História 50 Tons De Camren - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren
Exibições 68
Palavras 6.272
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem de verdade ;)

Capítulo 13 - Capítulo 10


— Vamos, temos que nos vestir… se quiser conhecer minha mãe. — Ela sorri, levanta-se da cama e veste o jeans, sem cuecas! Tento me levantar, mas continuo amarrada.

— Camila… não posso me mover.

Seu sorriso se acentua, inclina-se e desamarra a gravata, que me deixou a marca do tecido nos pulsos. Isto é… sexy. Observa-me divertida, com olhos dançarinos. Beija-me rapidamente na testa e me sorri.

— Outra novidade, — ela reconhece, mas não tenho ideia do que está falando.

— Eu não tenho roupa limpa. — De repente, estou cheia de pânico, considerando a experiência que acabo de viver, o pânico me parece insuportável. Sua mãe! Caramba. Não tenho roupa limpa e ela praticamente nos pegou em flagrante delito. —Talvez devesse ficar aqui.

— Oh, não, você não vai, — Camila ameaça. — Pode vestir algo meu.

— Ela veste uma camiseta branca e passa a mão pelo cabelo revolto. Embora esteja muito nervosa, fico embevecida. Será que vou me acostumar a olhar para esta mulher?

Sua beleza é desconcertante.

— Lauren, você ficaria bonita até com um saco. Não se preocupe, por favor. Eu gostaria que conhecesse minha mãe. Vista-se. Vou acalmá-la um pouco. — Aperta os lábios. — Espero você no salão, dentro de cinco minutos,  caso  contrário,  eu  virei  e  a  arrastarei  para  fora  daqui,  com qualquer coisa que esteja vestindo. Minhas camisetas estão nessa gaveta. As camisas estão no closet. Sirva-se. — Olha-me um instante, inquisitiva e sai do quarto.

Caramba. A mãe de Camila. É muito mais do que esperava. Talvez conhecê-la me permita colocar algumas peças no quebra-cabeça. Poderia me ajudar a entender por que Camila é como é… De repente, quero conhecê- la. Recolho minha blusa do chão e me alegro por descobrir que sobreviveu a noite sem estar muito amassada. Encontro o sutiã azul debaixo da cama e me visto rapidamente. Mas se há algo que odeio é usar calcinhas sujas. Dirijo-me à cômoda de Camila e procuro uma de suas cuecas.

Ponho-me uma cueca cinza da Calvin Klein, o jeans e meu Converse. Puxo  a  jaqueta,  corro  ao  banheiro  e  observo  meus  olhos  muito brilhantes, minha cara vermelha… e meu cabelo. Caramba… as tranças estão desfeitas. Procuro uma escova, mas só encontro um pente. Ele terá que servir. Um rabo de cavalo é a única resposta. Eu me desespero com minhas roupas. Talvez devesse aceitar a oferta de roupas de Camila.

Meu subconsciente franze os lábios e articula a palavra “vadia”. Não faço conta. Ponho a jaqueta e me alegro de que os punhos cubram as marcas da gravata. Nervosa, me olho pela última vez no espelho. É o que posso fazer. Dirijo-me ao salão.

— Aqui está. — diz Camila levantando do sofá.

Olha-me com expressão cálida e apreciativa. A mulher  que está ao seu lado se vira e me dedica um amplo sorriso. Levanta-se também. Está impecavelmente vestida, com um vestido estilo camisa, castanho claro, com sapatos combinando. Está arrumada, elegante, bonita, e me mortifico um pouco pensando como estou um desastre.

— Mamãe, apresento-lhe Lauren Jauregui. Lauren, esta é Sinuhe Cabello A doutora Cabello me estende a mão.

— Prazer em conhecê-la, — ela murmura. Se não estou enganada, há espanto e alivio, talvez atordoamento em sua voz e um brilho quente em seus olhos cor de avelã. Aperto-lhe a mão e não posso evitar de sorrir, retornando o seu calor.

— Doutora Cabello, — eu murmuro.

— Chame-me de Sinu. — Sorri, e Camila franze o cenho. —  Então,  como  se  conheceram?  — pergunta olhando para Camila, incapaz de ocultar sua curiosidade.

— Lauren me entrevistou para a revista da faculdade, porque esta semana vou entregar os diplomas de graduação.

Dupla merda. Tinha-o esquecido.

— Então, você vai se graduar esta semana? — Sinu pergunta.

— Sim.

Meu celular começa a tocar. Mani, eu aposto.

— Desculpem-me. O telefone está na cozinha. Aproximo-me e o pego do balcão sem checar o número.

— Mani.

— Meu Deus! Laur! – Que merda, é José. Parece desesperado. — Onde está? Já liguei umas vinte vezes. Tenho que ver você. Quero te pedir perdão pelo que aconteceu na sexta-feira. Por que não me respondeu as ligações?

— Olhe, José, agora não é um bom momento.

Olho muito nervosa para Camila, que me observa atentamente, com rosto impassível, enquanto murmura algo para sua mãe. Dou-lhe as costas.

— Onde você está? Mani está muito evasiva, — ele queixa-se.

— Estou em Seattle.

— O que você faz em Seattle? Está com ele?

— José, eu ligo para você mais tarde. Não posso falar agora. E desligo.

Volto com toda tranquilidade para Camila e sua mãe. Sinu está em pleno falatório.

— … e Dinah me ligou para dizer que você estava por aqui… Faz duas semanas que não vejo você, querida.

— Dinah sabia? — Camila pergunta me olha com expressão indecifrável.

— Pensei que poderíamos comer juntas, mas já vejo que tem outros planos, assim não quero lhes interromper. — Ela agarra seu comprido casaco de cor creme, vira-se para ela, oferecendo o rosto para ela. Ela a beija rapidamente com suavidade. Ela não toca nele.

— Tenho que levar Lauren para Portland.

— É claro, querida. Lauren, foi um prazer lhe conhecer. Espero que voltemos a nos ver.

Ela estende-me a mão, com olhos brilhantes e nós sacudimos. Taylor aparece procedente de… onde?

— Senhora Cabello? — Ele pergunta.

— Obrigado, Taylor. — Ele a segue pelo salão e atravessam as portas duplas que vão para o vestíbulo. Taylor esteve aqui o tempo todo? Por quanto tempo esteve aqui? Onde esteve? Camila me olha.

— Então o fotógrafo ligou para você?

Merda.

— Sim.

— O que queria?

— Só me pedir perdão, já sabe… por sexta-feira. Camila aperta os olhos.

— Eu vejo, — ela diz simplesmente. Taylor volta a aparecer.

— Senhora Cabello, há um problema com o envio de Darfur. Camila acena bruscamente para ele com a cabeça.

— O Charlie Tango voltou para o Boeing Field?

— Sim, senhora.

Taylor sacode a cabeça para mim.

— Senhorita Jauregui.

Eu sorrio timidamente para ele, que se vira e sai.

— Taylor vive aqui?

— Sim. — responde-me cortante. Qual o problema agora? Camila vai à cozinha, pega o seu Iphone e dá uma olhada aos e-mails, suponho. Está muito séria. Ela faz uma ligação.

— Ros, qual é o problema? — pergunta bruscamente. Escuta sem deixar de me olhar com olhos interrogativos. Eu estou no meio do enorme salão me sentindo extraordinariamente auto-consciente e deslocada.

— Não vou pôr a tripulação em perigo. Não, cancele-o… Lançá-lo-emos do ar… Bom.

Desliga. A suavidade em seus olhos desapareceu. Parece hostil. Lança-me um rápido olhar, dirige-se para seu escritório e volta um momento mais tarde.

— Este é o contrato. Leia e o comentaremos no fim de semana que vem. Sugiro que pesquise um pouco, para que saiba do que estamos falando. — Para por um momento. —Bom, se aceitar e espero realmente que aceite.

— acrescenta em tom mais suave, nervoso.

— Pesquisar?

— Você pode ficar surpresa com o que pode encontrar na internet — ela murmura.

Internet! Não tenho computador, só o notebook de Mani, e, é obvio, não posso utilizar o do Clayton’s para este tipo de “pesquisa”, certo?

— O que acontece? — pergunta-me inclinando a cabeça.

—  Não  tenho  computador.  Estou  acostumada  a  utilizar  os  da faculdade. Verei se posso utilizar o notebook de Mani.

Ela me entregou um envelope pardo.

—  Estou  certa  que  posso…  err,  lhe  emprestar um.  Recolha  suas coisas. Voltaremos para Portland de carro e comeremos algo pelo caminho. Vou vestir-me.

— Tenho que fazer uma ligação, — eu murmuro. Só quero ouvir a voz do Mani. Ela franze o cenho.

— Para o fotógrafo? — Suas mandíbulas se apertam e os olhos ardem. Eu  pisco  para  ela.  —  Eu  não  gosto  de  compartilhar, senhorita  Jauregui. Lembre-se disso. — Seu tom de voz calmo, é um arrepiante aviso e dando um olhar muito frio para mim, ela volta para o quarto.

Caramba. Eu só queria ligar para a Mani. Quero ligar diante dela, mas sua repentina atitude distante me deixou paralisada. O que aconteceu com a mulher generosa, depravada e sorridente que me fazia amor faz apenas meia hora?

— Pronta? — Camila me pergunta junto à porta dupla do vestíbulo. Eu  concordo,  incerta. Ela  recuperou  seu  tom  distante, educado  e convencional. Voltou a colocar a máscara. Leva uma bolsa de couro sobre o ombro. Para que a necessita? Talvez ela fique em Portland. Então recordo a entrega dos diplomas. Sim, claro… Estará em Portland na quinta-feira.

Está vestindo uma jaqueta negra de couro. Vestida assim, sem dúvida não parece uma multi-milionária. Parece uma menina extraviada, possivelmente uma rebelde estrela de rock ou uma modelo de passarela. Suspiro por dentro, desejando ter uma décima parte de sua elegância. É tão tranquila e controlada… Franzo o cenho ao recordar seu arrebatamento com a ligação de José… Bom, ao menos parece que o é.

Taylor está esperando ao fundo.

— Amanhã, então, — ela diz para Taylor, que concorda.

— Sim, senhora. Que carro vai levar, senhora? Lança-me um rápido olhar.

— O R8.

— Boa viagem, senhora Cabello. Senhorita Jauregui. — Taylor me olha com simpatia, embora possivelmente no mais profundo de seus olhos esconda um pingo de lástima.

Sem dúvida acredita que sucumbi aos dúbios hábitos sexuais da senhora Cabello. Bom, aos seus excepcionais hábitos sexuais, ou possivelmente, o sexo seja assim para todo mundo? Franzo o cenho ao pensar nisso. Não tenho nada com o que compará-lo e pelo visto, não posso perguntar a Mani. Assim terei que falar do tema com Camila. Seria perfeitamente natural poder falar com alguém… mas não posso falar com Camila se ela se mostrar tão aberta num minuto e tão retraída no seguinte.

Taylor nos segura a porta para que saiamos. Camila chama o elevador.

— O que foi, Lauren? — pergunta-me. Como sabe que estou remoendo algo em minha mente? Ela chega mais perto e levanta o meu queixo.

— Pare de morder o lábio ou a foderei no elevador, e não vou me importar se entrar alguém ou não.

Ruborizo-me, mas seus lábios esboçam um ligeiro sorriso. Ao final parece que está recuperando o senso de humor.

— Camila, tenho um problema.

— Oh, sim? — pergunta-me me observando com atenção.

Chega o elevador. Entramos e Camila aperta o botão marcado com um C.

— Bem, — eu ruborizo. Como posso dizer-lhe isso? — Preciso falar com a  Mani.   Tenho   muitas   perguntas   sobre   sexo,   e   você   está muito comprometida. Se quiser que faça todas essas coisas, como vou saber…? — interrompo-me e tento encontrar as palavras adequadas.

— É que não tenho pontos de referência.

Ela rola os olhos.

— Fale com ela se for preciso.  — responde-me zangada. — Mas se assegure de que não comente nada com a Dinah.

Não concordo com sua insinuação. Mani não é assim.

— Mani não faria algo assim, como eu não diria a você nada do que ela me conte sobre Dinah… se me contasse algo, — acrescento rapidamente.

— Bom, a diferença é que não me interessa sua vida sexual — murmura Camila em tom seco. — Dinah é uma bastarda curiosa. Mas lhe fale só do que temos feito até agora, — ela adverte.

— Ela, provavelmente, me cortaria as bolas se soubesse o que quero fazer contigo, — ela acrescenta em voz tão baixa, que não estou segura de se pretendia que o ouvisse.

— Ok, — concordo prontamente, sorrindo para ela, aliviada. Não quero nem pensar em Mani cortando as bolas de Camila.

Ela franze os lábios e sacode a cabeça.

— Quanto antes se submeta para mim melhor, assim acabamos com tudo isto — ela murmura.

— Acabamos com o que?

— Com seus desafios. — Passa-me uma mão pelo meu queixo e me beija rapidamente nos lábios. As portas do elevador se abrem. Agarra-me pela mão e me leva para a garagem no subsolo.

Eu a desafio… como?

Perto  do  elevador  vejo  o  Audi  4×4  negro,  mas  quando  aperta  o comando para que se abram as portas, acendem-se as luzes de um esportivo negro reluzente. É um desses carros que deveria ter uma loira de pernas longas, deitada no capô, vestida apenas com uma faixa.

— Bonito carro, — eu murmuro secamente. Ela levanta o olhar e sorri.

— Eu sei, — responde-me, e por um segundo volta a ser a doce, jovem e despreocupada Camila. Inspira-me ternura. Está entusiasmada. Rolo  os  olhos, mas não posso ocultar meu sorriso. Abre-me a porta e entro. Uau… é muito baixo. Ela se move em volta do carro com graça fácil e dobra seu corpo  elegantemente ao meu lado. Como ela faz isso?

— Então, que tipo de carro é esse?

— Um Audi R8 Spyder. Como faz um dia lindo, podemos baixar a capota. Há um boné de beisebol aí. Na verdade, deve haver dois. Ela aponta para uma caixa. — E óculos de sol se você quiser.

Ela dá partida na ignição, e o motor ruge a nossas costas. Deixa a bolsa entre os dois assentos, aperta um botão e a capota retrocede lentamente. Aperta outro, e a voz do Bruce Springsteen nos envolve.

— Vai ter que gostar do Bruce, — Sorri-me, e tira o carro do estacionamento e sobe a rampa, onde nos detemos, esperando que a porta levante.

E saímos para a ensolarada manhã de maio em Seattle. Abro a caixa e pego  os  bonés  de  beisebol.  São  da  equipe  dos  Mariners.  Ela  gosta  de beisebol? Passo-lhe um boné e ponho o outro. Eu passo o rabo de cavalo pela parte de trás do meu boné e puxo a viseira para baixo.

Pessoas nos olham quando nos dirigimos pelas ruas. Por um momento penso que olham para ela… e logo tenho um paranóico pensando que me olham porque sabem o que estive fazendo nas últimas doze horas, mas ao final, me dou conta de que o que olham é o carro. Camila parece alheia a tudo, perdida em seus pensamentos.

Há pouco tráfico, assim não demoramos para chegar a interestadual 5 em direção ao sul, com o vento soprando por cima de nossas cabeças. Bruce canta que arde de desejo. Muito oportuno. Ruborizo-me escutando a letra. Camila me olha. Com seus  óculos  Ray-Ban, não  vejo sua  expressão. Franze os lábios, apóia uma mão em meu joelho e me aperta suavemente. Minha respiração fica difícil.

— Tem fome? — pergunta-me.

Não de comida.

— Não especialmente.

Seus lábios voltam a apertar-se em uma linha firme.

— Você tem que comer, Lauren, — ela repreende-me. — Conheço um lugar fantástico perto de Olympia. Pararemos ali. — Aperta-me o joelho de novo, sua mão volta a pegar no volante e pisa no acelerador. Vejo-me impulsionada contra o respaldo do assento. Caramba, como corre este carro. O restaurante é pequeno e íntimo, um chalé de madeira em meio de um bosque. A decoração é rústica: cadeiras diferentes, mesas com toalhas em xadrez e flores silvestres em pequenos vasos. Cuisine Sauvage, alardeia um pôster por cima da porta.

— Fazia tempo que não vinha aqui. Não se pode escolher… Preparam o que caçaram ou recolheram. — Levanto as sobrancelhas fingindo horrorizar-se e não posso evitar de rir. A garçonete nos pergunta o que vamos beber. Ruboriza-se ao ver Camila e se esconde debaixo de sua comprida franja loira para evitar olha-lá nos olhos. Ela gosta dela! Não acontece só comigo!

— Dois copos do Pinot Grigio, — diz Camila em tom autoritário. Eu aperto meus lábios, aborrecida. — O que? — pergunta-me bruscamente.

— Eu queria uma Coca-cola light, — eu sussurro. Seus olhos castanhos se apertam e ela sacode sua cabeça.

— O Pinot Grigio daqui é um vinho decente. Irá bem com a comida, tragam o que nos trouxerem, — diz-me em tom paciente.

— Tragam o que trouxerem?

— Sim.

Esboça seu deslumbrante sorriso inclinando a cabeça e faz um nó no meu estômago. Eu não posso deixar de devolver-lhe seu sorriso glorioso.

— Minha mãe gostou de você, — diz-me de repente.

— Sério? — Suas palavras me fazem ruborizar de alegria.

— Oh sim. Sempre pensou que eu gostasse de homens, mesmo eu tendo um pênis.

— Por que ela pensava que você gostava de homens? — pergunto-lhe em voz baixa.

— Porque nunca me viu com uma garota.

— Oh… com nenhuma das quinze? Ela sorri.

— Tem boa memória. Não, com nenhuma das quinze.

— Oh.

— Olhe, Lauren, para mim também foi um fim de semana de novidades, — diz-me em voz baixa.

— Foi?

— Nunca tinha dormido com ninguém, nunca tinha tido relações sexuais em minha cama, nunca tinha levado uma garota no Charlie Tango e nunca tinha apresentado uma mulher para minha mãe. O que você está fazendo comigo? — A intensidade de seus olhos ardentes me corta a respiração.

A garçonete chega com nossos copos de vinho, e imediatamente dou um pequeno gole. Está sendo franca ou se trata de um simples comentário fortuito?

— Eu gostei muito deste fim de semana, — digo em voz baixa. Ela aperta os olhos para mim novamente.

— Pare de morder o lábio, — ela grunhe. — Eu também, — ela acrescenta.

— O que é sexo baunilha? — pergunto-lhe, embora só para me distrair do intenso olhar ardente e sexy que ela está me dando. Ela ri.

— Sexo convencional, Lauren. Sem brinquedos, nem acessórios. — ela encolhe os ombros. — Você sabe… bom, a verdade é que não sabe, mas isso é o que significa.

— Oh. — Eu pensei que era sexo bolo de chocolate com uma cereja no topo, o que tivemos. Mas então, o que eu sei?

A garçonete nos traz sopa, que ambos olhamos com certo receio.

— Sopa de urtigas, — informa-nos a garçonete, dando meia volta e retornando zangada à cozinha. Não acredito que goste que Camila não lhe faça nem caso. Provo a sopa, que está deliciosa.

Camila e eu olhamos uma para a outra, aliviadas. Dou uma risada e ela inclina a cabeça.

— Que som adorável, — murmura.

— Por que você nunca fez sexo baunilha antes? Você sempre fez… err, o que faz? — pergunto-lhe intrigada.

Ela concorda lentamente.

— Mais ou menos. — Ela responde-me com cautela. Por um momento franze o cenho e parece liberar uma espécie de batalha interna. Logo levanta os olhos, como se tivesse tomado uma decisão. — Uma amiga de minha mãe me seduziu quando eu tinha quinze anos.

— Oh. Meu deus, tão jovem!

— Seus gostos eram muito especiais. Fui sua submissa durante seis anos. — Ela encolhe os ombros.

— Oh. — Meu cérebro congelou, atordoado por essa confissão.

— Então, eu sei o que isso implica, Lauren. — Seus olhos brilham com a introspecção.

Observo-a fixamente, incapaz de articular uma palavra… Até meu subconsciente está em silêncio.

— A verdade é que não tive uma introdução ao sexo muito corrente. A curiosidade entra em ação.

— E alguma vez saiu com alguém na faculdade?

— Não. — responde-me, negando com a cabeça, para enfatizar sua resposta.

A garçonete chega para retirar nossos pratos e nos interrompe um por momento.

— Por quê? — pergunto-lhe, quando ela se vai. Ela sorri sardonicamente.

— Você, realmente, quer saber?

— Sim.

— Porque não quis. Ela era tudo o que queria ou necessitava. Além disso, ela iria me castigar. — Ela sorri com carinho ao recordar.

Oh, isso era muita informação… mas queria mais.

— Então, ela era uma amiga de sua mãe, quantos anos ela tinha? Ela sorri.

— Tinha idade suficiente para saber o que fazia.

— Você ainda a vê?

— Sim.

— Ainda… bem…? — Ruborizo-me.

— Não. — Ela sacode a cabeça e com um sorriso indulgente. — Ela é uma boa amiga.

-Oh. Sua mãe sabe?

Ela me olha, como se dissesse para não ser idiota.

— Claro que não.

A garçonete retorna com carne de veado, mas meu apetite sumiu. Que revelação.

Camila, uma submissa… caramba. Eu dou um comprido gole no Pinot Grigio… Camila tinha  razão, é  obvio,  está  delicioso. Deus, tenho  que pensar em tudo o que me contou. Necessito tempo para processá-lo quando estiver sozinha, porque agora sua presença me distrai. É tão irresistível, tão alfa, e de repente, lança esta bomba. Ela sabe o que é ser submissa.

— Mas não pode ter sido em tempo integral? — Estou confusa.

— Bem, era, apesar de não vê-la o tempo todo. Era… difícil. Afinal, eu ainda estava na escola e mais tarde, na faculdade. Coma, Lauren.

— Não tenho fome, Camila, de verdade. Eu estou me recuperando da revelação.

Sua expressão se endurece.

— Coma, — diz-me em tom tranquilo, muito tranquilo.

Eu olho para ela. Esta mulher… abusaram sexualmente dela quando era adolescente… seu tom é ameaçador.

— Espere um momento, — eu murmuro. Ela pisca um par de vezes.

— Ok, — ela murmura e segue comendo.

Assim será a coisa se assinar. Terei que cumprir suas ordens. Franzo o cenho. É isso o que quero?

Pego o garfo e a faca, e começo a cortar o veado. Está delicioso.

— Assim será a nossa… nossa relação? — Eu sussurro. — Estará me dando ordens todo o momento? — pergunto-lhe em um sussurro, sem me atrever a olha-lá.

— Sim, – ela murmura.

— Já vejo.

— E o que mais que eu queira que faça, — acrescenta em voz baixa.

Eu sinceramente duvido disso. Eu corto mais um pedaço de veado e aproximo dos lábios.

— É um grande passo, — eu murmuro e como.

— Sim, é. Ela fecha os olhos por um segundo. Quando os abre, está muito séria.

— Lauren, tem que seguir seu instinto. Pesquise um pouco, leia o contrato… Não tenho problema em comentar qualquer detalhe. Estarei em Portland até na sexta-feira, se por acaso quiser que falemos sobre isso antes do fim de semana. — Suas palavras me chegam em uma corrida. — Ligue- me … talvez, pudéssemos jantar… digamos na quarta-feira? Na verdade, quero que isto funcione. Nunca quis tanto.

Seus olhos refletem sua ardente sinceridade e seu desejo. É basicamente o que não entendo. Por que eu? Por que não uma das quinze? OH, não… É nisso que vou converter-me? Em um número?A dezesseis, nada menos?

-O que aconteceu com as outras quinze? – pergunto-lhe, de repente.

Ela suspende as sobrancelhas, surpresa e move a cabeça com expressão resignada.

— Coisas distintas, mas ao fim e ao cabo se reduz a… — detém-se, acredito que tentando encontrar as palavras.

— Incompatibilidade. — Ela encolhe os ombros.

— E acredita que eu poderia ser compatível contigo?

— Sim.

— Então, já não vê nenhuma de ex.

— Não, Lauren. Eu não. Sou monógama em meus relacionamentos. Oh… isso é novidade.

— Já vejo.

— Pesquise um pouco, Lauren.

Eu abaixo o garfo e a faca. Não posso continuar comendo.

— Só isso? Isso é tudo o que vai comer?

Eu concordo. Ela franze o cenho, mas decide não dizer nada. Eu deixo escapar um pequeno suspiro de alívio.

Meu estômago está embrulhado com tantas informações e me sinto um pouco tonta pelo vinho. Observo-a devorando tudo o que tem no prato. Ela come como um cavalo. Deve fazer muito exercício para manter a boa forma. De repente, recordo como lhe cai bem o pijama. A imagem é totalmente perturbadora. Contorço-me desconfortavelmente. Ela me olha e eu ruborizo.

—  Eu  daria  tudo  para  saber  o  que  está  pensando  neste  exato momento, — ela murmura.

Ruborizo ainda mais.

Ela sorri perversamente para mim.

— Eu posso imaginar, — provoca-me.

— Alegro-me de que não possa ler meus pensamentos.

— Seus pensamentos não, Lauren, mas seu corpo… isso conheço bastante bem desde ontem. — Sua voz é sugestiva. Como pode mudar de humor tão rápido? É tão volátil… É tão difícil seguir seu ritmo.

Chama à garçonete e lhe pede a conta. Depois de pagar, levanta-se e me estende a mão.

— Vamos. — Agarra-me pela mão e voltamos para carro. O inesperado dela é este contato de sua pele, normal, íntimo. Não posso reconciliar este gesto corrente e tenro com o que quer faz naquele quarto… O Quarto Vermelho da Dor.

Fazemos a viagem de Olympia para Vancouver em silêncio, cada uma afundada em seus pensamentos. Quando estaciona em frente à porta de minha casa, são cinco horas da tarde.

As luzes estão acesas, então Mani está em casa, sem dúvida, empacotando, a menos que Dinah ainda não tenha partido. Camila desliga o motor, então percebo que tenho que me separar dela.

— Quer entrar? — pergunto-lhe. Não quero que parta. Quero ficar mais tempo com ela.

—  Não.  Tenho  trabalho  para  fazer,  —  ela  diz  simplesmente,  me olhando com expressão insondável.

Eu olho para baixo, para as minhas mãos e entrelaço os dedos. De repente, me sinto emotiva. Ela vai partir. Aproximando-se mais, ela pega uma de minhas mãos e lentamente a leva à boca e beija suavemente a palma, bem a moda antiga. Meu coração salta para minha boca.

— Obrigado por este fim de semana, Lauren. Foi… estupendo. Quarta-feira? Passarei para lhe pegar no trabalho ou onde você quiser. — Ela diz suavemente.

— Quarta-feira, — sussurro.

Ela beija minha mão de novo e a coloca de volta em meu colo. Sai do carro, aproxima-se de minha porta e abre. Por que, de repente, me sinto desolada? Isso me dá um nó na garganta. Não quero que me veja assim. Fixo um sorriso em meu rosto, saio do carro e me dirijo para a porta, sabendo que eu tenho que enfrentar Mani e não quero enfrentar a Mani. No meio caminho, eu giro e olho para ela. Levante o queixo, Jauregui, eu me repreendo.

— Oh… à propósito, vesti uma de suas cuecas. — Dou para ela um pequeno sorriso e puxo o elástico de sua cueca para que ela veja. Camila abre a boca, surpresa. O que é uma grande reação. Meu humor muda imediatamente, eu escorrego para dentro de casa, uma parte de mim querendo pular e dar socos no ar. SIM! A minha deusa interior está encantada.

Mani está na sala de estar, colocando seus livros em caixas.

— Você voltou. Onde está Camila? Como você está? — pergunta-me em tom febril, nervoso. Vem para mim, agarra-me pelos ombros e examina minuciosamente meu rosto antes mesmo de me dizer olá.

Merda… Tenho que lutar com a insistência e a tenacidade de Mani, e tenho na bolsa um documento legal assinado, que diz que não posso falar. Não é uma saudável combinação.

— Bem, como foi? Não deixei que pensar em ti por um momento, depois que Dinah partiu, claro. — Ela sorri maliciosamente.

Não   posso   evitar   sorrir   por   sua   preocupação   e   sua   ardente curiosidade, mas de repente, me dá vergonha.

Eu ruborizo. O que aconteceu foi muito íntimo. Tudo isso. Ver e saber o que Camila esconde. Mas tenho que lhe dar alguns detalhes, porque se não, não vai deixar-me em paz.

— Está tudo bem, Mani. Muito bem, eu penso, — digo-lhe em tom tranquilo, tentando ocultar meu sorriso.

— Você pensa?

—  Não  tenho  nada  com  o  que  comparar,  não  é?  —  digo-lhe, encolhendo de ombros apologeticamente.

— Ela fez você gozar?

Caramba, como ela é direta. Eu fico vermelha.

— Sim, — eu murmuro, exasperada.

Mani me empurra até o sofá e nos sentamos. Ela agarra as minhas mãos.

—  Isso  é  bom.  —  Olha-me  como  se  não  acreditasse. —  Foi  sua primeira vez. Uau, Camila deve saber o que se faz.

Oh, Mani, se você soubesse…

— Minha primeira vez foi terrível, — ela continua, fazendo uma cara triste e engraçada.

— Anh? — Isso me interessa, era algo que ela nunca tinha me contado antes.

— Sim. Steve Paton. No segundo grau. Um atleta babaca. — Encolhe os ombros. — Foi muito brusco, e eu não estava preparada. Estávamos os dois bêbados. Já sabe… o típico desastre adolescente, depois da festa de formatura. Ugh, demorei meses para me decidir a voltar a tentar. E não com aquele inútil. Eu era muito jovem. Você fez bem em esperar.

— Mani, isso parece horrível. Mani parece melancólica.

— Sim, demorei quase um ano para ter meu primeiro orgasmo com penetração, e aí está você… na primeira vez.

Concordo envergonhada. A minha deusa interior está sentada na postura do lótus e parece serena, embora tenha um ardiloso sorriso autocomplacente no rosto.

— Alegro-me de que tenha perdido a virgindade com uma mulher que sabe o que se faz. — Ela pisca para mim com um olho. — E quando volta a vê-lá de novo?

— Quarta-feira. Vamos jantar.

— Então você ainda gosta dela?

— Sim, mas não sei o que vai acontecer… no futuro.

— Por quê?

— É complicado, Mani. Você sabe… seu mundo é totalmente diferente do meu.

Boa  desculpa.  Aceitável  também. Muito  melhor  que…  ele  tem  um Quarto Vermelho da Dor e quer me converter em sua escrava sexual.

— Oh por favor, não permita que o dinheiro seja um problema, Laur. Dinah me disse que é muito estranho que Camila saia com uma garota.

— Será que ela…? — pergunto-lhe, minha voz estava várias oitavas mais aguda.

Tão obvio, Jauregui! Meu subconsciente me olha movendo seu comprido dedo e logo se transforma na balança da justiça para me lembrar que Camila poderia me processar se eu revelasse demais.

Ah… O que pode fazer? Ficar com todo meu dinheiro? Tenho que me lembrar de procurar no Google “pena por descumprir um acordo de confidencialidade” quando fizer minha “pesquisa”. É como se ela me tivesse me passado lição de casa. Talvez eu possa ganhar um diploma. Ruborizo me lembrando do meu A, esta manhã, no meu experimento na banheira.

— Laur, o que foi?

— Estava me lembrando de algo que Camila me disse.

— Você parece diferente, — Mani me diz com carinho.

— Eu estou diferente. Dolorida, — confesso-lhe.

— Dolorida?

— Um pouco. — Ruborizo-me.

— Eu também. Selvagens — ela diz com uma careta de desgosto. — São como animais. — Nós duas começamos a rir.

— Você também está dolorida? — pergunto-lhe surpreendida.

— Sim… excesso de uso. Eu começo a rir.

— Fale-me mais sobre Dinah e seu excesso de uso, — pergunto-lhe quando paro por fim. Eu posso sentir que estou relaxando, pela primeira vez, desde que estava fazendo fila no banheiro do bar… antes da chamada de telefone  que  começou  tudo  isto…  quando  admirava a senhora Cabello à distância. Dias felizes e sem complicações.

Mani se ruboriza. Oh, meu deus… Normani Kordei Hamilton se converte em Lauren Michelle Jauregui. Lança-me um olhar ingênuo. Nunca antes a tinha visto reagir assim por uma mulher.

Meu queixo cai tanto que chega ao chão. Onde está Mani? O que fizeram com ela?

— Oh, Laur, — ela me diz entusiasmada. — Ela é tão… tão… tudo. E quando nós… Oh… é fantástico. — Ela está tão alterada que logo não pode completar uma frase.

— Eu penso que você está tentando me dizer que você gosta dela. Ela concorda com a cabeça, rindo como uma lunática.

— E vou vê-lá no sábado. Vai nos ajudar com a mudança. — Junta as mãos, levanta do sofá e se dirige à janela fazendo piruetas. A mudança. Merda, eu tinha esquecido disso, apesar de haver caixas por toda parte.

— Muito amável de sua parte, — digo-lhe. Assim a conhecerei também. Possivelmente possa me dar mais pistas sobre sua estranha e inquietante irmã.

— Então, o que fizeram ontem à noite? — pergunto-lhe. Ela inclina a cabeça para mim e levanta as sobrancelhas em um gesto que deve dizer: “O que te parece que fizemos, idiota?”.

— Mais ou menos o mesmo que vocês fizeram, mas nós jantamos antes. — Ela sorri para mim. — Você realmente está bem? Parece um pouco sobrecarregada.

— Estou sobrecarregada. Camila é muito intensa.

— Sim, já faço uma ideia. Mas ela foi boa para você?

— Sim, — tranqüilizo-a. — Estou morta de fome. Quer que prepare algo?

Ela concorda e coloca um par de livros em uma caixa.

— O que quer fazer com os livros de quatorze mil dólares? — pergunta.

— Vou devolvê-los.

— Realmente?

— É um presente exagerado. Não posso aceitá-lo, especialmente agora.

— Sorrio, e Mani concorda com a cabeça.

— Eu entendo você. Chegou um par de cartas para você, e José não deixou de ligar. Parecia desesperado.

— Vou ligar para ele, — murmuro evasiva. Se contar para Mani sobre José, ela vai querer ele para o café da manhã. Recolho as cartas da mesa e as abro.

— Ei, tenho entrevistas! Dentro de duas semanas, em Seattle, para fazer estágio.

— Em uma editora?

— Para duas delas!

— Eu lhe disse que seu curiculum acadêmico lhe abriria portas, Laur.

Mani já tem seu posto para fazer as práticas no The Seattle Time, é obvio. Seu pai conhece alguém, que conhece alguém.

— Como Dinah se sente por você sair de férias? — pergunto-lhe.

Mani se dirige para a cozinha, e pela primeira vez desde que cheguei parece desconsolada.

— Ela entende. Uma parte de mim não quer partir, mas é tentador demais ficar tomando banho de sol um par de semanas. Além disso, minha mãe não deixa de insistir, porque acredita que serão nossas últimas férias em família, antes que Ethan e eu comecemos a trabalhar a sério.

Eu nunca saí dos Estados Unidos. Mani vai por duas semanas a Barbados, com seus pais e seu irmão, Ethan. Ficarei sozinha duas semanas, sem Mani, na casa nova. Será estranho. Ethan esteve viajando pelo mundo desde o ano passado, depois de graduar-se. Por um momento me pergunto se o verei antes que saiam de férias. É um tipo muito simpático. O telefone me tira de meu devaneio.

— Deve ser José.

Suspiro. Sei que tenho que falar com ele. Levanto o telefone.

— Alô.

— Laur, você voltou! — exclama José aliviado.

— Obviamente. — Respondo-lhe com certo sarcasmo e rolo os olhos para o telefone.

Ele fica em silencio por um momento.

— Posso ver você? Sinto muito sobre sexta-feira. Estava bêbado… e você… bem. Laur, me perdoe, por favor.

— Claro que te perdoo, José. Mas não repita isso de novo. Sabe quais são meus sentimentos por você.

Ele suspira profundamente, com tristeza.

— Eu sei, Laur. Mas pensei que se beijasse você, possivelmente seus sentimentos mudassem.

— José eu te amo fraternamente, você é muito importante para mim. É como o irmão que nunca tive. E isso não vai mudar. Você sabe disso. — Eu sei que o estou magoando, mas é a verdade.

— Então, você saiu com ela? — pergunta-me com desdém.

— José, não sai com ninguém.

— Mas você passou a noite com ela.

— Não é da sua conta!

— É pelo dinheiro?

— José! Como se atreve? — grito-lhe, atônita por seu atrevimento.

— Laur, — ele diz com voz queixosa, em tom de desculpa. Eu não estou disposta a aguentar seus ciúmes mesquinhos. Sei que está machucado, mas já tenho bastante lutando com Camila Cabello.

— Talvez possamos tomar um café amanhã. Ligarei para você, — digo- lhe em tom conciliador.

Ele é meu amigo e lhe tenho muito carinho. Mas neste momento não estou precisando disso.

— Amanhã, então. Você me liga? — Sua voz esperançosa me comove.

— Sim… boa noite, José. — Desligo, sem esperar sua resposta.

— O que foi tudo isto? — Normani pergunta-me com as mãos nos quadris.  Eu  decido  que  o  melhor  quer  dizer  a  verdade.  Parece  mais obstinada que nunca.

— Ele tentou me beijar na sexta-feira.

— José? E Camila Cabello? Laur, seus feromônios devem estar fazendo horas extras. No que estava pensando esse imbecil? — Ela sacode a cabeça zangada e segue empacotando.

Quarenta e cinco minutos mais tarde, fizemos uma pausa para degustar a especialidade da casa, minha lasanha.

Mani abre uma garrafa de vinho e nos sentamos para comer entre as caixas, bebendo vinho tinto barato e vendo porcarias na televisão. Essa é a normalidade. É bem recebida e tranquilizadora depois das últimas quarenta e oito horas de… loucura. É minha primeira comida, em dois dias, sem preocupações, sem que insistam e em paz. Qual o problema que Camila tem com a comida? Mani recolhe os pratos enquanto eu acabo de empacotar o que fica na sala de estar. Só deixamos o sofá, a televisão e a mesa. O que mais poderíamos necessitar? Só falta empacotar o conteúdo de nossos quartos e a cozinha, e temos toda a semana pela frente. Resultado!

O telefone volta a tocar. É Dinah. Mani me pisca um olho e vai para o seu quarto, saltitando como se tivesse quatorze anos. Sei que deveria estar escrevendo seu discurso oficial, mas parece que Dinah é mais importante. O que acontece com as mulheres Cabello? O que os faz tão absorventes, tão devoradores e tão irresistíveis? Tomo outro gole de vinho.

Faço uma rápida busca por algum programa de TV, mas no fundo sei que estou me demorando de propósito. O contrato está queimando dentro de minha bolsa. Terei forças para lê-lo esta noite?

Apoio à cabeça nas mãos. Tanto José como Camila querem algo de mim. Com José é fácil. Mas Camila… Camila tem um campeonato totalmente diferente, de manipulação, de entendimento. Uma parte de mim quer sair correndo e se esconder. O que vou fazer? Penso em seus ardentes olhos castanhos, em seu intenso e provocador olhar e fico tensa. Ela nem está aqui, e eu estou ligada. Isso não pode ser só sobre sexo, pode? Lembro de sua conversa suave, esta manhã no café da manhã, a sua alegria com o meu prazer com o passeio de helicóptero, ela tocando piano, essa música tão triste, doce e comovedora…

Ela é uma pessoa muito complicada. E agora comecei a entender por que. Uma menina privado de adolescência, sexualmente abusado por uma malvada senhora Robinson… não é estranho que pareça mais velha do que é. Meu coração se enche de tristeza ao pensar no que no que ela deve ter passado. Sou muito ingênua para saber exatamente do que se trata, mas a pesquisa deve me dar um pouco de luz. Embora de verdade, quero saber? Quero explorar esse mundo do qual não sei nada?

É um passo muito importante.

Se não a tivesse conhecido, seguiria tão feliz, alheia a tudo isto. Minha mente se translada para a noite de ontem e a esta manhã… a incrível e sensual sexualidade que experimentei. Quero dizer adeus a isso? Não! exclama  meu  subconsciente…  Minha  deusa  interior  concorda  em  um silêncio zen, para mostrar que está de acordo com ela.

Mani volta para a sala de estar, sorrindo de orelha a orelha. Talvez ela esteja apaixonada. Eu olho para ela, boquiaberta. Nunca se comportou assim.

— Laur, vou para cama. Estou muito cansada.

— Eu também, Mani. Ela me abraça.

— Alegro-me que tenha voltado sã e salva. Há algo estranho em Camila, — ela acrescenta em voz baixa, em tom de desculpa. Eu sorrio para tranquilizá-la, embora pense… Como diabos ela sabe? Por isso ela será uma jornalista tão boa, por sua infalível intuição.

Pego a minha bolsa, vou para o meu quarto com passo desinteressado. Os esforços sexuais das últimas horas e o total e absoluto dilema que me enfrento me deixaram esgotada. Sento-me na cama, tiro da bolsa com cautela, o envelope de papel pardo e dou voltas com ele entre as mãos. Estou segura de que quero saber até onde chega à depravação de Camila? É tão assustador. Respiro fundo e com o coração na garganta, eu abro o envelope.


Notas Finais


Terminei. Meu deus aqui onde eu moro tá um calor infernal eu pensei que fosse derreter enquanto digitava. Se tiver erros deixem nos comentários bye ;)


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