não queria se envolver com esse tipo de coisa, porque não conhecia o cara e não fazia a miníma ideia de onde encontrá-lo, mas com certeza gostaria que alguém de confiança guardasse o achado para si caso perdesse algo importante também. 

Sentado na calçada em frente á uma lojinha de conveniência, Taehyung comia seu pote de ramen. Como previsto, a comida de sua irmã estava horrível, então decidiu levá-la de volta para casa e comprar algo para comer antes de voltar. Podia ouvir seu estômago roncar alto. Pegou a carteira do bolso da calça e a abriu. Achou alguns cartões, e depois de abrir todos os pequenos bolsos, achou um documento, mas nada que mostrasse algum endereço ou telefone. Mas havia um nome ali.

Jung Hoseok.


Notas Finais


Acho que esse primeiro capítulo ficou bem paradão mesmo, mas tem muita coisa para acontecer no decorrer da história e gosto de ir com calma, mas nada que vá demorar um século, prometo aqwoqieuwqew.
Espero que tenham gostado <33


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