História A confusão da minha vida - Capítulo 52


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aluna, Amigos, Amor, Amor Proibido, Depressão, Drama, Lesbicas, Professora, Romance
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Palavras 1.761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Poesias, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Gente, não sei se repararam mas eu acrescentei um final mais digno e meloso no capítulo anterior. Depois que reli, senti que faltava algo.

Bem, como eu disse para vocês: as coisas correram um pouco... É, tipo, bastante. Leiam com bastante atenção e amor no coração. E ah, esse é só a primeira parte. Beijos e eu amo todos!

Capítulo 52 - O grande dia (parte 1)


Narradora.

Era cedo. Precisamente cinco e quarenta da manhã de domingo, 02 de setembro. A garota encostada à janela olhava para além dela. O seu olhar perdido no horizonte que se anunciava à frente. A aurora boreal em seus infinitos tons de vermelho, amarelo e laranja se insinuavam diante de seus olhos, e ela se sentia presenteada por Deus por simplesmente o nervosismo não a ter deixado dormir, podendo, assim, assistir àquela cena maravilhosa que a natureza fazia questão de exibir dia após dia, todavia ninguém se importava em levantar uma ou duas horas mais cedo para ver.

Envolta de seus lençóis, cabelos soltos e pés descalços sobre o cimento frio, Fernanda apertou mais ainda seu corpo com os braços. O vento forte, que vinha de um lugar muito distante, alcançando-os àquela hora da madrugada, varria as folhas secas que as árvores sempre deixavam cair no chão da rua. O barulho das pontas delas se arrastando pelo asfalto também, naquele momento, se tornou em algo mágico para a menina.

Seus cabelos eram lançados para trás toda vez que o vento batia em seu rosto. Ela fechou os olhos inspirando profundamente aquele ar leve. E naquele momento, enquanto levava sua mão direita até seu coração, fazendo uma pequena pressão nele, a certeza de que era a pessoa mais feliz do mundo se apossou dela.

Hoje é o meu dia.

Toda pessoa tinha um dia como aquele. Um dia em que acordava cedo, zanzava pela casa e tudo, absolutamente tudo, era motivo para sorrir. Mas não aquele sorriso comum que você é obrigada a dar para não ser antipático, mas sim o sorriso, aquele que iluminava sua alma e acalentava o espírito. Que enfeitava a face, contagianado até a pessoa mais rabugenta do mundo.

No dia anterior, ela e sua amiga (e professora) passaram horas no SPA. Hidratação no cabelo, unha, depilação, esfoliação na pele... Tudo o que fosse possível de se imaginar. E enquanto sofria com as puxadas que a esteticista dava nela no intuito de arrancar seus pelos, ela pensava que para o homem tudo era mais fácil: apenas levantava, tomava um banho e se vestia. Nada mais.

Ainda com os olhos fechados, a imagem de Rebecca se fez em sua mente. Seus cabelos lisos e revoltos, seus olhos castanhos com aquele brilho que sempre denunciava sua alma, seu corpo alto e definido, seus braços... Suas pernas. Um sorriso travesso se formou em seus lábios e, abrindo os olhos, fixou mais uma vez sua atenção para além da janela. Já começava a ficar claro. As Gaivotas e os Bem-te-vis iniciavam o coral de toda manhã, e alguns cachorros de rua se mostravam andando pelas calçadas, latindo fortemente. Deixou seu corpo e se inclinou para fechar a janela. Olhou para o lado, para sua cama, onde sobre ela descansava um lindo e perfeito vestido de noiva sem nenhum amasso. Se aproximou e pela milésima vez, desde que Carla o trouxera na tarde do dia anterior, correu sua mão por toda sua extensão, mas sem tocá-lo.

Não era apenas um vestido branco, aquele com o qual toda mulher sonhava em usar no dia do seu casamento e ficar linda, com todos os olhares voltados para ela lhe dando a certeza de que era, naquele momento, a imagem perfeita. Não, não era por isso que Fernanda admirava a roupa em cima de sua cama e as lágrimas novamente voltavam a emergir de seus olhos, escorrendo por sua face. Mas sim pelo simples fato de que aquela roupa significava a união com a mulher de sua vida.

Com aquela que iniciou seus sonhos, que a fez nascer, que a amou desde o primeiro momento e que naquele dia juraria, perante centenas de pessoas, que a amaria para sempre. Para Fernanda poderia ser qualquer roupa, poderia ser apenas um velho e surrado jeans com uma camiseta e seu All Star. Não importava a roupa, não importavam as milhares de flores que estavam sendo colocadas naquele exato momento no sítio, muito menos os inúmeros presentes que começaram a chegar desde o dia anterior. A única coisa que realmente importava era ela.

Ela queria um vestido mais simples, um que parecesse com ela. Entretanto Paloma e sua mãe fizeram questão de não deixar que aquilo acontecesse. “Quero você linda!”, dizia Flávia para a filha, enquanto era espetada por agulhas que estavam sendo manejadas por duas mãos enrugadas, de uma velha senhora que tinha um ateliê.

Não que ela não tivesse gostado do vestido escolhido, pois seria hipocrisia se dissesse isso, até porque era um lindo, um surreal e lindo vestido, com algumas camadas por debaixo do cetim branco, uma grossa faixa rodeava a cintura e a sua frente, na parte dos seios, era coberta por uma fina renda.

Fernanda levou seu corpo agitado até o banheiro, fitou-se no grande espelho sobre a pia. Para quem não dormira nada durante a noite até que ela estava bem. Sem olheiras e sem aquele ar de cansaço. Somente bem. Seus olhos brilhavam, irradiavam uma felicidade que chegava a ser sentida sobre os ombros de tão intensa e forte que era. Sua pele parecia estar mais lisa e iluminada... E seus cabelos, soltos e sobre os ombros, pareciam que receberam uma recarga extra de queratina de tão lindo que estavam.

Logo o sol subiria mais no horizonte, se fixando sobre o céu, clareando a manhã. As pessoas começariam a chegar para a cerimônia que iria iniciar às nove horas.

“Por que casar de dia?” essa foi uma das milhares de perguntas que a Camila fez à garota. Ela simplesmente não sabia por que, apenas queria que fosse pela manhã.

O buquê de rosas vermelhas estava dentro de um vaso sobre a pia do banheiro e passou a noite exalando seu perfume no pequeno ambiente. Era doce e suave. Exatamente como Fernanda queria que fosse sua vida ao lado da mulher que amava. Depois daquele dia tudo mudaria para sempre.

“Serei uma mulher casada!” O pensamento a fez sorrir para sua imagem refletida no espelho. Nunca se sentiu tão feliz. Nem mesmo quando Rebecca lhe jurou amor eterno tendo como testemunhas apenas as paredes brancas que isolavam seu quarto. Aquele seria o dia em que sua felicidade transbordaria, que derramaria de tão cheia que estava.

Ela a amava.

E a cada dia que se passava aquela certeza aumentava. Se concretizava. Ela sabia disso porque o amor que sentia por aquela mulher era o combustível que seu corpo necessitava para viver. Era o ar que respirava, o chão que pisava e a gravidade que a mantinha erguida. Resumindo: era seu tudo!

Fernanda não a via fazia dois dias. Não sabia o que ela andou fazendo, pois a proibiram de ligar para ela. Quem fez isso? Paloma e sua mãe. Ela não entendia o porquê daquela presepada, afinal, a única coisa que não poderia acontecer não era ser vista pela noiva antes do casamento? E ainda mais, só se estivesse vestida com o vestido? Elas surtaram mais ainda quando se deram conta de que seriam duas vestidas de noiva, e não somente uma.

Voltou para o quarto e foi mais uma vez até o seu computador, que estava ligado desde a noite de ontem na esperança da sua noiva, quase esposa, dar sinal de vida. Todavia não ocorreu. Fernanda chegou a cogitar a possibilidade de também terem retirado dela todos os meios possíveis de comunicação. E ela sabia bem quem fez aquilo: Carla. A baixinha resolveu prender Rebecca em sua casa. Jogou fora o celular e o notebook dela, só podia ser aquilo.

E como imaginado, não havia nada dela. Nada mesmo. Apenas muitas felicitações de amigos desejando os parabéns pelo casamento. Muitos ainda surpreendidos com o fato do seu envolvimento com a professora (agora ex-professora) de Artes, outros se desculpavam por não ser possível estarem presentes. E mesmo assim, cento e quarenta e sete pessoas confirmaram presença. Sim! Isso tudo! Fernanda estava assustada, não conhecia nem a metade das pessoas que estariam lá!

Certo que alguns eram parentes e amigos dela. Mas o restante eram convidados da Rebecca. Seu pai, a governanta, Carla com o namorado, Tatiana (amiga de faculdade que estava se estabilizando na cidade e que passou a ensinar Artes em seu lugar) e outras pessoas que ela convidou. Seria estranho estar rodeada por tanta gente.

Um baixo som de uma batida na porta a fez fechar o notebook sem nem desligá-lo. Não podiam saber que ela estava tentando contato com o mundo lá fora. Se dirigiu até a porta, abrindo-a. Sua mãe surgiu ainda vestida em seu robe cinza de seda e em seus pés meias de algodão.

— Bom dia — saudou a senhora entrando no quarto. — Dormiu bem? — ela tentava com que as emoções que estavam dentro dela não transbordassem, tinha que ser forte, por ela e por sua filha.

Flávia estava muito emocionada! Nunca imaginou que casaria sua filha aos dezoito anos. Era muita emoção para uma pessoa muito pequena. Ela temia que seu coração não viesse a aguentar até o fim do dia.

— Sim. Apenas acordei cedo — a menina respondeu, tentando não preocupar sua mãe por causa da noite não dormida.

— A florista acabou de ligar, está tudo pronto no sítio — informou sua mãe. — Está nervosa?

— Um pouco — Fernanda passou suas mãos uma na outra, esfregando com força. Sua mãe pegou delicadamente em seu rosto e sorriu para ela.

— Nem acredito que esse dia chegou... — sua voz não passou de um sussurro. Em seus olhos nasceu um brilho forte e contagiante. Era a emoção que tomava conta da sua mãe. Era a mesma que tomava conta dela.

— Nem eu mamãe, nem eu — falou igualmente baixo.

— Você está feliz? Quero dizer, está certa de que é isso mesmo que quer? — se explicou.

— Claro que sim! Ela é tudo o que mais quero.

— Eu vejo que sim. Perguntei apenas para que saiba que estou ao seu lado. Mas fico feliz que esteja certa de que ela é o que quer para sua vida. Constituir uma família muitas vezes não é o sonho que sonhamos, filha. Ainda mais tão jovem como é. Deixarás de fazer muitas coisas. Casamento, por mais que seja entre duas pessoas que realmente se amem, tem seus dias de tribulações — olhou bem fundo nos olhos da filha. — Saber ceder sempre é o melhor. Não estou lhe mandando abaixar a cabeça e concordar com tudo. Apenas saiba fazer arrodeios, saiba ser sempre o poço de doçura que a minha Fernanda tem que ser — limpou duas lágrimas trapaceiras que insistiram em rolar pelo rosto da filha, e depois a abraçou fortemente, depositando um beijo no topo de sua cabeça.



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