História A Ascendência do Trono - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Nebulla

Postado
Categorias Mitologia Grega
Personagens Personagens Originais
Tags Heróis Do Olimpo, Percy Jackson
Exibições 48
Palavras 3.832
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Sejam bem-vindos a minha humilde fanfic. Esse capitulo conta a história de Bellamy, um semideus que... Deixa pra lá, é melhor você lerem e descobrirem.

Capítulo 1 - O filho da saúde perfura algumas velhas


Fanfic / Fanfiction A Ascendência do Trono - Capítulo 1 - O filho da saúde perfura algumas velhas

“O garoto que odiava monstros.” Esse seria o nome perfeito para o livro de Bell. Caso ele sobrevivesse tempo o suficiente para escrever um.

Bellamy Bones nunca imaginou como seria ter um lar, uma família feliz. Nem se lembrava mais dos dias felizes em que ele tinha um pai, um teto e uma cama quente para dormir. O garoto de vivera nas ruas desde criança.

A única coisa que ele sabia e podia confirmar para todos, era sobre a vida nas ruas. Ele pode afirmar com toda a certeza: viver na rua é uma droga. Principalmente se você for meio-humano, meio-divino. Mais conhecido como semideus. Isso mesmo, você pode não acreditar, mas os deuses Gregos e Romanos existem. E não são pais muito presentes, diga-se de passagem. Apesar disso, ele já viu sua mãe algumas vezes.

Aigle, deusa do esplendor e da boa saúde. Como uma deusa menor, ela tinha mais tempo para se comunicar com seus filhos, ou melhor, seu filho, já que ele é o único. O garoto lembrava perfeitamente de seu rosto, de sua feição angelical, seus cabelos longos e loiros. Talvez ela tivesse puxado a beleza de seu avô, Apolo. A deusa sempre estava com um longo e branco vestido grego (que o garoto nunca lembrava o nome). Na maioria das vezes seus pés estavam descalços, deixando a mostra seus brancos e delicados pés, flutuando com a brisa.

Já seu pai, ele nem se lembrava mais. As únicas coisas que sábia sobre ele eram o nome e a nacionalidade. Samuel Bones, um brasileiro, de pele morena e cabelos negros. A deusa lhe contara que ambos se conheceram quando a deusa fez uma visita ao Cristo Redentor. Segundo ela, foi amor à primeira vista. Ninguém sabe o que aconteceu com ele.

“Você tem os mesmos olhos que ele”, dizia a deusa da boa saúde. Sempre que tocavam no assunto Sam, os olhos de Aigle (que mudavam constantemente de cor) se enchiam de lágrimas. Chega, pensou o garoto, dispersando aquelas memórias.

O garoto levantou-se, se espreguiçando. Ele vestia uma calça jeans surrada e uma camiseta laranja desbotada que sua mãe lhe dera. Segundo ela, a camisa havia pertencido ao seu pai, quando ele era jovem. Ele olhou para o lado e viu que tinha uma mochila com roupas limpas e alguns livros. Era sempre assim, sua mãe sempre lhe levava presentes.

Ele caminhou, deixando para trás o monte de papelões e jornais que ele chamava de cama. A vida dele não era assim tão mal. Ele acordava, comia, andava pela cidade e depois voltava para dormir. Ele olhou a sua volta, mulheres carregando sacolas, homens com maletas, crianças com pequenas mochilas, dirigindo-se para a escola. “Escola” pensou o garoto. Há quanto tempo ele não frequentava uma. Apesar de sua tenra idade, 16 anos, ele sabia de muitas coisas. Conseguia até falar fluentemente em inglês. Assim, de vez em quando, trabalhava como guia turístico.

De repente, um cheiro deliciosamente bom penetrou em sua narina. Era o cheiro de pão quentinho, saído direto do forno. Sua boca até babava enquanto o garoto pensava naqueles deliciosos pães. Ele decidiu ir até a padaria.

O lugar não era muito grande. Tinha duas mesinhas, onde os clientes podiam sentar. Algumas prateleiras com suvenires diversos, e o principal, um balcão repleto de guloseimas.

– Olá, Paulo – Disse Bell, acenando para o garoto que estava do outro lado. Ele tinha pouco mais de dezoito anos. Tinha a pele morena, usava um avental branco. Seu cabelo era curto, estilo militar.

– Deixe-me adivinhar, vai querer dois croissant e um cappuccino? – Falou Paulo, com seus quase 1,80 de altura. – E ainda por cima vai querer que eu te dê um desconto, ou eu estou errado?!

– Você acha que eu pediria uma coisa dessas? – Disse o garoto tentando parecer ofendido, mas acabou rindo. – Isso mesmo, acertou.

Paulo abaixou-se e pegou os dois croissants, colocando-os em uma sacola. Depois virou-se e pegou o Cappuccino para o garoto. Bell pegou duas notas em seu bolso e depositou no balcão, pegando seu pedido logo em seguida.

– Obrigado – Disse o garoto cacheado, indo em direção à porta da padaria. Ele teria adorado os croissants, se um idiota não tivesse trombado com ele.

Bell fez o seu melhor olhar irritado e virou-se para o garoto que derrubou sua comida. Ele era ruivo, devia ter em torno de 16 anos. Vestia uma camisa laranja, parecida com a sua. A sua calça jeans tinha rasgos no joelho. Em seu pescoço havia um colar de couro, com duas contas. Seus olhos eram verdes e penetrantes, assim como a misteriosa imensidão da floresta Amazônica. Bellamy tinha que confessar, ele era um idiota muito bonito.

– Me desculpe – Disse o ruivo, sorrindo. Mas o sorriso sumiu de sua cara quando ele olhou para a direção de onde havia chegado. Havia umas trinta velhinhas bonitinhas correndo, com suas bengalas na mão. Bell se perguntou o que assustava o ruivo. Será que o bolo de cenoura delas era tão ruim assim? Quando Bell apertou sua vista, ele teve uma visão terrível. As velhas eram, na verdade, um bando de demônios magricelas com dentes e garras afiadas. As bengalas eram nada mais nada menos que espadas superperigosas. O ruivo então gritou para o garoto: CORRE! – E Bell fez o que ele mandou, sem pestanejar.

Os dois correram pela avenida principal, seguidos pelos terríveis demônios, que grunhiam e gritavam coisas estranhas, que Bell interpretou como “Se vocês não pararem agora, eu vou te encher de bolo de milho”.

– Do que exatamente a gente tá fugindo, ruivinho?! – Perguntou Bell, correndo o mais rápido que conseguia. Graças a sua boa saúde, ele tinha muito fôlego.

Androctasiai, personificações do homicídio – Disse o ruivo, olhando para trás e para Bell, respectivamente. – E meu nome é Lion.

– Demônios assassinos? O que mais eu poderia querer?! – Disse o garoto, sarcasticamente. Em seguida, passos estrondosos foram ouvidos. Ao virar-se para trás, Bell descobriu que além da Androctasiai, eles também estavam sendo seguidos por um ciclope de 4 metros de altura. – Eu e minha boca grande.

A boa notícia: Os dois conseguiram despista-los, e acabaram entrando em um beco de mais ou menos 7 metros. A má era que o beco não tinha saída. Ótimo, pensou o filho de A​igle.

– Primeiro – disse Bell olhando para Lion e apontando o dedo indicador. – Quem é você?

– Quer a ficha completa?! – Disse Lion, com aquele sorriso que quase derreteu o cérebro de Bell. O cacheado conseguiu apenas acenar com a cabeça. – Eu sou Lion Dellacroix – Disse o garoto, com um sotaque estranho. Seria francês? – Meu pai divino é Himeros, deus da sensualidade e do desejo – “Percebi” pensou Bell, sem tirar os olhos do garoto. – Sou do signo de Leão e...

– Espera um pouco, informação de mais, ruivinho – Falou o garoto, encarando Lion. – Segundo: O que diabos aquelas velhas querem com você?

– Eu e minha amiga estamos em missão. Uma deusa requisitou que fossemos atrás de um semideus, e Quíron, o centauro, designou a gente para essa busca. Nós temos que levar o tal semideus para o Acampamento Meio-Sangue, onde os filhos dos deuses podem viver em paz. Bem, nem tanto assim. – Lion encarou Bell, como se esperasse que o garoto começasse a rir de sua cara, ou algperguntou..

O garoto apenas assentiu. Seus olhos analisavam o corpo do ruivo, de cima a baixo. Como poderia existir alguém assim, se perguntou. Ele não teve tempo de começar a babar, pois as velhas apareceram na entrada no beco, que também era, por consequência, a saída.

Shit – Disse Bell, em alto e bom som.

– Que droga, estou sem minha espada. Você tem alguma arma, garoto? – Perguntou Lion, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Claro, como se eu andasse com minha lança sempre no bolso – Falou Bell, o que fez o ruivo soltar um Me desculpe. – Pra falar a verdade, eu ando com minha lança no bolso sim. E me chama de Bell, o filho de Aigle. Não que isso seja uma informação importante – acrescentou o garoto, rapidamente.

O garoto tirou um bisturi de prata que ao toque do garoto começou a brilhar em tons de verde. Quando o show de luzes cessou, onde antes havia um bisturi, agora havia uma lança de quase dois metros.

Uou – exclamou o ruivo, surpreso. Era muito bom deixar o filho do deus do desejo de boca aberta.

Um dos demônios, talvez a mais idiota, partiu para cima do garoto. Com sua espada em punho, ela tentou cortar Lion, mas Bell interferiu fazendo um arco com a lança e desintegrando a Androctasia. As outras não deixaram barato e também partiram para o ataque, deixando o ciclope tapando a saída do beco. Bell podia jurar que o gigante estava soletrando o Abc.

O que se passou a seguir foi uma tempestade de empalhamentos, chutes, socos, garras, bolos de fubá. Um monstro partiu de mãos nuas para tentar cortar Bell que estava distraído lutando, mas Lion lhe aplicou um chute bem dado no estômago, decapitando-a logo em seguida.

– Essa foi boa ein, ruivo. Mas tente superar essa – Disse Bell, empalando três demônios.

Lion abaixou-se e pegou uma das espadas que as velhas haviam deixado cair ao se desintegrar. Ele começou a girar, desferindo golpes a torto e a direito, quando percebeu, havia derrotado seis daqueles monstros.

– Bate essa, garoto boa saúde – Lion riu em seguida.

E foi aí que a competição começou. Bell correu com sua lança e acertou uma das velhas na coxa, acertando-lhe um gancho de direita, em seguida. Ele sentiu algo se aproximando por trás, então virou-se e acabou se deparando com outra velha. Ela sorriu para ele, e o garoto conseguiu sentir o horrível bafo que saia de sua boca. Parecia que ela tinha comido um grande bolo de fezes.

O garoto bateu com a haste de sua lança no corpo magricelo daquele demônio, lançando-a na direção de Lion, que acabou por cortar lhe ao meio, espalhando pó dourado por toda a sua roupa.

– Você só pode estar de brincadeira, né?! – Disse Lion, recebendo uma gargalhada de Bell. O ruivo lhe retribuiu o sorriso, o que fez o filho de Aigle se desconcentrar. Como podia ser tão bonito? O ruivo então jogou uma lixeira na direção do garoto, que abaixou. A lixeira então acertou uma Androctasia, que explodiu em pó. – Vê se não se desconcentra, eu não vou ficar bancando a babá a luta inteira.

Como se tivesse recebido uma descarga elétrica, Bell partiu para cima de um grupo de velhas, empalando, socando e chutando. Eles não viram não o que lhes haviam atingido. O garoto girou um corpo e mandou um chute no rosto de outra que se aproximou para ajudar as horríveis amigas.

Lion, para não ficar para trás, fatiou algumas velhas. Ele cortava uma, mandava um de seus “sorrisos-que-derretem-cérebros” e atacava novamente. Ele estava quase todo coberto de pó dourado, o que fazia com que ele brilhasse e por consequência, parecesse uma rainha-de-bateria.

– Parabéns, miss samba-no-pé – Falou o garoto de cachos, rindo logo em seguida da cara do ruivo, que não havia entendido nada.

O garoto olhou à sua volta e percebeu que haviam sobrado apenas quatro. Bell correu e fincou sua lança na cabeça de uma daquelas velhas. A outra tentou acertá-lo, mas Bell apenas se esquivou, fazendo com que ela atacasse a sua aliada. Bell agachou e acertou um soco em sua barriga seca, jogando contra a parede, onde foi decapitada por Lion. A última, e mais esperta por sinal, tentou fugir, mas o filho Aigle jogou sua lança, que atravessou a velha, desintegrando-a.

Lion soltou um suspiro e um sorriso, respectivamente, o que Bell retribuiu com toda alegria possível. Mas a felicidade durou pouco, pois o ruivo foi acertado por uma clava gigante. Bell lentamente se virou para trás. Seus olhos se depararam com uma grande figura de pele cinza, tanguinha há brega, e olhos irritados. Na verdade, olho irritado. Droga, pensou ele, esquecemos do grandalhão.

Lion pegou sua espada, que na verdade ele havia pegado emprestado da Androctasiai, pronto para revidar caso o monstro lhe atacasse, mas o que ocorreu surpreendeu-lhe bastante. O monstro agarrou Bell e saiu correndo, enquanto o garoto se debatia debaixo de seus braços gordos. As axilas do monstro fediam a hambúrguer estragado.

[...]

O ciclope corria muito, apesar de seu tamanho e de sua bagagem, mais conhecida como Bellamy. A cada nova esquina ele parecia correr mais e mais. Até que ele chegou a uma estrada de terra, que levava até um milharal. Uma grande porteira azul se localizava em frente à estrada. Ela estava trancada com correntes, mas não foi problema para o brutamonte que apenas chutou e destruiu a porteira. Ao lado da estrada havia uma grande placa com letras garrafais vermelhas. O monstro continuou correndo, ignorando-a. Provavelmente não sabe ler, pensou Bell.

Lion tentou ler o que estava escrito na placa, com o pouco de português que conhecia. “Propriedade privada, não ultrapassar”. Desculpa, mas é uma emergência, pensou o ruivo, pulando a porteira destruída e correndo atrás do ciclope. Poeira subia enquanto o monstro corria, o que dificultava a visão do garoto. O ruivo pensou em jogar a lança de Bell, mas sua pontaria não era lá das melhores, e só conseguiria perder a arma do garoto.

O ciclope fez uma curva e entrou no milharal. Lion fez o mesmo. Ele tentava seguir o rastro de destruição do gigante, mas sempre era interceptado por Karpois, que tentavam atrapalhar sua passagem.

– Saiam da minha frente – Urrava Lion, cortando os espíritos dos grãos que insistiam em aparecer na sua frente.

A primeira vista você poderia dizer que eram bebezinhos. Fofinhos, gordinhos e angelicais. Eles usavam fraldas de tecido amarelado e eram cheios de dobrinhas, mas as semelhanças acabam por aí. Suas peles tinham uma tonalidade esverdeada estranha, como se corresse clorofila por suas veias. Suas asas eram finas e secas, como se fosse palha, e seus tufos de cabelo branco pareciam fios de milho verde. Os rostos? Desfigurados e marcados com grãos de cereais.

Trigo – Gritou um deles, olhando para o filho de Himeros com seus olhos verde-escuros. Ele mostrava seus dentes afiados e superdesenvolvidos. – O trigo vai dominar.

– Não, a cevada vai – Gritou outro bebê demoníaco.

– Parem de brigar! – Disse um terceiro. Os outros concordaram – Todos sabem que o sorgo é que vai dominar.

Então, uma confusão de grãos começou. Lion agradeceu, já que eles perdiam o tempo brigando entre si, e não com ele. O ruivo continuou correndo, até chegar a uma área circular onde não tinha nada. Nem ciclope, nem karpoi, nem nada. Somente um espantalho. Espantalho? Pensou o garoto, aproximando-se.

Espantalhos não usam calças jeans, nem camisas laranja muito menos tinham sangue. E pelo pouco que sabia espantalhos não ficavam presos em correntes de bronze celestial. Quanto mais se aproximava, mais certeza ele tinha de que não era um espantalho. Ele encarou o rosto de Bell, que quase chorou de felicidade ao ver o garoto.

– Finalmente você veio – Disse uma voz grossa. – A Voz pediu que eu levasse o filho de Aigle, mas parece que teremos mais um semideus no pacote.

O ciclope saiu do meio do milharal e encarou os semideuses, dando um sorriso amarelo. Em sua boca faltavam alguns dentes.

– Ela vai ficar tão feliz. E eu também. – Seu rosto ficou sério. – Nós vivíamos em paz até os aqueles humanos civilizados chegarem aqui. Eu ainda tenho arrepios quando me lembro daquele filho de Hermes. Como ele se chamava? Só sei que era Dom alguma coisa.

Blá, blá, blá – Disse o filho de Himeros, com uma cara debochada. – Como se nós quiséssemos saber sobre sua vida medíocre e sofrida.

A Voz mandou levá-los vivos, mas não disse nada sobre deixá-los muiiiiito machucados – Falou o cinzento, levantando sua clava e partindo para cima de Lion que estava tentando libertar, Bell. O ruivo correu na direção do monstro, mas abaixou na última hora, deslizando por debaixo de suas pernas.

O monstro freiou e virou-se para Lion, que agora estava com a lança de Bell nas mãos. O ruivo fechou os olhos e suspirou, tentando concentrar-se o máximo possível. Ele abriu seus olhos e encarou o gigante com olhos gélidos, arremessando a lança. O monstro apenas deu um passo para o lado, deixando a lança passar reto.

Gwahahaha – Gargalhou o monstro, deixando a mostra seus tortos. – Errou garotinho.

– Pelo contrário – Respondeu o garoto com uma risada desdenhosa.

Quando o ciclope se virou, viu que Bell havia se libertado das correntes e estava com sua lança em punhos.

C-como? – Perguntou o monstro, gaguejando. Sua expressão era indefinível. Medo, duvida ou apenas raiva? Então um flash passou por sua cabeça. A lança não fora lançada para lhe atingir, e sim, para romper as correntes. Ele murmurou alguma coisa que os semideuses não entenderam. Ele levantou sua lança, pronto para esmagar Lion, mas ele ouviu um grito atrás dele.

 Bell avançou em direção ao monstro, com sua arma em mãos e fincou-lhe a lança na altura do cóccix, o que fez algo parecido com sangue, meio dourado, meio escuro sair do ferimento. O monstro urrou de dor e virou-se para Bell, deferindo-lhe um soco. O punho gigante atingiu o garoto, e Lion pode ver pela expressão de Bell que ele havia quebrado alguns ossos.

 – Hey, feioso – Gritou Lion, com raiva. O monstro olhou em sua direção, e a única coisa que sentiu foi uma lâmina adentrando seu globo ocular.

Ele urrou novamente e foi derrubado com um chute no queixo: - Cortesia de Lion Delacroix. – Disse o ruivo, desabando no chão, de cansaço e felicidade.

Aaaahh, eu não posso ser derrotado. Eu sou o líder da gangue de ciclopes – Disse o monstro, enquanto uma mistura de sangue, lágrimas e uma substância gelatinosa saiam de seu olho. – A Voz não vai me perdoar.

– Você não está em condições de se preocupar com essa tal voz. Morre, morre, morre – Gritava o ruivo, enquanto perfurava o peito do monstro com sua espada. Ele só parou quando percebeu que o monstro não emitia mais nenhum som, e não fazia nenhum movimento.

Aiii... – Gemeu Bell, tentando andar.

Lion pulou rapidamente de cima do cinzento e foi dar suporte ao novo amigo, que estava tentando se manter de pé, com a camisa suja de sangue e de pó dourado.

– Você está bem? – Disse o ruivo, com certa preocupação no olhar.

Imagina, estou ótimo. Fui atacado por velhas homicidas, raptado por um gigante que fede a hambúrguer em decomposição, fui suspenso do chão e amarrado como um espantalho por correntes, e por fim, levei o pior soco da minha vida. Tudo isso porque um idiota derrubou meu café da manhã. Sim, claro, estou SUPER bem.  – Respondeu ele com os nervos a flor da pele. O ruivo ficou sem palavras, conseguiu dizer apenas um me desculpe. Ele fechou os olhos e suspirou. – Desculpa, eu estou muito pilhado com o que aconteceu, não foi culpa sua.

– Mas e esses ferimentos e hematomas? – Disse o ruivo preocupado.

– A maioria dos ferimentos vai se curar sozinho. Benção da minha mãe, sabe?! – Respondeu Bell, tentando levantar-se logo em seguida.

– Eu te ajudo – O ruivo levantou e agarrou Bell, que corou violentamente com a proximidade. – Tem uma coisa que me deixou curioso, onde você aprendeu a lutar desse jeito?!

– Eu moro nas ruas, tenho que me defender de algum jeito – disse o cacheado, rindo. Ele percebeu que o ruivo o encarava, corou novamente. – Err... acho que já dá para você me colocar no chão, né?!

O ruivo percebeu que ainda tinha Bell no colo. Ele soltou o garoto, que se apoiou em seu ombro. Lion ouviu um farfalhar no meio do milharal.

– Acho melhor a gente ir logo, não quero ter que lutar com mais monstros hoje – O ruivo começou a caminhar, juntamente com Bell, que mancava.

– Ainda bem que esse brutamonte morreu. Não quero vê-lo por um bom tempo – Como se esperasse a deixa, o ciclope urrou. Ambos viraram-se e encaram o monstro que fervia de raiva. Seu olho cego mexia rapidamente, espalhando uma substância gelatinosa, causando náusea no filho de Aigle. – Eu e minha boca grande – Disse o cacheado, agarrando Lion e esperando pelo pior.

O ciclope ameaçou atacá-los, mas foi parado por um tiro vindo de suas, que passou raspando pela sua bochecha. Ele virou-se para trás desnorteado.

– Cadê vocês, eu sinto o cheiro de medo – Falou ele.

Outro tiro foi disparado, vindo de sua lateral, acertando suas duas pernas. O ciclope caiu de joelhos. De repente, um vulto negro correu na direção dele. Um corte rápido foi feito, separando a cabeça do corpo. O monstro explodiu em cinzas, pó dourado e sangue negro.

– Tenha uma boa morte, otário – Disse o vulto, com uma voz feminina.

Onde antes tinha um ciclope, agora jazia uma garota, com aproximadamente 18 anos. Em suas mãos, uma grande foice. Ela vestia uma camisa laranja, com uma jaqueta preta por cima. Usava calça leging preta, com uma bota de cano alto. Seus cabelos negros cobriam as costas. Ela era pálida. Em seu pescoço havia um colar igual ao de Lion, mas ao invés de duas, haviam sete contas.

– Não posso te deixar um pouco sozinho, que você já arranja confusão? – Falou a garota, negando com a cabeça – E ainda envolve um mortal. O que o Quíron vai dizer sobre isso?

Rebecca, esse aqui é o Bell – Disse Lion, apontando para o garoto.

– Não quero saber o nome dele, quero completar a missão e ir embora logo – Disse a garota, impaciente.

– Ele é um semideus. É o filho de Aigle que a gente estava procurando – Assim que o ruivo falou aquilo, o olhar de desinteressada de Rebecca sumiu.

– Aleluia – Disse a garota olhando para os céus e agradecendo. – Estamos a cinco fodendos dias procurando você garoto. Temos que ir.

– E quem disse que eu vou? – Questionou o garoto, recebendo um olhar assustador de volta.

– Se eu fosse você, eu não irritava a Rebecca. Ela pode até ser filha de Macária, deusa da boa morte, mas ela vai fazer da sua morte muito boa não – Disse o ruivo, alternando o olhar entre Bell e Becca. – Vem com a gente, por favor.

– Porque eu faria isso? – Voltou a questionar

– Porque esse é um pedido de sua mãe – Respondeu a garota, calando Bell.

Tantas coisas passaram pela cabeça do garoto. Porque ela pediu isso? Porque agora? Ela realmente se importa comigo? Ele ficou perdido no meio daquele turbilhão de pensamentos. Ele encarou Rebecca, depois Lion.

– No acampamento você terá uma casa, terá comida, terá a mim – Disse o ruivo, com aquele sorriso sedutor na cara.

– Então, você vem? – Tornou a perguntar Rebbeca, com a mão esticada.

O garoto assentiu. Fechou seus olhos e pensou em tudo o que havia acontecido até o momento. Pensou em sua vida como se fosse à história de um de seus livros. Aquele momento seria o fim, ou apenas um prólogo para tudo que estava por vir?! Ele abriu os olhos, apertou a mão de Rebecca, assim como Lion, e os três desapareceram dentro das sombras.

 

Do pecado de um, doze cairão [...]

 

 


Notas Finais


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