História 505 - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias WINNER
Personagens Jinwoo, Lee Seunghoon, Mino, Personagens Originais, Seungyoon, Taehyun
Tags 505, Depressão, Drama, Romance, Taehyun, Winner
Exibições 28
Palavras 6.776
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Fluffy, Hentai, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


olá, serumaninhos :)) resolvi postar minha primeira oneshot no spirit que, também, é meu primeiro trabalho aqui no fantástico mas complexo mundo do k-pop. trouxe para cá minha história escrita com o Taehyun, do WINNER, e, por eu estar postando justamente nesta data, 25/11/16, vocês já devem imaginar por que. sim, estou ainda muito abalada com a saída dele do grupo e resolvi presenteá-los com essa singela oneshot :)) nas notas finais faço um comentário melhor
ah, antes de mais nada, a história foi inspirada no MV de I'm Young e na música 505, dos maravilhosos Arctic Monkeys. sempre enxerguei uma semelhança entre as duas histórias e sempre quis uni-las em uma só.
aproveitem <33

Capítulo 1 - The one


Taehyun suspirou em frustração, batendo seus punhos violentamente contra as doces teclas do piano — o que não causou um ruído tão delicado quanto as notas que ele antes reproduzia. Doces, sentimentais; expressando cada emoção acumulada nos seus pensamentos conturbados. Ele encarou o piano a sua frente e balançou a cabeça, passando as mãos pelos fios loiros e pousando sua testa sobre a madeira fria do instrumento. Odiava o fato de ser tão vulnerável aos seus próprios sentimentos. Quando acreditava ter progredido, uma recaída fazia com que todas as suas estruturas desmoronassem. Novamente, novamente e novamente.

Irritado, levantou do banco de madeira e contornou os móveis da sala até o banheiro. Talvez um banho fosse capaz de acalmá-lo.

Debaixo do chuveiro, recostou a cabeça sobre o azulejo e deixou que a água morna levasse junto consigo toda a tormenta que corria em forma de descargas elétricas pelo corpo de Taehyun. Aquele maldito sonho... Aquele maldito sonho tornou a noite de ano novo pior do que sempre era. Como se já não bastasse a antipatia que o garoto sentia pela data, seu subconsciente resolveu pregar uma peça nele mesmo, enviando imagens dela durante as poucas horas de sono que conseguiu ter. Nunca tivera um sonho tão real; novamente, era como se ela estivesse ali, com seus braços circundando o pescoço de Taehyun e seus cabelos, tão perfumosos e macios quando uma rosa, presos entre os dedos longos dele. Acima de tudo, ele pôde sentir o toque dos seus lábios. A conexão entre os seus olhares. Tudo o que ele mais sentia falta, mais relutava em esquecer durante os tantos meses que se passaram desde a última vez. Cada um mais doloroso que o outro.

Era oito de fevereiro, primeiro dia do calendário lunar. Ano Novo. Nove meses desde que ele a vira pela última vez.

Amarrou a toalha do redor da sua cintura e, com a mente submersa, caminhou para fora do banheiro. Fitou a enorme bagunça na sala da sua própria casa, mas pela primeira vez, sequer se importou. Chutou os sapatos que apareceram pelo caminho e, perdido no seu próprio ambiente, olhou em volta, confuso. O que ele estava fazendo? O que ele queria?

Ah, Taehyun sabia muito bem o que queria.

Ela. Ele queria ela, a garota que domava seu coração desde a primeira troca de olhares. E ele, cansado de negar seus sentimentos, resolveu dar a si próprio uma dose de prazer.

Guiado pela adrenalina causada pela ideia repentina, ele correu para o quarto e encheu a mala com a menor quantidade de coisas possível. Não sabia quanto tempo passaria por lá, nem se conseguiria de fato pisar em solo canadense. Do jeito como os aeroportos estavam cheios graças ao feriado, duvidava que conseguisse uma passagem. Mas ele precisava tentar. Se não conseguisse, ao menos iria dormir sabendo que deixou sua covardia de lado uma vez na vida.

Abriu a gaveta do criado mudo que ficava ao lado da sua cama. Enterrado debaixo de uma dúzia de revistas e outros objetos insignificantes, Taehyun tirou o anel prateado. Sentindo uma esperança que fazia de tudo para reprimir, suspirou e deslizou a joia pelo seu dedo anelar.

Assim que Taehyun jogou-se no assento do avião, mal pôde acreditar no que estava fazendo. Primeiramente, dera a sorte de conseguir comprar uma passagem de avião a tempo — mesmo que, para isso, tivesse precisado enfrentar um aeroporto lotado durante horas e subornar uma atendente antipática —; e em segundo... Ele havia finalmente se libertado das correntes que o prendiam nos seus costumeiros medos. Saído da sua própria bolha.

Depois de seguir as instruções do comissário de bordo e ouvir o comunicado sempre repetido, já com o cinto afivelado, ele fechou os olhos e comprimiu os lábios. Se havia uma coisa nesse mundo que Taehyun adorava, era viajar. Em seu tempo livre do Winner, quando tiravam suas merecidas férias e semanas de descanso, ele preferia gastá-lo dentro de um avião, ou até mesmo dirigindo pelas belas paisagens de Seoul. A sensação de liberdade, misturada ao êxtase de conhecer novos lugares ou visitar outros que morassem em seu coração, corria pelas veias dele assim como o hormônio da adrenalina. Agora, mais do que nunca, sua viagem valeria a pena; mesmo se fossem sete horas voando ou quarenta e cinco minutos dirigindo. Tudo por ela. 

A frustração cortou o semblante de Taehyun quando, assim que pegou o celular e os fones para ouvir música, encarou as chamadas perdidas brilhando na tela. Àquela altura, provavelmente seus amigos estariam curtindo o ano novo à sua maneira. No caminho para o aeroporto, Taehyun vislumbrou a queima de fogos da janela do próprio carro e nem se preocupou em imaginar o que estaria fazendo caso não tivesse passado por aquela reviravolta de emoções. Talvez tivesse arranjado alguma forma de passar com a família e celebrar as tradições; talvez tivesse saído com Seunghoon ou Jinwoo, mesmo sabendo do que poderia acontecer caso bebesse muito. Porque, segundo seu médico, não deveria misturar seus antidepressivos com bebida alcoólica. Mas ele, sinceramente, não se importava. A cada vez mais, deixava de tomar os remédios de acordo prescrição. Não tinha paciência para eles, e não suportava os efeitos colaterais que eles o causava.

Ainda encarando a tela, ele suspirou e colocou as músicas no aleatório. Lembrou-se, então, das palavras duras que ouvira do manager. Sabia que o sermão foi destinado para o grupo todo, depois de tanto tempo sem fornecer nenhum material novo. Mas sabia, também, que fora o maior responsável por aquilo tudo.

A pressão dos fãs, cada vez mais ávidos por um comeback, aumentava gradativamente a pressão dentro da YG. Com um grupo prestes a debutar, outro no auge e suas estrelas principais em descanso, o que sobrava era o Winner. Precisavam voltar à ativa o quanto antes. Porém, a incompatibilidade reinava entre os integrantes.

Taehyun não se lembrava de quando deixaram de ter a harmonia pelo qual eram reconhecidos. Sempre foi fácil trabalhar com eles; sempre maleáveis, pareciam ter as mesmas intenções e terem o mesmo lugar como objetivo. Definitivamente, o garoto não poderia ter desejado colegas de trabalho melhores. Mas agora, uma distância jamais vista se instalou entre os membros do Winner. Cada um parecia ter seus próprios ideais, seus próprios caminhos que passavam por atalhos diferentes e não chegavam ao mesmo lugar. Não era como se os membros em si tivessem se distanciado; pelo contrário. A amizade permanecia intacta. Sempre se reuniam para beber, jogar conversa fora ou para simplesmente desfrutarem da presença um do outro, falando besteiras e soltando gargalhadas altas.

Porém, sempre que o intuito da reunião era tentar produzir alguma música, a atmosfera mudava completamente. Todos se esforçavam, tentavam colaborar para fazer um trabalho de verdade, mas no fim tudo o que tinham era uma folha de papel amassada com alguma letra tosca e alguns arranjos que não combinavam entre si. E agora que Mino começara sua carreira solo, as coisas nunca pareceram tão difíceis.

Taehyun sabia que era um dos principais culpados, se não o. Sua criatividade evaporara desde que deixara o Quebec para trás. Não conseguia escrever mais letras coerentes, nada que não se assemelhasse a uma carta de suicídio e fizesse ele mesmo soltar uma risada sem humor. As melodias eram sempre melancólicas e não batiam com as ideias que os amigos traziam. Podia detectar o incentivo presente nos olhos de Jinwoo, Mino, Seunghoon e Seungyoon. Eles sabiam pelo que o amigo passava, mesmo que não com uma riqueza total de detalhes. Isso ninguém nunca de fato soubera. Menos ela. Só ela.

Como se tudo isso não fosse suficiente, a distância da família o entristecia cada vez mais. Mesmo com a pausa breve do grupo, os compromissos nem sempre lhe rendiam tempo suficiente para ver seus familiares. Tudo o que tinha eram os amigos e o solitário apartamento no centro de Seoul. Tão grande e, ao mesmo tempo, tão vazio.

Olhou pela janela do avião. Depois de algumas horas de voo, Taehyun sentia-se como o único passageiro acordado — isso se realmente não fosse o único. A ansiedade o impedia de dormir, mesmo que soubesse que o fuso horário o deixaria acabado assim que chegasse ao Quebec. Involuntariamente, fitou a sua mão. Com o polegar, tocou o anel frio no seu dedo. Podia sentir o calor dos dedos dela o evolvendo com tanta realidade que se perguntou, por alguns segundos, se estaria delirando. Ele sorriu.

Uma aeromoça com um sorriso largo passou por ele, trazendo em seu carrinho uma infinidade de bebidas — que iam de simples sucos às alcoólicas. As taças de champagne estavam enfileiradas em uma bandeja prateada, provavelmente graças ao ano novo. Para comemorar a data, Taehyun abriu um sorriso e aceitou a taça de champagne quando a aeromoça ofereceu. Depois de ingeri-la — em um brinde mental aos seus amigos, família e amada —, encarou o líquido espumante e abriu um sorriso.

Há mais de dois anos, a vida de Taehyun mudou graças àquela bebida.

Entediado com a rotina na Coréia do Sul e louco para escapar do seu bloqueio criativo, Taehyun pegou o primeiro avião para o Canadá. Sempre tivera um caso de amor com o país, e não encontrou lugar melhor para passar o ano novo e buscar pela sua inspiração. Para passar a semana, alugou um apartamento pequeno em um prédio comum das ruas de Montreal, no Quebec. Não gostava de muita extravagância, então viver como um cidadão quebequense normal era o que ele queria.

Na noite de ano novo ocidental, quando deveria estar comemorando com o resto dos canadenses que iam à rua fazer festa, Taehyun se encontrava trancado no seu quarto. Várias bolas de papel circundavam o seu corpo deitado na cama, e o lápis em sua mão trabalhava tão intensamente que a ponta várias vezes quebrava.

Depois de um passeio pelas paisagens quebequenses, ele acreditou ter encontrado a inspiração que precisava para compor. Quando chegou ao 407, seu apartamento, passou o resto da tarde depositando seus sentimentos e ideias confusas nas folhas de papel do caderno simplório que comprara numa papelaria qualquer da cidade. Ele não conseguia fazer dar certo. As letras não eram coerentes, e sim uma imensa bagunça de frases que simplesmente não se encaixavam.

Taehyun amassou uma última folha. Atirou-a com violência contra a parede e mesma quicou de volta em sua direção, batendo certeiramente na sua testa. Ele suspirou. Checou a hora no celular. Já se passavam das onze, e toda a inspiração que ele acreditou ter adquirido fora-se embora.

Frustrado, desceu da cama e abriu o frigobar da cozinha pequena. De lá, tirou a garrafa de champagne e as taças que havia comprado. Saiu do apartamento e subiu as escadas do prédio até o terraço, simplesmente porque um dos elevadores estava interditado e Taehyun não arriscava ficar preso dentro do outro.

Ele empurrou a porta pesada à sua frente e a prendeu com um bloco de cimento que já estava posicionado. Quando adentrou o terraço, sentiu a brisa fria o acalentar e olhou em volta, contemplando a vista da noite negra pipocada pelas luzes dos outros prédios e construções. Porém, seu olhar pousou sobre outra coisa. Uma pessoa, tão solitária quando ele, sentada numa elevação de concreto que serviu perfeitamente como um banco. Seus cabelos esvoaçavam de acordo com o vento e suas costas estavam nuas graças ao estilo da blusa azul.

Taehyun, curioso, aproximou-se vagarosamente por trás e ficou de pé ao lado do banco improvisado, as mãos carregando o que trouxe do apartamento e os olhos fixos na paisagem à sua frente, vislumbrando-a. A cidade era realmente muito bonita, ainda mais vista de cima.

Ele notou de soslaio o olhar da garota pousar sobre e finamente a fitou. Com os olhares conectados, ele tentou disfarçar o choque, abrindo um sorriso logo em seguida. Céus, como ela era bonita. Traços delicados, lábios rosados e olhos tão límpidos quando o mar do Caribe. Estaria Taehyun diante de uma deusa? Ele precisava descobrir.

— Olá — ele começou, temendo que seu francês estivesse tão ruim que pudesse estar cometendo alguma gafe.

— Olá — sua voz doce cumprimentou, mas permaneceu com a expressão séria.

— O que faz aqui numa noite de ano novo?

— Provavelmente o mesmo que você.

— Afiada — Taehyun riu. Estendeu a taça de champagne. — Aceita?

— Ainda não são meia noite.

— Como pode ter tanta certeza?

— Porque os fogos ainda não começaram.

— E qual seria o problema em estourar uma garrafa de champagne antes da virada do ano?

— Porque isso foge das tradições ocidentais. Não só pelo seu sotaque, vejo que não é daqui.

Taehyun sentou ao seu lado e deixou seus materiais pousados sobre o banco.

— Acertou em cheio.

— E o que te traz ao Canadá justo no nosso ano novo?

— Eu me pergunto o mesmo.

— Se arrependeu?

— Nem um pouco.

Depois daquele comentário, ambos se silenciaram.

— Será que já podemos abrir agora? — Taehyun perguntou, fazendo de tudo para não deixar o papo morrer.

— Já disse que ainda não são meia noite.

— Como pode ter tanta certeza? Já pensou na possibilidade de acontecer um atraso na queima de fogos?

A garota, pela primeira vez, apresentou um traço de humor ao arquear uma das sobrancelhas e abrir um sorriso debochado.

— Isso é tecnicamente impossível, já que várias pessoas estouram eles ao mesmo tempo.

— Mas pode acontecer.

Ela tirou o celular do bolso da calça jeans e mostrou a tela acesa para Taehyun.

— Viu? Ainda são onze e cinquenta e três. Sua teoria está completamente errada...

— Taehyun. Taehyun Nam. — Ele completou, seus lábios se curvando em um sorriso de canto.

— Isso. Sua teoria está completamente errada, Taehyun. Pronunciei certo?

— Sim, pronunciou. Mas é o que veremos, senhorita...

— Aimee Tremblay.

— É o que veremos, senhorita Aimee Tremblay.

— Não estamos na Inglaterra antiga para você me chamar de senhorita.

— Não posso ser um cavalheiro?

— Nos dias de hoje... Não, não pode. — ela concluiu.

— Por quê?

— A sociedade foi tão corrompida pela maldade que qualquer homem que utilizar do cavalheirismo provavelmente seria taxado como um grande boboca.

Taehyun arqueou uma das sobrancelhas com a explicação de Aimee.

— E você é o que para falar assim hoje em dia? Socióloga? Filósofa?

— Nenhum dos dois. Estou no caminho do jornalismo.

— Jornalismo? Que interessante.

— E você? Tem cara de personal stylist. — Ela deduziu em tom de brincadeira.

— Se isso foi um elogio ao meu estilo, muito obrigado. — Ele riu. — Mas não, sou músico.

Aimee esquivou as sobrancelhas, demonstrando certa surpresa.

— Músico? — Taehyun assentiu. — Do tipo que tem uma banda que garagem que incomoda os vizinhos?

Taehyun riu novamente. Não sabia por que, mas teve receio em contar para ela sua verdadeira profissão. Qual seria sua reação ao descobrir que ele fazia parte de um grupo que começava a conquistar a sua fama na Coréia do Sul? Será que ela já teria ouvido falar do Winner? Ele acreditava que não. Senão, já o teria reconhecido.

— Mais ou menos. Qual é o seu estilo musical?

Aimee franziu o cenho diante da pergunta.

— Hã... Acho que eu escuto um pouco de tudo. Pop, rock, indie, R&B. Por quê?

— Já ouviu falar em K-Pop?

Ela pensou por alguns instantes, mas logo abriu mais um dos seus sorrisos debochados.

— Não vá me dizer que você é um artista coreano... — Pelo silêncio de Taehyun, ela se surpreendeu. — Isso é sério?

— Sim.

— Não. Impossível. O que eu estaria fazendo ao lado de um artista coreano? Quais seriam as chances?

— Acredite se quiser — Ele riu.

— Caramba... Realmente, conhecer um famoso não estava nos meus planos para a noite de ano novo.

— E o que estava?

Aimee silenciou-se, e Taehyun percebeu que talvez pudesse estar tocando em um assunto delicado.

— Isso não importa. Não agora, pelo menos.

— Tudo bem. Desculpe.

— Não precisa se preocupar. Eu estou bem. — Ela ergueu o olhar de volta à Taehyun. — Olha, eu nunca ouvi nada relacionado a K-Pop. Minha irmã mais nova é super fã de vocês, coreanos, mas eu sempre fujo quando ela tenta me mostrar alguma música. — Ela cruzou as pernas uma sobre a outra e lançou um sorriso travesso à Taehyun. — Posso ouvir uma das suas para saber se é tão ruim assim?

— Não.

— Por quê? — Ela perguntou, indignada.

— Porque não, oras. Vai que você não gosta e resolve me odiar para sempre? — Ele tentou disfarçar seu constrangimento através do bom humor. Sinceramente, ele tinha vergonha de mostrar seu trabalho a qualquer um que fosse. Não gostava nem escutar pessoas ouvindo suas músicas, mesmo que amasse seus fãs com cada átomo do seu corpo. Eles eram tudo para Taehyun.

— Ah, deixa de besteira e me mostra logo uma música. Você sabe que eu posso pesquisar sem que você precise dizer.

— Deixa de teimosia e aceita logo que eu não vou te mostrar.

Aimee revirou os olhos e tirou o celular do bolso da calça jeans. Desbloqueou a tela e começou a digitar.

— Taehyun Nam, certo? Eu não faço ideia de como escreve isso. — Ela perguntou para conferir, mas o garoto se manteve mudo. — Ou Nam Taehyun. Acho que te encontrei. É a mesma coisa? Acho que lá os nomes são diferentes. Meu Deus, você é mesmo famoso. Achei que fosse brincadeira!

Ele reprimiu uma risada, mesmo que não conseguisse conter os batimentos cardíacos acelerados. A cada toque que Aimee dava na tela, Taehyun se sentia mais nervoso com a possibilidade dela ouvir suas músicas. Deus, como o garoto queria que a bateria do celular dela acabasse repentinamente ou, de uma forma desconhecida, ele caísse longe dali.

— Hum, o nome do seu grupo é Winner. Legal. Vejamos... Vou ouvir essa — Ela apertou alguma coisa no celular e aumentou o volume do autofalante. Logo, a introdução de Empty se fez presente. O coração de Taehyun deu um salto e ele resistiu ao impulso de cobrir o rosto em constrangimento.

Ele focou o olhar no horizonte para evitar ao máximo corar e fitar a reação de Aimee. Após alguns segundos com a música rolando, ela resolveu fazer seu primeiro comentário:

— Nossa. Eu não esperava por isso.

— E esperava o quê, então?

— Aquelas músicas enjoativas de ritmo eletrônico que me dão dor de cabeça. E isso... É completamente diferente. Nada mal, hein, Taehyun.

Ele se permitiu abrir um sorriso, os olhos ainda fixos na paisagem. Por alguma razão, seu coração havia aquecido com a notícia de que Aimee gostara do seu trabalho.

— Sua voz é bonita. — Ela concluiu ao término da música. — E sua música é até boa. Eu daria tudo para ver a reação da minha irmã ao saber que acabei de conhecer um astro coreano. — Aimee riu.

— Menos, por favor.

— Mas é claro! Olha a quantidade de visualizações! Você tem até seu nome na Wikipédia. Isso não é para qualquer um.

Taehyun não pôde evitar sorrir. E então, lançou seu olhar de volta a ela. Antes que pudesse dizer algo, viu a expressão da garota encher-se de luz e a mesma apontar para o céu.

— Parece que a queima de fogos começou — Ela anunciou assim que Taehyun fitou o céu para ver o motivo de tanta perplexidade. Fios de luz cortavam a imensidão escura e estouravam em cores lindas e vibrantes.

— Que horas são?

Aimee conferiu no celular.

— Meia noite e dois.

— Viu? Eu disse sobre a possibilidade do atraso! Sempre tenho razão.

Ela arqueou uma das sobrancelhas em tom de ironia.

— Dois minutos. Só dois minutos, e não quinze.

— Dá pra fazer muita coisa em dois minutos — Taehyun não evitou comentar com malícia na voz, o que levou Aimee a silenciar-se e ele rir de sua reação. — Acredito que eu já possa estourar a champagne, não é?

— Já está mais do que na hora.

Com certa dificuldade, Taehyun conseguiu abrir a garrafa e a rolha voou para um local além da sua compreensão.

— Só espero que não acerte a cabeça de ninguém — comentou, servindo a bebida nas duas taças que coincidentemente trouxera.

— Visto a altura em que estamos, seria um belo estrago.

— Não quero pagar indenização por conta de uma rolha de garrafa — Ele entregou uma das taças à Aimee e tomou a outra para si. Ela riu. — Brindaremos a quê?

— Hum... À saúde? Prosperidade?

— O que acha de brindarmos a nós? Individualmente, calma.

— Ultimamente eu venho sendo egoísta demais para fazer isso... — A garota baixou o olhar por alguns instantes, mas logo recompôs a postura. — Tudo bem, então. A nós.

— A nós.

E suas taças se chocaram, causando um ruído suave.

Mal sabia Taehyun a reviravolta que, a partir daquele brinde, sua vida enfrentaria.

Agora, sentado no avião, ele sorriu ao se deliciar com tais lembranças. Esperava que, assim que encontrasse sua amada, ela estivesse o esperando como da última vez: com as mãos entre as coxas e um sorriso.

Taehyun suspirou antes de tocar o interfone do prédio. Comprimiu os lábios e sentiu um calafrio percorrer seu corpo assim que ouviu sua voz.

— Alô? Quem é?

Com o coração acelerado pelo mínimo contado com a voz robotizada, não conseguiu dizer nada.

— Quem está aí?

Nervoso, ele começou a andar em círculos. O choque de realidade finalmente apareceu. Talvez tivesse sido uma péssima ideia ir até ali.

O que Taehyun tinha na cabeça no momento em que pisou naquele aeroporto? Ele esperava que, assim que encontrasse Aimee, os dois se reconciliariam como se nada tivesse acontecido? Como se não houvesse meses separando seu último encontro de agora e as palavras agressivas que foram trocados durante o episódio? O que ele esperava dizer a ela? Que a amava e que era incapaz de tirá-la dos seus pensamentos? Que, por muitas vezes, ela foi a única razão que o manteve vivo?

Ele não poderia dizer isso. Não poderia dizer nada disso. Porque não sabia qual seria a reação de Aimee ao saber que era ele ali, interfonando para o 505 e plantado na porta do seu prédio como um covarde. Provavelmente, ela nunca mais queria ver o rosto de Taehyun em sua vida e, mesmo que ela deixasse-o subir, nunca estaria disposta a uma reconciliação. Ele precisava aceitar que o fim deles já acontecera há bastante tempo, e só ele que continuava persistindo no mesmo erro.

Atormentado, Taehyun olhou para cima. Na janela do apartamento, vislumbrou a figura dela o fitando. Mas, assim que seus olhares se encontraram, ela fechou a cortina florida e bloqueou qualquer contato entre os dois.

Em sua cabeça, ele não conseguia entender. Mas seu coração não a deixaria ir; mesmo se tudo nele desabasse, mesmo quando ele tendia a jogar tudo fora, Taehyun amava Aimee. Ele amou Aimee.

Dentro do carro, pegou o buquê que comprou assim que saiu do aeroporto. Adentrou o prédio e o elevador, apertando o botão do quinto andar e recostando-se sobre a parede fria. Assim que as pesadas portas de metal foram abertas, ele caminhou para fora, sua respiração se intensificando a cada passo que dava em direção ao apartamento.

Parado diante da porta, ele encarou os números dourados que registravam a madeira branca. 505. Onde sua vida começara e, ao mesmo tempo, acabara.

Tocou a campainha e surpreendeu-se quando a porta foi aberta depois de poucos segundos. Com o coração quase saltando pela boca, Taehyun fitou a mulher à sua frente, separada dele apenas por uma corrente insignificante. Sua expressão era fria, meus seus olhos brilhavam ao demonstrar um misto de diversas emoções indecifráveis. Aimee continuava estupidamente linda, com os cabelos quase úmidos indicando que saíra de um banho havia não muito tempo.
Ao deparar-se com o semblante dela, algo dentro de Taehyun morreu. Por isso, removeu o anel dos dedos, que seguravam escondidos atrás do seu corpo o ramalhete de flores.

Em silêncio, Aimee abriu espaço para que ele entrasse. Depois de o fazer, Taehyun estendeu o buquê na sua direção. Aimee tomou-o para si e o colocou num vaso sobre a cômoda branca próxima a porta, retirando de lá as antigas flores secas.

Ele olhou ao redor do apartamento, que quase não mudara desde a última vez em que estivera ali. Inalou o cheiro irresistível do perfume dela que sempre estava presente. Como sentia falta disso.

Aimee passou por Taehyun e sentou-se à mesa ao lado da janela. Sem dizer nada, ele fez o mesmo, sentando de frente a ela e encarando seus exorbitantes olhos azuis.

— Você parece bem — Ela começou, atraindo o olhar dele. — O cabelo continua idiota.

Com tal comentário, Taehyun recordou-se de como Aimee sempre adorou afundar os dedos nos cabelos dele enquanto se beijavam. De como os fios loiros eram uma espécie de entretenimento a ela, como quando o garoto deitava no colo dela e recebia suas carícias na cabeça.

O silêncio durou alguns minutos. Enquanto Taehyun brincava com o anel em suas mãos, Aimee encarava a janela. Por descuido dele, a jóia grossa foi ao chão e o ruído atraiu a atenção dela. Ambos os olhares se encontraram antes dele se abaixar para recolher o anel. Ela divergiu o olhar entre ele e Taehyun e a recordação pareceu cair sobre ambos.

Numa das noites do paraíso, quando Taehyun e Aimee não estavam brigando, ele se encontrava sentado ao lado da banheira enquanto sua amada se divertia num banho de espuma. O garoto, com um piano de brinquedo em mãos a tocar uma melodia qualquer, e ela, cantarolando e espalhando sabão pelos arredores. Aimee puxou o braço do mais velho e retirou o anel que usava para colocá-lo no dedo dele. Eles sorriram.

— Quando você estiver longe, um pedaço de mim vai continuar em você. — Aimee dissera. Taehyun quase riu. Ela não fazia ideia de que aquela afirmação era mais do que verdadeira. Quando estavam longe um do outro, um pedaço de Aimee permanecia no namorado; não em seu dedo, mas sim, no seu coração.

Taehyun viu as feições de Aimee se contraírem a sua frente. Se antes ela tentava transparecer indiferença, agora, a irritação era presente no seu rosto.

— Por que você está aqui? — Ela perguntou agressiva. — Por quê?

As palavras de embolaram na garganta de Taehyun e ele foi incapaz de responder. Ele queria dizer tudo, que a amava, que queria tê-la como sua novamente mais do que nunca. Queria desfrutar da sua presença em cada dia da sua vida e acordar todas as manhãs sentindo o seu perfume. Porém, ele não conseguiu. Como sempre, deixou que o medo da rejeição falasse mais alto.

Não obtendo o que queria, o olhar de Aimee exalava decepção. Ela queria ouvir o que Taehyun tinha a dizer. Queria muito. Abaixando a cabeça, passou direto por ele e esbarrou seus ombros propositalmente. O garoto, odiando a si próprio, concluiu que precisava fazer algo antes que fosse tarde demais; mesmo que ele temesse que já fosse.

Seguiu atrás dela. Sabendo que ela estaria no quarto, adentrou o cômodo e viu sua figura parada diante da janela. Abraçou seu corpo por trás e sentiu aquela familiar mistura de sensações borbulhando dentro de si.

De início, Aimee tentou relutar, mas logo rendeu-se aos seus próprios sentimentos e virou de frente para Taehyun. Evitando olhá-lo, apenas sentiu sua proximidade e as mãos dele tocando o seu rosto.

— Eu preciso de você, Aimee — Ele começou, com uma confiança que não fazia ideia de onde tirou. — Eu senti tanto a sua falta... Nunca te esqueci. Você nunca saiu dos meus pensamentos, mesmo que eu lutasse contra. Você foi o motivo dos meus sorrisos durante todos os dias em que estivemos juntos, mas, ao mesmo tempo, foi o motivo da minha tristeza quando estive longe. Eu amo você, Aimee. Nunca deixei de te amar. Enquanto o tempo passa, o mundo pecaminoso me assusta. Não consigo imaginar uma vida sem você, longe dos seus beijos e dos seus olhos. Posso estar errado em achar que você ainda pode ser minha. Mas eu preciso tentar, mesmo que isso vá me render mais decepções. Não posso conviver com a culpa de ter deixado você para trás mais uma vez.

Os olhos de Aimee brilharam, demonstrando as lágrimas acumuladas que tanto desejava reprimir. Ele fitou a boca da garota, tão desejável e que lhe causava tanta saudade. E então, finalmente rendendo-se, uniu os seus lábios. O beijo foi recíproco e único, como se fizessem isso todos os dias. Aimee, ávida por mais contato, passou os braços ao redor do pescoço de Taehyun. No momento em que suas línguas se tocaram, foi como se não existisse mais o mundo à volta deles. Eram só ele e ela, em seu próprio círculo, em sua própria bolha, num universo que se concentrava apenas na presença dos dois um ao outro. Ele era o sol dela e ela era o seu. Como sempre foi. Como sempre deveria ter sido.

Engraçado como absolutamente nada mudara desde a última vez. O beijo de Aimee ainda tinha o mesmo gosto, ainda lhe proporcionava as mesmas sensações, mesmo que agora existisse o sabor doce, por vezes amargo, da saudade. A doçura de ter sua amada em seus braços novamente e a amargura de poder perdê-la a qualquer momento. Mas Taehyun preferiu desfrutar apenas da melhor parte.

Logo, os braços dele envolviam a cintura da mais nova e a prensaram na parede do quarto. Aimee saltou, entrelaçando as pernas ao redor do corpo de Taehyun e se entregando por completo a ele. O mesmo desceu seus lábios pelo pescoço dela numa trilha de beijos prazerosos e úmidos. Aimee sorria, suspirava, se permitia aproveitar os prazeres da vida. Os lábios dele encontraram os dela mais uma vez. A mais nova passou as unhas levemente pela nuca dele, fazendo com que um arrepio corresse sua espinha. Como retribuição, o garoto puxou o lábio inferior da amada com os dentes e a fez arfar contra a boca dele. Quando ar os faltou, Taehyun encostou sua testa na dela e suas respirações quentes e aceleradas se misturaram ao ambiente frio. Aimee sorriu. Taehyun também. Seus olhares se encontraram. Seus lábios também.

As mãos dela, lentamente, desceram em direção ao casaco do garoto. Em movimentos suaves, a peça foi ao chão. Taehyun, sem separar os lábios dos dela, soltou corpo de Aimee com delicadeza e pressionou-o contra o seu. Logo, o suéter rosado foi ao encontro do casaco dele, assim como a blusa preta que cobria seu busto. Sem perder vantagem, vagarosamente, os dedos jeitosos de Aimee desfizeram os botões da camisa de Taehyun e se livraram dela com facilidade. O mesmo deslizou a mão pela curva deliciosa das costas da garota e chegou ao fecho do sutiã. Ele fitou-a por breves segundos, o olhar repleto de luxúria e desejo. Ela assentiu, concedendo a permissão que ele solicitava.

Os momentos que se seguiram foram inesquecíveis à ambos. Se amaram como nunca antes. Mataram toda a saudade que restava quando seus corpos se encaixaram, relembrando os velhos tempos e acendendo a chama de um amor que nunca deveria ter sido apagado.

. . .

Taehyun fitava a amada em seus braços com um sorriso fixo. Sabendo que ela era a maior obra de arte que o mundo poderia tê-lo proporcionado, seu coração inflava pelo prazer da sua presença. Seu rosto terno, seu peito subindo e descendo de acordo com a respiração calma e os fios de cabelo espalhados pela cama. Mesmo dormindo, enchia os olhos dele de paixão. Por ele, seria feliz apenas acordando todas as manhãs com a mesma visão.

Ele sentiu seu estômago roncar. Não fazia ideia de que horas eram, só podia observar o sol da manhã penetrando as cortinas da janela e clareando o quarto gradativamente. Em movimentos cuidadosos para não acordar Aimee, Taehyun levantou-se e cobriu o corpo dela. A mesma, sentindo falta da presença do garoto, abraçou um travesseiro e permaneceu adormecida. Ele sorriu. Vestiu sua boxer e, enquanto coçava a nuca, seguiu em direção à cozinha.

Taehyun não fazia ideia do que preparar. Estava com fome, mas seus talentos na cozinha eram muito limitados e não sabia se Aimee guardava os mantimentos nos mesmos lugares. Não queria cometer a indelicadeza de vasculhar a cozinha dela, mesmo que aquela ambiente um dia já fora familiar a ele. Por isso, timidamente, abriu um dos armários onde imaginava ficar o café e acabou acertando. Pegou a cafeteira que estava secando no escorredor de pratos e começou a preparar a bebida.

Enquanto isso, preparou sanduíches e montou uma refeição muito bonita. Uma bandeja, duas canecas de café e dois sanduíches. Algo faltava, e ele sabia disso. Por tal razão, seguiu para a sala em direção ao ramalhete de flores. Antes que pudesse roubar uma das rosas que ele mesmo comprara, seu olhar pousou em um ponto específico. Ao lado do vaso, um porta retratos. Nele, uma foto curiosa. Aimee, abraçada a um homem que ele desconhecia, esbanjava um sorriso largo enquanto o outro beijava carinhosamente a têmpora dela. Taehyun franziu o cenho, sentindo seu peito se contrair ao vê-la ao lado de outro cara que não fosse ele. Quem seria o rapaz? Um parente? Um amigo? Ele não sabia. Só tinha a certeza que jamais o vira em qualquer foto de família da amada ou qualquer outro registro com seus colegas da faculdade.

Taehyun tentou deixar o pensamento de lado e pegou a flor, retornando a cozinha e a posicionando na bandeja. Seu ânimo havia reduzido parcialmente, mas ainda queria surpreender Aimee com um café da manhã na cama. Antes que pudesse levá-lo até o quarto, o telefone tocou e Taehyun sentiu-se na dúvida se deveria atendê-lo. Não queria se meter na vida pessoal de Aimee, e nem sentia-se na liberdade de atender as suas ligações e responder por ela. Não depois de todas as brigas que já aconteceram por conta disso. Resolveu ignorar e seguir para o quarto.

Tentando equilibrar a bandeja nos braços, Taehyun passou pelo telefone no momento em que parou de tocar e deu lugar à secretária eletrônica. A mensagem de voz surgiu e o garoto engoliu em seco.

— Bom dia, amor. Sei que é muito cedo, mas acho que tive uma ideia. O dia está lindo, o sol finalmente resolveu sair e a temperatura está mais amena. O que achava de fazermos um passeio? Vamos comemorar a melhor notícia que já recebi em anos! Acabei de ser promovido no trabalho, então acho que temos mais um motivo para fazermos um piquenique no Jardim Botânico. Mais tarde passo aí. Esteja pronta. Au revoir.

Taehyun quase deixou que a bandeja caísse no chão, mas foi sensato o suficiente para conter seus impulsos. Porém, não conseguiu fazer o mesmo com as lágrimas que escorriam silenciosamente pelas suas bochechas, carregando as lembranças.

Desacreditado, deixou a bandeja em um canto qualquer sem se preocupar com o barulho e começou a andar em círculos, puxando os fios de cabelo com força para tentar descontar as dores do coração. Piscou algumas vezes e abriu os olhos. Na sala, bem na mesa de centro, um outro porta retratos o tirou do sério. Aimee, sua família e o mesmo homem da foto anterior. 
Com o coração acelerado, Taehyun olhou em volta. Por toda parte, havia fotos semelhantes. Todas com o mesmo casal. Como ele não vira tudo aquilo antes? Todos aqueles sorrisos apaixonados? Talvez estivesse ocupado demais com seus próprios sentimentos para perceber que estava pisando em campo minado. Ele não precisava ser um gênio para saber o que estava acontecendo. Juntando todos os fatos, só existia uma conclusão. E, mesmo que ele não quisesse admitir, era a mais dolorosa possível.

Como se a cada passo uma adaga se fincasse mais e mais no seu coração, Taehyun pegou um dos porta retratos da cômoda e o fitou. Aimee parecia genuinamente feliz. Os olhos que ele tanto amava brilhavam, demonstrando o melhor dos sentimentos. O homem, que provavelmente era o mesmo da ligação e agora abraçava sua amada por trás, sorria da mesma forma que ela. Os dois pareciam felizes. Felizes por estarem juntos. Felizes por compartilharem o amor. O que foi suficiente para dilacerar totalmente o peito de Taehyun.

Ele ergueu olhar, encontrando a figura de Aimee a encará-lo do corredor. Algo o dizia que ela não estava há pouco tempo ali. O edredom que antes os cobria estava enrolado ao seu corpo, e seu semblante estava completamente diferente daquele da foto que Taehyun tinha em mãos. No lugar da felicidade plena, havia a angústia. A tristeza. A culpa. A aflição. Tudo corrompendo o rosto lindo da mulher que Taehyun amava, mas que agora partira seu coração em milhões de pedaços.

— Por quê? — Ele perguntou num fio de voz.

— Taehyun...

— Por que fui tão idiota em achar que as coisas seriam como antes? Você seguiu em frente e eu fiquei para trás.

Aimee tentou cortá-lo mais uma vez, mas ele soltou uma risada sarcástica.

— Não há lugar para mim na sua realidade, Aimee. Mais do que nunca, eu sou uma bagagem na sua vida. Um fardo a carregar no meio dos seus sonhos.

— Taehyun... — Ela suspirou, as lágrimas rolando incessantemente pelas suas bochechas. Céus, ele desmoronava completamente quando Aimee chorava. — Eu não queria que as coisas tivessem acontecido assim. Eu ainda te amava quando você foi embora. Eu ainda te amo. — Aimee tentou tocar o rosto de Taehyun, mas ele se esquivou, fazendo-a fechar os olhos e suspirar.

— Eu errei em ter ido embora. Foi o maior erro que eu já cometi na minha vida, e tenho certeza que vou me arrepender disso até os meus últimos dias. Mas você errou em me fazer acreditar que ainda tinham chances de dar certo. A nossa noite não significou nada para você?

— Mas é claro que significou!

— Não é o que me parece.

Aimee baixou os olhos e Taehyun encarou o teto. Repentinamente, as lembranças da sua última discussão invadiram a sua mente. Meses atrás, ele e Aimee estavam na mesma sala, gritando no mesmo tom de voz ácido de agora. Mais do que nunca, a distância estava corroendo o fio frágil que simbolizava a relação deles. Cada vez mais, um necessitava a presença do outro. E cada vez mais, tal ato era impossível. O casal já cogitara a ideia de Aimee se mudar para Seoul com Taehyun, mas ele foi incapaz de permitir isso. Não conseguiria conviver com a ideia da sua amada abrir mão dos seus próprios sonhos para ficar ao seu lado. Não suportaria se sentir o responsável por isso.

Seus ciúmes excessivos também não colaboravam para o bom funcionamento da relação. Com sua personalidade forte, Aimee não se entregava e batia de frente com Taehyun, que não aguentava ver sua amada conversando com outro cara que não fosse ele. Tantos fatores contribuíram para o desgaste do relacionamento. Mesmo com a corda quase arrebentando, o amor dos dois nunca foi cessado. Mesmo à distância, mesmo com o tempo, mesmo com as novas oportunidades, o sentimento era tão vívido quanto da primeira vez. Mas, infelizmente, nem sempre ele é suficiente.

— Eu precisava disso — Taehyun comentou, por fim. — Precisava desse choque de realidade. Agora, mais do que nunca, eu percebo que não deveria ter insistindo em algo que não existia mais.

Aimee comprimiu os lábios, seus olhos demonstrando toda a tristeza por precisar passar por aquele momento. Términos nunca eram fáceis para ninguém. Ela acariciou ternamente a barriga por cima da coberta, e o gesto foi suficiente para que Taehyun entendesse a situação.

— Você tem uma família — Ele continuou, seus olhos agora fixos no abdômen de Aimee. Aquilo não podia ser real. — E eu não faço parte dela. 

É necessário enfrentar certos problemas para que seja possível enxergar a realidade com clareza. Não foi diferente com Taehyun. No avião, enquanto encarava as nuvens brancas como algodão através da janela, ele chegou a essa conclusão. Sabia que sua vinda ao Canadá não fora em vão. Precisava fechar esse ciclo da sua vida, deixar essa bagagem para trás para que enfim conseguisse seguir em frente. Se não tivesse passado por aquele choque, ainda estaria fincado ao passado, se alimentando de lembranças que serviam apenas para colocá-lo para baixo e fazer com que sua vida andasse para trás. As coisas não podiam acontecer assim.

Taehyun era muito jovem; tinha uma longa vida pela frente e não merecia interrompê-la por causa de uma garota. Ele precisava viver. Viver como nunca viveu, como nunca sonhou em fazer. Sabia que, sim, seria doloroso esquecê-la e deixar a história que construiu ao lado de Aimee para trás. Mas tinha a ciência de que a dor não duraria para sempre. Ninguém nunca morreu de amor, e ele não seria o primeiro a fazer isso.

Mesmo que não fosse sua intenção, tal decepção amorosa lhe rendeu uma bela canção. Não era exatamente isso que Taehyun fora procurar em Montreal? Talvez não tenha vindo da forma como ele imaginara, mas chegou de forma tão arrebatadora quanto. Ele chamaria de I'm Young. Um título que representasse a fase que, depois de muito tempo, Taehyun finalmente iniciaria.


Notas Finais


postei essa one enquanto ouvia I'm Young e Confession, então já devem saber o estado de lágrimas que me encontro. sim, sentirei muito mesmo a falta do Taehyun, da voz e do rostinho dele junto aos outros meninos do WINNER. mas eu sei que foi para o bem único e exclusivo dele. bom, é o que eu tento acreditar e ignorar a possibilidade da interferência da YG no meio disso. mas, acima de qualquer circunstância, só espero que ele continue fazendo o que ama e esteja sempre cercado de positividade. que consiga se curar de uma vez por toda da sua doença e que continue sua carreira, mesmo que fora da YG e do grupo, se for isso que o fará bem e feliz.
essa oneshot já foi postada há certo tempo na minha conta do wattpad, mas como esclareci nas notas iniciais, mas resolvi postá-la aqui como uma singela homenagem a Nam Taehyun. espero sinceramente que tenham gostado :))
mil beijos, minhas amoras, e todo suporte ao Taehyun e ao WINNER.


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