História A Bailarina das Camélias - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bailarina, Bailarino, Ballet, Camélias, Originais, Romance
Exibições 5
Palavras 2.181
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Sentir mais do que gostaria


Fanfic / Fanfiction A Bailarina das Camélias - Capítulo 6 - Sentir mais do que gostaria

Depois de uma semana de ensaios, comecei a me interessar mais pela história de Gustavo. Durante todo esse tempo, apenas me vi dentro dele e vivia essas emoções sem nem ao menos me perguntar o que ele viveu, e quis uma resposta para a minha dúvida até então esquecida: Quem é Cecília Callas?        Temos folga apenas no Domingo. Como sempre, passei este dia na leveza de minha própria companhia. Ainda na cama, peguei meu celular e fui "stalkear". Pesquisei por Gustavo no instagram. Meu coração apertou ao encontrá-lo. Apenas vendo as suas fotos, percebi o quanto ele é lindo. Mas por outro lado, fiquei enciumada ao ver que nas fotos em que ele não está sozinho, tem apenas amigas. Os amigos, são gays. Me surgiu uma dúvida enorme sobre ele: Ele é gay ou mulherengo?. O pior de tudo foi que em todas as fotos que ele tem no Brasil, com os amigos, Cecília está sempre ao seu lado. Nunca na outra ponta ou com outra pessoa. Sempre ao lado dele.

Tive uma sensação estranha dentro de mim. Percebi que eu não o conheço de verdade. Talvez ele só tenha sentimentos por mim nos ensaios. Se eu não fosse sua partner, ele nem me olharia. Quem sabe se ele tem um relacionamento as escondidas com Cecília?. E mesmo que realmente goste de mim, por que me escolheria ao invés de Cecília? Ela é linda, por mais que eu não queira falar isso. Ele vive uma vida de príncipe riquinho. É "famosinho" e querido por todos. Sei que Gustavo não é assim. Meu partner é simples mas vive no luxo. Cecília faz o típico dele. Realmente não entendo como ele escolheria alguém como eu. Uma menina tão excluída, nerd, séria, nada fútil e nada vaidosa. Mas o pior de tudo é que eu não entendo o por que de querer ser a menina dos olhos dele. Qual o motivo de estar pensando nisso? 

-Pense em outra coisa. Esqueça isso. -      Falei para mim mesma. Todas as tentativas de esquecê-lo foram por água abaixo quando uma mensagem chegou em meu celular.

 Oi Pri!

 Sou eu, o Gustavo. 

Quer passar a tarde comigo? Se sim, me           encontra na praça, perto da Cia. 

 Meu coração gelou ao ler isso. Fiquei imóvel por alguns segundos e então respondi sem nenhuma linha de raciocíneo. 

 Oi Gu! 

Quero sim! 

Já saio agora? 

 Li minha mensagem enviada e fiquei chocada. "IDIOTAA" pensei. Se nem eu mesma me entendo como posso esperar que alguém faça isso? Ele me respondeu que sim. Fiquei completamente nervosa. Mesmo com 19 anos, nunca saí com ninguém além de uma amiga ou outra. Sempre fui reclusa e introvertida. Não faço a mínima idéia do que farei. 

Pensei em mil e uma maneiras de parecer vaidosa ou ao menos cuidada. Olhei minha maquiagem mas então parei e vi meu reflexo no espelho. Lembrei do quanto eu amo ser quem sou. Não seria feliz sendo alguém vaidosa, pois esta não sou eu. 

"Gustavo gostou de você exatamente desse geito. Se ele não gostar da forma como levas a vida ou como Priscilla se cuida, ele que se dane. Você não pode enganar as pessoas com uma imagem nada real de si mesma. Seja sempre você mesma. Quem tiver de amá-la, gostará da forma como es e não de como gostariam que fosse." Pensei nisso e me acalmei. Ignorei a palavra "amá-la", levando meu pensamento adiante. Coloquei um vestido azul escuro, cinto marrom e meu sapato oxford. Deixei a minha franja solta. Metade do cabelo estava com uma trancinha, pois meu cabelo vai até o final do pescoço. Ficou da minha forma natural: despojado e levemente assanhado. 

 Cheguei na praça por volta das uma hora da tarde. Ela tem um lago enorme. Sentei-me em um banco e o esperei. Tive um olhar distante para o lago, como se revisse a minha vida até este momento

 -Pri! -Gustavo apareceu depois de dez minutos. Me levantei sorridente, pronta para abraça-lo.                                                                        -Gu! Abrimos os nossos braços e ganhei o melhor abraço do mundo. 

-Como você está?

 -Bem, e você? 

-Igualmente. Te chamei porque me lembrei daquele dia. Iria chamá-la para jantar e te conhecer melhor mas você saiu rápido e não tiro sua razão 

-Já pedi pada você esquecer isso e recomeçarmos. Então, o que quer fazer?

 -Depende. Iremos para os lugares onde você costuma ir

 -Olha, eu não sou de sair. Apenas vou a livrarias e cinema 

-Então o que acha de fazer um tour pela cidade? Depois que acabarmos, poderiamos jantar num restaurante italiano 

-Perfeito! Eu sou italiana... Ele se surpreendeu.

 -Pensei que fosse brasileira

 -Tenho dupla nacionalidade. Meus pais são italianos. Apenas nasci no Brasil pois eles estavam lá a viagem. Morei na Itália até minha adolescência. Logo depois, voltei para o Brasil.

 -Que história! Eu só nasci no Brasil mesmo! Demos uma gargalhada.

 -Tive uma idéia. Lá na Itália, costumamos andar em uma vespa, é um tipo de moto. Eu poderia te guiar pela cidade e você me mostraria os lugares Ele sorriu e concordou. Por sorte, haviam várias na praça. Subimos nela e apesar de sentir suas mãos na minha cintura todos os dias, estremeci com o toque. 

-Pronto? 

-Pronto! 

Dei uma acelerada rápida na vespa, o que resultou no nosso grito de diversão. Até este dia, nunca havia conhecido Bracelona de verdade. É uma cidade linda, ficando mais perfeita ainda ao lado de uma pessoa especial, que me faz questionar se algo tão perfeito é mesmo realidade. 

 Andamos por praticamente, Barcelona inteira. Em uma ponte, ele pediu para pilotar e eu concordei. A sensação foi apaixonante. Entrelacei meus braços em sua barriga. Senti um perfume único vindo de sua nuca. Nunca havia estado tão próxima de um homem quanto naquele momento. Alto, meu queixo ficou abaixo de seu ombro. Em certo momento, descansei meu rosto nele. Fechei meus olhos e apenas senti o vento em meu rosto. Não me preocupei com a reação de Gustavo, que pareceu gostar da minha ação. Naquele momento, meu coração palpitou e descansou ao mesmo tempo. Ele traz paz aos meus dias e cor as minhas emoções. Talvez eu ame, apenas não descobri isso ainda. Me senti no clipe da Lana del Rey, em Ride, no momento em que ela se liberta. Paramos em alguns pontos turísticos. Compramos uma câmera instantânea e tiramos várias fotos. Nelas, havia um sorriso iluminado em meu rosto, a qual eu não via a muito tempo. Gustavo me abraçava como seu eu fizesse parte dele. Senti-me protegida de qualquer mal.

 A tarde passou rápido, mas meus sentimentos e os dele ficaram vivos. Assim como nos ensaios, não foram ditas palavras, apenas sentimos tudo. 

Quando a noite chegou, ele parou em frente a um restaurante a céu aberto. Cheio de galhos e flores, me senti em casa ao ver o aspecto italiano apaixonante. Gustavo saiu da moto e me deu a mão para acompanhá-lo. Foi como se ela servisse para guardar a minha. Ele me puxou para dentro mas eu permaneci parada, como uma forma de chamar sua atenção para mim.

 -Obrigada! Ninguém nunca se importou dessa forma comigo, ou me fez sentir tanto sem nenhuma palavra. Você transformou meu dia! 

Ele ficou com uma expressão linda no rosto. Coloquei a minha mão livre em seu rosto e beijei sua bochecha. Tive que ficar na ponta dos pés. Desci rápido para disfarçar a minha face corada, com um sorriso tímido. Ele olhou para mim e também sorriu. Eu o deixei sem palvras. 

O lugar é maravilhoso. Com chão e mesas de madeira, apenas iluminado por lâmpadas grudadas em fios, que decoravam as madeiras. A Lua era nossa iluminadora verdadeira.

 -Aqui é lindo! - Comentei.

 Ele pegou uma camélia branca e pôs em minhas mãos.

 -Comprei hoje. Quando ela ficar vermelha, será o dia da nossa estréia. Não consigo mais ver camélias e não me recordar de você. Elas são únicas e distintas de todas as outras, assim como minha Marguerite Gautier

 Me emocionei. 

-Você não existe, Gustavo! Ele beijou minha testa e levou-me para a mesa escolhida. Puxou minha cadeira e depois se sentou.

 -Você me deixa sem palavras. Ainda não acredito que possa existir alguém como você!

 -Digo o mesmo -Falei. 

-Qual a sua história?

 -Qual a sua? Já lhe contei sobre meu nascimento. Agora é a sua vez de falar.

 -Eu nasci em Santa Catarina. Fui criado pela minha mãe pois meu pai não quis assumir o filho. Cresci arrodeado de carinho por todos a minha volta. Pensei que iria ser um advogado, mas então conheci o ballet. Ele agarrou meu coração de uma forma inexplicável. O segui com toda a dedicação do mundo. Queria ser o melhor, mas não para passar em cima dos outros. Eu queria ser o melhor para mim mesmo. Fui para Joinville e ganhei o prêmio de melhor bailarino. Logo depois, fui contratado como primeiro bailarino de uma companhia do Rio. Numa competição em Madrid, a Tamara me viu. Ela entrou em contato comigo e me chamou para ser o primeiro solista. Nem tenho palavras para dizer o quanto fiquei surpreso. Vim para cá e dividi o posto com o seu amigo, o Lucas. Em apenas um ano, ela me tornou primeiro bailarino. Foi tempo recorde e fui considerado o Rei daqui, até você aparecer. Teve o mesmo destino que o meu e hoje, tenho a melhor partner do mundo! Você é um presente! Não parei de sorrir em nem uma palavra. 

-Isso é... -Balancei a cabeça - Incrível! A dança nasceu com você! 

-Contigo não é diferente!

 Parei um pouco, pensando se realmente deveria perguntar. Olhei para ele e não esqueci Cecília. Resolvi guardar isso para mim, como sempre.

 -Agora falta o restante da sua história

 -Como já falei, eu sou italiana. Fui para o Brasil com 14 anos. Fiquei numa companhia em Gramado, já como solista. Me nomearam como o fenômeno de Gramado. Todos me admiravam mas só eu sei a guerra que enfrentava todos os dias. Sempre fui exculída. Todos torciam contra mim. Era incrível. Aos 17, meu pais faleceram em um acidente de carro. Pensei que tudo estava perdido. Tive depressão e cheguei a me cortar inúmeras vezes. Tentei me matar mas ainda havia algo que me puxava para cima. Não tive ninguém para me ajudar. Desde sempre eu guardo tudo para mim. Venci muitas competições no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos. Quando voltei para Verona, nas férias, resolvi aceitar o convite para dançar em mais uma competição. Dancei a variação de Carmen e de Odette. Todos ficaram surpresos com a minha interpretação. Nesta mesma noite, também recebi o convite da Tamara. Vim para Barcelona com esperanças de encontrar alegria de novo. Mas só então percebi que eu sempre fui assim e finalmente me aceitei. Entrei em paz comigo mesma. Conheci Lucas e logo nos tornamos amigos. Parece que somos próximos mas não é bem assim. Apenas conversamos de vez em quando. A saudade é apenas em ver um ao outro. Estou a dois anos nesta Cia e conheço apenas quatro bailarinos. Pelo que percebo, eu não sou o tipo de pessoa com quem você se relaciona

 -Você é algo difícil de decifrar mas será um prazer gastar o meu tenpo tentando fazer isso. E por favor, não pense isso. Eu amo conversar com você. És uma em um milhão. Direi mais uma vez que tê-la como partner, é o maior prazer que já tive! 

Sorri.

 -Por que quer tanto me decifrar?

 - Nem eu sei. Talvez queira apenas ser seu amigo. Falam que você é um robô sem sentimentos. Por não ser amiga de todos, inventam muitas mentiras a seu respeito, na qual eu acreditei até olhar bem dentro de seus olhos e sentir um pureza de emoções. Sei que você não é o que dizem. Adoro desafios, e decidi que o meu novo será tentar abrir o casulo onde você vive.

 - Você quer me mudar?

 - Não. Apenas quero lhe mostrar o quanto a vida pode ser linda. Seu sorriso é brilhante. Gostaria de vê-lo mais vezes. Fiquei imóvel neste momento. Senti algumas lágrimas virem aos meus olhos, mas não as deixei descer. 

 -Não sei o que dizer... - Falei, segurando o choro. 

- Então quer dançar comigo?

 Fiz que sim com a cabeça. 

Ele se levantou, e ficou ao meu lado, estendendo a sua mão. Coloquei a minha na sua e deixei-o me guiar até o centro do salão, onde todos dançavam. 

Estava tocando l'appuntamento. Nos posicionamos. No momento, não conseguia olhar em seus olhos, então, minha cabeça ficou ao lado da sua. Fechei meu olhos e me permiti sentir tudo. Uma lágrima ou outra caiu, mas as sequei discretamente em seu paletó. Ninguém nunca havia feito tanto por mim. Não consigo acreditar em toda essa história que está ocorrendo.

 Me perdi em seu cheiro, seus braços e em sua presença, a qual faz meu coração palpitar intensamente. Lembrei do dia em que o conheci. Cada momento desde aquele dia... Os toques, abraços, olhares... Olhei para ele.

 -O que você fez comigo, Gustavo Buas? 

- Eu lhe pergunto o mesmo.  



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...