História 53 Edição dos Jogos Vorazes - Capítulo 2


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Coriolanus Snow, Haymitch Abernathy, Personagens Originais
Tags Jogos Vorazes, Personagens Originais, Romance
Exibições 14
Palavras 1.910
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi povo lindo!!!

Depois de muita encheção de saco por parte de algumas criaturinhas muito fofas, eu voltei.

Conheçam Lisa:

Capítulo 2 - Lisa


Fanfic / Fanfiction 53 Edição dos Jogos Vorazes - Capítulo 2 - Lisa

Acordar cedo, me vestir, comer alguma fruta, sair de casa, entrar no caminhão, ir até a floresta, cortar madeira o dia inteiro, voltar para casa tarde da noite, tomar banho e ir dormir, apenas para repetir tudo no dia seguinte.

Era assim que eu vivia, todos os dias, dia após dia. Todos, dias exaustivos e brutais, dando machadadas em árvores até reduzi-las a tocos. Tocos esses que sugavam minha energia e me rendiam desmaios e calos nas mãos, mas que pelo menos me ajudavam a não morrer de fome.

Haviam dias em que eu mal tinha forças para chegar até em casa, quanto mais para comer algo antes de desabar na cama. Na maioria das vezes, eu mal tinha condições de ouvir as notícias obrigatórias. Já tinha levado inúmeras multas por não assisti-los, me fazendo trabalhar cada vez mais para pagá-las.

O dinheiro nunca era muito. Quase nunca sobrava alguma coisa, isso quando eu não acabava endividada, após pagar todas as contas, multas, remédios para minha mãe e comida para nós duas, dificilmente sobrava algo. Não que precisássemos de muito. Sobrevivemos durante anos com o básico, e poderíamos sobreviver ainda mais.

Naquela manhã, o meu dia não foi diferente. Acordei ainda de madrugada, muito antes de o sol sequer pensar em nascer. Coloco uma camiseta de flanela larga e confortável. Fiz o mesmo com a minha calça jeans mais velha e a minha bota desgastada. Ajeitei meu medalhão por debaixo da blusa, e vou até a cozinha comer algo.

- Acho que acordei muito cedo. – Falo comigo mesma. – Ainda vai demorar meia hora para o caminhão chegar.

Sem muita coisa para fazer, vou até o quarto da minha mãe. Ele está com a porta fechada, e eu a empurro levemente, para que não faça barulho e a acorde. Para minha surpresa, quando finalmente termino de abrir a porta, minha mãe está acordada. Seu rosto se ilumina ao me ver, e ela sorri.

Sorrio de volta, e entro em seu quarto, sentando do seu lado na cama. Ela passa um braço ao redor dos meus ombros e me aperta contra ela.

- Não conseguiu dormir? – Pergunto.

Ela assente.

- E pelo visto nem você.

- Acordo essa hora todos os dias. Talvez tenha sido um pouco mais cedo que o normal, mas eu dormi.

- Achei que fosse aproveitar para dormir até mais tarde hoje.

Franzo a testa.

- Como assim?

- Você não lembra?

- Lembro do quê?

Ela olha bem no fundo dos meus olhos.

- Lisa... Hoje é o dia da Colheita.

- O quê?!

Eu faço de tudo para não entrar em pânico, ou pelo menos para não demonstrar isso para minha mãe. Mas eu falho. Não consigo evitar quando meu corpo começa a tremer, a garganta a fechar e minha respiração a ficar difícil e entrecortada. Minha mãe me aninhou no colo dela, fazendo carinho nos meus cabelos curtos, até que eu me acalmasse de novo.

Quando volto a respirar e as lágrimas param, minha mãe deixa um beijo em minha testa.

- Eu sei que você odeia os Jogos, mas não há nada que possamos fazer. Se você for sorteada, vamos lidar com isso na hora, mas não podemos arruinar o dia até lá.

Não concordo totalmente com ela, mas não falo nada. Os Jogos me tiraram amigos, mas acima de tudo, tiraram a minha irmã. Tiraram tudo o que eu e a minha mãe amávamos, e agora podia me tirar dela também. Eu detestava ter que pensar nisso, mas minha mãe piorava mais a cada dia, e eu não sabia quem cuidaria dela se eu por acaso me fosse.

Só de pensar em todas as vidas que a Capital arruinou com seus Jogos ridículos, quase me dá coragem de fazer algo contra isso, mas seria eu sozinha contra as pessoas mais poderosas de Panem, e eu podia ser muitas coisas, mas não era suicida.

- Que horas é a Colheita? – Tomo coragem para perguntar.

- Hoje no início da tarde. O caminhão não vai passar, antes que pergunte.

- Tudo bem.

Levanto-me da cama e vou em direção à porta do quarto.

- Volte a dormir, mãe. Eu vou fazer o almoço.

- Nem pense nisso Lisa! – Ela diz, se levantando da cama com dificuldade. - Você já não é a pessoa mais habilidosa do mundo, e nas condições em que você está é capaz de botar fogo na casa por acidente. – Ela chega até mim e coloca sua mão em meu ombro. – Você acorda todos os dias quase de madrugada, e passa o dia inteiro se esforçando. Você merece descansar, mesmo que só por algumas horas.

Penso em discutir com ela, mas eu sabia que perderia de qualquer jeito, então apenas assinto com a cabeça e volto para meu quarto, deitando em meu colchão fino.

Uma, duas horas se passam, e eu ainda não tinha pegado no sono. A confusão de pensamentos em minha cabeça impedia meu cérebro de adormecer. Tudo se passava em minha cabeça, desde minhas memórias da minha irmãzinha, até como as chances da vida de minha mãe serem arruinadas eram grandes. Eu tinha posto o meu nome mais de trinta vezes na Colheita, para dar um jeito de pagar por tudo. Eu me recusava a deixar minha mãe sem os remédios, ou sem o conforto que ela merecia.

Mas o preço disso era gigantesco, ainda mais que a sorte não andava muito do meu lado ultimamente. Não ousei contar para minha mãe sobre os papeis com meu nome. Era capaz de ela ter um ataque cardíaco.

Não adiantava me lamentar agora. Eu precisava ignorar a culpa e torcer pelo melhor, mesmo que ele parecesse muito distante.

Desisto de tentar dormir, e decido ver como minha mãe estava. Eu não tinha escutado quase nenhum barulho nas últimas horas, então eu deduzia que ela estava se saindo bem. Às vezes eu esquecia que ela era muito ativa antes da doença debilitá-la.

Assim que abro a porta sou tomada por um cheiro inconfundível da sopa da minha mãe. Minha boca chega a salivar. Fazia anos que eu não comia sua sopa com cozido.

Quando entro na cozinha cheia de vapor, ela se vira para mim e sorri.

- Por que não está dormindo? A comida ainda vai demorar a ficar pronta.

Dou de ombros e pego uma amora.

- Não consegui dormir. Acho que não estou acostumada.

- Então vem aqui me ajudar.

Jogo a amora na boca e vou até a bancada.

Passamos as quatro horas seguintes rindo, cozinhando, conversando e relembrando histórias do passado. Parecia que o tempo havia parado, e eu desejava que isso tivesse acontecido, desejava que aquele momento fosse gravado, e que eu pudesse reviver ele sempre que quisesse. Mas infelizmente a vida não funciona assim.

A sopa e o cozido estavam ainda melhores do que eu lembrava. Talvez fosse porque eu não os comia há muito tempo, mas algo me dizia que minha mãe havia se superado de propósito.

Depois do almoço, fiz minha mãe deitar para descansar um pouco enquanto eu lavava a louça e arrumava a cozinha. Cuidei de tudo com extrema calma e cuidado, para adiar o máximo possível ficar sem o que fazer. Não sabia lidar com o tempo livre, não estava acostumada com ele.

Mas como tudo tem um fim, a minha ocupação também o teve. Logo me vi cercada pelo silêncio, com apenas as paredes para me ouvir. Será que era assim que minha mãe se sentia todos os dias? Como se tivesse sido abandonada? Eu nunca tinha parado para pensar nisso. Não era nem de longe uma sensação agradável.

Desistindo de ficar sozinha, decido me cercar de um pouco de barulho e algo para fazer.

Encho a banheira com água quente, mesmo que esteja calor lá fora, e me permito afundar na água, tomando o melhor e mais calmo banho que eu já tinha tido em meses. Foi um sacrifício ter que sair da banheira, mas meus dedos já estavam tão enrugados que poderia me passar por uma velhinha. Rio com o pensamento ridículo, e visto a mesma roupa de antes.

Dessa vez, quando entro em meu quarto, minha mãe está lá, me esperando. Eu a encaro, confusa, até que ela puxa um pacote de trás de si, e o estende para mim. Meio vacilante, pego o embrulho e o abro, revelando o que ele escondia em seu interior.

Maravilhada, vejo que o pacote trazia um vestido de cetim vermelho. O vestido era relativamente curto, batendo na altura do joelho. Suas mangas iam até os cotovelos, e ele possuía uma faixa na altura da cintura.

Alterno meu olhar entre minha mãe e o vestido, tentando procurar as palavras que haviam fugido de mim, mas minha mãe foi mais rápida.

- Ele era meu quando eu tinha a sua idade. Achei que você gostaria de se arrumar um pouco, nem que fosse só por hoje.

Eu salto em seu colo e a abraço apertado, tomando cuidado para não amassar o vestido. Ela sorri para mim. Um sorriso sincero. E é por esse sorriso sincero que coloco o presente, mesmo que não esteja acostumada com vestidos.

E para minha surpresa, quando termino de me arrumar eu me sinto quase confortável no vestido justo. Não era algo que eu usaria todos os dias, mas também não era horrível e insuportável.

Vejo que minha mãe estava me observando e sorrio para ela. Ela sorri de volta, estendendo a mão para mim.

- Vamos?

Assinto, pegando sua mão. Saímos de casa conversando entre nós mesmas e com alguns vizinhos. Por mais que tentássemos não demostrar, nossos sorrisos encobriam nosso medo, assim como a nossa esperança.

Chegando na prefeitura, despeço-me de minha mãe com um abraço e uma promessa de que ficaria tudo bem. Uma promessa que eu não sabia se poderia cumprir.

Entro na fila mais próxima, deixando que o pacificador rude agarre minha mão e tire um pouco de sangue dela.

Como sou uma das últimas a chegar, corro até meu lugar antes que a Colheita comece. A última coisa que eu precisava era dar problemas para minha mãe.

Logo a cerimônia começou. O mesmo vídeo ridículo de todos os outros anos, as mesmas palavras ridículas das pessoas da Capital, e José Gusmão, nosso último campeão. O Distrito Sete não ganhava os Jogos já tinha um bom tempo, então nós éramos obrigados a aturar o homem com cara de esquilo fazia alguns anos.

Quanto mais o tempo passava, mais nervosa eu ficava. Eu mal podia esperar para aquela tortura acabar logo. E então eu iria para casa com mamãe, e nós comeríamos mais cozido e sopa e...

Um ataque de tontura quase me derruba, mas tenho forças o suficiente para me apoiar na garota à minha frente, que vira e me dá um olhar confuso. Faço um sinal qualquer para ela, e ela para de prestar atenção em mim.

“Agora não, Lisa.” Falo para mim mesma. “Você não pode e não vai desmaiar agora.”

Depois de um tempo, consigo me erguer novamente, só para ver Gusmão ao lado da urna com o nome das garotas.

- Já que não temos nenhuma voluntária, vamos ao sorteio! – Diz ele, me deixando nervosa.

O mundo pareceu andar vinte vezes mais devagar enquanto ele pegava um dos papéis e o abria. Mas mesmo assim não foi devagar o suficiente.

- Lisa Asciamon. – Foi o nome que ele chamou.

E esse foi o momento em que eu desmaiei. 


Notas Finais


E foi isso!
Espero que tenham gostado!!!

Um bjim no core de todos vocês e até a próxima!!!!


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