História 505 - Capítulo 1


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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Personagens Originais
Tags 505, Aoi, Arctic Monkeys, Hetero, The Gazette
Visualizações 9
Palavras 1.909
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Seinen, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Único


 

Ele estava disposto a voltar para sua terra natal para reencontrar alguém que ele provavelmente sentiu saudades durante muito tempo.
O coração de Yuu iria pular para fora se ele não tivesse ido embora antes dos outros e não pegasse aquele avião.
Depois de anos sem vê-la, o moreno não entendia o porquê de estar querendo tanto ver seu amor e infância e não sabia o que aquilo significava ou pelo menos o que ele estava sentindo. Só sabia que precisava pegar aquele avião e voltar àquele lugar outra vez. O lugar em que ele havia crescido.
Havia aproveitado que aquela era a última das turnês da banda e pegou o avião que o levaria até a província no qual nascera. Um voo de sete horas e 45 minutos no carro e então ele a encontraria de novo.
Há tempos, desde que fora embora de Mie para perseguir seu sonho, o moreno deixou Kaori, a namorada por quem fora tanto apaixonado, para trás e nunca tinha ido ver como ela estava.

Shiroyama não era esnobe.

Ele não era mau.

Ele guardava sim, um pouco de mágoas, pois ela não quis ir embora com ele.

Mas isso foi há muito tempo e por várias vezes, as pessoas diziam para ele que ele deveria esquecer. Que deveria perdoar, superar a própria mágoa.

 

Ele não queria, porém, voltar e encontrar algo que ele não esperava.

 

Talvez Kaori estivesse casada e com filhos.

Ou, talvez, ela fosse uma solteirona com gatos.

Uma mulher bem sucedida.

 

A única lembrança dele, porém, e a única que fazia sentido em sua cabeça era ver Kaori esperando, deitada de lado, com as mãos entre as pernas.

 

Então, Yuu finalmente estava de volta. Depois de longas horas em um avião e mais 45 minutos em um carro. Sua viagem até o lugar parecia sem fim, mas ele ainda lembrava exatamente aonde era a casa de sua ex-namorada. A casa, pelo menos, não havia mudado. Talvez ela sequer vivesse mais ali.

Ele bateu a porta.

Logo uma voz, uma voz feminina e familiar veio atendê-lo, junto a um latido também familiar. Não era Kaori, mas a sua mãe, Saiko e o cachorro da família.

 

— Quem é?!

— Sou eu, Yuu!

— Yuu? Qual Yuu?

— Shiroyama Yuu.

 

A mulher mais velha então abriu a porta.

 

— Yuu! Há quanto tempo!

— Matsuyama-san, é um prazer revê-la de novo.

— Quer entrar? — Ela perguntou, simpática.

— Ah, sim. Quero sim.

 

Yuu passou pela porta, um pouco amedrontado pelo latido do cachorro enorme e talvez seu latido fosse pior em seus ouvidos do que uma mordida em sua pele. A senhora Saiko o prendeu e então ambos entraram pela porta da sala da casa.

 

— Pelo que vejo ainda tem medo do Kon, não é? — Riu a senhora.

— Não, não.

— Yuu, você cresceu aqui perto. Pelo visto, quanto a isso você não mudou, mas fisicamente, você mudou muito.

— Para melhor ou pior? — Perguntou, sendo servido com café por Saiko Matsuyama.

— Melhor, é claro. — Riu. — Você está muito bonito. Como foi seu tempo fora? Como foi para você ter alcançado o seu sonho?

— Foi algo difícil, algo pelo que tive que batalhar, mas eu não me arrependo. — Ele respondeu.

— Eu entendo. — Saiko respondeu.

 

O silêncio reinou por uns instantes naquela sala.

Shiroyama tinha que tomar coragem e não ser tímido em relação àquilo. Então, ele fez a pergunta.

 

— E onde está Kaori?

 

Saiko ficou séria de repente e Yuu estranhou aquilo. A mudança de humor da mulher havia sido rápida.

 

— Kaori não está em casa, Yuu. Quer mesmo vê-la?

— Eu quero sim. Eu sei que se passaram muitos anos e que talvez ela não queira me ver, mas eu quero tentar.

— E por que quer ver a minha filha?

— Eu passei muito tempo sem vê-la. E mesmo esse tempo tendo passado e eu tendo conquistado o que eu queria eu ainda não esqueci a Kaori por completo. — Confessou. — Eu queria que ela tivesse vindo comigo e eu fiquei pensando muito mais pela minha visão do que pela dela. Eu ignorei os sonhos da Kaori, ignorei o que ela queria. Talvez o errado seja eu.

— Alguém te disse isso ou você chegou em uma conclusão assim sozinho?

— Meus amigos sempre me diziam coisa parecida. Outros diziam para seguir em frente, mas minha mente não deixou. Eu não consegui deixar de pensar nela.  

— É muito generoso que tenha pensado na minha filha apesar do seu próprio sofrimento, Yuu.

Saiko sorriu.

— Por favor, Matsuyama-san… Me conte onde está a Kaori. Eu preciso vê-la de novo. Precisamos conversar.

 

Saiko desfez o sorriso outra vez, o que estava preocupando a Yuu e ele não sabia o que dizer.

Mas a resposta veio, finalmente.

 

— Kaori está internada, Yuu. Ela está bastante doente.

— Internada? — Ele estava surpreso. — O que ela tem?

 

Saiko suspirou.

— Kaori tem câncer. — A mãe respondeu séria.

— Câncer? — Ele indagou. — Que tipo de câncer?

— Hepático. Infelizmente, ele é metastático ou seja… Se alastrou para outros órgãos.

— Isso significa que… Ela vai morrer?

 

Saiko segurou a primeira lágrima.

— Infelizmente, sim. Ela vai, Yuu. O médico deu 2 meses para a Kaori. E agora só resta 1 mês.

 

Shiroyama estava extremamente sério. Era algo totalmente diferente do que ele tinha esperado.

Kaori não tinha casado, não aparentemente. Não era uma mulher bem sucedida. E também não era solitária e cheia de gatos. Ela estava morrendo e morrendo jovem demais. O que dizer a ela? Evidentemente ele não poderia discutir com ela, não podia magoá-la, não podia falar sobre as próprias frustrações para alguém que estava morrendo porque Shiroyama Yuu não era um homem cruel.

 

— Ainda quer vê-la?

— Sim. Eu quero.

— O horário de visitas é daqui a pouco. Se quiser, posso te levar ao hospital.

— Fica bom assim.

— Se me der licença, vou preparar algo para a Ayame.

— Ayame? Ela é… Filha da Kaori?

— Não? — Saiko riu. — Ela é filha do meu sobrinho Takeshi e está passando as férias conosco. Kaori não se casou, Yuu. Aparentemente, você também não.

Shiroyama riu.

— Não, eu não casei.

— Não apareceu nenhuma moça digna da sua mão? — Riu ela.

— Eu tentei procurar por uma, mas não deu muito certo.

— Assim também aconteceu com Kaori. Ela estudou, se tornou advogada e só focou em trabalho depois dessas más experiências. Mas então ela adoeceu e tudo o que ganhou serve para seu próprio tratamento.

— E ela ganhou muito?

— Não. Ganhou o necessário. Bem, já terminei, Yuu.

— Rápido. — Sorriu.

— Nós não podemos nos atrasar, não é mesmo?

 

A mulher enxugou as mãos e Shiroyama a acompanhou até o hospital, que para surpresa deste, era novo e não era distante. Ele estava tão nervoso quanto estava da primeira vez em que tomara coragem para pedir Kaori em namoro. Não sabia como ela estava, se estaria acordada ou se lembraria dele ainda.

Quando os dois finalmente estavam no quarto 505, entrando com a autorização de um dos médicos, Yuu viu Kaori outra vez.

Kaori obviamente tinha mudado por causa da doença, mas suas feições permaneciam as mesmas e seus olhos ainda encaravam do mesmo jeito intimidador. Ele ainda estava observando, distante. Talvez por medo, talvez por ansiedade.

 

— Kaori, filha. Eu trouxe uma visita comigo.

— Uma visita? Quem é?

— É um amigo, um amigo antigo.

— Que amigo? Sabe que perdi todos os meus amigos, acho que não vou me lembrar.

— Alguém que veio de longe, Kaori. Por favor, deixe-o vir.

— Se é assim…

 

Saiko Matsuyama olhou para trás. Kaori não conseguia vê-lo ainda e então, ele caminhou até ela.

 

— Oi, Kaori. — Ele falou baixo.

— Yuu… Então era você…

— Como você está se sentindo? — Ele não sabia o que perguntar.

— Eu estou doente e surpresa. — Ela respondeu.

 

Saiko os interrompeu.

— Eu vou deixá-los a sós.

 

E então, a mãe de Kaori saiu do quarto.

 

— Chegue mais perto, Yuu. Eu não mordo. — Ela disse. O moreno segurou a risada e se aproximou.  

— Por que está aqui? Soube que eu estava doente e veio me visitar?

— Eu soube que você estava doente há poucos minutos. Não esperava te encontrar assim.

— Eu também não esperava que você fosse me encontrar assim. Você conquistou o que sempre quis, não foi, Yuu?

— Sim. — Ele concordou. — Eu conquistei.

Ela sorriu, apesar do fato de a máscara de oxigênio ocultar sua boca, era visível.

— Você está bem mais bonito. E eu estou horrível, sem cabelo.

— Fora o cabelo, você não mudou. Nada. — Shiroyama disse e isso provocou um riso nela.

— Eu mudei muito, Yuu. Muito. Eu mudei ao ponto de perceber que eu fui uma… Egoísta.

— Eu é quem fui um egoísta, Kaori. — Ele não queria chorar, mas foi inevitável. Shiroyama tinha lágrimas, por mais que não quisesse ter.  — Eu passei tantos anos juntando tanta raiva, tanto rancor em relação a você. Eu simplesmente não queria te perdoar. Mas eu não tinha o que perdoar. Você tinha seus sonhos e eu tinha os meus. Me perdoe por ter te odiado tanto, Kaori.

 

A mão de Kaori, que tinha um oxímetro de dedo em seu indicador, ergueu-se para enxugar as lágrimas de Shiroyama, que segurou a mão com oxímetro e olhou nos intimidadores e belos olhos de Matsuyama Kaori.

 

— Não há o que desculpar, Yuu. Você não tem que se culpar pelo que aconteceu e nem eu tenho que me culpar.

— Kaori, consegue imaginar como teria sido diferente se nós tivéssemos entendido isso? Talvez tudo de ruim que sentíamos um pelo outro pudesse passar.

— É, Yuu. Talvez. Mas nós estamos juntos de novo, não estamos? Nem que seja pela última vez, mas nós estamos. Eu fico feliz hoje por você ter deixado a cidade. Se tivesse ficado ao meu lado teria perdido seu tempo cuidando de alguém que está condenada a morte, de todo o jeito.

— Eh, não diga isso! Se eu tivesse ficado com você, eu teria te amado e ficado com você de todo o jeito. — Yuu a repreendeu.

— Eu sei, Yuu. Você tem um bom coração. — Ela derramou uma lágrima. Kaori estava feliz por ter Yuu ao seu lado outra vez e sorriu, sorriu, apesar de ter uma máscara no rosto. — Yuu, eu queria te dar um abraço, mas não posso.

— Eu também queria. Mas você iria se machucar. Não é uma boa ideia.

— Eu vou morrer de todo o jeito, Yuu. — Riu. — Um machucado a mais não doeria.

— Cale a boca, Kaori. — Ele também riu e então, achou um jeito de calá-la ao remover sua máscara e beijá-la, suavemente.

 

Shiroyama Yuu ainda se lembrava de quando era namorado de Kaori e como fazia para calar a boca dela quando ela falava algo que ele não gostava.

 

— Pelo visto, você ainda lembra. — Ela sorriu.

— Sim, eu lembro de tudo. — Confirmou Yuu. — Foi muito bom te ver outra vez, Kaori. Não sabe o quanto me fez bem.

— Eu digo o mesmo, Yuu. — Ela sorriu, desta vez, sem a máscara de oxigênio.

 

Yuu realmente sentia-se leve e sentia-se bem.

Kaori não se sentia doente. Ela também se sentia leve e livre.

Porque quando olharam-se, depois de muito tempo e se livraram de ressentimentos, estavam se perdoando e se amando de novo.

Era, talvez, a última vez em que Kaori e Yuu estavam se vendo.

A despedida foi silenciosa.

Apertaram-se as mãos e entreolharam-se.

E então, Yuu saiu do quarto de hospital e voltou para a casa em que Kaori costumava morar. E depois para a sua vida, para o seu trabalho ao qual se dedicava tanto.  

 

Ele não se arrependeu de ter voltado para vê-la e de ter entrado no quarto 505 daquele hospital.

 



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