História A Casa de Hades - Capítulo 10


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Categorias Os Heróis do Olimpo
Tags Fem Leo, Fem Nico, Fem Percy, Lank, Male Bianca, Male Piper, Male Thalia, Percalia, Valzhang
Exibições 10
Palavras 2.483
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo X Lea


Lea projetara as paredes do refeitório para exibir cenas em tempo real do Acampamento Meio-Sangue. No começo, achara que era uma ótima ideia. Agora, já não tinha tanta certeza. As cenas de casa – as cantorias ao pé da fogueira, os jantares no pavilhão, os jogos de vôlei do lado de fora da Casa Grande – pareciam entristecer seus amigos.

Quanto mais se distanciavam de Long Island, pior ficava. Os fusos horários mudavam, fazendo com que Lea sentisse a distância toda vez que olhava para as paredes. Ali na Itália, o sol acabara de nascer. Já no Acampamento Meio-Sangue, era de madrugada. As tochas crepitavam às portas dos chalés. O luar refletia nas ondas do Estuário de Long Island. A praia estava coberta de pegadas, como se uma grande multidão tivesse acabado de ir embora.

Subitamente, Lea se deu conta de que o dia anterior – certo, a noite anterior, na verdade – fora o Quatro de Julho. Eles haviam perdido a festa anual do Acampamento Meio-Sangue com os fogos de artifício incríveis preparados pelos irmãos de Lea no chalé 9.

Decidiu não comentar nada com a tripulação, mas esperava que os amigos em casa tivessem se divertido. Eles também precisavam de algo para manter o moral elevado.

Lembrou-se das imagens que vira em seu sonho: o acampamento em ruínas, repleto de corpos; Octavian na quadra de vôlei, falando despreocupadamente com a voz de Gaia.

Ela olhou para seus ovos com bacon e desejou poder desligar as imagens da parede.

— Então — disse Jason — agora que estamos aqui...

Ele se sentou à cabeceira da mesa meio que de modo automático. Desde que perderam Tyler, Jason vinha se esforçando ao máximo para assumir o papel de líder do grupo. Como fora pretor no Acampamento Júpiter, provavelmente estava acostumado. Mas Lea sabia que o amigo estava estressado. Ele parecia mais abatido, e seu cabelo louro estava desarrumado, como se tivesse se esquecido de penteá-lo, o que era estranho para ele.

Lea observou o restante da mesa. Ao seu lado estava seu namorado, Frank Zhang, vestindo calça preta de ginástica e uma camiseta romana de turista com a palavra: CIAO! (Aquilo chegava a ser uma palavra?). Trazia sua antiga medalha de centurião presa à camiseta, apesar de os semideuses do Argo II serem agora os Inimigos Públicos Números 1 a 7 do Acampamento Júpiter. Sua expressão sombria apenas reforçava a atração que Lea sentia por ele.

Hazel também estava com os olhos vermelhos, mas ela passara a noite em claro, guiando o navio pelas montanhas. Seu cabelo encaracolado cor de canela estava preso por uma bandana, o que lhe dava um ar de soldado de elite.

Ao lado dela estavam sentados seus meios-irmãos, Bruno e Nicolle di Angelo. Sério, aqueles irmãos eram muito esquisitos. Nico usava uma jaqueta de couro de aviador, camiseta e calça jeans pretas, aquele anel de prata sinistro em forma de caveira no dedo e trazia ao seu lado a espada de ferro estígio, Nicolle usava uma jaqueta de couro, camisa roxa com a estampa de da banda de rock CA/DC e shorts jeans preto rasgado, aquele colar e anel de prata era assustador de forma de caveira, em suas costas estava sua espada de fero estígio. Os cachos de ambos, na ponta de seu cabelo preto pareciam asas de filhotes de morcego. Tinham olhos tristes e um tanto vazios, como se tivesse olhado para as profundezas do Tártaro – como de fato olharam.

O único semideus ausente era Peter, que manejava o timão ao lado do treinador Hedge, seu acompanhante sátiro.

Lea desejou que Peter estivesse ali. Ele tinha um jeito de acalmar as coisas com aquele seu charme de Afrodite. Depois de seus sonhos na noite anterior, Lea gostaria de se acalmar.

Por outro lado, provavelmente era bom que ele estivesse no convés superior, com o acompanhante deles. Agora que estavam nas terras antigas, tinham de ficar constantemente em estado de alerta. Leo tinha medo de deixar o treinador Hedge voando sozinho. O sátiro tinha um dedo muito leve no gatilho, e o timão tinha muitos botões brilhantes e perigosos que poderiam explodir as pitorescas vilas italianas abaixo deles.

Lea estava tão fora do ar que não percebeu que Jason ainda estava falando.

— ... a Casa de Hades — dizia. — Bruno, Nicolle?

Bruno inclinou-se para a frente.

— Eu e Nicolle fizemos contato com os mortos na noite passada.

Ele disse aquilo com a maior naturalidade, como se estivesse contando que recebera uma mensagem de texto de um amigo.

— Descobrimos mais a respeito do que vamos enfrentar — prosseguiu Nicolle. — Nos tempos antigos, a Casa de Hades era um importante lugar de peregrinação para os gregos. Eles iam até lá para falar com os mortos e homenagear os antepassados.

Lea franziu a testa.

— Parece com o Día de los MuertosMinha tia Rosa levava esse negócio a sério.

Ela se lembrava de ter sido arrastada por ela até o cemitério local, em Houston, onde limparam os túmulos de seus parentes e fizeram oferendas de limonada, biscoitos e cravos frescos. Tia Rosa forçava Lea a participar de um piquenique, como se o fato de passar um tempo com os mortos abrisse o apetite.

Frank resmungou:

— Os chineses também fazem isso: adoram os antepassados e varrem as sepulturas na primavera — ele olhou para Lea e sorriu — sua tia Rosa teria se dado bem com a minha avó.

Lea teve uma visão aterrorizante de sua tia Rosa e uma velha chinesa em trajes de luta, se digladiando com porretes pontiagudos.

— É — disse Lea. — Tenho certeza de que teriam sido melhores amigas.

Bruno pigarreou.

— Muitas culturas têm tradições sazonais para honrar os mortos, mas a Casa de Hades ficava aberta o ano inteiro. Os peregrinos podiam realmente falar com os fantasmas. Em grego, o lugar era chamado de Necromanteion, o Oráculo da Morte. Você atravessava diferentes níveis de túneis, deixando oferendas e bebendo poções especiais...

— Poções especiais — murmurou Lea. — Que delícia.

Jason lançou-lhe um olhar tipo já chega, cara.

— Prossigam.

E assim Nicolle prosseguiu.

— Os peregrinos acreditavam que cada nível do templo os aproximava mais do Mundo Inferior, até os mortos aparecerem diante deles. Se ficassem satisfeitos com as oferendas, respondiam às perguntas, talvez até mesmo revelassem o futuro.

Frank deu um tapinha em sua caneca de chocolate quente.

— E se os espíritos não ficassem satisfeitos?

— Alguns peregrinos não encontravam nada — disse Bruno. — Alguns enlouqueciam ou morriam após saírem do templo. Outros se perdiam nos túneis e nunca mais eram vistos.

— O fato — acrescentou Jason rapidamente — é que Bruno e Nicolle encontraram uma informação que pode nos ser útil.

— É — Nicolle não parecia muito animado — o fantasma com nós falamos ontem à noite... ele era um ex-sacerdote de Hécate. Confirmou o que a deusa disse para Hazel ontem na encruzilhada. Na primeira guerra contra os gigantes, Hécate lutou ao lado dos deuses. Ela matou um dos gigantes, um que fora concebido como o anti-Hécate. Um sujeito chamado Clítio.

— Sujeito tenebroso — adivinhou Lea. — Envolto em sombras.

Hazel se voltou para ela, estreitando os olhos dourados.

— Como é que você sabe disso, Lea?

— Tive uma espécie de sonho.

Ninguém pareceu surpreso. A maioria dos semideuses tinha pesadelos vívidos sobre o que estava acontecendo no mundo.

Seus amigos ouviram o relato atentamente. Lea tentou não olhar para as imagens do Acampamento Meio-Sangue na parede enquanto descrevia o lugar em ruínas. Falou sobre o gigante tenebroso e sobre a estranha mulher na Colina Meio-Sangue, oferecendo-lhe diferentes opções de morte.

Jason afastou o prato de panquecas.

— Então o gigante é Clítio. Acho que ele vai estar nos esperando, guardando as Portas da Morte.

Frank enrolou uma das panquecas e começou a mastigar. Não era o tipo de sujeito que deixava a morte iminente ficar entre ele e um café da manhã saudável.

— E a mulher no sonho de Lea?

— Ela é problema meu — Hazel passou um diamante entre seus dedos em um truque de mágica — Hécate mencionou um inimigo poderoso na Casa de Hades, uma bruxa que só poderia ser derrotada por mim, por meio da magia.

— Você sabe magia? — perguntou Lea.

— Ainda não.

— Ah.

Ela tentou pensar em algo otimista para dizer, mas se lembrou dos olhos furiosos da mulher e de como seus dedos de aço fizeram sua pele fumegar.

— Tem alguma ideia de quem ela é?

Hazel balançou a cabeça.

— Só que... — Ela olhou para Bruno e Nicolle, e algum tipo de discussão silenciosa ocorreu entre eles.

Leo teve a sensação de que os três tiveram algumas conversas particulares a respeito da Casa de Hades e não estavam compartilhando todos os detalhes.

— Só que ela não vai ser fácil de derrotar.

— Mas temos algumas boas notícias — disse Nicolle. — O fantasma com quem conversamos explicou como Hécate derrotou Clítio na primeira guerra. Ela usou as suas tochas para pôr fogo no cabelo dele. Clítio morreu queimado. Em outras palavras, o fogo é a sua fraqueza.

Todos olharam para Lea.

— Ah — disse ela. — Tudo bem.

Jason assentiu, animado, como se aquela fosse uma ótima notícia, como se esperasse que Lea avançasse em direção a uma gigantesca massa de trevas, disparasse algumas bolas de fogo e resolvesse todos os seus problemas. Lea não queria decepcioná-lo, mas ainda podia ouvir a voz de Gaia: ele é o vazio que engole toda a magia, o frio que engole qualquer fogo, o silêncio que engole todas as vozes.

Lea tinha certeza de que precisaria de mais do que alguns fósforos para atear fogo àquele gigante.

— É um bom começo — insistiu Jason — pelo menos a gente sabe como matar o gigante. E essa feiticeira... bem, se Hécate acredita que Hazel pode derrotá-la, então eu também acredito.

Hazel baixou os olhos.

— Agora, só precisamos chegar à Casa de Hades, abrir caminho em meio às forças de Gaia...

— Além de um bando de fantasmas — acrescentou Bruno, sombrio — os espíritos naquele templo podem não ser amigáveis.

— ... e encontrar as Portas da Morte — completou Hazel. — Supondo que de alguma forma a gente consiga chegar ao mesmo tempo que Percy e Tyler e resgatar os dois.

Frank engoliu um pedaço de panqueca.

— Nós podemos fazer isso. Precisamos conseguir.

Lea admirou o otimismo do grandalhão. Pena que não sentia o mesmo.

— Então, com este desvio — disse Lea — estimo quatro ou cinco dias de viagem até chegarmos a Épiro, presumindo que não haja atrasos como, vocês sabem, ataques de monstros e outras coisas assim.

Jason sorriu amargamente.

— É. Isso nunca acontece.

Lea olhou para Hazel.

— Hécate disse que Gaia estava planejando a sua grande Festa do Despertar para primeiro de agosto, certo? O Festim de Sei Lá o Quê...

— Spes — disse Hazel. — A Deusa da Esperança.

Jason virou o garfo.

— Teoricamente, temos tempo suficiente. Ainda é cinco de julho. Devemos conseguir fechar as Portas da Morte e, depois, encontrar o quartel-general dos gigantes e os impedir de despertar Gaia antes de primeiro de agosto.

— Teoricamente — concordou Hazel. — Mas eu ainda gostaria de saber como vamos entrar na Casa de Hades sem enlouquecer ou morrer.

Ninguém deu qualquer sugestão.

Frank largou a sua panqueca como se subitamente ela não tivesse mais um gosto tão bom.

— É cinco de julho. Ah, droga, eu nem me lembrei...

— Ei, tudo bem — disse Lea. — Você é canadense, certo? Eu não estava esperando que me desse um presente de Dia da Independência ou algo assim... a menos que você fizessequestão...

— Não é isso. A minha avó... ela sempre me disse que sete era um número de azar. Era um número fantasma. Ela não gostou quando contei que haveria sete semideuses em nossa missão. E julho é o sétimo mês.

— É, mas... — Lea tamborilou nervosamente sobre a mesa. Ela percebeu que estava dizendo eu te amo em código Morse, do jeito que costumava fazer com a mãe, o que teria sido muito constrangedor caso seus amigos entendessem o código Morse. — Mas é só uma coincidência, não é?

A expressão de Frank não o tranquilizou.

— Lá na China, as pessoas chamavam o sétimo mês de mês fantasma. Era quando o mundo dos espíritos e o mundo dos homens ficavam mais próximos. Os vivos e os mortos podiam atravessar de um para o outro. Acha mesmo que é uma coincidência estarmos procurando as Portas da Morte no Mês Fantasma?

Ninguém disse nada.

Lea queria acreditar que uma velha crença chinesa não teria nada a ver com gregos e romanos. Totalmente sem relação, certo? Mas a existência de Frank era prova de que tais culturas estavam interligadas. A árvore genealógica de Zhang remontava à Grécia Antiga. Passaram por Roma e pela China e, finalmente, chegaram ao Canadá.

Além disso, Lea não parava de pensar sobre seu encontro com a deusa da vingança, Nêmesis, no Great Salt Lake. Nêmesis o chamara de a sétima vela, o forasteiro naquela missão. Ela não quis dizer sétimo no sentido de fantasma, certo?

Jason apoiou as mãos nos braços da cadeira.

— Vamos nos concentrar no que podemos resolver. Estamos chegando a Bolonha. Talvez tenhamos mais respostas quando encontrarmos esses anões que Hécate...

O navio adernou como se tivesse batido em um iceberg. O prato de Lea deslizou pela mesa. A cadeira de Nicolle tombou para trás e ela bateu a cabeça no aparador. Então caíram no chão, com uma dúzia de taças e pratos mágicos virando em cima dela.

— Nicolle!

Hazel e Bruno correram para ajudá-la.

— O que...? — Frank tentou se levantar, mas o navio adernou para o outro lado. Ele tropeçou na mesa e caiu de cara no prato de ovos mexidos de Lea.

— Vejam! — Jason apontou para as paredes.

As imagens do Acampamento Meio-Sangue piscavam e mudavam.

— Impossível — murmurou Lea.

Não havia como aqueles encantamentos exibirem algo além de cenas do acampamento, mas de repente um enorme rosto distorcido preencheu toda a parede de bombordo: dentes amarelos e tortos, uma barba vermelha desgrenhada, nariz cheio de verrugas e olhos assimétricos: um muito maior e mais alto do que o outro. O rosto parecia estar tentando entrar na sala.

As outras paredes piscaram, mostrando cenas do convés. Peter estava no leme, mas havia algo errado. Do pescoço para baixo ele estava enrolado em fita adesiva, e tinha também a boca amordaçada e as pernas amarradas ao painel de controle.

No mastro principal, o treinador Hedge também estava amarrado e amordaçado, enquanto uma criatura de aparência bizarra – uma combinação de gnomo com chimpanzé sem muito bom gosto para roupas – dançava ao redor dele, fazendo pequenas tranças no cabelo do treinador e prendendo-as com elásticos cor-de-rosa.

Na parede de bombordo, a enorme cara feia recuou para exibir seu corpo: era outro gnomo chimpanzé com roupas ainda mais malucas. Ele começou a saltitar pela plataforma, enfiando coisas em um saco de estopa – a adaga de Peter, o controle de Wii de Lea. Então, arrancou a esfera de Arquimedes do painel.

— Não! — gritou Lea.

— Ai — gemia Nicolle no chão.

— Peter! — gritou Jason.

— Macacos! — gritou Frank.

— Não são macacos — resmungou Hazel. — Acho que são anões.

— Estão roubando as minhas coisas! — gritou Lea, e correu para a escada.

 



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