História A Aposta Perfeita - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Palavras 4.587
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


"É preciso coragem para ser diferente e muita competência para fazer a diferença".

Dica: David Guetta - Play Hard ft. Ne-Yo, Akon

Capítulo 10 - Acho que Extrapolei


Fanfic / Fanfiction A Aposta Perfeita - Capítulo 10 - Acho que Extrapolei

Narrado por Alison Collins

 

   Eu realmente cogitei a hipótese de deixa-lo entrar, porém, se o fizesse, mostraria que ele pode fazer o que bem entender e nada demais aconteceria, e como minha sala de aula não é bagunça, respirei fundo e o empurrei com delicadeza para trás, fechando a porta atrás de mim. Cruzei os braços abaixo dos seios, para manter uma postura mais firme, mas tentei manter a expressão tranquila, não deixaria esse garoto saber o quanto me irrita.

— Você não vai me deixar entrar? — Ele questionou e eu neguei com a cabeça. Ele parece ser arrogante, prepotente e muito convencido, mas talvez fosse apenas a primeira impressão que tive dele. Não queria deixar transparecer, mas estava um pouco decepcionada, acreditei que ele cumpria com o que havia dito e chegaria no horário, mas eu estava errada — Por que não? — Indagou ele. E precisava perguntar?

— Porque você chegou atrasado — Disse, da forma mais serena possível.

— Não, falta um minuto — Rebateu. Olhei para o relógio em meu pulso e aguardei alguns segundos até voltar meu olhar para ele.

— Não falta mais — Falei e me virei para entrar na sala novamente, quando pousei a mão direita na maçaneta, senti uma mão firme puxando meu outro braço a virando meu corpo para frente. Sua mão em meu braço era firme, mas não de uma forma que machucasse, já o seu olhar, era intimidador. Ele se inclinou para frente, deixando nossos rostos a poucos centímetros um do outro, eu o olhava incrédula. Como esse sujeito se atreve a me agarrar dessa forma?

— Perdeu o juízo, garoto? — Questionei, com meu tom arrogante de costume.

— Ainda não. As regras da Universidade são claras, eu tenho quinze minutos, então eu cheguei na hora. — Falou de modo ameaçador, mas isso não me intimidou, ele pode ser o maioral da porta da minha sala para fora, mas dentro dela, eu faço as regras. Puxei meu braço com força e respirei fundo, tentando manter a compostura, mesmo que minha vontade, naquele momento, fosse de mandar aquele garoto se foder. Desculpe o linguajar, mas ele merecia.

— Você está certo, de acordo com as regras da Universidade, você ainda pode entrar — Falei e dei um sorriso debochado — Mas de acordo com as minhas regras, você está atrasado, então quanto antes você entender que quem manda na sala de aula sou eu, melhor será para você. Nos vemos na segunda, Senhor Carter — Me virei e entrei na sala, sem esperar por uma resposta.

   Como foi o restante da aula? Uma merda. Aquele moreno, infelizmente, tirava minha concentração, ele conseguia me irritar de uma maneira inexplicável. Nunca gostei muito dos meus alunos, até mesmo porque fazia questão de manter distância, mas aquele rapaz, havia o conhecido a dois dias atrás, não deveria ter tomado birra dele tão rapidamente.

   Consegui terminar de explicar a matéria, mesmo com os pensamentos indo parar no moreno as vezes. Sua irmã estava em uma das últimas fileiras, ela permanecia com o livro aberto e a caneta em mãos, porém, algo me dizia que ela não prestava muita atenção no que eu dizia, mas sim, em mim. Ignorei esse pensamento, a visita daquele garoto deve ter me deixado paranoica.

   A aula terminou e eu continuei em minha sala, não estava afim de tomar café, então preferi continuar sentada e ler O Grande Gatsby, livro que estava em minha prateleira faz algum tempo, mas até então não tinha parado para lê-lo. Foi uma pena, mas meu momento de paz foi interrompido por Júlie e Jô, entrando em minha sala, já em uma conversa animada.

— Então gata, como foi a primeira aula do dia?  — Brincou Júlie, pois eu havia comentado que minha primeira aula seria para turma de Michael.

— Ótima, como sempre — Respondi, de maneira sarcástica — Comecei com uma pequena discussão no corredor com um aluno, só para animar o dia. — Guardei o meu livro de volta na bolsa, juntamente com os óculos, sabia que não conseguiria mais ler com elas em minha sala.

— Então foi apenas um dia normal para você — Zombou Jô.

— Como assim? Que aluno já teve peito para discutir com Alison? Acho que esse Michael foi o único a conseguir olha-la nos olhos até hoje — Eu realmente não tinha moral com os meus amigos, principalmente Júlie, que adorava tirar sarro do medo que os alunos têm de mim.

— Acho que nem o Michael, afinal, ele não virou pedra — Finalizou Jô e ela bateram um high five, como se tivessem acabado de tirar nota máxima em um trabalho.

— É bom saber o quanto sou respeitada por minhas “amigas” — Falei e fiz aspas com os dedos.

— Relaxa Collins — Falou Jô.

— Falando em relaxar, combinei com os rapazes, sábado iremos a um barzinho muito legal, saindo da cidade — Comentou Júlie, enquanto afastava minhas coisas para o canto da mesa e em seguida sentou-se nela, cruzando as pernas em cima da minha mesa.

— Que rapazes? — Indaguei.

— O professor Freeman e o Swan — Respondeu Jô, pegando uma cadeira e sentando-se de frente para mim.

— Sério? Eles ainda frequentam bar? Achei que eles tivessem uns noventa anos, aqueles coroas estão podendo hem! — Falou Júlie, eu e Jô rimos com sua inocência.

— Larga de ser besta Júlie. Nós chamamos o Edward e o John — Disse Jô e eu fiz uma careta. Aguentar as cantadas do John sóbrio já era difícil, ele bêbado então, piora tudo. — Vai ser legal, eu prometo. — Completou, me olhando com os olhinhos pidões e eu assenti, em concordância.

— O que você anda prometendo em, Jô? — Falou John, entrando em minha sala. Será que ninguém mais tem educação por aqui, as vezes um com licença, cai bem.

— Que a nossa noite de sábado vai ser legal. Agora você irá prometer que não irá dar em cima da Collins. — Falou Jô, com um sorriso simpático para John.

— Não posso prometer nada — Respondeu John, com sinceridade.

— Tudo bem, eu aguento, de novo — Falei e todos riram — Mas por que iremos para tão longe?

— Porque aquele bar aqui perto era legal, até começarmos a dar aulas na Universidade — Explicou Júlie — Agora aquilo vive lotado de alunos.

 

   Depois de algum tempo sendo importunado por meus amigos, o sinal tocou, indicando que começaria mais uma rodada de aulas, porém, agora será com os alunos de Ciências Contábeis. Com a distração que meus amigos me proporcionaram, consegui esquecer o moreno e dei uma excelente aula. 

 

   Os dias se passaram e minhas aulas fluíam bem, cheguei a ver Michael nos corredores, mas ele não notará minha presença em nenhuma das ocasiões.

   Sábado chegou e tudo o que eu queria era passar o dia inteiro na cama, assistindo séries, o clima estava quente, então a preguiça estava maior que o habitual. Mas não havia como desmarcar com o pessoal, Júlie viria aqui e me arrastaria de pijama e tudo para aquele bar. Marcamos de encontrar Edward e John as 21:30PM no bar, então 20:30PM Júlie já buzinava freneticamente na frente do portão da minha casa.

  

— Você já tentou usar a campainha? Assim perturbaria apenas a minha família e não a vizinhança inteira — Falei, assim que entrei no carro. Sentei no banco ao lado do motorista e Jô já estava no banco de trás, rindo.

— Isso seria muito sem graça, agora vamos, não quero me atrasar — Debochou Júlie.

— Vamos ué, quem está dirigindo é você!

— Calma Alison, a noite ainda nem começou — Comentou Jô.

— Tranquilo Jô, acharemos alguém para acabar com esse mau humor dela hoje — Brincou Júlie e eu revirei os olhos, que idiota.

— Em último caso, tem o John — Zombou Jô, olhei para trás e fiz um cara de nojo — Cuidado hem, quem desdenha quer comprar.

— John? Não quero nem de graça. — Rebati.

 

   Chegamos ao bar e os garotos já esperavam do lado de fora, nos cumprimentaram e em seguida entramos no local.

 

— Então, o que as mocinhas vão beber? — Perguntou Júlie, aos garotos.

— Whisky duplo, malte único — Falou Edward, para o garçom que já estava presente.

— O mesmo para mim — Respondeu John.

— E caipirinha para nós três — Falou Júlie e nós concordamos.

 

   Depois da bebida ter chegado e mais umas três doses de tequilas, Júlie resolveu começar a contar nossas histórias de faculdades, as quais John adorava ouvir. Júlie não tinha a mínima vergonha, contava todos os detalhes de seus vexames. O último que ela contará, me envolvia, foi na festa de formatura de uns dos seus namorados, não sei dizer qual, na ocasião em questão, bebemos tanto que a única coisa que me lembro é de ter acordado no dia seguinte em cima do balcão do bar em que foi a festa, primeira e última vez que me excedi com a bebida. Nós riamos de forma quase exagerada, pois Júlie contando elevava a graça de qualquer piada, minha risada foi diminuindo aos poucos, enquanto John pedia mais detalhes sobre aquela noite, entretanto, ela sumiu completamente quando avistei um moreno que me parecia familiar, não sou muito forte para bebida, então não tinha certeza se estava vendo certo ou era a bebida já estava fazendo efeito, porém, pela maneira que ele me encarava de volta, acho que estava certa. Como se ele lesse meus pensamentos, levantou sua bebida um pouco e deu um sorriso para mim, sim, eu reconheceria aquele sorriso de lado em qualquer lugar. Não me demorei muito olhando para ele, logo voltei minha atenção aos meus amigos.

 

— Seu aluno preferido está aqui, certo? — Cochichou Jô, em meu ouvido direito. De onde eu estava, tinha uma visão perfeita da mesa deles, então olhei em sua direção mais uma vez.

— Ele mesmo. — Respondi.

— Quem cochicha o rabo espicha — Brincou Júlie.

— Deus me livre — Falou Jô — Viemos para tão longe nos livrar dos alunos e olha que está aqui — Completou, fazendo um meneio de cabeça, em direção a mesa de nossos alunos.

— Será que é efeito da bebida ou eles estão mais bonitos? — Falou Júlie e nós rimos de seu comentário, mas ela não parecia estar brincando e continuou a analisar aquele grupo, que estava um pouco distante de nós.

— Eles estão levantando, parem de olhar — Disse Edward, rindo de nossas expressões assustadas, pois só então lembramos da presença deles ali, provavelmente ouviram tudo. Pouco depois eles passaram por nossa mesa e os cumprimentamos, apenas Michael e outro homem, que não conhecia, permaneceram na mesa.

— Que tal passarmos um trabalho gigantesco sempre que combinarmos de sair? Assim não corremos o risco de encontra-los. — Brincou John, mas pelo que conheço dele, com certeza faria, se concordássemos.

— Deixa eles, não somos tão mais velhos que eles, então é aceitável que frequentemos os meus lugares — Falei. É, com certeza o álcool já estava fazendo efeito.

— Fale por você, querida! — Retrucou Jô, que mesmo não aparentando, era sete anos mais velha do que eu e Júlie.

— Acho que precisamos de mais bebidas, vai lá pegar Alison — Ordenou Júlie, me empurrando da cadeira e quase me fez cair.

— Vai você, que eu me lembre, você tem pernas — Rebati.

— Acho que se eu levantar, eu caio — Júlie sempre exagera na bebida, como ela mesma costuma dizer; “quem tem limite é 3G, eu não”.

— Tudo bem. — Falei, enquanto me levantava e segui em direção ao balcão. Se nós não poderíamos ter chamado o garçom? Sim, mas já o havíamos solicitado tantas vezes em um curto período de tempo, que ele já passava por nós com o rosto virado.

— Olá, três cervejas, por favor — Pedi ao barman — Coloca na conta da mesa cinco.

— Ok — Respondeu ele. Enquanto esperava o homem, que tinha um pequeno crachá prata escrito Charlie, voltar, não resisti e olhei para a mesa do meu grupo de alunos, mas que no momento só contava com Michael e um outro rapaz. Esse outro rapaz, que deveria ter a minha idade, mais ou menos, olhava em minha direção, mesmo depois de virar meu rosto novamente para o balcão, ainda podia sentir seu olhar sobre mim.

— Aqui está, senhorita. — O homem, que deveria ter uns trinta anos, me entregou as cervejas, eu retribui com um pequeno sorriso e voltei para minha mesa.

 

— Cadê as nossas? — Perguntou John.

— Vocês não falaram nada — Disse, rindo.

— E precisa? — Questionou ele e eu assenti, com um olhar cínico.

— Eles parecem estar discutindo — Falou Júlie, analisando a cena, eu e Jô também encaramos o grupo de amigos mais adiante.

— Não creio que seja uma discussão — Comentou Jô.

— Deixem eles em paz — Falou Edward, ele normalmente é muito calado, mas hoje, estava mais ainda.

  

   Conversamos por mais um bom tempo, o grupo de jovens foram embora primeiro que nós, o que deixou Jô muito contente. Cheguei em casa quase duas da manhã, fazia tempos que não chegava tão tarde assim.

 

— Isso são horas de chegar em casa, mocinha? — Falou uma voz masculina.

— E isso são horas de você está acordado? — Rebati.

— Hoje é sábado, então, sim. — Ele respondeu, com o famoso sorriso sarcástico dos Collins.

— Faço das suas palavras, as minhas — Falei, em seguida dei um beijo em seu rosto, do qual ele tentou se desvencilhar, em seguida fui para o meu quarto. Estava exausta, precisava com urgência de um banho e dormir até os olhos doerem.

 

— Bom dia — Falei ao entrar na cozinha.

— Boa tarde, você quis dizer — Brincou meu pai, que estava sentando há mesa, lendo — Já são quase duas da tarde. — Olhei para o relógio da cozinha, realmente havia dormido bastante, mas meu corpo ainda estava cansado e desejava ter continuado na cama.

— Pois é, acho que extrapolei. Cadê o pirralho e mamãe? — Perguntei ao meu pai, que finalmente, largou as folhas que lia.

— Sua mãe está no jardim e Allan foi na casa de um amigo. — Assenti com a cabeça e me retirei, meu pai adorava conversar comigo, mas hoje ele foi bem direto, o que mostrava que ele estava muito ocupado.

 

— Oi mãe — Falei ao me aproximar dela. Ela estava de joelhos, podando as folhas que cresciam em volta do pergolado.

 

   Nossa casa não é enorme ou muito luxuosa, era simples, bonita e confortável, um tamanho que comportava bem a nossa família, mas a parte do jardim era, sem dúvidas, a parte mais bonita de nossa casa. Minha mãe havia começado com esse hobby, assim que meu pai decidiu comprar essa casa, a mais ou menos uns cinco anos atrás, o que antes eram apenas mato, hoje a flores por todos os cantos e um pergolado com sofás, que torna o ambiente aconchegante, esse espaço é o xodó da minha mãe e ela tem muito orgulho do trabalho que fez.

 

   Minha mãe não paisagista, nem nada do gênero, sua formação é outra, mas como eu havia dito, ela parou de exercer sua profissão quando meu irmão nasceu. Sei que ela amava o que fazia e me entristece um pouco o fato de até hoje ela não ter voltado.

 

— Olá querida, dormiu bem? — Pergunto ela, com um sorriso sincero e angelical, minha mãe é a mulher mais doce que já conheci, mesmo que no primeiro momento ela não pareça, até mesmo por ter uma expressão séria, porém, ela é um amor de pessoa, acho que eu e Allan puxamos ao meu pai, esse nosso temperamento forte, pois ela é a calma em pessoa.

— Sim, até demais — Falei e nós duas rimos — Precisa de ajuda?

— Não, já estou terminando. Já almoçou?

— Não, estou sem fome — Respondi e ela me lançou um olhar repreensivo. Mesmo eu tendo vinte e cinco anos, meus pais me tratam como criança as vezes, por isso, vez ou outra penso em me mudar. — Mãe, por que você não volta a trabalhar? — Perguntei, tentando mudar de assunto. Me sentei na poltrona mais perto dela.

— Não tenho certeza, acho que já perdi a prática, nesse meio você tem que está em constantes adaptações, aprendendo técnicas novas, acho que já estou ultrapassada, esperei tempo demais e acho que agora é tarde.

— Não diga isso, você nunca parou de estudar, de fato.

— É verdade, mas estou um pouco velha e parada a bastante tempo, não seria fácil encontrar um emprego.

— Você tem experiência, o que é bom, deveria tentar. — Falei. Sei de todas as inseguranças da minha mãe, mas acho que já passou da hora dela voltar à ativa.

— Tudo bem, vou tentar. Agora vamos, vou preparar algo para você comer. — Falou, enquanto se levantava e retirava as luvas das mãos.

 

   O restante do meu domingo foi dividido entre, ficar deitada na cama e ficar deitada no sofá. Segunda o celular tocou cedo e fui despertada por uma voz irritantemente animadora, do outo lado da linha, Júlie queria que eu passasse em seu apartamento para apanha-la, pois, seu carro estava novamente na oficina.

— Por que você não troca logo de carro e para de me encher o saco? — Questionei, enquanto me levantava da cama.

— Porque não estou afim e vê se não demora, Samara — Respondeu ela, rindo ao telefone. Não respondi nada, apenas desliguei o celular e fui para o banho.

 

   Coloquei uma calça social preta e uma blusa da mesma cor, com um blazer grafite e um salto salmão, para dar uma destacada. Depois de tomar café e pegar minhas coisas, passei pela casa de Júlie e fomos para a Universidade, chegas as 7:00AM. Não sei dizer quem, entre meus amigos, estava pior na sala dos professores, vou apostar em John, que provavelmente saiu ontem também. Alguns minutos depois, cada um foi para sua sala, pois os alunos já deveriam estar chegando.

 

   Entrei em minha sala, que já estava aberta, pois o zelador havia acabado de limpa-la, coloquei minhas coisas sobre a mesa e retirei meu livro de dentro da bolsa, juntamente com meus óculos de leitura. Voltei ao meu livro, grata por Júlie não poder me interromper novamente, mas infelizmente ouvi uns garotos conversando do lado de fora de minha sala. Porém, não fiz questão de saber quem era, ainda faltava uns dez minutos para a aula começar, desde que não atrapalhe minha leitura, eles não faziam diferença.

   Inocência minha pensar isso, instantes depois ouvi passos de uma única pessoa se aproximando e parando de frente para mim.

  

— Bom dia — Falou e reconheci aquela voz rouca de imediato

— Olha só, quem conseguiu chegar na hora — Falei, em tom debochado e dei um leve sorriso. Em seguida depositei o livro em minha mesa e retirei os óculos.

— Fiz um esfocinho, surpresa? — Perguntou ele, arqueando a sobrancelha esquerda e dando um sorriso de lado. Ele com certeza faz aquilo de propósito, sabe que esse sorriso mexe com qualquer garota, já que causa sensações estranhas até em mim, que sou uma mulher mais velha.

— Um pouco — Respondi, desmanchando o sorriso que havia deixado escapar, pois ele é meu aluno, tinha que manter minha postura profissional.

— Eu precisava te perguntar uma coisa — Falou ele, parecia meio sem jeito, encarando o chão, claro que deveria ser apenas um teatro, ele não faz o tipo tímido, que fica desconcertado.

— É que... — Começou a falar, mais os primeiros alunos começaram a entrar, falando alto, mas não me importei, mantive meu olhar nele, esperando que continuasse. — Pode ser no final da aula? — Perguntou.

— Ok — Não gostei da ideia, mas concordei, que outra opção eu tinha?

  

   Confesso que estava um pouco curiosa, só havia dado aula para aquela turma uma semana, dúvidas sobre a matéria não poderia ser. Era inevitável olhar para ele no decorrer da aula.

   A aula parece ter demorado uma eternidade. O sinal, finalmente, tocou e eu os liberei. Arrumei minhas coisas, enquanto esperava a boa vontade do Carter de vir falar comigo, mas ele parecia não ter a menor pressa. Depois de todos saírem, Michael desceu as escadas lentamente, eu analisei cada movimento seu. Ele era realmente muito atraente, esguio e forte, mas não de uma maneira exagera e ele aparentava ser bem mais velho, do que de fato era. Ele parou no mesmo lugar de quando havia chegado.

 

— Então, o que queria me falar? —  indaguei, esforcei-me para manter o rosto inexpressível.

— Está mais para, perguntar — Fiz apenas um sinal de “prossiga” com a mão direita — Bem, eu — Ele fez uma pausa e eu arqueei uma sobrancelha, esse teatrinho dele já estava me cansando — olha, eu sou horrível em matemática e eu corro um grande risco de ser reprovado na sua matéria — Disse ele.

— Você sabe que está sofrendo por antecipação, né? — Questionei. Sei que não sou a miss simpatia, mas não iria reprova-lo, só por causa do nosso desentendimento na semana anterior — Essa é apenas a segunda semana de aula, aquela aula que você faltou não irá te prejudicar tanto — Continuei.

— Olha, se a Senhorita olhar o meu histórico, vai ver que estou certo, eu simplesmente não entendo matemática, não rola. — Coloquei a mão direita na frente do rosto e dei uma pequena risada, a expressão preocupada dele, estava realmente divertida.

— E o que o Senhor quer que eu faça? — Indaguei, voltando a minha habitual seriedade.

— Daniel disse que você costumava dar aulas particulares, então eu pensei — Começou, mas eu o interrompi.

— E disse certo, costumava, não dou mais — Falei, com certa indiferença. O aluno que eu contei que havia se apaixonado por mim, dava aulas de reforço a ele.

— Professora, eu sei que você deve ser muito ocupada, mas eu realmente preciso passar — Falou com uma carinha triste, provavelmente achando que eu me compadeceria de sua situação, mas mesmo que ele fosse o gatinho do Shrek, não mudaria minha decisão — Me ajuda, professora — Continuou, em tom de súplica. Respirei fundo e inclinei um pouco a cabeça para o lado, analisando-o, estava ficando realmente difícil dizer não a ele.

 

— Michael, o que eu posso fazer por você, é te passar o contato de algum conhecido meu, mas eu, pessoalmente, não posso te ajudar — Falei de forma serena, até porque, não havia motivos para ser grossa com ele.

— Por que? Não é contra as regras, nem nada — Questionou, além de muito insistente, tem bons argumentos.

— Eu sei que não — Respondi.

— Então, eu não estou pedindo um favor, eu vou pagar pelas aulas, dinheiro não é o problema, professora.

— O quê? Será que ouvi direito? Que garoto idiota, acha mesmo que pode conseguir tudo que quer com dinheiro. Se ele pensa que esse é o melhor método de me convencer, está muito enganado.

— Nem para mim senhor Carter — Falei com o tom de voz severo, enquanto me levantava e pegava minha bolsa — Então pode guardar o dinheirinho dos seu pais e parar de encher minha paciência, pois eu tenho mais o que fazer — Não que ele ter dinheiro seja o problema, bom para ele, mas ele achar que pode manipular as pessoas com isso, me irrita muito — Nos vemos na quarta, senhor Carter — Terminei de falar e sai da sala. 

   Cheguei a sala dos professores praticamente bufando, me joguei no sofá e fechei os olhos, na tentativa de me acalmar.

 

— Ela está bem? O rosto está tão vermelho que parece que ela vai explodir a qualquer momento? — Ouvi Cosima, a treinado do time de natação, perguntar a alguém. Não disse nada, apenas fiz um sinal de “positivo” com as mãos e mantive os olhos fechado.

— Toma — Reconheci a voz de Jô perto de mim, então abri os olhos e ela estava com uma xícara de café parada a minha frente, imediatamente peguei e tomei todo o seu conteúdo de uma só vez, o café da sala dos professores nunca estava quente. — Agora me conta o que aconteceu — Ela falou de forma gentil.

— Essa é fácil, deixa que eu adivinho — Júlie bateu o dedo indicador algumas vezes na ponta do queixo, enquanto encarava o teto — Moreno, dois metros de altura, se acha o “garanhão”, estou certa.

— Sim, infelizmente. Está sabendo muito hem — Respondi.

— As meninas quase pulam em cima dele, quando ele passa — Revirei os olhos com aquele comntário, ele não era grandes coisas.

— O que ele aprontou dessa vez? — Perguntou Jô. Cosima apenas escutava toda conversa, parecendo não entender nada, mas não tinha coragem de interromper, ela era professora, porém, também tinha um pouco de medo de mim.

— Querendo que eu desse aulas particulares para ele, disse que dinheiro não era problema — Falei, engrossando a voz, tentando o imitar, o que saiu ridículo e até Cosima riu da minha imitação fajuta.

— E o que isso tem demais? — Perguntou Jô.

— Não é assim que as coisas funcionam, ele tem que aprender que o dinheiro dos pais dele não vai resolver todos os seus problemas. Então que ele sente a bunda na cadeira e estude sozinho — Falei, ainda irritada.

— Eu não estou entendendo muita coisa, mas você não acha que pegou muito pesado? — Perguntou Cosima, de maneira receosa.

— Eu só disse não a ele, não o espanquei. — Respondi, da forma mais tranquila que pude.

— Acho que não foi isso que ela quis dizer — Começou Jô — se ele te pediu ajuda, por que não?

— Verdade, cobra um valor bem alto, já que ele pode pagar e todo mundo sai ganhando — Continuou Júlie.

— Eu não quero o dinheiro dele — Rebati.

— Nós sabemos — Jô lançou um olhar repreensivo para Júlie — Olha, nós sabemos o porquê do seu receio com aulas particulares, mas ele não é criança, talvez ele só esteja precisando de ajuda mesmo.

— As aulas começaram a uma semana, como ele já pode estar precisando de ajuda? Acho que ele está querendo outra coisa. — Brincou Júlie.

— Se não vai ajudar, também não atrapalhe — Disse Jô, de maneira ríspida.

— Não, que isso seja algo ruim, seria bom que alguém ajudasse a estressadinha aí, a se acalmar — Continuou Júlie, ela realmente não sabe a hora de calar a boca.

— A estressadinha aqui, não vai mais te dar carona! — Falei e na mesma hora ela parou de rir.

— Tem um jeito de saber se ele realmente precisa de ajuda — Falou Cosima e todas olhamos para ela.

— Prossiga, querida — Falou Júlie.

— Vamos olhar o histórico dele.

— Nós não temos acesso de imediato, teríamos que fazer um requerimento e não tenho certeza se o motivo, acho que ele está querendo pegar a professorinha, é bom o suficiente. — Falou Júlie.

— Vou ter que fazer uma pequena correção na sua frase, vocês não têm acesso imediato, eu tenho.

— Explique — Falou Jô, ela de fato, havia conseguido nossa total atenção.

— Eu tenho acesso a todos os dados e históricos de todos os alunos, para saber quem pode estar no time, quem eu poderia convocar. — Concordei com a cabeça. Na sala dos professores havia uma mesa com três computares, a disposição dos professores, mas preferíamos usar nossos notebooks, mas para essa tarefa em especial, necessitávamos daqueles computadores.

 

   Cosima abriu o perfil de Michael e nós quatro começamos a analisa-lo, sei que só precisávamos das notas em uma determinada matéria, mas não íamos perder a oportunidade, já que estávamos ali. 

 

— Nossa, ele estudou na suíça — Exclamou Cosima, surpresa.

— E em vários outros lugares — Falou Jô.

— Gente, isso é invasão de privacidade — Disse Júlie.

— Desde quando você liga para isso? — Respondeu Jô, olhando para Júlie com um sorriso cínico.

— Idiota, daqui a pouco os outros professores entram, vamos logo para as notas. — Continuou Júlie.

— Ela estava certa — Falei e Cosima foi para o histórico.

— É, o garoto realmente precisa de ajuda — Falou Cosima — Se tem cálculo, a nota não passa de sete.

— Verdade, mas nas outras matérias até que ele não foi mal. — Disse Júlie — O que você pretende fazer? — Indagou, me olhando.

— Não tenho certeza, acho que vou indicar algum conhecido meu para ajuda-lo — Respondi.

— Ainda estamos no início, não precisa decidir de imediato, mas você uma ótima professora, deveria larga esse medinho besta e ajuda-lo. — Falou Júlie, ela não tem filtro social, nem para falar, nem para ações.

— Júlie! — Repreendeu Jô.

— Ela está certa — Falei.

— Viu — Disse Júlie, com um olhar vitorioso.


Notas Finais


Até o próximo Capitulo!


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