História 4 o'clock - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, V
Visualizações 17
Palavras 2.798
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Drogas, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Estou aqui mais uma vez para compartilhar uma oneshot. Para desespero de muitos, é uma história bem sad e apesar dos personagens serem Vmin, essa não é uma história yaoi.
Em alguns momentos eu me refiro à "kato" e isso é o mesmo que kakao talk, porém essa é a forma como o aplicativo é conhecido na Coréia do Sul.
Espero que vocês gostem, tentem não me matar. Qualquer coisa berre nas mentions e/ou dm do @waeparkjimin.
Xoxo.

Capítulo 1 - Capitulo único


Eu tive um dia calmo, até. As coisas no trabalho haviam sido tranquilas e o trânsito também não estava um inferno de carros. Para minha sorte, consegui sair mais cedo que o esperado e não demorei muito para chegar em casa. Era um sábado perto da hora do almoço, o último do mês. Em minhas mãos havia um lanche do Subway e um refrigerante de uva.
Eu não poderia me demorar, na verdade só passei em casa pois havia esquecido o pacote em cima da mesa. Ah sim, o presente dele.
Jimin era meu melhor amigo desde os tempos de criança. Estudamos na mesma turma até a formatura do ensino médio e nossa amizade só foi se fortalecendo com o tempo.
Ele era como meu irmão, da minha idade, porém não gêmeo. Jimin e eu éramos diferentes, mas ao mesmo tempo muito iguais. Ele era super popular, sempre fora na verdade. Quando chegamos na adolescência, todas as garotas queriam ficar com ele, mas não soube de mais de duas que ele tenha beijado. Apesar de ser muito atraente, Jimin não era a pessoa mais confiante que eu conhecia. Talvez até eu tivesse mais auto-estima que meu amigo. Talvez fosse o fato de ele ser baixo, ou ter as bochechas grandes.
Peguei o pacote e saí de casa apressado, eu precisaria correr até a estação de trem. Jimin havia voltado para Busan há quase um ano e, desde então, nos víamos todo último sábado do mês. Quando ele não viajava pra Daegu, eu ia até ele. Mas, nos últimos dias ele havia sumido. Mal respondia as minhas mensagens e também não me ligava para contar alguma doideira que sua tia com uns parafusos a menos fizera.
Tentei não me preocupar muito com isso enquanto caminhava até o terminal e minha cabeça se esvaziou totalmente quando entrei no trem. Era uma viagem longa, porém eu sentia tanto a sua falta que as horas passariam como minutos.
Quando lembrei de olhar no relógio novamente, já eram 15h30. Acabei adormecendo no transporte e a parada já estava próxima. Desbloqueei o celular na esperança de ter uma mensagem no kato, mas ele nem recebeu a última que enviei há quase dez horas atrás.
O trem parou com um solavanco e logo me vi andando pelas ruas já conhecidas de Busan. Eu já havia ido tanto à aquele lugar, que conhecia quase como minha cidade Natal. Peguei um táxi até uma parte mais afastada em direção à um parque que Jimin adorava. Sempre nos encontrávamos ali, às quatro da tarde quando o céu ganhava uma linda coloração rosada e se misturava com o alaranjado dos últimos raios se sol. A brisa era fresca e a enorme árvore centenária do centro, deixava o clima sempre agradável.
Caminhei até um dos bancos de cimento que rodeavam o imponente tronco da árvore e esperei. Em minha mente, várias lembranças de nossas aventuras em Daegu.
Jimin havia se mudado no ano em que comecei na quarta série. Já no primeiro dia de aula, muito deslocado e tímido, o garoto conquistou a atenção de todos. Ele sempre achou que fora por seu sotaque diferente, o fato é que todo mundo via o brilho que ele emanava. Jimin sempre foi uma pessoa iluminada que chegava na vida das pessoas para fazer a diferença. Felizmente ele havia escolhido ser meu amigo.
Peguei meu celular no bolso novamente; ele marcava agora 16h10. Jimin sempre fora atrasado, afinal. Chegava no colégio no último soar do sinal. Escapara várias vezes de uma suspensão, mas como todo mundo gostava dele, os professores sempre alegavam estar com o relógio errado.
16h20 e nada dele. Talvez tenha parado para comer alguma coisa. O que ele tinha de fofo, tinha de esfomeado. Perdi a conta de quantas vezes aquele garoto lanchava no intervalo. Só pizza era umas três. Nunca entendi como ele não engordava.
16h30 e uma criança passou correndo ao meu lado. Lembrei de quando ele roubou o lanche de um menino mais novo e saiu correndo pelo colégio só para que o pobre coitado fizesse o mesmo. No fim das contas, Jungkook virara seu protegido e às vezes passava o recreio conosco.
16h40 e eu comecei a ficar ansioso. Jimin nunca se atrasou tanto assim. Peguei meu celular novamente e não havia recebido nenhuma mensagem no kato. Ele costumava avisar quando algo dava errado, então resolvi esperar mais um pouco.
16h50 e os primeiros vestígios de nervosismo começavam a me atingir. Não estava calor, mas minha mão suava. Não queria ser chato, mas eu o conhecia como a mim mesmo, ele nunca me daria bolo. Resolvi ligar e ver se ele já estava chegando. Talvez tivesse esquecido. Isso nunca aconteceu antes, mas pra tudo tem uma primeira vez, não é mesmo?
O relógio marcava 17h10 quando tentei ligar pela vigésima vez. Sempre chamava até cair na caixa postal. Minhas pernas agora estavam fracas e agradeci à divindade por estar sentado.
Procurei em meus contatos o número da Sr. Park e resolvi entrar em contato.
_요버세요? - ouvi a mulher dizer alô do outro lado da linha e tomei coragem.
_Oi, senhora Park. É o Taehyung, amigo do Jimin. - falei tentando ser o mais polido possível.
_Oh sim, meu filho! Como vão as coisas, huh? Sinto sua falta. - ela disse e senti meu coração se aquecer. Ela sempre fora como minha segunda mãe.
_Também sinto falta da senhora. O Jimin está aí? Combinei de vê-lo hoje. - tentei não transparecer o desespero em minha voz.
_Oh TaeTae, o Jiminie não mora mais com a gente. Ele se mudou há uns cinco meses. - senti a tristeza em sua voz e a indignação tomou conta de mim. Ele havia se mudado e nem comentou comigo.
Pedi o endereço novo à ela que me passou sem hesitar. Pediu que desse um abraço em seu filho e falasse que ela o esperava em casa no dia seguinte para almoçarem. O sol já estava quase dormindo quando deixei o parque e fui atrás de outro táxi. Ditei o endereço ao motorista e demoramos mais de meia hora para chegar. O prédio era estranho, nada bonito na verdade. As paredes eram pixadas e ao olhar em volta percebi que quase tudo estava assim
Não parecia ser um lugar perigoso, mas também não combinava com a personalidade de Jimin. Pensei que ele havia se mudado para um lugar com árvores e sua janela tivesse um jardim suspenso. Mas, ao olhar para o sexto andar, não vi nada além de umas folhas secas na varanda.
Resolvi não enrolar mais e logo me vi entrando no elevador. Agradeci mentalmente por não ter que usar as escadas e não demorei mais de dois minutos para ver o corredor mal iluminado do andar da casa do meu amigo.
Estava tudo muito silencioso e ao olhar o celular na esperança de ele ter aparecido, percebi que faltavam apenas 15 minutos para as 18h.
Bati na porta do 604 três vezes, porém não obtive resposta alguma.
_Jimin-ah! - chamei da porta. - Sou eu, Taehyung. - esperei por um tempo e nada.
Me abaixei em busca de uma chave extra embaixo do tapete, mas só encontrei água. Fiquei para o por um instante e então um alerta começou a soar em meus ouvidos. Água no corredor não era normal. Saindo do apartamento de Jimin só deixava tudo mais estranho.
-JIMINIE ABRE A PORTA, POR FAVOR! - minha voz já beirava o desespero e só percebi que estava gritando quando a vizinha de frente colocou a cabeça para fora e perguntou o que estava acontecendo.
_Me perdoa, mas a senhora conhece o rapaz que mora aqui? - perguntei me aproximando após fazer uma pequena reverência.
_Oh o rapaz de cabelos castanhos? Sim sim. Ele está com uma aparência terrível esses dias. O rosto muito magro e tem olheiras enormes. - ela suspirou. - Se eu fosse você, arrombava a porta. Eu imaginei que esse dia chegaria... - ela disse enigmática e se trancou dentro de casa novamente.
Não precisei me chocar mais do que cinco vezes contra a porta de madeira para que ela se abrisse com um estrondo. A água do apartamento invadiu o corredor, mas não me preocupei com aquilo. O local estava completamente escuro e a primeira coisa que fiz foi acender a luz da sala, talvez Jimin tivesse saído e esquecido a torneira aberta. Era bem típico dele, na verdade.
O local era pequeno e vazio. Não via mais do que um sofá e uma tv. Havia uns pacotes de salgadinho no chão junto com umas latas de cerveja. Não sabia que Jimin estava bebendo, outra coisa que ele não me contara.
Caminhei mais um pouco para o interior da casa, meu tênis molhando com a água que ainda estava no local e me vi na cozinha. Não haviam louças na pia, porque também não parecia haver resquícios de comida. Ele sempre fora preguiçoso, não duvido que vivesse à base de comida congelada.
Abri a porta do quarto e encontrei a cama impecavelmente arrumada. Era até estranho, o cômodo não parecia fazer parte do resto da casa. Em cima do criado-mudo havia um livro de fantasia e também um rádio relógio.
O último cômodo era o banheiro que, estranhamente também estava com a porta fechada. Então ele havia dormido no banho? Outra coisa típica de Jimin. Ele sempre estava com sono, parecia não dormir nunca, mas sempre que eu chegava na sua casa ele estava dormindo desde o dia anterior. Não importava se fosse 9h da manhã ou 2h da tarde, Jimin sempre estava dormindo.
Bati e chamei por seu nome algumas vezes e não obtive respostas novamente. Resolvi repetir o que fiz na porta da frente, porém esta cedeu com apenas três tentativas. Meu coração batia acelerado cada vez que meu corpo se chocava contra a madeira, e eu sabia que não era só pelo esforço.
A cena que vi, quando a porta se abriu ficou gravada em minha memória como uma fotografia. O banheiro estava completamente alagado. Dentro da pia haviam vários vidros de remédios, não entendia muito bem, mas pela tarja preta da embalagem soube que eram fortes. Quando minha visão focou na banheira, um grito escapou de minha garganta. Tentei correr, mas o chão estava escorregadio e cai duas vezes até alcançá-lo.
O braço esquerdo de Jimin pendia pelo lado de fora e tinha marcas arroxeadas. O corpo estava completamente submerso e me vi levantando seu corpo já mole.
Não percebi que estava chorando até que um soluço alto escapou de meus lábios enquanto o tirava da água.
Sentei no chão com seu corpo na frente do meu vendo sua cabeça pender para frente sem o meu apoio.
_Jiminie! JIMINIE ME RESPONDE! JIMINIE VOCÊ NÃO PODE MORRER! - gritei chacoalhando seu corpo já sem vida.

___

19h45, era a hora que o relógio marcava quando o carro parou na frente da casa dos pais de Jimin. Os vizinhos chegaram em seu apartamento pois haviam escutado meus gritos e se apressaram em chamar o resgate quando viram o corpo do meu amigo contra o meu. A ambulância chegou, porém constatou o que eu mais temia: era tarde demais. Ele já estava sem pulso e pelo jeito que sua pele estava enrugada, estava morto há pelo menos duas horas. Me pediram que contatasse sua família para liberarem o corpo. O corpo, Jiminie não passava de um cadáver e esse pensamento fez meu estômago embrulhar. Sabia que dar a notícia pelo telefone seria terrível então resolvi fazê-lo pessoalmente. Um de seus vizinhos me emprestou uma roupa seca e fora uma longa viagem até o meu destino.
A mãe de Jimin me atendeu sorridente, porém quando a vi não consegui controlar minhas lágrimas e ela me puxou para dentro de casa. Seu pai logo se juntou a nós e eu resolvi falar tudo o mais rápido possível. Os dois se abraçaram chorando e a Sra. Park não parava de gritar que seu menininho havia a deixado.
As horas que se seguiram passaram como um borrão para mim. Me lembro vagamente de chegar até o hospital com os pais de meu amigo e ver os dois sair do necrotério completamente transtornados. Sabia que eu também não estava diferente pois a cena do menor morto na banheira não saia da minha cabeça.
Passei a noite na antiga casa de Jimin, sua mãe insistira muito. Nenhum de nós conseguiu dormir e quando já estava amanhecendo, fiz um chá calmante para os mais velhos.
No dia seguinte eles cremaram seu corpo sem muita platéia. Na verdade não passava de nos três, já que nenhum outro parente havia aparecido para dar apoio.
Deixei o Sr. e a Sra. Park em casa por volta das 14h e disse que minha casa estaria aberta caso precisassem de um tempo em Daegu. Eles pareciam mais calmos, na medida do possível, mas meu coração pesou quando ela acenou da janela da sala pra mim.
__

Uma semana se passou desde a morte do meu melhor amigo e com isso veio a descoberta de que eu não o conhecia tão bem assim. Jimin sofria de depressão desde que se mudou, segundo sua mãe. E embora nossa amizade tenha feito bem para ele, ainda sofria da doença. Pouco tempo depois de voltar para Busan também havia sido diagnosticado com transtorno bipolar e isso só piorou seu quadro clínico. Ele não aceitava mais a ajuda de seus pais e se tornara muito agressivo. Resolveu morar sozinho quando, no meio de uma crise, acabou derrubando sua mãe no chão. Cada vez que ele via o arroxeado na perna da mais velha ele surtava e se cortava, se sentindo o pior dos seres humanos. Ele já não tinha melhora nas consultas psicológicas e sua médica sugeriu a internação, pelo menos até ele estar mais sociável. O que é claro que não o ocorreu, fazendo com que se afundasse cada vez mais nos problemas psicológicos. Sua mente criava paranóias e então ele começou a imaginar que o mundo seria melhor sem ele. Ele não conseguia manter por perto as pessoas que amava, tinha medo de machucá-las.
Cheguei em casa depois de mais um dia cansativo no trabalho e então vi que haviam algumas correspondências. Enquanto examinava os envelopes e via conta de água, luz, telefone e cartão de crédito, vi uma carta de Jimin. Pensei que desmaiaria ali mesmo, no Hall de entrada do prédio, porém me surpreendi quando me vi abrindo a porta de casa.
Sentei no sofá ainda boquiaberto e rasguei o papel. A data no início marcava duas semanas antes de sua morte e o nervosismo começou a tomar conta de mim.

"Se você está recebendo esta carta, é porque eu já não estou vivo. Confesso que, apesar de estar decidido a fazer isso, me é estranho escrever como se já não existisse mais. Pensei em escrever uma dessas para meus pais também, mas sei que eles se culpariam pelo que aconteceu e eu não quero isso... Sabe, Tae, se eu continuei vivo até agora foi porque a sua amizade me sustentou. Eu não me sentia tão solitário quando estávamos juntos correndo pelo colégio ou pulando ondas na praia. Eu não me sentia tão deslocado no recreio porque eu tinha você e o Kookie. Mas aí o colégio acabou e eu precisei me mudar. Eu não sei, acho que perdi a minha base, que no caso era a convivência com vocês.
Mas, durante todo esse tempo em que estive sozinho, eu pensei muito no quanto você é importante pra mim. Queria dizer que o que eu fiz não é culpa sua, nem dos meus pais, de ninguém além de minha. Eu espero que algum dia me perdoe. Me desculpa ter fingido que tudo estava bem quando na verdade eu me afundava cada vez mais na lama de pensamento e sensações ruins que meu próprio cérebro criava.
Me desculpa ter mentido todo esse tempo, eu sei que não justifica, mas eu menti porque achei que não haveria razões para amar alguém como eu: um ser desprezível que não consegue controlar a própria mente.
Me desculpa mais uma vez, talvez se eu tivesse escolhido outro caminho, você ainda me amasse. Mesmo de longe, eu ainda te amo e você sempre será meu irmão.

Ass: 박 지민."

Terminei de ler a carta em prantos. Ele havia pedido para eu não me culpar, mas eu só conseguia pensar que as coisas teriam sido diferentes se eu tivesse dado abertura para ele contar o que acontecia em sua mente conturbada. E, a partir daquele momento eu só poderia lamentar sua morte e pensar em todas as vezes que nos encontramos no banco de cimento que rodeava aquela enorme árvore imponente num parque qualquer na parte mais afastada do centro de Busan. 


Notas Finais


#LOVE_YOURSELF tentem não pirar com as teorias. Para outros edits como o da capa, visite @waeparkjimin


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