História A Caixa de Pandora - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Camus de Aquário, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Kanon de Dragão Marinho, Mascára da Morte de Câncer, Miro de Escorpião, Mu de Áries, Personagens Originais, Saga de Gêmeos, Shaka de Virgem
Tags Camus, Hyoga, Ikki, Kanon, Milo, Saga, Shaka
Visualizações 52
Palavras 6.837
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tenham uma Boa Leitura!

Capítulo 2 - 2. Resultados de uma luta!


 

O silencio abalava qualquer um que ousasse falar naquele recinto, mas nada era pior do que a vergonha que eles carregavam. Tanto os dourados quanto os de bronze, os amigos se encontravam ali no salão principal do templo de Shion, mas nenhum deles sabiam exatamente o que falar. Uns estavam sérios, pensando em como meras garotas venceram cavaleiros de ouro e até mesmo aqueles moleques que na época em que levantaram a mão contra o santuário no passado, venceram os guerreiros de ouro com esforço e coragem. Mas que agora se encontravam sentindo-se pior que uma lixeira.

Outros estavam calados por não saberem o que dizer, sentia a humilhação de seus companheiros, mas nada que dissessem mudaria o fato trágico daquela noite.

Depois de terem sido derrotados, Saori sentiu a ausência da cosmo energia deles e pediu que Mascara da morte e Aioros fossem ajudá-los, mas fora uma surpresa ao encontrar todos os sete desmaiados. Havia ainda mais zona no museu, dando mais prejuízo do que deveria a Heitor. Todos estavam caídos e somente o canceriano e o sagitariano não dariam conta de levá-los. Tiveram que chamar reforços.

Demoraram para acordarem, despertaram somente próximo do meio-dia. Todos não tiveram nenhum problema, com exceção de Aioria que ainda se encontrava na enfermaria da segunda fundação criada um pouco afastada do santuário. O leonino ainda sentia zumbidos em suas orelhas devido aos golpes estranhos daquela amazona impertinente. Ele fora o único que não compareceu no templo do grande mestre, devido ainda estar em observação.

Atena estava sentada em seu trono, que também era ocupado por Shion em sua ausência. Ela sentia a dor de seus honrados cavaleiros, conseguia ver o quão chateados estavam. Não por terem perdido o tal artefato e sim por terem sido vencidos tão facilmente por elas, foi o orgulho deles quem se machucou nessa missão.

- Quem será que são essas garotas? Derrotaram Ikki tão facilmente e de nós cinco ele é o mais forte – Seiya comentou com Shiryu, o dragão apenas assentiu, mas estava tão surpreso quanto ele.

Camus, Milo e Shura estavam agachados e de cabeça baixa para Atena, assim como Shun, Ikki e Hyoga. O grande mestre se encontrava ao lado da deusa, observando os cavaleiros e os companheiros espalhados pelo salão mergulhados em seus próprios pensamentos e conclusões.

- Eu entendo que estejam feridos diante dessa missão, mas quero que saibam que não é necessário se sentirem assim. O inimigo se mostrou mais forte do que o esperado e não importa quem tivesse ido para o museu, qualquer um teria sido derrotado – Saori se pronunciou.

- Mas ainda sim, Atena! Isso não explica como elas os venceram! – Kanon exclamou, ele não sabia dizer pelo qual motivo estava irritado, se era por seus companheiros terem sofrido uma derrota vergonhosa ou se era por ele não saber o que aquelas garotas queriam realmente – Só pelo fato deles terem sido derrotados já mostra que estamos lidando com alguém acima de nós – emendou.

- Suspeita de algo, Kanon? – Seiya indagou.

- Nada me vem à cabeça a não ser o Olimpo! – contou – Mas também não tenho certeza. O Olimpo não é o único lugar onde existem deuses que querem acabar com Atena. Asgard já nos atacou no passado também, existem muitos deuses que até mesmo nós desconhecemos... – falou.

A tensão aumentou após a fala do dragão marinho. O que não deixava de ser verdade, existiam outras crenças por aí e deuses que queria dominar o mundo, não se surpreenderiam se aparecessem algum deus ou deusa de sabe-se lá onde.

- E quanto a Aioria? – a deusa indagou.

- Ele ainda está na enfermaria, Aioros está com ele – Dohko falou – Ainda parece sofrer sob o efeito da amazona com quem ele lutou – explicou.

- Que tipo de amazona ela era? – Shiryu quis saber.

- Ela apareceu do nada, o chão começou a tremer e de repente ela já estava nos atacando – Milo explicou, mantendo sua face séria e irritada – Eu não sei que tipo de poder ela usa realmente, somente Aioria vai poder responder – disse.

- E as outras?

- Uma delas pode criar ilusões, fui tolo o bastante para cair – Shura se pronunciou, fechando suas mãos em punho, contendo a raiva e Shiryu se compadeceu.

Depois de tantas batalhas, Shura se tornou outro mentor para o dragão e um amigo também.

- Havia outra junto dessa amazona que cria ilusões. Ela conseguiu quebrar meu zero absoluto – Camus deu continuidade as explicações – Ela possuía símbolos cravados em sua pele, dela saiam espadas. Seu corte era tão perfeito e forte que repeliu a Excalibur de Shura com facilidade! – acrescentou.

- Céus, de onde essas ragazzas saíram? – Mask ralhou, cruzando os braços.

Apesar de não demonstrar, ele não estava contente com aquilo. Ele viu pessoalmente os estragos no museu e em seus companheiros, não deveria temê-las, mas parecia que não tinha opção.

Saori abaixou sua cabeça, estava tão desolada quanto seus guerreiros, mas sabia que eles se sentiam pior. No entanto, não havia nada o que fazer, ao menos, não naquele momento.

- Sei como se sentem. Porém, lamento dizer que não há nada que possamos fazer, pelo menos não agora – a deusa falou, erguendo-se de seu trono – Descansem, cavaleiros. Deixem que essa agonia e o orgulho ferido vá embora.

Eles a encararam, mas era fácil falar do que fazer. Ainda mais que não era ela quem havia sofrido uma derrota.

Sem dizer mais nada, Saori se recolheu e Shion a acompanhou. Enquanto os cavaleiros retornavam para suas casas. Milo saiu na frente, pisando firme e com uma feição de poucos amigos.

- Milo, espere! – Seiya o chamou – Aonde vai?

- Fazer a única coisa que eu posso no momento... Beber! – exclamou, sem nem ao menos encarar o pegasus.

- Ainda é meio-dia e meia! – alegou.

- E daí? – rebateu irritado.

Seiya abriu a boca para dizer algo, mas fora impedido por Saga.

- Deixe ele, Seiya. Está ferido e o melhor é ele extravasar em alguma coisa do que em nós – aconselhou o geminiano e Seiya concordou.

Hyoga fitou seu mestre, ele mantinha a cabeça baixa e a franja fazia uma sombra sobre seus olhos. Não sabia como ajudar seu mestre e nem sabia como se ajudar, então permaneceu quieto e o acompanhou até a casa de aquário. Shura também permanecia calado e Shiryu se ofereceu a ir com ele para a casa de capricórnio e quem sabe conversarem e fazer o espanhol colocar aquela merda pra fora e querendo ajudar também Seiya acompanhou os dois.

- Eles são mesmos uns bundões. Ficam aí com essas caras de merda e de coitados – Mask rebateu, estava sendo contagiado pela agonia dos outros.

Afrodite que estava ao lado dele lhe deu um tapa na cabeça e o olhou feio.

- Pare de bancar o idiota. Você estaria da mesma forma se tivesse no lugar deles – alegou, cruzando os braços.

- Pode até ser, mas eu não ficaria aqui me lamentando – argumentou.

- E o que você faria, gênio? – o pisciano ironizou.

- Eu iria atrás dessas amazonas e as faria provar do próprio remédio – rebateu entre dentes.

Dite suspirou, resignado. Mas por um lado até concordava com o amigo, ele também procuraria por elas até o fim do mundo se fosse preciso. E sabia que todos ali fariam a mesma coisa.

 

***

 

A porta do quarto da enfermaria foi aberta. Saga entrou no pequeno quarto onde Aioros se encontrava sentado em uma cadeira e Aioria já não estava mais na cama, o barulho da torneira aberta do banheiro o denunciava ali dentro.

- Como ele está? – quis saber.

- Ainda com os zumbidos, mas fora isso está bem – contou – Como foi a reunião com Atena?

- Bem. Mas estamos de mãos atadas, não sabemos nada sobre elas e... E elas parecem saber e ser melhor do que nós – suspirou, arrastou outra cadeira e se sentou ao lado do amigo.

- Atena ou Shion deu alguma ordem? – perguntou.

- Nenhuma.

- Então ficaremos aqui sem fazer nada?

- E o que vamos fazer? Ir atrás delas sem um plano formado? – Saga o olhou – Seremos derrotados e talvez de um jeito ainda mais humilhante – alegou.

A porta do pequeno banheiro foi aberta e Aioria saiu com a feição tão abatida quanto os outros. Apenas de um leve aceno cumprimentando Saga, que o retribuiu. O leonino sentou-se na cama fitando o chão.

- O que Atena falou? – Aioria perguntou, fitando a paisagem de árvores através da janela.

- Ela disse que sente as dores de vocês, mas que infelizmente não podemos fazer nada. Estamos lidando com um inimigo desconhecido e que ainda por cima parece nos conhecer – explicou.

- Como está o zumbido, irmão? – Aioros se levantou.

- Parece estar passando – disse.

- Como ela era, Aioria? Sei que não quer tocar no assunto, mas quanto mais sabermos melhor – Saga se aproximou.

Aioria sentou-se melhor na cama e pareceu pensar em sua luta.

- Não vi o rosto dela. Mas ela era forte – contou – Ela sempre tocava com força as mãos no chão e o mesmo tremia como se fosse um terremoto. Quando batia palmas um zumbido horrendo se fazia presente e algumas vezes eu ficava tonto, era quando ela se aproveitava para me atacar com seus socos – explicou – Ela não parece ser boa de luta, me atacava sempre de longe e contava com suas palmadas para me deixar desorientado. Acho que perdi os cinco sentidos quando apaguei – emendou.

- Já é alguma coisa – disse – Estamos lidando com gente perigosa. Uma usa ondas sonoras, outra ilusões e a terceira pode cortar qualquer coisa e até repelir o ataque de Shura. Ao todo são seis.

- São cinco! – Aioria o corrigiu.

- Seis. Camus disse que sentiu outra cosmo energia no hall do museu, mas que ela não lutou com ninguém – alegou.

- E ainda há aquela que os fez apagar – Aioros acrescentou – Não a viu, Aioria? – o irmão mais novo negou.

- Seja lá quem são, são amazonas bem treinadas e perigosas. Devemos ficar mais do que de olhos abertos com elas – Saga avisou.

 

~*~

 

Olimpo

Um suspiro. Depois alguns minutos, mais um suspiro. À medida que ela ia pensando e pensando, sua boca se movia e soltava seus suspiros exasperados. Devia sentir-se feliz, contente e vitoriosa como suas amigas, mas sentia totalmente ao contrario. Parecia que somente ela enxergava algo de errado naquilo tudo.

Deitada em sua cama, ela mirava o teto onde a claridade batia. No Olimpo elas não tinham noção de tempo, apenas sabiam quando era dia e noite. Naquela hora era dia. Suas amigas estavam no refeitório do templo comemorando e rindo dos otários que perderam para elas com tanta facilidade, mas ela não conseguia compartilhar aquela vitoria. Sentia algo em seu intimo gritar que havia algo errado. Algo de muito errado.

Zyra, a amazona fantasma, a Musa da Morte. Uma guerreira forte e astuta, fazia parte do quarto de Musas Sagradas do Olimpo. Condecorada por vários deuses e admiradas por varias amazonas iniciantes, até ela sentia admiração, mas agora sentia apenas raiva e ódio. Zyra era uma traidora, virou-se contra sua deusa e passou para o lado do inimigo, que nem elas sabiam direito quem era.

Lutara com Zyra no museu usando toda sua força, perdera a conta de quantas vezes foi arremessada contra uma pilastra ou as paredes do local. No entanto, aquela luta toda era repassada na cabeça dela. Ela era uma musa experiente, conhecida como a Musa do Gelo. Aneta sempre teve orgulho de carregar o cargo de melhor Musa do Olimpo. Mas agora se sentia como um reles humano que perdera o sentido de sua vida.

A musa traidora lutara consigo, mas ela não parecia interessada em vencer. Zyra parecia mais zombar dela a cada golpe, se mostrava vitoriosa sem ao menos terem iniciado a luta. Sempre soube que ela contava vantagem, mas no museu não parecia o caso. Sem contar que ainda parecia estranho que a outra não tentara hora nenhuma pegar o baú, ela queria apenas descontar em cima de si. Parecia pouco se importar com o baú ou em pegá-lo. E a frase dita por ela ainda ecoava em sua cabeça.

"As Musas de Hera são tão convencidas que nem percebem algo que está debaixo do nariz delas!"

Aneta se sentou na cama rapidamente, sua cabeça rodando e revendo a sua luta como se fosse um filme. E algo parecia estalar em sua cabeça. Levantou-se correndo e saiu de seu quarto como se fosse um raio jogado por Zeus. Havia servos naquela parte do templo de Hera e Aneta passou por eles como se nada fossem. Chegou até a esbarrar em alguns.

Zyra jamais permitiria que ela vencesse, jamais ficaria tão serena diante de algo que ambas querem. Ela deveria estar morta, quem lutava com Zyra não vivia para contar a historia. As zombarias que ela soltava ao longo da luta, provocando-a apenas contribuíram para que ela chegasse a uma conclusão: elas haviam sido enganadas!

- Aneta, o que... – uma das musas sagradas havia ido ao encontro a musa do gelo, querendo saber se estava bem e levá-la para comemorarem a recuperação do baú.

Porém, ganhara apenas um empurrão e a musa passou feito um raio.

- Agora não, Natasha! – exclamou ela, passando pela tal musa de um nível bem maior que ela.

Natasha - uma musa sagrada de cabelos achocolatados e ondulados e olhos esverdeados – a encarou. Estranhando o comportamento da outra, sendo que Aneta sempre foi a mais reservada de todas. Preocupada, a seguiu.

- Aneta, o que está havendo? – indagou, correndo ao lado dela.

- Tem algo errado!

- Não tem nada de errado. Recuperamos o baú e o mundo está a salvo. Fim de papo – Natasha a puxou, impedindo-a de continuar. Ambas se encararam – Eu sei que está chateada por não ter conseguido pegar o baú quando pode, mas isso não será levado em conta. Você derrotou Zyra e vamos encontrá-la – afirmou.

- É por isso que tem algo de errado! Quantas pessoas que já lutaram contra Zyra sobreviveram? – questionou e Natasha ficou calada – Pois é! Nenhuma! Eu sinto que tem algo errado e isso se deve ao fato de Zyra ter perdido pra mim.

- Do que está falando? – indagou, franzindo o cenho.

- Zyra não tentou pegar hora nenhuma o baú, por que ela faria isso? Simples, porque aquele não é o baú que procuramos! – alegou.

- Está louca! Aquele é o baú certo, senão Zyra não teria o trabalho de ir atrás dele!

- Será? – questionou – E se foi apenas para nos despistar? – Natasha ficou calada, achando aquilo tudo uma baboseira – Só tem um jeito de descobrir – afirmou.

Se soltou de Natasha e tornou a correr, indo em direção ao salão onde os deuses gregos guardavam artefatos importantes. A porta dupla branca e com desenhos adornados de cima abaixo estava protegida por dois guardas armados com lanças, entraram em posição de ataque ao ver a musa. Haviam recebido a ordem de não deixando ninguém que não fosse Hera ou Zeus entrar naquele cômodo.

- Saiam da frente! – Aneta ordenou.

Eles não responderam e nem saíram de sua frente.

- Não deixem ela entrar! – a voz altiva de Natasha ecoou atrás dela – Aneta, volte para seu leito, está sob efeito dos ataques de Zyra.

- Não estou! Apenas falo a verdade e vou provar – assentiu.

- O que pensa que vai fazer? – indagou.

A discussão delas ecoou pelos corredores, por causa disso não demorou muito para que outras musas e guardas se aproximassem. Irina, a musa dos espíritos e Kassandra, a musa que liderou o ataque e a recuperação do baú no museu, apareceram.

- O que é essa confusão toda? – Kassandra indagou, caminhando ao lado de Irina.

- Aneta está enlouquecendo – Natasha revidou, alarmada com a atitude da musa que sempre fora centrada – Está dizendo que fomos enganadas por Zyra!

Kassandra fitou a musa do gelo preocupada.

- Aneta, está tudo bem. Pegamos o baú, depois pegaremos Zyra. Não tem com o que se preocupar – disse com cautela.

- Vocês não entendem – sussurrou – Então terá que ser a força! – disse.

Rapidamente ela se virou e golpeou os dois guardas que zelavam pelo cômodo, Natasha e as outras agiram também e tentaram impedir Aneta de comer qualquer ato estúpido e que poderia lhe custar mais tarde. A agitação atraiu mais gente e as outras musas que acompanharam Kassandra na missão já estavam reunidas ali tentando entender o que se passava.

Irina não interveio, tentava ver o lado da musa. Aneta nunca foi causar alarde e se ela estava assim, motivos não faltavam. Natasha segurava a musa com sua força e Kassandra não sabia se deixavam as duas se estapearem ou se interferia. Até que Aneta conseguiu escapar e correu até onde o baú estava e o pegou.

- Aneta, pare! – Natasha avisou.

Mas ela não lhe ouviu e sem pensar abriu o baú, deixando todas as outras musas alarmadas e aflitas. Algumas até colocaram os braços contra os olhos esperando apenas pelo impacto, porém, este não veio. Deixando os presentes ali confusos. Natasha havia corrido até Aneta e pulou em cima da mesma derrubando ambas no chão. Porém, nada havia acontecido e o baú estava vazio.

- Viu! Não há nada, fomos enganas! – alegou ela, se levantando.

- Como? Esse era o baú que o inimigo estava atrás e Zyra foi até ele – Kassandra afirmou, a fúria já a dominava.

- Parece que não – Irina interveio – Zyra soube usar bem nossa fraqueza. Ela se aproveitou que a estávamos caçando e nos despistou. Por causa do baú falso ficaríamos ocupadas e não ligaríamos para ela, daí ela poderia ir atrás do verdadeiro – contou.

- Droga! – Kassandra rangeu os dentes – Se eu colocar as minhas mãos nessa traidora, eu vou...

O que está havendo aqui? – a voz de Hera se sobressaiu aos demais – Aneta, o que... – a deusa se interrompeu, vendo o baú caído no chão e completamente vazio.

Aneta se aproximou da deusa, quando a mesma adentrou melhor o recinto e se ajoelhou.

- Sinto muito, minha deusa. Mas parece que fomos enganadas – alegou.

Hera não possuía expressão no rosto, mas havia dureza em sua face e a forma como ela olhava para o baú caído dava a entender que ela também se sentia como suas musas.

- Quero todas no salão agora mesmo! – ordenou e saiu sem dizer mais nada.

 

***

 

Hera fitava todas as suas principais musas agachadas diante de si, todas com semblantes tão confusos e raivosos quanto ela, só que a deusa não deixava transparecer sua raiva e a escondia por dentro.

- Muito bem, como isso foi acontecer? – ela indagou, apesar de não haver necessidade de questionamento. Estava na cara que foram enganada e que provavelmente Zyra estava rindo da cara delas – Aneta...

- Sinto muito, minha deusa! Eu juro que as pistas me levaram até o museu e pelo fato de Zyra ter estado o vigiando... Então, pensei que... Quer dizer, eu conclui que... – a musa do gelo nunca fora de falar muito, mas diante da situação agora ela falava feito um papagaio, nem sabia como, já que preferiria ficar calada até diante de problemas – Eu falhei, sinto muito! – pediu.

- Lamentar não irá mudar nada agora – Natasha se pronunciou – Temos que levar em conta que fomos enganadas e por conta disso erguemos as mãos contra pessoas inocentes – alegou.

As musas que partiram para a missão no museu começaram a se sentir culpadas, não havia nenhuma delas que não expressasse isso. A musa que os desmaiou talvez era a mais culpada, afinal, fora ela quem dera o ultimo golpe.

- Provavelmente eles querem nossos pescoços agora – a musa das armas comentou, seus cabelos negros ondulados caindo por sobre o rosto.

- Compreensível – outra falou.

- O que faremos agora, Hera? – outra musa morena, mas esta com cabelos longos e lisos, indagou. 

Hera fechou os olhos. Tentando assimilar as coisas calmamente, mas sua cabeça rodava tanto que achou que desabaria ali mesmo. Mesmo sendo uma deusa superior, ela também se afetava e ficava sem rumo como qualquer humano, mas ela sempre conseguiu esconder esse seu lado, pois no Olimpo não era permitido que os deuses se dessem ao luxo de ficarem confusos. Eles agiam da forma que queria e faziam as coisas do jeito que queria. Simples assim.

No entanto, Hera não era qualquer deusa. Ela também via um lado  bom na Terra, um mundo no qual Atena amava mais do que a si mesma. Por um erro descuidado de todas e até mesmo de si, foram enganadas e ergueram mais do que uma mão para eles. Mas o erro fora dela, ela ordenou que suas musas recuperassem aquele baú não importando as conseqüências. Nem mesmo as musas que a protegiam tinham culpa alguma. E talvez manter esse segredo de Atena fora um erro, se tivesse falado com a deusa da sabedoria antes, esse tumulto teria sido evitado.

- Ficar se culpando não nos fará encontrar o baú ou Zyra! – Hera firmou, erguendo-se de seu trono – Esconder o que se passava aqui de Atena também foi um erro nosso, mas que pode ser reparado! Conversarei com ela e depois trabalharemos em um plano – disse – Até lá, fiquem de guarda e esperem por minhas ordens! – alegou.

A deusa caminhou pelo enorme salão de trono e saiu do mesmo, sumindo em seguida. Deixando suas musas alarmadas com o que viria a seguir.

Será que Atena perdoaria aquele erro? E quanto aos cavaleiros, estariam dispostos a aceitar um pedido de desculpas delas?

 

~*~

 

Santuário

O entardecer já era possível ser visto pela janela de seu quarto, algumas rajadas do por do sol enchiam o quarto deixando-o com um ar harmonioso. O quarto de Saori era iluminado pela claridade daquele céu alaranjado e isso apenas contribuía para que a visão que ela tinha do rapaz de cabelos castanhos em sua cama, ficasse ainda mais estonteante. Horas depois da reunião a deusa se recolheu em seu templo, tentou pensar no que estava acontecendo, porém, nada de muito coerente lhe vinha a cabeça.

E depois que Seiya apareceu ela simplesmente parou de pensar corretamente.

Ela ainda achava incrível como a presença dele podia influenciá-la, com apenas um olhar conseguia entender o que ele queria. Não sabia explicar como ou quando se apaixonou por ele, mas diante de tantos acontecimentos e apuros juntos, tantas lutas travadas e ele sempre lhe protegia, não se importando se perderia um braço ou uma perna, ou até mesmo se morreria. Contanto que ela estivesse a salvo, ele não se importava com o que podia acontecer com ele.

Depois tanta guerra e sofrimento, agora que estavam em paz – mesmo que talvez temporária – eles passaram para um nível onde palavras não tinham espaço. Bastava somente um olhar para ambos entrarem em uma esfera somente deles, se beijavam, se acariciavam e se amavam como se o mundo lá fora não importasse. E de fato, talvez não importasse mesmo. Tendo um ao outro, o que era o resto do mundo?

O lençol cobria os corpos nus, Seiya cochilava ao seu lado, mantendo sempre um braço em torno da cintura dela. Mesmo dormindo ele não deixava de protegê-la. E Saori gostava daquela proteção. Ás vezes se sentia ridícula, pois sem Seiya ela não sabia ser firme e corajosa, sem ele parecia que seu mundo despencaria e ela perderia aquele brilho de viver. Seria isso saudável? Ou seria apenas seu coração apaixonado?

Os dedos finos acariciaram calmamente os fios castanhos do cavaleiro, Seiya tinha um sono pesado, mas sabia que ele acordaria se alguém ousasse invadir o santuário ou seu templo. Singelamente, Saori sorriu.

Mas logo desfez o sorriso.

Uma onda forte de cosmo energia se fez presente, porém, sabia que Seiya e nenhum outro cavaleiro seriam capazes de senti-lo, pois somente um Deus conseguiria emanar seu cosmo sem chamar a atenção de um guerreiro. A cosmo energia a chamava, era branda e calma, parecia a voz aveludada de uma mãe que lhe chamava carinhosamente. Saori se levantou no mesmo instante, vestiu seu vestido as pressas e andou pra fora do quarto enquanto ainda fechava o zíper na lateral do mesmo.

Saiu de seu templo e foi em direção ao seu jardim tão bem cuidado e com rosas cultivadas por Afrodite – mas sem veneno. Parou de andar ao chegar no centro do jardim, onde havia um pequeno chafariz para os pássaros e ao lado do mesmo avistou uma mulher. Elegante, de postura altiva e presença firme. Seus olhos passavam firmeza, mas também doçura. Os cabelos eram vermelhos, lisos e lhe cobria um dos olhos, que carregavam um verde excepcional. Em sua mão um cetro.

Saori a fitou, analisando-a e tentando adivinhar qual deusa ela era. Mas devido ao tamanho de seu cosmo, era um deus mais do que superior.

- Então, você é a esposa de Zeus... Hera! – Saori se pronunciou, sua voz não estava alterada, pelo contrario, se mantinha calma e amena.

- Fico feliz que tenha conseguido me reconhecer, mesmo que através do meu cosmo – Hera falou – Assim evitamos apresentações desnecessárias – emendou. Saori percebeu que a outra deusa já sabia quem ela era e de fato isso dispensava apresentações – Lamento ter que te chamar assim, senti outra cosmo energia com você e não queria atrapalhá-los – avisou.

Saori corou um pouco diante da fala de Hera, mas logo se recompôs.

- Não há motivos para vergonha, Atena. Você é uma jovem moça e deve aproveitar a vida com quem ama – aconselhou – Mas... Vamos ao que interessa. Tenho muito o que falar! – começou.

- É você, não é? Quem está por detrás do ataque no museu – disse convicta.

Hera suspirou.

- Sim, Atena. Sou eu, mas quero que saiba que não sou inimiga como pensa – apresou-se em falar – Sinto-me envergonhada em vir até aqui e dizer que minhas musas feriram seus cavaleiros a troco de nada. Talvez não acredite, mas tanto eu quanto minhas musas foram enganadas! – contou. Sua mão de fechou mais firme ao redor do centro.

- Enganadas? – repetiu a palavra – E o que são musas?

- As Musas são guerreiras que protegem e servem meu templo. Não são as musas que costumam ouvir nas mitologias, elas são como amazonas. São treinadas e ganham armaduras também, cada uma ganha um nome ao ganhar sua armadura e então são levadas para o Olimpo. Eu lhe explicaria mais detalhadamente como funciona, mas não tenho muito tempo – explicou – Sobre ser enganada... Sim! Eu fui, mas não é a primeira vez e sabe disso. Ainda não sei como consigo ficar surpresa depois de tanto tempo – emendou.

Saori a compreendia. Na mitologia, Zeus traiu Hera varias vezes e tiveram vários filhos. Atena era uma filha de Zeus, mas não nascera de Hera. Realmente não devia ser fácil ser esposa do poderoso deus do Olimpo.

- Zeus lhe traiu de novo? – indagou e a deusa negou.

- Foi uma de minhas musas – disse – Seu nome é Zyra. Ela traiu não só a mim, mas como ao Olimpo também. Ela nos atacou e na confusão do ataque um artefato foi perdido e caiu em algum lugar na Terra. Uma Musa de meu templo veio atrás de Zyra e a encontrou, além de encontrar o artefato... Acho que já deve estar ciente da luta delas – avaliou.

- Sim. Devo dizer que elas causaram bastante dano ao Museu do meu amigo – disse, relembrando o estrago que o museu ficou.

- Não era nossa intenção – afirmou – Assim como também não era nossa intenção lutar contra seus cavaleiros e machucá-los. Se soubéssemos que o baú que eles protegiam era falso, jamais teríamos atacado! A culpa toda é minha, Atena, eu pedi para elas recuperarem o baú a qualquer custo – abaixou a cabeça.

Hera analisou a face da garota, ela parecia imparcial, não demonstrava irritação ou braveza. Parecia compreender as palavras dela e ouvia atentamente.

- Apesar de terem se enfrentado, meus cavaleiros não se feriram gravemente e agradeço por isso. Se tivessem atacado para valer, creio que o pior poderia ter acontecido – Saori falou.

- Realmente eu sinto muito – Hera meneou a cabeça.

- O que há nesse baú?

- Selamos um poder ali dentro, prefiro que não saiba o que é. Para o seu próprio bem – afirmou – Apenas saiba que é algo perigoso. O pior é que não sabemos quem é o inimigo, estamos no escuro, mais do que vocês – acrescentou.

- É algum Deus?

- Se for está muito fraco, mas se não... É alguém que quer ser um. Sabe como os humanos gostam de compararem aos deuses – alegou.

Saori concordou.

- E o que pretende fazer? – a garota quis saber.

A deusa da sabedoria não sabia dizer se estava preocupada, aflita ou angustiada. Se alguém queria se tornar um Deus era um problema, mas se era um Deus querendo destruir não só a Terra, mas como o Olimpo também, então o problema era ainda maior.

- Quero sua ajuda, Atena! – pediu, Hera não se ajoelhou, possuía um pouco de orgulho ainda e sem contar que ela era a rainha do Olimpo, os outros deuses que se curvavam para ela e não o contrario – Sei que ferimos seus cavaleiros, mas não sabíamos que o baú era falso. Porém, o verdadeiro se encontra em algum lugar por aí e se não o encontrarmos o quanto antes a Terra correrá perigo!

Saori apenas meneou a cabeça, assentindo.

- Se está disposta a ajudar a Terra e os humanos, então tem minha palavra de que o santuário a ajudará – Saori afirmou – Mas creio que tenha condições, estou certa?

- Esperta – disse – Sim. Mandarei uma musa minha para cá, peço que não comente nada com ninguém. Quanto menos souberem melhor, isso fica apenas entre nós... E ao seu grande mestre, que tem escutado toda nossa conversa – sorriu de lado.

Saori teria rido se a situação não fosse tão séria. Ela sabia que Shion estaria ouvindo, afinal, fora ela quem o chamou. Desde o inicio quando sentiu a cosmo energia de Hera, que a deusa da guerra havia chamado discretamente o grande mestre e não demorou muito para que o mesmo se teletransportasse para o jardim, mas ficando escondido.

E assim ele permaneceu.

- Estou lhe contando apenas porque quero que esteja ciente de que haverá outras musas andando por aí a procura de Zyra – explicou.

- Não seria melhor ter a ajuda dos cavaleiros?

- Não acha que seus cavaleiros já lutaram e sofreram demais? – rebateu ela e Saori sentiu o peso das palavras – Eu também me preocupo com minhas musas, são como filhas para mim! Mas esse erro de ter deixado Zyra escapar e perder o baú é nossa, então nós que temos que encontrá-lo – foi convicta.

- Está bem – Saori assentiu – Quando essa sua musa chegará?

- Dentro de três dias – explicou – Ela trará também instruções de outras musas que a acompanhará. Mas como eu disse, isso fica em nós – foi categórica.

Saori assentiu e em seguida Hera se virou, começando a caminhar e logo foi desaparecendo. No mesmo instante Seiya apareceu correndo, vestindo somente uma calça jeans e ainda terminava de fechar o zíper. Conseguiu avistar de longe uma mulher ruiva conversar com sua deusa, mas ela logo sumiu de suas vistas e ele se preocupou, ainda mais por Saori estar sozinha com uma desconhecida.

- Saori!! – gritou e correu até ela – Quem era ela? – indagou preocupado e afoito.

- Se acalme, Seiya – pediu calmamente – Acho que ainda está sob efeito do sono, não havia ninguém aqui – sorriu docemente.

Seiya balançou a cabeça em negação, piscou varias vezes colocando a mente no lugar. Ele não era cego, sabia que havia visto alguém ali e que sumira de repente, mas não entendi o motivo de Saori mentir dizendo que não havia ninguém ali.

- Eu tenho certeza do que vi – garantiu.

- E eu tenho certeza do que falo! Não havia ninguém aqui, provavelmente viu coisas – falou, andando rumo a seu templo – Aposto que acordou afoito e veio correndo me encontrar, isso que dá levantar rápido demais – alegou.

- Mas Saori... – o pegasus a seguiu e continuou a argumentar, mas Saori não prestava muito atenção, pois estava conversando com Shion através do cosmo.

“Isso ficará entre nós, não é Shion?” ela indagou.

“Se assim o deseja, Atena! Mas não seria melhor contar ao Seiya?” Shion questionou.

“Não. Seiya já teve preocupações demais, assim como os demais. Eles merecem descanso.”

“Então que assim seja, minha deusa!” disse.

E ainda sob questionamentos, Saori e Seiya retornaram para o templo dela.

 

~*~

 

O barulho ambiente, as musica baixa, os ruídos que os copos causavam ao serem chocados contra ao outro em um brinde alcançavam seus ouvidos, mas aquilo não lhe agradava. Sua cabeça já rodava mais do que deveria e enxergar um palmo a sua frente era difícil. Estava ali desde as três horas da tarde, começara com apenas um suco, pois o dono o bar não lhe deixou encher a cara como queria. Sem contar que eles nem estavam abertos ainda, mas Milo concordou em ajudar a limpar o local enquanto apreciava um suco de abacaxi.

Quando deu sete da noite o bar abriu de verdade e o escorpião escolheu a mesa mais afastada do local e sentou-se, a garrafa de cerveja era sua única companhia. Dispensou até mesmo mulheres bonitas que queriam um pouco de atenção dele, mas naquela noite ele não estava com animo para paquerar, não quando seu orgulho de cavaleiro estava arruinado.

Bo, o dono do bar, sempre recebia os cavaleiros do santuário ali, mas nem tinha ideia de quem eles eram de verdade. Já conhecia os rapazes e até estranhava quando eles não apareciam, e naquela noite fora uma das ocasiões. Bo percebeu Milo abatido demais e bebendo além do que costumava, sem contar que o escorpião nunca negava uma mulher e ele já tinha dispensado quatro. Preocupado ligou para um dos amigos dele, que no caso era Camus. O aquariano sempre cuidava das burradas dela, principalmente quando envolvia casos com as servas do santuário.

Mas mal havia discado o numero e Camus apareceu no bar, Bo sorriu detrás do balcão e acenou com a cabeça no rumo em que Milo estava. E o francês foi até ele.

De longe já dava para perceber o estado deplorável que ele se encontrava, todo largado sobre a mesa e ao menos oito garrafas de cerveja vazias e a nona havia acabado de ser colocada ao lado dele. Camus não disse nada, apenas parou diante da mesa de madeira colada a parede, uma cadeira de madeira polida diante de Milo e o mesmo estava sentada no banco acolchoado. O bar era ótimo, confortável e agradável, mas ainda sim Milo não devia descer tanto.

- Se veio me dar sermão pode ir embola – disse, com sua língua toda enrolada e sob efeito do álcool – Senti seu cosmo desde loge – alegou.

- Não vim lhe dar sermão, mas também não posso deixar você se afogar nessa bebida toda – rebateu – Chega de bebida, vai tomar apenas água agora – disse sentando-se diante dele.

Camus devolveu a garrafa de cerveja e pediu um copo grande com água para o amigo e Bo concordou.

- Ele realmente parece mal. Aconteceu alguma coisa? – indagou, enquanto limpava um copo de vidro.

- Dia difícil na empresa – Camus contou. Saga uma vez inventou uma desculpa de que trabalhavam na empresa Kido, recém-criada em Atenas e isso era um álibi perfeito, outros cavaleiros também diziam a mesma coisa e os aprendizes usavam outras desculpas – Mas ele vai ficar bem! – assentiu.

- Todo mundo tem um dia difícil no trabalho – Bo acrescentou.

Após pegar o copo com água, o aquariano retornou para a mesa junto do amigo. Não conversaram nada, até por que Milo não conseguiria, sua língua estava toda embolada por causa da bebida.

O bar do Bo ficava localizado no centro de Atenas, em uma das ruas mais movimentadas durante a noite. Havia vários pontos bons na cidade e que os dourados costumavam ir, já eram até amigos dos donos, mas o bar era o ponto freqüente. Quase todo final de semana iam para lá e saiam tarde da noite, alguns emendavam indo até alguma balada, já outros preferiam ir para casa.

Cerca de algumas horas depois, já próximo das oito e meia alguns outros cavaleiros decidiram ir para o bar também, mas era apenas uma minoria. Kanon entrou no recinto ainda tendo um cigarro em sua boca, mas logo tratou de jogá-lo fora, buscou algum de seus companheiros ali dentro e avistou Milo e Camus nas ultimas mesas.

O bar não era grande, era até pequeno e freqüentado razoavelmente. A parte de dentro cabia exatamente apenas oito mesas, que abrigavam quatro pessoas. As cores vermelho fosco pintavam as paredes e o chão, mesclando com os detalhes de preto que vinham da porta, bordas das janelas de vidro, o balcão e algumas prateleiras. As mesas eram de madeira escura e algumas poucas eram colocadas do lado de fora, mas estas compunham apenas de duas cadeiras. E pelo fato da Grécia ser quente demais, muitos preferiam ficar do lado de fora.

Junto de Kanon – e vindo logo atrás – estavam Ikki e Hyoga, que decidiram de ultima hora acompanhá-lo para beber um pouco.

- Parece que alguém vai ter que ser carregado para casa – Ikki comentou, logo se sentando em um dos cinco bancos do balcão, demonstrando que não queria confraternização – E nem olhem para mim, eu não carrego ele – alegou.

Kanon riu de lado e se pôs a andar até os companheiros, Hyoga o acompanhou.

- Anda fraco para bebidas, hein Milo! Antes agüentava mais do que oito garrafas – alfinetou e Milo apenas lhe mostrou o dedo do meio.

- Resolveram encher a cara também? – Camus indagou – Milo já dá trabalho bêbado, mais de um não conseguirei levar de volta para o santuário – comentou baixo.

- Não vou beber... Tanto, no máximo uma garrafa. Deixarei a bebedeira mesmo para o final de semana – Kanon comentou, arrastando uma cadeira e sentando-se junto deles – Mas não me surpreende ele estar assim, acho que até ele encheria a cara se fosse derrotado – disse amargurado – Juro que se eu soubesse onde elas estão, iria atrás delas agora mesmo e as faria provar do próprio veneno – emendou.

Hyoga observava o mestre e Kanon conversarem, Milo não dava conta de participar da conversa, estava sonolenta já e seus olhos se fechavam constantemente. Se afastou da mesa deles e foi até o balcão, onde sentou-se ao lado de Ikki. Pediu um copo de cerveja e deu apenas um gole, depois ficou a fitar a taça enquanto se perdia em pensamentos.

- Achei que não bebesse – fênix comentou, dando um gole e terminando sua cerveja.

- Não costumo, mas acho que a ocasião pede – confidenciou.

- Talvez – murmurou.

- E o Shun? – perguntou, sem saber se deveria deixar aquele silencio persistir ou se deveria falar algo.

- Bem – alegou, cruzando os braços em cima do balcão. Bo já não estava mais ali então poderiam conversar com mais tranqüilidade – Só não estou tão puto da vida, pois Shun não se feriu. Se elas tivessem ousado ferir meu irmão eu iria até o inferno procurá-las! – trincou os dentes.

Ikki fitou Hyoga de canto, o mesmo possuía um semblante estranho, de quem estava pensando demais. Sabia que ele prestava atenção no que conversavam, mas demonstrava pensar em algo e tinha duvidas se era algo bom.

- Pensar demais pode ser um perigo, Hyoga – avisou.

- Eu estava pensando na moça que me enfrentou, eu senti o cosmo dela – contou, fitando a espuma de seu copo.

- E o que que tem? Todos nós sentimos os cosmos delas – falou – Não tem nada de errado nisso.

Hyoga abriu a boca e a fechou, incerto se deveria compartilhar seus pensamentos. Talvez fosse somente coisa da cabeça dele.

- Se tem algo para falar, conte de uma vez! Não quero ter que usar a força – Kanon disse, próximo a eles.

Camus veio junto apenas para pegar outro copo de água ao amigo, mas ouviu o comentário do pupilo. O cisne encarou o geminiano e após assentir ele contou o que lhe afligia.

 - O cosmo da amazona que me derrubou tem me perturbado. Eu senti o cosmo dela, mas... Ele me parece familiar – contou.

- O que quer dizer com familiar? – Ikki questionou.

- Eu já o senti uma vez – afirmou – Apenas não lembro onde. O cosmo dela era intenso, mas também harmonioso e acalentador. Quase que divino – seus lábios se tornaram uma linha fina.

A frase do cisne fizeram todos pensarem, porém, nada coerente no momento.

- Está pensando demais, avisei que isso não é bom – Ikki alegou, pedindo outro copo de cerveja – Beba um pouco e relaxe!

- Certo. Acho que estou abalado pelo ocorrido – Hyoga disse, mas sentia que tinha algo errado.

- Todos estamos! – Camus sibilou e depois foi levar a água para seu amigo.

No entanto, Kanon não deixou aquela frase passar. Divino significava divindade, Deus e isso poderia ser uma pista. Ou a confirmação de que ele estava certo, o inimigo vem do Olimpo. 

 


Notas Finais


Os rapazes ainda sofrem com os resultados da luta. As inimigas que os derrotaram se viram sendo enganadas por uma amazona que era amiga delas e talvez um erro tenha sido cometido. Será que dá tempo de remediar este erro? E o que acontecerá se essas amazonas ficarem cara a cara com os dourados?
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar e até o próximo capitulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...