História 48 horas sem ele - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun, Suho
Tags Chanbaek, Hunhan, Kaisoo, Susoo
Exibições 2.935
Palavras 7.072
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oiee, gente!!! <3
Eu estou muito feliz com os leitores que se interessaram por essa história, mesmo ela sendo "normal" <3 <3 Obrigada a todos!
Bem, espero que gostem desse capítulo. Está grande porque eu não quis dividi-lo.
Boa leitura <3

Capítulo 2 - Eu só queria entender


 

Kyungsoo

O apartamento de JunMyeon é impressionantemente chique e um pouco grande para alguém que mora com dois gatos. Os móveis eram de causar inveja. Todos de marcas caras em tons creme e turquesa. Eu amava essa cor, a minha favorita. E pelo visto é a dele também. Haviam três quartos na casa: duas suítes e um quarto de hóspedes. Ele me deixou ficar em uma das suítes, e até parecia que mais alguém viva com ele, pois o quarto estava limpo e arrumado, e a roupa de cama provavelmente fora trocada pela empregada que, segundo ele, vinha apenas duas vezes na semana. Fiquei com um pouco de pena, sabe? Ele é tão sozinho.

– Fique à vontade – disse JunMyeon, próximo ao batente da porta. – Sinta-se em casa para fazer o que quiser.

Agradeci a ele, mas ficar muito à vontade seria difícil.

Ele disse que teria que voltar ao trabalho e só chegaria em casa depois das 22h00. E quando ele saiu, me senti sozinho novamente. A tristeza me fez deitar na cama, pegar o celular e olhar as fotos que Jongin e eu tínhamos tirado na nossa última viagem à Jeju.

Meu marido é tão lindo. Eu me apaixono mais toda vez que olho para ele. E olhar para sua foto só me fazia querer estar em seus braços, beijá-lo, ser tocado por ele. Não fazia nem um dia que eu estava fora de casa e eu já queria voltar.

Não consegui me segurar. Abri o aplicativo Kakao Talk e enviei uma mensagem para ele.

“Amor, eu não aguento mais ficar sem você. Por favor, vamos resolver seja lá o que for. Vamos conversar e eu tenho certeza que tudo se esclarecerá e terminaremos fazendo amor pelo resto da noite.”

Ele demorou uns 10 minutos para visualizar e então responder:

“Você deve estar se divertindo muito onde está. E eu estou ocupado cuidando do filho que você deixou para trás. Fique onde está.”

Sua mensagem foi o suficiente para me fazer chorar o resto da tarde.

 

~~ * ~~

 

O relógio marcava 18h e eu despertei de um cochilo que mal percebi chegar. Meu nariz estava entupido e meus olhos colando devido às horas que passei chorando. Me levantei da cama e, meio cambaleante, segui até a área de serviço, onde ficavam as vasilhas de ração dos gatos. Os bichos estavam tão esfomeados que quase pularam no meu colo quando abri o pote de ração.

– Me desculpe – pedi, alisando o pelo branco da gata fêmea. – Eu cochilei.

A gata não me dava bola, só queria comer. Enquanto os observava, escutei o barulho da porta de entrada (que ficava na sala) sendo aberta. Corri até lá com o coração um pouco acelerado, com medo de ser alguém não convidado. Foi um alívio ver JunMyeon. Estava com o terno preto jogado sobre as costas, gravata solta e a pasta marrom de couro na mão. Parecia cansado, mas sorriu ao me ver.

– Deu comida aos gatos? – ele perguntou, vindo até mim.

– Sim, acabei de dar. Eu cochilei um pouco e...

– Tudo bem – ele deu uma batidinha leve nas minhas costas. – Eu consegui sair mais cedo. Sabe, eu me senti mal em te deixar sozinho com comidas congeladas na geladeira. Não era a recepção que eu queria dar.

Lhe sorri. Não sabia o que dizer.

– Eu estava pensando – ele continuou. – Que tal sairmos para jantar? Gosta de comida italiana? Conheço um restaurante excelente. O chef é italiano e meu amigo.

Eu adorava comida italiana. Jongin e eu costumávamos jantar em restaurantes italianos quando queríamos comemorar uma data especial.

– Acho uma boa ideia.

 

~~ * ~~

 

Jongin

 

Estacionei o carro na única vaga que encontrei no estacionamento do hospital de Yongsan. Eu estava irritado por ter que me deslocar da minha casa para pegar os exames de Kyungsoo. O pior de tudo é ter que levar o meu filho de três anos para tudo que é lugar. Não gosto que ele entre em hospitais.

Com TaeOh nos braços, caminhei até a recepção e avisei à recepcionista que tinha que pegar exames em nome de Do Kyungsoo. Ele perguntou se eu era o marido, e eu hesitei em responder. A palavra “marido” vinha me perturbando há um tempo.

– Sou, sim.

Ela então sorriu e pediu para que eu me dirigisse ao terceiro andar porque o médico queria conversar comigo. Era o procedimento do hospital. O médico tinha que explicar o exame para os pacientes seja ele bom ou ruim. Eu me preparei para escutar sermões. Pelo visto, ele me culparia pela má alimentação de Kyungsoo.

Ao chegar no consultório, o médico me recebeu com um sorriso alegre demais para quem está de plantão. Ele fez graça para TaeOh e o deixou brincar com seu estetoscópio.

– Então, doutor – eu falei, me sentando na cadeira acolchoada à sua mesa. – Os exames do Kyungsoo são bons?

Ele me olhou por cima dos óculos e, em silêncio, mexeu na pasta de papelão com a logo do hospital, onde guardava os exames.

– O seu esposo está com uma anemia leve, precisa de muito ferro. Já fiz o encaminhamento para um nutricionista.

– Só isso? – deixei transparecer a minha impaciência.

Ele suspirou e guardou os papéis de volta dentro da pasta.

– Não se preocupa com a anemia dele? A imunidade do senhor Kyungsoo está a um passo de ficar vulnerável.

– Eu me preocupo, mas o que posso fazer? – dei de ombros.

– Não parece se preocupar tanto. Mas acho que entendo.

– Entende?

– Não está preocupado porque não sabe das circunstâncias.

Meu coração começou a acelerar.

– Que circunstâncias?

E eu tive medo da resposta.

– Ele está esperando um filho.

 

~~ * ~~

 

Kyungsoo

 

De todos os restaurantes italianos que já fui, nenhum era como aquele. Gangnam é conhecida por ter muitos restaurantes com preços exorbitantes, talvez por isso Jongin e eu sempre evitássemos jantar por aqui. Yongsan têm restaurantes excelentes e com preços razoáveis. No entanto, é entendível o porquê daquele restaurante ser tão caro. Era simplesmente magnífico. Isso se deve ao fato do Chef ser realmente um italiano.

– Eu sou simplesmente apaixonado por esse lugar – contou JunMyeon depois de dar um gole no vinho italiano legítimo e caro. Eu só tomei cinco goles e foi o melhor vinho que já experimentei. – É um pedacinho da Itália no meu bairro. Comida assim você só encontra na própria Itália.

Eu entendia a paixão dele porque aquele lugar já tinha me conquistado.

– Você já foi à Itália?

– Sim, cinco vezes.

Me impressionei.

– Nossa... tanto assim?

– Para mim, é o melhor lugar da Europa. Gosto mais do que da França.

– Por quê?

Ele pensou um pouco e deu de ombros.

– Acho os franceses arrogantes demais. E, cá entre nós, a comida francesa é refinada, mas não é saborosa como a italiana e muito menos nos deixa de barriga cheia.

Pus a mão sobre os lábios e soltei uma risada.

– Eu nunca fui à Europa, nunca saí da Ásia. Só visitei três países: Japão, China e Tailândia.

– É uma pena que tenha viajado tão pouco.

– Sim. Mas é por falta de tempo. O Jongin prefere lugares mais perto de casa, sabe?

– Você deveria convencê-lo. O mundo é um lugar maravilhoso. A vida é muito curta para desperdiçarmos nosso tempo livre em um lugar que vemos todos os dias. Eu trabalho muito, mas quando tenho tempo eu gosto de conhecer lugares distantes.

– Eu penso como você – confessei. – Antes de conhecer o Jongin, eu queria pôr uma mochila nas costas e conhecer o mundo. Mas depois que me casei e tive filho, isso me parece impossível. Acho que só vou poder viajar quando o TaeOh for adulto e o Jongin aposentado.

Ele sorriu de canto de boca, como se lamentasse.

– Isso vai demorar.

– Vai...

– Poderia ir sozinho. Têm pacotes de uma semana que é a melhor opção para quem vai sozinho.

– Não vejo graça em ir sozinho. Do que adianta conhecer um paraíso sem alguém para compartilhar o momento?

O sorriso dele morreu aos poucos e seu olhar se perdeu por um instante. Depois voltou a sorrir.

– Eu viajo sozinho sempre. Não é tão ruim. Você relaxa e pensa com mais clareza.

Me senti extremamente envergonhado pelo meu comentário insensível. Eu deveria ter notado que ele viaja sozinho, assim como vive. Não consegui fazer mais nenhum comentário, e como ele é muito educado, mudou de assunto.

– Se um dia você e o Jongin quiserem ir à Itália, me avisem que indicarei os melhores restaurantes e pontos turísticos que vocês têm obrigação de conhecer.

– Obrigado! Pedirei suas recomendações com certeza.

O resto da noite foi muito agradável. Conversamos sobre diversos assuntos e nenhum incluía o meu casamento ou o fato de Baekhyun ter o deixado para voltar com Chanyeol. Tocar no nome de Baekhyun era algo delicado para ele.

Mas eu fiquei feliz por não precisarmos falar de amigos em comum para termos um bom papo.

 

~~ * ~~

 

Jongin

 

Eu não conseguia pregar os olhos. Minha mente funcionava como um motor de trem. Eu só conseguia pensar em Kyungsoo e no filho que ele carregava na barriga. Ele havia escondido a gravidez de mim. E eu tinha certeza disso porque ele me deu pistas sobre a gravidez e eu estava irritado demais para notar.

Eu sempre quis ter mais um filho, três na verdade. Mas tudo mudou quando descobri o segredo sujo de Kyungsoo. Eu nem sabia mais se conseguiria continuar casado com ele, quem dirá ter mais um filho. No entanto, o universo resolveu conspirar contra mim. Era como se quisessem me prender a ele.

A necessidade de desabafar se fez presente. Eu precisava contar para alguém. O primeiro que pensei foi Chanyeol, mas algo me dizia que Baekhyun e ele já sabiam da gravidez. Só me restou Sehun. Mas eu conversaria pessoalmente. Não queria Luhan xeretando.

“Você pode vir aqui em casa sozinho? Preciso conversar com você.”

Em poucos minutos ele respondeu.

“Eu estava mesmo querendo conversar com um amigo. Estarei aí em vinte minutos.”

 

~~ * ~~

 

Kyungsoo

 

O vinho tinha deixado JunMyeon um tanto risonho. Fazia piadas e ria antes de mim. Não deixei que dirigisse. Eu tinha tomado cinco goles de vinho e vim o caminho todo me martirizando por isso. Mas, pelo menos, eu estava bem sóbrio.

Ao chegar no apartamento os gatos fizeram a festa ao nos receber, se esfregando e se embolando em nossas pernas, quase nos fazendo cair. JunMyeon foi à área colocar a ração deles e eu fui para o quarto. Precisava de um banho e uma boa noite de sono.

Eu me joguei na cama e sorri levemente. Eu estava feliz por ter encontrado uma forma de me distrair, de não passar o dia inteiro chorando em um quarto de hotel barato. E eu ainda aprendia coisas com JunMyeon. Meu conceito sobre ele havia mudado. Ele não era apenas o advogado certinho que eu achei que fosse. Ele era um cara divertido, viajado e muito inteligente.

Escutei então o barulho de notificação do meu celular. Abri rapidamente, na esperança de ser Jongin.

Mas era Luhan.

“Notícias de última hora: o meu marido foi conversar com o seu marido. Quando o Sehun chegar, farei com que ele me conte tudo e direi a você.”

Às vezes o jeito fofoqueiro de Luhan me irritava. Mas naquela situação era tudo que eu precisava.

“Me fale, por favor. Será que o Jongin vai contar ao Sehun o porquê de estar me tratando mal?”

“Não sei, mas acho que sim. As pessoas precisam desabafar com as outras. Vai ver o Jongin não aguenta mais guardar segredo. E você sabe, eu odeio segredos. Então se eu encontrar um, eu o faço deixar de ser segredo.”

Por essas e outras que não posso contar a ele que estou na casa do Jun.

“Obrigado por isso, Lu. Tire tudo que puder do Sehun.”

 

~~ * ~~

 

Jongin

 

Era mais seguro eu conversar na minha própria casa. Eu sei lá se o maníaco do Luhan resolve seguir o Sehun só para escutar nossa conversa e espalhar para todo mundo. Ele deveria ser um jornalista de uma revista de fofoca, só assim extravasaria sei instinto de tomar conta da vida alheia.

Eu tinha pedido comida tailandesa pelo telefone, seria melhor conversar depois da refeição. E antes que ele chegasse, eu dei a janta de TaeOh e o pus para dormir. Ele tinha brincado e pulado tanto no parquinho da praça que não demorou muito para dormir.

Sehun chegou cinco minutos depois da comida. Ele vestia um moletom azul com o símbolo do Superman no peito. Parecia ter 17 anos, mas seu olhar era cansado como o de um velho.

– Acho que eu vou dormir aqui – ele disse antes mesmo de passar pela porta.

– Problemas com o Luhan? – indaguei enquanto íamos até a cozinha. Ele me seguia sem perceber.

– O Luhan é o problema.

– Por quê?

– Porque ele é o Luhan. Você sabe como ele é. E está piorando cada vez mais.

Eu ri brevemente. Ele sempre reclama do esposo.

– Ele está te enchendo o saco, né?

– O saco, o pau, o cu... ele me enche por inteiro – ao ver os meus olhos levemente arregalados, ele percebeu que sua resposta poderia ser mal interpretada. – Figurativamente!

– Bem... e qual é a neurose da vez?

Ele se jogou na cadeira frente à mesa que eu já tinha arrumado com a comida. Ele nem pareceu notá-la.

– Ele tem neurose com tudo. Eu não posso fazer nada. Não posso jogar videogame, não posso ir ao cinema ver os filmes que eu gosto, não posso comprar bonecos de coleção porque ele diz que é infantil. Me diz, em que mundo um boneco do Darth Vader de um metro e meio de altura é infantil? Eu compraria com o meu dinheiro e mesmo assim ele não deixou!

Eu soltei outra risada sem querer. Queria tanto que meus problemas conjugais fossem como os de Sehun.

– Acho que seus filhos destruiriam esse boneco em dez minutos.

Ele revirou os olhos e cruzou os braços, jogando o peso sobre o encosto da cadeira.

– Sim, eu sei. Mas ficaria no meu quarto e ele vive trancado. Ou eu esconderia no closet, sei lá.

– Ou compra um para eles também.

– Um boneco que custa mil e quinhentos dólares para eles pularem em cima? Eu nem sei quanto isso fica convertido em Wons.

Eu o escutei reclamar enquanto jantávamos. Seus problemas eram superficiais, mas eu compreendia suas frustrações. Luhan era muito chato e o tratava como se fosse mais um de seus filhos. Mas Sehun não é lá um santo. Ele não amadureceu. Vive nos seus passados quinze anos. Não me admira que seus filhos não tenham limites.

– ... então ele e o Baekhyun descobriram que a pescaria era na verdade uma competição de RPG e nos proibiram de ir. Poxa vida! Nós não podemos mais nos divertir? Só porque temos filhos devemos agir como velhos? O que tem demais num joguinho?

– O Baekhyun e o Luhan só querem que vocês sejam mais responsáveis. Eu os entendo. O Chanyeol melhorou muito depois que teve o Jiwon.

– Eu sei, ele se tornou um chato como você... hm, sem ofensas. Mas ele não me acompanha mais nos programas que faço escondido do Luhan. Então eu tive que encontrar um novo parceiro.

Ao falar do novo parceiro, ele sorriu.

– Quem?

– Deixa para lá – ele deu o último gole no suco. Encerrando a refeição. – Já falamos muito de mim, agora vamos falar do seu problema com o Kyungsoo.

Escutar o nome dele deixava meu coração apertado. E lembrar de sua ausência deixava a casa menor.

– Ele ainda está fora. Eu estava tentando não me importar com isso, até que descobri uma coisa.

– Que coisa? – ele parecia bem curioso.

– Ele está grávido.

Não esperei que ele ficasse surpreso, mas ficou.

– Ai, meu Deus. E como você descobriu isso?

– Ele fez uns exames depois que desmaiou no hospital. O médico me contou quando fui buscar os resultados. Mas... você não sabia? O Luhan provavelmente sabe, então achei que você soubesse também.

Ele deu um estalo com a língua no céu da boca.

– O Luhan só me conta o que ele quer – ele deu de ombros. – Mas você não queria mais um filho? Por que acho que você não está feliz com isso?

– Eu estou feliz porque vou ter mais um filho, mas as circunstancias são péssimas.

– Você está sem dinheiro?

– Não... eu descobri uma coisa sobre o Kyungsoo. Um passado que ele escondeu de mim por anos.

O jeito com que falei, o deixou preocupado, quase assustado.

– E o que é?

 

~~ * ~~

 

Kyungsoo

 

Acordei às 08h30 com o gato de JunMyeon lambendo o meu rosto. Ele fazia um charme para que eu colocasse sua comidinha. Me espreguicei e segui até a área, mas parei na sala quando vi JunMyeon assistindo o canal de notícias. Ele sorriu para mim e trocamos “bom-dia”.

– Não foi trabalhar?

– Não, tirei o dia de folga. Acordei com muita dor de cabeça. Deve ter sido aquele vinho.

– E está melhor? Tomou remédio? – eu andei até o sofá e me sentei ao seu lado.

– Sim, bem melhor. Eu estava merecendo uma folga, sabe?

– Acho que nós dois estávamos merecendo.

– Exatamente! – ele se empolgou de repente. – Eu estava pensando em fazermos alguma coisa hoje. Sabe, para aproveitar esse descanso.

Eu tinha gostado da ideia. Ficar o dia inteiro trancado dentro de casa seria uma tortura, porque eu só pensaria no meu filho e no meu marido e com certeza tomaria a decisão de ir para casa. Eu precisava distrair a minha cabeça.

– E o que você sugere? Eu topo qualquer coisa.

 

~~ * ~~

JunMyeon era uma caixinha de surpresas. Eu esperava um programa casual, talvez um cinema ou boliche. Mas ele me levou a um hotel fazenda. Era um lugar grande e rústico, uma fazenda mesmo. Não fomos para nos hospedar, mas participar dos programas que o hotel oferecia. Ele nos proporcionava uma verdadeira vida no campo. Eu adoro animais e cuidar deles distrairia a minha cabeça.

Quando chegamos, o almoço já estava sendo servido. A comida do campo tem um sabor diferente, pois era tudo cultivado naquelas terras, nada de agrotóxicos. Esse tipo de comida faria muito bem ao meu bebê.

Depois do almoço visitaríamos a plantação de uvas, onde podíamos colhê-las e depois pisoteá-las numa bacia de madeira até virar suco, assim como os italianos fazem. O suco eu guardaria para dar a TaeOh.

Colher uvas foi divertido e um excelente método distrativo. Jun e eu apostamos quem conseguia colher mais em menos tempo e nos atrapalhamos todo porque não conseguíamos parar de comer. Parecíamos duas crianças.

Depois de colher as uvas, o senhor que nos guiava – e mais umas sete pessoas – nos levou até as bacias onde amassaríamos as usas com os pés. Antes de entrar desinfetamos nossos pés, é claro. Foi uma sensação muito esquisita pisar em uvas, mas muito divertida.

– Eu fiz muito isso na Itália – ele dizia enquanto pisoteava as uvas. – É uma atividade relaxante, não acha?

– Sim. Acho que eu não encontraria melhor atividade para distrair a minha cabeça. Muito obrigado por isso.

Ele sorriu mostrando todos os seus dentes perfeitos.

– Eu que agradeço pela companhia. É muito melhor vir aqui quando se tem uma companhia.

Novamente senti pena da solidão dele. Eu não conseguiria me imaginar vivendo sozinho como ele vive. Me parece uma vida absolutamente triste.

– JunMyeon – eu esbocei o sorriso mais gentil que pude. – Quando você quiser uma companhia, é só me chamar, ok?

Ele deu de ombros, e seu sorriso morreu aos poucos.

– Você tem uma família para cuidar.

– Mas eu preciso de uma folga de vez em quando, não é? – e seu sorriso reapareceu. – E, além do mais, acho que não ficarei casado por muito tempo.

Ele ficou tão pasmo que parou de pisotear as uvas.

– Por quê? Não tiveram apenas uma briga comum entre casais?

Talvez estivesse na hora de contar tudo. Afinal, ele estava me ajudando muito. Compartilhar minha dor quando alguém imparcial poderia ser até melhor do que compartilhar com meus amigos.

– O Jongin está muito estranho. Acho que ele não me ama mais... – a minha voz falhou desgraçadamente no final da frase. Eu quase chorei na frente dele.

O olhar dele para mim não foi de pena, como os meus amigos costumavam me olhar. O olhar dele era preocupado.

– Você quer falar sobre isso comigo?

Eu assenti.

 

~~ * ~~

 

Estávamos sentados num banco de madeira perto da varanda do quarto que JunMyeon alugou. Conseguíamos ver os visitantes andando a cavalo. Essa seria a nossa próxima programação.

Eu contei a JunMyeon sobre a estranheza de Jongin, sobre como ele estava me tratando mal sem motivo algum. Ele ficou intrigado, mas, como todo mundo, não conseguia pensar num motivo plausível.

– Você acha que ele pode ter... – um nó se formou em minha garganta, tive que engolir para continuar: – Um amante?

Ele pensou um pouco antes de responder.

– Bem, pelo o que observo em alguns casos de traição dos meus clientes, o peso na consciência os fazem tratar bem o parceiro. Contudo, aqueles que desejam deixar o parceiro, passam a tratar mal depois de um tempo.

Ele conseguiu me desesperar ainda mais.

– Então eu tenho razão? Ele tem um amante e pretende me trocar por ele?

– Não! Não foi o que eu quis dizer, foi apenas uma observação.

Tapei meu rosto com as duas mãos e abaixei a cabeça. Não importa o quanto eu pensasse, em quais possibilidades, tudo se resumia a uma coisa: Jongin me deixando sozinho com dois filhos no colo.

– Kyung – ele tocou as minhas costas, fazendo movimentos circulares carinhosamente. – Se você quiser mesmo descobrir, uma vez que ele não te conta nada, eu posso ajudar.

Tirei minhas mãos do rosto para encará-lo.

– E como faria isso?

– Eu já trabalhei como detetive particular. Foram apenas dois anos, mas eu tenho acessos.

O assunto me interessou.

– E o que você investigaria?

Ele deu de ombros.

– Posso investigar tudo. Desde olhar extrato do banco a seguir ele pelas ruas. Faço o que você me pedir.

Poderia ser antiético investigar a vida do meu próprio marido, mas Jongin não me deixava escolha. Se ele não pode me dizer o que está acontecendo, eu teria que descobrir sozinho.

– Eu aceito a sua ajuda.

 

~~ * ~

 

Minha mente estava incrivelmente mais leve. Saber que JunMyeon me ajudaria a descobrir o problema de Jongin tirava um pouco o peso das minhas costas. Andávamos agora de charrete, já que eu não queria correr o risco de andar a cavalo. Eu contei sobre a gravidez e ele subitamente passou a me enxergar como um boneco feito de vidro. Perguntava a toda hora se eu queria comer ou deitar um pouco. Mas eu só queria me divertir.

Observávamos em silêncio a linda paisagem da fazenda quando o meu celular vibrou em meu bolso. Chequei o display e era uma mensagem de Luhan. Meu coração acelerou. Eu tinha me esquecido de que ele tentaria arrancar informações de Sehun.

“Kyung, eu quero matar o Sehun de verdade. Ele está mentindo para mim. Disse que o Jongin não falou nada demais para ele, que só marcaram de ir pescar no final de semana. Mas eu sei que eles conversaram sobre você. Sabe por quê? Porque eu fiz greve de sexo e ele não se importou. Ele sempre abre o bico quando eu ameaço ficar sem sexo, mas dessa vez ele cagou para mim!”

Jongin é mesmo terrível. Ele estava conseguindo manipular Sehun contra a pessoa mais manipuladora do mundo e a mesma pessoa que faz sexo com ele.

“Não se preocupe comigo, Lu. Não se abstenha de sexo por minha causa. Eu arrumei um jeito de descobrir o que ele tanto esconde.”

“Não é só por sua causa, é pela falta de confiança dele. E como é que você vai fazer isso?”

“Não posso te dizer por enquanto. Mas quando eu conseguir, será o primeiro a saber.”

Luhan até que foi compreensivo comigo, ele nunca consegue ficar na curiosidade e nos arranca respostas. Acho que ele estava mesmo comovido com a minha situação.

– Nós vamos cozinhar esta noite – comentou Jun, quebrando o pacífico silêncio do nosso passeio.

– Vamos?

– Sim, faz parte da programação – ele se empolgava sempre quando falava da programação. – Você vai ver como a comida da fazenda é diferente das industrializadas. O sabor é completamente diferente.

– Acho que eu vou engordar uns vinte quilos com esses nossos passeios! – brinquei.

– Você agora come por dois, tem que se alimentar muito bem.

JunMyeon levou a mão até a minha barriga, o que me pegou de surpresa. Ele era a primeira pessoa que tocava nela depois que descobri a gravidez. Foi como se minha ficha caísse. Eu ainda não tinha digerido a gravidez, mas a mão dele ali, me tocando carinhosamente, me fez entender que dentro de mim vivia uma criança. O segundo filho que eu tanto queria. E eu fiquei feliz por isso. Eu ignorei a minha possível separação. Pensei apenas no meu novo bebê e em como minha vida ficaria mais completa com ele.

 

~~ * ~~

 

Jongin

 

TaeOh não parava de chorar. Brincadeiras, sorvete ou gritos não o faziam parar. Ele queria Kyungsoo e berrava de saudades. Eu o pegava no colo e ele tentava se soltar como se eu fosse algum monstro de seus pesadelos. Eu não sabia o que fazer, seus gritos estavam me angustiando e quase chorei junto com ele. Ver meu filho assim me machucava, e a saudade de Kyungsoo estava começando a fazer doer o meu coração também.

– Ele vai voltar amanhã, TaeOh! – menti pela milésima vez. – Durma, porque quando acordar ele já vai estar aqui.

– Eu quero o appa agora!

Ele continuava chorando, e eu tive uma ideia. Peguei meu celular e disquei o número de Kyungsoo que eu sabia de cor. A voz dele era a única coisa que acalmaria TaeOh.

Liguei cinco vezes e nada de ele atender. Fiquei preocupado... quero dizer, desesperado. Na minha cabeça mil e uma desgraças se passaram. Ele estava grávido, sozinho em qualquer lugar. Sua imprudência também me deixou com raiva. Eu estava quase sufocando quando ele finalmente atendeu.

Ouvi muitos ruídos e barulhos que pareciam risadas.

– Alô? – ele atendeu com uma voz alegre.

– Kyungsoo, você está bem? Por que demorou a atender?

– Estou melhor que nunca! – e gargalhou. – Por que você está me ligando à uma hora dessas? Resolveu me contar o que tanto esconde?

Minha preocupação virou imediatamente raiva.

– Estou ligando porque o seu filho não para de chorar de saudade. Ele não quer dormir nem tomar a mamadeira, ele quer mamar em você. Eu estou ficando louco!

Antes de ele responder, ouvi a voz de um homem dizer “você tem que mexer com força”. Meu coração disparou brutalmente quando ouvi aquilo, meu rosto esquentou e senti uma leve tonteira. Eu bem conhecia esses sintomas: raiva e ciúme unidos num só.

– Quem está aí com você?! – eu cortei seja lá o que ele estava me dizendo.

– Eu conto se você contar o que está acontecendo com você.

– Eu não estou de brincadeira, Kyungsoo. Quem é esse cara? Você está mexendo no quê?

– Passa o telefone para o TaeOh – sua voz mudou de tom. Estava sério.

– Quem está aí com você? – eu repeti entredentes.

– Passa a porra do telefone para o meu filho, Jongin.

– Não quer me dizer por quê? – eu aumentei a voz, quase gritando. – É mais um dos seus homens?

– Do que está falando? Você é o meu único homem!

Eu então pus o telefone perto do rosto de TaeOh e ele imediatamente chamou por Kyungsoo. Me partiu o coração ver meu filho implorando para que ele voltasse para casa e dizendo que não queria esperar até amanhã, que o queria agora, que queria dormir na cama com nós dois e que queria mamar nele. Ver meu filho assim só me deixou com mais raiva de Kyungsoo.

Entretanto, TaeOh finalmente se acalmou e parou de chorar. E depois que eles se despediram, eu fui até o corredor com a ligação na linha.

– Está vendo o que você fez o seu filho passar? Tudo isso para ficar com outro homem?

– Eu estou na companhia de outro homem, sim. Mas não é do jeito que está pensando – eu notei que o barulho tinha parado, ele deve ter ido para um lugar mais silencioso. – Você é o único homem na minha vida.

Mentiroso. Como ele pode agir assim depois de tantas juras de amor fiel e eterno? E como é que eu pude não enxergar isso antes?

– Posso ser o seu único homem agora, mas nem sempre foi assim, não é?

– Jongin! – ele se exaltou. – Você foi o único homem que eu tive. Meu primeiro beijo, minha primeira transa... nos conhecemos na escola! Eu nunca te traí.

– MENTIROSO! – eu gritei, me descontrolando. – Eu descobri tudo, Kyungsoo! Não precisa mais fingir. E, quer saber? Quando você voltar para casa, sou eu quem vai sair.

– Jongin! – agora sua voz estava chorosa. – Não faz isso comigo, por favor. Vamos conversar.

Minha vontade foi de jogar o celular no chão como se o impacto fosse doer nele. No entanto, eu tentei me acalmar. Ele estava grávido e não podia ter fortes emoções.

– Olha, Kyungsoo... amanhã conversamos.

– Você vai me contar tudo?

Então desliguei a ligação.

 

~~ * ~~

 

Kyungsoo

 

Eu tinha me divertido muito com JunMyeon. Cozinhamos juntos e nossa comida ficou bem gostosa. Mas eu não consegui me divertir mais depois da ligação de Jongin. Agora eu tinha certeza de que de alguma forma ele achava que eu tinha um amante. Só não consigo imaginar o porquê disso, uma vez eu nunca o traí. Nunca toquei em outro homem desde que nos conhecemos.

Às 20h00 JunMyeon e eu voltamos para o apartamento dele. Ele tinha notado o quanto a ligação de Jongin tinha me destruído. Eu só não chorei na frente dele para não parecer ridículo. E ele era tão compreensivo que não ficou me fazendo perguntas, ele me deu total liberdade.

Tomei um banho e aproveitei esse momento para chorar. Eu olhava para a minha barriga e imaginava aquela criança crescendo sem os pais juntos, vendo Jongin apenas nos finais de semana, e talvez tendo um padrasto.

Só consegui me acalmar um pouco quando me deitei na cama e meus olhos pesaram de sono. Tinha sido um dia divertido, apesar de tudo, e o cansaço me pegou.

 

~~ * ~~

Acordei às 06h com os gatos lambendo o meu rosto. Me levantei e segui até a cozinha. JunMyeon ainda não havia acordado, então eu decidi fazer o café da manhã para ele. Era o mínimo que eu podia fazer para compensar tudo que ele fez por mim.

Como não havia muitas opções de comida na geladeira além das congeladas, eu dispus na mesa pão, o suco de uva que fizemos ontem e algumas geleias que encontrei. Me servi de algumas torradas e não muito depois JunMyeon apareceu. Ele vestia apenas a calça social preta, seu peitoral definido estava completamente exposto. Ele tinha um belíssimo corpo, admito.

– Nossa... – ele parecia admirado enquanto puxava a cadeira e se sentava do meu lado. – Faz muito tempo que não vejo comida arrumada nessa mesa. Na verdade, acho que isso só aconteceu uma vez, quando minha mãe passou a noite aqui.

Sorri para ele.

– Eu faço isso todos os dias lá em casa. O Jongin gosta de tomar café em família.

– Eu também gosto, mas a minha família come ração em uma tigela – ele brincou, se referindo aos seus gatinhos.

Me senti muito mal por JunMyeon. Estava claro que a solidão era algo que machucava o coração dele. E eu me senti culpado por ser um dos motivos de Baekhyun não ter ficado com ele. Sempre fui contra o relacionamento e torcia para Chanyeol. Sei que fiz o certo, porque Baekhyun ama o marido. Mas se eu soubesse o quão bacana JunMyeon é...

– Você ainda vai conseguir formar uma boa família, eu tenho certeza. Terá filhos e alguém para fazer o seu café da manhã todos os dias.

JunMyeon sorriu com o canto dos lábios, me encarando.

– Espero que essa pessoa seja como você. Dedicado à família, carinhoso e que ama gatos tanto quanto eu.

Soltei uma risada para descontrair o clima estranho que talvez só existisse na minha mente.

– Você vai encontrar, sim. E ele ou ela cuidará muito bem dos seus gatos e de você.

JunMyeon levou a mão até a minha, que estava posta sobre a mesa. Ele fez um carinho no meu dedo enquanto seus olhos se fixavam nos meus. Aquela aproximação me deixou completamente sem reação.

– Será que encontro alguém assim? Alguém tão perfeito quanto você?

Eu não consegui dizer nada, nem me mover. Era uma mistura de constrangimento, nervosismo e surpresa.

Entrei em pânico quando ele inclinou a cabeça, fechou os olhos se foi aos poucos diminuindo o espaço entre nós. Ele iria me beijar e eu... eu não consegui reagir. Quando ele encostou os lábios nos meus, meu corpo inteiro congelou. Apesar de tudo, eu parei um momento para perceber a diferença entre o beijo dele e o de Jongin. A diferença de um beijo dado por alguém que você ama e outro por alguém que você gosta como um amigo. O beijo de Jongin me deixava completamente quente, era como beijar o verão. Eu me arrepiava por inteiro, meu coração pulava e meu estômago parecia abrigar milhares de borboletas. Era assim desde que o conheci até os dias de hoje. Cada beijo era como se fosse o primeiro. O beijo de JunMyeon me deixou frio pelo medo de estar fazendo uma coisa errado. Eu não senti arrepios, não senti meu coração pular de um jeito bom (só de nervoso) e não senti borboletas no estômago. Foi apenas um beijo normal.

Quando ele se afastou de mim, seu rosto estava completamente vermelho e seus olhos um pouco assustados.

– M-me desculpe...

– Jun... não faça mais isso – o vi engolir em seco. – Me desculpe, mas eu amo o meu marido.

– E-eu sei... e-eu f-fui um idiota...

– Você é um cara extraordinário e, acredite, eu me apaixonaria por você se já não amasse o Jongin. Nos damos muito bem, mas é apenas amizade.

Deus, meu coração doeu de verdade ao ver a expressão dele. Eu estava o magoando da mesma forma que Baekhyun o magoou. Seu coração já era machucado demais e eu só estava lhe fazendo mais um rasgo.

– Isso é uma sina – ele forçou um sorriso. – Eu sempre me apaixono por alguém que ainda ama o marido. Preciso me manter longe de pessoas casadas.

– Jun... – minha voz falhou, eu ia chorar. – Me desculpe.

– Não, Kyung! Não tem que se desculpar – ele segurou o meu rosto. – E, por favor, não chore. Está tudo bem.

– Eu te magoei. Meu Deus, eu juro que não fiz de propósito! Não achei que fosse entender mal as coisas.

– Eu não entendi mal as coisas – ele passo o dedo pela lágrima que escorreu pelas minhas bochechas. – Só acabei de fazer uma coisa idiota e provavelmente estraguei a amizade que acabamos de construir.

– Não, não destruiu nada – pus minha mão por cima da dele, que ainda segurava o meu rosto. – Uma amizade não se acaba com um beijo. Foi apenas um beijo e eu ainda te considero meu amigo. Prometo esquecer isso se você também esquecer.

Ele soltou o meu rosto e sorriu.

– Isso é um alívio. Essas 48 horas que passei com você foram maravilhosas. Eu nunca imaginei que o amigo de Baekhyun que parecia me detestar fosse alguém tão legal.

Não me admirei que ele tivesse aquela imagem sobre mim.

– Me desculpe por ter uma leve implicância por você. É que eu sempre torci para o Baekhyun voltar com o marido. Sabe, eu prezo muito uma família unida. Pensei naquelas crianças crescendo com os pais separados e...

– Eu entendo – ele ainda sorria. – Eu sempre entendi você. Sei que não ia muito com a minha cara por causa disso. E eu nunca te julguei por querer o bem do seu amigo e dos filhos dele.

– É, mas agora que te conheço começo a pensar que não deveria ter agido daquela forma. Me sinto culpado por você ter pedido alguém que gostava.

– Você não é culpado de nada, Kyung – ele estreitou os olhos. – O Baekhyun nunca deixou de gostar do Chanyeol e eu sempre soube disso. Fui um imbecil por me meter entre os dois. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu me machucaria, porque o Baekhyun nunca seria capaz de me amar como ama o marido. E sou tão estúpido que cometi o mesmo erro com você. Então, por favor, me perdoe pelo beijo.

Eu quis tanto dizer que ele estava errado e que eu poderia retribuir seus sentimentos. Mas isso era impossível. Eu amo o Jongin e agora temos dois filhos juntos. JunMyeon nunca teria um espaço na minha vida amorosa, pois ela estava entupida de Kim Jongin. Porém, eu não conseguia não me sentir mal por ele.

– Eu te perdoo com toda a minha sinceridade.

Seu sorriso pareceu bem mais aliviado.

– Obrigado – ele então se levantou. – Não posso me atrasar, estou com muito trabalho acumulado.

– Tudo bem. Eu vou ir para casa daqui a pouco, estou morrendo de saudades do meu filho.

JunMyeon parou de sorrir no mesmo instante.

– E você vai voltar ou...?

– Não sei. Eu te ligo para avisar.

Ele encarou o chão por um momento antes de responder.

– Tudo bem. Você pode voltar quando quiser, as portas desta casa sempre estarão abertas para você.

– Obrigado.

 

~~ * ~~

 

Jongin

 

TaeOh correu pela sala com sua bundinha de fora quando Kyungsoo abriu a porta. Meu filho pulou em seus braços como um gato. E eu quis seguir seus passos, quis abraçar o meu esposo e beijá-lo. Mas as circunstâncias me impediam.

– Não está conseguindo pôr a fralda nele? – perguntou Kyungsoo vindo até mim com TaeOh no colo.

– Ele não deixa. Está dizendo que não quer ir à creche.

– Amorzinho – ele disse olhando para o nosso filho. – Você vai à creche, sim. Eu vou te buscar e depois vamos lanchar no Mc Donald’s, pode ser?

A palavra “Mc Donald’s” era mágica.

– Leve-o à creche – falei. – Tirei o resto da semana de folga. Quando voltar, conversamos.

– Vai abrir o jogo comigo?

– Isso vai depender da sua sinceridade.

 

~~ * ~~

 

Kyungsoo tinha levado TaeOh à creche. Enquanto o esperava, liguei a TV no canal de notícias e enviei uma mensagem para Sehun. Ele acordava cedo porque Luhan não o deixava dormir até tarde. Ele tinha que ajudá-lo a arrumar os filhos para a escola. Sehun trabalha em casa como designer gráfico, assim como Chanyeol. Já Luhan é gerente em um banco.

“Estou nervoso. Daqui a pouco terei aquela conversa com o Kyungsoo. Eu não sei o que vai acontecer... podemos acabar nos separando de vez.”

Sehun nunca demorava para responder. Estava sempre de cara no celular.

“Se você quer separar, se separe. Se não quiser, continue com ele.”

Sehun é tão...

“Ótimo conselho. É sério, Sehun... eu não sei o que fazer.”

“Se você ama o Kyungsoo, não vai conseguir ficar sem ele, certo? Isso aconteceu com o Chanyeol. Ele não conseguiu ficar sem o Baekhyun. Então acho que você não vai conseguir ficar sem o Kyungsoo.”

“Eu o amo. Mas não consigo perdoar o que ele fez. Isso é difícil...”

“É difícil, mas é simples. Você só tem que decidir se perdoa ou não. E você nem tem certeza se aquilo realmente aconteceu. Pode ser um mal entendido.”

“Não é mal entendido. Papéis não mentem.”

“Então, boa sorte, amigo.”

Deixei o celular de lado e tentei prestar atenção na TV, mas tudo que eu pensava era na conversa que teria com Kyungsoo. Eu sofria antecipadamente. Tinha medo de perder o controle.

Meu coração disparou quando Kyungsoo voltou. Ele atravessou a sala a passos lentos e despreocupados, e então se sentou ao meu lado no sofá.

– Não vai me dar nem um beijo? – disse ele. – Não sentiu a minha falta, não é?

Eu tinha sentido muito a falta dele. E por isso eu estiquei o meu pescoço e depositei um beijo breve em seus lábios.

– Foi o beijo mais frio que você me deu.

– É porque o meu coração está frio – respondi.

– Então eu vou te esquentar.

Kyungsoo segurou o meu rosto e me beijou. Eu não o impedi porque sentia muito falta dos toques dele, da sensação de seus lábios nos meus. Ele dominava o beijo, mas foi eu quem enfiou a língua primeiro e puxou a dele para dentro da minha boca. Quando o beijava perdia a noção de tudo, esquecia de tudo. Ele realmente me esquentou, me excitou. Agarrei sua cintura e o pus no meu colo, e ele começou a rebolar em cima do meu pênis. Fiquei duro em instantes, mas eu não podia transar com ele naquele momento. Usei toda a minha força de vontade para afastá-lo.

– Para com isso – eu me odiei por estar tão ofegante.

– Faz muito tempo que não fazemos amor. Você e eu estamos necessitando disso.

Ele tentou me beijar de novo, mas eu o tirei de cima do meu colo e me pus de pé, mesmo envergonhado pela ereção que marcava a minha calça.

– Você vai continuar dando uma de desentendido? É isso que me deixa com raiva!

– É porque eu realmente não sei do que você está falando! – ele se exaltou, levantando do sofá. – Você acha que eu passaria dois dias fora como um protesto se soubesse? Não percebeu pelo nosso beijo o quanto eu sinto a sua falta?

Já que ele não admitiria, eu esfregaria a prova na sua cara.

– Então eu vou te mostrar.

Fui até a minha pasta que estava sobre a mesa de jantar. Peguei outra pasta de plástico onde eu tinha guardado o documento que comprova a traição dele. Quando estendi a pasta amarela, ele não entendeu nada.

– O que é isso?

– Leia.

Ele tirou o papel de dentro da pasta e começou a leitura. Conforme lia, suas sobrancelhas negras se uniam. Ao final da leitura, seus olhos estavam arregalados.

– Meu Deus... o que é isso, Jongin?

– É o que leu. Uma certidão de casamento sua com esse tal de Hyungjae. Achou que eu nunca fosse descobrir, não é? Você guardou esse segredo bem demais.

– Jongin, eu po...

– Eu não quero ouvir mentiras, Kyungsoo – falei alto e firme. – Se não me contar agora como isso aconteceu, amanhã mesmo eu entro com o pedido de divórcio e te denuncio por bigamia.

Continua...

 


Notas Finais


Humm... culpado ou inocente? Haha
O próximo será o último, então posso demorar um pouquinho. Aliás, minhas próximas atualizações serão de capítulos finais haha.
Para quem acompanha minhas outras histórias, eu irei atualizar amanhã ou, quem sabe, hoje de madrugada "O príncipe de Haeundae" (penúltimo capítulo). E o último capítulo de Diário de Seduções sai ainda essa semana. Ah! É claro, o segundo capítulo de Directs para Chanyeol sairá na quinta-feira!
Então é isso. Espero que tenham gostado <3
Beijãooo >3<


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