História 42 - Violet Hill - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias ICarly, Sam & Cat, Victorious
Personagens André Harris, Beck Oliver, Carly Shay, Cat Valentine, Freddie Benson, Jade West, Robbie Shappiro, Sam Puckett, Spencer Shay, Tori Vega
Tags Bade, Cat, Cibby, Grimm, Icarly, Lobos, Romance, Sam, Seddie, Vampiros
Visualizações 16
Palavras 4.727
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Enjoy!

Capítulo 9 - Violet Hill


Fanfic / Fanfiction 42 - Violet Hill - Capítulo 9 - Violet Hill

Parte 9: Feitiço

Povs Sam:

Freddie corre comigo para a rua deserta atrás do colégio. Adentramos no meio das árvores.

— Suba nas minhas costas. - ele me pede sorrindo.

— Primeiro você vai ter que me pegar. - me permito rir sinceramente após esses dias de dor. O que está feito está feito. Ninguém pode mudar nada.

Eu me lanço nas árvores finalmente me sentindo livre para ser quem sou. Freddie ri enquanto corre atrás de mim.

— Você é especial, sabia disso? - ele pergunta me alcançando.

— Não vejo dessa forma. - uso mais força na corrida- Espera... Você sabia! - fico com raiva de novo e o lanço do outro lado da floresta, ele retorna em segundos- Você sabia de mim desde o começo. Sabia o que eu era.

— Sim eu sabia. - ele pega as minhas mãos.

— Você disse algo sobre ser melhor mentir do que magoar, você disse que eu estava morta.

— Ser vampiro é estar morto, Sam. Eu não quis te ofender, mas eu queria que você se lembrasse. Queria que ficasse com raiva de mim, que me odiasse para que eu deixasse de te dele

— Eu temo que se eu não fosse metade vampira, você não sentiria nada por mim.

— Eu sentiria sim. Eu te amaria por que eu não me importo com o que você é.

— Eu sou estranha.

— Não. Você é única. - Freddie me solta- Me siga se for capaz. - ele desaparece.

Sigo ele entre as árvores. Eu vejo tudo na floresta. Sinto cada cheiro. Cada som. Cada animalzinho. Estamos indo rumo às montanhas. A vegetação fica mais densa, mas não é um problema para nós. De repente escuto um som de cervos e me detenho. Freddie retorna ao ver que eu parei de correr.

— O que é? - ele pergunta olhando em volta já me protegendo.

— Eu estou com sede. - sussurro. Ele sente a minha dor.

— Eu te ajudo a caçar. - ele me leva para um rochedo, o riacho corre para a floresta e alguns cervos bebem água ali.

— É agora... - aviso.

Eu rapidamente abato a fêmea maior. Ela se contorce, mas eu afundo minhas presas no seu pescoço. Não leva muito tempo e fica imóvel. A queimação na garganta fica saciada.

 

 

 

 

— Como é para você? - ele me pergunta caminhando comigo na margem do rio.

— Eu fico satisfeita, mas a sede retorna em algumas semanas, o máximo que eu consegui foram alguns meses que se romperam agora.

— Você não sabe o quanto eu me odeio. - ele solta a minha mão e chuta um toco de árvore na água. Ele voa e para do outro lado da margem se chocando com outra árvore que se parte em dois.

— Se culpar não vai fazer você voltar no tempo. - fico parada nas pedrinhas.

— Devia ter me matado quando teve a chance.

— Vai ter outras oportunidades. - levo na brincadeira.

— Acho que o leão se apaixonou pela tigresa. - ele volta para perto de mim.

— Uma tigresa com problemas mentais.

— Um leão retardado e demente. - Freddie segura meu rosto.

Eu me inclino para beija-lo. Ele toma cuidado. É um beijo calmo. Os lábios frios deles estalam contra os meus. Abrimos os olhos juntos e sorrimos.

Seguimos para Violet Hill. Ao longe já conseguimos avistar a colina toda florida com tulipas roxas e azuis, daí surgiu o nome.

Avançamos entre as flores. O pequeno casebre permanece logo acima embrenhado no meio das árvores.

— Eu não venho aqui desde... - me recordo da última vez.

— Desde o final da batalha? - Freddie se senta na grama me levando com ele.

— Sim. - caio sentada em seu colo. Ele me abraça contra seu peito.

— Você é cheirosa. - ele cheira meu cabelo.

— Queria poder dizer o mesmo.

— Mas isso não é culpa minha. - ele me aperta como se fosse meu namorado, mas acho que é isso que ele se tornou agora.

— Nunca soube como você foi transformado...

— Eu sofri um acidente em 1876, eu iria morrer, mas um vampiro me salvou... Por isso te ataquei alguns meses depois... Eu não devia ter saído naquele dia, mas também não podia colocar minha mãe em risco.

— Você a transformou?

Ele desce beijos pelo meu pescoço.

— Sim. Ela me pediu.

— Como consegue? - me viro para olhar seu rosto.

— Consigo o que?

— Não me matar.

— Eu diria que é por causa do seu lado vampira, mas não é o suficiente, ainda sinto vontade de te machucar... Entretanto isso não me incomoda tanto como antes.

— “Antes”, você quer dizer quando?

— Semana passada. - ele ri e eu também.

— O que o fez mudar?

— Eu pensei que você tinha ido embora, passei vinte e quatro horas achando que você tinha sumido do mapa, Wendy que me ligou para me contar...

— Por que ela te ligaria? - acho estranho o que ele disse. Freddie desvia o olhar do meu rosto e se deita nas flores. Ele coloca o braço sobre os olhos como estivesse se escondendo. - Hey, não se esconda de mim, responda. - tento retirar seu braço do rosto, mas é como mover uma pedra, eu sou o forte o suficiente para conseguir mover o braço dele em alguns centímetros.

— Ela viu a decisão que eu tomei. - ele responde retirando o braço do rosto e me puxando para cima dele.

— Que decisão?

— Desligar os sentimentos. - ele responde friamente.

— Por sentir culpa?

— Culpa? - ele inverte o jogo e fica em cima de mim- Eu ia desligar por que você fugiu por causa dos meus erros e eu não iria suportar viver sem você. Eu praticamente destruí a sua vida, a morte seria pouco para mim... O outro lado seria como um abraço... Eu mereço o inferno.

— Não. - aperto seu rosto- Você não merece, ninguém merece Freddie. Eu não vou te deixar, eu não vou a lugar nenhum. Entendeu? - beijo ele com carinho, mas ele rejeita com medo da nossa proximidade.

— Calma... - ele ri se deitando ao meu lado- Eu não vou me desligar, não mais.

Apoio-me no cotovelo e dou carinho no seu peito de mármore. Como um alerta, eu olho para o final da campina. O sol está se aproximando.

— Vamos entrar. - me levanto.

Freddie se levanta e me segue para dentro do casebre abandonado. Está tudo empoeirado da forma que eu deixei. Faz 137 anos que não venho aqui. As teias de aranhas e roedores tomaram conta do local. Freddie anda atrás de mim, mas eu o sinto se aproximando. Quando fico de frente para ele, seu corpo me empurra para a parede de madeira que cede e nos derruba no chão. Caímos entre as madeiras e as teias de aranha dando risada.

— Não era isso que eu tinha em mente. - ele se mantém agarrado comigo.

— Melhor procurarmos uma parede mais sólida.

Ele se levanta rapidamente assim como eu.

— A parede da lareira. - Freddie ri feito um menino, ele me leva para a pequena sala e consegue me colocar contra a parede de pedra. Ele sorri enquanto se aproxima para me beijar. Espero que ele se lembre de que pra mim ainda é difícil.

Eu tento segurar seus ombros, mas ele está muito colado comigo, então só meu resta envolver seu pescoço. Freddie retira os meus pés do chão e passa em volta da sua cintura. Tento beijar o Freddie com calma, mas ele abre a boca para aprofundar o nosso beijo. Só tenho duas opções: deixo o clima mais quente assim posso me segurar menos, ou rompo o beijo agora para não dar nenhum deslize. Fico com a opção um. Durante o beijo eu tento tirar sua jaqueta pelos seus braços. Freddie aperta o quadril contra mim e minha calça jeans é fina o suficiente para eu sentir o volume na sua calça. Ele me aperta com tanta força na cintura que escutamos um estralo e ele desfaz o beijo assustado. Sinto-me sufocada e tenho uma enorme dor nas costelas.

— Nossa... - dói quando eu me mexo e Freddie já não está mais em meus braços.

— Eu te machuquei... - ele está do outro lado da sala- Não posso mais continuar com isso.

— Está tudo bem. - na verdade não, eu devo ter quebrado uma costela ou duas.

— Eu machuquei a Carly desse jeito, Sam!- Freddie soca a parede que se quebra- Eu podia tê-la matado. Agora machuquei você também! - ele se senta no chão com as mãos na cabeça- Eu não aguento mais isso, eu só queria ser normal... Eu só queria ser humano de novo. - ele fita meu rosto- Envelhecer ao seu lado... Eu não posso nem te beijar sem te machucar. Eu devia estar morto, Sam.

Caminho em sua direção trincando os dentes para não gritar de dor. Eu me abaixo e dou carinho nos seus cabelos.

— Se sobreviveu a Violet Hill, nada mais vai te matar.

Ele suspira permanecendo calado. Passam-se minutos assim. Minhas costelas se curam rapidamente. Eu não sinto mais dor. Aconchego-me nos seus braços. O sol está forte lá fora. Eu inalo seu cheiro mesmo sabendo que isso dói, mas quero que ele se sinta melhor.

— Foi um longo e escuro Dezembro, dos telhados, eu me lembro... - ele sussurra para mim- Estava nevando, tinha neve, neve branca. Claramente eu me lembro, das janelas eles estavam assistindo enquanto nós congelávamos no chão frio. - levo uns segundos para ver que está descrevendo a batalha que aconteceu aqui próximo. Nas pequenas casinhas os inimigos se esconderam, enquanto nós ficamos presos na neve. Hayes devia ter feito uma estratégia melhor, os líderes do conselho dos 42 eram idiotas demais, achavam que na neve teríamos vantagem e só se preocupavam com o final da batalha e não com o meio dela. - Eu devia ter sido melhor, devia ter falado com eles antes de entrarem na luta daquele jeito. - Freddie continua falando.

— Quando o futuro é arquitetado, por um carnaval de idiotas em amostra, seria melhor você ficar quieto. - seguro suas mãos.

— Quieto? Vidas poderiam ter sido poupadas. - ele acaricia meus dedos.

— Você fez o que pôde... – conforto ele - Eu lembro quando os bancos tornaram-se cemitérios.

— E a raposa tornou-se Deus. - ele completa.

— Padres agarraram-se às bíblias - relembro os caçadores- E saíram para ajustar seus rifles.

— E a cruz foi mantida no alto - Freddie ri lembrando os caçadores tentando caçar os sobreviventes da batalha, eles nunca nos acharam.

Lembro-me do que Hayes dizia sobre querer se enterrado com honra e sinceramente, eu também desejo isso.

— Me enterrem com honra quando meu corpo cair no chão. - eu peço baixinho.

Freddie ergue meu queixo para me encarar intensamente.

— Não vou deixar você morrer, Sam. Jamais.

— Quero acreditar, mas eu não quero ser um soldado, com um capitão de um navio náufrago. - uso isso como uma metáfora para minha matilha.

— Você sempre faz pouco caso de si mesma. - ele delicadamente toca na minha cintura - Eu lembro que após a batalha, eu levei meu amor para a colina violeta. Lá nós nos sentamos na neve, e todo esse tempo, você continuou em silêncio. Diga se você me ama, não vai me deixar saber?

Abro a boca sem nada dizer. Não consigo admitir a verdade para ele. Tenho medo que algo aconteça. Algo sempre vai dar errado. Eu apenas balanço a cabeça negando.

— Não é que eu não te amo, mas não posso te dizer isso agora. - justifico minha negação.

— Não se apresse, temos a eternidade para isso.

Procuro o que dizer em seguida. Um vento frio invade a casa. Arrepio-me e Freddie me abraça, o que é inútil por que ele é totalmente frio, mas aprecio seus braços fortes.

— Aqueles que estão mortos, não estão mortos, eles apenas estão vivendo em minha mente. E desde que eu caí por esse feitiço, estou vivendo lá também. - entoo para o Freddie.

— O que isso quer dizer?

— Se estou em forma de lobo, eu ouço os espíritos do passado presos no outro lado... Sofri esse feitiço de uma bruxa. Os mortos falam comigo às vezes, dizem que eu fui a líder que eles queriam, dizem que sentem orgulho de mim. - coro um pouco no final.

— Você deveria ser o alfa que vai vir em breve e não qualquer estranho. Você é boa, gentil, compreensiva, tem um grande espírito de liderança, por que não você? Por que outro? - ele beija meu rosto- Não importa quem venha, você será sempre a alfa para mim.

— Queria que minha alcateia pensasse assim, mas eles vão ter que se submeter ao novo líder.

— Que droga de profecia.

— Eu não concordo com um monte de coisas, mas quem sou eu para contradizer os anciãos? Cara eu nem posso visitar a tribo, quanto mais querer mudar a forma de administração.

— Sobre isso de não poder entrar na tribo, eu só pude levar Carly até metade da rua, ela teve que percorrer até o Spencer andando, é como se tivesse uma parede invisível me interrompendo de passar. Por que não pediu a Wendy que desse um jeito nisso?

— Eu pedi, mas na última vez isso quase a matou. A bruxa que fez o feitiço invocou poderes de dezenas de outras bruxas, o feitiço somente será quebrado quando o alfa retornar.

— O que isso quer dizer? O alfa é um vampiro?

— Ninguém sabe. - relaxo no seu peito.

Freddie fica remoendo a história. Eu apenas fico em silêncio aproveitando esse pedacinho de paz. Após alguns segundos ele conta para mim como Robbie, Cat, Nevel e André se juntaram a ele. É engraçado que somente depois de tantas décadas, finalmente Freddie e eu estamos nos conhecendo de verdade. Ele revela que eu também fui seu primeiro beijo e me sinto bem ouvindo isso.

— Eu não sei dizer o quanto adoro ter você em meus braços. - ele sussurra contra o meu ouvido.

— Por que de todas você escolheria a mim?

— Porque eu já te escolhi muito antes de pensar em escolher as outras.

— Não faz sentido.

— Não é pra fazer sentido, por que mesmo que não existisse magia eu ainda seria o cara certo para você.

Ele me deixa sem palavras de novo. Tudo o que ele diz é tão profundo que me sinto culpada por ele me amar tanto, mas então me lembro dos erros dele e me sinto melhor por saber que o mínimo que ele deve levar em consideração é o amor por mim.

— Está ficando tarde... - eu murmuro ainda em seus braços- Melhor nós irmos.

— Hum... - ele demora a me soltar- O sol se pôs.

— É sua deixa.

— Posso te levar nas costas? - ele sorri me fazendo derreter de amores por ele.

— Só dessa vez e não conte para ninguém.

— Minha boca é um túmulo.

 

 

 

 

Desço das costas dele quando chegamos à grama da minha casa. O carro da Wendy está na entrada da garagem. Freddie me leva até a porta.

— Não me arrependo de não ter te matado. - eu sou sincera com ele.

— Eu sei. - ele abre a porta para mim- Está frio, mas deixe a janela do seu quarto aberta, se quiser que eu entre.

— Entrar? - pisco atônita.

— Sim.

— Tipo... Para dormir? - fico um pouco constrangida.

— Tem algo melhor em mente? - ele coloca as mãos na minha cintura.

Quero dizer que “sim”, mas me contenho.

— Dormir está ótimo.

— Então ok, te vejo depois.

Freddie junta seus lábios com os meus. Apoio-me em seus ombros fortes para beija-lo com cuidado. É tão estranho e ao mesmo tempo tão perfeito quando nos beijamos. Ele vai me encostando na parede, sei que devemos parar agora.

Separo nossos lábios com cautela.

— Te vejo em alguns minutos.

Ele dá um aceno com a cabeça e desce os degraus. Ele corre como uma pessoa normal pela grama até à floresta. Freddie é gostoso fazendo qualquer coisa, vou ter que me acostumar com isso.

Eu entro na minha casa e fecho a porta. Encaminho-me para sala.

— Eu sei que vocês estão aqui, apareçam. - chamo pelas meninas.

Carly e Wendy surgem da cozinha.

— É assim que você o mata? - Wendy me empurra no sofá, vai começar o interrogatório noturno.

— Deve ter o matado de prazer, só se foi. - Carly é mais atrevida como sempre.

Cada uma senta em um lado do sofá assim tenho as duas ao meu lado.

— A gente só passou a tarde juntos. - e vamos passar a noite também, adiciono na cabeça.

— Por favor, diga que estão namorando ou que pelo menos as coisas estão resolvidas. - Carly faz biquinho como uma criança.

— Não para a primeira coisa e sim para a segunda. - lhe respondo.

Wendy solta um muxoxo.

— Como não?

— Ainda tenho aquele lance com o Gibby, se lembra? - relembro do meu melhor amigo- O ignorei desde sexta-feira.

— É. O Gibby está mesmo na pior. - Carly suspira.

— Mas você ama o Freddie. - Wendy relembra.

— Sim, mas... A ligação que eu tenho com o Gibby não é normal e se ele não tiver imprinting comigo não vai poder questionar minha escolha de ficar com o Freddie, mas se ele tiver... - cogito a ideia por um momento- Eu não vou poder lutar contra isso, vou ama-lo como as coisas devem ser.

Quando termino de falar vejo Wendy e Carly trocarem um olhar nada amistoso. A questão do imprinting que Brad teve por Wendy ainda não foi resolvida.

Carly franze a testa. Normalmente ela faz isso quando está com raiva. Ela me olha e diz:

— Não pode lutar contra a magia, ela que luta contra você.

— Ninguém aqui está lutando contra, estamos apenas tentando evitar. - eu falo.

— Evitar... - Wendy diz lentamente- Não fui muito boa nesse quesito.

— A gente devia mudar de assunto. - proponho procurando o celular da Wendy no bolso dela, assim que eu acho respondo a pergunta não formulada dela- Vou pedir pizza, escolham um filme.

— Uma coisa boa afinal. - Carly se levanta e vai para o outro sofá.

Por acidente penso no Dice. Ele adorava ver filmes conosco. Não vai ser a mesma coisa sem ele. Wendy vendo meu estado me abraça.

— Deveríamos assistir Clube da Luta, Dice amava esse filme.

— Sim... Lembro que ele recitava as regras do filme quando entrou na alcateia. - deixo meus olhos marejarem.

— Eu também lembro. - Carly murmura, ela está chorando- A primeira regra do clube da luta, é que você não fala do clube da luta.

— A segunda regra do clube da luta, é que você não fala do clube da luta. - Wendy repete por que é desse jeito que funciona.

— Terceira regra do Clube da Luta: se alguém gritar "Para!", fraquejar, sinalizar, a luta está terminada. - eu murmuro a terceira regra.

— Quarta regra: apenas dois caras numa luta. - Carly continua.

— Quinta regra: uma luta de cada vez, pessoal. - Wendy prossegue.

— Sexta regra: sem camisas, sem sapatos. - me endireito no sofá.

— Sétima regra: as lutas duram o tempo que for necessário. - Carly ri por algum motivo.

— E a oitava e última regra- dizemos juntas- Se está for a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem de lutar.

Rimos juntas após isso. Dói saber que perdemos alguém tão querido, mas a dor é boa, significa que ele foi real e que toda sua alegria era.

Pedimos uma pizza. Colocamos o filme para rodar na Netflix e começamos a assistir. Sabemos todas as falas. Não importa se já assistimos esse filme umas mil vezes com o Dice, estamos fazendo isso em homenagem a ele. Gostaríamos que ele estivesse aqui. Diceneo Jay Corleone, o lobo de ouro.

O filme terminou com a cena épica dos edifícios caindo. Os créditos começaram e Wendy desligou a TV. Carly se levantou do sofá bocejando.

— Você prometeu que dormiria lá em casa hoje, ainda não tivemos tempo de conversar. - Wendy fala para a Carly.

— E eu vou. - ela não parece animada. Essas duas tem muito que resolver.

— Divirtam-se. - abraço a Wendy e em seguida a Carly.

— Pode vir com a gente também. - Carly quer um apoio.

— Não, eu tenho meus planos. - fico vermelha lembrando que o Freddie dormirá aqui essa noite, bem eu vou dormir, ele não, por que vampiros não dormem.

— Ah sim, planos... - Wendy ergue as sobrancelhas.

— Planos chamados Fredward Benson. - Carly ri.

— Vocês já podem sair. - corro para a porta e a mantenho aberta para elas.

Wendy coloca um casaco amarelo que trouxe.

— Está nos expulsando? Viu Carly, eu sabia que esse dia ia chegar.

— Sabia não. - Carly nega tentando amenizar o clima pesado com a Wendy.

Elas passam por mim e me abraçam novamente. Elas mal saíram quando eu corro escada acima para abrir a janela do quarto. Em seguida corro para o banheiro, escovo os dentes, tomo um banho rápido, retorno para o quarto, visto um dos meus moletons velhos e arrumo meu cabelo.

Um vento balança meus cachos. Freddie acabou de entrar. Pelo espelho vejo que trocou de roupa. Ele está usando jeans como sempre e uma camisa xadrez, a mesma que emprestei. Eu vou até ele que pega minhas mãos e cheira cada uma.

— Olá. - ele sorri de lado.

— Oi. - não sei por que me sinto tão nervosa.

— Então este é seu quarto? - ele olha em volta como se nunca tivesse entrado aqui antes.

— Você já esteve aqui. - solto um riso para me acalmar, será que ele está escutando meu coração bater como uma locomotiva?

— Não estive tantas vezes como eu gostaria.

Eu beijo ele por que a vontade é muita. Ele devolve o beijo.

— É tão bom fazer isso sem quebrar por acidente o nariz do cara.

— Isso já aconteceu antes?

— Oh sim, várias vezes. - eu sorrio

Freddie ameaça me beijar de novo, mas olha para a porta.

— Carly está vindo.

Carly aparece limpando o meu casaco com as mãos.

— Garota foi um inferno para tirar seu casaco da árvore, Wendy e eu já estávamos no outro bairro quando nos lembramos de... - ela ergue a cabeça e percebe que não estou sozinha- Eu... É... Não quis interromper.

— Não interrompeu. - me solto do Freddie dando um tapinha no seu peito.

— Carly eu peço sinceras desculpas pelo incidente no banheiro. - Freddie é todo formal e educado.

Carly rola os olhos, aparentemente enfadada.

— Freddie você pediu desculpas tipo umas quinhentas vezes daqui da casa da Sam até a reserva, creio eu que isso já é o suficiente, eu desculpo você, foi um acidente.

— Mesmo assim não muda o que aconteceu. - Freddie alega.

— Não muda, mas agora já passou. - ela se aproxima de nós dois- Posso falar com a Sam? A sós de preferência e eu agradeço se não ouvir. - Carly dá risada, parece até mesmo um pouco forçada.

Freddie faz que sim com a cabeça.

— Estarei por ai. - ele me beija na frente da Carly, vai para a janela e pula.

— Me perdoa, mas ele é lindo. - Carly me entrega o casaco.

— Ele é muito mais do que lindo. - minha voz transborda amor demais.

— Eu achei que você tentaria gostar do Gibby...

— Não tem como fazer pra "tentar" gostar de alguém, é seu coração que decide e nem sempre ele escolhe a pessoa certa. - recito com um sorriso.

— É... Definitivamente isso só prova o quanto você está louca pelo Freddie.

— Mas então, o que posso fazer vossa majestade?

— Só queria dizer que não estou culpando a Wendy, estou na verdade com raiva por ela ter evitado o Brad por tanto tempo. Teria sido mais fácil para mim na época em que as coisas não estiveram tão sérias entre nós. O problema foi essa bomba chegar quando estávamos iniciando um relacionamento.

— Entendo Carls... Deve ser difícil para você, mas não se preocupe, seu cavaleiro da armadura brilhante vai chegar...

— Talvez. - ela não parece convencida.

Mordo o lábio já me arrependendo do que vou pedir.

— Posso te pedir um favor?

— Você sabe que sim.

— Você ama o Freddie?

Ela estreita os olhos para mim.

— Sim. Como amigo... – ela cora e sei que algo pode surgir.

— Não é o bastante. - balanço a cabeça pensativa.

— O que você quer que eu faça?

— Se o Gibby tiver imprinting comigo, você pode... Você e o Freddie... - não consigo completar meu pedido.

Ela arregala os olhos ao ver o que eu ia pedir.

— Está me pedindo para namorar com o Freddie, caso o Gibby tenha imprinting com você? Ficou louca?! - se Carly fosse uma loba ela teria se transformado e me matado agora.

— Eu só não quero o deixar sofrendo.

— Porra!- pela primeira vez na vida ela solta um palavrão- É loucura o que está pedindo, o Freddie nem me ama para início de conversa!

— Ele te ama sim, porém ele preferiu manter os sentimentos firmes por mim por que não queria te machucar, o que aconteceu ele negando os sentimentos ou não. - refiro-me ao "incidente no banheiro", assim o Freddie chamou.

— Ainda é loucura... Sabe que não posso fazer isso, para todos os efeitos eu ainda amo o Brad, vai levar um tempo até eu me apaixonar por alguém de novo.

— Mesmo assim, só pensa a respeito disso, está bem?

— Não. - ela já está dando as costas- De jeito nenhum.

— Ele vai te dar o que você sempre quis. - uso a carta que tenho na manga.

Carly trava o passo e se vira devagar.

— E o que seria?

— Imortalidade. - ergo as mãos de forma teatral.

Carly mexe a cabeça para retirar o cabelo do rosto.

— Não quero ter imortalidade, ter super poderes ou não poder ser morta...

— Ser imortal não é ter super poderes ou não poder ser morta. Ser imortal é saber que algo pode te matar, mas se não o fizer você sabe que pode viver para sempre. Viver eternamente. - eu sussurro atrativamente - Você sempre quis ser vampira Carly, essa seria sua chance.

— Sam, eu vou para casa da Wendy agora, espero que amanhã eu receba um pedido de desculpas seu, por ter tentado me comprar, eu não namoraria com o Freddie nem se ele fosse o cara mais gato do mundo e isso ele já é. Até depois. - ela anda para o corredor.

Pisco algumas vezes repassando na cabeça a patada que eu levei. Essa eu nunca esqueço.

 

Apago a luz do quarto. Deito-me na cama. Entro debaixo das cobertas e alguém apaga a luz do abajur. De repente um par de braços frios me envolve. Freddie beija meu cabelo.

— Você ouviu minha conversa com ela? - eu pergunto preocupada.

— Não. Eu fui até às lojinhas indígenas no outro bairro e voltei, quando cheguei você já estava se deitando. Aproveitei e te comprei isso. - ele acende a luz do abajur se esquecendo de que enxergo tanto como ele. Freddie me mostra um pequenino lobo cinza entalhado, preso em um colar dourado- Eu achei muito parecido com o Dice.

— Oh Freddie... - me emociono pegando o pequeno lobo nos dedos.

— Quer colocar agora? Só para ver como ficou...

— Quero. - fico de costas, deixo o cabelo de lado e Freddie coloca o colar no meu pescoço. Ele sai da cama rapidamente e retorna com um espelho- Eu amei. - acaricio o lobo- Obrigada.

— De nada. - Freddie se olha no espelho.

— Achei que vampiros não tivessem reflexo. - faço uma piadinha.

— Engraçadinha. - ele retira o colar e deixa sobre o criado-mudo. Freddie apaga o abajur novamente e me agarra de costas, sinto sua calça jeans encostar-se a mim e me mexo contra ela- Se quer me deixar excitado, está conseguindo.

— Não é o que você está pensado mané, é que seu cinto está me machucando. - distancio meu corpo dele e fico deitada de costas na cama.

— Se eu ficar só de cueca, você retira esses moletons nada atraentes?

Não penso para responder.

— Sim.

— Feito. - ele começa a desabotoar a camisa, retira ela e a joga no chão, agora escuto seu cinto sendo aberto, Freddie tira a calça e deixa ao lado da cama- Agora você.

Eu me sento e retiro o moletom pela cabeça. Deito-me de novo e puxo a calça que desce pelas minhas pernas.

— Pronto.

Freddie está debaixo das cobertas então não vejo quando ele toca na minha coxa com a mão fria, eu gemo e recuo.

— Desculpa. - ele se afasta.

— Não se desculpe, eu só não estava esperando por isso, você pode me tocar se quiser. - faço peso no braço esquerdo para ficar virada na direção dele.

Ele coloca a mão na minha coxa novamente. Eu não recuo dessa vez...


Notas Finais


Amanhã tem capítulo novo aqui ecapítulo novo no Nyah!

Beijos!

See you soon guys! Very soon...


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...