História A Bailarina das Camélias - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bailarina, Bailarino, Ballet, Camélias, Originais, Romance
Exibições 6
Palavras 1.772
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - O dia e a noite


Fanfic / Fanfiction A Bailarina das Camélias - Capítulo 7 - O dia e a noite

Gustavo me deixou em casa por volta das dez horas. Passamos o dia inteiro juntos, mas foi como um ano inteiro. As horas se plorongaram e passaram rápido ao mesmo tempo. Pude sentir cada sensação que ele me causa. Nunca havia tido um dia tão maravilhoso. Quando chegamos na frente do meu prédio, foi difícil se despedir.

-Eu não queria dizer adeus, Gustavo. Me faltam palavras para lhe agradecer por tudo. Espero que um "obrigada" seja o suficiente. 

-Vê-la sorrir foi. Podemos repetir mais vezes...

 -Claro. Sinceramente, despedir-me doi tanto que diria boa noite até amanhã.

 -Está citando Romeu e Julieta para mim?    Ele deu uma risada.

 -Você não existe!   

 Gustavo passou a mão pelos meus ombros, envolvendo-me num abraço protetor e quente. Senti um suspiro vindo dele.

 -Nos vemos amanhã -Falou ele 


-Claro

Com meu polegar, acariciei sua mão, que segurava a minha.     

 Sorri para ele, em forma de despedida. Procurei forças para me virar e assim o fiz. Entrei dentro do  prédio e dei adeus ao meu amigo.      

 Quando cheguei em meu apartamento, fui discretamente para as janelas que dão passagem a varanda. Na verdade, são duas portas brancas com grandes janelas sendo cobertas por cortinas.      

  Observei Gustavo. Ele ainda estava parado na calçada. Acredito que como eu, tentando absorver o vivido deste dia indescrítivel. Nesta posição privilegiada de observadora, pude olhá-lo como nunca antes. Tive a chance de detalhá-lo.      

   Seu cabelo é perfeito. Mãos nos bolsos e um olhar baixo, entre seus pés e o chão. Seu rosto é tão bem feito que parece até usar maquiagem, mas estaria mentindo ao falar isso. É apenas a forma da beleza.          Ele  balançou a cabeça. Olhou  para  a  lua  e  então  sorriu. Logo  em  seguida, andou  solitário  pela  rua  até  entrar  num  táxi, que  levou  embora  meu  querido  Gustavo.    

       Gostaria  de  dizer  o  quanto  pensei  no  dia  que  tive  ou  poder  descrever  em  palavras  meus  sentimentos, mas  acredito  que  nem  o  melhor  poeta  do  mundo  ou  todas  as  palavras  existentes  reunidas  entre  si podem  descrever  meu  dia  ou  o  que  sinto.            


Apenas  deitei  em  minha  confortável  cama, que  fica  ao  lado  da  parede  com  uma  grande  janela. Olhei  para  a  Lua e  sorri  relembrando  de  cada  momento. 

       Gustavo  é  a  calma  no  meio  do  furacão. Minha  vida  é  um  caos  de  tristeza  e  solidão, mas  quando  ele  está  aqui, comigo, não  importa  o  lugar, nada  mais  existe. Apenas  a  sua  calma  e  meu  ser  sorrindo  ao  olhar  o  sorriso  mais  perfeito  do  mundo. Somos  seres  opostos. Sou  a  lua  e  ele  o  sol. Eu a  noite  e  Gustavo  o  dia, mas  nada  impede  que  ele  seja  o  lindo  da  minha  vida.


Acordei  mais  uma  vez  com  a  Aurora  me  dando  bom  dia. Sorri  para  o  sol  que  me  sorria.     

  Repeti  toda  a  minha  rotina  até  chegar  ao  trabalho. Estava  feliz  desde  que  acordei. Mas  infelizmente, encontrei  um  desagrado  no  elevador  infame  do  teatro.       Assim  que  as  portas  abriram, vi  a  imagem  alta  e  magra  da  Cecília  dentro  do  elevador.     

  Logo  entrei  e  fiquei  ao  seu  lado. O  silêncio  pairava  no  ar.

-Você  é  a  Priscilla, certo? 

- Falou  Cecília. Senti  algo  estranho  e  respondi  séria.

 -Sim, eu  mesma. E  você  é  a  Cecília?

 -Sim

 -Você  e  Gustavo  são  amigos  desde  quando?

 -Já  faz  uns  três  anos. Nos  conhecemos  no  Brasil. Depois  de  um  ano  ele  veio  pra  cá  mas  vim  depois  de  alguns  meses, quando  passei  nas  audições. E  você, quando  fez  as  audições? 

-Não  fiz. Tamara  me  viu  dançar  em  Madrid, numa  competição. Me  convidou  para  ser  solista  ano  passado

 -Como  Gustavo

 -Sim, como  Gustavo 


-Hum

Não  deixei  de  lado  minha  seriedade. Antes  chata  do  que  falsa.

O  silêncio  voltou  a  nos  acompanhar. Quando  as  portas  se  abriram, saimos  em  direções  opostas.

    Entrei  na  sala  para  minha  ultima  aula. Como  estamos  em  Dezembro  e  não  tiramos  férias, a  Tamara  nos  dará 1 semana  de  folga, para  ficarmos  com  a  nossa  família  no  natal  e  ano  novo.

     Enquanto  me  aquecia, senti  Giulietta  chegando.

-Bom  dia, Pri!

-Bom  dia, Giu!

- O  que  vai  fazer  nessa  semana  de  folga?

-Acho  que  vou  pra  Verona

-Sozinha?

-Sim

-Por  que?

-Não  sei... Estou  com  saudades  de  casa. Compreendo  que  não  tenho  mais  ninguém, porém, não  deixei  de  lado  essa  idéia

   Ela  fez  um  expressão  levemente  triste.

-Eu  vou  ficar  aqui. Se  quiser, pode  passar  o  Natal  comigo, Lucas, Felipe,  Otávio e  Marina... Nos  outros  dias, podemos  fazer  algo  de  diferente. Topa?

-Pode ser... Obrigada!

-Imagina... Também  sou  italiana, sei  o  quanto  Verona  pode  ser  solitária  para  alguém  sozinha. E  aliás, somos  amigas, lembra?

-Claro  que  sim!

   Ela  me  deu  um  leve  abraço.

   Quando  Gustavo  chegou, eu  estava  longe. Apenas  trocamos  sorrisos  e  olhares  únicos. A  mémoria  de  onten  ainda  não  se  apagou.

-E  não  se  esqueça  de  me  falar  sobre  Gustavo... Vocês  são  uns  lindos! -Disse  Giulietta

    Sorri  após  corar  e  logo  fomos  para  a  barra, iniciar  nossa  aula.

    Sempre  acreditei  que  seria  melhor  ficar  sozinha. Não  é  uma  forma  de  me  isolar  do  mundo  por  achar  as  pessoas  inferiores  a  mim. Não. Essa  é  a  minha  maior  proteção. Desde  pequena  aprendi  a  ser  assim. Tentei  arranjar  amigas  mas  quando  fiz 10 anos, comecei  a  perceber  que  talvez, não  tenha  sido  criada  para  ser  amada  por  todos.

      O  que  recebo  são  pedras. Ou  pelo  menos  recebia, quando  ainda  tentava  ser  vista. Ao  me  aproximar  das  pessoas, sempre  saio  machucada  e  ferida. Eu  assusto  os  seres  humanos. Mesmo  com  a  amiga  que  tenho, sei  que  a  qualquer  momento  tudo  isso  pode  acabar. Não  crio  laços  fortes  e  nem  grandes  exoectativas, mas  quando  ela  toma  atitudes  como  a  de  me  oferecer  carinho  em  uma  semana  solitária, surpreendo-me  com  Giulietta. Entramos  nesta  cia  juntas. Vi  nela  a  pessoa  que  sou. Nós  somos  melhores  juntas. Giu  é  o  motivo  pela  qual  não  tenho  medo  de  ficar  sozinha, pois  sei  que  com  ela, nunca  me  sentirei  sozinha  de  verdade.

  

    Largamos  as  cinco  horas. Quando  eu  estava  saindo, quase  chegando  até  as  portas  do  teatro, escutei  a  doce  voz  do  Gustavo.

-Pri!

    Me  virei  para  trás  e  sorri  ao  vê-lo. Só  então  me  recordei  que  nos  vimos  apenas  na  aula  matinal.

- Oi, Gu!

- Você  quer  ir  tomar  um  café? - Ofereceu - Conheço  um  lugar  ótimo  ali  na  esquina.

- Claro!

-Ótimo. Precisamos  conversar

- O  que  houve?

-Nada  de  alarmante, não  se  preocupe. É  apenas  um  comunicado  da  chefona

   Fiz  um  expressão  confusa.

- A  Tamara

- Ah, sim! A  chefona, que  óbvio

   Sorrimos, e  caminhamos  lado  a  lado. Ele  abriu  a  porta  para  mim. Começamos  a  conversar  apenas  quando  saimos.

-O  jantar  ontem  foi  maravilhoso... O  que  achou  da  comida  italiana?

- Eu  amei! - Falou  ele  sorrindo - Me  fez  querer  conhecer  a  Itália!

- Então  por  que  não  vai  passar  a  folga  em  Verona? Lá  tem um  lugar  chamado "Casa  di  Giulietta", perfeito  para  você  que  gosta  dessa  obra, se  não  estou  enganada...

- Não  está. Amo  de  paixão  o  livro, o  ballet  e  os  filmes. É  realmente  uma  sugestão  boa, mas  vou  pro  Brasil, ficar  com  minha  família  e  amigos. Estou  morrendo  de  saudade  de  saudade  de  todos  eles!

- Entendo... Você  tem  muitos  amigos?

-Sim! Eles  são  um  presente. Sempre  torcem  por  mim, mesmo  de  longe, assim  como  a  minha  família

-Deve  ser  muito  bom  receber  tanto  carinho!

-Você  não  recebe?

-Gu, sempre  fui  sozinha  nesse  sentido. Sinceramente, ninguém  nunca  vai  com  a  minha  cara. Não  sei  como  você  conquista  o  carinho  de  tanta  gente

- Acho  que  você  deveria  sair  mais, andar  com  seus  amigos... Quem  sabe  não  seria  diferente?!

- Eu  só  tenho  a  Giulietta

- A  solista?

-Sim

- Me  senti  ofendido. Também  não  sou  seu  amigo?

- É?

- Claro! Estou  aqui  sempre  que  você  precisar

   Sorri  sinceramente  neste  momento. Não  só  minha  boca, mas  o  meu  coração  também.

- Desculpa. Obrigada, de  coração!

    Ele  sorriu  e  acariciu  meu  ombro, rapidamente.

  

    Chegamos  em  uma  cafeteria  com o nome "Payadora". Fica  em  uma  localizão  excelente, na  esquina  do  teatro. Próximo  as  árvores  da  calçada, contém  uma  vista  perfeita  na  parte  de  dentro.

- Se  chama "Payadora" por  causa  do  tango?

- Deve  ser. Gosta  desse  tipo  de  música?

- Sou  apaixonada  por  tango! E  você?

- Nunca  escutei  muito  bem. Apenas  os  que  tocam  nos  filmes. Gosta  deles?

- De  filmes?

- Sim

- Sou  viciada!

- Eu  também! O  problema  é  que  sempre  durmo  no  meio!

   Demos  uma  risada.

- Qual  café  você  quer? - Perguntou  ele

- Não  tomo  café. Pede  um  chocolante  quente, por  favor

- Certo, mas  você  não  toma  café?

- Não. Há  algo  de  errado  nisso?

- Não. É  apenas  a  primeira  pessoa  que  conheço  com  essa  falta  de  gosto  por  café

- Prefiro  chá. E  camomila, de  preferência

- Ah, claro. Esqueci  que  você  é  europeia. Tinha  que  tomar  chá

    Falou  ele  brincando.

    Nós  sentamos  no  andar  de  cima  da  cafeteria. É  um  ambiente  levemente  escuro, graças  a  pintura  e  os  móveis  pretos, mas  não  deixa  de  ser  reconfortante.

- Então, qual  o  comunicado  da  chefona?

   Ele  ficou  meio  sem  jeito  pra  falar.

- Bem, é  sobre  o  nosso  beijo. O  de  Marguerite  e  Armand

   Engasguei  de  leve. Nunca  tinha  pensado  sobre  o  assunto. Só  então  percebi  que  a  Tamara  nunca  ensaiou  conosco  essa  parte.

- Ela  falou  que  seria  melhor  se  dessemos  o  beijo  pela  primeira  vez  no  palco. Seria  espontâneo  e  mais  sincero, já  que  nunca  nos  beijamos  antes

- Sim, claro

- Desculpa. Sei que é meio constrangedor mas ela não te encontrou na hora que me falou isso

- Tudo bem. Ela tem razão. Vai ser mais especial. O primeiro beijo de Marguerite e Armand é no segundo pas de deux. É algo bem intenso e apaixonado. Acho que fariamos melhor no palco, dentro dos personagens

- No nosso momento

- Isso...

   Nos olhamos por segundos, apesar de ambos estarmos corados e envergonhados. Compartilhamos da mesma idéia de forma carinhosa, cheia de compaixão não só pelo nosso trabalho, mas pela parceria e a história que compartilhamos.

- Bem, acho  que  é  só  isso  mesmo

- Já  está  me  dispensando? - Falei  brincando

- Não! É  porque  tenho  que  pegar  o  vôo  para  o  Brasil  daqui  a  duas  horas. Preciso  fazer  as  malas

- Claro, entendo  perfeitamente

- Vai  para  algum  lugar  passar  a  semana?

- Não. Ia para Verona mas a Giu não me deixou ficar sozinha. Ela me ofereceu sua companhia. E no Natal, vou ficar com ela, Lucas, Otávio, Felipe e Marina

- Que coisa boa! Fico feliz que não esteja sozinha

- Eu também tenho você agora!

   Sorrimos um para o outro. Ele terminou o café na velocidade de um raio. Já eu, sai da cafeteria com o copo pela metade.

   Ele me fez a gentileza de chamar um táxi. Não falamos mais tanta coisa. Apenas me deu um beijo na testa antes que eu entrasse no táxi.

-Vou sentir saudades

- Também! Aproveita bem sua viajem!

   Ele me abraçou forte e então entrei no táxi.

De  uma  forma  ou  de  outra, " o  dia  e  a  noite" se  tornaram  grandes  amigos.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...