História 366 Universos - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags 366 Dias, Astronomia, Depressão, Drama, Jikook, Kookmin, Romance, Yaoi
Visualizações 318
Palavras 4.855
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quase 400 favoritos, essas horas o mundo todo deve estar ouvindo meus berros. Eu pretendia postar esse capítulo antes, mas deixei pra postar hoje porque (1) é dia das kids aqui no Brasil e (2) na Coreia já é aniversário do Jimin (coincidência? I don't think so). Bom, que seja, desculpa pelos 4K de palavras, eu tava desenfreada quando escrevi esse kdjskjdksjdskd, mas acho que o número de palavras compensa a demora da titia aqui, né non?

Sem mais delongas, aqui está o capítulo~

Capítulo 8 - Capítulo Sete


Fanfic / Fanfiction 366 Universos - Capítulo 8 - Capítulo Sete

Capítulo Sete

(Não) Vire o copo. 

Depois de passar a madrugada virado com Jimin, ele me deixou em casa, se despediu com uma tragada em seu cigarro e pisou fundo no acelerador, me deixando para trás. Sorri de leve, vendo que ele tinha deixado um cigarro no meu bolso, junto com uma das margaridas que estávamos recolhendo no jardim, e entrei em casa. Caminhei até a cozinha e peguei um fósforo, indo em direção a varanda, onde me sentei e observei as estrelas indo embora com calma, dando espaço ao céu mais claro.

Acendi o cigarro com o fósforo e fiquei encarando o filtro, antes de colocar a ponta na boca e sugar com cuidado, engasguei umas vezes e tossi outras, resmungando pelo gosto horrível que aquilo tinha, mas então, quando me peguei pensando no que estava fazendo, ri. E ri muito, como um idiota, com a margarida em meu colo. Tirei uma foto dela antes que ela começasse a morrer aos poucos, assim como eu costumava fazer com meu irmão e encarei a polaroid, jogando o cigarro longe. Então, suspirei e fechei os olhos por alguns segundos. A noite havia sido diferente de tudo que eu já havia experimentado antes, assim como o gosto do cigarro, e a sensação de ter Jimin comigo recolhendo margaridas e dançando. Se todas nossas futuras aventuras fossem como aquela, então eu faria questão de registra-las, mas não com minha câmera.

Me peguei pensando algumas vezes nisso, e em como as coisas estavam tomando um rumo completamente diferente do que eu esperava quando decidi voltar para Seul. Eu não esperava que um garoto como ele aparecesse no meu caminho, nem mesmo esperava ter a oportunidade de dividir um planeta e uma época com alguém como Park Jimin, como Carl Sagan diria.

Levantei e fui para o meu quarto, deixei as polaroids tiradas naquela noite espalhadas pela cama e não pude deixar de notar que estava faltando uma, justamente a que estávamos juntos. Procurei pela mesma nos bolsos, na jaqueta, até mesmo no sapato, mas ao invés da foto, encontrei um pequeno bilhete amassado. Desdobrei com cuidado e li as palavras escritas em letra cursiva.

"Desculpe, peguei a foto como recordação.

PJM."

Sorri aliviado, prendendo o bilhete e a foto da margarida no meu mural, e o encarando por uns instantes antes de guardar o resto das fotos e a câmera, indo me deitar.

Segundo meus cálculos, eu ainda tinha uma hora e meia para dormir antes que a aula começasse, e foi o que eu fiz.

Só não imaginava que acabaria dormindo um pouco mais do que deveria e teria que levantar de supetão, correndo para o chuveiro a fim de tomar uma ducha rápida e perder menos que trinta minutos de aula.

No banho, fechei os olhos e repassei cada momento em minha cabeça, mas de repente, senti medo. Medo de que eu tivesse mais um daqueles momentos horríveis em que eu me isolava de todos e consequentemente acabasse afastando-o. 

Balancei a cabeça, como se isso fosse tirar da minha mente todos aqueles pensamentos, e então me vesti na mesma velocidade que havia pulado da cama. Coloquei a câmera na mochila junto dos filmes e pensei em ir de ônibus, mas pelo visto ele já havia passado, então fui correndo.

Quando alcancei o campus, bati na porta da sala, esperando que o professor abrisse e me desse uma bronca pelo atraso, mas não obtive resposta. Tentei espiar dentro, mas parecia estar vazia, então chequei novamente o horário. Eu estava vinte minutos atrasado, então por que não tinha ninguém ali?

— Jungkook?

Me virei, vendo Seokjin parado no corredor.

— Não temos aula de segunda, o que está fazendo aqui?

— Segunda... — Olhei novamente o horário no celular.

Claro, como eu poderia ter esquecido?

Ele riu baixo e bagunçou meu cabelo.

— Parece que você está com a mente turbulenta hoje, mas já que acordou cedo e veio até aqui, o que acha de ir tomar um café?

Sorri e cocei a nuca, assentindo, então segui Seokjin para a cafeteria. No caminho, falamos pouco, ele pediu que eu o chamasse apenas de Jin, ou então de hyung, e então empurrou a porta, dando espaço para que eu passasse primeiro. Lá dentro, Namjoon pareceu surpreso ao me ver, e então abriu um sorriso.

Me amaldiçoei mentalmente por não ter voltado ali desde o dia que cheguei, mas não podia negar que era difícil conciliar tudo que estava acontecendo na minha vida de uma vez só.

— Jungkook, quanto tempo. — O loiro parou de limpar o balcão e veio até nós, sorri e curvei a cabeça de leve.

— Oi, hyung... — Percebi que ele olhava para alguém atrás de mim e então pigarreei — Esse é o Jin, ele é meu professor de fotografia.

— É um prazer te conhecer — Seokjin estendeu a mão e deu uma olhada no crachá preso ao uniforme do garoto — Kim Namjoon.

O mais alto sorriu, apertando a mão do moreno, e então nos guiou para uma mesa. Jin pediu dois expressos, e voltou a olhar para mim.

— Como você está, Jungkook?

Sua pergunta havia me pego de surpresa. Em todo esse tempo, ninguém nunca tinha me perguntado isso, além de Jimin, é claro. “Como você está?”, era, com certeza, uma das perguntas que entraria para a minha lista de “perguntas que Jeon Jungkook nunca saberia responder”, pelo simples de fato de ser complicada demais para mim. Eu não sabia mentir quando me perguntavam, nunca consegui, então preferia apenas não responder, contudo, Jin parecia realmente se preocupar com isso, e por algum motivo eu não queria mentir novamente.

— Eu não sei. Sinceramente não sei, hyung. As coisas estão mudando aos poucos, mas eu não sei como me adequar a essa mudança, entende? — Passei os dedos pelo cabelo, evitando olha-lo nos olhos. Ele assentiu. 

— Na verdade, isso é bem compreensível, você mudou de cidade a pouco tempo, está longe dos pais... Talvez você sinta falta da sua família, mas é um adulto agora, vai aprender a se acostumar com a ausência deles. 

Ri de canto, não era bem deles que eu sentia falta, e com certeza não seria da cidade.

Antes que eu dissesse algo, Namjoon apareceu com os dois cafés e os colocou em nossa frente com cuidado.

— Se precisarem de alguma coisa, podem me chamar — virou-se, mas eu segurei sua camiseta por trás.

— Hyung.

— Sim?

— Lembra daquele garoto ruivo que estava aqui quando eu cheguei de Busan? — Perguntei, e ele pensou um pouco. 

— Ah, Park Jimin? — Assenti — O que tem ele?

Mordi o lábio, não queria que ele achasse que eu tinha algum interesse em Jimin e isso acabasse chegando aos ouvidos do mesmo, eu só estava curioso para saber porque o mesmo não me contava nada sobre seus hobbies, seu emprego, sua família... 

— Ele... hm, ele ainda trabalha por aqui?

— Ah, não... saiu faz um tempo já, eu me lembro de ter conversado com ele quando o mesmo veio pegar suas coisas e devolver o uniforme. — Respondeu.

— E você sabe por que ele saiu? — Tombei a cabeça para o lado. 

— Parece que os pais dele sofreram um acidente grave e faleceram. — Suspirou, e de repente, eu quis morrer — Eu fiquei bem chateado quando ele contou, e ele parecia muito triste. Sabe, Jimin vinha trabalhar sempre radiante, mas naquele dia os olhos dele estavam carregados de tristeza, perder alguém importante nunca é fácil.

A última frase foi como um soco no estômago, e ele pareceu perceber, mas não disse nada.

Então foi por isso que Jimin esteve sumido por dois meses, e por isso que eu o havia visto no cemitério. A cena então se passou na minha mente outra vez. Nossos olhos se encontrando, o cabelo laranja molhado pela chuva, os olhos que antes eram brilhantes totalmente opacos, e o sorriso ausente.

Respirei fundo, minha cabeça latejava e meu estômago se revirou de repente. 

Eu queria que ele tivesse me contado sobre isso, mas seria injusto consigo ter que contar sobre a morte dos pais quando eu não mencionei nada sobre a do meu irmão. Como eu imaginava, ainda havia um abismo enorme entre mim e Jimin, e a linha que nos conectava era tênue.

Namjoon foi atender outro cliente depois de um tempo batendo papo com Seokjin, e eu tomei meu café, meio alheio ao mundo, observando a rua, como sempre fazia, tentando esconder o mal-estar que estava sentido ao processar aquela informação. 

— Jimin é seu amigo? — Jin me olhou, e então eu dei de ombros.

— Mais ou menos isso.

Ele deu um gole no seu café, e então pousou a xícara no pires.

— Ele é um garoto bom, já foi meu aluno.

— Jura? — Olhei para ele, que assentiu. Nunca imaginei que Jimin gostasse de fotografia.

— Ele tinha ambição, mas não tinha vontade, então decidiu fazer o que gostava, que era astronomia. Mas eu ouço dos outros professores que ele parece muito avoado, como se não quisesse realmente estar ali. — Disse, ajeitando os óculos — Vocês têm muito em comum nesse quesito.

Engoli em seco e ri meio sem graça, era verdade que muitas das vezes eu não participava tanto da aula dele, e nem mesmo havia entregado o “trabalho” que ele havia pedido, algo tão simples que se eu não fizesse poderia facilmente ser considerado um idiota preguiçoso, o que definitivamente não era o que eu queria. Eu só... estava num momento delicado para pensar qual era a importância de uma coisa na minha vida. 

— Eu sinto muito, professor...

— Jin-hyung. — Corrigiu.

Ri.

— Eu sinto muito, Jin-hyung — repeti — vou me esforçar mais.

— Não quero que se cobre tanto, só tenha em mente que eu acredito no seu potencial, Jungkook, e eu espero ver resultados. Você se destaca, acho muito interessante seu modo de ver o mundo. E caso precisar conversar sobre seu problema, aqui está o meu número. — Puxou uma caneta do bolso da camisa e, em um guardanapo, escreveu um número de telefone. Peguei o guardanapo, curvando a cabeça e dobrei-o com cuidado antes de coloca-lo no bolso do casaco.

Particularmente, eu não acreditava ter todo esse potencial que Seokjin via em mim, mas não queria decepcioná-lo.

Talvez, ele e todas as outras pessoas vissem algo meu que eu simplesmente não era capaz de enxergar. E eu queria muito que isso mudasse em breve.

. . .

Na semana seguinte, voltei ao Jung’s para almoçar e acabei dando de cara com Hoseok, que discutia baixinho com sua mãe no balcão. Os dois notaram minha presença e sorriram, dando para reparar no quanto suas feições eram parecidas. Devolvi o sorriso timidamente e caminhei na direção deles.

— Oh, Jungkook. — A senhora Jung limpou as mãos no avental, e ia falar algo, mas seu filho a interrompeu, com sua animação característica.

— Kook, quanto tempo! Não nos vemos desde... — Parou um pouco, pensando em qual tinha sido a última vez que nos encontramos.

— O dia do encontro do Yoongi — completei.

— Isso! Você deveria sair mais conosco. Vem, senta aqui.

Me sentei ao seu lado e dei uma olhada no cardápio, respondendo suas perguntas em relação aonde andei esse tempo todo, se tenho falado com Yoongi, Taehyung, ou Jimin, como iam minhas aulas, e se eu estava bem.

Conversamos um pouco, e eu gostava da companhia dele, parecia diferente de quando ele estava com o namorado, mas não que isso fosse ruim, era apenas interessante.

No meu modo de ver as coisas, Hoseok era protetor – até demais, aparentemente – e estar perto de Taehyung o fazia querer ficar de olho no mesmo, como se algo errado estivesse prestes a acontecer, ou como se ele pudesse fazer algo errado. Fiquei curioso quanto a isso, mas não precisei perguntar nada para constatar que minha dedução estava certa, o moreno falou por si próprio.

— Posso te perguntar uma coisa, Jungkook?

Avistei a senhora Jung outra vez e dei-lhe um aceno, pedindo uma coca-cola, e logo me virei para o mesmo.

— Claro, hyung...

Agradeci a mãe dele quando a mulher me deu uma lata de refrigerante e abri, bebendo um gole.

— O Yoongi... ele está bem?

O encarei, meio confuso.

— Por que não estaria?

— Desde aquele encontro, ele têm se distanciado, e eu temo que ele esteja bravo comigo... mas não foi nada demais, certo? Ele só precisava sair com uma garota. — Coçou a nuca.

"— Jungkook...

— Hm?

— O que você faria se gostasse de um dos seus melhores amigos?"

— Ouch... — Sussurrei.

— O que?

— N-nada... é que... sabe, Hoseok, talvez para ele não tenha sido tão fácil assim. Yoongi odeia fazer as coisas contra sua vontade e ainda mais quando ele não tem nenhum interesse em meninas. — Suspirei.

— Você acha que eu deveria falar com ele ou algo assim? — Perguntou, um pouco cabisbaixo.

Não pude deixar de notar que Hoseok estava sim incomodado com tudo aquilo, ele gostava de Yoongi, e ao que parece, o esverdeado sentia o mesmo, só que de outra maneira. Se Yoongi estivesse gostando do moreno, o que me preocupava era como ficaria a relação deles, e se isso poderia interferir em seu namoro.

— Eu acho que você deveria pedir desculpas.

— Eu farei isso. — Ele passou a mão no queixo, pensativo — E, posso te perguntar outra coisa? Juro que é a última!

Ri.

— Manda.

— Você e o Jimin são próximos também, certo? Ele já me falou de você.

Arqueei a sobrancelha.

— Falou...? — Hoseok assentiu, então continuei: — Eu não diria que somos tão próximos, mas nós conversamos às vezes. — O que não era totalmente mentira.

— Fico feliz que esteja saindo mais e fazendo amizades. — Ele bagunçou meu cabelo e eu ri — O Jimin costuma ser bem reservado e apesar de ser bem conhecido, ele não costuma falar muito com ninguém. Bem, antes ele falava, mas depois do que aconteceu e tal ficou meio difícil para ele...

Abri a boca, me preparando para perguntar sobre o que aconteceu, quando o toque do celular de Hoseok interrompeu a conversa, e ele atendeu, pedindo desculpas pela interrupção, respondi que estava tudo bem e esperei que ele terminasse de falar, e então o mesmo desligou.

— Cara, seu toque é Cheer Up? — Dei risada e o garoto semicerrou os olhos, pegando minha latinha de coca-cola recém-trazida pela mãe do garoto e dando um gole. 

— O que você tem contra fãs de Twice, Jungkook?

— Nada, tenho até amigos que são. — Puxei o refrigerante de sua mão e ele revirou os olhos.

— O refrigerante é por minha conta, mas só porque você serviu de conselheiro particular, seu hater. — Levantou, fingindo estar bravo e riu em seguida — E obrigado, eu preciso ir agora. Ah, sexta-feira, às 19h, noite da rapaziada na casa do Taehyung. Te mando o endereço por mensagem.

E então ele saiu.

Por um momento, senti que realmente tinha amigos.

E percebi que, meu Deus, eu sou muito solitário.

. . .

Na sexta, falei um pouco com Jimin enquanto me arrumava para a tal "noite da rapaziada" — nome esse que tenho certeza que tiraram daquele desenho do Cartoon Network — e esperei ele chegar para me buscar, porque, por algum motivo, ele não queria chegar lá sozinho.

Entrei em seu carro sem falar muita coisa, e o vi me olhar de cima a baixo, com um sorriso ladino e um cigarro apagado entre os dedos.

— Não diga nada, eu só vesti um casaco novo. — Murmurei e ele riu.

— Min Yoongi, saia já deste corpo que não te pertence. — Ligou o carro e eu não consegui segurar o riso, me erguendo para colocar uma música no rádio.

Coloquei Heart-Shaped Box porque sabia que ele gostava muito de Nirvana, e então abri a janela do carro, deixando que o vento refrescasse o ambiente. Estava calor, muito calor, e eu me amaldiçoava mentalmente por ter levado um casaco novo sendo que sabia que ia suar.

Não falamos muito pelo caminho, nem perguntei porque ele ficou sem me ligar ou mandar mensagens no dia, eu não me importava tanto assim porque (1) eu não tinha direito algum de cobrar nada dele, (2) tenho certeza que Hyemin já fazia isso o suficiente e (3) porque ele gostava de espaço, e eu estava passando a me acostumar com suas sumidas, sejam essas por horas, ou em alguns casos, dias. O meu único medo era que ele sumisse por meses, ou anos, ou então para sempre, porque de todas as pessoas no mundo, Jimin tinha escolhido a mim para ser seu companheiro de aventuras, e eu queria que isso durasse o suficiente para eu convencê-lo a nunca mais ir. 

O ruivo estacionou de qualquer jeito em frente a casa de Taehyung e pulou para fora, fiz o mesmo e dei uma olhada no meio-fio.

— Você e Yoongi têm a mesma mania esquisita de estacionar torto.

— Nós temos muito em comum. — Ele sorriu e não apertou a campainha, apenas tateou a mureta ao lado da porta e buscou uma chave embaixo do vaso de flores.

Me surpreendia o dono da casa ainda não tinha colocado o sistema de senhas.

— Que previsível. — Observei, e ele destrancou a porta.

— Muito. Só espero que Taehyung não esteja se pegando em algum lugar com o Hoseok, da última vez que arrombei sua casa ele estava posando nu para o namorado.

Ri, não queria imaginar aquela cena nem em mil anos sequer. 

— E como foi a experiência? — Cruzei os braços, com um sorriso divertido nos lábios. 

— Terrível, Jungkook, terrível.

Entramos na casa e deixamos nossos sapatos na entrada, caminhei com cuidado, mas Park fez totalmente o contrário.

— ALÔ ALÔ, ALGUÉM EM CASA?! — Deu um berro, batendo no gesso da parede da sala algumas vezes.

— Meu Deus, eu vou te matar. — Taehyung desceu as escadas de roupão, para minha sorte, e o rosto inteiro coberto de argila verde. — Eu estava fazendo a pele. 

— Ainda bem que ele não tá pelado. — Falei, e mesmo com a argila na cara, pude ver que as bochechas do acastanhado assumiram um tom vermelho, e ele virou para o menor incrédulo. 

— Você contou para ele, Jimin?!

Jimin riu, se jogando no sofá e me puxando consigo.

— Algumas coisas só são boas se compartilhadas com alguém. — Respondeu e ligou a TV.

— Onde está o Yoongi e o Hobi-hyung? — Perguntei, sentindo o olhar do ruivo sobre mim.

— Yoongi sumiu do mapa, Hoseok está a caminho, ele parou num posto pra comprar bebidas e a mulher o confundiu com algum cantor de k-pop, ele deu autógrafos e tudo. — Taehyung riu, fuçando os armários — Algum de vocês sabe como faz pipoca?

— Você é um caso perdido. — Levantei, indo ajuda-lo.

Não era uma surpresa para mim que Taehyung não soubesse fazer pipoca, afinal ele não parecia saber muita coisa.

Enquanto eu fazia a pipoca, o mais velho ia enchendo uns baldes com nachos e queijo derretido, já Jimin assistia algum desenho na televisão, eu não sabia qual era, mas sabia que era engraçado, já que conseguia ouvir sua risada fofa de longe. 

— Santo Deus, que demora... — Taehyung checou o celular algumas vezes.

— Hyung. — Chamei baixo, com cuidado para que apenas ele ouvisse, e ele ergueu o olhar. — Você já teve a impressão de conhecer alguém a muito mais tempo do que você realmente a conhece?

O mesmo deixou o celular no balcão e mordeu um dos nachos.

— Para falar a verdade, sim. Por que isso agora?

— É que às vezes... sinto como se conhecesse Jimin muito mais do que realmente conheço. — Olhei para o garoto no sofá, vendo seus olhos brilharem ao assistir o comercial de um programa que iria estrear no Discovery que falava sobre o sistema solar.

Taehyung riu baixo.

— Vocês têm muito em comum... Jimin sempre me fala algumas sobre isso, sobre destino, ou sei lá o quê. Ele curte essas paradas de nerd.

— Ele fala? — Senti meu coração falhar uma batida, e ele assentiu, quando a campainha tocou.

— Oh, deve ser o Hobi. — Correu pra porta e a abriu.

— Demora dois anos para atender a maldita porta e quando atende tá sem roupa, disappointed but not surprised¹. — Yoongi entrou, acenando pra mim e se sentando no balcão a minha frente.

Taehyung revirou os olhos logo atrás dele.

— Eu não demorei nem meio segundo para atender a porta, moleque azedo.

Yoongi riu, enquanto o acastanhado continuava a resmungar.

— Adoro irritar ele.

— O inferno está cheio de pessoas como você, Min Yoongi. — Falei, sorrindo fechado e jogando sal na pipoca.

— Como ele também, e como você, como Jimin, como Hoseok...

— Você come quem, Yoongi? Tá maluco? — O garoto veio como um furacão, segurando um chinelo.

Não consegui deixar de escapar uma gargalhada alta, enquanto o esverdeado se protegia dos ataques do mais novo, tentando se explicar. 

— Abusado. — Saiu andando, mas não sem antes dar uma chinelada no braço de Yoongi.

Tentei segurar o riso outra vez, mas sem muito sucesso, e pude jurar que se os olhos do meu melhor amigo fossem metralhadoras, eu estaria morto.

— A culpa é toda sua, pirralho.

Mandei língua, erguendo o olhar para a porta uma vez que essa se abriu, revelando um Hoseok ofegante e cheio de sacolas nas mãos.

— O que aconteceu? — Jimin perguntou.

— Fui perseguido por umas dez garotas que pensaram que eu era membro do Got7, santo Deus... — Deixou as sacolas no balcão.

— O que? Que audácia... nem bonito você é. — Yoongi resmungou, cruzando os braços.

— Não sou? Tem certeza? — Arqueou a sobrancelha, e eu pude ver o rosto do mais velho enrubescer.

Pigarreei, batendo as mãos.

— É... gente, falta alguma coisa?

— Ah, sim, convidei um amigo. — Jimin disse, sem tirar os olhos do celular. 

Por algum motivo, aquela informação havia me descido de forma estranha, e eu me senti um pouco incômodo. Tombei a cabeça para o lado. 

— Um... amigo? — Perguntei. 

— É, ele já deve estar chegando. — Sorriu.

— Ih, senta que lá vem história... — Yoongi deitou no sofá, apoiando o pote de pipoca na barriga e comendo como se fosse um bicho preguiça.

Segurei a famosa revirada de olho e me apoiei no balcão.

— Então acho melhor pedirmos uma pizza também. — Taehyung voltou, dessa vez vestido e com o rosto limpo, beijou o rosto do namorado e começou a fuçar a sacola de bebidas.

— Tae. — Hoseok lançou um olhar repreendedor e o mesmo bufou, meio irritado.

— Fala sério, pare de agir como se fosse minha mãe. — O acastanhado resmungou. 

— Estou apenas agindo como seu namorado, é isso que eu tenho que fazer.

— Não comecem a brigar agora, a noite mal começou. — Jimin tacou uma almofada em Hoseok, que suspirou.

— Ele tem razão, não vamos começar agora. — O mais novo murmurou, indo se sentar no sofá.

Ajudei-os a levar os potes com os salgadinhos e os doces para a sala, enquanto Taehyung pedia a pizza e discutia baixo com Yoongi sobre qual seria o sabor. No fim, pedimos de pepperoni e eles ficaram satisfeitos.

— JIMIN, FAÇA ALGO DE ÚTIL E ATENDA A PORTA! — Um deles gritou da cozinha e eu tomei a frente, indo abrir.

O ruivo não me perguntou o porquê eu tinha feito aquilo, e nem eu mesmo sabia, mas eu estava curioso para saber quem era o seu amiguinho misterioso, então abri a porta.

— Seok...jin? — Franzi o cenho, e o mais velho também pareceu surpreso em me ver.

Ele sorriu. Estava sem óculos dessa vez, com o cabelo meio bagunçado, diferente do usual,  e roupas casuais como tênis, jeans e moletom. Nada parecido com o Seokjin professor, aquele com óculos redondos — mas que nunca o deixavam feio —, calça cáqui lisa, camisa social e suéter cor de creme. Ali ele era só mais um jovem, mais um de nós.

— Oh, Jungkook. Bom te ver. — Bagunçou meu cabelo, e eu sorri por uma fração de segundo.

— Jin-hyung! — Jimin acenou de dentro, e então dei espaço para que ele passasse.

— Se não se importa, eu trouxe um amigo, ele estava me acompanhando. — Virou para trás — Hey, Namjoon!

— Sempre cabe mais um na Taelândia. — Taehyung surgiu, sorrindo e cumprimentando o professor. Bati a palma da mão na testa com o seu trocadilho ridículo e continuei parado ali sem entender nada, enquanto meu cérebro processava tudo o que estava acontecendo.

Até que meus olhos se voltaram a porta novamente.

— Ah, não, você não...

Namjoon correu até mim como se aquela fosse nosso primeiro encontro em anos, passando seu braço sobre meus ombros.

— Kookie, não sabia que estava por aqui!

E dessa vez, a expressão de Jimin quando viu o loiro foi impagável. Ele parecia realmente confuso e surpreso, o que o deixava engraçado. Eu o via sempre confiante, aparentando estar sempre ciente do que era o certo a se fazer e o que fazer em todos os momentos, mas naquele, ele não sabia, e isso era interessante. 

— Eu perdi algo? — Pigarreou, chamando nossa atenção.

Era claro que Namjoon e Jimin já se conheciam, mas era novidade para nós dois que Seokjin e Namjoon pudessem ser tão bons amigos à ponto de virem juntos para a "noite da rapaziada". Apresentei Namjoon a todos os garotos, exceto o ruivo, e enfim comentei:

— Hyung, não sabia que tinham ficado tão próximos...

— Nós nos demos bem. — Namjoon deu de ombros.

— E se é amigo do Kook e do Jimin, é nosso amigo também. — Hoseok interferiu, levantando as garrafas — Quem vai querer cerveja?

É claro que todos levantaram a mão, até mesmo eu que costumava beber apenas para não ser deixado de fora, agora estava me acostumando ao gosto amargo da bebida, mesmo que eu preferisse vinho, já que tinha o gosto mais sofisticado.

Ou não.

Yoongi pagou o entregador de pizza e nos sentamos no meio da sala, e enquanto Taehyung e Jin se arriscavam no karaokê, me peguei olhando para Jimin algumas vezes. Ele parecia confortável, feliz, e eu me sentia completo só de vê-lo sorrir e cantar com os meninos.

Até que ele virou também, e me pegou olhando para si na maior cara de pau. Eu não sabia onde enfiar o rosto, então continuei o encarando. Acabamos por entrar num daqueles jogos onde se decide quem encara por mais tempo e Jimin riu, balançando a cabeça e desviando o olhar, sorri e murmurei um "ganhei" para si, recebendo um "veremos" em troca.

Não entendi de certo o que ele havia tentado dizer com aquilo, mas não precisava.

Jimin se levantou, puxando-me pra cima.

— É nossa vez de cantar.

E cantamos, eu o acompanhava baixo enquanto o mesmo lia a letra da música na TV e soltava sua voz de uma maneira incrivelmente livre. Fui fazendo o mesmo até que a harmonia de nossas vozes foram preenchendo a sala de estar, e meus olhos automaticamente se fecharam, sentindo aquilo e prestando atenção no som.

Sua voz, a minha, a melodia vinda da televisão e uma sincronia perfeita.

— Wow, daebak! Vocês dois conseguiram a pontuação máxima. — Hoseok bateu palmas, e eu me curvei, fazendo uma falsa reverência e fingindo tirar um chapéu da cabeça.

— Jungkook sempre me impressiona. — Jimin sorriu, fazendo um high-five.

Aquilo me fez enrubescer de uma forma inacreditável, e eu queria me socar no rosto por ser tão tímido, mas não podia, então apenas agradeci baixo e o evitei o resto da noite, essa que foi composta por:

1- Comida, muita cerveja e competições de arroto;

2- Queda de braço e partidas de Mortal Kombat no videogame;

3- Mais comida, mais cerveja, mais competições de arroto e brincadeiras infantis como "eu nunca", só que na versão +18.

Nos sentamos em um círculo com uma garrafa de vodca no meio e seguramos nossos copos, olhei para os garotos, todos estavam totalmente tranquilos, exceto por Taehyung. Ele estava estranho.

A brincadeira consistia em: alguém falava algo que nunca fez, quem tiver feito essa coisa teria que beber uma dose de vodca de uma vez sem fazer careta e prosseguir com o jogo. Não era difícil, mas assustador em diversas maneiras.

As primeiras perguntas eram coisas bobas como "eu nunca caguei no mato", ou "eu nunca desmaiei de tanto beber", e só depois de termos nos aquecido que a coisa começou a esquentar realmente.

Era a vez de Namjoon.

— Eu nunca paguei um boquete. — Todos olharam para ele, como se ele fosse um alienígena.

— Sério?! — Hoseok soltou e o mesmo deu de ombros.

— Geralmente eu quem recebo.

Pude imaginar um óculos escuros em seu rosto e uma edição digna de meme naquele exato momento, mas apenas ri e não bebi.

— Jungkook? — Taehyung entreabriu a boca — Você nunca...

Meu rosto esquentou e eu neguei com a cabeça.

— Deixe ele em paz, tem a primeira vez para tudo. — Jimin riu, e piscou em seguida — Se ele quiser eu ensino.

De fato, ele estava alterado, e eu estava constrangido. Pigarreei.

— Eu passo, obrigado. — Respondi e esperei que fizessem a próxima rodada.

Depois de algumas viradas, a garrafa estava quase no fim, e eu sentia a bebida queimar na boca do estômago como se eu fosse colocar tudo para fora no carpete do Taehyung a qualquer momento. Por sorte, eu prezava pela minha vida e mantive um balde perto de mim.

Não estava tão enjoado, até que foi a vez de Yoongi.

— Eu nunca traí meu namorado. — Sorriu, bem bêbado — Até porque não tenho um.

Algo em mim dizia que aquilo era uma indireta, e eu só observei a cena com receio do que pudesse vir a seguir.

E então veio.

Taehyung virou o copo.


Notas Finais


¹Disappointed but not surprised, para os leigos, significa: "desapontado mas não surpreso". E pra quem não entendeu o "você come quem?", sinto muito por vocês KDJSKDJSKDJSKJD.

Eu particularmente gostei desse capítulo, então espero do fundo do coração que tenham gostado também. Comentem o que acharam, vem bastante coisa por aí.

Qualquer dúvida, to no curiouscat pra responder perguntinhas: curiouscat.me/attjeon.


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