História 505 - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Elizabeth Midford, Personagens Originais
Tags Black Butler, Ciel X Oc, Ciel X Reader, Edward X Oc, Edward X Reader, Kuroshitsuji
Visualizações 15
Palavras 2.546
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Ecchi, Escolar, Hentai, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, meu anjo. Provavelmente você já me conhece e está aqui pela fanfic antiga postada em outra plataforma. Caso não, seja bem vindo. Espero que goste do que escrevi. ♥

Capítulo 1 - A menina de olhos verdes


― Você não entende ― Edward praticamente gritou essas palavras ― Ela é perfeita! Completamente perfeita.

Andava em círculos pela cozinha do apartamento, os cabelos bagunçados e um enorme sorriso no rosto.

― Perfeita ― repetiu, batendo com as mãos abertas sobre o balcão de mármore.

Ciel engoliu mais uma colher de cereal, sem tirar os olhos da tigela à sua frente.

― Qual é o nome dela, mesmo? ― perguntou, finalmente erguendo o olhar.

― Luna ― Edward sentou-se do outro lado do balcão, tamborilando os dedos sobre a superfície fria ― Luna Orleans, 15 anos, nasceu em Burford e se mudou para Londres há poucos meses, ela...

― Edward ― Ciel o interrompeu ― Eu só perguntei o nome dela, se acalme.

Ele bebeu um gole de suco de laranja e suspirou profundamente.

― O que tem de tão especial nessa garota, afinal? ― continuou ― Você parece estar obcecado por ela.

― Talvez eu esteja.

Edward tirou o celular do bolso, desbloqueando a tela.

― Olha o Instagram.

Entregou o aparelho para Ciel, que abandonou seu cereal a contragosto. O aplicativo já estava aberto no perfil de Luna, então ele apenas observou as fotos por alguns instantes.

― É impressão minha ou você realmente curtiu todas as fotos dela?

― Não me julgue. O feed dela é impressionantemente organizado. Não pude evitar.

― Sei ― ele ergueu uma sobrancelha, seu tom de voz era claramente irônico.

Deu mais uma olhada para a tela do telefone, memorizando o nome de usuário, antes de entregá-lo para Edward.

― E então? ― o loiro perguntou, com um sorriso esperançoso em seu rosto.

Ciel tomou mais um pouco de seu suco antes de responder.

― Bonitinha.

― Bonitinha? ― o sorriso de Edward se desfez ― Você só pode ter problemas de visão. Ela é a garota perfeita pra banda. E você precisa ouvir a voz dela. Seu mezzo-soprano consegue ser melhor do que muitos contraltos que já ouvimos nas audições.

― Aqueles contraltos eram lixo.

― Claro que não. Você que é muito exigente.

Ciel bufou, incapaz de contradizer a acusação.

― Mas isso tudo vai mudar ― Edward sorriu novamente ― Assim que você ouvi-la.

― E quando vai ser essa perda de tempo?

― Hoje à noite, naquele pub do centro.

― Cantora de bar, Edward? Sério?

― E qual é o problema? Foi lá que a conheci.

― “Foi lá que a conheci” ― Ciel imitou a voz do amigo com um sorriso sarcástico ― Que tipo de frase é essa? Já está apaixonado por ela? E, além disso, como Elizabeth se sentiria descobrindo que você tem frequentado esse tipo de lugar?

― Lizzy não se importaria com isso ― ele revirou os olhos ― Ela adora um lugar charmoso com boa música. E não estou apaixonado.

― Ainda não, mas tudo começa assim, meu caro. Negação, depois aceitação, e então, dependência. Você pisca os olhos e quando percebe está casado e com quatro filhos.

― Cale a boca, Ciel.

O celular de Edward vibrou sobre o balcão, interrompendo o que seria o começo de uma bela discussão. Ambos olharam para o aparelho, cuja tela brilhava com o nome de Luna.

Edward o alcançou rapidamente, corando. Atendeu-o com as mãos trêmulas e desviou o olhar do rosto cínico de Ciel.

― Luna? ― gaguejou ― Olá. Como está?

Ciel terminou seu suco, tentando ouvir alguma coisa que fizesse sentido, mas tudo o que entendia eram as palavras sem nexo de Edward.

O loiro desligou o celular com um sorriso radiante.

― Como eu dizia ― conteve o sorriso ― Ela é perfeita.

― O que foi dessa vez? ― Ciel deixou o copo e a tigela na pia, voltando para o balcão em seguida ― Ela vai te processar se não pagar a pensão do recém-nascido? Quero ser padrinho.

― Suas piadas machistas não vão estragar meu humor, Ciel, desista.

― Tudo bem ― ele riu ― Mas o que aconteceu?

― Luna terminou sua nova música. Vai cantá-la hoje à noite.

― Ela compõe? ― a ironia na voz do moreno deu lugar a certo interesse que procurava inutilmente disfarçar.

Edward acenou afirmativamente com a cabeça.

― Interessante ― Ciel murmurou.

― Admita, Ciel. Ela é incrível.

― Não vou admitir porra nenhuma antes de ouvir a voz dela. Até lá seus devaneios apaixonados não vão mudar minha opinião. Não precisamos de uma vocalista.

― Mas precisamos de um visual. De preferência uma garota. Alguém que chame a atenção e tenha talento. Você vai saber do que estou falando quando a conhecer hoje à noite.

As horas passavam arrastadas, uma após a outra, fazendo com que Edward, completamente entediado, vagasse pelo apartamento 505. Ele gostava de observar as cores que o sol jogava sobre as paredes brancas no fim da tarde. Gostava das plantas no peitoril das janelas e de como as gotas de chuva se acumulavam em suas folhas. Gostava da vista das luzes da cidade à noite. E também gostava da companhia. Sinceramente, Ciel era a melhor pessoa para se dividir um apartamento. Era tão silencioso que mal se podia notar sua presença ali, além de que era sempre bom dar uma olhada no comportamento do “quase namorado” de sua irmãzinha, Elizabeth. Não era segredo para ninguém que ela sempre gostara do moreno mais do que como amigo e, agora, ele finalmente lhe havia dado uma chance. Ou, pelo menos, era o que parecia para Edward. É verdade que nunca haviam se beijado e que Ciel nunca admitira gostar dela também, mas apenas o fato de não evitá-la como fazia antigamente já deixava Edward cheio de esperança. Conhecendo Ciel, aquilo já era um avanço.

Então se lembrou de Luna, não que ela houvesse saído de mente durante aquele dia. Não estava apaixonado como o amigo dissera, mas tinha de admitir, a garota tinha talento. Ele estava certo de que Ciel finalmente deixaria que alguém se juntasse à sua banda depois de ouvi-la cantar. As imagens da noite em que a conheceu voltavam como flashes. Holofotes, uma guitarra vermelha, lábios também vermelhos cantando sobre amor, drogas e sexo e um ou dois ou mais copos de vodka.

Foi acordado de seus devaneios pelo som da porta se abrindo quando Ciel e Elizabeth entraram no apartamento.

― Voltaram cedo ― ele os cumprimentou ― Ainda são seis horas.

― Seis? ― Ciel ergueu uma sobrancelha ― São oito.

― Oito?

Edward olhou para Ciel, depois para o relógio na parede, depois para o céu negro do lado de fora, depois para Ciel novamente.

― Meu Deus.

E então correu para o espelho mais próximo, sobre uma prateleira na sala de estar, em uma tentativa falha de arrumar os cabelos loiros. Pelo reflexo podia ver Lizzy encostada no balcão e Ciel abrindo uma latinha de energético com um sorriso torto.

― Qual o problema, Midford? ― tomou um gole da bebida ― Não quer se atrasar para ver sua namorada?

― Vocês estão namorando? ― Elizabeth gritou ― Por que não me disse antes?

― Porque não estamos ― Edward fuzilou Ciel pelo espelho ― Agora vamos. Preciso passar em um lugar antes.

Nenhum dos dois questionou quando o loiro pegou as chaves do carro e saiu pela porta como um louco.

― Eu te disse ― Ciel se virou para a menina, entre goles de energético ― Ele está obcecado.

Edward tamborilava os dedos no volante, impaciente com o trânsito e com o sorriso de Ciel e sua maldita lata de energético. O moreno desviou a atenção da bebida e ligou o rádio do carro, passando as estações até encontrar uma de seu agrado. Elizabeth retocava o batom no banco de traz, em silêncio.

Assim que o som de um baixo preencheu o carro, Edward freou, estacionando-o no encostamento. Saiu sem dizer uma palavra e voltou pouco tempo depois, com um buquê de rosas vermelhas.

― Flores, Midford? ― Ciel indagou, surpreso.

― Algum problema? ― o garoto girou a chave na ignição com um sorriso bobo nos lábios.

― Eu achei adorável ― Lizzy inclinou o celular para fotografar as rosas, iluminando todo o carro com o flash ― Você é muito insensível, Ciel.

Os dois discutiram até Edward estacionar o carro novamente, a uma ou duas quadras do pub. Enquanto andavam o resto do caminho, o pensamento de Edward voava com a mesma velocidade do sangue que corria em suas veias: rápido, rápido e cada vez mais rápido. Suas mãos suavam ao redor do plástico dourado que envolvia as flores.

O esforço de encontrar uma mesa vazia era ainda maior já que Edward fazia questão de ter uma ótima vista do palco. “Vocês precisam vê-la” ele dizia, entusiasmado, dando ênfase desnecessária à palavra “precisam”.

Quando finalmente se acomodaram, Ciel pôde observar melhor o lugar. As paredes de tijolos vermelhos somadas à meia luz alaranjada formavam um ambiente muito mais acolhedor do que os bares com que estava acostumado, mas Ciel ignorava aquilo assim como ignorava as pessoas ao seu redor, com exceção do garçom, para quem pediu um copo de uísque com gelo.

― Dois, por favor ― Edward emendou ― Quer alguma coisa, Lizzy?

O garçom anotou o último pedido, “suco de morango” e sorriu, atendendo outras mesas.

― Você pediu suco de morango em um bar? ― Ciel ergueu uma sobrancelha ― Sério?

― Concordo ― Edward sorriu ― Não precisa ter medo só porque estou aqui.

― Não estou com medo ― a voz de Elizabeth manteve seu tom, acostumada com aquele tipo de brincadeira ― Só não sou uma adolescente bêbada como vocês.

― Pelo menos eu tenho idade para beber.

― Cala a boca, Midford ― Ciel rosnou ― Eles não adotam o maldito Challenge 21 aqui, meus 18 anos são o suficiente.

― Pois deveriam ― Lizzy provocou.

― Parem de brigar ― Edward fixou o olhar no palco ― Vai começar.

― Não estamos brigando ― os dois disseram, em uníssono.

O loiro não pareceu ouvi-los, completamente hipnotizado enquanto as luzes diminuíam e um holofote iluminava o microfone a poucos metros de distância.

Com o local completamente silencioso era possível ouvir o som de sapatos de salto alto contra o piso de madeira e logo uma garota surgiu sob a luz branca. Não era muito alta, mas havia outros atributos físicos que lhe permitiam chamar a atenção, como os longos cabelos castanhos e os olhos verdes. Os lábios vermelhos sorriram assim que tocou no microfone.

― Boa noite ― sua voz preencheu o local ― Obrigada por virem. Não vou me prolongar muito, mas gostaria de deixar agradecimentos especiais a uma pessoa muito incrível que me incentivou a escrever essa música.

Seus olhos percorreram o local.

― Edward ― encarou o garoto em meio à multidão ― Essa é para você.

Ciel reprimiu uma risada ao ver o amigo corado e eufórico ao seu lado.

― Fique quieto ― ele o censurou ― Ela vai cantar.

E realmente cantou. As notas suaves da guitarra acompanhavam seu soprano variando entre graves e agudos. O olhar de Ciel moveu-se instantaneamente para ela e era como se nada mais existisse.

Edward tinha razão.

Ela era perfeita.

O que se passou a seguir não era muito nítido para Ciel, talvez pelo uísque, talvez pelo torpor causado pelo calor daquela noite. Mas se lembrava muito bem do sorriso de Luna quando recebera as flores de Edward e de como achara adorável o modo como seus olhos brilharam. Lembrava-se de sentir o perfume dela quando a cumprimentara, algo que descreveria como noites de verão, álcool e maresia. Lembrava-se de sentar ao seu lado no banco de trás do carro, Arctic Monkeys tocando no rádio. Lembrava-se de cantar o refrão com ela e falarem sobre música o resto do caminho. Lembrava-se de ter provocado Edward até que o mesmo quase desfigurasse seu rosto em socos, tão embriagado quanto ele. Lembrava-se de sua ideia estúpida de deixar Elizabeth em casa e ir a um clube. Lembrava-se de furar a fila com sua influência naquele tipo de local. Lembrava-se dos corpos suados chocando-se uns contra os outros, das luzes coloridas, da música eletrônica e da fumaça que subia pelas paredes.

E, então, se lembrava do beco escuro aos fundos da boate, de seus passos duros e cambaleantes.

― Ciel ― ouviu alguém dizer ― Ciel, espera.

Sua respiração entrecortada o impedia de responder a quem quer que fosse. Quando chegou ao fim do beco, apoiou das mãos no joelho e a outra nos tijolos frios. O suor escorria por seu corpo enquanto inclinava a cabeça para baixo e vomitava tudo o que ingerira nas últimas horas, incluindo quatro ou cinco tipos diferentes de bebida alcoólica.

Sentiu que duas mãos lhe seguravam. Uma apoiava sua testa, segurando os cabelos negros, a outra pressionava seus ombros para baixo.

Suspirou pesadamente quando a crise de asma terminou, jogando todo o peso do corpo contra a parede suja e deixando-o alcançar o chão. Seus lábios pálidos tremiam, entreabertos, enquanto abraçava os joelhos com as mãos.

― Ciel.

Ele se virou ao ouvir seu nome ser chamado, esperando encontrar Edward ao seu lado. No entanto, via apenas a figura de Luna, a preocupação expressa em seu rosto. Ela ajoelhou-se ao lado do garoto, suas mãos percorrendo o rosto dele, depois pescoço e ombros, segurando-o firme, mas delicadamente.

― Está tudo bem ― sorriu, já não havia mais batom algum em seus lábios ― Eu estou aqui.

Ciel engoliu em seco, ainda tentando focar a visão turva na menina à sua frente.

― Está tudo bem ― ela repetiu, um pouco mais baixo.

Seu tom era calmo e até mesmo persuasivo e Ciel sentiu toda a embriaguez de seu corpo sumir como se uma enorme pedra o tivesse atingido.

Ele tossiu algumas vezes antes de fechar os olhos e encostar a cabeça na parede, ainda respirando com dificuldade.

― Sabe ― ela se sentou ao lado dele ― Minha mãe costumava cantar para mim quando eu me sentia mal. Eu sei que é bobo, mas sempre funcionou.

Ela fez com que Ciel deitasse e repousasse a cabeça em seu colo.

― É por isso que gosto de música ― ela continuou, acariciando os cabelos molhados de suor do menino com as pontas dos dedos ― Sempre foi meu sonho ajudar pessoas com minha música. Bem clichê, não acha?

Ciel sorriu, negando com a cabeça.

― É bonito ― ouviu sua própria voz dizendo, roucamente.

Não se lembrava do motivo de entrar na indústria da música. Talvez pela fama e garotas que conseguiria, talvez para contrariar seus pais, dois empresários de sucesso com desprezo por tudo que não rendesse dinheiro. Talvez para se expressar para todo o mundo, esperando, inconscientemente, que alguém o compreenderia.

― Canta pra mim ― murmurou.

Luna sorriu e cantou, bem baixinho, uma melodia que era velha conhecida de ambos.

“I'm going back to 505
If it's a seven hour flight or a forty-five minute drive”

Ciel mantinha o olhar preso nela, sua respiração se normalizando aos poucos.

“In my imagination you're waiting, lying on your side
With your hands between your thighs”

Finalmente, ele se permitiu fechar os olhos. Adormeceu com uma sensação quente no peito e as mãos de Luna em seus cabelos.


Notas Finais


Espero que tenha gostado.
Com amor, Tenebris ♥


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