História 380 dias antes de morrer - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Drama, Jungkook, Romance, Suga, Yoongi, Yoonkook
Visualizações 73
Palavras 3.462
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Prestes a desmoronar


62 dias antes.

O banheiro do apartamento virara uma completa bagunça naquela manhã. Caixas de tinta sobre a pia, machas de tinta pelo chão, a torneira aberta na tentativa de limpar um pouco da meleca espalhada e pincéis jogados por todos os cantos.

Yoongi estava totalmente concentrado em cobrir o cabelo desbotado com tinta preta, e nem mesmo se deu conta da bagunça que fizera pelo banheiro. Nunca tinha pintado o próprio cabelo antes, afinal era Taehyung quem sempre fazia isso por ele. Pensou que talvez devesse ser mais independente do amigo e aprender a fazê-lo sozinho; o resultado foi um banheiro sujo de tinta e água transbordando da pia e despejando no chão.

— Merda — Yoongi fechou a torneira e deixou-se cair no chão ofegante. — Eu deveria mesmo ter chamado o Taehyung.

No mesmo instante, era possível ouvir a porta de entrada ranjer, indicando que alguém entrara no apartamento. E esse alguém, Yoongi tinha certeza, era Jeongguk.

— Yoongi hyung, onde você está? Eu preciso falar com-

Jeongguk que antes corria afobado pela sala, parou na entrada da porta e assim que viu o estado em que se encontrava o banheiro, arregalou os olhos assustado. Yoongi acharia graça de sua expressão se não estivesse exausto demais para até mesmo virar seu rosto para encará-lo. Fitava o chão, vencido pelo cansaço e nem saberia dizer há quanto tempo estava ali dentro tentando cobrir o cabelo desbotado com tinta.

— O que aconteceu aqui?! — Jeongguk perguntou e segurou uma risadinha assim que viu o cabelo do mais velho pintado metade preto, metade uma cor confusa de um verde apagado. — Deixa eu adivinhar. Você estava tentando pintar o cabelo, estou certo?

Yoongi assentiu; tinha a expressão tão neutra que quem olhasse pensaria que sua alma fora sugada de seu corpo. 

— Não precisa fazer toda essa bagunça só para pintar o cabelo. — Jeongguk sorriu. — Tudo bem, deixa que eu te ajudo.

Andou em direção ao outro que estava esparramado no chão e o ajudou a levantar para logo em seguida, sentar-se em uma cadeira de frente ao espelho meio sujo do banheiro. Jeongguk tornava tudo tão mais fácil que Yoongi por um momento se achou um tolo por ter feito tanta sujeira por algo tão estupidamente simples. Não demorou muito para que todo o cabelo do mais baixo fosse completamente preenchido pela tinta escura. Yoongi estava quase pegando no sono - as mãos de Jeongguk eram prazerosas quando passeavam em seu cabelo.

— Pronto, hyung. — Sacudiu Yoongi de leve na tentativa de acordá-lo do transe em que se encontrava. — Está vendo? Não é tão difícil.

— Ok, Jeon, eu já entendi que você consegue tornar qualquer coisa mais fácil do que é. — Jeongguk riu soprado achando divertido o rostinho carrancudo do hyung.

— Incrível como qualquer cor fica bem em você.

A batida do coração do outro falhou por um breve instante e então pigarreou tentando disfarçar o fato de que nunca sabia o que dizer ao ouvir coisas como aquela vindo do mais novo. Yoongi levantou o olhar antes fixo no piso do banheiro para olhar através do espelho, e seus olhos se encontraram com o de Jeongguk, que sorriu ao se dar conta do que suas palavras causaram ao outro. Os olhos mantiveram contato por alguns instantes, que para Yoongi foram longos e torturantes e o silêncio se tornou constrangedor.

— Não me diga que ficou envergonhado com o que eu disse. — Jeongguk falou baixo rente ao ouvido do mais velho, este que num ato involuntário fechou os olhos para ouvi-lo com mais nitidez. 

As mãos de Jeongguk apoiadas nos ombros de Yoongi, subiram devagar por seu pescoço e então para a nuca. Yoongi permanecia com os olhos fechados quase que em êxtase e o coração continuava pulsando rápido em seu peito. Se sentia envergonhado por estar gostando de ter as mãos de Jeongguk passeando graciosamente por aquela região de pele parcialmente exposta. Não era capaz de controlar o que estava sentindo naquele momento. Era como se estivesse fora de si, algo que nunca sentira antes.

Jeongguk... — Yoongi sussurrou como um sopro que ecoou por todo o banheiro.

Yoongi estava vestindo uma camisa larga que deixava toda a região dos ombros e clavícula expostos, como um convite para que Jeongguk explorasse todo o seu corpo desprotegido. Pendeu a cabeça para o lado preguiçosamente, permitindo que Jeongguk avançasse com as mãos até a região abaixo dos ombros para então fazer uma massagem suave ali. O ambiente abafado do banheiro estreito deixava o rosto de Yoongi cada vez mais quente.

Queria saber o que Jeongguk estava pensando naquele momento; talve achasse graça de toda aquela situação ou talvez estivesse se divertindo em vê-lo tão submisso aos seus toques. Não saberia dizer com certeza. Jeongguk ainda era um enigma, enquanto ele estava se tornando cada dia mais um livro aberto que todos - e principalmente o moreno - pudessem lê-lo.

O rosto de Yoongi queimava de vergonha enquanto as mãos de Jeongguk desciam cada vez mais por seu corpo. Tudo piorou quando Yoongi deixou escapar um gemido rouco e inesperado de seus lábios. E então viu que deveria parar de vez com aquela situação. Abriu os olhos imediatamente assim que percebeu que a situação escapara de seu controle e apressou-se em tirar as mãos do outro de si.

— Acho que já basta. — Yoongi fez o possível para manter a voz firme, ainda que a mandíbula estivesse oscilando para cima e para baixo. Olhava para uma direção oposta a de Jeongguk evitando o contato visual que o deixava completamente desnorteado. — Vamos parar por aqui.

— Qual o problema?

— O problema é que você é perigoso, esse é o problema.

Jeongguk não pôde deixar de conter um sorriso pelo modo como Yoongi parecia se envergonhar por qualquer coisa. Yoongi parecia alguém rígido por fora, mas por dentro era tão frágil como uma peça de porcelana.

O outro cruzou os braços e bufou frustrado pelo modo como Jeongguk tornava até mesmo aquelas situações constrangedoras em algo comum do dia a dia de dois jovens que se amam. Talvez fosse normal entre namorados, pensou, mas ainda era algo novo para si.

— Obrigado por isso. — Yoongi disse em meio a um biquinho zangado formado em seus lábios. Pegou um fiozinho do cabelo agora mais escuro que antes e analisou cuidadosamente a nova cor de cabelo. Pelo reflexo do espelho, viu que Jeongguk sorria.

— Agora vamos limpar essa bagunça que você fez, sim?

— Vamos.

 

 

— Ei, Jeon.

— Sim?

— O que você queria me dizer?

Jeongguk virou o rosto para encarar o garoto ao seu lado. Estavam sentados no chão do banheiro depois de uma tarde inteira limpando o lugar desorganizado. Yoongi tinha os braços pálidos apoiados nos joelhos e a cabeça recostada na parede, enquanto o fitava com os olhinhos atentos. Respirava rápido deixando nítido o seu cansaço.

Os lábios entreabriam tentando encontrar as palavras certas, contudo nenhuma delas vinha. As palavras escaparam de sua mente assim que seu olhar voltou-se para a pele exposta dos pulsos do outro. O sangue carmim sutilmente coagulado nas cicatrizes contrastava com a pele pálida e deixava tudo tão evidente que se sentiu um idiota por não ter percebido antes.

Se sentiu impotente por não ter evitado que aquilo acontecesse de novo. Os ombros pesaram e aquele peso doía. Talvez nem tanto quanto Yoongi estava dolorido para ter que fazer aquilo consigo mesmo. Talvez nem tanto quanto a dor que Yoongi sentiu ao conseguir aquelas cicatrizes. Queria saber o que tinha acontecido, saber o motivo ou simplesmente abraçá-lo e dizer que estava tudo bem e que não precisava de nada daquilo para aliviar a dor, porque o tinha bem ali ao seu lado. A coragem que sempre teve não veio quando mais precisou dela. Desviou o olhar para o chão e forçou o melhor sorriso que conseguiu.

— Não é nada.

— Tem certeza? — Jeongguk suspirou.

— Tenho sim, hyung. Não se preocupe.

 

 

 

58 dias antes.

— Vai pra casa, Jeon.

— Eu vou esperar até que seu turno acabe.

— Para quê? — Yoongi desviou o olhar antes preso em seu livro para encará-lo. — Não se preocupe comigo, aquele cara não vai mais aparecer aqui.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Só se ele for louco de aparecer aqui de novo.

— De qualquer forma, vou te esperar.

Yoongi revirou os olhos, vencido pela teimosia do namorado.

— Só pra avisar que eu vou demorar. Depois não fique reclamando na minha orelha.

— Então vou ler um livro.

Jeongguk sorriu com sinismo passando a procurar algo para ler em todas as prateleiras da biblioteca. Yoongi o acompanhou com o olhar e se perguntou que tipo de livro Jeongguk gostava, já que era evidente que o outro não lia com frequência e que depois de meia hora estaria dormindo em cima das palavras. E foi o que aconteceu. Passado uma hora ─ mais do que Yoongi preveu ─, Jeongguk tinha a cabeça encostada na mesa da biblioteca com os olhinhos fechados. As pessoas entravam, passavam um tempo lendo e depois iam embora. Nada diferente do de costume. Yoongi continuava entretido em sua leitura esperando as horas passarem.

O tempo passou mais rápido do que o esperado e o céu já havia escurecido. Yoongi fechou o livro, pegou as chaves da biblioteca e então olhou na direção de Jeongguk que ainda estava dormindo e sentiu-se culpado por tê-lo feito esperar por tanto tempo. Se não fosse tão teimoso, talvez já estivesse em casa. No entanto por algum motivo ainda estava ali.

— Acorda, Jeongguk. — Yoongi o sacudia de leve.

Jeongguk levantou a cabeça devagar e coçou os olhos.

— Já é hora de ir?

— Sim, vamos logo que eu estou com fome.

 

 

Yoongi segurava com dificuldade as sacolas plásticas cheias de macarrão instantâneo que acabara de comprar na pequena lojinha de conveniências. Caminhavam os dois lado a lado em direção à velha estação de trem e Yoongi não entendia por que Jeongguk queria ir até lá. Estava faminto demais para se preocupar em perguntar. Tudo o que queria era abrir aquele copo de noodles e começar a comer ali mesmo na calçada.

— Jeon... — Yoongi disse baixo fazendo o possível para que sua voz não ecoasse no corredor desabitado da estação. — Você quer me dizer alguma coisa?

— Por que diz isso?

Yoongi colocou as sacolas em cima da única coisa que parecia uma mesa ali, e sem demora, pegou o macarrão pronto para comer. Estava faminto. 

— Você anda estranho ultimamente. Pensativo e... distante. — Jeongguk revirava o macarrão com o hashi, sem coragem para comer. Parecia realmente distante naquele momento.

— É só impressão sua, hyung.

Yoongi bufou, desistindo de insistir por mais tempo. Quem sabe estivesse paranóico e tudo aquilo fosse apenas impressão mesmo. Comeu todo o macarrão rapidamente enquanto Jeongguk parecia não ter fome. O céu tinha uma coloração tristonha naquela noite; como se uma tempestade fosse começar a qualquer momento, e também não tinha tantas estrelas como costumavam ter as noites em Seul.

— Sabe, Jeon.

— Hm?

— Quando eu era criança, eu vivia apanhando de uns garotos da escola. Eu chorava todos os dias por conta disso. Um dia eu estava fugindo desses garotos porque eu sabia que apanharia de novo. E eu me escondi aqui, nesta estação de trem. Na época ainda passava alguns trens de vez em quando. — Jeongguk encarava o outro, ouvindo atentamente cada palavra dita por ele. — E então, eu ouvi um barulho vindo de algum lugar não muito longe de onde eu estava. Era um garotinho chorando, eu acho que tínhamos quase a mesma idade. Eu perguntei o que havia acontecido, e ele me disse que os seus pais não paravam de brigar e que estava tão assustado que fugiu de casa.

Yoongi abaixou o olhar e sorriu fraco. O coração apertou em seu peito ao lembrar do rostinho triste do garotinho.

— Nós ficamos muito tempo conversando naquela tarde, nós nos abrimos um para o outro. Foi a única pessoa que eu pude chamar de amigo antes de conhecer Taehyung. Quando eu percebi que já havia escurecido, eu perguntei seu nome. — Jeongguk parecia confuso. — Faz tanto tempo que isso aconteceu, e eu só me lembro da promessa que fizemos de algum dia voltarmos a nos encontrar nesta estação. Ele nunca mais apareceu. E com o tempo, eu fui me esquecendo de seu nome, de sua voz, de seu olhar triste.

— Onde você quer chegar com isso, hyung?

— Naquele dia, em que você me salvou do Jiyoung, todas as memórias retornaram como se eu estivesse acordado de um sonho demorado. — Yoongi virou-se para encarar Jeongguk, que ainda o fitava atento. — O garotinho. Se chamava Jeon Jungkook.

Jeongguk permaneceu imóvel enquanto aquelas palavras eram pronunciadas por Yoongi. Sua cabeça estava uma bagunça e o seu coração pulava feito louco em seu peito. Desviou o olhar para um ponto qualquer e permaneceu um longo tempo em silêncio.

— Era você, não era, Jeon?

Jeongguk fechou os olhos e respirou fundo.

— Era.

— Sabe quanto tempo eu passei nesta estação esperando que você voltasse? E no fim você simplesmente desapareceu da minha vida.

— Me desculpe. — A voz do mais novo falhava. Fazia o possível para não deixar nenhuma lágrima cair. — A minha mãe... morreu naquela noite.

Yoongi arregalou os olhos e sentiu tudo dentro de si quebrar ao ouvir aquilo do mais novo. Era como se o seu passado tivesse se tornado uma avalanche que por onde passa, destrói tudo a sua volta. Prendeu a respiração, sem ser capaz de dizer nada.

— O meu pai se tornou um assassino do dia para a noite, e eu era uma criança, mal entendia o que estava acontecendo. Tudo mudou depois daquilo. — Jeongguk limpou os olhos molhados pelas lágrimas que já eram impossíveis de cessar. — Eu estava tão ocupado pensando no que fazer que mal poderia lembrar que um dia fiz uma promessa para um garotinho que encontrei numa estação úmida e escura.

Yoongi abaixou o olhar e apoiou suavemente a mão sobre a do outro, e então apenas com o olhar, Yoongi disse que estava tudo bem. As mãos de Jeongguk estavam geladas pela primeira vez. Fez o possível para mantê-las quentes, apertando tão forte quanto podia. Fazia frio na estação, e já passava da meia noite. O céu estava escuro e a estação estava tão silenciosa quanto os corpos que ali habitavam.

Yoongi se aproximou do outro e o abraçou. Era tão grato por tê-lo ali sempre, que quis ser seu refúgio assim como o outro sempre fora para ele nos momentos em que foi difícil suportar. Depois de ouvi-lo, era como se se sentisse em casa agora. Jeongguk também tinha problemas. Talvez devesse ter se preocupado mais com o que o mais novo tinha a dizer. Tudo aquilo o fazia parecer tão egoísta. Como se apenas ele tivesse problemas e Jeongguk tivesse que suportar todo o peso sozinho. Jeongguk não tinha cheiro de cigarros naquele momento. Na verdade, tinha um perfume de rosas brancas que era agradável de se sentir.

— Me diz que tudo vai ficar bem agora.

Jeongguk sorriu.

— Vai ficar tudo bem, eu prometo.

 

 

 

50 dias antes.

A ponta do nariz de Yoongi tinha cor avermelhada por conta do frio torturante que fazia ali. Aproximava o rosto do copo de café esperando que o vapor quente o aquecesse nem que fosse um pouco. Estava entediado. Tinha saído tão apressado de casa que nem se lembrara de trazer o celular consigo.

— Porra, Jeon. O que a gente tá fazendo aqui a essa hora da manhã com esse frio dos infernos?

Jeongguk deu de ombros e abriu a mochila, tirando desta algumas latas de spray. Quatro ou cinco, e não pareciam baratas. Não demorou muito para jogar uma delas na direção de Yoongi, que a pegou no mesmo instante. Yoongi não precisaria que Jeongguk explicasse o que estavam prestes a fazer. Por conta do tempo de convivência com o mais novo, adquiriu o hábito ilegal de pichar os muros da estação.

Não chegava a ser ilegal, já que a estação estava abandonada há anos. Mas pichar o muro da escola era loucura. Quem tivesse a coragem de arriscar algo como aquilo, ou estava tentando suicídio ou tinha o desejo questionável de passar o resto dos dias atrás das grades.

— Você só pode estar ficando louco.

— Ah, hyung, vamos! Deixa de ser careta.

— Esse papo de careta não cola mais comigo. A questão não é ser careta, e sim que eu não quero ser preso por vandalizar os muros da escola. — Yoongi olhou para os lados para ter a certeza que não havia mais alguém ali. Ninguém. Estavam realmente sozinhos, dois jovens baderneiros e as latas de tinta. — O que você tem na cabeça? Quer morrer, é?

Jeongguk revirou os olhos e permaneceu em silêncio, encarando o mais velho com aquele olhar de cachorro sem dono que sabia fazer muito bem. Jeongguk era sem dúvidas o garoto mais atrevido que Yoongi já conhecera. Era incrível como fazia as coisas sem ao menos se importar com o que pensariam dele ou quais as consequências os seus atos provocariam. No entanto, algumas vezes Jeongguk era extremamente sem noção.

— Nem me olha com essa cara. Se você pensa que eu vou fazer isso, você só pode ter perdido o juízo. — Yoongi jogou a lata de tinta de volta para Jeongguk e este a segurou sem vontade.

— Fala sério. — Deixou-se sentar bruscamente no meio-fio. — Não é como se fôssemos voltar para cá. Nós terminamos este ano mesmo.

O mais velho permaneceu estático por um tempo. Odiava ser influenciado a fazer coisas que claramente resultariam em mais dor de cabeça. Também odiava ver o outro com aquela cara de tédio. Não tinha nada a perder. Apenas sua liberdade, mas o que são alguns anos na cadeia para quem já perdeu a liberdade há tempos?

— Não sei não, Jeon. Alguém pode nos pegar no ato.

— Por que você acha que viemos aqui a esta hora? Ninguém passa aqui num sábado de manhã.

Jeongguk levantou-se e entregou o frasco para o de cabelos negros. Este pegou o objeto com força, ainda que estivesse incerto. Qual era a pena para vândalos? Talvez dois ou três anos?

— Você só me fode. — Yoongi disse enquanto sacudia a latinha, fazendo com que o mais novo sorrisse. O som do spray sendo liberado do recipiente produzia uma sensação apavorante e ao mesmo tempo excitante em Yoongi.

Grafitaram até que toda a tinta das latinhas tivesse acabado e então se afastaram para analisar a obra de arte. Yoongi poderia quebrar-se ao meio, tamanho era o peso da culpa que sentia sobre seus ombros. Admitia, tinha ficado bonito. Doía o coração saber que todo o seu trabalho seria apagado assim que algum guarda visse no dia seguinte.

— Ei, vocês! — Alguém gritou do outro lado da rua.

Os jovens se entreolharam espantados e sem demorar mais, colocaram o capuz, pegaram a mochila cheia de lata de sprays vazias e correram sem olhar para trás, sem olhar quem era e sem saber para onde iam. Apenas correram como se não houvesse amanhã. Depois de algum tempo, Yoongi não tinha mais oxigênio nem estrutura para continuar correndo. Entretanto ainda tinha um sorriso no rosto. Tudo girava ao seu redor.

— Seu filho da puta. Eu falei que iam nos pegar. — Yoongi segurava os joelhos tentando recuperar o fôlego.

— Você precisava ver a sua cara quando aquele velho gritou. — Jeongguk dizia entre gargalhadas.

— Eu quero te matar, Jeongguk.

Correu na direção do moreno tentando derrubá-lo da mureta em que estava encostado igualmente ofegante. Tentava demonstrar raiva em sua feição porém seu sorriso dizia totalmente o contrário. Riam alto ainda que nenhum dos dois estivesse aguentando o peso do próprio corpo. Jeongguk segurou os pulsos de Yoongi com força o impedindo de prosseguir, próximos o suficiente para que sentissem a respiração um do outro batendo contra as suas peles suadas por conta do calor que sentiam. 

O rosto de Yoongi poderia entrar em combustão não só pelo esforço de antes mas porque agora sentia os lábios do outro sobre os seus, e em seguida sua língua quente e suas mãos que o apertavam na coxa. O beijo era tão rápido quanto a batida de seus corações em sicronia. Não conseguia segurar as arfadas que escapavam de seus lábios avermelhados, causados pelas mordidas, cada vez que Jeongguk cedia um pouco de espaço para que as suas respirações retomassem o compasso.

Sentiu as mãos do mais novo subirem por suas pernas e apertarem sua cintura firmemente, suas pernas estavam prestes a ceder, ao passo que precisou segurar-se nos ombros do outro para conseguir manter-se de pé. Por fim, quando faltou oxigênio para ambos, Yoongi encostou os lábios nos de Jeongguk depositando ali um selinho suave.

Jeongguk o desestabilizava, era como se tudo dentro de si estivesse prestes a desmoronar. Min Yoongi simplesmente não sabia. Não era como se pudesse prever quando tudo o que havia ao seu redor realmente desmoronaria.

 

24 chamadas perdidas


Notas Finais


toda história tem seu fim, e o desta está tão próximo...


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...