História 42 - Violet Hill - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias ICarly, Sam & Cat, Victorious
Personagens André Harris, Beck Oliver, Carly Shay, Cat Valentine, Freddie Benson, Jade West, Robbie Shappiro, Sam Puckett, Spencer Shay, Tori Vega
Tags Bade, Cat, Cibby, Grimm, Icarly, Lobos, Romance, Sam, Seddie, Vampiros
Visualizações 9
Palavras 5.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey humaninhos desculpa não ter postado esses dias... Em compensação já irei soltar três capítulos de uma vez, aproveitem

Capítulo 7 - O sequestro


Fanfic / Fanfiction 42 - Violet Hill - Capítulo 7 - O sequestro

Parte 7: Escolhida

Povs Sam:

Levanto-me da cama com cuidado para não acordar a Carly. Saio do quarto. Desço as escadas. Caminho para a cozinha. Estou tão desligada que levo um susto ao ver Wendy lendo um livro na mesa. Ela ergue a cabeça, se levanta e corre para me abraçar. Ela se choca contra mim. Eu penso em chorar de novo, mas as lágrimas não vêm. Só sinto o vazio da dor.

— Eu vim assim que eu soube. - ela murmura me soltando- Sinto muito.

— Eu também sinto. - suspiro derrotada.

A realidade me sacode com força. Tudo faz sentido agora. Uma memória distante surge na minha cabeça. É como tentar ver através de uma água enlameada. Lembro o que Freddie disse no carro:

Flash Back On:

— Eu não mordi para matar, foi um descuido.

— O que aconteceu com ela? Digo, ela está viva?

— Ela está morta. - ele responde de uma vez- Ou pelo menos eu acho que está.

— Sinto muito. - toco seu braço docemente ou pelo menos tento.

— Eu também sinto. - ele olha de rabo de olho para mim.

 

Flash Back off.

 

 

A garota. A garota que ele beijou. A maldita garota sou eu! Ou melhor, era! Freddie foi o vampiro que me beijou naquele verão de 1877. Ele me transformou. Em seguida eu matei minha família. Ele levou a culpa por mim por que queria me salvar. Freddie ficou em dívida com a tribo. Três anos depois lutamos juntos na batalha de Violet Hill porque ele devia isso ao Hayes. Era isso que Freddie gostaria que eu me lembrasse. Ele arruinou minha vida. Mesmo assim eu ainda estou apaixonada por ele, mas por que eu já era apaixonada antes da transformação.

Apoio-me na pia para não cair. Wendy me segura querendo entender o que está acontecendo. Acho minha voz e conto tudo para ela. Wendy fica completamente abismada.

Eu não aguento e acabo vomitando na pia. Foi coisa demais para mim. Meu corpo treme enquanto eu coloco tudo para fora. Wendy me ajuda. Quando termino de vomitar ela me leva até o andar de cima. Eu tomo um banho. Wendy me dá roupas limpas para vestir e coloca as minhas roupas sujas para lavar. Retornamos ao andar de baixo para não acordar a Carly. Eu deito no sofá e Wendy no chão.

— A vida é uma droga, ai você morre, algum problema? - repito a frase que eu li em uma camiseta.

— O luto é algo demorado Sam, mas saiba que é muito mais difícil sair da crise do que entrar nela. Sugiro que não fique choramingando pelos cantos. Sua matilha precisa de você. Carly precisa de você. Eu certamente preciso de você. O Gibby precisa de você, ainda mais agora que ele vai entrar para o bando.

— O futuro dele desapareceu? - sinto dor de cabeça de novo.

— Sim e dessa vez foi totalmente.

— Meu Deus...

— Eu posso trazer o Dice de volta Sam, eu andei lendo alguns livros... Eu... - ela especula.

— Para Wendy. Só para. Não vamos falar disso agora. - faço um gesto com a mão. Ela fica calada.

Wendy segura a minha mão. Ela apaga após alguns minutos. Eu a pego nos braços e coloco ao lado da Carly na cama. Eu saio da casa para correr um pouco na floresta por que eu sei que não vou conseguir dormir. Retiro a roupas e joga no meio das árvores. Transformo-me rapidamente. Contorno toda a Avenida do Sound durante a noite. O silêncio é bom. Choro um pouco durante a corrida e mantenho o ritmo. Estou exausta, mas não me permito parar. Somente ao amanhecer quando já estou cruzando a fronteira com o Canadá eu retorno para Seattle. Um erro tremendo por que alguém vai ter visto a loba branca enorme cortando a avenida.

Paro na floresta em frente à casa para voltar a forma humana e me vestir. Atravesso a rua. Entro no quintal. Subo os degraus de madeira que rangem e abro a porta. Sinto cheiro de panquecas. Vou para a cozinha. Wendy está no fogão fazendo algumas. Eu abro um armário. Pego um comprido para dor de cabeça e um copo. Encho de água da pia que já está totalmente limpa e tomo um gole para engolir o comprimido.

— Já faz anos que eu não precisava tomar um desses... - toco com a ponta dos dedos cada lado da minha testa.

— Você teve um refluxo temporal, semelhante à viagem no tempo ou transferência para o outro lado. Uma memória muito antiga retornou alterando a linha do tempo atual, por culpa daquela memória alguma decisão muito importante vai acontecer da sua parte e vai mudar as decisões de todos. Recomendo que você tome achocolatado, ajuda com a dor de cabeça. - Wendy tagarela enquanto coloca panquecas em um prato.

— Carly já acordou? - pergunto ignorando sua balela sobre linha do tempo.

— Ainda não. - Wendy parece esconder algo.

Como não me resta mais nada, preciso perguntar sobre o problema dela com o Brad.

— Wendy?

— Eu. - ela murmura distraída.

— Por que está evitando o Brad desde que ele entrou na alcateia? - questiono.

Ela parece está formulando uma resposta, creio que não vai mentir.

— Meu futuro desapareceu, Sam.

Eu sei o que isso significa.

— Wendy, isso é muito sério.

— Eu sei. - ela já está com a voz embargada- O futuro da Carly está voltando aos poucos, pequenas escolhas aqui, decisões ali, o que é estranho por que ele some de novo logo a frente... Enquanto o meu realmente sumiu. Eu não posso deixar que isso aconteça. Carly o ama. Ela jamais me perdoaria.

— É a magia. Ela sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.

Wendy bate a frigideira no fogão totalmente frustrada.

— Sim. Mais cedo ou mais tarde com uma estranha e não com a melhor amiga.

— Você tem que contar... Vai acabar acontecendo e você não vai poder negar que também quer o Brad. - procuro nos armários chocolate em pó.

— Esse é o problema. O imprinting funciona para os dois lados. Quando realmente acontecer eu também vou começar a ama-lo e eu não terei motivos para escolher outro. Ele será tudo que eu preciso. Um amigo. Um colega. Um irmão. Um namorado. Um amante. Um marido... Não há escapatória para nenhum dos lados, estamos presos a isso. - ela pega o leite na geladeira para mim- Carly vai sofrer muito.

Pego o leite da mão dela e despejo em um copo. Adiciono chocolate em pó. Mexo com uma colher e tomo um gole.

— Um sofrimento atrás do outro. Eu estou farta disso.

— A história sobre refluxo temporal é verdade, mas a parte do achocolatado é brincadeira, eu vi no MIB 3. - Wendy me avisa depois que eu já tomei todo o copo de leite com chocolate.

— Eu riria se eu tivesse algum humor, mas ele se dissipou após os fatídicos acontecimentos de ontem. - deposito o copo na pia- Eu nem vou poder ir ao enterro dele...

— Vamos tomar café. Eu vou acordar a Carly. - Wendy suspira se retirando.

Eu levo as panquecas para a mesa. Pego mel e caramelo para deixar mais doce. Uma lágrima aleatória escorre do meu rosto. Eu seco com a mão. Não acredito que vou chorar novamente. Eu não aguento mais.

Sento-me à mesa e aguardo as meninas voltarem para começar a comer. Em alguns instantes elas entram na cozinha. Carly vem me abraçar e se senta ao meu lado. Ela ainda está abalada tanto quanto antes. Fazemos uma breve oração e começamos a comer.

Após alguns minutos escutamos o barulho de uma camionete lá fora. O Spencer deve ter pegado a camionete do Brad emprestada e veio checar como estão as coisas. Alguém caminha pela grama, sobe os degraus e bate na porta.

— Eu atendo. - Wendy se levanta.

Inalo o cheiro ao escutar a porta ser aberta. É tarde demais quando me dou conta que não é o Spencer lá fora.

— Wendy, não! - eu me levanto e corro, mas já aconteceu.

Brad fita os olhos de Wendy fixamente. Sua alma parece deixar seu corpo e se juntar a dela. Sua respiração aumenta com o passar dos segundos. É o olhar mais fixo do mundo. É o olhar mais poderoso da terra. É o olhar do imprinting. Brad acabou de encontrar a razão de sua existência. Sua âncora. Seu paraíso. Sua bênção. Sua felicidade. Wendy é tudo o que ele vai precisar para sempre. Brad será tudo o que Wendy quer na vida e mais. É o amor mais profundo existente no universo. Ninguém pode lutar contra isso.

Carly se aproxima devagar e olha para a cena sem parecer surpresa ou magoada.

— Você sabia que ele estava vindo. - Wendy sussurra.

— Eu escutei a conversa e fico feliz por você ter evitado isso durante quase um ano por que queria me ver feliz. Wendy você é perfeita em todos os sentidos e por isso não existe pessoa melhor para o Brad do que você. Sejam felizes. - é o máximo que Carly consegue dizer sem chorar, ela corre escada à cima e escuto quando se tranca no quarto.

— Por que veio aqui? - eu pergunto ao Brad que tenta retomar o fio do pensamento.

— Carly mandou mensagem dizendo que estava terminando comigo, eu vim para conversar com ela, mas agora entendo por que... - ele está emocionado.

— Brad... - eu olho para ele e para Wendy- Fiquem na reserva por um tempo, tirem um dia só para vocês.

— Mas e Carly? - ele diz e noto sua confusão por não se importar mais como antes.

— Fale com ela outro dia, por hora deixe as coisas como estão.

— Está bem. - ele retorna o olhar para a Wendy.

— Melhor nós irmos. - ela está envergonhada e olha para as escadas cogitando subir para falar com a Carly.

Balanço a cabeça negativamente e me despeço dos dois. Eu tranco a porta com a chave por algum motivo. Eu volto para a cozinha a fim de terminar de comer por que sei que Carly quer um tempo sozinha. Eu como devagar, mas meu estômago não está aceitando o alimento muito bem. Hoje minha parte vampira está me dando nos nervos. Eu preciso caçar, porém não posso deixar Carly desprotegida.

Eu lavo os pratos. Limpo a cozinha. Varro todo o andar de baixo. Só então decido subir para falar com a Carly.

Eu rodo a maçaneta que permanece trancada.

— Carly se você não abrir essa porta eu simplesmente vou arromba-la ou irei entrar pela janela!

Ela não responde. Apenas escuto seu choro abafado contra o travesseiro. Reviro os olhos e desço as escadas. Destranco a porta e vou para o lado de fora. Bem na hora eu vejo o Audi A5 parado no fim da rua. Eu ignoro o Benson e pulo para entrar no quarto pela janela. Carly ainda está na cama enrolada nas cobertas chorando horrivelmente.

— Meu Deus Carls, o que aconteceu com a gente? - me sento na beirada da cama.

— Eles... Merecem ser felizes. - ela chora feito uma criança- Eu amos os dois, eles não tem culpa. - Carly parece falar com ela mesma.

— Ninguém tem culpa se todas as lendas estão se tornando verdade.

— Como assim? - ela soluça.

— Eu não te contei, mas é realmente possível que um vampiro desligue a humanidade, foi isso que Trina fez. Carly eu estive centímetros de desligar a minha humanidade ontem. Você não sabe o quanto dói. Ser um ser mágico aumenta em dez vezes as emoções. A dor da morte do Dice foi como se eu estivesse morrendo também. Eu...

Carly se senta e tapa a minha boca com a mão.

— Escuta aqui, você jamais irá desligar sua humanidade. Nunca faça isso.

Eu retiro a mão dela da minha boca e dou um sorriso.

— Por que você já viu o que faço com a humanidade ligada, não é? Imagina se eu desligasse. - uso a frase do Freddie.

— Exatamente. - Carly está rouca- Já se sentiu perdendo o propósito da vida? Eu me sinto um peso no mundo.

— Você só está sendo dramática por que perdeu o cara que ama... Você tem uma linda vida humana e feliz pela frente, aproveite. - cruzo minhas pernas na cama.

— Aproveitar sozinha? Sei. - ela enxuga o nariz com o antebraço.

— Vai tomar banho. - aponto para a porta do banheiro.

— Tá. - ela se levanta chorando, pega a mochila e caminha para o banheiro.

Eu suspiro sentindo uma depressão profunda. De repente algo bate na janela. Olho para frente e vejo Trina entrando no quarto.

— Quer merda você acha que está fazendo?! - me preparo para a briga.

— Eu vim me desculpar com você. Sam, aquela não era eu. Eu sinto muito. - Trina dá um passo para frente e eu dou dois para trás.

— Melhor manter distância. Não quero detonar o quarto todo enquanto te mato.

— Me perdoa, por favor. Eu soube o aconteceu com aquele garoto o Dice. Lamento pela sua perda, mas não desconte no Freddie. Ele está fazendo o possível para descobrir quem foi. - ela relaxa a postura mostrando que veio em paz.

— Então era você no Audi A5? - relembro o carro parado no fim da rua.

— Sim.

— O Freddie que te mandou vir aqui?

Ela nega com a cabeça.

— Freddie nem sabe que eu saí. Ele está muito frustrado com tudo. Eu não aguentei ficar lá. Tori está chorando desde ontem repetindo que a culpa é dela. Freddie está quase enlouquecendo enquanto vasculha a cidade sem rumo. Eu ia acabar desligando minha humanidade mais uma vez.

— Como você ligou?

Trina abaixa a cabeça.

— Freddie me amarrou em uma cadeira. Ele abria as cortinas e eu ficava pegando fogo por um tempo. Ele fechava e Tori apagava o fogo com um extintor. Foi assim algumas vezes até eu ceder. - ela responde friamente.

— Ele te torturou? - não que eu me importe, mas isso foi cruel.

— Não veja dessa forma. Eu tentei matar a Tori, e depois tentei mata-lo. O que ele fez ainda foi humano demais para o que eu realmente merecia. Freddie é um bom irmão, ele estava tentando me ajudar e conseguiu. Aqui estou eu. Sofrendo e aguentando todas as dores novamente. - ela ri devagar.

— Onde ele está agora?

— Como eu disse, sem rumo por ai procurando o culpado pela morte do garoto.

— Entendo.

— Escutou isso? - ela se vira para a porta do banheiro.

— É só a Carly tomando banho.

— Não. Alguém abriu a janela do banheiro. - Trina acha estranho - Sam, alguém está aqui!

— Mas o que?! - eu corro na frente de Trina usando velocidade e ela solta um suspiro de espanto, ela acabou de descobrir ou suspeita que sou metade vampira. Já era. - Carly! Abre a porta! - eu forço a audição, mas não escuto nada e nem mesmo a água do chuveiro caindo- Carly!- eu dou um chute na porta que se quebra e abre.

Entro no banheiro e nem sinal dela. A janela está aberta. O vestido que ela usou ontem a noite está pendurado na porta. O roupão branco que eu deixo próximo a pia sumiu. Que tipo de sequestrador daria tempo para ela se vestir? Vou até a janela e pulo para fora. O rastro de vampiro é fraco demais para que eu reconheça e tem um cheiro de lobo muito forte aqui abafando o cheiro do vampiro.

— Achou ela?! - Trina pergunta da janela do banheiro.

— Não, mas acho que sei quem fez isso.

— Quem?

— O vampiro do telhado.

— Sério? Minha nossa...

— Precisamos ir ao Garden primeiro.

— O salão do baile de máscaras?

— Esse mesmo. - esfrego as mãos.

— Estou descendo. - Trina pula e cai ao meu lado.

Andamos juntas até o carro. Começo a me preocupar pensando o que o vampiro ou o lobo irá fazer com a Carly. Explico a Trina sobre o roupão desaparecido.

— Como eu fui tão descuidada? - soco o painel do carro.

— Você não teve culpa, ia por acaso tomar banho com a Carly? Eu sabia que vocês eram grudadas, mas não tanto assim...

— Não é brincadeira. Ela deve ter ser desesperado. O vampiro deve ter a matado antes que ela pudesse gritar... Meu Deus isso dói tanto. - todo tipo de pensamento ruim se passa pela minha mente.

— Ele não deve ter a matado, só a sequestrou... Seja lá quem é, está tentando te atingir ou até mesmo protege-la.

— Protege-la de mim? Eu não sou o perigo.

— Mas talvez para a pessoa que a sequestrou você seja.

Não me atrevo a retrucar. Sei que lá no fundo isso é verdade. Eu coloco Carly em perigo todos os dias. Não vai demorar para eu machuca-la de novo. Para alguns de nós a matar sem querer.

 

 

 

Trina desliga o Audi A5 atrás do beco do Garden. Eu saio do carro e ela me segue pelo beco. Eu subo pela escada de incêndio até o telhado onde matei os lobos no domingo.

— Como você fez aquilo no quarto? - Trina pergunta olhando em volta.

— Aquilo o que? - desconverso a procura de pistas no chão.

— Aquele lance de velocidade. Lobos não correm daquela forma quando humanos.

Farejo o piso que ainda possui manchas de sangue.

— Eu corri como qualquer outra pessoa.

— Por favor, me poupa, você pode mentir para a sua matilha, mas não pode mentir para mim, eu sei o que vi.

— É. Você sabe o que viu. Mas quem vai acreditar em você? É a sua palavra contra a minha e estamos em pé de guerra, ninguém vai te dar ouvidos. - toco o chão e levo a mão ao nariz.

— Eu não ia contar, só quero entender.

— Pois bem, você quer entender? - me coloco de pé- Pergunta para seu irmão, ele vai saber te responder.

— Não quero perguntar ao Freddie, eu estou perguntando a você.

Bufo nervosa.

— Ok. Lá vai. Faz muito tempo. Eu tinha catorze anos em 1877. Um vampiro que tinha por volta de dezessete anos me beijou. Eu não sabia o que ele era então aceitei o beijo, porém o idiota me mordeu e eu me transformei. Durante dois anos morei afastada da tribo até me controlar. O chefe da alcateia naquela época percebeu que eu envelhecia e que um vampiro para de se desenvolver na idade em que foi transformado. Ele me contou que eu entraria para o bando e seria metade lobo e metade vampira. Tem vezes que tenho sede. Tem vezes que tenho fome. Não possuo um equilíbrio. Nunca vou possuir. Eu só parei de envelhecer em 1880. Não mudei desde então. - bato palmas teatralmente.

— O que o Freddie tem haver com isso? - ela pergunta sem entender.

— Foi ele quem me mordeu, Trina. - dou um peteleco no nariz de pedra dela.

— Ele fez isso com você? É por isso que o odeia?

— Não. É por isso que eu o amo.

A boca da Trina cai aberta. Eu mesma tapo minha boca com as duas mãos ao ouvir o que eu disse.

— Sam você...

— Não conte a ele. - eu praticamente imploro.

— Não vou. Relaxa. Você não é a primeira que revela isso para mim.

— Outras já disseram?

— Muitas outras. - ela joga os cabelos contra o vento- Não deve ter uma menina na escola que não é afim do Freddie. Com exceção de Jade é claro... As garotas se encantam com ele, várias me mandaram passar recado ou pedir o número do celular dele. Freddie recusou todas elas. Agora que soube o que aconteceu na festa e tudo mais, eu entendo por que. Eu já achei estranho ele se apaixonar por uma loba, mas agora que contou a história sobre sua transformação faz algum sentido ele sentir amor por você.

— Por que estamos tendo essa conversa? - fito a Trina sem entender coisa alguma.

— Sei lá. Talvez o Freddie esteja certo. Você vê problema onde não tem.

— Você dizendo isso? Não creio.

— Depois que eu liguei minha humanidade, muita coisa mudou em mim. O mundo não é como pensamos Sam, brigamos durante gerações por causa de algum preconceito. Queremos nos matar por que isso está no nosso sangue... - ela faz uma pausa quando eu solto um riso, vampiros não possuem sangue- Você entendeu. Já está no nosso instinto querer se matar porque foi assim que fomos ensinados. A geração do futuro pode ser mudada se começarmos agora.

— Ah!- rosno fingindo tapar os ouvidos- Para com esse papo de paz mundial. Temos problemas maiores como, por exemplo, achar a Carly.

— Tá bom. - ela suspira entediada- O que temos até agora?

— Não sei, não reconheço o cheiro.

— Me deixa sentir. - ela se abaixa, passa a mão no chão e leva ao nariz com eu fiz- Vampiro esperto.

— Por quê?

— Ele está usando uma essência de jasmim. É a única flor capaz de despistar o cheiro de um vampiro. E eu sei onde vende, vamos fazer uma visitinha à marinha do Sound. Conheço um cara em um barco que pode nos ajudar.

— Você devia desligar e ligar a humanidade mais vezes.

— Não brinque comigo. - ela murmura pulando do telhado.

Ela dirige o carro para a zona norte de Seattle. Eu observo o trajeto pela janela e relembro do Dice. Meu coração aperta de novo. Permito-me chorar baixinho. Trina não esboça reação alguma.

 

 

 

Caminhamos pela ponte de madeira da Marina de Elliott Bay. Abrimos uma porta de vidro com dois arranjos de flores em cada lado. Não são flores qualquer. São jasmins. Trina aponta para um barco grande ancorado na ponte. Ela sobe a bordo e eu a sigo.

— Sinjin! - ela chama por alguém.

Um garoto alto e magro, de cabelos louros encaracolados surge do convés principal.

— Trina? O que faz aqui? - ele pergunta e olha para mim rapidamente- E por que trouxe uma loba contigo? Sinto o cheiro estranho dela daqui.

— Andou vendendo essência de jasmim recentemente? - Trina vai direto ao ponto.

Sinjin arregala os olhos rapidamente, mas disfarça.

— Sim. Vendi para uma mulher uma grande quantidade semanas atrás.

— Pra que mulher? - eu pergunto.

— Ela pediu para não ser identificada. Não posso revelar informações da minha cliente.

— Vamos revirar o barco, ele deve ter um bloco de notas ou alguma coisa assim. - sugiro a Trina.

— Eu sou um vampiro. Não preciso de um bloco de notas, tenho tudo aqui. - ele aponta para a própria cabeça- Mas posso oferecer uma parte da informação que procuram se fizerem um favor para mim.

— É por isso que vivemos em um país capitalista. - murmuro.

— Tudo bem. O que você quer? - Trina pergunta.

— Tem um vampiro dando uma de Robin Wood no parque Gas Work. Recuperem meu relógio de ouro e eu posso dar o que querem.

— E por que não compra outro maldito relógio? - reviro os olhos.

— Orgulho próprio e também é herança de família.

— Idiota. - eu falo saindo do barco.

 

 

Trina e eu seguimos para Gas Work. Não foi difícil encontrar o tal vampiro. Ele estava vendendo coisas em uma barraquinha. Tirar o relógio dele foi fácil demais, porém ele disse que faria Sinjin pagar por isso depois e que tinha pegado o relógio por causa de uma dívida antiga. Trina e eu retornamos a marinha. Sinjin estava a nossa espera.

— Obrigado garotas. - ele colocou o relógio no pulso - Agora o que procuram está em um depósito na Rua 46, chamado Hauge & Hassain Inc.

— Espero que esteja mesmo. - Trina o ameaça.

 

 

 

Chegamos ao depósito que está fechado. Eu abro a fechadura sem dificuldade e entro no local. Só tem dezenas de caixa de papelão. Eu chuto as caixas com raiva e sento no chão desesperada.

— Ele mentiu! Não tem nada aqui! E Carly já deve estar morta há essas horas! - reclamo brava.

— Acalma-se Sam. Sinjin é tudo menos mentiroso. Temos que apenas procurar por pistas.

— Pistas? Só tem papelão aqui!

Meu celular toca. Retiro do bolso. Olho para a tela. Não vou atender. É o Spencer. Deixo tocar. Não posso dizer a ele que perdi a Carly de vista.

— Procure comigo nas caixas. - Trina mexe nas caixas de papelão.

Eu me levanto e vasculho o depósito. Sinto um cheiro familiar por mais que esteja abafado pelo cheiro de jasmim. Dentro de uma caixa estão minhas luvas e minha máscara. Que diabos está acontecendo?

Viro-me para Trina.

— Quem é o dono desse lugar?

— Não faço a mínima ideia.

Meu celular toca de novo.

— Dios mio. - ignoro o celular tocando.

— Melhor nós voltarmos Sam, não há mais nada aqui.

— Ok. - concordo.

 

 

 

 

Eu retorno para a casa trazendo comigo as luvas e a máscara. Permito Trina guardar o Audi na garagem por que vai chover. Assim que eu adentro na residência sinto o cheiro de lobo. Alguém entrou aqui.

Os móveis permanecem em ordem. Sigo o rastro até o meu quarto. Ele se detém no banheiro onde Carly estava. Olho pela janela do banheiro. Por que um lobo entraria aqui?

Começa a chover e qualquer rastro ao lado de fora é apagado.

— Parece que alguém quer te ver morta. - Trina diz.

— Não é nenhuma novidade.

— O que faremos agora?

— Não sei. Eu fracassei de novo. - sento na cama pensando por onde começar.

Meu Pearphone toca mais uma vez. É o Spencer de novo.

— É melhor contar a verdade. - Trina me encoraja.

Eu atendo o telefone me preparando para contar. "Oi Spencer, Carly foi sequestrada por um vampiro e um lobo entrou aqui quando eu estava fora, que loucura né?"

— Sammy!- Carly grita do outro lado da linha.

— Carly? - eu dou um pulo da cama e Trina se surpreende.

— Por que não atendeu? - ela pergunta soltando um muxoxo.

— Onde você está? Quem levou você? Carly eu sinto muito...

— Calma Sam. Eu estou bem. Em nenhum momento eu saí da casa, foi tudo um mal entendido, você saiu rápido demais e o Freddie...

— Freddie? O que ele tem haver com isso?! - perco a calma.

— Eu estava tomando banho, quando algo se chocou contra a janela. Era um garoto e de repente o Freddie apareceu e o puxou. Freddie retornou para a janela e fez um sinal para que eu fizesse silêncio. Ele me levou para o alçapão que fica no teto do banheiro. Ficamos escondidos no forro e ele tapou a minha boca para que eu não gritasse. Foi quando escutei você me chamando na parte de baixo e não pude lhe responder. Assim que você saiu o garoto entrou a procura de alguma coisa, Freddie supôs que era eu. Quando tudo ficou silencioso, Freddie sugeriu que eu ficasse na reserva. Ele foi à procura do rastro do lobo. - ela conta para mim rapidamente.

— O que?! Que merda ele acha... - não sei descrever a minha raiva. Freddie a salvou quando era eu que devia fazer isso. Ele se atreveu a vir aqui. Mas o pior de tudo é que ele a viu nua. É como se ele tivesse me traído. Eu nunca vou o perdoar.

— Eu estou segura aqui com o Spencer. Estamos na casa do Dice dando uma força para a família dele. - Carly se detém, mas desabafa- Gostaria que estivesse aqui.

Fecho os olhos deixando uma lágrima silenciosa descer pela minha face.

— Eu também gostaria de estar ai.

— Eu tenho que desligar, ninguém quer me levar de volta, não é que eles te culpem, eles apenas não entendem. Eles têm medo do que não conhecem, então talvez se você contasse para eles...

— Se vemos na segunda, Carly. - eu encerro a ligação e Trina me encara.

— Você só arruma problemas. - ela se apoia na janela.

— Eu sei. É isso o que acontece com as pessoas que se aproximam de mim. Elas se machucam ou morrem.  - jogo o celular na cama.

— Acho melhor eu ir pra casa, a senhora Benson vai querer saber onde eu estive... Não quero causar mais problemas com ela. - Trina se explica.

— Pode ir. Obrigada pela... É... Ajuda de hoje.

— Disponha. E eu sinto muito que você vai ter que ficar sozinha.

Lembro que ainda me resta o Gibby, ele deve estar confuso com tudo isso.

— Não estou sozinha, mas obrigada por se importar.

— Bem, eu já vou indo. - Trina acena e caminha para a porta com graça- A gente se fala...

— O tratado permanece do jeito que eu decretei sob a nova lei. Não é por que bancou a boa samaritana hoje, que vai mudar alguma coisa.

— Como quiser. - ela se vira e vai.

Vou para o corredor e me encaminho para a porta que dá na pequena sacada de madeira. Observo Trina sair no Audi da garagem. Ela manobra o carro e em segundos desaparece ao fazer a curva no final da rua. A chuva aumenta. Penso em caçar o lobo ou garoto que entrou aqui, que seja, mas se o Freddie quer bancar o salvador da Pátria ele que fique a vontade. Com esse tempo o garoto deve estar bem longe.

Melhor eu manter um olho no Gibby... Ou sua louca, você pode ir vê-lo e acarretar problemas para ele também, se lembra de que todos à sua volta se machucam ou morrem? Meu subconsciente me repreende. É. Ver o Gibby não é uma boa opção então ele vai ter que me perdoar por não entrar em contato com ele durante um tempinho.

Deito na cama sem rumo. Solto um palavrão ao sentir saudades do Freddie. Eu sei que nesse momento gostaria que ele entrasse pela janela. Viesse até a cama e me beijasse. Os beijos. Aqueles malditos beijos perigosos e perfeitos.

Vou ao banheiro por que apesar de tudo tenho minha parte loba que é exigente. Quando faço menção de abrir minha calça, eu olho para cima e vejo o alçapão aberto. Dou um salto retirando a tampa e entrando. É o forro da casa coberto de teias de aranha. Sinto o cheiro da Carly aqui em cima. Até mesmo a marca do seu corpo e do Freddie na madeira empoeirada. Meu estômago dá um nó. Acho que vou vomitar de novo. Eu não quero imaginar isso. Não quero imagina-la nua agarrada desse jeito com ele. Não quero imaginar ele com as mãos no corpo dela. Carly não teve culpa, mas Freddie sim. Eu achei que ele seria um herói vindo e salvando o dia, mas ele é apenas um vilão e seus pecados são imperdoáveis.


Notas Finais


Corram para o próximo... Beijos


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