História A Aposta... - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Drama, Escola, Romance
Visualizações 12
Palavras 2.754
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Meu distraído aluno.


Fanfic / Fanfiction A Aposta... - Capítulo 15 - Meu distraído aluno.

>Pov Sarah<

Meu irmão não precisa daquilo, aquele olhar rabugento de quem acaba de perder seu brinquedo favorito.

– Vincenzo? – chamei, com um sorriso delicado.

– Que?

– Amo você.

Ele me lançou um olhar feio, então sorriu.

– Eu também te amo – ele voltou à atenção para a estrada.

– Vincenzo?

– Que foi?

– Não fique bravo maninho – usei meu melhor tom.

Ele desmoronou.

– Não estou bravo baixinha. Só não gosto daqueles garotos. – ele suspirou e um pensamento cruzou seu rosto – Aquele idiota não vai jantar lá em casa não é?

– Não sei. Quem sabe? – sorri, travessa.

– Baixinha – ele rosnou – Não me provoque.

– Quem esta te provocando?

Desci do carro e me encaminhei para dentro da casa, sentindo os olhos castanhos do meu irmão as minhas costas, irritados.

Mas o direito de estar irritado não era dele, e sim, meu.

– Sarinha – ouvi a voz regada a mel.

Mari abriu um sorriso grudento de puro gloss e se voltou para meu irmão.

– Vincenzo! – ela o beijou dos dois lados da face, deixando marcas brilhantes em cada bochecha.

Agradeci em silêncio por não ser merecedora de todo aquele afeto da parte dela.

– Olá priminha – meu irmão sorriu afetado.

Mari era o tipo de garota que até de turbante parecia vulgar. Essa era a verdade, ela era uma vadia.

Havia uma grande diferença entre apreciar a companhia de garotos, e fazer de tudo, e digo tudo mesmo, para que qualquer garoto esteja ao seu lado. E era isso que Mari fazia, disposta a tudo para ser a mais bela, a mais desejada.

Revirei meus olhos, subindo para meu quarto. Mas como às vezes o meu bom Deus não tem clemência comigo, Mari venho atrás.

– Como vai à escola? – perguntou fechando a porta atrás de si.

– Como sempre – dei de ombros.

– E os garotos? Esta ficando com alguém?

Mari era cinco anos mais velha que eu, e não se tocava que não era mais uma adolescente de 16 anos.

– Não – eu suspirei, odiava aquela rotina que ela sempre me submetia quando nos encontrávamos. Era como se eu fosse obrigada a esta fincando com algum garoto.

– E por que não? Deve ter alguém bonitinho – ela fungou, frustrada.

– Não acho que algum deles valha o tempo gasto em uma relação que não terá futuro.

– E quem esta falando em futuro? – ela jogou os braços para cima – Estou falando de beijar na boca, não de casamento!

Abri um pequeno sorriso. Joana pensava daquele jeito, mas eu esperava que minha amiga nunca, nunca mesmo, ficasse daquele jeito. Era até um pouco deprimente o fato daquela garota não se dar o devido valor.

– Não gosto de nenhum deles. Eles são infantis demais.

– Gosta de garotos mais maduros? Posso te levar em umas festas comigo.

Fiquei um pouco surpresa com seu convite, mas não deixei que ela me impressionasse.

– E qual seria seu lucro?

– Preciso de algo além da felicidade de minha priminha preferida?

Franzi a testa, a voz dela transbordava um mel artificial.

– É claro que talvez você queira levar seu irmão junto, – ela sorriu, maliciosa – para o caso de você sabe...

– Você querer dar uns amassos nele? – conclui baixo.

Quem ela pensava que era para achar que meu irmão galinha iria se interessar nela? Ele tinha sim uma lista imensa de ex-namoradas e a maioria se jogava a seus pés quando ele passava, mas meu irmão tinha seus limites, e não sair com primas era um desses.

– Sarah! – ela tentou parecer ultrajada, porém havia um sorriso nojento em seus lábios grudentos de gloss.

Meu gato Nigel, aquela massa enorme e negra venho em minha direção, miando para mim e piscando seus grandes os verdes como quem implora por carinho. Acariciei suas costas e ouvi seu ronronar que tinha sobre mim um efeito calmante.

– Devíamos sair – ela insistiu – O que você acha? Eu, você e seu irmão? Ah, e eu posso levar algum amigo meu bem bonito.

Até parece que meu irmão iria permitir que outro homem se aproximasse de mim sabendo que tinha segundas intenções. Mari não conhecia nem um pouco Vincenzo.

Fui até a janela e observei uma pessoa encapuzada se movendo na direção da minha casa. Então o capuz caiu e revelou um emaranhado de cabelos castanhos.

Michel!!!!!!!!!

Sob hipótese alguma eu permitiria que aquele imbecil ficasse na companhia de minha prima sem noção. Pra começo, ela não deixaria eu ter paz, depois ficaria rindo e tocando nele o tempo todo desviando sua atenção, e como eu sabia o quando Michel era fraco quando o assunto era resistir a garotas, ele iria cair direitinho na dela, e depois iria muito, mais muito mau mesmo na prova de matemática. E iriam culpar a mim!

Peguei minha mochila, um punhado de coisas e saltei escada a baixo, com Mari no meu encalço.

– Onde você vai?

– Eu dou aulas particulares para um garoto da minha turma – esclareci – Me esqueci que combinei com ele hoje.

– Humm – ela se colocou na minha frente, sorrindo maliciosamente – Ele é bonito?

– Pode ser.

Fui até a cozinha e gritei pra minha mãe:

– Mãe! Vou lá na casa de Michel ajuda-lo em matemática, volto logo.

– Pegue um casaco! – minha mãe gritou de volta, tirando a cabeça da dispensa.

Sorri, minha mãe era a melhor pessoa que eu conhecia no mundo. Uma mulher incrível, que mesmo com fios de cabelos brancos surgindo entre os fios castanhos, ela sempre manteve o bom humor, mesmo quando as coisas ficaram realmente ruins.

– Tá bom!

– Aonde você vai? – meu irmão me segurou pelo braço, o olhar semicerrado.

– Vou à casa de Michel.

– Pensei que ele iria vir aqui.

– E vem... – Pense rápido Sarah – É que eu me esqueci que temos que passar na biblioteca.

Meu irmão apertou ainda mais os olhos, tentando ver se eu estava ou não mentindo. Quando o aperto de sua mão em meu braço começava a doer, ele me soltou e rosnou:

– Se aquele babaca fizer uma gracinha, faço ele engolir os próprios dentes.

– Até parece que ele vai querer algo comigo – eu revirei os olhos.

– Você já se olhou no espelho maninha? – seu tom soou mordaz – Mas ele é tolo, ou esperto de mais pra não tentar se meter com você.

– Falando assim até parece que eu sou uma Amazona.

– Amazona? – meu irmão era tão lindo, mas tão burro.

– Na Grécia antiga eram mulheres independentes dotadas de grande inteligência que matavam homens.

– Bem, a parte do matar homens pode não ser a sua cara, mas independente e inteligente você com certeza é. – ele sorriu, piscando o olho.

– Te amo maninho.

Corri para a porta onde Mari esperava, os olhos faiscando de curiosidade.

Olhei de relance para o espelho que ficava na entrada da nossa casa, tentando entender o que meu irmão queria dizer com “Você já se olhou no espelho?”. Eu estava me olhando, com o cabelo espetado e volumoso meio desarrumado, a roupa pontilhada com pelos de gato e os olhos escuros contornado as presas com um delineador que já começava a sair. Não vi nada de diferente, a não ser que ele estivesse se referindo ao fato de eu ter crescido uns incríveis dois centímetros. Nada de diferente.

– Sarah? – meu irmão chamou do fim do corredor.

– Sim?

– Você tá com seu...? Você sabe – ele olhou pra Mari, então seu olhar voltou pra mim, significativo.

– Vincenzo! – tentei soar irritada, mas não contive uma risada – Sim eu estou!

– Do que ele está falando?

– Nada de mais – sorri tranquilizadora para minha prima.

Ouvi batidas na porta e praticamente voei naquela direção.

– Michel! – sorri afetada pra ele. Foi inevitável, não consegui segurar.

Ele sorriu, os olhos verdes brilhando. Então franziu a testa e olhou para trás, como se eu tivesse falando com outra pessoa.

– Oi! – minha prima apareceu ao meu lado, estudando Michel da mesma forma com que eu estudo Química, com cuidado, parando para analisar cada detalhe.

O sorriso de Michel mudou, e agora ele parecia um garoto idiota.

– Oi! – falou no mesmo tom barato que minha prima.

Os dois se entreolharam. Senti meu sorriso morrer enquanto era totalmente ignorada.

Uma porta bateu em algum lugar dentro de casa quebrando o contato visual deles.

– Quer entrar? – minha prima convidou, a voz se derramando no mesmo tom nojento que ela usara antes com meu irmão.

– Claro – Michel sorriu, dando um passo para frente.

– Não! – lancei um olhar tão reprovativo pra Michel que o humor desapareceu de seus olhos.

– Por que não? – minha prima insistiu.

Meu Deus ela estava fazendo beicinho?

– Temos que ir – passei por ela e puxei Michel pelo braço – Vamos passar na biblioteca.

Arrastei Michel pra longe, sentindo meus músculos tensos. Enfiei pé por pé na calçada caminhando com passos longos e firmes, olhando fixamente para frente.

– Humm? – Michel estacou me forçando a para também.

Ergui a cabeça e o olhei de cima, – mesmo sendo vinte e cinco centímetros mais baixa.

– Sabe Sarah, – ele começou, com delicadeza – assim, se você quiser, você poderia soltar meu braço? Odeio reclamar, mas está doendo.

Só então percebi que minha mão esquerda ainda estava agarrada a seu braço, formando meia luas na pele branca nos locais onde minhas unhas se cravavam.

Puxei a mão e o soltei, minhas bochechas corando.

– Desculpa.

– Tudo bem – ele sorriu, discretamente massageando o braço.

Caminhemos por um longo trajeto em silêncio, eu com os livros apertados nos braços e ele com as mãos distraidamente enfiadas no bolso.

– A biblioteca é pra lá – ele falou de repente, num tom enojado.

– Que?

– A biblioteca – ele fez um gesto na direção oposta a que íamos.

– Ah! Você não quer ir à biblioteca – comentei – Te dá anseia de vômito.

– Ei!

– Queria que eu dissesse que te dá gazes? Por que isso também é verdade – virei e continuei andando.

– É só que, – ele tentou se justificar – todo aquele conhecimento, aquelas paredes de livros que parecem se fechar sobre mim, e as pessoas o tempo todo fazendo shhhh!.

– Sim – eu sorri – E você também não gosta do fato que não se pode comer lá dentro nem usar as cadeiras de rodinhas como carrinhos.

– Pra que tem tantas mesas lá se não se pode nem abrir uma barra de chocolate? Aquilo é um pesadelo!

– Você é um caso perdido Michel!

– O que eu posso fazer? – ele abriu seu melhor sorriso de sou lindo e maravilhoso.

– Bobão!

– Pode ser que eu seja.

Fomos na direção da casa dele, que ficava a uns três quilômetros da minha.

– Não há problemas de irmos na sua casa não é?

– Não, tá beleza. Assim eu fico longe do Pastor Alemão com distúrbios paranoicos.

– Meu irmão não é paranoico!

– É sim. Ele age o tempo inteiro como se eu fosse fazer algo errado. Parece que não vê a hora de me ver usando um pijama listrado com algemas. Alguém devia por uma focinheira nele!

– Michel! – dei uma cotovelada meio de brincadeira nas costelas dele que o fez se calar.

– Ele não é assim tão ruim. É só que você e Vinícius o estressam.

– É só isso mesmo? – ele me deu uma olhada de canto – Quer dizer que você não anda com aquele canivete que ele te deu, nem com um spray de pimenta?

Eu dei de ombros.

– Ele é um irmão preocupado.

– Paranoico – enfatizou.

– Cala a boca.

Abri o portão da casa de Michel e fui recebida por um ronco profundo quando o mastim marrom dele pulou em mim.

– Au! – Ronny, o cão tentou alcançar meu rosto com sua língua grande e rosada.

– Oi coisa linda – puxei as orelhonas do cão com carinho.

– E aí Ronny? – Michel esfregou a cabeça do seu cachorro antes de repreendê-lo – Se controla parceiro. Se tá sujando a Sarah!

– Tudo bem. – sorri – Adoro esse cachorro.

– Vem! Vamos entrar – Michel me puxou pra dentro, deixando Ronny para trás, choramingando.

– Mãe! – Michel gritou – Sarah e eu vamos subir pro meu quarto.

– Já vou! – a mulher respondeu de algum lugar de trás da casa.

Michel revirou os olhos.

– Tão linda, mas com uma péssima audição.

– Não fale assim da sua mãe.

– Estou brincando – ele sorriu, enchendo dois copos de suco de laranja – Eu amo ela.

– Sarah! – a mãe de Michel irrompeu pela porta e abriu o maior e mais brilhante sorriso para mim.

– Oi Alicia – a cumprimentei com dois beijos.

Era questão de educação chamar as pessoas mais velhas por Senhora ou Senhor, mas Alicia não gostava que eu a chama-se de senhora Alicia ou senhora Amapola, afinal segundo ela, eu era da família.

Alicia Amapola era uma mulher alta, magra e esbelta, que apesar de ter um cabelo prateado e a pele já está enrugando devido à idade conservava uma beleza natural, além de ser a pessoa mais simpática que eu conhecia. Nunca a viu dizer uma palavra feia, ou erguer a voz pra ninguém. Nem mesmo para o filho cabeça-oca.

– Como esta querida?

– Bem e a senhora? – sorri, ela era tão agradável, conseguia deixar qualquer um a vontade.

– Muito bem – ela pegou um copo de suco para si e Michel me entregou o outro – Quer comer alguma coisa? Um cacho de uva talvez? Eu acabei de colher.

Eu aceitei.

Os Amapola, eram donos de uma vinicultura linda e suas vinheiras tinham as mais deliciosas e belas uvas. Mas isso tinha sido há anos atrás, quando Victor Amapola, marido de Alicia e pai de Michel, ainda era vivo, Victor fazia o melhor vinho da região.

Lembro vagarosamente dele, parecia ser um bom homem, na aparência muito parecido com Michel, e sempre que eu o via, estava sorrindo, mesmo quando o filho trazia as piores notas do colégio. Eu me lembro de estar junto de Michel quando ele entregou o boletim do terceiro bimestre do quinto ano para o pai, naquela mesma mesa da cozinha, o homem olhou respirou fundo e abriu um sorriso doce, então disse: “Vai melhorar meu garoto. Grandes gênios também tinham dificuldades em aprender. E agora você tem uma ótima ajuda não é Sarah?”

Victor era um bom homem, mas tudo o que tinha deixado para a esposa e o filho se transformou em pó quando o banco tirou quase tudo da família, só deixando a casa. Então, desde os doze anos Michel ajudava sua mãe nas tarefas de casa, enquanto ela trabalhava de costureira, e quando fez quatorze anos ele arrumou um emprego no único supermercado da cidade.

– Vem Einstein. Vamos descobrir por que a formula de Pitágoras é um bicho de sete cabeças! – subimos para o quarto dele e como sempre me surpreendi com o local.

É engraçado como alguém que tem a vida tão bagunçada, consegue manter um quarto tão organizado. Pilhas de CDs estavam esmeradamente organizados de um lado separados de DVD e de vários jogos de vídeo game. Havia pôsteres de seus filmes e jogos preferidos, além de uma versão grotesca de uma fada seminua. Não havia livros, nem cadernos, tudo guardado com cuidado para manter a sanidade mental de um adolescente com crises de fobia literária.

Ele sentou na cama e me olhou com aquele seu olhar gatuno.

– Física ou matemática?

– Te concedo a honra de escolher – sentei na escrivaninha tirando meus cadernos.

– Matemática – suspirou – Se eu sobreviver a isso, física com certeza vai me matar.

– Tão dramático – revirei os olhos.

Ele sorriu se sentando ao meu lado, só quando seu caderno estava na mão e a caneta em punho, comecei uma curta e direta explicação. Quando terminamos, ele se jogou na cama e se colocou a tentar fazer sozinhos os exercícios que a professora Tânia havia dado.

De tempos em tempos, ele me olhava de soslaio com os olhos verdes brilhando e abria um pequeno sorrisinho de quem sabe o que faz.

Mordi o lábio inferior e me concentrei no poema que escrevia, olhando por cima do caderno para ver se ele estava de fato fazendo alguma coisa, e foi em uma dessas olhadas, que fraguei seus olhos distantes, do caderno e de mim, olhando pela janela. Os olhos perdidos da mesma forma como às vezes os de Nicole ficavam, vendo fantasmas ou heróis que só existem ali, na mente.

Então ele voltou para o caderno, o olhando com estranheza antes de pegar novamente o lápis e começar a rabiscar a folha com números de uma conta que não existia. Quando sentei ao seu lado para olhar seu caderno, notei que as primeiras respostas estavam certas, ou pelo menos mais ou menos certas, já as outras, me faziam pensar como um garoto que chegou ao ensino médio sem reprovar podia pensar que 6X8 é igual a 54.

Me sentei ao seu lado e corrigi seus erros, quando terminei, dei a ele meu melhor sorriso paciente e recomecei a explicar novamente todos os exercícios.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...