História A Beira da Traição - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Visualizações 32
Palavras 4.225
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Agradecendo DaniScorpio por esse Rada maravilhoso nesse diálogo dos dois :3

Capítulo 6 - Escolha e Consequência


Fanfic / Fanfiction A Beira da Traição - Capítulo 6 - Escolha e Consequência

Kanon deitou o Espectro no chão do banheiro mesmo, beijava-o sem pudor e era retribuído, tinha os cabelos azuis e longos puxados com força e novamente a pele branquinha do pescoço marcada. O geminiano esticou-se para pegar mais um preservativo e o vidrinho de lubrificante os dois continuavam imersos naqueles sentimentos e sensações que os faziam se esquecerem do mundo, apenas queriam um ao outro.

O Escorpiano se ajeitava embaixo do corpo do grego. Mordeu o lábio quando teve as coxas apertadas de forma provocativa. Não conteve o gemido quando foi penetrado, cravou as unhas curtas nas costas do outro, sentiu o corpo do geminiano estremecer, era muito bom saber que provocava essas reações. Apertou mais as unhas contra a pele do Cavaleiro quando ele passou a se mover devagar.

O geminiano mordeu os lábios enquanto ria do rosto vermelho do inglês, também não continha os sons que saíam de seus lábios, aumentou a velocidade dos movimentos fazendo o Radamanthys quase gritar, sentia o corpo dele se contorcer e estremecer embaixo de si e aquilo o deixava louco.

Radamanthys puxava os cabelos do grego, enroscava suas mãos nele e puxava, sentia não só o rosto como todo o corpo queimar, seus pensamentos flutuaram um pouco, como podia sentir mais prazer com Kanon do que com Pandora? Mas logo eles se esvaíram quando sentiu o corpo do grego tremer.

Kanon não aguentou mais, se desfez novamente com o corpo do Espectro. Respirava descompassadamente, caiu ao lado dele de olhos fechados e com um sorriso no rosto, sentia muito calor, muitas sensações ao mesmo tempo. O escorpiano ajeitou-se para poder beijá-lo, um beijo calmo e carinhoso, foi retribuído da mesma forma.

Depois que alguns minutos de descanso no piso frio, os dois aproveitaram o chuveiro ainda trocando beijos e carinhos. O Cavaleiro guardou o brinquedo, antes que passasse por mais uma situação constrangedora, os dois vestiram apenas as peças intimas e levaram o resto das roupas para o quarto deixaram espalhadas mesmo, deitaram-se na grande cama macia.

− Então, Kanon, por que vermelho? – Radamanthys perguntou curioso depois de um tempo em silencio.

− Minha discípula ama vermelho. – Kanon respondeu rindo.

− Mas porque diabos ELA escolheu a cor? – Questionou novamente.

− Porque ela me levou no sex shop.... E eu estava com vergonha demais para escolher a cor. – Suspirou.

− Você foi a um sex shop com uma criança? – O escorpiano perguntou incrédulo.

− É.... Ela vai fazer 18 esse ano. – Riu.

− Não é tão nova quanto pensei que fosse.... – Realmente, havia pensado que ela tinha 15, 16.

− Claro que não, muito trabalho treinar crianças. E ela ficou quase 2 anos fora em Paris, é Amazona de Cérbero, fez uma especialização em armas. – Kanon respondeu orgulhoso.

− Agora faz sentido. Você não tem cara de Mestre, muito menos de crianças. – Radamanthys riu.

− Claro que eu tenho cara de Mestre. – Sério. – E realmente, crianças não são meu forte. Minha discípula.... Quero nem pensar como entende tanto do assunto. – Suspirou, nunca havia visto Drik daquela forma, até ela lhe acompanhar naquele lugar, agora ficava pensando o que Aiolia passava nas mãos dela, ou se concordava com todo o liberalismo no âmbito sexual.

− Provavelmente da mesma forma que nós entendemos. Por que? Sente ciúme? – Estreitou os olhos dourados.

− Um pouco, conheci a pirralha com 13 anos, fui praticamente um pai, não percebi que cresceu tão rápido. – Sincero.

− Estou tentando, mas é difícil lhe imaginar cuidando de uma adolescente. – O Espectro comentou pensativo.

− Ah todo mundo diz isso e como viu o jogo virou rápido, ela mal voltou e já estava me aconselhando. – Suspirou.

− Um homem dessa idade pedindo conselhos para uma adolescente, é no mínimo estranho. – Radamanthys riu.

− Eu não pedi, ela se ofereceu para ajudar e sinceramente eu nem sei porque deixei, só passei vergonha. – Levemente corado.

− Vergonha por que? É tão normal ir ao sex shop. – Curioso.

− Claro com a discípula menor de idade contando sua vida sexual para os funcionários.... – Kanon reclamou.

− Queria ter visto isso. – Ainda rindo. – Mas não precisava contar a vida sexual. – Sério.

− Ok, não foi tão aberto assim, ela apenas poderia ter dito que era para ela, não para mim. – Comentou ainda levemente indignado com o que houve.

− Seria o mais normal, mas se ela escolhesse e você não gostasse? – Rada perguntou.

− Ok ela quis ajudar, mas foi constrangedor. – O geminiano tremeu ao se lembrar da vergonha.

− Quem diria que algo lhe deixaria tão envergonhado.

− Como assim “quem diria”? – Sério.

− Você não faz o perfil tímido. Muito pelo contrário. – O escorpiano disse com certa malícia.

− Ah, eu queria ver o senhor no meu lugar, ia ficar do mesmo jeito!

− Provavelmente. – Pensativo. Se havia sido difícil falar com os amigos, imagina com um funcionário qualquer da loja?

− Viu.... Ainda bem que não tem uma discípula louca se não teria acontecido o mesmo. – Riu.

− Nem fala uma coisa dessas. Não pretendo treinar ninguém, não. – O Espectro pensou em como Pandora surtaria se fosse ela a comprar um brinquedo daqueles.

− É, não é uma tarefa fácil. – Ainda rindo.

− Não tenho paciência nem com alguns Espectros, imagina com um pirralho?

− Ah, isso eu não duvido, ainda bem que apesar de louca ela nunca deu muito trabalho, estudava e treinava tudo direitinho.

− Mas pelo visto dá umas escapadinhas para se divertir. – Malicioso.

− Bom, ela não me arrumando problemas.... Mas o namorado dela sabe bem que se fizer algo errado vai ter que se entender comigo. – Kanon disse diabólico.

− Ah, fiquei até com medo. – Radamanthys debochou rindo.

− Idiota....

− Falou o cara que foi ao sex shop com uma pirralha! – Rindo roubou um beijo do Cavaleiro, Kanon retribuiu.

− Não tive muita opção. – Suspirou. – Mas e você hein? O que ficou fazendo durante esse tempo? – Curioso. Radamanthys sentiu como se seu sangue tivesse congelado, nem havia pensado muito em como o outro iria reagir diante de seu namoro com Pandora, mas havia chegado finalmente a hora de contar.

− Eu.... É..... Tentei te esquecer ficando com Pandora. Achei que ainda fosse apaixonado por ela. – Falou em um fôlego só, olhando para o nada.

−.... Como? – Kanon achou que não tinha ouvido direito, ele passou o mês deprimido, chegou aquele ponto de passar vergonha com Drik, enquanto o outro provavelmente se divertia com a mulher.

− Ela.... Ela disse que amava e eu.... Eu fui apaixonado por ela por tanto tempo, pensei que deveria tentar. – Se explicou, mas não conseguia olhar para o geminiano. Kanon não tinha o que responder, também havia pensado que o que tiveram não foi nada demais, mesmo assim....

− Está apaixonado por ela ainda? – Perguntou baixinho.

− Não, não estou! – O escorpiano falou apressado. – Não consegui parar de pensar em você. – Agora encarou os olhos verde azulados do outro. O geminiano desviou o olhar, não sabia o que estava sentindo, mas estava irritado, magoado.

− Ainda está com ela? – Perguntou novamente, o Espectro sentiu um nó em sua garganta.

− Sim.... – Resmungou de cabeça baixa. – Mas não é ela que eu quero, Kanon. Acredite em mim. – Sincero. O outro colocou a mão na testa, como era idiota.

− Eu não acredito que você fez isso! Eu não vou me passar “pela outra” para essa garota surtar de novo. – Irritado, levantou-se para pegar a camisa que estava no chão.

− Kanon. – Radamanthys o segurou pelo braço. – Eu não a amo, não a quero e muito menos desejo. – Disse aflito olhando para os olhos verde azulados. – Eu só não sei como dizer isso a ela. – Fitou o chão.

− Não me interessa! Não vou ficar aqui com você me prestando a esse papel ridículo, pois enquanto você estava se divertindo com ela eu estava passando vergonha! – O geminiano bradou.

− Kan, por favor, me escuta. E-eu te amo. – Meio desesperado. Kanon sentiu o coração disparar.

− Não vou ser um adolescente e vir com aquela “se ama então termina com ela”, mas eu não quero as coisas desse jeito, não é justo nem com ela.... – Explicou.

− Eu sei que não é. Mas é que eu tentei negar o que sentia e quando percebi que não conseguia mais. Não pensei em mais nada além de te encontrar o quanto antes.

− Você escutou o que eu disse? Eu não vou me prestar a isso!

− Eu vou falar com ela, está bem. Eu só preciso de tempo. Saber o que falar, ela vai surtar. É provável que eu perca meu cargo, mas se valer a pena.... – Radamanthys disse pensativo.

− Não.... Não quero isso. – Preocupado.

− Kanon, ela é quem comanda os exércitos do Inferno. Em teoria isso é traição, não é? Ela vai juntar as duas coisas e vai sim descontar em mim. Mas não me importo mais. – Sério.

− E se ficar sem emprego vai fazer o que? Não posse lhe levar para minha casa, meu irmão iria surtar, fora as complicações! Não posso permitir que largue tudo assim. Nem que tenha que me afastar de você. – Sério, não queria realmente aquilo.

− Não! Não queria isso, já fiquei tempo demais longe de você. Agora que resolvi aceitar o que sinto não quero mais ficar distante. – Radamanthys revoltou-se com a ideia. – Eu não sei o que fazer, mas não podemos simplesmente deixar de nos ver. – Bagunçando o cabelo.

− Rada, não podemos arriscar. Eu tenho o título, mas não uma armadura, quem cuida de tudo é Saga, mas você tem muito a perder e eu não quero isso. Se pudesse ficar comigo, mas meu irmão e o Mestre não iriam aceitar.

− Então você prefere que fiquemos separados? É isso?

− Rada.... E-eu também senti sua falta e também te amo.... Mas-mas não quero que se prejudique por minha causa. – Respondeu não acreditando que respondeu.

− Olha Kan.... – Acariciou o rosto do outro. – Eu não faço ideia do que vai acontecer, mas quero ficar com você. Não sei como, mas quero.

− E-eu também quero.... Mas não quero que você fique sem ter onde ficar. E-eu posso ver com minha deusa, ela é muito boa, tenho certeza de que se explicar ela vai entender.

− Isso é no mínimo estranho. – Olhando para o Cavaleiro. – Sempre me orgulhei de ser o Juiz mais fiel e agora me vejo nessa situação. – O Espectro fitava as próprias mãos.

− Ma-mas ainda não quero que deixe seu cargo vamos pensar melhor nisso desculpe pressiona-lo. – Kanon pediu fitando o inglês.

− Você acha que existe alguma solução? Porque não acredito que haja um acordo ou algo do tipo.

− Também não acho, acha que ela vai mesmo ficar brava com você a ponto de misturar com a posição que vocês têm? – Perguntou.

− É bem provável, ela vai surtar, mas.... Talvez depois se acalme. – Pensativo.

− E se não? E se mandar prendê-lo por traição? Se machucá-lo? – Kanon extremamente preocupado.

− Já pensei nisso e prefiro correr o risco. – Sério.

− Não, vai dar no mesmo. Vamos pensar nisso com calma. – Respirou fundo.

− Tudo bem, vamos pensar com calma. Mas vamos continuar nos encontrando até tomarmos uma decisão? – Radamanthys curioso, não queria ficar longe.

− Eu não sei.... – Respondeu. Sentia-se mal ao pensar que ele tinha que voltar para outra.

− Eu entendo se você não quiser. A culpa é minha por tida essa situação. – Cabisbaixo. – Me desculpe. – O inglês pediu e levantou-se para pegar as roupas do chão.

− Eu não quero que você fique assim, apenas não quero as coisas desse jeito, se ela desconfiar vai segui-lo de novo e voltaremos a situação inicial.

− Eu não sei mais o que fazer Kanon. Estou disposto a enfrentar as consequências da minha traição. Mas não sei o que fazer além disso. – Sério encarava o geminiano.

− Mas.... Eu não sei o que pensar, o que fazer, não vamos conseguir sair bem disso.

− Provavelmente vamos nos ferrar. – Riu triste. – Só preciso saber que você está comigo nessa ou não. – O encarou.

− .... Eu estou. – Pausa. – Só quero que você fique bem. – Respondeu o olhando da mesma forma.

− Vou ficar. Eu prometo. – Segurou o rosto do grego, prometeu mesmo sabendo que não era verdade. Tinha certeza de que Pandora o trucidaria assim que soubesse. Kanon deu um sorriso, mesmo não se sentindo seguro, mas o que poderia fazer? Aproximou-se selando seus lábios.

− Prometo que-que vou falar com minha deusa e depois com meu irmão. – Sussurrou ainda próximo, Radamanthys apenas aproximou-se e beijou o Cavaleiro novamente.

− Falarei com senhor Hades também. Só não garanto que ele seja compreensivo.

− Acho que não há outro caminho além de sermos sinceros com todos.

− Também acho. – Concordou, esperava que ambos continuassem inteiros após conversarem com seus deuses.

− Eu amo você. – Kanon sorriu.

− Também lhe amo! – O beijou com paixão.

Os dois passaram mais um tempo trocando carinhos, não queriam ter que ir, se fosse possível morariam naquele hotel para sempre. Mas com pesar arrumaram-se.

− O que? – Kanon o fitou.

− É sério, um lugar como esse deve ter a comida excelente, vamos almoçar antes de sair. Eu pago se for o caso. – O escorpiano sorriu. – Vamos? Nunca fizemos uma refeição juntos. – Os olhos dourados fitavam o grego. Kanon pensou em perguntar se aquilo importava, mas para o outro importava.

− Hum.... Tudo bem, vamos descer ao restaurante. – Concordou. Radamanthys sorriu satisfeito e os dois saíram.

 

O restaurante tinha a mesma decoração luxuosa do resto do hotel, janelas amplas que davam para um pátio gramado, com jardins. As mesas possuíam toalhas brancas e cada uma delas tinha um vaso com acantos de folhas avermelhadas. Eles sentaram-se perto de uma janela, realmente aproveitavam “pouco” do que o hotel oferecia. Cada um pegou um cardápio, perceberam que a especialidade do restaurante, além da comida grega era a francesa.

− Rada.... É muito caro. – Disse baixo sem tirar os olhos do menu.

− Fica calmo. – Riu. – O que acha desse. Rolê de vitela com cogumelo e acelga? – Disse.

− Hum.... Parece bom. – Kanon concordou. – Ok, por mim tudo bem, gosta de vitela? – Curioso.

− Não sou chato com comida, felizmente tive a oportunidade de experimentar muita coisa, nós Juízes do Inferno fazemos as refeições com Hades, é sempre um banquete. – Explicou. O geminiano apenas o fitava.

− Hum, e consegue viver com dois homens e uma menina cozinhando pratos normais, salvo algumas ocasiões especiais? – Brincou.

− Sem dúvida. Por você qualquer coisa. – Respondeu rindo, Kanon sentiu o rosto afoguear. Radamanthys pediu dois pratos e vinho para acompanhar, mesmo o geminiano dizendo que não precisava.

− Não sei porque não viemos aqui antes.... – O geminiano observava garçons uniformizados servirem os pratos a outros clientes, a comida era cheirosa e agradável aos olhos.

− Então. – O Espectro concordou, sempre ficavam muito ocupados juntos, nem pensavam no mudo fora daquele quarto. O vinho chegou primeiro, os dois desfrutaram enquanto esperavam o almoço, os pratos chegaram, a carne era acompanhada por uma porção de vagem cozinha. – Parece bom. – Comentou.

− Realmente, deve mesmo valer a pena. – Kanon disse. Eles conversavam descontraidamente enquanto comiam. Nenhum dos dois queria pensar no que aconteceria quando voltassem a guarda de seus respectivos deuses, não queriam imaginar que seriam punidos, castigados por aquela traição horrível.

Os dois despediram-se em um cantinho do hall do hotel, prometeram escrever o mais rápido possível.

 

Santuário.

Saga andava de um lado a outro do hall de Gêmeos, olhava o relógio que carregava no pulso, quase 14h30 e nada do irmão.

− Mestre Saga, por favor. Ele está bem. – Drik saiu da cozinha secando as mãos em um pano de prato.

− Isso é culpa sua. Você deveria incentiva-lo a esquecer aquele desgraçado. Estão manipulando ele Drik! – O mais velho vociferou.

− Não, Mestre Kanon não é idiota. Ele vai voltar, ficaram muito tempo separados, estão com saudade. – A geminiana suspirou apaixonada, conhecia bem aquele sentimento.

− Não? Só quero ver. – A encarou. Estava mesmo preocupado com o mais novo, tinha medo que ele se machucasse, não só fisicamente como seu coração. Não queria que ele sofresse, muito menos por um Juiz do Inferno leal a Hades!

− Fique calmo, Mestre, por favor. Mestre Kanon está feliz, muito, ele ama Radamanthys, tenho certeza de que ele não está sendo enganado. – Sincera.

− Você não tem que treinar? Passear, sair com Aiolia, sabe Deus, apenas saia da minha frente, ok? – Saga disse meio ríspido. A geminiana suspirou.

Depois de quase meia hora Kanon estava de volta a Gêmeos.

− Drik.... Lhe contou? – O mais novo perguntou da porta da sala, Saga estava sentado no sofá, eles haviam se olhado, mas o mais velho havia desviado o olhar.

− Sim. – Respondeu.

− Eu o amo, Saga. – Kanon o encarava. – E-e eu gostaria de pedir permissão.... Para que ele pudesse ficar aqui. – Sério.

− O que? – Saga incrédulo.

− Conversarei com Athena primeiro, ele vai falar com Hades. Sei que nossa deusa é benevolente, mas ele... – Suspirou.

− Não, não. De jeito nenhum! Como vai ficar a minha cara abrigando um Espectro na Casa de Gêmeos. Não. – Saga levantou-se exasperado. – Não vê o que estão fazendo? Querem colocá-lo aqui dentro para espionar, para ficar de olho e quando menos esperar será traído, como pode ser tão ingênuo? – Saga quase berrava encarando o irmão.

− Eu não sou ingênuo! – Respondeu, doía pensar daquela forma. – Não é isso. Ele não está fazendo isso, está em uma situação delicada com o deus também e com a mulher que exerce o mesmo papel que Shion. Pode ser preso, torturado por traição. Apenas quero vê-lo bem.  – Sincero. – Não importa se você não vai concordar, posso alugar um cômodo na vila.

− Kanon, por favor, não faça isso. Sou eu que estou pedindo. É um Juiz do Inferno, não é digno de confiança, nenhum deles! Isso é traição, você também corre riscos. – Saga tentando se acalmar, estava desesperado com aquela hipótese, fora os comentários que ele sabia que viriam.

− Corro sim e estou disposto a enfrenta-los, Saga. Sinto muito que não possa ver as coisas como eu ou Drik. – Suspirou desviando o olhar.

− Drik? O que ela sabe da vida, Kanon! É uma menina, uma criança. Não entende nada, para ela é tudo mágico, cor-de-rosa. Não pode dar atenção ao que ela pensa e diz! – Irritado.

− É minha discípula, eu praticamente terminei de cria-la. – Sério. – Não quero discutir isso com você, Saga. Vou falar com Athena e enfrentar as consequências disso. – Kanon o encarou.

− A decisão é sua, mas não espere que eu vá aprovar ou apoiá-lo com isso, Kanon! Não irei. – Sério correspondia o olhar.

− Tudo bem, Saga. – Respondeu, sentia muito por brigar com o irmão, por fazê-lo passar por aquilo, mas não podia abandonar o outro naquela situação delicada.

Saga viu o mais novo sair pela entrada dos fundos e não podia acreditar no que estava acontecendo, sabia que o mais novo estava apaixonado, mas esperava que depois do gelo ele fosse esquecer o Juiz, não se encontrar com ele e voltar com essa ideia louca.

 

Kanon subiu as casas apressado. Estava ansioso, nervoso. Sabia que devia falar diretamente com a deusa, Shion também não entenderia, mas a decisão dele era fundamental, respirou fundo, por que tinha que ser tudo tão difícil?

− Kanon, que bom vê-lo. – Shion sorriu. –Posso lhe ajudar? – Perguntou. Olhava alguns papéis.

− Sim, gostaria de falar com a deusa, pessoalmente é.... Um assunto importante. – Respondeu.

− Só com ela? – O ariano o fitou.

− Só, Mestre. – Disse da mesma forma.

− Me acompanhe, por favor. – Pediu, o geminiano o fez, a deus estava tendo lições de arco e flecha com a Amazona de Sagita.

− Athena, Kanon gostaria de lhe falar. – Shion disse.

− Se não for incomodar, claro. – Ele respondeu um pouco desconcertado, ela demonstrava imponência, uma beleza incrível naquela posição perfeita para lançar a flecha.

− Hum, claro, Anny pode ir à cozinha tomar um refresco, fazer um lanchinho. – A deusa lhe sorriu.

− Sim senhora. – A Amazona fez uma pequena reverencia e saiu para dentro do templo junto com o Grande Mestre.

− O que houve, Kanon? Que expressão.... – Ela comentou, percebia a angustia no rosto dele.

− É um assunto muito sério, muito sério mesmo, minha deusa. – Disse a fitando. Os dois sentaram-se em um banco de pedra, plantas arrumadas em ramas faziam sombra. Kanon assim explicou tudo o que aconteceu nas últimas semanas, omitindo detalhes, claro. Athena ouvia tudo atenta.

− Por favor, está tudo bem. Eu jamais iria julgá-lo por isso. É meu Cavaleiro e eu o amo. – Ela disse com um sorriso. – Mas ainda é um Juiz do Inferno e mesmo eu acreditando em você, ele representa certo perigo. Gostaria de saber como as coisas vão ficar, se.... Hades irá liberá-lo. Se ele não tiver mesmo para onde ir, eu posso convencer a fera. – Riu referindo-se Shion, o geminiano riu também. – Mas você sabe.... Como os outros vão reagir. – Séria.

− Eu sei minha deusa, também.... Não quero escancarar esse relacionamento ainda, só quero que ele tenha onde ficar, nem que seja em uma casa na vila. – Disse.

− Tudo bem, mas precisamos saber como vai ficar. Sabe que vamos ter que... Ficar de olho nele, Shion vai exigir isso e talvez ele não se sinta confortável com isso, Kanon. – A deusa o fitou.

− Eu entendo, não se preocupe eu a deixarei a par da situação. Obrigado minha deusa, obrigado. – Kanon disse com um sorriso, estava aliviado, ajoelhou-se.

− Por favor. Na-não precisa dessas formalidades aqui. – Pediu, Anny já voltava e tinha uma bandeja com três copos. – Por que não bebe um pouco de suco antes de ir? – Ofereceu.

− Está bem, obrigado. – Respondeu sentando-se novamente. Kanon bebeu o suco na companhia da deusa e da Amazona e em seguida desceu, sentia-se aliviado por pelo menos ter o apoio de sua deusa, não se sentia um traidor mau-caráter. Mas se preocupava com Saga, querendo ou não ele também seria afetado por aquela decisão. Mas o que podia fazer, cumpriu sua palavras de falar com a deusa e a cumpriu, não podia esperar mais, ela havia sido compreensiva pelo menos. Só restava esperar, e contar as novidades a Drik, sabia que ao menos ela ficaria feliz por ele e sua decisão.

 

Radamanthys assim que chegou encontrou Minos pelo corredor.

− Cara por que demorou tanto? – Minos ergueu a franja para encarar o outro com os olhos acinzentados. – Senhora Pandora está louca, dissemos que você havia ido à cidade pagar uns boletos, mas ela não acreditou muito. – Sério, o escorpiano suspirou.

− Boletos? Desde quando eu compro as coisas por boleto, você e Aiacos também.... – Levemente irritado.

− Desculpe, ficamos nervosos, não tinha desculpa melhor. – Respondeu. – Bom, para ter demorado, o Cavaleiro foi.... – Curioso.

− Sim. – Lacônico.

− Pelo amor dos deuses, e aí? – O fitava.

− Nada, acabei contando o que houve ele ficou puto. Minos eu.... Vou falar com Pandora e-e Hades. – Sério.

− O que? – O outro questionou incrédulo. Sabia que os dois não iam gostar nada.

− Não posso viver mais assim, Minos. Não quero ter que mentir para Pandora. – Respondeu.

− Está ficando louco, é o Juiz mais leal a Hades, tem um cargo de suma importância, não pode simplesmente sair assim por um Cavaleiro de Athena. – Sério.

− Eu sei, entendo as consequências disso, mas eu não quero mais. Agradeço você e Aiacos por terem guardado segredo e me ajudado hoje, não vou dizer nada sobre isso a eles. Mas eu preciso fazer isso, Minos. – Explicou, o platinado suspirou, aquilo não terminaria bem.

− Se é isso o que quer Rada, não podemos impedi-lo. Mas sabe que as consequências não serão agradáveis, nosso Senhor Hades pode até cogitar perdoá-lo por seus excelentes serviços, mas nunca mais poderá ir a superfície como civil, e senhora Pandora fará da sua vida um inferno, quer dizer, ela não lhe dará paz. Isso na melhor das hipóteses, a pior é que vão prendê-lo e tortura-lo por traição isso SE não lhe aplicarem pena capital. – O Juiz listou.

− Eu sei, sei de tudo isso. – Disse. Pensar em tudo aquilo era horrível, mas realmente não suportava mais aquela situação, se ele não contasse a Hades, Pandora contaria quando soubesse que ele se encontrava com Kanon as escondidas. Não havia muito o que fazer.

− Tudo bem, sabe que se precisar de algo estaremos com você, Aiacos deu a louca aquele dia, mas também ajudará. – Minos sincero. A situação em que viviam era tão complicada, deviam se dedicar 100% a causa de Hades, sair para superfície era privilégio de poucos e ainda saiam por pouco tempo, manter um relacionamento com alguém de fora era quase impossível.

− Vocês não precisam se preocupar, já me basta de traidor para senhor Hades e Pandora terem que lidar. Mesmo assim obrigado. – Normalmente, Minos assentiu e o deixou. Radamanthys respirou fundo, ainda estava parado no corredor, como havia chegado aquele ponto? Como havia deixado ser tomado por sentimentos humanos banais, se apegar tanto a alguém? Ainda mais um homem e ainda por cima um maldito Cavaleiro de Athena! Bagunçou os cabelos louros, sentia-se cansado. Pensou seriamente em ir para o quarto, tomar um banho quente e se deitar um pouco, mas não podia adiar mais a conversa com Pandora.


Notas Finais


Espero que gostem....
Ah! A treta....


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