História A beleza da monotonia - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Romance
Visualizações 13
Palavras 723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Seinen
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Crença de Gael


Aquele rosto era de Rachel.

Ah, sim... que doce criatura.

Rachel foi a garota que, quando criança, me ensinou que a Lua não brilha; o que brilha é o Sol, e por isso, a Lua mata as estrelas por inveja. Que tipo de imaginação uma criança deve ter pra pensar e falar algo desse tipo? É claro que não foi esse o motivo de eu ter me... Tsc!

Tudo bem, tudo bem... Eu me apaixonei por ela. Falei.

Apaixonar-me é uma quebra da essência de Gael. E irei explicar aqui os dois motivos:

1. O Amor não existe.

Demorei um pouco pra perceber isso. Na verdade fui perceber quando terminei o colegial. Tenho um grande amigo; seu nome é Matthew. Matt é o homem mais gentil e cavalheiro que já conheci. Por conta disso, mulheres de todas as idades se interessavam por ele; até um dia em que o maldito finalmente conheceu ''a sua alma gêmea'' (coisa que não existe, obviamente). Namoraram por grande tempo e planejaram se casar... lindo, não? Err... não. A vadia acabou por trair Matt com um outro alguém que não vale a pena mencionar agora... agora não... é uma longa e complicada história.

Certamente um único caso não foi o bastante para me fazer crer que o amor não existe. Tenho 19 anos e durante todo esse tempo venho vendo as desgraças que as pessoas apresentam-me todos os dias. Os seres humanos são criaturas horríveis... exceto por Rachel. Quero dizer... ah. Viu só? Esse sentimento é uma desgraça mesmo. Maldita seja a paixão.

2. Sentimentalismo é fraqueza.

Desde os meus 15 anos, acabei me tornando uma pessoa racional. Vejo os dois lados de um caso e analiso eles cuidadosamente. Agir por sentimentos é um dos maiores erros a serem cometidos durante essa longa jornada que é a vida. Uma pessoa sentimental é aquela peça da engrenagem que emperra o funcionamento da máquina. Sentir pena? De jeito algum... Tristeza? Perca de tempo. Preocupações? Não desejo cabelos brancos. Amar? Impossível. O amor não existe.

— Ei, Johnny. Sabia que as luas comem as estrelas? 

Não sei exatamente o que me levou a falar aquilo. Mas ok. Tudo bem. Vejamos a resposta desse mendigo.

— Em que sentido? — o morador de rua pergunta.

— Como assim ''em que sentido?''. No único sentido possível, seu retardado. Que merda você acabou de pensar?

— Quantos anos você tem, cara? Você já passou da idade de erotizar tudo que vem à cabeça. Você é um homem. Adulto. Vê se cresce. — Johnny me responde.

Tenho certeza que quem erotizou algo aqui foi ele, mas discutir com Johnny é uma grande perca de tempo, ele sempre assume que a Verdade Suprema está ao seu lado.

— Você tá estranho, se quiser saber. Quando um homem fica estranho assim, eu sei exatamente o que é: mulher.

Às vezes me impressiono com a inteligência de um morador de rua.

— Mulher é uma desgraça, cara. Elas não tem coração, você sabia? Aposto que não. Quando uma dessas criaturas da sombra e da escuridão arrancar seu coração e comer ele na sua frente e logo após, desaparecer, você vai saber exatamente do que falo. — ele continua.

— A garota pela qual me apaixonei não é assim. Ela é delicada e gentil. — respondi.

— HAHAHAHAHA!! Todos pensam assim, seu idiota!

Tenho certeza que o único idiota aqui é ele.

— Dizem que quando alguém se apaixona, essa pessoa se distancia de alguns amigos. Não se preocupe, não se preocupe. Farei o trabalho pra você; quando finalmente se desiludir, nós voltamos a nos falar, ok? — ele concluiu, levantou-se e saiu andando pra algum lugar, como ele sempre faz quando nos despedimos.

Talvez tudo que ele tenha falado seja verdade.

Talvez eu vá me iludir assim como Matt.

Eu não quero sofrer.

Eu não desejo sofrer.

Sentado na calçada e vendo as pessoas passarem, penso nela novamente. Já faz alguns anos que não a vejo. Rachel e eu estudamos juntos desde a infância. Rimos, conversamos, pensamos e , às vezes, brigamos. Só percebi que a amava quando ela deixou de fazer parte do meu dia a dia. Talvez não seja paixão, e sim, saudades.

De qualquer forma, a única certeza que tenho é que quero ela aqui ao meu lado, quero sentir o seu cheiro e passar um grande tempo assim, estagnado. Isso já é o bastante.

É, é paixão mesmo.

 

 



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