História A Bela e o Criminoso - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Policial, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo Dois: Com todo o Respeito.


Fanfic / Fanfiction A Bela e o Criminoso - Capítulo 3 - Capítulo Dois: Com todo o Respeito.

 |Juliana|

Mesmo após Fred me garantir que seu pai havia me liberado para ir para casa descansar, passar o telefone para que o próprio me falasse, tentar tomar a minha mochila e, por fim, colocar nossa amizade em risco como chantagem emocional, cá estava eu, caminhando pela cena do crime e fotografando pistas importantes.

Eu fotografava qualquer coisa, desde uma cápsula de bala até uma planta pisoteada. Tudo não passava do ganho de tempo para evitar me aproximar do morto. Meu nível de estresse estava tão elevado, que eu não sei se conseguiria segurar por muito tempo o bolo que se formava em meu estômago sempre que me lembrava da cena horrível do assassinato que presenciei.

Mas eu não poderia sequer demonstrar alguma fraqueza, ou Fred iria me algemar em alguma viatura e falaria para o policial responsável me levar para casa. Então, por hora, eu era a fria e insensível. Tudo ao meu redor não me afetava em nada e meu psicológico estava em perfeito estado.

Minha máscara de autocontrole estava por um fio quando reparei que eu não havia mais para onde escapar, era hora de me aproximar do morto. Minha câmera escorregou alguns centímetros e eu reparei que minhas mãos começaram a transpirar. Respirei fundo e tentei manter o controle.

Está tudo bem, Juliana. É só um pouco de sangue e dois furos. Você só vai tirar as fotografias e se afastar. É só isso.

Mentalizei, enquanto me aproximava do corpo. O Perito Criminal que estava logo ao lado e usava luvas, puxou a pequena lona que cobria o morto e se afastou, para que eu pudesse fazer minha parte. Agradeci, encarando-o e custei um pouco para abaixar o olhar.

Enquanto tomava coragem, fiquei pensando em milhares de áreas da Fotografia, bem mais tranquilas, que eu poderia estar trabalhando. Mas ao invés disso, a maluca aqui preferiu bancar a corajosa em uma tentativa de agradar o pai. Eu poderia estar ganhando dinheiro fotografando gente viva, mas cá estou eu usando minha câmera para registrar imagens de um tipo de "cliente" que nunca vai chegar a ver o resultado do meu trabalho.

Reparando que fiquei tempo demais paralisada ali, respirei fundo e enfim enfrentei meu destino inevitável. Encarei o corpo e não pude deixar de soltar um gemido baixo e levar minha mão livre para a frente da boca. Um tremor percorreu por meu corpo, mas logo virei o rosto e encontrei o olhar de Fred, um pouco distante de onde eu estava, mas perto o suficiente para perceber sua carranca. Respirei fundo, devolvi o olhar firme e então liguei minha câmera. Mesmo com minhas mãos tremendo, eu estava pronta para não tirar uma fotografia tremida ou desfocada sequer.

Mas fui impedida quando, no silêncio assustador daquele lugar, ouvi uma voz distante e conhecida. Revirei meus olhos e respirei pesadamente, antes de virar meu rosto e olhar em volta. Como esperado, encontrei meu pai conversando com um policial. Ele parecia pedir alguma informação e, segundos depois, o policial apontou em minha direção e meu pai virou-se para olhar.

Tentei desviar meu olhar e parecer focada no que eu estava fazendo, porém o fato de uma discussão estar prestes a começar me fez perder o foco. Mesmo respirando fundo, o incômodo não cogitou se afastar.

— Olha, pai, eu estou trabalhando, fora o fato de que não estou me sentindo nada bem com tudo o que aconteceu... Então se puder adiar o sermão para amanhã, eu até deixo você cobrar juros! — supliquei, assim que ele se aproximou.

— Que merda foi essa que você fez, Juliana? — ele ignorou minha súplica e soltou sua típica frase, aquela que eu já sabia de cor — Fico feliz com a sorte vocês tiveram, e também que você prestou para alguma coisa ao menos uma vez na vida. Mas já pensou no quanto se arriscou e no quanto arriscou a vida de Fred com seu ato repentino de heroísmo? Aliás, como é que você chegou ao mesmo lugar que aquele cara? Não vai me dizer que foi mera coincidência!? — continuou, me fuzilando.

— Não ouviu o que eu disse? Pai, eu quase morri. Não estou com ânimo para suas declarações de amor por mim, ou de ouvir pela milésima vez que eu sou maluca de ter vindo até aqui sozinha! — foi a minha vez de ignorar suas palavras.

Ele sempre tinha que ser tão impossível? Nem mesmo quando eu quase morro ele me dá algum crédito? Eu quase fiz um favor a ele perdendo minha vida, mas mesmo assim ele não poderia facilitar as coisas?

— Com licença… Senhor Corrêa, tudo bem? — Fred surgiu de repente e estendeu o braço sadio para cumprimentar meu pai; eles apertaram as mãos.

— Tudo ótimo comigo, mas parece que vocês dois estão em um dia bem ruim! — Joaquim falou, recolhendo sua mão.

— Sim, passamos por um perrengue que jamais vamos esquecer! Mas… Mas eu não tinha como deixar de elogiar as ações de sua filha. Pode até ser que não tenhamos pego o maldito bandido, mas com toda certeza ele vai passar o resto do dia com uma bolsa de gelo no rosto por causa da cabeçada que Juliana acertou no rosto dele! — com aquela lembrança, Fred gargalhou empolgado e eu sorri.

— Como eu havia acabado de dizer para a minha filha desajuizada: vocês tiveram sorte! — meu pai nem deu importância para a defesa de Fred.

— Não adianta, Fred. Sabe como ele é... — revirei os olhos e cruzei os braços.

— Fred, você é um cara tão competente, um policial super esforçado e talentoso… Seu único defeito é colocar emoção à frente da razão! Sei que é louco por Juliana, mas na próxima use o cérebro e não tente chegar num local de crime sem ter alguém para te dar cobertura. Isso foi imprudente! — dessa vez a bronca de meu pai foi para Fred, o que me deixou surpresa.

Minha surpresa aumentou quando Fred abriu um sorriso e depois começou a rir.

— Francamente! Já tenho que aguentar as broncas do meu pai, agora vem você e faz o mesmo! — Fred continuou a rir — Senhor Corrêa, com todo o respeito que tenho pelo senhor, acho que está meio perdido por aqui, pois jurava que estava de férias há dois dias atrás! Então, estou me esforçando muito para entender o que o senhor faz aqui! — continuou, expulsando meu pai dali sem disfarçar.

— Frederico, com todo o respeito que tenho por você… Também estou tentando entender o que você faz aqui, numa conversa que não foi solicitado. É papo entre pai e filha, e para isso não existe férias! Agora pode nos dar licença, com a ótima educação que eu sei seus pais lhe deram? — meu pai rebateu, nem um pouco afetado.

— Bom, o penetra aqui te garanto que não sou eu. E tem mais… — prevendo que aquela discussão iria longe demais, toquei o braço de Fred e o contive.

— Fred, por favor, não se dê ao trabalho. Pode nos deixar à sós? Eu resolvo isso! — pedi gentilmente e o soltei.

— Mas Juliana, ele… — outra vez o interrompi.

— Está tudo bem. Não é algo inédito, então estou acostumada. Agora pode ir, por favor? — outra vez pedi.

Mesmo sob protesto e ainda lançando um olhar nada contente em direção ao meu pai, Fred saiu caminhando dali. Eu o encarei até que ele voltasse para perto de outros policiais e começasse a conversar. Um sorriso discreto se abriu em meus lábios após esse ato de tamanha audácia nunca vista em meu amigo. Será que eu estava louca ou algo bom estava prestes a acontecer?

— Juliana, acho que você anda dando muita liberdade para os seus amigos. Tudo bem se meter em sua vida, pois você é tonta e se abre para qualquer um, mas se meter em um papo meu e seu, isso é inadmissível. Dê limites aos seus amigos, ou não te permito mais vê-los! — outra vez Joaquim começou uma conversa agressiva.

— Pai, basta! — falei mais alto do que previ; depois olhei para os lados e continuei em um tom mais moderado — Eu me abro para qualquer um? Acho melhor você não repetir esse tom pervertido comigo, pois nunca dei motivos para isso! — pedi.

— Não me dá motivos? Preciso te lembrar que a maioria de suas amizades é do sexo masculino? Isso é, se for realmente amizade...— provocou-me.

— Sério mesmo, pai? Sério que abandonou por um momento suas férias só para vir até aqui me aborrecer? Pensei que eu teria algumas horas de paz depois de tudo o que me aconteceu hoje, mas já vi que me iludi! — choraminguei, já completamente exausta com o rumo daquela conversa.

— E você teria paz... Se não tivesse chegado aos meus ouvidos os tipos de merdas que você fez por aqui! Juliana, pelo amor de Deus, coloque a sua cabeça no devido lugar. Você é visivelmente incompetente, então por que quis bancar a heroína? — os elogios continuaram, para meu completo desgosto.

— Você não percebe? — gritei, mas nem sequer cogitei em diminuir o tom ao continuar a falar — Eu estou nessa merda de trabalho que não tem nada a ver comigo... Estou... Estou nesse maldito lugar... Aqui tentando enganar todo mundo com minha máscara de tranquilidade quando, por dentro, estou um verdadeiro caos... E tudo isso, toda essa porra, é em uma tentativa desesperadora de que um dia você me diga o que eu fiz de errado para que me odeie tanto! — um choro desesperado escapou por minha garganta.

A expressão fria de meu pai permaneceu exatamente no mesmo lugar, o que fez o meu choro aumentar. Mesmo com os olhos embaçados de lágrimas eu olhei em volta e reparei uma plateia de policiais olhando em nossa direção.

— Achei que estivessem aqui para trabalhar e não para ficarem prestando atenção em conversas alheias! — resmunguei para eles, mas logo me senti mal por ter sido rude com quem não tinha nada a ver com meus problemas.

Quando me virei para encarar meu pai outra vez, Fred estava se aproximando.

— Senhor Corrêa, não acha que já deu sua hora por aqui? Não acha que já atrapalhou demais? Não está satisfeito? — ele estava visivelmente irritado e eu temi por uma confusão maior.

— Fred, não! — o segurei pelo braço, mesmo sabendo que minhas forças eram inferiores.

— Não vai mesmo se colocar em seu devido lugar, moleque? — meu pai o provocou, tão irritado quanto meu amigo.

Fred moveu-se bruscamente e minha mão acabou o soltando. Meu choro cessou, dando lugar ao pânico.

— Me acha moleque? Saiba que fico muito feliz em ser isso, ao invés de um homem de quase 50 anos mas com a imaturidade de uma criança de 5! Não se cansou de seu showzinho? Não sei se o senhor percebeu, mas está atrapalhando uma investigação! Então vou pedir gentilmente: volte para o seu caça-palavras em casa! — Fred falou, fazendo com que eu conseguisse soltar o ar que havia prendido de susto fazia alguns segundos.

— Tudo bem, chefia! — meu pai continuou a debochar e saiu caminhando enquanto ria sozinho.

— Seu pai está mais impossível do que nunca! — resmungou Fred mais uma vez.

— Acredita que esse jeito dele nem me surpreende mais? — refleti, enquanto encarava as costas do meu pai.

Para minha surpresa, antes de entrar em seu carro meu pai virou o rosto em minha direção e me encarou profundamente. Um sorriso estranho se abriu em seus lábios, causando-me calafrios.

Merda!

— Fred, eu... Eu vou embora, ok? Você pode pedir para alguém continuar por mim? Eu preciso sair daqui. Eu... Eu preciso respirar em um lugar que não seja esse. Tudo bem para você? — entreguei a câmera para ele e usei as duas mãos livres para secar meu rosto.

— Eu a levo em casa! — se ofereceu; tratei logo de balançar a cabeça negativamente.

— Eu quero ficar um pouco sozinha. Você me entende, não é? Sabe... Depois de horas olhando para a sua cara, digamos que estou enjoada! — brinquei, tudo para que ele acreditasse que eu estava bem.

— Tudo bem, sua ingrata. Mais tarde nos vemos? — Fred perguntou, enfim sorrindo depois de tantos minutos de tensão.

— Hum... Melhor não. Deixe para amanhã em sua festa, pode ser? Só quero evitar mais discussões com meu pai! — neguei e apertei as alças de minha mochila.

— Como se discutir com seu pai fosse uma coisa fácil de se evitar... Mas tudo bem, nos vemos amanhã! — meu coração gelou quando Fred ficou próximo demais a mim — Qualquer coisa me ligue, ok? — então depositou um beijo em minha testa para meu completo alívio.

Ou decepção.

Fui caminhando em direção à estrada, já que a ideia era ir para casa. Mas minha consciência me fez dar meia volta e ir pedir desculpa para os policiais por ter sido tão deselegante.

Fazendo isso, continuei a caminhar em direção ao lugar onde eu havia estacionado meu carro, um pouco longe dali. Parei apenas quando já havia o avistado, mas tive a impressão de estar sendo observada. Me virei para olhar em volta e meus olhos inundaram-se de lágrimas quando algo surgiu em meu campo de visão.

— De novo não! — solucei e comecei a tremer.

***

|Fred|

Meu braço começava a doer outra vez, quando enfim cheguei em casa. Eu estava exausto, mas a raiva por ter falhado em meu trabalho aquele dia era muito pior. Fora o tanto que tive de me segurar para não dar uns bons tabefes no pai de Juliana, que uma vez estando de férias tinha muito mais tempo para infernizá-la.

Fui direto para a cozinha para procurar e tomar algum analgésico, quando senti uma presença atrás de mim.

— Teve muito êxito em seu dia, filho? — era meu pai.

— Eu sei que o senhor sabe! — revirei os olhos sem que ele visse e me virei para encará-lo.

— Mas é tão difícil de acreditar que preferi ouvir de sua própria boca. E então, vai me contar? — ele insistiu.

Respirei pesadamente.

— Juliana me ligou chorando e disse que estava sozinha na cena de mais um crime daquele assassino procurado. Sem sequer ponderar eu fui até o local indicado por ela, mas eu antes liguei para os reforços, antes que o senhor me chame de imprudente. Então cheguei até lá e toda a loucura aconteceu! — tentei resumir, tudo para ir logo tomar meu analgésico e ir me deitar.

— A loucura aconteceu e você não conseguiu manter o controle? Acho que está precisando treinar mais, meu filho! — meu pai deu de ombros.

— Juliana estava bem no centro de toda a confusão. Queria que eu atirasse nela? Meu treinamento está em dia, mas acontece que percebi que não estou tratando de um amador, e sim de alguém que pode ter começado antes de mim. Ah, e ele não está sozinho nessa, tem alguém que o ajuda! — falei e levei a mão em direção ao curativo do meu braço.

— Bom, mas... — ele ia continuar a falar, mas alguém o impediu.

— Não acredito que está trazendo trabalho para casa outra vez, pai. Se poupe e nos poupe! — minha irmã, Flávia, surgiu em meu campo de visão — Irmão, vá se deitar. Eu cuido desse rabujentinho aqui! — cutucou o peitoral de nosso pai com o dedo indicador.

Ainda assim não me movi do lugar. Meu respeito exagerado me fez permanecer ali, encarando meu pai e esperando que me liberasse.

— Sério isso? — Flávio me encarou e revirou os olhos; depois virou o rosto outra vez — Pai... — o advertiu.

— Tudo bem... Dispensado! — meu pai suspirou, meio emburrado.

— Obrigado, senhor! — me despedi com uma leve pontada de ironia e então fui para a cozinha.

É, esse sou eu. Enfrento o pai dos outros, mas não consigo enfrentar o meu.

***

|Scott|

O arsenal de armas estava quase todo limpo. Era um hobby que eu tinha quando não estava alojando balas na cabeça de alguém. Me servia até como uma espécie de calmante quando algo estava me irritando a ponto de me dar um maldita dor de cabeça, geralmente quando eu mal terminava de mandar alguém para a sepultura e outra pessoa aparecia também querendo ter o mesmo destino.

Me irritava o fato da covardia não ter fim, de mesmo eu tendo me tornado famoso por matar homens que não eram tão bons com a família, ainda assim os que ainda estavam vivos não se amedrontavam e não mudavam. Todos só estavam dispostos a mudar quando estavam na mira de um dos meus muitos revólveres, mas aí já era tarde demais e não havia tempo para arrependimentos.

Deixando a arma limpa com cuidado sobre a mesa, eu caminhou até um cavalete no fundo daquele quartinho escuro onde eu estava. Ali havia um quadro daqueles de uso em Treinamento de Tiros, com muitos furos de bala, mas ainda com espaço para outros.

No centro havia uma foto intacta: a foto de seu novo alvo.

Sem sequer ponderar, dei um tiro no rosto da imagem com um único e rápido movimento, tirando uma arma do bolso de minha jaqueta. Imediatamente um líquido vermelho escorreu para o chão, manchando boa parte da foto.

Não pude evitar uma gargalhada que escapou por meus lábios. Ao mesmo tempo que aquilo era idiota, também me divertia. Idiota era o fato que eu colocava um saquinho de suco de groselha atrás da fotografia dos meus alvos, tudo para ter uma sensação quase real em meus tiros por diversão. O líquido vermelho me dava um prazer antecipado.

— Não se preocupe, sua real vez logo vai chegar... — conversei com a imagem enquanto me aproximava dela — Joaquim Corrêa! — continuei, falando lentamente.

Fiquei observando a imagem suja e perfurada por alguns segundos, mas logo a arranquei dali com um movimento rápido e a amassei. Depois, encarei as minhas mãos sujas de vermelho, mexi os dedos e sorri outra vez.


Notas Finais


E então, o que acharam do capítulo? O que acham que aconteceu com a Juliana? O que acharam da nova vítima do Scott? Merecido? Comentem. <3


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