História 62 Dias - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Naruto, Sasusaku
Exibições 146
Palavras 3.415
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, Olá! Bom, aqui estou eu com mais um capítulo, yey! Primeiramente queria dizer que, eu não sei qual vão ser os dias exatos, ou de quantos em quantos dias eu vou postar novos capítulos, porque eu ando ocupada com o trabalho etc.., mas prometo que vou me esforça para dedicar minhas horinhas livres para a história. Boa leitura, pessoinhas!

Capítulo 3 - Surpreendida


Despejei o conteúdo do pequeno bule em uma xícara de porcelana e levei-a para Ino, que estava deitada e de olhos fechados no sofá. Me aproximei devagar e toquei seu ombro. Ela franziu um pouco as sobrancelhas, mas abriu os olhos.

— Acho que meu cérebro descolou — sussurrou ela, sentando-se. — Porque eu juro que posso senti-lo se movimentando de um lado para o outro na minha cabeça como se fosse uma bola de ping-pong.

Eu lhe dei a xícara e sentei-me ao seu lado.

— Então sua dor de cabeça está pior?

Ela fez uma careta quando viu o que tinha dentro da xícara.

— Odeio chá — disse ela, e depois olhou para mim. — E estou me sentindo péssima, sim.

— Vou poupar você de ouvir aquela frase que você conhece muito bem — eu disse sarcasticamente.

Ino acenou positivamente com a cabeça e bebericou o chá. Ela respirou fundo, apertou os olhos e bebeu tudo de uma vez. Como eu já imaginava, ela se engasgou e começou a tossir. Peguei a xícara de suas mãos e coloquei-a na superfície de vidro da mesa de centro. Depois de alguns instantes em silêncio, Ino levantou-se de repente.

— Acho que vou vomitar — anunciou ela.

Não tive tempo de lhe dar uma resposta, porque no segundo em que abri a boca ela disparou em direção ao banheiro. Relaxei assim que ouvi a porta bater.

Diferente da maioria das pessoas que enxiam a cara em um dia e no outro esqueciam de tudo, Ino lembrava muito bem do que acontecera na noite anterior. Ela sabia que o que ela e Kiba tinham não existia mais, e que discutira com o barman da À Última Noite. E, para minha surpresa, ela lembrava de ter me visto junto de um homem alto perto do banheiro feminino.

Depois de ter ajudado Ino a encontrar sua cama na véspera e ter tomado um banho demorado; já devidamente aconchegada em minhas cobertas, eu pensei em meu breve contato com o estranho de olhos negros. Imagens de seu rosto encheram minha mente — maçãs do rosto alta, queixo pontudo e maxilar quadrado, nariz pequeno e levemente arrebitado. Um rosto que fora criado exatamente para isso — para fazer quem quer que olhasse para ele não o esquecer depois. Lembrei-me da sensação de suas mãos em minha pele — uma sensação quente, que parecia ter penetrado o tecido leve de meu vestido e se espalhado por todo meu corpo. E lembrei-me da escuridão de seus olhos e em como me senti exposta quando olhei dentro deles. Obviamente, não contei nada disso para Ino. 

— E então, vai me dizer quem era o cara que você estava conversando ontem à noite? — Eu estava tão concentrada em meus pensamentos que não notei que Ino já havia voltado. Ela ainda estava um pouco verde, mas sua voz parecia mais firme.

— Eu já te disse — falei. — Não era ninguém.

Ela me olhou de cara feia.

— Você sabe que não sabe mentir — acusou ela.

— Eu não fazia ideia de que quando lhe dou as costas você sonda meus passos — eu disse. 

— Eu olhei por acaso — disse ela na defensiva. — Você estava demorando demais.

— Eu ia cair e ele me ajudou — contei. — Só isso.

— É mesmo? — Perguntou Ino, interessada demais. — E você perguntou o nome dele?

— Mal conversamos — falei. — Ele ouviu sua discussão com o barman e me alertou. Tive de ir até você ou você acabaria sendo expulsa dali aos pontapés.

— Ah, então foi assim — Ino parecia decepcionada. Mas de repente seu rosto se iluminou. — Talvez você o encontre novamente — ela disse, animada com a ideia.

— Eu não contaria com isso. Ele era uma daquelas pessoas que você só vê uma vez na vida, se tiver sorte.

Ela abriu um sorriso.

— Então ele era bonito?

Eu não consegui não sorrir também.

— Era, sim — admiti.

Ela gostou do que ouviu.

— Como ele era? Acho que consigo encontrá-lo.

— Nem pense nisso.

— Você não quer vê-lo novamente? — Ela quis saber, franzindo o cenho.

— Isso é irrelevante — eu disse. — Não tenho tempo para isso agora. 

Ino suspirou e se jogou no sofá.

— Você é virgem, não é? — Ela perguntou do nada.

Completamente pega de guarda baixa, eu corei.

— O que a resposta para esta pergunta vai mudar em sua vida? — Ino me conhecia tão bem que ignorou completamente minha tentativa de parecer indiferente e inabalável quanto a minha vida sexual inexistente.

— Você quer ser virgem para sempre? — Ela continuou.

— Você acha mesmo que eu vou fazer sexo com qualquer um?

Ela deu de ombros.

— É só sexo, não é? — Ela viu minha expressão de repudio e exclamou: — Ai, meu Deus, Sakura! Você não é mais uma adolescente. Não me diga que está se guardando. 

Eu corei novamente.

— Na nossa idade, é praticamente impossível encontrar um homem bonito e gostoso disposto a ter um relacionamento sério, se quer saber minha opinião — disse Ino. 

— Isto é questão de ponto de vista — argumentei. — Sempre se acha o que se procura. 

Ino deu de ombos.

— Por ora, eu passo — falou. E então pareceu lembrar-se de algo de repente. — Você está livre hoje, não está?

— Sim — respondi. — Por que?

— Vou me encontrar com Tenten, Hinata e Temari daqui a uma hora — disse Ino. — E você virá comigo.

— Você não estava de ressaca?

Ino sorriu.

— Estava, sim.

Ela levantou-se de um salto, me abraçou rapidamente e correu para seu quarto.

Encostei as costas no enorme sofá de couro escuro de nossa sala de estar e examinei o ambiente. O apartamento onde nós morávamos fora um presente dos pais de Ino. Eles tinham acabado de ir embora quando eu voltei para Konoha. Ino fora a primeira pessoa que eu procurei para dar a notícia. Seus pais, sabendo que eu estava me mudando com apenas duas malas médias e uma quantidade boa de dinheiro, porém ainda não o suficiente para alugar algum lugar para ficar, foram bondosos o bastante para me emprestar — eu pensava naquilo como algo emprestado, não dado completamente de graça — um lugar para morar. Ino viera morar comigo, mesmo ainda tendo a casa que morou com seus pais a sua disposição. 

O prédio onde vivíamos era mediano, de concreto, aço e vidro. Apenas Ino, eu e mais um desconhecido morávamos ali. Nós não víamos o outro inquilino e não fazíamos ideia de sua aparência ou identidade. Sabíamos que ele morava no andar de cima, mas apesar de termos tentado descobrir mais sobre ele, nunca tivemos sucesso nisso — ele era cuidadoso e silencioso demais.

Nosso apartamento tinha uma decoração simples, mas exótica. Os papeis de parede tinham cores e estilos diferenciados. Uns eram coloridos, floridos ou com desenhos de alguma coisa que Ino gostava, e outros eram apenas azuis ou brancos — sugestões minhas. A sala de estar era quase toda tomada por um sofá-cama, que era ladeado por duas poltronas reclináveis da mesma cor escura. Uma larga mesa de centro ficava no meio de tudo.

Ouvi passos vindo do corredor e virei a cabeça para olhar ao mesmo tempo que Ino surgia na sala de estar. Ela usava uma blusa listrada preta e branca que não chegava à cintura, calça jeans justa e botas de cano médio marrom. O cabelo comprido estava preso em um rabo de cavalo no alto de sua cabeça. Ela pôs a mão direita no quadril e indagou:

— Você está pronta? — Ela me avaliou por alguns instantes e completou. — Eu imaginei que não. Tome.

Ino me jogou uma saia preta extremamente justa e uma blusa branca no estilo cigana. Não contestei, apenas me troquei de uma vez. A blusa era bem pequena, mas a saia que Ino me dera era uma daquelas saias de cintura alta, então não tive problemas com isso.

Quando já estávamos no Porsche de Ino, a caminho de onde nossas amigas estavam, eu disse:

— Posso saber o motivo disso tudo?

— Essas roupas ficaram ótimas em você, sabia? — Disse ela, os olhos na estrada. — A saia mostra muito bem suas curvas. E você tem um cintura chocantemente fina, Sakura. Tem se alimentado bem? 

Meus olhos imediatamente se fecharam em minúsculas fendas.

— Não está planejando algo similar à ontem, está? — Perguntei desconfiada.

Ela desgrudou os olhos da estrada por alguns segundos para olhar para mim.

— Não, não estou — disse ela.

Encarei seu rosto em silêncio. Ela parecia estar falando a verdade.

— E o que exatamente tem para hoje?

Ela abriu um sorriso.

— Só uma tarde com as amigas — falou. — Quanto tempo faz que você não vê as garotas? — Perguntou ela.

— Não faz tanto tempo assim — falei na defensiva. A verdade era que fazia um tempo, sim. Eu andava tão imersa em meu trabalho que se não fosse por Ino lembrando-me de que minha vida não girava em torno da biblioteca, eu continuaria a recusar os pedidos de nossas amigas para sair sem nenhum arrependimento. Me senti culpada de repente. Eu era tão obcecada assim pelo trabalho?

— Ainda bem que você me tem em sua vida — disse Ino.

— Nisto você tem razão.

Ela sorriu.

Ino estacionou seu Porsche em uma vaga de estacionamento nos fundos de uma cafeteria que costumávamos frequentar. Do lado de dentro, esperando-nos em uma mesa no canto lateral do estabelecimento pequeno e familiar, estavam Hinata, Tenten e Temari. Todas abriram sorrisos calorosos e de boas-vindas para nós. 

— As coisas na biblioteca de Tsunade parecem estar indo muito bem para você, hein, Sakura? — Comentou Tenten. Por um segundo, pensei que ela estava sendo irônica. Talvez por eu ter sido uma péssima amiga. Mas quando olhei em seus olhos e vi que ela estava verdadeiramente feliz por mim, me senti culpada novamente.

— É, estão sim — consegui dizer.

— E como você está, Ino? — Perguntou de repente Hinata. Ela piscou para mim quando nossos olhares se cruzaram.

— Muito melhor do que você imagina, baby — começou Ino. Hinata fizera a pergunta que ela estava esperando. Ino começou a contar-lhe tudo o que eu já sabia.

— Estamos muito felizes por ver você — disse Temari, sorrindo. Temari era uma daquelas pessoas que não externava muitas emoções, mas que podia ser dolorosamente sincera e direta quando o fizesse. Senti um nó na garganta quando olhei seu rosto. — Não se preocupe, não estamos chateadas.

— Eu tenho sido horrível com vocês — sussurrei.

Ela pôs uma mão em meu ombro.

— Você sempre amou ler livros — disse ela.

— E nunca fui boa em conciliar coisas — falei.

— Você está totalmente proibida de continuar se lamentando deste jeito — decretou ela. — Estamos aqui para jogar conversa fora e nos divertimos. E você não vai estragar isso, fui clara?

— Como o primeiro raio de sol entrando pelas frestas de uma janela.

Temari sorriu.

— O que vocês duas estão cochichando aí? — Perguntou Tenten.

Percebi que Temari e eu estávamos inclinadas uma para outra, como se estivéssemos compartilhando um segredo absoluto. Sorrimos.

— Achamos que seria muito mais beneficiador conversar sobre qualquer outra coisa do que ouvir sobre a vida sexual exageradamente ativa de Ino — provocou Temari.

Todas nós rimos.

— Ah, não — murmurou Ino.

— O que foi? — Perguntei.

Por reflexo, olhei para frente. E lá estavam Rock Lee e Kiba. Nossa mesa estava coincidentemente posta de frente para a entrada da cafeteria e no centro do salão. Quem entrasse, mais por força do hábito do que por curiosidade, olharia em nossa direção. E foi exatamente o que aconteceu. Olhei para Ino, mas ela parecia estar muito calma. Talvez só tenha se surpreendido com a chegada de Kiba e nada mais. Eu já estava pensando no que fazer caso eles decidissem se aproximar quando ambos se sentaram em uma mesa e ignoraram completamente nossa presença.

— Me pergunto o que ele está fazendo aqui — disse eu.

— Eu o trouxe aqui algumas vezes — disse Ino.

— Normalmente quando um relacionamento acaba, ambas as partes evitam de ir aos lugares que costumavam ir juntos — pronunciou-se Hinata. — Estranho ele estar por aqui, sabendo que você provavelmente continuaria vindo aqui normalmente.

Ino olhou para ela.

— Não estávamos namorando. 

— Ah, eu sei — Hinata assentiu. — É só que, para mim, chamar o que vocês tinham de relacionamento é mais conveniente do que chamar de foda usual.

Eu ri.

— Minha nossa — sussurrou Tenten.

Todas olhamos para ela.

— Olhem discretamente para minha esquerda — pediu Tenten.

Todas nós olhamos ao mesmo tempo, de uma maneira nada discreta. Sentado em uma mesa, sozinho, lendo tranquilamente um jornal, estava um homem perigosamente familiar. Meu coração falhou por alguns milésimos de segundos e abruptamente voltou a vida com força máxima. O homem que me impedira de se estatelar no chão na noite passada estava sentado a três mesas de distância de onde eu e minhas amigas estávamos. Como se ele tivesse escutado meus pensamentos, seus olhos desgrudaram-se do jornal e encontraram os meus. Apesar de ter virado o rosto para o outro lado no mesmo instante, vi uma chama de reconhecimento arder em seus olhos. 

Temari assoviou baixinho.

— Nunca o vi por aqui — disse Hinata.

— Deve ser novo na cidade, tenho certeza — presumiu Tenten.

— Ele tem cara de que sabe como se fazer uma mulher ter um bom orgasmo — avaliou Ino.

— Credo, Ino — disse Temari, fingindo estar horrorizada. — É só isso que você vê quando olha para um homem bonito?

Ino mostrou a língua.

— Você bem que poderia perguntar o nome dele, hein, Sakura? — Comentou despreocupadamente Hinata.

Todas assentiram em concordância.

— E por que eu deveria fazer isso?

— Porque ele não tira os olhos de você — falou Ino, sorrindo maliciosamente.

Olhei novamente para ele e um arrepio subiu pela minha coluna. Ele estava olhando também. Desta vez não consegui desviar o olhar. 

Hinata riu.

— Ele está ignorando completamente nossa presença aqui — falou ela divertida.

— O que está esperando para ir até lá, Sakura? — Perguntou Tenten.

— Calem a boca por um momento, está bem? — Pedi.

Minhas amigas riram.

Meu coração batia descompassado em meu peito e eu tive de respirar fundo algumas vezes para deixá-lo mais estável — não funcionou. Me senti um pouco melhor ao constatar que Ino não fazia ideia de quem ele era — o que significava que ela não vira seu rosto ontem à noite. Isso era bom, porque se ela soubesse quem ele era, não iria esperar eu decidir se ia ou não ir bater um papinho com ele. 

— Com licença — pediu uma voz conhecida. — Posso falar com você por um momento, Sakura?

Olhei para cima e, em pé bem ao meu lado, estava Rock Lee. Ele parecia desconfortável ali, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans clara. Olhei para minhas amigas e depois voltei a olhar para ele, assentindo. Ino contara para elas o que acontecera na véspera. Apesar de Rock Lee não ter culpa pelo o que seu amigo idiota fizera, as garotas pareciam não gostar muito dele. Mas não falaram nada quando eu deixei que ele me conduzisse para outro lugar. 

Rock Lee me levou para uma mesa que ficava bem afastada das demais e, como um cavalheiro, puxou a cadeira para eu poder me sentar. Lee tinha um cabelo preto comprido, olhos grandes e rosto redondo — sua aparência contrastava com sua personalidade amigável.

— Queria me desculpar pelo o que aconteceu ontem à noite — começou ele. — E se serve de consolo para Ino, eu já repreendi Kiba. Na verdade, imaginamos que ela iria aparecer por aqui hoje, por isso viemos. Ele queria se desculpar também.

— Ele pode tentar se desculpar, mas não acho que vá adiantar de muito, no entanto — falei.

Lee pensou no que eu disse por alguns instantes.

— Acha que eventualmente ela irá perdoá-lo?

— Talvez — menti. 

— Eu sinto que não causei uma boa impressão também — disse ele. — Você deve achar que eu sou tão idiota quanto Kiba.

Eu sorri.

— Na verdade, não.

Ele sorriu também.

— Admito que me surpreendi ao ver você aqui hoje. Você está quase sempre na biblioteca de Tsunade.

Não fiquei surpresa por Lee saber que eu não saía muito. Era obvio que as pessoas saberiam de coisas assim morando em uma cidade tão pequena.

— Às vezes é bom sair do cativeiro por algumas horas, não é?

Lee riu. Surpreendentemente, ele era uma pessoa bastante agradável. Não havíamos trocado muitas palavras na véspera, então não pude deduzir muito sobre ele. Mas como eu já havia notado, ele era alguém fácil de lidar.

— Ah — Lee se aproximou um pouco para pôr uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. Assim que seus dedos roçaram minha pele, eu me afastei rapidamente. Lee pareceu arrasado com minha reação. Meu coração se encheu de culpa ao ver sua expressão derrotada. — Desculpe — sussurrou ele.

— Tudo bem — murmurei. 

O silêncio que caiu sobre nós foi sufocante. Eu estava me preparando para quebrá-lo quando Lee olhou para mim e perguntou:

— Quanto tempo faz que você se mudou para Konoha, Sakura?

— Hã, um ano — respondi um pouco confusa com a súbita mudança de assunto e a forma rápida com que Lee se recuperou.

— Só quero saber mais sobre você — Seus olhos voltarem-se para a direção que eu imaginei estar Kiba. — Mas pode ser outra hora, não pode?

— Claro — eu disse automaticamente.

Rock Lee sorriu, levantou-se e se juntou a Kiba, que estava postado já à entrada da cafeteria. Ele acenou para mim antes de ir embora. 

 Ino me lançou um olhar de pura decepção quando me sentei ao seu lado. Automaticamente olhei na direção dele, e uma onda súbita de tristeza me atingiu quando vi que ele não estava mais lá.

— Lee só queria desculpar-se por ontem — disse eu, me esforçando para que minha voz não denunciasse a mudança abrupta em meu estado de espírito.

— Kiba também veio pedir desculpas.

— Você o desculpou?

— Claro — ela assentiu. — E depois mandei-o se foder.

— Isso não foi nada maduro, Ino. 

— Você acha mesmo que ele está arrependido?

— Sinceramente? — Ino assentiu. — Não.

— De qualquer maneira — continuou ela. — Kiba faz parte de meu passado agora.

— Acho que você não faz parte do passado dele, caso contrário ele não teria vindo até aqui para se desculpar — comentou Temari.

Ino lhe lançou um sorriso malicioso.

— Adoro quando eles fazem isso — falou ela.

O resto da tarde passou lenta e tranquilamente. Eu tinha esquecido do quanto eu adorava conversar com minhas amigas. Só fomos perceber que já estava tarde demais quando um dos garçons veio nos dizer que a cafeteria estava para fechar. Surpreendidas, olhamos ao redor e éramos as únicas pessoas por ali. Todas rimos e nos encaminhamos para a saída. Demos um abraço em grupo sufocante antes de irmos embora.

Ino fora dormir assim que chegamos. Fiquei deitada no sofá por um pouco mais de tempo, lendo um livro. Eu estava totalmente imersa na leitura quando ruídos estranhos, vindos do andar de cima, quebraram minha concentração. Fiquei paralisada por alguns segundos, pensando que um ladrão havia invadido o prédio. Levantei-me devagar, meu corpo todo em alerta. Então lembrei da terceira pessoa que morava no prédio e me acalmei. Pensei no que poderia acontecer caso eu fosse dar uma olhada. A pessoa que vivia no andar de cima poderia ser um assassino, ou coisa pior, refleti. Se não fosse, por que vivia sempre nas sombras? Dei de ombros, joguei o livro no sofá e me dirigi para fora. Subi as escadas que levavam ao andar de cima e ignorei o elevador. Eu não sabia de onde estava vindo a súbita onda de motivação que me encorajava a pôr um pé e outro nos degraus da escada com tanta determinação, apenas agarrei ela com toda a minha força. Suspeito ou não, não me importei com nada quando bati na porta de meu vizinho barulhento. 

A porta se abriu alguns instantes depois de eu ter batido. Levantei a cabeça para olhar o rosto de meu vizinho e perdi o folego.

— Você realmente está em toda parte, não é? 

Não consegui dizer nada. Eu estava chocada. Como era possível? Ele se aproximou de mim e meu coração quase saiu pela boca. 

— Eu ouvi ruídos — disse depois de alguns segundos, minha voz baixa demais. 

Ele sorriu novamente.

— Desculpe se a acordei — falou. Ele baixou os olhos e eu corei ao lembrar que estava vestindo apenas um baby doll branco com estampa de corações. 

— Eu não estava dormindo — sussurrei envergonhada.

— Sua pele fica linda com este tom leve de vermelho — Disse ele. Sua mão grande acariciou delicadamente minha bochecha.

— O-Obrigada — gaguejei feito uma idiota, sentindo a sensação quente de seu toque se espalhar por todo o meu corpo. 

Ele riu.

— Está frio aí fora, não está? — Ele perguntou, já se movendo para o lado. 

— Eu estou bem — eu disse e afastei-me rapidamente.

Ele arqueou as sobrancelhas. Apressei-me em lhe dar as costas. Senti seu olhar queimando em minhas costas, mas não olhei para trás. Assim que saí de sua vista, acelerei o passo. 


Notas Finais


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