História 25 Dias De Escrita - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags 25 Dias, Desafio, Fanfic, Histórias
Visualizações 8
Palavras 2.261
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


1° desafio: "Você está sozinho(a) em um quarto de hotel"

Capítulo 1 - Sozinha?


Fanfic / Fanfiction 25 Dias De Escrita - Capítulo 1 - Sozinha?

Eu estava prestes a sair de um vulcão, enquanto alguém me ajudava, me incentivando com um doce em minha frente, quando pensei ver uma luz vindo do céu, e por fim meu sonho foi interrompido por um feixe de luz solar que batia em meu rosto, me despertando.

Grunhi, me sentindo totalmente frustrada. Eu havia me esquecido de fechar a janela antes de ir dormir, e nem mesmo a cortina estava totalmente fechada, o que explicava o sol batendo em meu rosto, logo cedo. Seria ótimo, pois adoro sentir a luz do sol em contato com minha pele, se não fosse justamente essa luz a culpada por me acordar. Coloquei um travesseiro sobre meu rosto, esperando que meu sono viesse novamente, mas não consegui. Minha respiração estava sendo abafada pelo travesseiro, de modo que estava difícil respirar, coisa que só me despertou cada vez mais. Então agora eu estava acordada, e com certeza custaria a dormir novamente. Resolvi desistir de voltar a dormir e sentei na cama, analisando o quarto. Um quarto que nem sequer era meu, na verdade.

Se fosse meu quarto, com certeza a pequena planta que o decora seria de verdade, já que sempre amei cuidar de plantas. As plantas eram como amigas, mesmo que não respondessem às minhas perguntas, mas elas eram boas ouvintes. O quadro que enfeita a parede também teria sido substituído por um quadro de fotos que colecionei ao longo dos anos. Fotos de parentes, amigos, construções, qualquer coisa que me fizesse lembrar algum momento importante para mim, algum momento que me fazia feliz. Como meu presente de natal de oito anos, uma boneca que eu tanto havia pedido para meus pais. Ou meu aniversário de quinze anos, onde meus pais e meus amigos estavam reunidos ao meu lado, depois de danças divertidas de se assistir, já que nem todos os presentes eram exatamente bons em dançar. Ou até mesmo a padaria que ficava em frente à minha casa, onde eu morei até quando eu tinha dezessete anos, e que era um lugar importante para mim. Lá eu havia feito amizade com os funcionários, já que ia lá desde pequena, e todos eles me conheciam. Onde eu desfrutei doces maravilhosos, e até mesmo cheguei a trabalhar uma época. Momentos felizes, que mesmo que não voltem, estão guardados em minha memória, que se refresca ao observar as fotos que tirei sozinha.

Mas eu não tinha mais essas fotos. Agora, eram realmente apenas lembranças. Desde que saí de casa, pronta para trabalhar, e deixei tudo para trás. Meus pais, obviamente, foram contra. Disseram que eu não estava pronta para aquilo, e que eu poderia fazer isso, arriscar tudo, mais tarde, já que eu ainda era nova, em meus vinte e sete anos. Mesmo assim, decidi que gostaria de mudar o rumo de minha vida, e saí de minha cidade sem pensar muito no que encontraria pela frente. Apenas com uma mala, carregando minhas roupas, saí e tentei a sorte em uma cidade um pouco maior que a minha, e sem nenhum sonho em específico em mente. Eu simplesmente queria mudar, e consegui. Embora não seja exatamente o que eu sempre sonhei.

A verdade era que eu havia me arrependido de sair quando completou uma semana desde minha partida. Eu havia levado algum dinheiro para me manter até que arrumasse algum emprego, mesmo algo simples, mas nunca pensei que seria tão difícil assim. Minha cabeça, pequena, simples, e imatura, decidiu que um bom hotel seria o ideal, e me hospedei em qualquer hotel que alguém me recomendasse. Era um tanto caro para alguém que não estava trabalhando, mas seria apenas temporário. E, de fato, foi. Eu não fiquei muito tempo lá. Logo tive que mudar para esse hotel, o mais barato que encontrei. O colchão era obviamente bem antigo, assim como os móveis do quarto, que não eram muitos.

Levantei e fui olhar para a janela, observando o céu por alguns momentos, já que era a visão mais agradável que eu tinha da janela, já que além do céu, limpo e brilhante por conta do sol, a janela também me dava visão à uma rua movimentada, barulhenta, poluída. Pelo menos, durante a noite, ela era praticamente silenciosa. Alguns carros passavam, claro, mas em uma quantidade muito menor.

Eu estava sozinha. Não apenas nesse quarto, mas sim em tudo. Meus pais estavam em outra cidade, e eu não queria preocupa-los, nem pedir nada para eles. Eu queria voltar, mas não tinha dinheiro para tanto, e isso com certeza destruiria os sonhos deles, e eu não queria o sonho de ninguém despedaçado, além dos meus. Meus amigos sumiram assim que eu pedi alguma ajuda, já que ninguém estava disposto a oferecer nada do que tinha, mesmo que não lhes faltasse nada. A realidade era dura: ninguém realmente se importava. Eu não era uma má companhia, era até mesmo divertida, mas isso não importava a ninguém agora, talvez só a um circo que esteja contratando palhaços.

Peguei meu celular e comecei a verificar novamente uma página onde empregos eram oferecidos. Eu estava mais acostumada com aquele site do que gostaria. Até mesmo sonhava com ele às vezes. Sonhava que o site me engolia, e que eu tinha que ajeitar tudo por ali. Suspirei. Pelo menos no meu sonho eu tinha um emprego.

Eu estava disposta a aceitar qualquer coisa que eu pudesse fazer, mas o site não estava colaborando comigo. Nenhum pedido para contratar garçonetes, balconistas, frentistas, nem nada do tipo. Ao invés disso, contratavam engenheiros, arquitetos, nutricionistas, e todo o tipo de profissão que rendia um pouco mais. Nada disso me ajudava, pois não tinha conhecimento em nenhuma dessas áreas.

Larguei o celular em cima da cama depois de uma hora, e enterrei a cabeça em minhas mãos. Desse jeito, acabaria sendo expulsa desse hotel, e então não teria mais lugar para morar. Eu moraria na rua, assim como tantas outras pessoas cujos sonhos não deram certo. Mesmo assim, eu não queria desistir, pelo menos não ainda.

Saí do meu quarto, dando uma volta pelo pequeno hotel. A camareira sorriu para mim. Uma senhora, que com certeza tinha mais idade que minha mãe, e que havia ouvido meu desabafo há alguns dias atrás. Ela me encontrou chorando pelo corredor, e perguntou o que havia acontecido. Mesmo que ela não me conhecesse, parecia realmente se importar em saber se eu estava bem ou não, e então contei para ela sobre a burrice que havia feito ao sair de casa, para me arriscar no mundo. Ela me trouxe um copo de água e ficou comigo alguns minutos até que eu parasse de chorar. Podia parecer besteira, mas eu considerava ela mais próxima de mim do que meus próprios amigos, que talvez não fizessem nem mesmo isso que ela fez, que foi apenas se importar. Ao me avistar andando, ela me chamou rapidamente. Quando me aproximei dela, ela sussurrou para mim:

- Ainda precisa de um emprego, querida?

- Sim – suspirei – Eu procurei de novo, mas parece que não tem nada novo.

- Bem – ela sorriu para mim, e mesmo que lhe faltasse um dente, era um sorriso que me deixava confortável – Eu conversei com uma conhecida minha, e ela está precisando de uma garçonete. Nem precisa falar com ninguém, o emprego já é seu, se quiser – Ela também passou um papel para mim, disfarçadamente, onde disse que estaria o endereço do local onde eu poderia trabalhar.

Eu simplesmente não consegui encontrar palavras para agradecê-la. Todas as palavras que eu conhecia simplesmente fugiram de minha mente, me deixando na mão. Então, depois de gaguejar um pouco e desistir enfim de dizer alguma coisa, abracei-a com toda a sinceridade que havia em mim, ao que ela retribuiu. Eu tinha um emprego, enfim. Mal podia acreditar. De repente tive que enxugar meu rosto, pois nem sequer havia percebido que lágrimas rolavam por minhas bochechas. A senhora se afastou, indo arrumar um quarto antes que levasse bronca de alguém, mas não sem antes pinçar minhas bochechas, exatamente como minha avó fazia antigamente.

Por isso, aqui estava eu. Pronta, me olhando no espelho do banheiro, preparada para começar meu novo emprego, que eu tanto rezei para arranjar. Organizei minhas roupas, que eram apenas o que eu tinha no momento, e deixei a mala no quarto enquanto me dirigia a um bar próximo dali. O endereço estava escrito em uma letra retorcida, mas ainda era possível compreender. Cheguei ao bar, e imediatamente comecei a trabalhar. Eu me esforçava, e era simpática com os clientes mesmo quando estes eram rudes comigo, e a dona logo pareceu gostar de mim. Em todos os dias em que trabalhei ali, ela me elogiou, dizendo que há tempos não encontrava alguém que parecia realmente querer trabalhar. Eu apenas conseguia pensar que ela não sabia o quão feliz eu estava por ter esse emprego. Assim, em breve, eu teria dinheiro até mesmo para ligar para meus pais.

Depois que saí de casa, liguei para eles apenas uma vez, quando ainda tinha crédito em meu celular. E depois, mesmo que o hotel tivesse um telefone disponível para os hóspedes usarem a vontade, eu simplesmente não tinha coragem de ligar para eles. Eu não teria nenhuma boa notícia para dar a eles. Eu não estava trabalhando, estava em um pequeno hotel que provavelmente iria à falência depois de algum tempo, e estava desesperada. No entanto, tudo mudou. Eu agora tinha um emprego, e em breve poderia voltar para casa se assim desejasse.

Após algumas semanas, recebi meu primeiro salário. Mas ao invés de receber ele como a dona do bar havia me entregue, pedi a ela que trocasse algumas notas para mim, por moedas. Ela estranhou um pouco, mas assim o fez, me dando cerca de dez reais em moeda, e o resto do pagamento em notas. Seria o suficiente para pagar o hotel por mais algum tempo, talvez até mesmo para comer algo um pouco melhor do que eu andara comendo.

As moedas serviriam para que eu pudesse, enfim, ligar para meus pais. Conhecendo minha mãe, ela com certeza estava aflita durante todo esse tempo em que não recebeu uma ligação minha, roendo as unhas e acariciando a cabeça do gato distraidamente enquanto pensava em mim, em como eu poderia estar. Meu pai provavelmente estaria a tranquilizando, ou lendo o jornal, mas apenas para não apavorar ainda mais a esposa, sabendo que ela surtaria se ele também demonstrasse que estava preocupado.

Depois que sai do bar, no final do expediente, comecei a andar. O orelhão ficava a algumas ruas de distância do bar, então me dirigi para lá. Já estava de noite, e estava extremamente frio. O vento batia e bagunçava meus cabelos, mas eu não me importava muito com isso. Ajeitei o casaco, de repente desejando ter trazido o cachecol que minha mãe fizera para mim há algum tempo, mas determinada a chegar ao orelhão para matar um pouco a saudades deles, e talvez tranquilizar um pouco o coração deles. Meu celular estava totalmente sem sinal de qualquer forma, e também não havia como ligar para eles sem antes colocar crédito, e por isso eu dependia do orelhão, que agora estava a apenas três ruas de distância.

Preparei-me para atravessar a rua, olhando para os dois lados apenas por costume, já que a rua estava totalmente deserta. Não era tão tarde assim, mas a rua estava silenciosa, sem nenhum carro passando por ali. Graças aos céus a rua ficava mais silenciosa durante a noite, ou eu com certeza não conseguiria dormir no quarto de hotel onde estava hospedada. Com as mãos no bolso, comecei a atravessar até que ouvi um barulho de algo caindo no chão, mas não consegui identificar o que era. Parei no mesmo instante, tateando o casaco e cada bolso que ele tinha, procurando saber o que estava faltando, até que finalmente descobri. Meu celular. Ele não estava mais no bolso do casaco onde com certeza estava há alguns segundos atrás. Virei para trás, procurando ele pelo chão. Exatamente quando eu achei que tinha o avistado, a luz da rua se apagou, me deixando na escuridão. Provavelmente a lâmpada estava com mau contato, já que não era a primeira vez que eu a via apagando de repente, já que pude observar isso enquanto andava. Mesmo longe, conseguia ver uma mudança nas luzes da rua, que ora parecia mais clara, ora parecia mais escura, e agora eu entendia o motivo.

Eu não estava com meu celular na mão para iluminar o caminho, já que ele era o motivo de eu estar parada no meio da rua, então fui obrigada a tatear o chão, enquanto engatinhava, até encontra-lo, ou até que a luz da rua voltasse. Torcendo para que a segunda opção fosse a mais rápida, procurei ele até finalmente o encontrar. Segurei firmemente o celular na mão, tendo certeza de que ele não cairia mais.

Assim que fiquei de pé, arrumei meu casaco e limpei rapidamente a calça, na altura dos joelhos, onde havia sujado por engatinhar pela rua. Pelo canto do olho pude ver uma luz forte, e logo pensei que a luz da rua havia voltado. No entanto, a luz não parecia vir do alto, então antes que pudesse pensar em qualquer coisa, olhei para o lado, na direção de onde ouvi uma buzina extremamente alta, junto com a luz forte, que agora eu podia ver que estava vindo em minha direção.

A última coisa que pude ver foi isso, me lembrando por fim do orelhão, o motivo pelo qual eu estava aqui, e no qual eu nunca chegaria.

 


Notas Finais


Olá ~
Esse é um desafio que vi em uma imagem, e achei que seria interessante tentar.
O certo também seria uma história por semana, totalizando 25 semanas, mas eu decidi que, porem serem curtas, tentarei postar como 25 dias, não necessariamente seguidos.
Espero que gostem :3


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