História A Casa de Hades - Capítulo 9


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Categorias Os Heróis do Olimpo
Tags Fem Leo, Fem Nico, Fem Percy, Lank, Male Bianca, Male Piper, Male Thalia, Percalia, Valzhang
Exibições 11
Palavras 1.966
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Capítulo IX Lea


Lea passou a noite lutando com uma Atena de doze metros de altura.

Desde que trouxeram a estátua a bordo, estava obcecado em descobrir como funcionava. Tinha certeza de que ela possuía poderes especiais. Tinha de haver um interruptor secreto, uma placa de pressão ou algo assim.

Ela deveria estar dormindo, mas simplesmente não conseguia. Passava horas rastejando sobre a estátua deitada, que ocupava a maior parte do convés inferior. Os pés de Atena estavam enfiados na enfermaria, de modo que quem quisesse um analgésico tinha que se espremer por entre seus dedos de marfim. O corpo da estátua ocupava todo o corredor de bombordo, e sua mão estendida chegava até o interior da casa de máquinas, segurando na palma a estátua em tamanho real de Nice, como se dissesse: Aqui, tome um pouco de Vitória! O rosto sereno de Atena ocupava a maior parte dos estábulos dos pégasos, na popa, que felizmente estavam desocupados. Se Lea fosse um égua mágico, ela não gostaria de morar em um estábulo com uma deusa da sabedoria gigante olhando para ela.

A estátua tomava todo o corredor, por isso Lea tinha de subir nela e se esgueirar sob os seus membros, procurando alavancas e botões.

Como sempre, não encontrou nada.

Lea andara pesquisando sobre a estátua. Ela sabia que fora feita a partir de uma estrutura de madeira oca coberta de marfim e ouro, o que explicava por que era tão leve. Estava em muito bom estado, considerando-se que tinha mais de dois mil anos de idade, fora roubada de Atenas, levada para Roma e estivera secretamente escondida na caverna de uma aranha por praticamente dois milênios. A magia, combinada com o excelente trabalho artesanal, devia tê-la mantido intacta, supunha Lea.

Tyler dissera... bem, ela tentou não pensar em Tyler. Ainda se sentia culpado por ele e Percy terem caído no Tártaro. Lea sabia que a culpa era dela. Deveria ter trazido todos em segurança a bordo do Argo II antes de começar a prender a estátua. Ela deveria ter percebido que o chão da caverna era instável.

Contudo, lamentar-se não traria Percy e Tyler de volta. Ela precisava se concentrar nos problemas que podia resolver.

De qualquer forma, Tyler dissera que a estátua era a chave para derrotar Gaia. Ela poderia pôr fim à rixa entre os semideuses gregos e romanos. Lea imaginava que devia haver ali mais do que simples simbolismo. Talvez os olhos de Atena disparassem raios laser, ou a serpente por trás de seu escudo cuspisse veneno. Ou talvez a figura menor da deusa Nice ganhasse vida e executasse alguns golpes ninja.

Lea imaginava todo tipo de coisas divertidas que a estátua poderia fazer caso ele a tivesse projetado, mas quanto mais a examinava, mais frustrado ficava. A Atena Partenos irradiava magia. Até mesmo ela conseguia sentir. Mas aparentemente não fazia outra coisa além de parecer impressionante.

O navio adernou em uma manobra evasiva. Lea resistiu ao impulso de correr até o timão.

Jason, Peter e Frank estavam de plantão com Hazel agora. Eles podiam lidar com fosse lá o que estivesse acontecendo. Além disso, Hazel insistira em assumir o leme para guiá-los pela passagem secreta que a deusa da magia mencionara.

Lea esperava que Hazel estivesse certa a respeito do longo desvio ao norte. Ela não confiava naquela tal de Hécate e não entendia por que uma deusa esquisita que dava arrepios de repente decidira ser prestativa.

Claro, ela não costumava confiar em magia. Por isso estava tendo tantos problemas com a Atena Partenos. A estátua não tinha peças móveis. Seja lá o que fizesse, aparentemente funcionava com pura feitiçaria... e Lea não gostava disso. Ela queria que aquilo fizesse sentido, como uma máquina.

Finalmente, ficou exausto demais para pensar direito. Encolheu-se sob um cobertor na sala de máquinas e ficou ouvindo o reconfortante murmurar dos geradores. Buford, a mesa mecânica, estava em um canto, em modo de espera, emitindo seus roncos vaporosos: shhh, pfft, shh, pfft.

Lea até gostava de seus aposentos, mas se sentia mais segura ali, no coração do navio, em uma sala repleta de mecanismos que sabia controlar. Além disso, se passasse mais tempo perto da Atena Partenos, talvez acabasse compreendendo os seus segredos.

— Sou eu ou você, Dona — murmurou, puxando o cobertor até o queixo. — Você vai acabar cooperando.

Ela fechou os olhos e dormiu. Infelizmente, isso significava sonhar.

* * *

Tentando salvar a própria vida, ela corria pela antiga oficina de sua mãe, onde ela morrera em um incêndio quando Lea tinha oito anos.

Lea não sabia bem o que o estava perseguindo, mas sentia que se aproximava com rapidez – algo grande, escuro e cheio de ódio. Esbarrou em bancadas, derrubou caixas de ferramentas e tropeçou em cabos elétricos.

Viu a saída e correu naquela direção, mas uma figura surgiu à sua frente: uma mulher trajando uma túnica de terra seca rodopiante, com o rosto coberto por um véu de poeira.

Aonde vai, heroizinha?, perguntou Gaia. Fique e conheça meu filho favorito.

Lea correu para a esquerda, mas o riso da deusa da terra o seguiu.

Na noite em que sua mãe morreu, eu a avisei. Disse que as Parcas não me permitiriam matá-la naquela ocasião. Mas agora você escolheu o seu caminho. Sua morte está próxima, Lea Valdez.

Ela se chocou contra uma mesa de desenho, o antigo local de trabalho de sua mãe. A parede atrás da mesa era decorada com desenhos feitos por Lea com giz de cera. Ela soluçou em desespero e tentou voltar, mas a coisa que a perseguia estava agora em seu caminho, um ser colossal envolto em sombras de forma vagamente humanoide, com a cabeça quase tocando o teto, seis metros mais acima.

As mãos de Lea se incendiaram. Ela atacou o gigante, mas a escuridão engoliu o fogo. Lea tateou à procura do cinto de ferramentas, mas os bolsos estavam costurados. Ela tentou falar – dizer qualquer coisa que pudesse salvar sua vida – mas não conseguia emitir som algum, como se o ar tivesse sido roubado de seus pulmões.

Meu filho não permitirá fogos hoje à noite, disse Gaia do fundo do armazém. Ele é o vazio que engole toda a magia, o frio que engole qualquer fogo, o silêncio que engole todas as vozes.

Lea quis gritar: E eu sou a garota que vai dar o fora!

Sua voz não funcionava, então usou os pés, correndo para a direita, esquivando-se das gigantescas mãos sombrias que tentavam agarrá-la, e atravessou a porta mais próxima.

Subitamente, viu-se no Acampamento Meio-Sangue, só que o lugar estava em ruínas. Os chalés eram cascas carbonizadas. Campos queimados ardiam ao luar. O pavilhão de jantar desmoronara em uma pilha de escombros brancos, e a Casa Grande estava em chamas, e suas janelas brilhavam como olhos de demônios.

Lea continuou a correr, certo de que o gigante de sombra ainda estava atrás dele. Desviou de corpos de semideuses gregos e romanos. Queria verificar se estavam vivos. Queria ajudá-los. Mas por algum motivo sabia que seu tempo estava se esgotando.

Lea correu em direção às únicas pessoas vivas que viu – um grupo de romanos na quadra de vôlei. Dois centuriões casualmente inclinados contra seus dardos, conversando com um sujeito louro alto e magricela, vestindo uma toga roxa.

Lea tropeçou.

Era aquele estranho Octavian, o áugure do Acampamento Júpiter, que estava sempre clamando por guerra.

Octavian se voltou para ela, mas parecia estar em transe. Estava com o rosto relaxado e de olhos fechados. Quando falou, foi com a voz de Gaia: Isto não pode ser evitado. Os romanos estão se deslocando a leste de Nova York. Eles avançam em direção ao seu acampamento, e nada poderá detê-los.

Lea se sentiu tentada a dar um soco no rosto de Octavian. Em vez disso, continuou correndo. Subiu a Colina Meio-Sangue. No cume, um raio partira o pinheiro gigante.

Ela parou, atônita. A parte de trás da colina fora devastada. Mais além, o mundo inteiro desaparecera. Lea viu apenas nuvens bem lá embaixo, um tapete prateado estendendo-se sob o céu escuro.

Uma voz aguda disse:

— Bem?

Lea se assustou.

No pinheiro partido, havia uma mulher ajoelhada à entrada de uma caverna que se abrira entre as raízes da árvore.

A mulher não era Gaia. Mais parecia uma Atena Partenos viva, com a mesma toga dourada e os braços nus de marfim. Quando ela se levantou, Lea quase caiu da borda do mundo.

Seu rosto era belo como o de uma rainha, com maçãs do rosto proeminentes, grandes olhos escuros e cabelo cor de alcaçuz trançado em um elegante penteado grego, enfeitado com uma espiral de esmeraldas e diamantes que para Leo lembrava uma árvore de Natal. Sua expressão irradiava puro ódio. Tinha os lábios retorcidos. O nariz franzido.

— A filha do deus remendão — zombou ela. — Você não é ameaça, mas suponho que minha vingança deva começar em algum lugar. Faça a sua escolha.

Lea tentou falar, mas estava paralisado de tanto medo. Entre aquela rainha furiosa e o gigante que o perseguia, não tinha ideia do que fazer.

— Ele estará aqui em breve — avisou a mulher. — Meu amigo sombrio não lhe dará o luxo de uma escolha. É o precipício ou a caverna, garota!

Subitamente, Lea entendeu o que ela queria dizer. Ela estava encurralada. Poderia saltar do precipício, mas isso seria suicídio. Mesmo que houvesse terra sob aquelas nuvens, morreria na queda, ou talvez simplesmente caísse para sempre.

Mas a caverna... ela olhou para a entrada escura entre as raízes da árvore. Cheirava a podridão e morte. Ela ouviu corpos movendo-se lá dentro, vozes sussurrando nas sombras. A caverna era a casa dos mortos. Se ela entrasse, nunca sairia.

— Sim — disse a mulher.

Trazia ao redor do pescoço um estranho pingente de bronze e esmeralda, como um labirinto circular. Seus olhos estavam tão zangados que Lea finalmente entendeu por que se dizia que alguém ficava “louca de raiva”. Aquela mulher havia enlouquecido de tanto ódio.

— A Casa de Hades a espera — disse ela. — Você será a primeira roedora insignificante a morrer em meu labirinto. Tem apenas uma chance de escapar, Lea Valdez. Aproveite-a.

Ela fez um gesto em direção ao penhasco.

— Você está doida — disse Lea, recuperando a fala.

Não devia ter dito aquilo. Ela o agarrou pelo pulso.

— Talvez eu devesse matá-la agora, antes da chegada de meu amigo das trevas.

Passos faziam a encosta tremer. O gigante se aproximava, envolto em sombras, enorme, pesado e sedento de sangue.

— Você já ouviu falar sobre morrer em um sonho, garota? — perguntou a mulher. — Isso é possível, nas mãos de uma feiticeira!

O braço de Lea começou a fumegar. O toque da mulher era ácido. Ela tentou se libertar, mas os dedos dela pareciam feitos de aço.

Lea abriu a boca para gritar. O enorme volume do gigante pairou sobre ela, obscurecido por camadas de fumaça negra.

O gigante ergueu o punho e uma voz penetrou em seu sonho.

— Lea — Jason sacudia o seu ombro. — Ei, por que você está agarrando a Nice?

Lea abriu os olhos. Seus braços estavam ao redor da estátua em tamanho natural na mão de Atena. Ela deve ter se debatido durante o sono e se agarrado à deusa da vitória, como costumava se agarrar ao travesseiro na infância quando tinha pesadelos. (Cara, isso era tão embaraçoso quando acontecia em lares adotivos...)

Ela se desvencilhou da estátua e se sentou, esfregando o rosto.

— Nada — murmurou. — Estávamos apenas nos abraçando. Hã, o que está acontecendo?

Jason não caçoou dela. Esta era uma coisa que Lea apreciava no amigo. Os olhos azul gelo do garoto estavam calmos e sérios. A pequena cicatriz em sua boca estremeceu, como sempre acontecia quando trazia más notícias.

— Conseguimos atravessar as montanhas — contou ele. — Estamos quase chegando a Bolonha. Você deve encontrar a gente no refeitório. Bruno e Nicolle tem novas informações.

 



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