História A Autópsia de Calisto - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Autópsia, Contos, Decadência, Original
Exibições 3
Palavras 353
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - VIII - Caos Marítimo


       VIII - Caos Marítimo

De alguma forma eu sinto o sol me tocar, mesmo estando dentro de um prédio localizado ao lado da sombra. Seja longe ou perto da janela da varanda, seja dentro ou fora do teu abraço, eu sinto o sol me incendiar. Mesmo que eu tire as roupas para tentar pôr fim a essa absurda sensação de calor ou mesmo que eu fique debaixo do ar frio do ar condicionado, apenas consigo sentir os meus pés ficarem frios. Mas, de resto, tudo queima insuportavelmente, como uma lareira nos dias mais intensos de verão ou como o calor incomodante formado por um aglomerado de estranhos exprimidos em um vagão de metrô, no momento mais movimentado do dia. 

 Sempre detestei a sensação de calor demasiado e talvez seja por isso que olho, cada vez mais a janela da varanda, ao meu lado, e penso, dentre outras mil coisas, como o mar é estupidamente bonito em dias nublados; O quanto a sensação de ressaca marítima aumenta, o quanto o mar não apenas parece me chamar como também tenta me deixar completamente submerso na vontade de entrar nele como se eu fosse parte dele, como se eu fosse uma de suas belas e quebradas ondas; Num momento estou no auge e no outro me esparramo nas quentes e pouco misericordiosas areias que o perseguem por toda a sua costa, por toda a sua existência. 

 Como onda, toquei na areia; Me esparramei numas areias úmidas, porém quentes. Demasiadamente quentes. Tudo queima, tudo é consumido e de bela onda eu passo a ser um pequeno aglomerado de espumas. Efemeridade. Em poucos segundos, eu estava no auge de modo tão intenso que senti o profundo impacto ao perceber que minha cara havia batido na dura, insensível e pesada areia; Mas eu me lembro que pertenci ao mar como uma bela onda. Agora, sou um pequeno aglomerado de espumas. Agora, já não estou mais nessa superfície. O sol fez questão de me secar, de fazer-me explodir, já que eu era uma frágil bolha de espuma. Passou. Passei. Efêmero. Mas, olhe pela janela da varanda: aí vem uma outra onda...  



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