História 62 Dias - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Drama, Naruto, Romance, Suspense
Visualizações 216
Palavras 2.732
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, Olá! Bom, aqui estou eu com mais um capítulo, yey! Primeiramente queria dizer que eu não sei qual vão ser os dias exatos, ou de quantos em quantos dias eu vou postar novos capítulos, porque eu ando ocupada com o trabalho, etc.., mas prometo que vou me esforça para dedicar minhas horinhas livres para a história. Boa leitura, pessoinhas!

Capítulo 3 - Surpreendida


Despejei o conteúdo do pequeno bule em uma xícara de porcelana e levei-a para Ino, que estava deitada e de olhos fechados no sofá. Me aproximei devagar e toquei seu ombro. Ela franziu um pouco as sobrancelhas, mas abriu os olhos.

— Acho que meu cérebro descolou — sussurrou ela, sentando-se. — Porque eu juro que posso senti-lo se movimentando de um lado para o outro na minha cabeça como se fosse uma bola de ping-pong.

Eu lhe dei a xícara e sentei-me ao seu lado.

— Então sua dor de cabeça está pior?

Ela fez uma careta quando viu o que tinha dentro da xícara.

— Odeio chá — disse ela, e depois olhou para mim. — E estou me sentindo péssima, sim, obrigada.

— Vou poupar você de ouvir aquela frase que você conhece muito bem — eu disse sarcasticamente.

Ino acenou positivamente com a cabeça e bebericou o chá. Ela respirou fundo, apertou os olhos e bebeu tudo de uma vez. Como eu já imaginava, ela se engasgou e começou a tossir. Peguei a xícara de suas mãos e coloquei-a na superfície de vidro da mesa de centro. Depois de alguns instantes em silêncio, Ino levantou-se de repente.

— Acho que vou vomitar — anunciou ela.

Não tive tempo de lhe dar uma resposta, porque no segundo em que abri a boca ela disparou em direção ao banheiro. Relaxei assim que ouvi a porta bater. Mesmo sabendo que ela não ouviria, sussurrei um "Eu avisei." de qualquer maneira. 

Diferente da maioria das pessoas que enxiam a cara em um dia e no outro esqueciam de tudo, Ino lembrava muito bem do que acontecera na noite anterior. Ela sabia que seu breve romance — se é que pudesse ser considerado um romance — com Kiba não existia mais, e que discutira com o barman da À Última Noite — e que provavelmente não poderíamos dar as cara por lá nem tão cedo por causa disso. E, para minha surpresa, ela lembrava de ter me visto junto de um homem alto perto do banheiro feminino.

Depois de ter ajudado Ino a encontrar sua cama na véspera e ter tomado um banho demorado; já devidamente aconchegada em minhas cobertas, eu pensei em meu breve contato com o estranho de olhos negros. Imagens de seu rosto encheram minha mente — maçãs do rosto alta, queixo pontudo e maxilar quadrado, nariz pequeno e levemente arrebitado. Um rosto que fora feito exatamente para isso — para fazer quem quer que olhasse para ele não o esquecer depois. Lembrei-me da sensação de suas mãos em minha pele — uma sensação quente, que parecia ter penetrado o tecido leve de meu vestido e se espalhado por todo meu corpo — aquilo nunca tinha acontecido comigo antes. E lembrei-me da escuridão de seus olhos e em como me senti exposta quando olhei dentro deles. Não contei nada disso para Ino.

— E então, vai me dizer quem era o cara que você estava conversando ontem à noite? — Eu estava tão concentrada em meus pensamentos que não notei que Ino já havia voltado. Ela ainda estava um pouco verde, mas sua voz parecia mais firme.

— Não estávamos conversando — falei. — E eu já te disse, eu não sei quem ele é. Apenas aconteceu de ele por acaso estar passando na mesma hora em que eu iria cair de bunda no chão. 

— E você pelo menos perguntou o nome dele?

— Mal tivemos tempo para conversar. Ele ouviu sua discussão e me alertou. Tive de ir até você ou você acabaria sendo expulsa dali aos pontapés.

— Ah, então foi assim — Ino parecia decepcionada. Mas de repente seu rosto se iluminou. — Talvez você o encontre novamente — ela disse, animada com a ideia.

— Eu não contaria com isso. Ele era uma daquelas pessoas que você só vê uma vez na vida, se tiver sorte. E além do mais, acho que a boate agora está interditada para nós. 

Ela abriu um sorriso.

— Então ele era bonito? — Perguntou. 

— Era, sim — admiti.

Ela gostou do que ouviu.

— Como ele era? Talvez eu o conheça. 

— Nem pense nisso.

— Você não quer vê-lo novamente? 

— Você já sabe a minha resposta. 

Ino suspirou e se jogou no sofá.

— Vou me encontrar com Tenten, Hinata e Temari daqui a uma hora — disse ela, optando por esquecer o assunto por ora. — E você vai vir comigo, é claro.

— Você não estava de ressaca?

Ino sorriu.

— Estava, sim.

Ela levantou-se de um salto, me abraçou rapidamente e correu para seu quarto.

Encostei as costas no enorme sofá de couro escuro de nossa sala de estar e examinei o ambiente. O apartamento onde nós morávamos fora um presente dos pais de Ino. Eles tinham acabado de ir embora quando eu voltei para Konoha. Ino fora a primeira pessoa que eu entrei em contato para dar a notícia. Seus pais, aos saberem que eu estava me mudando com apenas duas malas médias e uma quantidade boa de dinheiro, porém ainda não o suficiente para alugar algum lugar para ficar, foram bondosos o bastante para me emprestar — eu pensava naquilo como algo emprestado, não dado completamente de graça — um lugar para morar. Ino viera imediatamente morar comigo. 

O edifício onde vivíamos era mediano, de concreto, aço e vidro. Apenas Ino, eu e mais um desconhecido morávamos ali. Nós não víamos o outro inquilino e não fazíamos de quem ele — ou ela — era. Sabíamos que ele — ou ela — morava no andar de cima, mas apesar de termos tentado descobrir algo sobre ele — ou ela — alguma vezes, nunca obtivemos sucesso nisso.

Nosso apartamento tinha uma decoração simples, mas um pouco exótica. Os papeis de parede tinham cores chamativas e estilos diferenciados. Uns eram só coloridos, ou com desenhos de alguma coisa que Ino gostava; e outros eram apenas claros — sugestões minhas. A sala de estar era quase toda tomada por um sofá-cama, que era ladeado por duas poltronas reclináveis da mesma cor escura. Uma larga mesa de centro ficava no meio de tudo.

Ouvi passos vindo do corredor e virei a cabeça para olhar ao mesmo tempo que Ino surgia na sala de estar. Ela usava uma blusa listrada preta e branca de mangas compridas que não chegava à cintura, calça jeans justa e botas de cano médio marrom. O cabelo comprido estava preso em um rabo de cavalo no alto de sua cabeça. 

— E lá vamos nós — murmurei. 

Ino estacionou seu Porsche em uma vaga de estacionamento nos fundos de uma cafeteria que costumávamos frequentar bastante. Do lado de dentro, esperando-nos em uma grande mesa, estavam Hinata, Tenten e Temari. Todas abriram sorrisos calorosos e de boas-vindas para nós. 

— As coisas na biblioteca de Tsunade parecem estar indo muito bem para você, hein, Sakura? Mal tem tempo para sair com a gente — Comentou Tenten. Por um segundo, pensei que ela estava sendo irônica. Mas quando olhei em seus olhos e vi que ela estava verdadeiramente feliz por mim, me senti um pouco culpada. 

— É, estão sim — falei.

— E como você está, Ino? — Perguntou de repente Hinata. Ela piscou para mim quando nossos olhares se cruzaram.

— Muito melhor do que você imagina, baby — começou Ino. Hinata fizera a pergunta que ela estava esperando. Ino começou a contar-lhe tudo o que eu já sabia. Tenten voltou-se para elas, interessada.  

— Estamos muito felizes por ver você — disse Temari, sorrindo. 

— Eu deveria ter mantido contato, eu sei.

— Não se preocupe, não estamos chateadas — garantiu ela. 

— Deveriam estar.

— O que importa é que estamos juntas, você não acha? 

— Tem razão — concordei. 

Temari sorriu. 

— O que vocês duas estão cochichando aí? — Interviu Tenten.

— Achamos que seria muito mais benéfico conversar sobre qualquer outra coisa do que ouvir sobre a vida sexual exageradamente ativa de Ino — provocou Temari.

Todas nós rimos.

— Oh, cara, isso é sério? — disse Ino, olhando para algo além de nossas cabeças.

— O que foi? — Perguntei.

Ela apontou discretamente para frente. E lá estavam Rock Lee e Kiba. Nossa mesa estava coincidentemente posta de frente para a entrada da cafeteria. Quem entrasse, mais por força do hábito do que por curiosidade, olharia em nossa direção. E foi exatamente o que aconteceu. Olhei para Ino, mas ela parecia estar muito calma. Talvez só tenha se surpreendido com a chegada de Kiba e nada mais. Eu já estava pensando no que fazer caso eles decidissem se aproximar quando ambos se sentaram em uma mesa e ignoraram completamente nossa presença.

— Mas o que ele está fazendo aqui? — disse eu, fuzilando as costas de Kiba com o olhar.

— Eu o trouxe aqui algumas vezes — falou Ino.

— Normalmente, quando um relacionamento acaba, não é natural ambas as partes evitarem de ir aos lugares que costumavam ir juntos? Sabe, para não acontecer uma situação como essa — disse Hinata. 

Ino olhou para ela.

— Não estávamos namorando. E eu não iria parar de vir aqui.

— Ah, eu sei — Hinata assentiu. — É só que, para mim, chamar o que vocês tinham de relacionamento é mais conveniente do que chamar de sexo ao acaso, sabe. 

Eu ri.

— Minha nossa — sussurrou Tenten.

Olhamos para ela.

— Olhem discretamente para minha esquerda, meninas — pediu Tenten.

Todas nós olhamos ao mesmo tempo, de uma maneira nada discreta. Sentado em uma mesa, sozinho, lendo tranquilamente um jornal, estava um homem perigosamente familiar. Meu coração falhou por alguns milésimos de segundos e abruptamente voltou a vida com força máxima. O homem que me impedira de se estatelar no chão na noite passada estava sentado a três mesas de distância de onde eu e minhas amigas estávamos. Como se ele tivesse escutado meus pensamentos, seus olhos desgrudaram-se do jornal e encontraram os meus. Apesar de ter virado o rosto para o outro lado no mesmo instante, vi uma chama de reconhecimento arder em seus olhos. 

Temari assoviou baixinho.

— Nunca o vi por aqui — disse Hinata.

— Deve ser novo na cidade, tenho certeza — presumiu Tenten.

— Ele tem cara de que sabe direitinho como se fazer uma mulher ter um bom orgasmo — avaliou Ino, ainda olhando para ele.

— Credo, Ino — disse Temari, fingindo estar horrorizada. — É só isso que você enxergar quando olha para um homem bonito?

Ino mostrou a língua. 

Olhei novamente para ele e um arrepio subiu pela minha coluna. Ele estava olhando também. Me senti um pouco aliviada ao constatar que Ino não fazia ideia de quem ele era — o que significava que ela realmente não vira seu rosto ontem à noite. Isso era bom. Minhas amigas ainda lançavam alguns olhares em sua direção, mas não tanto quanto eu. Eu só esperava estar sendo cautelosa.

— Com licença — pediu uma voz familiar. — Posso falar com você por um momento, Sakura?

Olhei para cima e, em pé bem ao meu lado, estava Lee. Ele parecia desconfortável ali, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans clara. Olhei para minhas amigas e depois voltei a olhar para ele, assentindo. Ino contara para elas o que acontecera na véspera. Apesar de Lee não ter culpa pelo o que seu amigo idiota fizera, as garotas pareciam não gostar muito dele. Ele me levou para uma mesa que ficava bem afastada das demais e, como um cavalheiro, puxou a cadeira para eu poder me sentar. Lee tinha um cabelo preto que lhe cobria as orelhas, olhos grandes e um rosto redondo — sua aparência contrastava com sua personalidade amigável.

— Queria me desculpar pelo o que aconteceu ontem à noite — começou ele. — E se serve de consolo para Ino, eu já repreendi Kiba. Na verdade, imaginamos que ela iria aparecer por aqui hoje, por isso viemos. Ele queria se desculpar também.

— Ele pode tentar se desculpar, mas não acho que vá adiantar de muito, no entanto — falei. — Ino é meio rancorosa.

Lee pensou no que eu disse por alguns instantes.

— Acha que eventualmente ela irá perdoá-lo?

— Talvez — menti. 

— Eu sinto que não causei uma boa impressão também — disse ele. 

Eu sorri.

— Não foi bem assim.

Ele sorriu também.

— Admito que me surpreendi ao ver você aqui hoje. Você está quase sempre na biblioteca de Tsunade.

Não fiquei surpresa por Lee saber que eu não saía muito — era obvio que as pessoas saberiam de coisas assim morando em uma cidade tão pequena. Mas ainda assim fiquei um pouco incomodada. Isso queria dizer que ele andava prestando atenção em mim, não queria? 

— Bom, às vezes é bom sair do cativeiro por algumas horas, não acha?

Lee riu. Surpreendentemente, ele era uma pessoa bastante agradável. Não havíamos trocado muitas palavras na véspera, então não pude deduzir muito sobre ele. Mas como eu já havia notado, ele era alguém fácil de lidar.

De repente, Lee se aproximou um pouco para pôr uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. Assim que seus dedos roçaram minha pele, me senti pouco à vontade. Tentei não me afastar imediatamente para não magoá-lo. Mas também não queria que ele pensasse que aquilo não me incomodava. Então fingi que estava tentando encontrar uma posição mais confortável em minha cadeira para me afastar discretamente de seu toque. 

— Gostaria de saber mais sobre você, sabe — Seus olhos voltarem-se para a direção que eu imaginei estar Kiba. — Mas pode ser outra hora, não pode?

— Claro — eu disse automaticamente, depois me arrependi. Mas era tarde demais para tentar corrigir alguma coisa. Lee já tinha se levantado e se juntado a Kiba. Ele acenou para mim antes de ir embora. 

 Ino me lançou um olhar perscrutador quando me sentei ao seu lado. 

— Lee só queria desculpar-se por ontem — eu disse rapidamente. 

— Kiba também veio pedir desculpas.

— Você o desculpou?

— Claro — disse ela. — E depois mandei-o se foder.

— Bom, já é um começo — falei.

— Kiba parece gostar de você — observou Ino. 

— Ele não faz muito o meu tipo — falei.

— E você tem um tipo? — Quis saber Temari.

Rimos todas juntas.

E o resto da tarde passou lenta e tranquilamente. Eu tinha esquecido do quanto eu adorava ficar junto de minhas amigas, do quanto eu sentia falta delas. Só fomos perceber que já estava tarde demais quando um dos garçons veio nos dizer que a cafeteria estava para fechar. Surpreendidas, olhamos ao redor e éramos as únicas pessoas por ali. Todas rimos e nos encaminhamos para a saída. Demos um abraço em grupo sufocante antes de irmos embora.

Ino fora dormir assim que chegamos. Fiquei deitada no sofá por um pouco mais de tempo, lendo um livro. Eu estava prestando total atenção na leitura quando ruídos estranhos, vindos do andar de cima, quebraram minha concentração. Fiquei paralisada por alguns segundos, pensando que um ladrão havia invadido o lugar. Levantei-me devagar, meu corpo todo em alerta. Então lembrei da terceira pessoa que morava ali e me acalmei. Pensei no que poderia acontecer caso eu fosse dar uma olhada. A pessoa que vivia no andar de cima poderia ser até mesmo um assassino, ou coisa pior, refleti. Dei de ombros, joguei o livro no sofá e me dirigi para fora. Ino e eu nunca havíamos dados as boas-vindas corretamente.

Subi as escadas que levavam ao andar de cima sentindo-me estranhamente corajosa. Bati timidamente na porta de madeira e ela se abriu alguns instantes depois de eu ter batido. Levantei a cabeça para olhá-lo — ele era alto — e perdi o fôlego.

— Você realmente está em toda parte, não é? 

Não consegui dizer nada. Eu estava chocada. Aquilo era mesmo possível? Ele se aproximou de mim e meu coração quase saiu pela boca. 

— Eu ouvi ruídos — disse depois de alguns segundos, minha voz baixa demais. 

Ele sorriu novamente.

— Desculpe se a acordei — falou. Ele baixou os olhos e eu corei ao lembrar que estava vestindo apenas um baby doll minúsculo com estampa de corações. — Estou trocando alguns moveis de lugar. 

— Tudo bem, eu não estava dormindo — falei morrendo de vergonha.

— Sua pele fica linda com este vermelho cobrindo-a assim — Disse ele. Sua mão grande acariciou delicadamente minha bochecha. 

— O-Obrigada — gaguejei feito uma idiota, meu corpo todo esquentando. Qual era o meu problema? Ele só estava tocando a minha bochecha. 

Ele riu.

— Não está com frio? — Ele perguntou, olhando-me novamente de cima a baixo, já se movendo para o lado.— Gostaria de entrar?

— Eu estou bem — eu disse, corando ainda mais. Eu estava me sentindo bastante quente. Mas não iria dizer isso para ele.

E ele estava me convidando para entrar. Para entrar. Ele arqueou as sobrancelhas quando eu dei alguns passos para trás. Apressei-me em lhe dar as costas rapidamente. Senti seu olhar queimando em minhas costas, mas não olhei para trás, porque eu sabia que se o fizesse, eu voltaria e aceitaria sua oferta. Assim que saí de sua vista, praticamente corri. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado e até a próxima!


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