História 366 Dias - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Depressão, Drama, Jikook, Kookmin, Namjin, Romance, Vhope
Exibições 718
Palavras 4.081
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Doeu colocar "sim" como história terminada. Vou deixar o texto pro final, e tudo mais. Enquanto isso, leiam o último capítulo, recomendo que ouçam Atlas Hands e Don't Go Slow do Benjamin Francis Leftwich.

Capítulo 18 - Infinito.


Fanfic / Fanfiction 366 Dias - Capítulo 18 - Infinito.

Capítulo Dezessete – Infinito.

Quando eu conheci Jeon JungKook, ele não era nada mais do que outro rosto. Eu via rostos diferentes todos os dias, quando eu ia à faculdade, quando ia ao mercado, quando ia à biblioteca... Sempre, eram diversos. Agora, alguns meses depois, ele se tornou o único rosto que eu queria ver todos os dias ao acordar.

Talvez, falando assim, parece que o que temos é apenas mais um romance passageiro, mas creio que vá além disso, porque agora somos um do outro.

Talvez, nessa extensa (ou talvez nem tão extensa assim) obra que eu gosto de chamar carinhosamente de "366 dias", vocês já devem ter notado que eu não gosto muito de escrever algo tão diretamente, gosto de complicar, assim eu pareço mais inteligente e menos Park Jimin.

A quem eu quero enganar? Estou louco para dizer que Jeon JungKook é meu Namorado. Com N maiúsculo, como se fosse um nome próprio. Porém, ele não é. Ainda. É só uma questão de tempo até eu me acostumar com a mudança de rumo que minha vida tomou e poder finalmente chama-lo de "meu namorado", e não apenas "meu garoto". Apesar de ambos serem extremamente fofos e eu ter uma vontade imensa de sair por aí dançando na rua e gritando aos sete ventos o quanto eu amo esse menino.

Céus, o que aconteceu comigo?

— Até mais tarde, Jimin! – uma garota da minha classe disse, acenando, e eu sorri ao acenar de volta.

Por algum tempo, eu havia esquecido como era ir à faculdade e socializar com outras pessoas que não estavam incluídas no meu círculo de amizades atual. E eu não culpava Hyemin por isso, nem os meus pais, nem ninguém. Eu não podia simplesmente culpa-los por terem ido.

A faculdade de literatura estava me fazendo bem, e eu gostava bastante de estudar aquilo, parecia que eu finalmente havia achado o meu lugar, o lugar em que eu me encaixava. E como nunca foi fácil para mim me encaixar em algum lugar, eu até que estava curtindo.

Enfiei as mãos no bolso do casaco e olhei para cima, o tempo estava nublado, mas ainda assim eu estava me sentindo bem.

— Talvez chova hoje... – murmurei e peguei o guarda-chuva da mochila, caminhando com o mesmo embaixo do braço.

As coisas estavam bem agora, eu diria que tudo estava mais estável. Faziam semanas que eu não tinha nenhuma crise existencial e chorava feito uma criança, e faziam semanas que eu não me preocupava mais com os trovões, porque meu arco-íris sempre estaria bem ali do lado esquerdo da cama, me abraçando forte e cantando para mim.

Parei em frente os prédios e fiquei na ponta dos pés, procurando por ele. Um bico emburrado formou-se nos meus lábios sem que eu percebesse, por não conseguir vê-lo em lugar nenhum.

Por que esses adolescentes têm que ser tão altos?

Sorri de leve ao o ver sair do colégio ao lado de Minseok e outros colegas de classe, e acenei. O moreno, com o seu uniforme amarelinho carregando a insígnia da escola, correu até mim e me abraçou forte, a ponto de me tirar do chão e fazer derrubar o guarda-chuva que segurava embaixo do braço.

Quando ele me soltou, dei-lhe um selo na bochecha e o mesmo sorriu envergonhado, ainda não tinha se acostumado a receber tanto carinho em público. Ele recolheu o guarda-chuva do chão e o segurou.

— Eu fiz uma coisa para você na aula de artes, hyung – tirou da mochila uma cartolina branca enrolada.

Peguei e desatei o laço que o prendia devagar, e ao abrir, meus olhos brilharam.

Era um desenho de nós dois, sorrindo, debaixo de uma árvore no parque e notei que havia um pacotinho desenhado na mão dele, escrito “pipoca doce”, ri baixo. Os detalhes dos traços eram delicados, ele deveria ter demorado um bom tempo para fazê-lo, e eu fiquei feliz por saber que ele pensava em mim tanto quanto eu pensava nele.

— É lindo demais, Kook... – falei, ainda meio perplexo — Obrigado, de verdade.

— Feliz aniversário! – ele me deu um selinho demorado nos lábios, meio tímido e eu sorri, bagunçando seus cabelos.

JungKook não parecia se importar com as pessoas ao redor olhando aquela cena de nós dois, e isso me deixava feliz. Ele não tinha mais que se preocupar com o julgamento do seu pai, esse que agora estava atrás das grades.

A mãe do garoto sabia o quanto o mesmo sofria pelos maus tratos do homem, e temia que o que aconteceu com o filho mais velho viesse a ocorrer novamente, então testemunhou a denúncia. Claro que havia sido difícil para ambos fazer isso, mas ele sabia que eu estava do lado dele.

Apesar de tudo, o homem ainda era seu pai – mesmo sendo tão cego pela sua crença a ponto de fazer coisas ruins – e JungKook o amava, o perdoava por tudo, mas não podia deixar que isso continuasse.

Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos.

— O que é isso na sua mão?

— É um buquê de margaridas – respondi, sorrindo — Vou leva-las pra mamãe e pro papai.

— Entendi... – falou e o seu celular começou a tocar.

— Não vai atender? – apontei com o queixo e ele tirou o aparelho do bolso, atendendo e levando ao ouvido.

— Eu já volto – parei e o esperei terminar sua conversa.

Quem podia ser, afinal?

Uns minutos depois, JungKook voltou, colocando o celular no bolso novamente e me olhando meio receoso.

— É... se eu te pedir algo, promete não ficar bravo comigo? – perguntou.

Passei o peso de um pé para o outro.

— Claro, diga.

— O Seok disse que precisa de ajuda com o trabalho de História e eu meio que devo algo à ele... – coçou a nuca — Eu posso ir?

Estalei a língua. Seok?

Ah, claro. Minseok.

Era meu aniversário, mas eu não podia privá-lo de ajudar seus amigos, eu fazia isso o tempo todo, não fazia? Vivia ajudando meus amigos, e ás vezes até o deixava de lado, então era justo ele ir.

— Pode ir – forcei um sorriso.

— Não está bravo?

Começara a garoar.

— Nah, eu entendo – dei de ombros e peguei o guarda-chuva da sua mão, abrindo-o sobre nós dois e colocando a cartolina debaixo do braço.

— Você é o melhor! – sorriu — Até mais tarde, então.

— Até mais tarde – repeti.

E então o vi correr na direção contrária a que estávamos indo, que era a do cemitério.

— Ei, JungKook! – chamei, antes que ele fosse e ele se virou

— Vá rápido, e não se gripe.

Ele apenas assentiu, sorrindo e voltou a correr. Suspirei quando ele já estava longe o suficiente para não conseguir ouvir meus xingos baixos. Voltei a caminhar sem pressa.

Eu estava um pouco chateado, para falar a verdade, porque era o aniversário da morte dos meus pais, e o meu aniversário, e eu iria passar sem o meu namorado. Ha, eu já tinha vivido isso antes.

Com Hyemin não foi muito diferente, o problema era que ela me traía.

Engoli em seco.

JungKook não seria capaz de fazer isso comigo, eu confiava nele.

Mas e se...

— AISH! – bati o pé no chão — Se aquele safado do amiguinho dele se aproveitar da inocência do meu garoto, cabeças irão rolar...

— Falando sozinho?

Me virei, apenas para dar de cara com Yoongi e revirei os olhos.

— ‘Tô.

Ele riu.

— Onde está seu príncipe encantado? – perguntou.

— Foi fazer trabalho com o amigo.

Yoongi ergueu o olhar.

— No dia do seu aniversário? Que péssimo, hein?

— Vai se foder.

— Já fui – deu de ombros.

— Como é?

— Você não é o único a ter a vida sexual ativa aqui, ok? – sorriu malicioso e eu corei — Aliás, você ainda não me contou os detalhes...

— E NEM VOU! – saí andando, enquanto o ouvia dar risada atrás e seguir meus passos.

Talvez tenha sido uma péssima ideia contar para ele o que eu havia feito com JungKook no mês passado. Mordi o lábio ao lembrar de cada toque seu, e do quanto a noite havia sido perfeita. Aquele havia sido seu presente de aniversário, a comemoração da maioridade de Jeon, e foi especial tanto para mim quanto para ele.

— Finalmente você saiu do armário, eu não aguentava mais – ele disse.

Meu rosto estava queimando.

— Chega.

— Você vivia dizendo que não gostava dele dessa form...

— CHEGA! – o interrompi novamente e ele deu de ombros.

— ‘Tá, tá, parei.

No caminho, ficamos conversando sobre as coisas que haviam ocorrido durante o mês de outubro. Seokjin e Namjoon estavam finalmente namorando, e só assumiram isso depois que eu vi o loiro sair com a roupa amarrotada do consultório do psicólogo. Esses pervertidos...

Yoongi não me contou com quem ele estava saindo, mas pelo que eu entendi, ele não estava apaixonado, só estava mesmo se ocupando em beijar alguma boca. Seu modo de pensar era um tanto quanto estranho, mas eu conseguia entender, ele não era de se apaixonar facilmente.

Quanto a Hoseok e Taehyung, eles reataram seu “relacionamento”. A cena foi hilária, até: Eu estava na casa de Hoseok lendo um mangá, quando de repente Taehyung abriu a porta ofegante, dizendo que correu vários quilômetros da casa dele até a do seu amado porque o ônibus não havia parado, e que estava arrependido por tudo.

— Taehyung... – o moreno tentou dizer, mas o mesmo pulou em cima dele e o deu um beijo urgente.

Levei uma batata frita até a boca, observando os dois se pegarem na minha frente, e calcei os tênis.

— É, então... eu vou indo, Hobi – falei — E Tae.

Nenhum dos dois pararam o que estavam fazendo para me dar tchau.

— Ok... – sussurrei e larguei o mangá na mesa de centro para ir embora logo, mas não sem antes roubar mais algumas batatas fritas.

E foi assim que eles voltaram a ser amigos coloridos, ou seja lá o que for, dessa vez sem ninguém para os atrapalhar. Yoongi me acompanhou até o cemitério, e depois de colocar as flores em frente a lápide dos meus pais, fiquei um tempo as observando, enquanto ele pousava sua mão pálida no meu ombro. Fechei os olhos por um momento.

Mãe, pai, obrigado por me fazerem ver que haviam coisas mais importantes do que popularidade e ser constantemente chamado para sair para beber, eu percebi que viver vai muito além disso.

Nesse meio tempo, eu aprendi que o que realmente importa na vida, é encontrar a felicidade. Viver é experimentar sensações novas, “expandir horizontes”, tocar outras galáxias com suas próprias mãos, e não seria em um relacionamento superficial que eu iria encontrar isso.

Agradeço a JungKook por ter me mostrado isso também, e pelos outros. Sem eles eu continuaria perdido. Isso soou clichê?

— Quer ficar lá em casa vendo American Next Top Model comigo? – perguntei a Yoongi e ele riu.

— Mas é claro.

Fomos para a casa, e ao abrir a porta, levei um susto ao ouvir um barulho alto e sentir confetes caindo sobre mim.

— Porra Taehyung, não era para ter puxado ainda! – uma voz feminina sussurrou. Era Jisoo.

— Desculpa... – o mesmo sussurrou de volta e eu liguei a luz, confuso. Yeol latiu.

— FELIZ ANIVERSÁRIO, PARK JIMIN! – os seis elementos presentes gritaram.

Olhei ao redor, contendo o riso. Com certeza esse aniversário seria o melhor de todos.

— Como você se sente tendo uma festa surpresa? – a garota perguntou, me trazendo um copo de refrigerante, agradeci e dei um gole.

— Estou surpreso.

— Faz sentido – sentou-se ao meu lado.

Me endireitei no meio das pernas de JungKook, que pousava o queixo em cima da minha cabeça.

— Desculpa por ter mentido para você, eu, os hyungs e a Jisoo-noona estávamos preparando isso a um tempo – ele disse e eu ri.

— Tudo bem, eu gostei da surpresa – falei — Mas confesso que fiquei chateado por você ter ido embora, pensei que não fosse passar o meu aniversário comigo.

Ele me rodeou com seus braços e sussurrou na minha orelha:

— Irei recompensar você, hyung.

Me arrepiei por inteiro ao ouvir aquilo e mordi o lábio inferior, soltando uma risada depois. Eu estava rindo de nervoso mesmo.

Ainda não me caía a ficha que Jeon JungKook era oficialmente um adulto.

Quando a “festa” acabou naquela noite, Taehyung ficou para ajudar a arrumar a bagunça e, claro, pegar mais Doritos para levar embora.

— Feliz aniversário, de novo, Chim. – Ele sorriu e me deu um abraço — Até mais.

— Obrigado por ter ajudado a limpar tudo.

Ele deu de ombros.

— Foi o mínimo que eu podia fazer, você me ajudou a limpar uma vez, só estou retribuindo o favor pra minha consciência não pesar depois.

Revirei os olhos e lhe dei um tapa na nuca.

— Cretino...

Tae riu.

— Bom, vou indo, Hobi-hyung está me esperando – piscou e saiu.

Fechei a porta e deixei o corpo cair no sofá. Pouco a pouco eu ia escrevendo os capítulos da minha própria história, traçando meu destino, compartilhando bons momentos, e aquilo era bom para mim, era bom permanecer ali. Eu diria que eu não era mais quebrado, talvez ainda estivesse frágil, mas com certeza não como antes.

JungKook se sentou ao meu lado e ligou a televisão, deitando a cabeça em meu colo enquanto eu acariciava seus fios de cabelo escuros.

Estava passando a quarta temporada de How I Met Your Mother, e então parei para prestar atenção no que Ted dizia.

“Os grandes momentos de sua vida não serão necessariamente as coisas que você faz, eles também vão ser as coisas que lhe acontecem. Agora, eu não estou dizendo que você não pode tomar medidas para afetar o resultado da sua vida, você tem que agir, e você vai. Mas nunca se esqueça de que, em qualquer dia, você pode sair pela porta da frente e toda a sua vida pode mudar para sempre. Você vê, o universo tem um plano de crianças, e que o plano está sempre em movimento. Uma borboleta bate as asas, e começa a chover. É um pensamento assustador, mas é também uma espécie de maravilhoso. Todas essas pequenas partes da máquina trabalhando constantemente, certificando-se de que você acaba exatamente onde você deveria ser, exatamente quando você deveria estar lá. O lugar certo, na hora certa.“

Olhei para o garoto e sorri.

Com certeza, eu estava no lugar certo, na hora certa quando o conheci, e a partir daquele momento, eu tive certeza de que estava escrevendo minha história da maneira correta.

Foram inúmeros os momentos em que pensei que acabar com a minha vida seria a melhor saída, mas ele pôde me mostrar que não, pôde me mostrar que havia algo melhor a ser visto, e eu era extremamente grato por isso. É normal do ser humano achar que morrer é melhor do que passar por uma situação ruim, mas sem esses maus tempos, não há como reconhecer os bons, não é?

Penso como seria se eu não o tivesse conhecido, talvez eu estivesse com outra pessoa agora, mas não seria tão especial quanto. Eu estava conectado à JungKook, não importando onde ele estiver.

Demorei a perceber que o que eu estava vivendo a um ano atrás não era a minha vida, era a vida de outra pessoa, alguém que gostava de festas, popularidade, garotas bonitas... Eu precisei tomar um balde de verdades na cara pra perceber que aquilo não era pra mim, e que eu teria que me encontrar em outro lugar, com outra pessoa. Mesmo chorando em alguns dias, eu sabia que iria sorrir em outros.

Afinal, a gente corre risco de chorar um pouco quando se deixou cativar¹.

Fiquei pensando nisso, até JungKook virar o rosto para cima e cutucar a minha bochecha com o indicador.

— Hyung.

— Sim?

Ele sorriu.

— Eu já disse que gosto de você? – perguntou.

— Mil vezes...

— Eu gosto de você. Mil e uma agora.

Sorri de volta e toquei sua bochecha, acariciando a sua cicatriz na maçã do rosto, ele fechou os olhos sentindo o carinho.

— Também gosto de você, Jeon JungKook.

E um tempo depois, quando o corpo do garoto deitou sobre a cama, me puxando para cima sem pressa e colando nossos lábios, eu soube que era ali que eu queria pertencer. Pertencer somente a ele e me entregar aos seus toques, esses que, mesmo sendo tão íntimos e perversos, ainda eram inocentes.

Observei-o fechar os olhos conforme meus lábios desciam pela sua pele, soltando a respiração ao me deixar descobrir cada centímetro de si.

Afaguei seus cabelos antes que ele adormecesse e sorri ao abraçar seu corpo desnudo e cobri-lo com o lençol. Era mais confortável quando era sobre um colchão, mas a primeira vez não deixava de ser especial.

O lugar não era importante quando eu podia ter JungKook por completo.

. . .

Deitado sobre a relva, fechei os olhos, sentindo a brisa leve. Jungkook estava ao meu lado, dividindo o fone comigo e segurando minha mão. A melodia tocada era calma o suficiente para me fazer pensar em tudo.

Após ouvir um pouco, parei para prestar atenção no que a letra dizia e me levantei rápido, ele me olhou confuso e eu sorri.

— É isso!

— O que? – sentou-se e deu batidinhas nos ombros para tirar dali uma folhinha que havia grudado.

— Vamos escrever cartas um para o outro.

— Mas... por que?

— Você não prestou atenção na letra? – perguntei e ele deu de ombros, revirei os olhos — "E eu vou enviar-lhe as minhas palavras, dos cantos do meu quarto, e embora eu as escreva à luz do dia, por favor, as leia sob a luz da lua"

O moreno tombou a cabeça um pouco para o lado.

— Escreveremos cartas para nós no futuro e então, só abriremos na noite do mesmo dia no próximo ano.

Ele sorriu.

— Ah, entendi! Parece legal, é uma boa ideia. Aliás, ótima música.

— Levante essa linda bunda daí e vá escrever! – o apressei e corri para o meu quarto, ele riu com o elogio.

Pisei com cuidado no chão, desviando das tralhas que Jungkook largava ali e alcancei a escrivaninha, afastei algumas das centenas de tsurus que haviam ali e peguei um papel e uma caneta.

Comecei a escrever minha carta, escolhendo com cuidado o que eu diria para ele no futuro, então a dobrei com delicadeza e enfiei em um envelope simples, feito na hora.

Esperei que ele terminasse e nós dois trocamos as cartas, fazendo uma promessa de dedinho de que não leríamos antes do prazo.

— Repita comigo: Eu, Jeon Jungkook... – comecei e ele riu, achando aquilo um tanto tosco — Vamos, repita.

— Eu, Jeon Jungkook...

— ...fiel escudeiro de Park Jimin...

— Fiel escudeiro de Park Jimin...

— ...vencerei minha curiosidade e esperarei pelo tempo certo de abrir este lindo envelope e-

— Chega, já entendi, não vou abrir antes, prometi de dedinho e você sabe que eu nunca descumpro minhas promessas – Jungkook disse e eu assenti.

— Olha lá, hein...

Deu língua e foi guardar a carta, enquanto eu fazia o mesmo.

Sorri ao tocar o envelope dele, fora dobrado com cuidado e maestria, e a letra caprichada no verso continha meu nome escrito com um coração no final. Adorável.

E no próximo ano, esse que não seria bissexto, nós abriríamos nossas confissões sob a luz da lua, e enfim saberíamos o que nossos tantos momentos em silêncio haviam significado.

. . .

Seokjin aproximou-se e se sentou do meu lado, o sol estava se pondo e a coloração do céu era realmente bonita, quase como uma pintura.

— Valeu a pena? – ele perguntou.

— O que?

— Viver.

Sorri de canto, sem responder de imediato.

— Considerando o que você conseguiu conquistar até agora, creio que seu silêncio signifique uma resposta positiva. Eu fico realmente feliz por você ter melhorado, Jimin, veja só, você não só melhorou a sua vida como a das pessoas ao seu redor. – Olhei para ele.

— Como assim?

— Veja Hoseok e Taehyung, eles dois estavam se contendo até agora, segurando a vontade de dizer "eu te amo" um para o outro, e pelo seu conselho, Hoseok não desistiu dele, e agora os dois estão juntos. Você me mostrou um mundo novo, diferente do que eu via pela janela do consultório, me levou para fora da minha área de conforto e sem perceber, saiu da sua também, expandiu horizontes e me fez conhecer pessoas novas, assim como acabou por conhecer a si mesmo e um pouquinho mais do que já sabia sobre Jeon Jungkook. Fez o mesmo com Yoongi, arriscando até uma fuga do hospital para ele mesmo sabendo que algo de ruim poderia vir a acontecer e tudo deu certo. Fez Namjoon perceber que apesar de quebrar maioria das coisas e ser bem desastrado, ele ainda faz parte de você como os outros, e o fez amar pela primeira vez. – sorriu tímido, ao olhar o loiro de relance, que ria junto com os garotos na sala — Tudo deu certo para nós por sua causa, Jimin, você mudou a perspectiva de cada um de nós sobre o que é viver e amar sem nem reparar nisso, só sendo você mesmo e ajudando como pôde ajudar. Apenas isso já te faz especial, já te faz humano e já te faz vivo.

Abaixei a cabeça, contendo as lágrimas. Sorri e sequei os olhos.

— Valeu muito a pena. Obrigado.

O mais alto sorriu e foi se juntar aos garotos, fiquei ali mais um tempo comigo mesmo, e antes que escurecesse, vi pernas aparecerem no meu campo de visão, juntamente com uma roda. Ergui o olhar e vi Jungkook sorrir.

— Quer dar uma volta, hyung?

Sorri de volta e me levantei, subindo na garupa da bicicleta e agarrando sua cintura. Como da última vez, nós gritamos alto nossas frustrações e nos sentimos mais livres, assim como os pássaros.

Fechei os olhos, deitando a cabeça nas suas costas enquanto ele pedalava pela rua calmamente.

Ainda era surreal pensar que eu também acabei por fazer meus amigos se sentirem melhores, e que eu consegui achar meu caminho. Mas Jin tinha razão, ele era esperto, eu acabei conhecendo a mim mesmo e a Jeon Jungkook, descobrindo os segredos dos nossos mundos, e percebendo que o universo não é feito de átomos, e sim de histórias.

No começo, quando meus pais partiram, eu pensei que estava tudo acabado, que aquele era o fim da minha história, o ponto final; eu fiquei minimamente feliz por estar errado. Nem tudo acaba quando você acha que acabou. Eu poderia dizer que JungKook foi o gatilho para os bons momentos, a minha válvula de escape, o arco-íris no fim da tempestade, e todos esses rótulos clichês, mas o meu preferido é: a estrela mais brilhante do meu céu escuro. Foda, né não? Já podem aplaudir. Ok, estou brincando. Minha história não é incrível, muito menos algo que eu poderia usar para dar lição de moral – eu ainda sou um fracassado então não sou digno disso – mas ainda posso dar uma de Seokjjn e contar o que eu aprendi nesse tempo:

A primeira coisa: não afaste as pessoas que querem te ver bem. Nunca, em hipótese alguma recuse alguém que te ama e faria de tudo por ti.

Eu até posso ser um escritor de merda, mas isso não significa que eu tenha que ser uma pessoa de merda.

É normal que nós seres humanos, ativemos todos nossos mecanismos de defesa quando alguém estende a mão para nos ajudar a se reerguer, porque afinal, não vemos isso todos os dias, mas é aí que vem a segunda coisinha:

Renda-se. Mergulhe no desconhecido, descubra coisas novas, conheça pessoas novas, ficar sozinho é um porre, e eu sei que apesar de você dizer que gosta de estar sozinho, a solidão é a pior parte do seu vazio. Se preencha, seja o motivo do sorriso de alguém.

Terceiro: Nunca desista. Continuar lutando é sempre necessário, e eu sei que terão momentos de queda, mas quem não tem, né?

E quarto, mas não menos importante: viva 100% dos seus dias como se fosse o último, faça o que você quer fazer, e não o que te dizem que você deve fazer. Respire, seja infinito. Tente.

— No que está pensando? – Jungkook perguntou e eu dei de ombros, apenas abraçando mais sua cintura e sorrindo como nunca havia sorrido antes.

Eu estava aliviado.

— Nada...

— Ok. – riu.

— Ok?

— É. Ok.

— Não vai brigar comigo por estar divagando novamente enquanto estou com você? – perguntei.

— Não, hyung, eu gosto disso, desses momentos em que você fica em silêncio e pensa consigo mesmo, acredito que te faça bem, e se te faz bem, eu fico feliz.

Meu coração se aqueceu.

— Ei, Jungkook.

— Sim?

— Eu te amo.

Ele riu novamente e continuou a pedalar, dessa vez mais rápido.

— É, eu também te amo.


Notas Finais


[A música que eles ouviram é Words do Gregory Alan Isakov)

*chorando*

Mentira, não to chorando ainda. Eu queria aproveitar o espaço aqui pra agradecer por tudo durante esse tempo, pelos comentários, favoritos, e até mesmo as mensagens de apoio que recebi de vocês. Comecei essa fanfic com o intuito de passar uma boa mensagem para os leitores, escrevi em um formato que ficasse mais aconchegante, foi tudo pensando em vocês, e saber que consegui emocionar, concluir o meu objetivo passando essa mensagem para tanta gente, é muito gratificante. Realmente não esperava que o número de leitores chegasse onde chegou, mas eu ainda sinto que devo muito a cada um de vocês. Obrigada por lerem e acompanharem a 366 dias, espero que eu tenha conseguido me expressar bem nas entrelinhas da história. Vou sentir falta desse pedacinho de mim. :')

Nos veremos em breve quando eu postar o epílogo! <3
Com todo o amor, Miukie.

(Deem amor a Angel: https://spiritfanfics.com/historia/angel-6247539)


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