História 2●22 - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Armas, Brasil, Ditadura, Futuro, Militante, Mortes, Policial, Protesto, Repressão, São Paulo, Tortura, Violencia
Exibições 9
Palavras 870
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - O delegado geral


Fanfic / Fanfiction 2●22 - Capítulo 7 - O delegado geral

Abro meus olhos, e a luz do dia que entra pelas janelas meio encobertas com a cortina, denuncia que já é de manhã. Olho para o lado, e sinto meu braço dormente. É Júlia que está com a cabeça apoiada sobre ela, e repente, em minha cabeça vem um flashback, onde nós estávamos dormindo juntos no quarto dela. O pai dela ainda era vivo quando isso aconteceu, e como ele sempre foi ciumento, eu ia escondido pra dentro do quarto da filha dele, onde ficávamos lá por horas. Naquele dia, na noite anterior, havíamos chegado de fininho à noite depois da escola, e dormimos juntos. A gente sempre fazia isso, e eu só ia pra casa depois que os pais dela saiam pra trabalhar. Foi a melhor época de minha vida. 


*FLASHBACK ON

- Aí!
- O que foi?

Dizia ela acordando de manhã, me questionando, ainda com carinha de sono.

- Meu braço. Você dormiu em cima dele.

O cabelo dela era bem curto nessa época, nem passava do ombro, e hoje, depois de 5 anos já tinha uma enorme diferença, mas o rosto continuava o mesmo.

- Tá formigando?
- Claro...
- Foi mal.
- Não precisa se desculpar.
 
 Digo dando um beijo na testa dela.

FLASHBACK OFF

Essas lembranças sempre faziam eu soltar um sorriso bobo, mas tava na hora de trabalhar. Com cuidado, tiro meu braço de baixo dela, e vou me trocar. Coloco meu uniforme, escovo os dentes, lavo o rosto, e antes de sair, preciso dar um aviso pra Júlia. 

- Hey. Julia!
- An?
- Não sai daqui. Se alguém bater na porta, não responde.
- Tabom... Me deixa dormir...

Ela sempre foi sonolenta. Dormia em qualquer momento, em qualquer lugar, e aonde quisesse, mesmo se fosse no quarto de um general-torturador-psicopata. 

- Fala direito comigo. Tem comida na geladeira, não faça barulho, e não fique na janela.
- Uhum...

Dava pra ver melhor as marcas de agressão no corpo dela com a luz do sol. Tinham marcas veio esverdeadas, vermelhas, roxas, etc, principalmente nos braços e nas coxas. Vou até a gaveta e pego um analgésico, e coloco no criado mudo.

- Se ficar com dor, bebe isso. Tchau, tô atrasado.

Sem mais, saio do quarto e tranco a porta.

 No caminho até meu escritório, as coisas vão acontecendo normalmente. Lá dentro, sento na minha cadeira e começo a mecher no computador. Logo a empregada traz meu café, e começa a falar das greves. Lúcia está aqui há mais tempo que eu, e quando me serve, vai me contando notícias que ainda não vi. 

- É general, a situação desse país está ficando crítica. 
- Como assim Lúcia?
- Depois que o Rio Grande do Sul se separou, agora tá querendo levar o resto do Sul pro lado deles. 
- Bando de sulista safado.
- Tão fazendo greve, meu filho, ontem o exercíto teve que ir lá, dizem que foram mais de 600 presos.
- Boa. E quantos mortos?
- Isso eu não vi. Só sei que aqui em São Paulo ali na Sé morreram uns 50.
- Assim que eu gosto. Poderia ter sido mais, mas esses incompetentes não sabem usar uma pistola.
- Licença general, tenho que ir no escritório do delegado geral de São Paulo. 
- Ele está aqui?

Digo surpreso, tirando meus pés da mesa. Ele é a autoridade máxima do estado. Depois do governador. O que essa porra tá fazendo aqui?

- Sim. Veio ver como vai a prisão. 
- Ótimo! Eu vou com você Lúcia.

Mal termino de comer, e sigo a empregada, que logo chega à sala do delegado geral.

- Bom dia senhor.
- Oi Gaspar. Vejo que está fazendo um ótimo trabalho aqui.
- Sim senhor. Tento me esforçar pra cumprir às ordens federais.

Mantenho a cabeça erguida. O delegado Marco, era um homem alto, com cabelos lisos e em boa parte grisalhos. Usava bigode, o que me lembrava o Hitler, além de ter a pele branca, não tanto quanto a minha, e olhos verdes. Já era um senhor de 60 anos, e eu o admirava muito.

- Vamos fazer o seguinte, matar todos os detentos, para dar lugar à novos. Andei sabendo que esses porcos imundos estão tramando um grande protesto pra daqui há uma semana, e quero pegar todos.
- Mas matar, todos?
- Está ficando surdo Gaspar?
- Não senhor. 

 Caralho, Júlia. 

- E as detentas que... usamos pra nós divertir?
- Essas podem continuar vivas, até porque já tenho uma eleita e não vou desistir dela facilmente,  e quando me cansar, dou um jeito nela. 


- E quem é ela?
- Uma tal de Ana Júlia. Peguei a ficha dela e achei uma moça atraente. Quero ela.
- Senhor... Há muitas Anas Júlia por aqui...
- Mas a que eu quero é a mais bonita. Uma jovenzinha, de 22 anos, de pele dourada. 
- Ah... Me desculpe senhor... Eu matei ela.
- Ah seu incompetente! Porque não tirou a ficha dela daqui então?
- Eu me esqueci... Me perdoe senhor, não vai acontecer mais.
- Seu estúpido! Agora vou ter que revirar as fichas pra achar uma melhor.
- Desculpe.

 Livrei a pele de Júlia, mas agora eu tinha que livrar a minha. 

  



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